Notas iniciais
Mais um capítulo prontinho para vocês! Espero que gostem e curtem bastante. Por favor, não se esqueçam de ler com música. Beijinhos, boa leitura e desculpem os errinhos! s2 MÚSICA: Ke$ha - Cannibal RIACHO: https://pin.it/6exwhXD

Abri meus olhos sentindo uma dor terrível, uma ardência que me queimava de dentro para fora. Depois de alguns instantes, gemi com a dor me invadindo novamente, parecia até ser proposital.

Tenten: Ela está acordando!

Escutei a voz da minha amiga me confortar no meio do incômodo insuportável.

Abri meus olhos em buscar de enxergar algo, mas tudo que conseguia era um borrão preto que cobria quase que por inteira a minha visão. Senti minhas pálpebras pesarem e meu corpo ficar leve novamente.

Iria desmaiar.

Ino: Sakura, acorda!

Notei a voz de Ino me chamando.

Ino: Ela vai desmaiar de novo!

Tenten: Pressiona novamente!

Quando ouvi o que a morena disse, rapidamente abri meus olhos e agarrei a mão da loira que estava vindo na direção da minha cintura.

Sakura: Pelo amor de Deus...

Acabei acordando pelo medo de sentir aquela ardência de novo, por mais que eu soubesse que é assim que reanima um paciente em casos precários de socorro, aquilo era a morte para mim. Agora sei como se sentem os pacientes quando checamos o local da fratura com uma força descompensada.

Me sentei com a ajuda das duas meninas e ao colocar a mão na terra úmida, me recordei de tudo que tinha acontecido. Olhei para os rostos levemente iluminados pelo resto de fogo que almejava do ônibus e vi o semblante assustado e preocupado estampado na face de cada uma.

Sakura: Isso realmente está acontecendo?

Perguntei vendo-as se sentarem no chão, sem dizer nada.

Ino: Eu nem me lembro... Só agradeço tanto por terem me ajudado... Sem vocês, eu... Eu...

Ela começou a chorar fazendo meus olhos lacrimejarem. Olhei para cima buscando me acalmar, o choro queimava minha garganta e eu não queria chorar, não podia chorar.

As cenas queriam inundar meus pensamentos, queriam me deixar amedrontada... E por azar, estavam conseguindo.

Tenten: Nós vimos coisas que ninguém merece ver... Não vamos ficar recordando... Por favor!

A morena pegou em minha mão.

Tenten: Temos que manter o controle e ficarmos aqui até o socorro vir. Não vamos pensar no que aconteceu e sim em como nos cuidarmos.

Apenas concordei com a cabeça.

Aquilo era triste, estávamos em choque! Jamais imaginaria que algo desse tipo pudesse acontecer... E por que só nós sobrevivemos?

Sakura: Vocês...

Elas me olharam.

Sakura: Encontraram alguém?

Perguntei e pela expressão, a resposta era não.

Me mantive quieta sem dizer mais nada e isso permitia que as cenas viessem em minha mente. Por sorte do subconsciente, eram poucas coisas que eu lembrava.

Passei a mão pela minha ferida e vi um pedaço de couro envolvendo toda a minha cintura. Com certeza estava precário... Criando uma infecção provavelmente. Entretanto, não estava sentindo tanta dor igual antes, pelo meu corpo ainda estar anestesiado pelo medo, eu mal sentia. Estava mais para uma ardência bem forte, porém suportável.

...

Passamos um bom tempo no mesmo lugar, mal conversávamos e o temor estava se instaurando em nós. A Luz do fogo estava bem baixa, logo, nós estaríamos em perigo com os bichos da mata e sabe Deus o que.

Estava encostada na pedra olhando para o céu por um bom tempo, com certeza eu estava alucinando, mas meus olhos permaneciam fechados e quando abriam, sua única direção era para as estrelas. O medo não me deixava olhar para outro canto além, provavelmente eu veria coisas que deixaria nossa situação bem pior do que já estava.

