The Soul Of Witch And The Dragon Fire
2 Encontro
– Responda-me. Como foi a missão?
– Nada que eu não pudesse resolver com o tempo. — comentei, não para parecer forte e imponente. Eu tinha quase certeza que não teria sucesso e que minha vida acabaria em meu trabalho. — Achei que não voltaria mais.
– É o que pensei. Faz mais de vinte três anos desde sua partida, não?
– Passei por tantas coisas que até para contá-las me deixa desorientada. Passei doze anos perdida entre o Tempo e Espaço enquanto enfrentava aquela criatura...
– Vejo que é por isso que ainda parece uma jovem. Não envelhecera nada.
– Digo o mesmo, meu bom mestre.
– Você perdeu muitas coisas, minha filha. — Makarov sorria de maneira travessa e eu conhecia muito bem o que aquilo significava. Pelo que me pareceu, perdi duas divertidas décadas para a Fairy Tail, porém eu também havia conquistado muito durante esse período. Já não era a mesma maga que os poucos que me reconhecem se recordam. — Deve estar cansada. Venha e junte-se a mim na bebida.
– Não creio que devo. — ri no impulso e ele me acompanhou.
– Não importa que o tempo não passou por você, Rei. Você tem que ter em mente que já tem pouco mais de trinta anos, garota.
– Tecnicamente, eu estou com dezoito anos, mestre, mas eu aceito. — sentei-me ao seu lado e fiquei apenas a ver os novos rostos dos membros. Eu realmente fiquei muito tempo ausentada.
Ninguém me parecia familiar. Talvez muitos deveriam ter morrido ou deixado a guild, o que eu duvidei muito. Faces jovens e sorridentes a gritar felizes, brigando ou conversando. Até aí nada havia mudado ali. Claro que a nova reforma tinha me pegado de surpresa, contudo eu podia dizer que estava bem mais espaçosa e mais organizada. E pelo que poderia dizer de Makarov, a reforma só havia sido realizada por algum imprevisto como, e única hipótese, a destruição desta. Como eu gostaria de estar lá para fazer com que os feitores sofressem a consequências de seus atos.
Foi perdida nestes poucos pensamentos que a voz doce de mulher me assustara. Encarei mais que depressa para quem pedia minha atenção e vi uma jovem a servir mais uma boa dose de cerveja para o mestre da guild. Era alta, de curvas invejáveis, cabelos longos e ondulados que pareciam como a espuma do mar devido a forma e a cor albina. Para não atrapalhá-la no serviço, sua franja estava presa para o alto da cabeça dando mais enfoque aos olhos azuis claros que suas íris tinham. Fiquei apenas a observá-la sem ao menos pronunciar qualquer palavra até que ela, educadamente, se apresentou.
– Meu nome é Mirajane, gostaria de pedir algo? — com um gentil sorriso, senti-me um pouco fora da atmosfera do novo recinto.
– Pode trazer uma cerveja para ela, Mirajane! — exclamou o velho Makarov com o rosto mais que rubro.
– Não peça pelos outros, mestre.
– Não se preocupe. — disse-lhe. — Eu aceito uma caneca de cerveja e poderia trazer também alguns amendoins?
– Tudo bem. — a jovem se retirou e fiquei a esperar meu pedido.
– Ei, sabem que é aquela garota? — ouvi um homem musculoso perguntar para mais dois jovens ali perto.
– Não sei. Será que quer entrar para a guild? — o outro retrucou.
– Ela me parece um pouco estranha... Ela mau chegou e já está agindo como se estivesse em casa.
– O que tem? Se ela for uma novata, terá que se acostumar uma hora. — o homem musculoso apenas viu meus olhos voltados para seu pequeno grupo e calou-se assim como os outros após repararem que diziam as coisas muito alto.
Como se não bastasse, eu ainda era vista como uma principiante para os outros membros. Eu pude apenas suspirar desanimadamente e ver que meu pedido já estava posto a minha frente.
– Você deve ser nova na cidade. — disse Mirajane. — É uma maga, talvez?
– Ela é uma velha amiga, Mirajane. — Makarov explicou em meio a soluços e lentidão das palavras. — Rei é uma antiga membra da Fairy Tail.
– Hum? — a jovem parecia surpresa e, pelas suas feições, quis mais saber o que o mestre queria dizer com aquilo. Era óbvio que aquilo soara muito estranho para ela. Peguei a caneca e tomei seu conteúdo, sem ligar para os meus petiscos.
– ESTAMOS DE VOLTA!!!
A porta fora bruscamente arrombada por um rapaz e aparecendo logo em seguida, mais um grupo de jovens.
Sim, eu achei o jovem a frente bem atraente. Seus belos cabelos curtos rosados e arrepiados me encantavam de uma forma incrível. Para um rapaz daquela idade, tinha um corpo bem trabalhado e um brilho distinto em seus olhos castanhos. O rapaz que vinha logo atrás também não ficava para trás em questão de beleza. Olhos azuis escuros e um rosto tão maduro. Era forte e dava para dizer por estar trajado apenas com as partes inferiores, ou seja, da cintura para baixo estava vestido. Seu tronco nu era bem chamativo, principalmente com os cabelos curtos negros e bagunçados que faziam contrastes com a pele branca.
