The Song of Our Hearts

4 Romance Ideal - Cobrina


Notas iniciais
Antes que me matem, eu já disse que teria Cobrina. Eu já escrevi de Cobrade e de Perina, então decidi escrever Cobrina. Quem não gosta, não leia. Quem gosta, leia e comente o que achou. Eu amo muito essa música e ela é do Paralamas do Sucesso, caso não saibam. Eu ouvi ela há alguns dias e me lembrei desse casal. Boa leitura! Espero que gostem. Link: https://www.youtube.com/watch?v=RBDlvSt3W10

Ela é só uma menina
E eu pagando pelos erros que eu nem sei se cometi
Ela é só uma menina
E eu deixando que ela faça o que bem quiser de mim
Se eu queria enlouquecer essa é a minha chance

Minha cabeça doía. Meu corpo estava clamando por mais horas de sono. Minhas roupas estavam jogadas no chão do meu quarto improvisado no QG. Minha sanidade havia ido por água abaixo. Tudo o que eu conseguia lembrar da noite passada era suficiente para saber que eu não batia mais bem da cabeça. Eu havia dormido com ela. Ela, a única garota que eu nunca devia tocar. Ela, uma menininha que não devia ser nada além de uma amiga para mim.

Ela dormia calmamente ao meu lado no colchão que eu chamava de cama. Seus cabelos loiros estavam bagunçados. A boca que eu havia beijado ontem me parecia tão convidativa. Seus olhos bem fechados. Uma pena. Tudo que eu queria agora era ver aqueles belos olhos azuis olhando para mim. Melhor não. Tenho que pensar em como contornar essa situação. E rápido.

Me levanto e vou em direção ao banheiro. Ligo a água e tento pensar. Como eu havia sido tão idiota? Ela é só uma menina e eu, só um cara bandido que ela não devia confiar. Mas ela é tão linda, tão gata, tão boa. Me repreendo mentalmente por pensar nela desse jeito, se bem que a essa altura nem vale a pena, porque eu já havia ficado com ela mesmo. Antes de continuar mais um briga com a minha consciência, um barulho vindo do meu quarto me chama atenção. Desligo a água, me seco e troco e vou para o quarto, encontrando acordada aquela que havia me tirado o sono.

– Oi. – Ela diz timidamente.

– Oi. – Respondo procurando algo para dizer.

– Eu não sei o que dizer. Não sei o que pensar. – Ela diz mais para si mesma abaixando os olhos.

– Também não. Quer dizer, ontem foi um erro. Nós somos amigos e só, né? – Ela não levanta a cabeça e não fala nada. – Vamos esquecer isso, ok?

Ela levanta seu rosto e me fita por alguns segundos. Como um jato, vem até mim e me deixa entre a parede e ela.

– Então você não gostou? – Diz ela esboçando uma emoção que eu não sei nomear.

– Não. Quer dizer, sim. Eu gostei, mas isso é errado. Você é só uma menina.

– Pelo menos, eu não sou um cara. – Ela diz e eu reprimo um riso inoportuno. – E para sua informação, eu tenho dezesseis.

– E eu tenho vinte e um. São muitos anos de diferença. Se seu pai descobre, ele me mata.

– Então você tá com medo do meu pai, Ricardo? – Ela diz me prensando na parede.

– Não me chame assim. – Digo chegando mais perto dela.

– Está bem, Ricardo. – Ela completa provocando e antes que eu responda, ela faz algo que eu realmente não esperava. Ela avança seus lábios rosados nos meus.

É isso, Ricardo Cobreloa. Você enlouqueceu. Você foi beijado por uma menininha e está correspondendo, depois de ter dormido com ela. Cara, eu tô ferrado.

É tudo que eu quis
Se eu queria enlouquecer
Esse é o romance ideal

Nosso beijo estava durando demais. Tinha que dar um basta antes que tudo ficasse pior. Me afastei e segurei seus braços a girando e a prensando na parede.

– Então é isso? Você gosta de mim?

– Talvez sim. Talvez não. Quem sabe? – Ela respondeu com sua tipica cara de deboche que eu amava nela.

– Vou mudar a pergunta. Você gosta de me beijar? – Perguntei usando meu sorriso cafajeste que eu sabia que ela adorava.

– Quem não gosta de um beijo de uma cara tão bandido como você?

– Então isso é um sim?

– O que você acha?

– Que é.

– Achou certo. E você gosta de me beijar?

– Você ainda pergunta?

