The Sound Of My Heart

2 Um Dia Comum (Parte II)


Notas iniciais
Outro cap, espero que gostem ^^

Eram seis da manhã e Neji estava fazendo aquilo que fez durante todas as suas férias: praticar.

Em 24 de Novembro ele teria uma audição e, caso conseguisse passar, faria parte da Orquestra Filarmônica De Tokyo¹, seu maior desejo.

Mesmo se tratando do primeiro dia de aula, ele não poderia se dar ao luxo de alterar sua rotina. Sempre fora muito severo quando tratava-se de seus ensaios ou estudos, mesmo tendo memória eidética².

Quando terminou, voltou ao seu quarto para se aprontar para o colégio. Em seu íntimo, estava satisfeito por aquele ser seu último ano no ensino médio. Não era como se Neji odiasse a escola, mas também não gostava dela. Era algo necessário, apenas isso.

Devido ao seu sobrenome, suas notas e sua aparência, o Hyūga era bastante popular em Konoha International Academy³, mas não valia de nada, pelo menos para ele. Ter de aturar interesseiros e bajuladores não era uma tarefa muito simples, por isso ele simplesmente evitava ao máximo ter contato com os outros alunos, a menos que fosse realmente importante. Não era mal-educado, respondia quando era cumprimentado, fazia trabalhos em equipe e avaliações em dupla — mas apenas quando os professores faziam as divisões. Mas costumava passar o intervalo na sala de música, onde praticava ainda mais. Gostava de ficar sozinho.

Hinata dizia que não havia motivos para praticar, tendo em vista que, graças à sua memória eidética, não precisava ver as partituras mais que uma única vez. Mas conhecer as notas, saber tocar as músicas... Isto é apenas uma parte. Não era apenas o que você toca, mas como você toca, o que você passa através da música. Aquela era sua maior dificuldade, expressar emoções através da melodia.

"Não adianta tocar as notas com perfeição se a melodia estiver vazia, Neji.", dissera um de seus professores. A verdade é que ele nunca conseguiu compreender o real sentido daquela frase, mas nunca a esqueceu — e nem poderia.

Pensava todas estas coisas enquanto encarava o próprio reflexo, se perguntando como acertar. Olhando para o relógio, viu que não lhe restava muito tempo, então desceu o mais rápido possível para a sala de jantar.

Sentou-se à mesa, onde seu tio e suas primas já se encontravam, e se serviu. Não era do feitio dos Hyūga dizer coisas como "bom dia" ou "tenha uma boa aula", pelo menos não com Hiashi por perto. Toda e qualquer conversa morria no momento que ele chegava e só se iniciava um novo diálogo se ele dissesse algo, do contrário, todos permaneciam no mais absoluto silêncio. Sempre foi assim.

O humor do homem não era dos melhores. Você quase nunca o via sorrir ou elogiar alguém. Mas também não dava broncas, não verbalmente, pelo menos. Era tudo no olhar. A forma com a qual ele te olhava dizia se ele estava desapontado ou satisfeito. Depois de anos de convivência, os mais novos aprenderam a diferenciar.

Quando terminou o seu café, Neji levantou silenciosamente, sendo acompanhado por Hinata e Hanabi, que também estudavam em K.I.A — todos os filhos de pessoas importantes estudavam lá, na verdade.

Pegaram seus materiais e seguiram para a porta, o motorista já os aguardava do lado de fora. Antes de sair, Hinata tentou se despedir do pai, sendo ignorada pelo mesmo, o que fez Neji revirar os olhos. Por que ela ainda tentava?

[…]

Sentado no lugar, o Hyūga aguardava pacientemente a chegada de Morino Ibiki, professor de Matemática. Os alunos costumavam chamar o homem de Torturador, devido ao seu apreço pelas regras e sua falta de tolerância diante de brincadeiras estúpidas, além, é claro, de sua forma rigorosa de lecionar. Ibiki, pelo que dizem, era um soldado — ou perdeu a família na guerra, ninguém sabe ao certo a sua história — e, por isso, tem o corpo repleto de cicatrizes, o que dá a ele um aspecto ainda mais assustador.