Ino: Será que não vai chegar socorro?

Fechei os olhos suspirando tentando espantar o que eu acabara de ouvir.

Tenten: Você não consegue ser mais inconveniente?

Sakura: Pelo amor de Deus Ino.

A loira novamente se calou, por mais que ela fez uma pergunta que poderia nos levar ao desespero... Não precisava de tanta grosseria da nossa parte.

Sakura: Sabe Ino... Eles virão! Nosso ônibus ainda não chegou no acampamento, então provavelmente já acionaram o socorro.

Ouvi Tenten rir.

Ino: Obrig...-

A garota foi interrompida por um barulho de galho quebrando não muito longe da gente. No mesmo momento meu coração acelerou e um choque passou pelo meu corpo.

Tenten se levantou primeiro, rapidamente, me fazendo segui-la. Estava arrepiada, a mesma sensação ruim do hospital veio à tona.

Engoli seco.

Tenten: Quem está aí?

Disse em um bom tom disfarçando o medo, mas nada respondeu-lhe.

Mais um barulho de galho quebrando vindo um pouco ao lado. Pela luz da lua, dava apenas para ver os vultos dos troncos das árvores e a moita. O brilho do fogo não iluminava mais e a nossa visão que se acostumou com o escuro era a nossa única saída.

Tenten: Vamos sair daqui...

Ela falou baixo sem tirar os olhos do que poderia ser.

De repente um rosnado veio e de trás da moita um animal exageradamente grande saiu com os olhos brilhando.

No mesmo momento eu travei, minhas pernas tremiam e eu senti o gosto de morte no céu da boca.

Tenten: CORRE!!!!

Ela gritou bem alto me tirando do transe.

Sem pensar duas vezes virei as costas e sai correndo sem rumo junto à Ino.

Não pensava em olhar para trás, minhas pernas tinham ganhado uma força tremenda. O medo me dava velocidade.

Apenas seguia o vulto da morena em minha frente, os galhos eram quebrados com cada pisada rápida e o mato afundava com os passos grosseiros. Desviava dos troncos como se já soubesse o caminho, o meu cansaço estava chegando aos poucos e a minha respiração misturando-se com o ar gelado, queimava a minha garganta.

Ino: Chega! Por favor...

Ela parou de correr e eu fiz o mesmo, olhando para a direção oposta.

Percebi então que nada nos seguia e isso me deixou descontável do que poderia surgir.

Coloquei as mãos no joelho ofegante, eu não tinha ar dentro de mim e a respiração rápida não deixava entrar o suficiente.

Tenten: Fiquem aqui e não sentem, pode ter bichos venenosos...

Tenten também estava ofegante, mas não tanto quanto nós. Ela saiu de perto de nós e eu nem tinha forças para perguntar o porquê.

Quando recuperei meu fôlego, olhei para Ino que tinha as duas mãos na cintura olhando para os lados toda hora procurando por algo.

Sakura: O que será que...-

Ino: Não sei, mas era um animal!

Me respondeu.

Sakura: Ele não nos seguiu.

Encarei o nada procurando por ele.

Ino: Como tem certeza?

Sakura: Estamos vivas, não tem mais certeza do que isso.

Estava intrigada pelo animal não ter nos seguido, o medo já não estava tanto igual antes. Agora minha preocupação era outra, saímos de perto do ônibus e isso foi arriscado.

Ino: Nós vamos morrer...

Olhei sua silhueta e nada respondi. Ela tinha razão, uma hora acabaríamos morrendo...

Tenten: Acho que temos sorte!

A morena surgiu me assustando.

Ino: Meu Deus Tenten... Não faz isso...

Colocou a mão no peito.

Tenten: Achei uma estrada de terra! Provavelmente em algum lugar vai dar.

Sem pensar duas vezes, seguimos até a estrada que a morena encontrou. Ainda estava intrigada com o tal bicho não nos seguir, provavelmente não era feroz... Ou sei lá.

