The Sound Of 2 Hearts: Segunda Temporada
51 You're My Wonderwall
Notas iniciais
— Nós vamos para casa. – Disse Anderson, depois que eles voltaram do quarto de Miranda. Charlie não parecia nada bem. Ela estava até pior que eu, se isso era possível.
Minha mãe levantou e foi falar com eles. Queria ter a mesma força nas pernas que ela para tal ato, mas tudo em mim estava concentrado em apenas uma pessoa, a alguns metros de distância daqui.
— Você pode ir, Jus. – Norah disse, segurando o filho no colo. Não me movi.
— Vai lá, cara. – Ryan sentou ao meu lado e colocou a mão em meu ombro, me incentivando.
— E se ela não acordar mais? – Perguntei baixinho, olhando o chão. – A última imagem de seu rosto será de dor. – Lembrei-me da briga.
— Ela vai acordar. – Afirmou, com total segurança. – Não sei se você sabe, Biebs, mas comas induzidos são controlados. É como se ela estivesse sedada. Na verdade, é isso! Uma hora, que vai ser decidida pelos médicos, ela vai acordar. Agora, vai lá. Ela precisa de você.
Levantei do sofá e fui conduzido pela enfermeira até o quarto dela. A moça abriu a porta para mim e sorriu com pesar.
Respirei fundo e entrei no quarto. Tentei não olhar para a cama, por isso observei as decoração do quarto. Eu havia pedido o melhor quarto para ela. As cortinas estavam abertas e a vista da cidade era incrível, para um hospital. Eu sorriria ao ver aquela imagem, se não fosse pelas circunstâncias em que me encontrava. A cor da parede era meio sóbria, tinha um tom claro de azul-cinzento. Aquele barulho “beep” contínuo seria irritante, se não fosse ele quem me desse a garantia de que seu coração continuava batendo.
Por fim me virei para a cama e a encontrei ali, imóvel, pálida, cheia de fios pelos braços, agulhas e bolsas de soro. Aquele era o pior de meus pesadelos e só o era porque eu não podia simplesmente acordar dele.
Sentei na poltrona que tinha ao lado da cama e fitei o chão. Não sabia o que fazer, não fazia sentido estar ali se nem ouvir sua voz eu podia.
— Você pode me ouvir? – Perguntei do nada, ainda sem levantar meus olhos. – Se você pudesse ao menos me ouvir...
O chão se transformou num borrão, meus olhos ardiam e estavam cheio de lágrimas. Levantei a cabeça e pisquei com força, focando nela. Como eu queria que fosse diferente, pensei.
— Tenho tanto para dizer. Você me escutaria se as coisas fossem diferentes? Acho que não. Você ia fechar a cara e me evitar, como você sempre fazia. – Soltei uma risada amarga. – Sabia que isso me deixava louco?
Com quem eu estava falando? Comigo mesmo ou com ela? Acho que meu cérebro realmente esperava uma resposta dela. Peguei a mão dela, depositei um beijo lá.
— Eu preciso tanto de você aqui, meu amor. Volta, fica comigo. Por favor? – As lágrimas caíam sem controle. – Você sabe que eu não queria ter dito aquelas coisas, não sabe? Por favor, volta.
Minha cabeça tombou na cama ao lado da barriga dela. Não tinha forças para nada, nada além de chorar.
— Desculpa por ser um chato, desculpa por não ser o que você queria, desculpa. Volta para mim, por favor. Não me deixa aqui. – Sussurrei a última parte. – Volta para a gente casar, termos nossa lua-de-mel na Itália, termos nossos filhos e nosso cachorro. Eu prometo que vou deixar você ganhar de mim no videogame, vou aprender a cozinha, vou levar você para conhecer o mundo. – Funguei. – Não é muito, eu sei, mas é só o que posso oferecer, já que sem você eu não sou muita coisa. Eu te amo tanto para te deixar ir embora, Miranda.
Fechei os olhos e fiz uma oração desesperada, trocando algumas palavras em meio ao choro. Pedi mais por ela do que por mim, eu só precisava dela aqui.
— Por favor, Deus, não tira ela de mim. – Pedi. – Por favor...
Levantei a cabeça e fitei seu rosto. Seus lábios deixaram de ser rosados, mas ainda era o único par de lábios que eu gostaria de beijar pelo resto da vida. Acariciei suas bochechas, tão macias. Queria poder beijá-la, sentir o calor de seu corpo, senti-la perto e segura em meus braços.
— Justin? – Ouvi a voz de Norah vinda da porta. Sorri sem vontade e levantei, indo até ela. – Vai dar tudo certo, você vai ver.
Assenti, querendo de verdade acreditar naquelas palavras. Dei uma última olhada em Miranda e saí do quarto, sentindo que a maior parte de mim ficara lá, deitada numa cama de hospital, quase sem vida, apenas alimentado pelo som de seu coração pulsando.
— Como foi lá? – Minha mãe perguntou. Algumas últimas lágrimas rolaram. Ela limpou meu rosto. – Não fica assim, tá?
Assenti, com medo de que se falasse iria chorar de novo. Eu me sentia uma criança assustada, com medo do mundo... Um mundo sem ela.
Sentei de volta no sofá e cobri meu rosto com as mãos. Ryan e Chaz vieram ao meu lado e me consolaram com alguns tímidos “Vai passar.”. Era o que eu mais queria, que esse pesadelo acabasse.
Logo mais, Kenny e Scooter estavam ali também. Não sei bem, acho que todos queriam me dizer alguma coisa reconfortante, mas não sabiam o que. Apenas caí dentro do abraço enorme de Kenny e respirei fundo.
— Sei que é um péssimo momento, J. Mas eles querem alguma coisa. – Scott falou, depois de me abraçar e bagunçar meus cabelos. Olhei para a enorme porta de vidro que nos separava daqueles selvagens. Suspirei.
— Pede para alguém entrar. – Falei. – Vou dar algumas notas, nada mais.
— Certo, se você acha melhor assim. Quem?
— Não sei... Aquele ali da CBN, acho que eles sabem lidar com uma noticia séria assim. – Dei de ombros.
Scooter mandou que o trouxessem e nos deixou a sós numa sala reservada.
— Antes de mais nada, lamentamos muito. – O cara disse. Sorri, satisfeito por ele respeitar aquilo.
Tudo o que eu queria naquele momento era paz.
Notas finais
Xx, amo vocês gatitas ♥
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