The Spirit of Sand
3 Capítulo 3
Ninguém podia saber que Akame tinha sumido, ela já era uma figura indesejada ali naturalmente, não precisava de um “escândalo” a mais para chamar a atenção. Então Gaara, que colecionava experiências muito piores do que perder uma novata desconhecida que estava sob sua responsabilidade, suspirou em silêncio, formou quatro clones de areia e saiu em busca da sua presa.
Depois de percorrer o alojamento todo sem pista nenhuma, chegou a uma área onde havia uma varanda no andar onde estava. O vento bateu, e pôde sentir como quase um cheiro, o chakra suave da mulher que procurava vindo do andar de baixo. Desceu as escadas e lá estava ela, de costas pra ele, atrás de uma das pilastras, observando dois ninjas que treinavam taijutsu na arena sob a luz da lua. Missão concluída!
Ele se aproximou devagar, também olhando aquelas duas figuras que treinavam com afinco.
— aqui está você.
— Senhor! – Ela disse, depois de se assustar com a chegada e continuou – Me desculpe por não ter te esperado e saído antes.
—Tudo bem, só me avise dá próxima. Você não é uma prisioneira, mas eu sou seu responsável aqui na vila. Ele a olhou, agora ela estava limpa. Sua pele era tão branca quase pálida, porém seus lábios eram avermelhados. Estava calmo, mas seu coração batia forte. Aquela mulher tinha um efeito estranho sobre ele, nunca havia se sentido assim.
~
Após o jantar, Gaara a estava levando de volta ao quarto quando ela perguntou:
— Senhor?
— Sim
— O que é um Kazekage?
Ele olhou pra ela e deu um sorriso, o que foi estranho por que ele não fazia isso com freqüência. Estava sempre tão sério e concentrado, mas achou graça na inocência. Ele voltou a olhar para frente e respondeu:
— Kazekage é o líder político-militar de Sunagakure. Aqui é a vila da areia, Akame-san.
Ela o observou, como uma criança observa o pai ao descobrir algo novo. O seu sorriso era lindo, ele era um pouco mais alto do que ela, tinha as costas largas, um corpo atlético. Estava sempre com os braços cruzados atrás do corpo. Aparentava ter uns vinte e poucos como ela e já carregava tanta responsabilidade.
— O senhor não se cansa?
— Do que?
— De ser o kazekage?
Gaara suspirou, e depois de alguns segundos respondeu:
— Só as vezes. – Mas estava mentindo, ele estava cansado daquela mesmice, de tanto trabalho. Ele queria mesmo era tirar umas férias.
Depois de uns minutos de silêncio..
— Akame-san?
—hm?
—Então... você gosta de taijutsu?
Akame sorriu, mas não olhou para ele. Mesmo assim Gaara percebeu e embora não tenha esboçado nada, gostou.
— Sim, senhor – Respondeu – Na verdade, ahm... Esse estilo me parece tão familiar que penso ser capaz até de corrigir alguém, durante uma aula. O que me entristece, é que eu só sinto que sei mas não me lembro de ter aprendido. É como uma intuição..
—hmm.. – Gaara ficou intrigado e também com o fato de ela não saber o que era um Kage e nem que estava na vila da Areia. De onde aquela mulher estranhamente linda veio, afinal?
Ao passarem de volta pela varanda, estava ventando. Um vento mais forte acabou esvoassando o cabelo de Akame e, Gaara pode então ver, pela gola larga da blusa dela, que a moça carregava nas costas algumas cicatrizes. Isso fez com que ele imaginasse por quais horrores ela havia passado e também que acendesse em seu coração uma vontade enorme de protegê-la, a todo custo.
Chegando na porta do quarto, Akame parou de costas para Gaara e depois de alguns segundos, quando ele já estava quase indo embora, ela se virou de súbito e lhe abraçou:
— Senhor, obrigada – disse, enterrando seu rosto do pescoço do rapaz
Ele não sabia o que dizer, então só acolheu a jovem no braços e retribuiu o carinho. Se sentiu seguro ali com ela e apesar de não ter dito nada, ele queria muito que daqui pra frente ela sentisse a mesma segurança.
— Boa noite, Akame-san
—Boa noite, Senhor
~
Na manhã seguinte, uma empregada acompanhada por um guennin, levou o café da manhã no quarto da nova hóspede. Após algumas batidas na porta o aprendiz de ninja prosseguiu:
— Akame-san!
—Pois não? — Disse, abrindo a porta de pijama e com o rosto ainda amassado.