Enquanto andava, pensava em mil coisas, como isso aconteceu, por que todos morreram, se iriam nos encontrar, se encontraríamos algum lugar...

Minha cabeça estava em uma turbulência terrível.

Parei de andar quando acabei trombando sem querer em Ino que virou para mim e mandou ficar em silêncio. Tentei observar o que elas tanto olhavam e vi que ao fundo, tinha uma lanterna de carro se aproximando.

Tenten: Estou com medo...

Ela disse para nós dando alguns passos para trás.

Ino: Medo? Medo eu estou daqueles corpos queimados! Aquilo ali é nossa ajuda!!

Ela tomou a frente saindo da mata pisando na terra úmida.

Sakura: Sei não Ino... Não acho que alguém vai nos ajudar. Estamos no meio do mato sozinhas, é capaz de ficar com medo e passar o carro em cima de nós.

Ela me olhou por alguns instantes.

Ino: Essa mata é perigosa, vamos morrer se ficarmos aqui.

Assim que a lanterna iluminou Ino, decidimos sair do mato e pedir socorro. Por mais que o que a morena dissera pudesse realmente acontecer, não poderíamos ficar mais tempo nessa mata.

O carro se aproximou e Ino acenou para parar. O veículo diminuiu a velocidade e ficou nos clareando quando parou. A porta se abriu e desceu quatro homens armados com barras de ferro e arma.

Na mesma hora ficamos com medo, não esperávamos que encontraríamos e esse tipo de socorro, era o que eu mais temia.

Natsu: O que estão fazendo aqui?

Sua voz grossa deu um pequeno eco.

Tenten: Nós estamos perdidas, nosso ônibus caiu do morro e pegou fogo! Só nós sobrevivemos...

Kyzuna: Isso explica por que vimos a luz.

Falou baixo apenas para os homens escutarem.

Natsu: Sua amiga está machucada?

Tenten me olhou e arregalou os olhos, isso me fez arrepiar da cabeça aos pés.

Tenten: Sakura...

Ela apontou para a minha barriga e quando eu vi, a faixa da minha blusa que estancava a ferida, pingava sangue. Minha legging rasgada mostrava o rastro de sangue que descia deixando meu tênis esquerdo todo manchado de vermelho vivo.

Natsu: Toma...

Tirou a blusa de frio que estava em seu corpo e esticou para Tenten.

Natsu: Vamos levar vocês para o hospital!

...

O carro estava quente, por conta do frio lá fora o homem tinha ligado o aquecedor para nós.

Estava sentada entre as duas, enquanto os outros dois homens iam na carroceria da caminhonete. Percebi que o rapaz do banco da frente olhava de minuto em minuto para o motorista que seguia sério o caminho.

Estranhei por fazerem tantas perguntas sobre algum sobrevivente e querer que afirmássemos várias vezes que o ônibus tinha mesmo pegado fogo.

Minha mão estava suando frio, eu não me sentia bem. A vontade de vomitar vinha e ia o caminho todo, o cheiro de sangue velho infestava o carro e eu me sentia mais mole com o passar do tempo.

Tenten: Vai demorar muito para chegar?

Ela falou quebrando o clima tenso de dentro do carro.

Olhei para ela e vi que a mesma tinha um corte enorme na bochecha com sangue seco pelo rosto. Com certeza pelas duas estarem no meio do ônibus... Não sofreram tanto igual eu... Igual os outros.

Natsu: Estou indo o mais rápido que consigo.

Ela se calou e desviou sua atenção para mim. Ao me olhar, colocou a mão em minha testa e depois em meu pescoço.

Tenten: Você está fria... Ino...

As palavras de Tenten eram receosas, mas ainda firmes. Ela estava extremamente preocupada comigo, eu estava tendo hemorragia que se não cuidada o quanto antes, me levaria à óbito.

Eu não sabia se morreria ou não, por entender de medicina, sabia que não precisava me desesperar e me manter acordada a todo custo. Porém o olhar da morena me mostrava que as coisas não terminariam bem se não agissem rápido.