Quando uma aluna adentrou a sala como um furacão, atraindo a atenção de todos, Neji a reconheceu de imediato. Mitsashi TenTen, sempre sozinha — com exceção de Rock Lee, amigo de infância dela e apaixonado por uma garota da bandinha ridícula da qual ela fazia parte — e se metendo em problemas. Exatamente o tipo de pessoa que ele buscava ignorar.

— Atrasada, Mitsashi! — A voz imponente de Ibiki soou, fazendo todos os olhos se dirigirem a morena à frente.

— Bem, quando eu entrei o senhor ainda não estava dentro da sala, então, tecnicamente, eu não estou atrasada. — Todos os alunos tentaram, inutilmente, sufocar o riso, enquato Neji apenas revirou os olhos. "Patético". Diante do olhar que recebera do Morino, ela acabou por fazer a coisa mais sensata naquele momento: pedir desculpas. — Gomen, Ibiki-sensei.

Pena que isso não bastou para livrá-la da sala de Tsunade e, muito provavelmente, da detenção.

[…]

Quando o intervalo foi anunciado, todos se retiraram da sala, mas Neji fora o último a sair. Não gostava do caos que se tornavam os corredores.

Depois de finalmente sair, ele acabou cruzando com a Mitsashi no caminho, mas esta não pareceu vê-lo. Estava distraída demais com um papel em suas mãos. Seu "passe" para a detenção, certamente.

De qualquer forma, aquilo não o importava. Seguiu a passos apressados até a sala de música, encontrando-a vazia, como de costume.

Sentou-se diante do piano e ponderou o que tocaria. Decidiu-se por Ode to Joy⁴, sua favorita.

Enquanto tocava, repassava mentalmente as palavras do seu professor. Por que não conseguia sentir algo com a música? Não entendia. Sabia que precisava, mas não entendia.

Tocava nota por nota repetidamente, numa tentativa de encontrar seu erro. Mas o erro não estava na música, em seu íntimo, ele sabia. Ele sabia que o erro estava nele, na sua incapacidade de sentir.

Estava tão consentrado que sequer notou alguém entrar na sala. Mas quando um som ensurdecedor tomou toda a sala, ele se viu obrigado a encarar a direção de onde aquele barulho infernal vinha. Foi então que a viu, segurando uma guitarra — que era de onde vinha o barulho. A maldita Mitsashi.

— Mas qual o seu problema, garota?!

Notas finais
Orquestra Filarmônica De Tokyo¹: A Orquestra Filarmônica de Tóquio é uma aclamada orquestra baseada no Japão, sendo a mais antiga orquestra do Japão, fundada em 1911 em Nagoya. A orquestra mudou-se para Tóquio em 1938 e atualmente tem 166 músicos. Ela apresenta-se no Orchard Hall em Shibuya, Tóquio. (Fonte: https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Orquestra_Filarm%C3%B4nica_de_T%C3%B3quio ) Memória eidética²: Memória eidética, popularmente conhecida como Memória fotográfica, é a capacidade de se lembrar de coisas vistas, com um nível de detalhe perfeito. (Fonte: https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Mem%C3%B3ria_eid%C3%A9tica ) Konoha International Academy³: ou K.I.A, para facilitar, é o colégio onde os riquinhos da cidade estudam, onde alunos de outros países também tem lugares (futuramente vocês irão entender porque criei a escola assim). Ode to Joy⁴: O Hino à Alegria, ou Ode à Alegria (em alemão Ode an die Freude), é o nome do poema escrito por Friedrich Schiller em 1785 e cantado no quarto movimento da 9.ª sinfonia de Ludwig van Beethoven. (Fonte: https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Hino_%C3%A0_Alegria ) Por enquanto é só, amores ^^ Tentarei voltar o mais rápido possível ♡ Neji roupa: http://pin.it/0LJYJAx