E antes que ela tivesse chance de responder algo, eu a beijei e ela beijou de volta com a mesma intensidade. Fomos andando até minha cama, a deitei nela e cometi o mesmo erro da noite anterior.

Estava na cara. Eu havia enlouquecido. Eu estava louco. E por mais clichê que isso parecesse, eu estava louco por ela.

Não pedi que ela ficasse
Ela sabe que na volta
Ainda vou estar aqui
Ela é só uma menina
E eu pagando pelos erros que eu nem sei se cometi

Lá estávamos novamente deitados no colchão despidos e ofegantes. Não queria admitir, mas estava amando tudo isso. Provavelmente, ficamos deitados nos olhando por um bom tempo, porque quando eu dei por mim já estava entrando alguns raios de Sol pela pequena janela do meu quarto.

– Eu juro que não quero, mas tenho que ir. – Disse ela enquanto mexia em meus cabelos.

– Também acho que você deve ir, mas não agora. – Eu disse enquanto depositava beijos pelo seu rosto.

– Para. Eu tenho que ir.

– Não. – E a beijei, mas ela se afastou.

– É serio. Se meu pai descobre que estava aqui, ele te mata, te revive e te mata de novo e depois de tudo, ainda me poe de castigo eterno.

– Então é melhor você ir. – Digo me afastando.

– Fico com medo de morrer, Ricardo?

– Já disse para não me chamar assim. E não, eu não fiquei com medo de morrer.

– Ficou com medo de que, então?

– De nunca mais te ver.

Eu disse sinceramente e um sorriso apareceu no rosto lindo dela. Ela me beijou e eu a beijei de volta. Depois de um tempo, se afastou, colocou sua roupa enquanto eu colocava a minha e foi comigo até a porta.

– Então até mais, Ricardo.

– Até mais tarde, loirinha.

Ela deu mais um daqueles sorrisos que eu tentava não amar tanto e saiu do QG em direção a sua casa.

Se eu queria enlouquecer essa é a minha chance
É tudo que eu quis
Se eu queria enlouquecer
Esse é o romance ideal

Era tudo que eu queria. Tudo que sempre quis. Alguém que me entendesse. Ela sempre estava lá por mim. E eu, por ela. Eu nunca tenha percebido, mas eu amava aquilo. Eu a amava. Porém, diferente do que eu pensava, eu a amava, não como uma irmã. Eu a amava de verdade. Ela era minha amiga, minha confidente, minha parceira de luta e de cama, minha amante ideal. E eu tinha que contar para ela. Antes que ela abrisse a porta da casa que morava, gritei:

– Karina. – Ela se virou e vei até mim. – Eu te amo, loirinha.

– Cobra, eu também te amo. Você é meu melhor amigo.

– Não. Eu te amo de verdade. Eu só percebi isso agora, mas é a verdade.

– Cobra, eu não vou dizer que te amo do mesmo jeito que você diz me amar, porque não é verdade. Eu sinto algo muito forte por você, Cobra. Você é meu melhor amigo. A gente dormiu junto duas vezes. Você é muito gato e ainda beija muito bem. Você é um cara incrível, mesmo sendo bem problemático. E eu te amo também. Só não sei que tipo de amor é, Cobra. – Ela disse timidamente olhando para seus pés.

– Karina, olha nos meus olhos. – Disse segurando seu rosto. – Você não tem que dizer que me ama do mesmo jeito que eu te amo, porque só de saber que você sente algo por mim, tudo está perfeito. Karina, eu te amo e não importa como é seu amor por mim, porque é um amor.

E eu a beijei e ela correspondeu. Não tinha quase ninguém na rua ainda e mesmo se tivesse, eu não ligava mais. Ela era a menina que eu amava e espero que, um dia, eu seja o cara que ela ama. Ela se afastou e me fitou.

– Tchau, Ricardo. – Ela disse com aquele tom provocativo que eu estava aprendendo a amar.

– Tchau, loirinha. – Disse com o tom cafajeste que ela iria logo amar.

Ela se foi de vez para casa. Provavelmente, o mestre nos mataria em breve, mas no momento não importava. Eu havia me declarado a ela. Isso mesmo, consciência, eu amo aquela menina de verdade e ela logo me amará de verdade também. Creio que eu não merecesse tudo aquilo. Todo aquele carinho. Todo aquele amor. E aquilo podia ser louco, podia ser errado, podia ser perigoso, mas era o romance ideal.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Comentem e me mandem sugestões. Beijos, Turtle. PS: Vou atualizar a fic Perina logo, então não briguem comigo.