The Sound of Winter

3 II: O significado da dor.


Notas iniciais
Olá cupcakes, cheguei! E fiz algumas mudanças pequenas em base ao cronograma da fanfic, que agora é postada de três em três dias, pelo menos até a hora em que o colégio chegar (D:), por hora, vamos aproveitar as coisas como estão. Enfim, como vocês estão? E esse clima de ano novo? Tem alguém animado ai? *risos* Bem, esse alguém não sou eu, definitivamente :/. Ah, obrigada Catherine, Katherine del Rey, H SNOW e Caty Bolton por favoritarem a fic! Sério, vocês são incríveis. ♥ Aí está o capítulo, fresquinho e cheio de nozes e biscoitos. Ou não. *risada maléfica*

“O significado da dor.”

II: Lyanna.

Jardim de Cima.

A pedra que fazia as paredes de trás das lojas, tabernas e bordeis era de uma cor amarronzada, lisa e irregular. Sob os seus pés, paralelepípedos desse mesmo tom faziam com que seus passos ecoassem na ruela sinuosa da qual caminhava, longe das vozes altas e risadas escandalosas dos bêbados e das putas dornêsas que, sem opções, se instalavam em bordeis. E, principalmente: longe do cheiro de suor e fumaça, apesar de a poeira ter seguido-a até ali, ainda mais intensa.

Em algumas partes do percurso, precisava andar de lado para conseguir seguir, de tão estreito que o caminho era. Apesar disso, o barulho havia diminuído, contribuindo para a melhora de sua dor de cabeça, que estava tão latente que temia explodir seus tímpanos e faze-la cair chorando no chão naquele mesmo momento. O que, obviamente, não faria. Já havia sido humilhada o suficiente por um dia, e não seria uma merda de dor de cabeça que a faria dobrar os joelhos!

— Malditas sejam aquelas fidalgas — resmungou, cansando-se do peso que as frutas lhe davam no braço. — Quem elas pensam que são para me mandar comprar as malditas frutas? — estalou a língua no céu da boca, sentindo-se mais do que irritada por ter que passar por uma situação como aquela. — “Oh, ela é bastarda, mande a ela comprar o porre das frutas!”. Ah, se Nym estivesse lá eu poderia ter... — travou seus resmungos quando viu três homens, com vestes de Braavos, olhando-a maliciosamente.

Por causa de a ruela ser estreita e pequena, três pessoas entupiam o lugar. Não havia meios de passar, e eles mesmos estavam apertados, para aumentar ainda mais o súbito terror de Lyanna. Sou jovem demais para morrer, maldito seja.

— Tch. Não imaginava encontrar uma pequena florzinha como essa por aqui, tch... — o homem da frente disse, aproximando-se dela lentamente. Ele olhou para o homem ao seu lado. — E você, Ryuu?

O homem que atendia ao nome de “Ryuu” deu um sorriso de dentes amarelos e podres. Lyanna recuou um passo, pensando que teria sido melhor morrer sem ter visto aquilo. Não entre em pânico. Não entre em pânico, Lyanna.

— Está querendo fugir, florzinha? Não tenha medo. Nós só iremos diverti-la um pouco...

Quando as mãos nojentas a tocaram, o desespero e o pânico encheram seu corpo como o ataque de uma cobra d’água venenosa. A única coisa que ela sabia fazer era amaldiçoar as fidalgas nojentas, e gritou. Gritou como nunca havia gritado antes.

— N... Nyme... NYMERIA!

Mãos gentis lhe chacoalhavam os ombros. A voz de sua aia preencheu os ouvidos de Lyanna e quando abriu os olhos, ainda temerosa, o seu quarto ainda era o seu quarto, e não havia ninguém além de Hellya nele. Com a respiração ainda ofegante, afastou os lençóis feitos com seda de Myr para longe de si e pulou de maneira graciosa para fora da cama alta. Não proferiu uma palavra, nem mesmo quando observou o belo céu estrelado que estava por fora da janela, notando inconscientemente as constelações da qual não se lembrava os nomes. Deixou com que seu olhar se perdesse em meio às árvores, flores e colinas esverdeadas que rodeavam e transmitiam beleza para Jardim de Cima.

