The Sound Of My Heart
3 Brigas
Notas iniciais
O quão diferente sou desses adultos, a quem eu vim a desprezar e nunca irei perdoar
Por sua tentativa constante de me por pra baixo,
Mesmo sem tentarem entender”
Os dois ficaram se encarando por alguns minutos, se estudando. TenTen buscava em sua memória quem era aquele rapaz, já Neji se perguntava se ela diria algo ou apenas ficaria o olhando.
— Ah, sim. O gênio! — A exclamação dela o fez franzir o cenho, enquanto a morena se perguntava como pôde esquecer-se dele. Era o cara mais popular da escola, 99% das garotas da cidade dariam um rim para ficar com ele — e ela, obviamente, fazia parte do 1% que estava se lichando para a existência dele — Você estuda na mesma classe que eu. Hyūga... Hyūga Neji, certo?
Neji estava incrédulo. Como raios ela não sabia quem ele era?! Quer dizer, ele é um Hyūga, oras!
Nada pessoal, TenTen apenas não era boa em guardar nomes — o que tornavam contraditórias as reclamações dela quando seus colegas não se lembravam do seu.
— Não respondeu minha pergunta. — Preferiu ignorar totalmente o acontecido.
— Que seria...? — Memória ruim, ninguém poderia culpá-la, não é?
— Eu perguntei qual o seu problema. — Revirou os olhos.
— Minha mãe, Fū e, nesse momento, você.
Mas quem aquela petulante achava que era, afinal? Além de atrapalhar seu treino, ainda tem a audácia de dizer-lhe desaforos?! Ora!
— Você por acaso não viu que eu estava aqui?
— 'Pra dizer a verdade, não. — Ela realmente não se deu conta, estava tão brava...
— E não ouviu a minha música?
— Também não.
— Além de cega é surda? — Sim, ficou irritado! Como algo assim era possível?
— Era de se esperar que pessoas ricas tivessem uma educação melhor! .
— Você fala de educação, mas entrou aqui feito um furacão. E, como se não bastasse, quase me deixou surdo com esse barulho infernal!
Barulho infernal? Será que ele estava falando de sua tão amada guitarra? Não, claro que não.
— Ah, entendi. Eu atrapalhei você?
— Para falar a verdade, sim!
— Nossa, que cortês da sua parte. — A frase carregada de ironia só deixara o rapaz ainda mais irritado.
— Que motivo eu teria para ser cortês com você, que não passa de uma selvagem?
— Ei, cara, tudo isso é por causa do piano?! Talvez, se você tocasse algo menos deprimente, eu até poderia ter notado sua presença!
Deprimente? Aquela selvagem acabou de chamar Ode To Joy de deprimente?! Não poderia esperar menos de alguém sem modos!
— Isso é música. Música de verdade, não esse barulho que você e seus amiguinhos fazem. — Bem, talvez ele tenha sido cruel ao atacar a banda dela, mas aquela garota atacou o Beethoven, pelos céus!
Aquele mauricinho acabou de chamar sua música de "barulho"? Não, ela não ficou ofendida — era preciso mais que um comentário maldoso de um filhinho de papai para deixá-la insegura quanto à sua música —, mas brava! Afinal, aquele engomadinho acabara de insultar o grandioso Rock'n Roll!
Antes que TenTen pudesse dizer umas boas verdades àquela criatura, o sinal tocou, anunciando que deveriam retornar à sala de aula.
(…)
Exausta. Era como TenTen estava quando chegou em casa. Tudo o que queria era um bom banho e algo para comer.
Mas isso teria que esperar, pois a primeira visão que teve ao entrar fora sua mãe sentada no sofá. Ela ficava na cozinha, no quarto... Mas nunca na sala. Isso era só quando queria conversar sobre algo, e a morena já imaginava o assunto.
— Como foi o primeiro dia de aula? — A pergunta carregada de ironia e o convite silencioso para se sentar só confirmaram as suspeitas da mais nova.
— Foi tranquilo. — Disse, sentando-se a uma "distância segura" e soltando a mochila no chão.
— É mesmo? E você não tem nada que queira me contar?
— Nada que você já não saiba. — Adoraria prolongar aquele joguinho, mas realmente queria um banho.
— Suspensão, TenTen? No primeiro dia? E por responder um professor, ainda por cima. Inacreditável! — Asuka levantou, passando as mãos pelo rosto.
— Mãe, eu não respondi o Morino, juro! Eu só...
— "Só" disse que não estava atrasada coisa nenhuma.
— Ei, também não foi assim! — Céus, o que disseram à sua mãe? Ela nunca disse aquilo! — Bem, pelo menos não com essas palavras...
— As palavras que você usou pouco me importam! O que importa é como o professor interpretou.
— Claro! O que eu disse não importa, só a opinião dos outros sobre isso! — Era sempre assim! Sempre o que todos os outros achavam, menos o que ela realmente fez.
— Não foi isso que eu disse, TenTen! — Porquê ela tem sempre que distorcer o que eu digo?, pensou a Mitsashi mais velha.
— Adivinha só? As palavras que você usou pouco me importam, o que importa é como eu interpretei!
Asuka estava abismada com a facilidade com a qual sua filha virou suas palavras contra si. Quando foi que sua garotinha mudou tanto?
— Isso não é justo, TenTen...
— E o que você está fazendo é?
— Eu estou tentando te ouvir!
— Me ouvir?! — A morena riu com ironia — Desde que eu cheguei você fez tudo, menos me ouvir! Você só ficou aí, falando sem parar e, quando eu tentei explicar, você disse que não importava! Foi isso que você fez.
— Filha, por favor, não fale assim comigo. — Os olhos escuros da mulher estavam marejados, deixando claro que, se aquela conversa continuasse, ela começaria a chorar — Seu pai não...