Ino: Senhor... Por acaso você não tem bebida ou álcool? Tesoura, faca... Esqueiro...

Ele olhou ela pelo retrovisor e em seguida desviou sua atenção para frente.

Natsu: Deve ter na carroceria... Por que? Quer que pegue?

Ino: Temos que fechar a ferida dela! Pare o carro!

Dito e feito, o homem parou e desceu rapidamente junto ao amigo indo pegar a mala atrás, aonde os outros estavam.

Tenten: Me dê seu casaco Ino!

A mesma abriu a porta do carro e me pediu para deitar no banco forrado com a blusa da amiga. Os rapazes abriram a mala para Ino ver o que poderia usar e eu a vi pegar um anzol de pesca, linha de pesca, o esqueiro do ruivo e a garrafa de Whiskey que o mais novo trouxe.

Tenten: Vou ver se ajudo encontrar alguma lanterna...

Saiu de perto de nós.

Fiquei observando a loira cuidadosamente tentar colocar o fio no anzol perto da pequena luz amarela no teto do carro. Ino queria ser cirurgiã plástica, então para ela seria como brincar de boneca.

De nós três, era a que mais tinha manejo com costura, obviamente.

Ino: Você sabe que tem um risco usar isso... Né?

Sakura: Eu só quero ficar viva...

Disse colocando minha cabeça no banco, descansando meu tronco.

Escutei um barulho de rolha e percebi que a parte mais temida viria. Coloquei minhas mãos nos bancos ao meu lado esperando a dor vir, fechei os olhos e escutei a loira perguntar se eu estava preparada... Parecia até piada. Senti uma mão em meu cabelo e quando abri os olhos assustada, era Tenten segurando a lanterna me olhando aliviada.

Ao escutar "vamos lá" de Ino, automaticamente meu corpo se contraiu se preparando para a queimação. De uma vez só, a estudante me lavou com o líquido, derrubando-o todo em minha ferida.

Trinquei os dentes e me contraí mais ainda com a dor. Um grito agoniado saiu pela minha garganta arrastando todas as minhas cordas vocais, aquilo me queimava de dentro para fora e parecia que se alastrava pela minha barriga inteira. Era mais doloroso do que tirar aquele ferro frio, principalmente agora que meu sangue estava frio.

Ino deixou a dor aliviar por alguns minutos antes de poder costurar minha ferida aberta, ela era muito atenciosa com os pacientes e mesmo naquela situação, não seria diferente.

Quando a mesma ia começar a costurar, Tenten pediu para esperar e saiu da nossa visão indo para trás do carro com os outros homens que nos ajudaram.

Sakura: O que está acontecendo?

Tentei levantar mesmo com uma dor tremenda, mas fui barrada por Ino que pediu para ainda ficar deitada.

Ela saiu de perto de mim e se juntou aos outros sem dizer nada.

Me levantei lentamente tomando cuidado para não me machucar mais e fiquei olhando os seis atrás do carro atentos ao canavial que mexia sem qualquer estimulo de vento. Me apoiei no banco enquanto continuava olhando pela pequena janela traseira os rapazes se prontificarem com a arma e os ferros nas mãos.

Naquele momento percebi que algo estava acontecendo.

Todos estavam quietos e atentos a qualquer movimento suspeito, reparei que Natsu mirou para o canto direito e ficou prontificado em atirar. Encarei o mesmo lugar que o senhor e vi que aos poucos os mesmos olhos brilhantes iam surgindo entre as canas.

O par de olhos estavam em um tom vermelho vivo e lanterna traseira dava um brilho mais aterrorizante me deixando boba de tanto medo. Quando menos esperava, o animal enorme, dava as caras mostrando o seu tamanho gigante e seus pelos negros que balançavam com o vento, davam um certo temor maior que qualquer animal silvestre. Era diferente de tudo que já vi.