— É a terceira noite que acorda assim, Senhora — objetou a criada, sentada com as pernas cruzadas infantilmente na sua cama, bem menor e menos majestosa que a de Lyanna, colocada em um canto do quarto e clareada apenas pela luz tênue e já fraca de uma vela. A única luz do quarto se esquecessem da lua-cheia. — Tem certeza de que está passando bem?

— Sim, tenho certeza, Hellya — suspirou em resposta ao olhar desconfiado que recebeu. — Só tenho lembrado em demasia de Dorne.

— Dorne não deve ser um lugar muito agradável, visto que acorda assim sempre que se lembra dele. — Olhos cor de âmbar, lúdicos e astutos, fitaram-na zombeteiramente. Lyanna não se impediu de rir do suposto “atrevimento” de sua aia.

Quando apoiou a cabeça no batente da janela, o vento noturno açoitou seus cabelos castanho-escuros e ondulados. Perdeu-se em memórias, más e boas, e nem mesmo o rodar da lua seguindo seu caminho, prestes a dar lugar ao sol pode acalmar a alma que sofria agitada dentro de si. Sabia que sua aparência estava fraca, mas Hellya já havia visto-a de maneiras piores. Disse com a voz baixa, mas não tanto para que a aia deixasse de ouvir:

— Dorne era tão agradável quanto Jardim de Cima. As memórias nas quais me perco que são ruins e dolorosas.

— Senhora — chamou a aia, a voz doce e infantil despertando Lyanna de seus devaneios. Olhou para Hellya. — A Senhora sabe o significado da dor?

Lyanna Tyrell pensou antes de responder àquela pergunta. Pensou em tudo o que tinha passado e tudo que havia feito, de tudo o que já havia se arrependido. Se fosse a dornêsa em seu lugar, Lyanna Sand teria respondido com a maior arrogância que sim, sabia exatamente o que a dor significava e os fardos que ela trazia. Porém, percebeu que era mais do que uma pergunta normal. Era algo para fazê-la refletir. Não. A resposta é não. Quando disse isso para a criada, ela lhe sorriu zombeteiramente, como reparou ser uma mania da mesma.

— A nossa dor muda de acordo com a maneira que a vemos, Senhora. Esse é o segredo.

Quando o dia amanheceu, estava claro e bonito, como havia imaginado que seria. Suspirou profundamente, tentando descarregar naquele gesto tudo de ruim que andava acontecendo, consigo e com toda a Westeros. Hellya penteava-lhe os cabelos em uma trança parecida com uma tiara, algumas flores enramadas na mesma. O vestido que usava tinha tons de creme, perolas decorando o corpete e a saia bela e mesclada de dourado. Agradeceu-a, e desceu para quebrar o jejum com a Rainha dos Espinhos.

— Lyanna. Virou a noite chupando limões? Você está péssima. — saudou docilmente Olenna Tyrell, fartando-se de vinho da Árvore e ovos cozidos, ignorando prontamente as diversas frutas e cereais da mesa.

— Tive sonhos ruins, avó. Apenas. — tentou sorrir para a mulher.

A bem da verdade, Olenna Tyrell tinha a aparência mais do que fatigada. Estava com a doença do açúcar, mas não parecia importar-se com isso, apesar dos avisos de Meistre Mazele. Os cabelos estavam esbranquiçados e quebradiços, a pele enrugara-se e tinha tamanha preguiça de andar que saia de seus aposentos apenas para ver os gaviões de Willas e para encher a barriga. Para conseguir vê-la e rir-se de sua língua afiada, era preciso ir ao seu quarto, coisa que a Senhora sua mãe, Margaery, costumava fazer todos os dias. Antes de ser levada por mãos tão pútridas. Agora, apenas Lyanna e Willas faziam as visitas.