– Natsu! — gritou uma jovem logo atrás dos dois, puxando a orelha do rapaz que me atraíra logo que chegou.
Uma bela e jovem mulher. Com cabelos longos escarlates e lisos, era como uma pedra rara em meio a tantas comuns. Tinha uma postura imponente e ao mesmo tempo graciosa. Seus olhos que mais pareciam duas joias de âmbar eram, o que eu podia dizer, bem mais autoritários do que seu modo de falar.
– Ah! Desculpa, Erza!. — pediu o rapaz se mordendo de dor.
– Natsu, você não devia procurar encrenca com a Erza. — comentou um gato azulado e voador, que vinha entrando sem cerimônia no grande salão.
– Principalmente, quando você está na guild. — completou uma jovem que aparecera pouco depois.
A garota era loira e tinha parte do cabelo preso ao lado da cabeça por um laço azul marinho. Estava equipada com um chicote e pelo que pude notar trazia uma pequena bolsa em sua cintura. Eu podia muito bem dizer que era uma Maga Estelar, mas não quis me arriscar a montar hipóteses. Seus olhos eram castanhos e isso a deixava com um chame bem exótico. Com certeza, ela tinha um namorado. Que sorte dela.
Sim. Eu também queria ter um namorado, porém não vem ao caso neste momento.
– Bem vindos de volta, pessoal. — cumprimentou Mirajane.
– Poderia me trazer mais uma? — pedi educadamente para a jovem.
– Se não é o time do Natsu. — zombou um homem de cabelos loiros e com cicatrizes na face.
– Lu-chan, como foi? — vi uma jovem de óculos a correr na direção da garota loira e não se preocupou em ajeitar os cabelos azuis.
– Muito bem, Revy-chan.
– Se não fosse o idiota de Natsu, Nós não teríamos levado uma bronca por quase destruir a propriedade do cara que pediu pelo serviço. — reclamou o rapaz de cabelos negros e se... despindo? Sim, ele estava ficando só de cueca para minha felicidade.
– Cale a boca, pedaço de picolé! — o rapaz de cabelos rosados gritou bravo.
– Cabeça de chaleira!
– Pervertido!
– Babaca!
– Não se preocupe... — disse Mirajane e entregando-me uma caneca nova de cerveja. — Natsu e Gray brigam desse modo sempre. Não estranhe.
– Tudo bem. — tomei um pouco da bebida e voltei a dizer. — Isso não me incomoda.
Eu não ligava mesmo. Eles passaram a se xingarem ainda mais e logo a lutarem, porém não quis dar minha atenção para aquilo. Eu estava cansada por tudo que havia vivido e não estava muito bem para ficar vendo dois membros se matando em meio a guild. Eu não me envolveria... A não ser que eles me envolve-se.
– Toma essa, cabeça congelada!
Uma bola de fogo passou ao lado do jovem de cabelos negros e se dirigiu diretamente a mim. Parei o ataque com uma das mão e o fogo quase se dissipou por completo. Levantei-me calmamente de onde eu estava sentada e encarei a todos ali presentes. Eles pareciam um pouco surpresos, mas não fiz questão de explicar nada. Olhei ao redor e ao visualizar uma caneca vazia, peguei-a e, com o fogo em mãos, a incendiei.
– Pense rápido. — eu disse tão depressa quanto meu arremesso.
Para a infelicidade do rapaz, aceitei bem a sua cara e o derrubei com o golpe.
– Pegue leve, Rei. — Makarov alertou-me.
– Eu apenas devolvi a recepção como deveria. — sentei-me novamente e passei a comer meus amendoins.
– Sua-!
Novamente, uma bola de fogo veio e fiz o favor de não virar-me. Senti a bola me aquecendo, mas não ao ponto de me ferir. Fazia tempo que não sentia aquele fogo. Fogo de dragão. Cessando as chamas, Surpreendi o povo por não estar ferida e muito menos ligando para o ataque que fora direcionado a mim. Comi mais alguns petiscos e logo perguntei.
– É um Dragon Slayer, por acaso, rapaz?
– Você não se feriu? — ela parecia surpreso pelo tom de voz.
– Não... — ríspida, estreitei meus olhos a lembrar coisas muito piores.
– Interessante... — sua voz continha malícia e ansiava uma futura batalha e nisso ambos estávamos interessados. Seria muito empolgante lutar contra um "dragão" novamente, depois de tantos anos.
– Desista, Natsu. Rei não é uma oponente pra você. — o mestre comentou.
– Vamos lutar, garota! — contive meus risos. Levantando de onde me sentava, tomei o resto de minha bebida e encarei o jovem com um medonho sorriso.
– Eu aceito... Só espero que não se arrependa depois.
Então, fui em sua direção, derrubando-o para fora do estabelecimento.
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