Pisquei diversas vezes para entender que pela primeira vez na vida eu estava vendo um lobo enorme e sombrio em minha frente. Meu ar se prendeu na garganta quando mais três lobos da mesma altura apareceram em diferentes cantos, soltei o banco pasma com aquilo.

E então, novamente senti o gosto da morte no céu da boca.

Minha cabeça não raciocinava, eu não me movia, apenas ficava vidrada nos monstros que iam se aproximando cada vez mais deles.

Quando menos esperava, escutei um barulho alto de tiro que fez meu coração parar por alguns míseros segundos. No mesmo momento, o lobo negro pulou em cima de Natsu que caiu no chão bruscamente com o bicho em cima.

Vi ele se debater tentando manter a enorme boca longe de seu rosto, mas parecia não ser o suficiente. O lobo parecia um demônio encarnado.

Rapidamente um dos seus amigos correu com a barra de ferro em sua direção, porém, antes de chegar ao companheiro, um lobo de pelagem ruiva pulou em cima dele arrancando sua cabeça em uma só mordida.

Coloquei a mão na boca tentando miseravelmente abafar o choro pelo medo e então, vi as meninas correr para o carro e entrar, fechando a porta.

Fechei os olhos e tampei os ouvidos chorando desesperadamente, as meninas assistiam tudo aos prantos com medo que pudessem vir atrás de nós. Ino tampou a minha boca com a sua mão para que eu pudesse parar de chorar para não atrair os animais.

Olhei para ela soluçando e vi em seus olhos o brilho do temor, algo que jamais vi naquela menina ambiciosa e brincalhona. Ela fazia sinais rápidos de silêncio desesperada.

Minha calma tinha se esvairado por si só no momento que assisti a facilidade do bicho em desmembrar o rapaz de porte médio.

Tenten: Meu Deus... Eles estão vindo!

Começou a chorar se sentando no banco.

As duas sentaram no banco encolhidas para que os monstros não pudessem nos ver, mas a tentativa foi falha quando um dos lobos bateu com as patas no vidro, quebrando-o em vários pedaços.

Escutei Ino gritar e o lobo agarrar com a boca seu braço tentando puxa-la para fora do carro.

Não pensei duas vezes e comecei a socar o fuço do bicho que acabou soltando Ino que gritava de dor em meio aos choros. Ele se afastou e quando ia pular dentro do carro, vi uma silhueta humana agarrar ele em pleno ar, antes que pudesse chegar em nós.

Com a batida, o animal agoniou chamando atenção dos outros que correram para o meio do canavial onde os dois rolaram deixando um rastro de cana caída.

Quando fui olhar direito o que estava acontecendo, a porta ao lado de Tenten foi arrancada bruscamente sendo jogada no chão. Um rapaz de cabelos presos em um rabo de cavalo arrepiado estendeu a mão para Tenten e logo atrás, surgiu uma garota de cabelos ruivos e óculos apressando o tal "Shikamaru".

Shikamaru: Vamos! Eles vão voltar!

Não pensamos duas vezes e descemos do carro apressadas, seguindo o que o homem tinha dito.

Shikamaru: Karin, tirem elas daqui! Vou ajudar Suigetsu e os meninos!

Em um piscar de olhos o rapaz sumiu deixando apenas um pequeno rastro de vento balançando os cabelos da ruiva que antes estava ao seu lado.

Karin: Me sigam o mais rápido que puderem!

Saiu em disparada sendo seguida por nós.

...

Estávamos sentadas na margem de um pequeno rio que se iniciava por uma alta cachoeira e terminava com outra queda d'água sem fim. O local era muito bonito, lentamente os gigantes eucaliptos eram iluminados pelo filete de sol que começava aparecer no céu ainda escuro.

Me sentia tão tranquila e leve naquele lugar que parecia que nada havia acontecido. Minha ferida não deu nenhum sinal de dor desde comecei a ser levemente banhada pelas minúsculas gotinhas de sereno que vinham da cachoeira. Parecia até que eu tinha morrido e não me importava nenhum pouco com isso.

