The Spirit of Sand
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Os treinos da Akame haviam progredido. Ela apostou com um shinobi recém-chegado, o maior especialista de espadas e agulhas de Sunagakure, que se conseguisse comer mais Dangos do que ele, ele teria de se tornar seu mestre e lhe ensinar a arte das lâminas. Óbviamente, o ninja achou graça daquilo. Quem aposta Dangos?? Só ela.
Acontece que ninguém havia dito para ele que Dangos eram os doces preferidos da Akame. Quem diria que uma mocinha delicada e aparentemente inofensiva se tornaria um monstro devorador daquelas bolinhas coloridas doces e de quebra, depois de acabar com o estoque da loja, ainda iria tomar um sorvete. Ele havia subestimado-a, fazer o que né.
Treinar, treinar e treinar, ela só pensava nisso. Ah é... nisso e no Gaara. Levantava-se cedo, treinava duro com seu novo mestre e depois passava o restante do dia zanzando pela vila ou plantada na sala do kage, olhando ele trabalhar.
Ela realmente não se importava de passar horas naquele silêncio sepulcral, vendo-o lidar com aquele monte de papel. O rapaz, no começo, achava aquilo estranho mas depois que se acostumou pediu até que colocassem um sofá mais confortável ali para acomodá-la. A presença dela fazia muito bem pra ele, tornava o expediente que antes era chato e monótono em algo mais agradável. Além do que, ele gostava muito do fato que ela sabia respeitar o silêncio dele. Ele estava cada dia mais atraído por aquela mulher.
— O que foi? – Perguntou Akame
— Nada – disse Gaara, depois que foi pego observando-a.
— Sabe, senhor, eu tenho algo para te contar. Acho que você vai gostar de saber.
— Você acabou de novo com o estoque de Dangos da loja de doces?
—Não
— Hmm..devo providenciar o velório de alguém?
—Nãaao
— Certo, sou todo ouvidos – Disse se escorando na cadeira com um ar de satisfação, dando uma pausa no trabalho para prestar atenção naquela musa.
— Hoje cedo, eu tive uma daquelas intuições novamente. Sobre habilidades – disse olhando para o teto, deitada no sofá.
—Continue...
—Eu quero sua ajuda. Ahm... Preciso de um daqueles papeis que mostram a natureza do chakra., você pode me dar um? – levantou-se e ia se aproximando da mesa quando Gaara abriu uma gaveta e tirou dela um bloco do que Akame estava pedindo. Destacou uma e entregou. Na mesma hora que a moça tocou no papel, ele foi petrificado.
— Isso é algo interessante – Disse Gaara olhando para a pedra
— Ah...eu sabia. – Disse com um tom de decepção — Hoje cedo aconteceu a mesma coisa. Levantei de madrugada para tomar uma água e não acendi a luz, acabei esbarrando no armário e a jarra com a água ia cair. Eu tentei pegar no meio da queda mas meus dedos só relaram nela e quando vi jarra e a água que estavam dentro haviam sido petrificados.– sentou-se no sofá, olhando para o ruivo.
—Akame, vou te explicar uma coisa: esses papeis mostram a natureza simples dos elementos de energia, porém, dependendo do quão forte seu chakra for, ele também manifesta sua habilidade individual.
—Habilidade Individual?
— Sim, chama-se kekkei genkai. É um poder herdado pelo sangue que ninguém pode copiar ou aprender, por isso é individual. Duas naturezas elementais de chakra se fundem e dão origem à esse tipo de habilidade. E bom, a julgar pelo seu tipo de poder, a sua natureza básica deve ser Doton misturado com algum outro.
— Ok, mas... como eu domino isso? Tenho medo de petrificar alguém
— Você treina! Amanhã já pode começar. – Disse o ruivo se escorando os cotovelos na mesa.
— Certo – Disse a moça sorrindo. A animação dela para treinar e ficar mais forte lembrava a Gaara um pouco do entusiasmo de Naruto, quando ele ainda idealizava a idéia de ser Hokage. Aquele garoto escandaloso que tirou ele da escuridão.
~
Os treinos com chakra começaram, por que aquilo tinha que ser tão difícil? As coisas eram bem mais simples quando eram só taijutsu e espadas, que aliás ela havia ficado bastante habilidosa.
— Vamos dar uma pausa.
— Não, por favor, eu preciso controlar isso..