— Kazekage-sama me pediu para que eu viesse te buscar. Esperarei aqui no corredor, você terminar o seu café e se trocar. Ah, e coloque roupas para treino!
Akame achou aquilo estranho, mas não questionou. Também não queria tomar café sozinha então, como os dois criados não quiseram entrar no quarto, ela pegou aquela bandeja enorme e sentou-se no chão do corredor.
— Aqui vocês podem ficar? Questionou
O menino achou graça naquilo e a empregada também, já que as pessoas ligadas ao governo não costumavam ser muito gentis com a “classe mais baixa”, mas Akame com certeza era uma exceção. Os dois sentaram ali no corredor com aquela estranha e desfrutaram do café. Até que foi divertido.
~
Depois de tudo pronto, Akame acompanhou o menino até a arena de treinamento onde outros ninjas estavam treinando.
— Akame-san, a partir de agora você tem permissão para treinar taijutsu conosco. Ao final do dia o Godaime virá até aqui te ver.
Akame ficou tão feliz, os olhos dela brilhavam demais. Ela treinou o dia todo, parava apenas para tomar água. Ela tinha uma vitalidade invejável, os outros ninjas estavam embasbacados com a capacidade dela de resistir. Não foi à toa que ela havia sobrevivido a um período de 12 dias sem comida, 3 dias sem água e de quebra uma tempestade de areia.
Ela era forte e habilidosa, conseguiu derrotar até os jounins mais experientes em técnicas de taijutsu. Isso só aumentou o respeito que tinham por ela. Ao final do dia, Gaara foi até a arena e como os demais, se surpreendeu com os resultados da moça.
— kazekage-sama, gostaria de te agradecer por isso – Disse se aproximando
— Não foi nada... Além do mais quero ver com meus próprios olhos – Ao falar isso, Gaara tirava o casaco de kage e se preparava para lutar.
— O que está fazendo?
— Te desafiando – disse Gaara, olhando para aqueles olhos cor de ônix
— Eu não quero te machucar – Respondeu a moça, balançando as mãos em frente ao corpo
— Você não vai, venha! – disse confiante e com digamos... bem, aquilo era um sorrisinho?. Depois daquela luta com Rock Lee, na vila da folha, durante o exame Chuunin, Gaara mais do que nunca treinou taijutsu e se aprimorou no que antes era seu ponto fraco. Ele treinou tanto que foi o único da Vila da Areia, capaz de superar os mestres dali. E, é claro que ele não disse isso pra ela.
Os dois começaram o combate, akame era rápida e isso pressionava Gaara mas não o intimidava. Os ninjas, aos poucos se acumulavam na varanda assistindo a luta e vez em outra deixavam escapar a animação. Eles eram como dois gladiadores lutando no Coliseu.
— Vamos Kazekage-samaaaa!!
— Vamos Akame-saaaan!!
Depois de ~20 minutos~ ininterruptos de combate direto, Akame imobilizou Gaara com uma chave de pescoço. O que foi um feito e tanto, já que ele era mais alto. Akame estava posicionada atrás dele e com o braço pressionando firme a garganta dele. Ela aproximou o rosto do ouvido dele e disse:
— Kazekage-sama é muito bom em taijutsu, mas parece que game over, não? — ela estava ofegante.
Gaara riu internamente e, imediatamente desfazendo a mobilização, que aliás era bem poderosa, se jogou e derrubou Akame no chão imobilizando ela no chão.
— É, parece que sim – disse olhando com o rosto bem próximo ao dela. Ele estava pingando, com as bochechas rosadas da falta de fôlego. Ela, por usa vez, ficou um pouco constrangida com a posição e com o fato de que aquele homem estava olhando fixamente pra ela, com aqueles olhos verdes que a deixavam hipnotizada. Até assim ele era atraente.
Gaara percebeu que Akame enrubesceu e saiu de cima dela. Os dois estavam exaustos e sem jeito. Ele se virou e começou a andar na frente secando o rosto com uma toalha
— Foi uma boa luta, Akame-san. Continue treinando, você é livre para vir aqui sempre que quiser – disse enquanto se secava.
— Obrigada senhor, pela gentileza — e sorriu
Gaara se sentiu tão satisfeito de saber que ela estava feliz, que por um momento se esqueceu das suas responsabilidades e problemas. Akame por sua vez, não deixou de treinar um dia sequer aprimorando ainda mais suas habilidades e eventualmente ensinando os companheiros de treino. Ela não se lembrava de ter sido tão feliz antes e conseguiu finalmente confiar naquela paz mas apesar disso, sabia que por melhor que fosse, nada era permanente.
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