Olhei para as meninas que estavam a um bom tempo sem dizer uma palavra e ambas aparentavam estarem tranquilas também. Não estava preocupada com nada naquele momento, não queria perguntar nada para a suspeita ruiva inquieta ao nosso lado, isso nem se quer me incomodava! Tudo que eu sentia era somente paz.

Depois de mais um tempo deitada naquele gramado levemente gelado e fofinho, percebi um raio de sol bater em meu rosto, me dando um ar agradável, como se eu estivesse acabado de acordar no primeiro dia de praia. Aquela mesma sensação gostosa de quando vamos à praia e acordamos no primeiro dia, acordamos felizes por saber que está próximo ao mar, próximo à diversão.

Um barulho de risadas e passos se aproximaram de nós, quando olhei de onde vinha, vi cinco pessoas extremamente brancas surgirem animadas com alguns cortes ao longo do corpo.

Karin: Por que a demora?!

Colocou as duas mãos na cintura falando em um tom levemente irritado.

Shikamaru: Tivemos uma longa conversa com eles.

Kankuro: Fica tranquila, já resolvemos o caso e isso será reportado!

O garoto disse em resposta a ruiva.

Suigetsu: Vamos para casa, estou cansado.

Karin: Ahn!? Ficou louco, só pode! Estamos com humanas, eles vão nos matar!

Quando Karin disse a palavra "humanas", acabei saindo do meu controle e aos poucos raciocinando tudo que estava acontecendo.

Sakura: Por que humanas? Quem são vocês?!

Tenten me olhou e virou para eles ainda em transe passivo.

Suigetsu: Parabéns! Tu é muito burra Karin!

Karin fez um movimento com as mãos que fez o rapaz de cabelos brancos e azuis, começar a sentir dor.

Suigetsu: Parei... Parei... Karin...

Ela falava rindo sentindo dor nas partes íntimas.

Juugo: Vamos leva-las, lá resolvemos o que podemos fazer.

O homem forte de cabelos alaranjados com luzes vermelhas, decretou.

Quando todos concordaram, vi o de cabelos arrepiados pegar Ino no colo quase adormecida e andar sob a água em direção da cachoeira. Um tipo de chakra verde claro apareceu em sua mão, ele encostou no braço ferido de Ino enquanto levava a loira rumo a queda d´água.

Tenten: Estamos no céu...

Ela cochichou para mim.

Achei bem estranho Tenten não estranhar nada e nem indagar nada até agora, mas não vou negar que estava na mesma a poucos instantes. Tinha algo nesse lugar que não era real... Nada era real.

Juugo: Posso?

Perguntou apontando para Shikamaru que carregava minha amiga em seus braços.

Apenas assenti com a cabeça e senti suas mãos passarem pela minha perna e costas, me levantando sem nenhuma dificuldade. Quando ele pisou na água sem afundar e começou a caminhar seguindo Shikamaru, me senti mais viva, presenciar algo que era um mito e inimaginável... Era uma experiência incrível.

Eu não sabia explicar, eu não sabia o que falar, era tudo um sonho!

Passamos pela cachoeira e eu senti a água fria cair sobre mim, mas quando terminamos de atravessar... Não estávamos molhados. Sorri admirada pela sensação boa que eu sentia no momento, uma paz no coração me contagiava por inteira. Olhei para Juugo e vi que o mesmo me olhava com uma expressão curiosa, parece que ele sentia a vibração harmoniosa que transbordava de mim.

Corei envergonhada pelos seus olhos cravados em mim, observando tudo que eu fazia.

Juugo: Se sente feliz?

Perguntou em um tom curioso e divertido, porém tímido.

Sakura: Não sei descrever bem...

Falei vendo que Shikamaru entrou em um pequeno portal de pedra coberto por várias algas que envolviam a parede da cachoeira por inteira.

Shikamaru: Consigo sentir... Mas parece ir além da felicidade.

