The Sound of Winter
1 Prólogo: A sua canção começa agora.
Notas iniciais
“A sua canção começa agora.”
Prólogo: Sansa.
Quatro anos antes.
— Senhora minha mãe — chamou ingenuamente a pequena Ayane Stark, com seu irmão e sombra ao seu lado. Sua mãe, Sansa, lhe dirigiu um olhar fraterno. — Alguns criados e vassalos da Casa Bolton nos disseram que Peter vai morar longe agora. Disseram que ele irá subir.
Sansa Stark suspirou, sentindo, talvez, o que sua mãe Catelyn devia ter sentido ao ouvir tantas perguntas quando seu pai Ned virara Mão do Rei. Mas aquele caso era bem mais confuso. Ajoelhou-se para ficar na altura dos pequenos gêmeos.
— Sim, meu amor — sorriu. — Seu irmão vai se tornar tão alto quanto o Vale de Arryn, se não mais. Está feliz por ele?
Ayane assentiu, com um sorriso belo no rosto, digno de ser filha de Sansa: — Mas, mamãe... Não irei mais vê-lo?
Outra pergunta difícil, meu amor, pensou Sansa, com incerteza em seu olhar. Não sabia o que responder, e para falar a plena verdade, ela mesma tinha essas duvidas em seu coração. Seus filhos eram a coisas que mais amava. A única coisa que seguiria com a família Stark e Winterfell. Porém, com Peter Stark tornando-se Rei ao lado de Shireen Baratheon, muita coisa mudava. Agora, sobrava apenas à pequena Ayane para governar o seu lar. Uma menina de nove anos e um filho pequeno que guardava em seu ventre, a duas luas de nascer.
— Verá. Nem que sejam em belas canções, minha filha, mas você o verá.
A resposta pareceu agradar a pequena. Saiu, segurando a mão de seu irmão gêmeo, os dois com sorrisos grandes em seus rostos infantis. Como se tudo fosse tão fácil quanto o correr das águas em um riacho. Ouviu Peter dizer algo que pareceu “eu disse para não se preocupar, sua bobona”, e a própria Sansa sorriu com isso.
Mais tarde, quando estava a luz tênue de uma lareira, trajando um belo vestido de sedas azuis para o jantar, Petyr Baelish saudou-a com sua presença. A bem da verdade, o senhor seu esposo era um homem velho, mas não parecia ter perdido o seu charme desde a primeira vez em que se beijaram, na neve, no Vale...
— Senhora Sansa. — sorriu ele, aquele sorriso do qual ela tanto gostava. O sorriso que brilhava em seus olhos cinza-esverdeados. — Está esplendidamente agradável está noite.
— É uma gentileza sua, Senhor meu esposo. — sorriu ela, segurando suas mãos entre as suas. Ele lhe sorriu de volta. — Lhe falaram do que houve com Vossa Graça em sua viajem, Senhor? — seus olhos estudaram os dele, em busca de respostas.
— Sim. — suspirou cansado. — Nem precisa me dizer o que isso significa. Peter vai precisar mesmo fazer isso, mas confio na sua maturidade. Daenerys da Casa Targaryen me disse que ele se parece muito com Rhaegar, na vez em que veio nos visitar. Rhaegar teria sido um dos nossos melhores Reis.
— Não tive a graça de conhecê-lo. — Sansa realmente se lamentava por isso. Ouvira tantas canções sobre o Príncipe de Pedra do Dragão que nem se lembrava dos números. A que mais gostava, sem duvida, era “A Rainha da Beleza”. Provavelmente por contar a história do seqüestro de Lyanna Stark. — Peter vai ficar sob a guarda dos Baratheon?
— Até ambos, Peter e Shireen, terem idade para se casar e governar o reino. A Regente será Melisandre de Asshai. — Sansa entortou a boca. Nunca gostou verdadeiramente da Mulher Vermelha. Quando menor, sentira medo dela. — Veremos como será nesses três anos.
— E quanto à Alayne?
Este era, sem duvida, o assunto mais complicado de todos. De certa forma, a aparência dos gêmeos em si já demonstrava que eram tão Stark’s como não deveriam ser: seus cabelos, castanhos escuros, quase pretos como os de Petyr e de aparência selvagem. Os olhos, cinzas e muito belos, apesar de ter um pequeno contorno esverdeado, como os do Senhor seu marido. A pele de ambos era tão branca, lisa e bela quanto a neve que caía do lado de fora do castelo, apesar de estar salpicada de pequenas sardas. Mas Alayne era a cópia quase exata de sua irmã Arya. Talvez ainda mais rebelde e ainda mais loba, mas o era. Não seguia regras, não se importava com estudos. Era uma ótima lutadora com espadas e arcos, além de viver correndo por todos os lados. Apesar disso, sabia ser cortês e era bela como Sansa.
— Winterfell será dela. — Sansa sabia daquilo, mas não disse nada. — Sobre a proposta da khaleesi, Daenerys...
Colocou um dedo sobre os lábios dele. — Pensaremos nisso depois. — baixou os olhos, a dor de cabeça estalando contra seus olhos. Pensar sobre Stark e Targaryen era estranho. Desde sempre houvera tanta tensão entre as duas Casas...
Desceram para o jantar, e encontraram o Salão de Winterfell repleto de aias e com os seus dois filhos sentados em um lado nobre da mesa. Eram idênticos de aparência e distintos na personalidade. Alguns vassalos também estavam presentes, e nada mais. Petyr andara cuidando de alguns problemas nas aldeias próximas, mas nada grave. Havia saído fazia uma quinzena, e voltara neste dia. Após quase todos terem saído, percebeu que Ayane ainda estava na mesa, perto das uma da madrugada.
— Aya. — sorriu, passando a mão por seus cabelos quando a menina se aproximou.
— Peter entendeu o que você quis dizer hoje mais cedo, mamãe. E eu também. — Oh. — Ele se casará com a Princesa Shireen, não é verdade? Tornar-se-á Rei.
As crianças são mais espertas do que julgamos, Sansa refletiu amargamente.
— Aya... Não ocupe sua cabeça com esse tipo de coisa. Você o verá. Tranquilize-se, e vá dormir. Está tarde.
— Serei apenas eu e a Donzela Cinzenta. — disse ela, ignorando a resposta da mãe. — Sem o Peter ou o Gigante. Não existirão canções, mamãe. Eu nunca gostei das canções. Disse que o verei em nelas. Tem certeza?
Sansa corou as maçãs do rosto. Na verdade, não tinha certeza alguma daquilo. Talvez ele não fosse tão bom quanto esperavam de um cavaleiro, mas...
— Irmã Aya. — a voz de Peter soou atrás de Sansa. — Eu fui mostrar-lhe um livro e você não estava no quarto. Fiquei preocupado. Olá, Senhora minha mãe.
— Olá, Peter. — Sansa suspirou. — Vão dormir os dois. E, Peter, não é hora de ler livros. Está tarde. Os dois precisam descansar para estarem ferozes como lobos amanhã! — apertou levemente as bochechas de Ayane, sorrindo.
— Sim, mamãe. — disseram em uníssono. — Tenho sua permissão para buscar o Gigante e a Donzela, Senhora minha mãe? — Peter perguntou com um sorriso leve.
— Sim, meu filho. Vá. Mas não se demore muito. E, Aya. — a menina lhe olhou com grandes e brilhantes olhos cinza. — A sua canção começa agora.
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