— Não! — Interrompeu — Não use meu pai como escudo. Você sempre faz isso quando está errada. Tenha algum respeito pela memória dele! — Todo e qualquer desejo que TenTen tivera quando chegou em casa havia passado agora. Tudo o que ela queria fazer era sair dali.
Sem aviso prévio, a mais nova pegou a mochila e saiu da casa. Praticamente correndo pela cidade, pegou o celular e enviou uma mensagem no grupo da banda:
190!
Me encontrem na sala de música.
(…)
Quando chegou, seus amigos já estavam lá.
O colégio liberava a sala de música para os ensaios da banda, por isso aquele era quase como o refúgio deles. Sempre que algo acontecia, era para lá que eles iam.
— O que houve? — Sasuke perguntou.
Respirando fundo, TenTen começou a contar o que aconteceu, fazendo força para não chorar.
Odiava brigar com a mãe, de verdade. Tudo o que queria era um pouquinho de compreensão por parte dela, mas não tinha nada além de cobranças e broncas.
Pode ser difícil de acreditar, mas nem sempre foi assim. Elas já foram bem próximas e muito amigas também. Não é difícil imaginar quando as coisas chegaram a esse ponto, certo? Isso mesmo, quando o pai de TenTen morreu. Ambas ficaram tão imersas na dor de ter perdido Chen que acabaram por se distanciar, não sabendo ministrar o luto e nem como agir dali em diante.
— Nossa... Que chato... — Era tudo o que Naruto poderia dizer. Não era como se ele entendesse a situação da amiga, longe disso. Seus pais eram compreensivos e amorosos, sempre o incentivando a correr atrás dos sonhos. Minato e Kushina eram, de longe, os pais mais legais de Konoha — Já sei qual a música perfeita 'pra esse momento!
O Uzumaki levantou do chão e foi direto para a bateria, onde começou a tocar uma música que ambos conheciam muito bem: Core Pride!
Com um sorriso no rosto, os outros pegaram seus instrumentos e a Mitsashi pôs-se a cantar:
Sei wo uke sorezore ga jinsei wo ouka
Nou no "black box" wo shiru sore wa kou ka?
YOUR LIMIT LINE wo subete ryouga
Saa ikou ka fumidasu sore wa kyou da
Yappa hibi wa ika sen kou sotsunaku konashitecha NO NO
STOP nagare wo mikiwamema
Mazu mono to mo sezu ikou ze HERE WE GO
Todo kanu mono ya kagiri aru mono ni
Atsu ku naru mune wo osaetsukeru no wa
Rikai mo sezu osaetsukeyou to shitekita
Kirai de yurusenakatta
Ano otonatachi to onaji jan ka yo
Doushitatte kanawanai esoragoto darou ga
Yume moyasuhi wa dare ni mo keseyashinai
Sora kara furu kuroi ame ga kono mi nurashi furi yamanakutomo
Mada Kesasenashinai
Kono mune no hi sore ga "pride"
Yohou toori ni furi dashita ame
Yosou ijou ni nakama wa atsumatta
Otagai no hibi ya shourai no hanashi de
Atsuku natte naguri ai ni natta
Jyuugo no koro mo fuan kara nogareru you ni
Onaji youna koto de naguri atta koto
Omoi dashite omae ga warai dasu kara
Kawatte nai natte ore mo fuki dashitanda
Douyatte ijihate furunbate ikite nakuja
Jikan no mayaresae mo kowakunaru
Hontou ni naguru beki ai te wa sonna jibun darou
Tada ima omaketa kunai jibun ni umakenai "pride"
STOP nagare wo mikiwamema
Mazu mono to mo sezu ikou ze HERE WE GO
STOP nagare wo mikiwamema
Mazu mono to mo sezu ikou ze HERE WE GO
Doushitatte yappa hitori no yoru wa
Jibun no koto saemo waranaku naru
Sonna ore to wakari aoutoshite kureru kimi ga iru nara
Motto tsuyoku nareru
Mou dounattate ii kakkou aku tatte ii
Shi ni mono gurui de mirai wo kaete yaru
Doushitatte kaere nai unmei da to iwarete mo
Mada ore wa kawareru jibun de kaete miseru
Kore ga sou "PRIDE" sorezore no basho de...
Madamada kieru na kokoro no hi wo
Mada wasuretakunai mune wa zure saa wo
Madamada kieru na kokoro no hi wo
Madamada ikeru zo ikeru zo
Oh baby my PRIDE !
Quando terminaram, TenTen estava se sentindo muito melhor. Nada no mundo a ajudava tanto quanto música. "Musicoterapia", como ela costumava dizer.
Pegando o celular, viu que sua mãe ligara várias vezes. Ainda não estava pronta para falar com ela outra vez, se retornasse acabariam discutindo de novo, e não queria isso.
— Ei, Sakura, posso ficar na sua casa hoje?
O pedido — súplica — foi respondido com um aceno de cabeça e um largo sorriso. Sendo filha única, a Haruno ficava muito tempo sozinha, então era sempre bom ter alguém com ela.
— Mas você tem que avisar a sua mãe, se não a minha me mata. — Advertiu, lembrando da última vez que TenTen dormiu em sua casa, depois de ter fugido no meio da noite.
É justo, a morena pensou. Mas não ligaria, mandaria mensagem.
Vou dormir na Sakura.
—T
Certo. Se precisar de algo, me avisa. Te amo
—A
A resposta foi quase imediata, o que significa que ela estava com o celular na mão, esperando TenTen retornar as chamadas. Tomar consciência disso fez o coração da morena doer, mas ainda assim não voltaria atrás.
Assim sendo, eles guardaram seus instrumentos e foram embora.
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