— Você mente mal, garota. Devia aprender com o Meistre Mazele, aquele velho fofoqueiro — uma expressão de desdém veio ao seu rosto. — A única coisa que o velho sabe fazer é sair por ai falando da enfermidade dos outros. Ah, mas eu devia ter mandado buscar outro Meistre há tempos...

Lyanna riu. Como podia ela falar aquilo tão naturalmente quanto falaria um bom dia? Se bem que, ver a Rainha dos Espinhos dizendo “bom dia” para alguém não seria nada natural.

— Senhora — chamou Lyanna, curiosa. — Como foi o casamento da Rainha?

— Eu teria chamado de fraco, se não fosse de se esperar — quando viu a face confusa que provavelmente a bastarda expressou, Olenna explicou-se. — Ora, estamos falando de um casamento entre um Stark, os honrados senhores mais frios que o gelo e uma Florent, aqueles vassalos sem-graça...

— Senhora! — chamou-lhe atenção Lyanna, apesar de estar rindo internamente. — Está falando do Rei e da Rainha, tento na língua! E Shireen é um doce de menina, e uma Baratheon também.

— Mais Florent que Baratheon — a velha mulher disse, com uma carranca. — Quase me arrependi de ter ido, de tantos calos que meus pés assumiram quando voltei. Mas seria considerada desfeita, creio eu...

— Sim, teria. — riu. Apenas a velha maníaca a fazia sentir-se em casa ali onde se encontrava.

Apesar de ter sido legitimada pelo Rei Stannis quando o mesmo estava vivo, a pedido de Margaery, quase todos de Jardim de Cima olhavam-na de canto, como se culpassem-na pelo fim que levou Margaery Tyrell. Como se a culpa fosse dela sua mãe ter arrumado uma barriga de um filho ilegítimo e ter pagado pelas conseqüências desse ato.

O som de passos mancos chegou ao ouvido de ambas. A Rainha dos Espinhos nem ao menos levantou seu olhar para ver quem era, mas a bastarda virou-se de seu assento, apenas para se deparar com Willas Tyrell, em sua graciosa beleza manca. Uma camisa de botões, feita de linho e um colete de couro fervido, marrom, lhe cobriam o torso. Sua perna ruim era escondida por calções do mesmo tecido de sua blusa, botas de couro nos pés. Ou seria no pé?

— Avó Olenna. Lyanna. — cumprimentou.

Olenna ralhou algo que nenhum dos presentes compreendeu, talvez porquê sua boca estivesse repleta de cereais, estes que ela dera atenção somente quando os ovos acabaram. A Rosa Queimada apenas sorriu levemente, e quando os olhos azuis a perfuraram com seriedade, seu sorriso desapareceu junto.

— Me acompanhe Lyanna. — aquilo havia sido uma ordem. Não é típico de Willas. Ele tem algo sério a dizer, reparou, vendo como os músculos de sua costa estavam tensos enquanto ele caminhava. Malditos deuses, logo agora.

Seus passos ecoaram pelo silencio que era Jardim de Cima nas manhãs. O cheiro de flores e ervas deliciosas que eram plantadas pelas criadas do lado de fora do castelo impregnaram deliciosamente em Lyanna, de uma maneira relaxante. O jardim enorme da Ala Leste era o mais bonito, na opinião dela, e fora o primeiro jardim que vira quando chegara ali.

— Diga-me, Willas. — pediu em tom singelo, apesar de por dentro querer gritar com ele. — Diga-me o que quer de mim.

Os olhos azuis dele estavam perdidos nas montanhas repletas de nuvens que ficavam muito longe de onde estavam, mas pareciam realmente muito próximas. Lyanna seguiu o olhar e observou milhares de corvos rodearem a montanha. A Morte reina em todo o lugar. Aquilo não era novidade para ninguém, mas a menina sabia que ainda existiam donzelas cheias de canções em suas cabeças ingênuas, coisa que a irritava. Talvez porque ela desejasse voltar no tempo em que morava em Dorne e voltar a ser a donzela que podia ter chegado a ser. Estava pensando naquilo com freqüência, e isso também a irritava.

