The Spirit of Sand
2 Capítulo 2
Akame estava quase ao ponto de se sentir feliz por poder comer e saciar sua sede, mas quando Gaara a pediu que contasse sua história, foi como se alguém tivesse apertado sua garganta. Ela não se lembrava de quase nada sendo um mistério para si mesma, as imagens eram apenas flashs em sua mente e isso era perturbador. Apesar disso, certas coisas ela não havia se esquecido: o medo, o desespero, e do instinto de sobrevivência intrínseco em seu corpo que a fez fugir e vagar sem rumo até encontrar Sunagakure.
Na mesma hora, ela se recolheu em si mesma, abaixou a cabeça e disse:
— Kazekage sama, eu estava fugindo de alguém e acabei me perdendo no deserto durante a tempestade de areia. Eu vaguei sem saber para onde ia, até que desmaiei e acordei trancada nesta cela. Não me lembro muito bem do meu perseguidor, mas sei que ele se aproveitava de mim principalmente do meu chakra, e agora que fugi quer me ver morta.
Ela estava de joelhos, com os braços cruzados. Suas mãos apertavam o braço oposto, enquanto olhava para o chão, na tentativa de suprimir ou esconder seu medo e vontade de chorar. Era horrível o que sentia.
Gaara, que sabia bem como era se sentir ameaçado 24 horas por dia, pôde entender o desespero implícito naquela voz embargada, de quem procura controlar seus sentimentos. E prosseguiu:
— O que ele fazia com você? Consegue se lembrar de onde veio?
— Não, senhor. Eu só lembro do acidente que matou meus pais na infância, eles morreram em um incêndio. Depois disso, apenas que passei a viver trancada em um quarto escuro e que constantemente sentia muita dor. Até o dia em que consegui escapar — Aquelas informações não eram muito objetivas, mas era tudo o que sabia.
— Entendo Akame san, porém os anciões da vila precisarão saber que você está aqui e planejar o que vai acontecer daqui em diante – Determinou Gaara, apesar de sentir um pesar em seu coração.
Sem conseguir segurar mais, algumas lágrimas correram pelo rosto dela respingando no chão. Estava com medo de ser entregue. Sentiu seu coração bater forte e em um movimento rápido, quase como um reflexo, segurou o braço de Gaara que já estava de costas quase saindo da cela. Ele se virou para vê-la, ela levantou a cabeça revelando em seus olhos grande determinação e disse:
— Senhor, se esses anciões decidirem em entregar, peço que você me mate aqui mesmo. Prefiro morrer assim, do que nas mãos do meu perseguidor. Gaara olhou em seus olhos, percebeu sua firmeza. Além de notar que o tom de voz da mulher havia mudado. Agora ao invés de carregar incerteza, carregava seriedade. Ela não estava brincando.
Nesse momento, Akame sentiu uma dor muito intensa na cabeça. Apoiou um dos braços no chão e o outro na cabeça, todavia a dor foi tão forte que a fez tombar e perder a consciência. A ultima coisa que viu, foi o rosto de Gaara se aproximando. Pode perceber que chamava pelo seu nome, por causa do movimento de seus lábios. Porém não foi capaz de ouvir.
~
Gaara convocou todos os conselheiros aquele dia, estava convicto de que não podia virar as costas para Akame e estava disposto a até mesmo fazer negociações ilícitas com aqueles velhos rabugentos que pensavam mais em favores pessoais e influência política do que no bem estar das pessoas.
Quando chegou à sala de reunião, todos já estavam em seus lugares esperando-o. Adentrou e tomou seu lugar de frente à estátua dos antigos Kazekages de Sunagakure. Olhando para aqueles rostos conhecidos e pouco amigáveis, apoiou os cotovelos sobre a mesa, cruzou suas mãos e iniciou, em tom sério, como sempre:
— Imagino que o capitão do esquadrão médico já tenha adiantado o relatório das ultimas 24 horas.
E um dos conselheiros continuou – Sim, Kazekage. Estamos a par do ocorrido e como líderes coadjuvantes da areia não podemos aceitar a permanência dessa forasteira aqui na vila. Ela representa um perigo à nossa segurança! Ficamos sabendo também que o chakra dela é indetectável aos ninjas sensoriais, o que tornaria a estadia ainda mais suspeita – E prosseguiu com ironia e quase com um sorriso maldoso – É de se admirar que o Kazekage tenha reunido o conselho só por isso, o senhor já deveria saber a resposta.
Muitas pessoas da vila, principalmente as mais velhas, tinham ainda o pé atrás com Gaara. E alguns dos conselheiros faziam parte desse grupo patético, que buscava meios políticos para manipulá-lo ou neutralizá-lo. Isso colaborava para o sentimento de falta de liberdade e Gaara já estava ficando cheio disso.
Apesar de tudo, Gaara era consciente de suas obrigações e principalmente no controle dos seus sentimentos. Com frieza habitual, respondeu:
— Estou ciente do perigo, contudo, ela ainda está muito ferida, desmemoriada e aparentemente com algum problema desconhecido que a fez perder a consciência antes de sairmos da cela. Ela está fraca, não consegue se defender sozinha e sua vida corre risco devido a um perseguidor. Se a deixarmos ir agora, estaremos sentenciando ela à morte.
— Ela não é uma cidadã da areia, então isso não é um problema de Sunagakure! – disse outro conselheiro, um pouco mais exaltado.
— Na verdade, agora é sim. – continuou Gaara – No momento em que pôs os pés na vila, ela nos envolveu nisso. O perseguidor virá para cá mesmo ela já tendo partido. Não sabemos quem ele é, não conhecemos seu potencial de destruição, nem mesmo conhecemos as habilidades de Akame.
— Mas a guerra já acabou, Kazekage!
— Apenas a guerra entre nações. Não se esqueçam que ainda há por ai muitos nukenins e histórias mal resolvidas – Ao dizer isso, olhou para um dos conselheiros que havia se envolvido com a Akatsuki mas que se livrou da punição por causa de uma história, que para Gaara, ainda era muito suspeita.
Ebizou sama, líder do conselho, continuou:
— Concordo com você, Kazekage. Mas se ela vai permanecer aqui na vila alguém precisa se responsabilizar! Já que, segundo o relatório, o senhor é o único que consegue sentir a presença da moça, sugiro que o senhor mesmo se encarregue dela. Todos concordam? – perguntou, com a intenção de finalizar logo aquela reunião.
Os demais conselheiros ficaram em silêncio, sinalizando consentimento.
— Certo, eu ficarei encarregado – disse resignado – Kankuro, peça para uma das serventes preparar um quarto confortável e roupas limpas para a hóspede, depois a deixem tomar um banho. Eu a buscarei na hora do jantar.
Levantou-se e já de costas perguntou aos conselheiros:
— Aquilo sobre o casamento, é verdade?
— Sim, senhor – respondeu um deles.
Gaara respirou fundo e saiu da sala, Kankuro o seguiu pelo corredor e perguntou:
— Por que você não contou que a comitiva com o pergaminho ainda não voltou?
— Vamos aguardar mais um pouco, não quero pensar que este é um problema entre nações novamente. Estou pensando em outra estratégia.
— Certo.
~
Já era noite quando Gaara foi buscar Akame. O prédio era grande e os quartos ficavam longe do salão onde o jantar era servido. Ele bate na porta, mas ninguém o responde. Está tudo muito quieto naquele quarto, estranho. Ele insere um pouco de areia pelo buraco da fechadura, tampa um dos olhos e vasculha o quarto, porém já era tarde ela não estava mais lá. Akame havia sumido.
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