Akame treinava intensamente todos os dias. Mas, em uma certa noite, ela começou a ter uns sonhos estranhos. Na verdade eles se pareciam com lembranças. Ela ouvia gritos, alguma coisa queimava, a imagem de um velho nojento deitado no chão rindo pra ela de um jeito diabólico, o rosto de um homem jovem de cabelo branco sorrindo para ela mas com o mesmo sorrido maldoso, ela se via correndo no meio da floresta e sempre acordava com uma mulher gritando: CORRA, AKAME!!
Acordou de repente, com a respiração acelerada. Levantou-se para ir até o banheiro, estava um pouco tonta e toda suada. Assim que se pôs a andar, sentiu um liquido quente e grosso descendo pelo seu nariz até a boca. O gosto metálico denunciava o que era, sangue. No mesmo momento uma dor na cabeça a atingiu em cheio, ela caiu de joelhos no chão e se apoiou sobre um dos braços. O sangue pingava enquanto aquela dor lancinante a fazia se espremer de dor. Tudo no quarto girava, às vezes se tornava turvo ou duplo, as lágrimas escorriam pelo rosto ela mal conseguida respirar.
Depois da crise, sem forças para levantar, tombou no chão e pode ver então que nas palmas de ambas as mãos trêmulas havia um selo e viu ainda pelo decote da camisola, através do espelho que estava bem à frente, que o mesmo selo das mãos estava também sobre o seu peito, entre os seios. Ela estava cansada demais para pensar ou mesmo se levantar, mal conseguiu manter seus olhos abertos.
~
A partir daquela noite, ela começou a ter crises de dor, sempre durante o dia. Passou a andar pela vila sempre perto de algum canto onde pudesse se esconder caso fosse muito insuportável e rezava para que não tivesse crises perto do Kazekage.
— você está bem?
— Estou sim, por quê não estaria? – dizia sorrindo. Não queria que ninguém soubesse daquilo, principalmente o Gaara.
Os sonhos durante à noite a deixavam perturbada: as imagens de destruição, a adrenalina que sentia, os gritos que ouvia, tudo aquilo deixavam-na tensa. Seu sono acabou sendo prejudicado, não conseguia mais relaxar.
Depois de algumas semanas nesse estado, resolveu tomar uma atitude e ir ao médico. Sabia que era arriscado mas, ao mesmo tempo, queria saber do que se tratava. Tudo aquilo havia piorado depois que começou a treinar seu chakra, mas antes dela sequer saber que tinha essa força em si, já sofria com dores estranhas. Quanto mais treinava, mais doía. Também não parava de pensar naqueles selos. Depois daquela noite no quarto, pela manhã, os selos haviam sumido mas nem por isso deixou de ser atormentada.
— Acho que não tenho muita opção, preciso ir ao hospital. – Estava muito insatisfeita e se aquele médico resolvesse abrir o bico, ele ia saber com quantas ataduras se fazia uma múmia.
~
Chegando lá contou sobre as crises, mas omitiu alguns detalhes. Ele não precisava saber de tudo, ela não queria. O ninja médico a ouviu com atenção, em seguida, realizou diversos exames incluindo os laboratoriais e de imagem – Depois que Sakura havia impressionado a todos ali com suas habilidades médicas e Chyoba havia morrido, todas as técnicas e instalações médicas foram revistas, atualizadas e otimizadas e já fazia 6 anos que a guerra havia acabado, a vila havia se modernizado também – Ela passou o dia no hospital e no fim das contas recebeu a noticia que a deixaria ainda mais confusa:
— Você não tem nada, está saudável.
— Como assim, saudável? E os meus sintomas? – Estava assustada
— Nem o exame físico, nem o de imagem e nem as análises laboratoriais revelaram alguma coisa, Akame-san. Sugiro você voltar para casa e descansar. Sei que você treina muito e é forte, porém o repouso também faz parte do treinamento. – disse enfático.
— Ah – bufou – ta certo. Obrigada pela atenção e por favor, não conte a ninguém.
Akame se sentia confusa e ao mesmo tempo assustada. A única coisa que tinha certeza era que suas crises tinham a ver, de alguma forma, com o uso do chakra. Ela sentia raiva de si mesma e uma vontade enorme de quebrar na porrada quem tinha inventado essa porcaria de kekkei genkai. Quem precisa disso? Ela estava ótima sem. E foi por isso que decidiu não usar mais os poderes, a não ser que precisasse proteger à quem amasse..
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