— Lyanna, eu peço que você vá a Winterfell. — as palavras travaram a respiração de Lyanna por dois longos segundos. — Recebemos uma carta do Norte, vinda de Petyr Baelish, sobre formar uma aliança. — Willas corou as maçãs do rosto. Ingênuo, mas doce. Realmente teria sido um cavaleiro tão belo e amado quanto Loras, se Oberyn não lhe tivesse fodido a perna.

— Compreendo. Ayane Stark. Menina esperta. — sorriu para Willas. — Você quer que eu vá para o Norte por uns dias, ver como é a mente e aparência da menina? Por quanto tempo?

— O tempo que necessário. — ele suspirou. — Uma aliança com os Stark não seria ruim, segundo o que penso. Eles têm vassalos fortes e bons soldados, a Casa se ergueu ainda mais forte na segunda vez. E os sinais que Westeros anda mostrando...

— Sinais são apenas sinais, Lorde Willas. — olhou para ele com olhos castanhos e analíticos. — Ouvi dizer que estava olhando para as estrelas na noite passada. Temos uma nova constelação?

— Sim. — ele apontou com o queixo para o lugar onde se encontravam três estrelas, formando um triangulo dentro do outro. Brilhavam intensamente mesmo enquanto o sol raiava. — Quando o sol descansa, é possível ver milhares de outras estrelas em volta delas, menos brilhantes. É muito bonito. O nome é aeternitas, aparece sempre que um novo século surge. Significa “eternidade” em vários sentidos. O fim da eternidade, o começo dela. Depende muito.

Lyanna tentou repetir aquela palavra difícil, movendo apenas os lábios, como uma criança. Infelizmente sua língua se embolou quando tentou dizer aquilo.

Depois de se despedir de Willas, o sol já estava em meio ao céu, indicando que era hora do almoço. O tempo passava rápido quando observava o mundo e pensava sobre as coisas que tinha de agüentar, mesmo ali. Por um bom período de tempo, a cabeça de Lyanna passou a divagar sobre sua estadia no Norte. Eu sentirei falta do sol. Mas do que tudo, vou sentir falta do calor. Suspirou, ergueu a cabeça e entrou pelos portões de Jardim de Cima.

Notas finais
Sobre a "aeternitas", eu imaginei a constelação mais ou menos como esse símbolo: http://4.bp.blogspot.com/-t57tPdaFvsE/TYO-OsAsQ9I/AAAAAAAAAdU/hvkCFjUDd7Y/s320/triskle.png; ele é o "triskle", um símbolo celta que significa as tríades da vida, como: nascimento, vida e morte; corpo, mente e espirito; céu mar e terra. Obviamente que imaginei o símbolo como uma constelação, e aqui ele tem um significado um pouco diferente do da cultura normal. Espero que tenha gostado, Catherine! Foi realmente difícil captar a personalidade da Lyanna nas palavras, mas fiquei contente com o resultado. Espero que também tenha achado bom! :) Eu nunca vi a descrição de Jardim de Cima, e pelo que pesquisei, não encontrei também, então para frente dos livros também não deve ser. Margaery só deu uma ideia de como era, e eu me baseei nisso e na minha imaginação. Espero que tenha ficado bom! E onde estão os selvagens, patrulheiros, Targaryen e Stark? :/ (PS: Para aqueles que talvez forem mandar a sua ficha, peço que mandem a ficha pelo prólogo. É bem mais fácil de se achar e vou ficar contente! Ah, e podem mandar por MP, não vejo problemas.) (PS²: Deixem seus reviews. Preciso saber a opinião de vocês, o que estão achando da história, se os personagens estão de acordo com suas expectativas. Criticas e elogios são sempre bem-vindos, e vou responder cada review que me deixarem com biscoitos, toddynhos e cupcakes!) Vejo vocês nos reviews! ♥ Com amor, M.