Ele complementou rindo. Parecia ser novidade para ele aquele tipo de emoção e sendo sincera, para mim também era.

Passamos pelo portal e eu dei de cara com uma mata brilhante neon fora do comum. Tinham várias árvores que mostravam cada detalhe do casco brilhando, as folhas eram verdes claros neon que brilhavam em acender e apagar lentamente.

Não dava para enxergar o céu por conta dos galhos brilhantes que se atrofiavam entre eles e a cortina macia de flores e folhas brilhantes em várias cores, fechavam indiretamente o local. Nada que atrapalhasse.

Juugo me colocou no chão e eu percebi que o mato brilhava com cada toque dos pés, tudo parecia ser muito macio e confortável. Vagalumes voavam pelo local com suas bundinhas em uma cor... Rosa...

Sakura: Que lugar é esse?

Perguntei vendo as borboletas voarem soltando um pó brilhante a cada batida lenta das asas de cores incrivelmente iluminadas.

Juugo: Vamos andando que irá descobrir.

Ele passou ao meu lado sorrindo seguindo Shikamaru.

Karin olhou para mim de cima a baixo com desdém e continuou seu caminho. Kankuro pegou em minha mão e foi me puxando em um ar divertido me fazendo esquecer do olhar da ruiva.

A mata cheirava a doce de caramelo, um cheiro que você conseguia sentir o sabor na boca. Algo incrivelmente desejável.

Olhei para um pequeno lago que brilhava em um azul cintilante dentro dele e alguns sapos coloridos em volta que a cada expandida, mudava seu tom de cor.

Depois de caminharmos pela floresta encantada que nunca imaginei na vida, saímos na entrada de uma vila toda iluminada com luzes natalinas e enfeites de natal. Parecia que tinha voltado na antiguidade onde as luzes eram lamparinas e as mulheres eram submissas ao casamento arranjado.

Direcionei minha atenção ao céu e percebi que estava de noite. Um vento gelado bateu em meu rosto me fazendo arrepiar por inteira, no mesmo instante minha ferida deu uma pontada de dor.

Coloquei a mão no machucado e percebi que estava sem a faixa da blusa, deixando amostra o buraco em minha cintura. Ajeitei minha camiseta preta para que pudesse tampar e continuar o caminho sem chamar atenção.

Passamos pelo centro da vila e pude ver várias pessoas nos olhando desconfiadas, não entendi, mas algo me dizia que era porque não eram humanos...

Depois de andar por uma estrada de pedra iluminada por pequenos postes enfeitados de pisca-pisca, chegamos em uma grande mansão de madeira escura. O local era enorme, com várias janelas e sacadas.

Passamos pela porta principal que ficava logo após um grande jardim lotado de árvores pequenas e flores. Ao entrar damos de cara com um local rústico, mas com várias coisas do nosso tempo. Tudo parecia estar em um jogo entre passado e presente, me deixando bem confusa de onde estávamos.

Hinata: O que vocês acham que estão fazendo?

Apareceu uma garota de cabelos azulados em um tom escuro e olhos brancos feito pérola, toda preocupada olhando para as meninas e para mim. Ela parecia estar bem assustada e confusa, pelo jeito não agradamos nenhum pouco.

Shikamaru: Nós vamos contar tudo! No momento acho melhor cuidarmos das meninas e deixarem elas descansarem.

Ele falou calmamente como se estivesse muito confortável com nossa presença.

Temari: Eu acho bom! Quando eles chegarem, não quero que isso se torne problema meu, espero que tenha uma boa justificativa.

Uma loira de olhos verdes escuros apareceu com uma taça em sua mão.

Temari: Você sabe o risco de trazê-las aqui? Isso vai valer as vidas delas.

Meu coração começou a bater descompensado e eu sabia que não era por causa da situação, e sim pela ferida. Senti minhas pernas adormecerem me fazendo cair de joelhos no chão gelado de madeira clara.

Eu estava morrendo aos poucos durante esse tempo todo.

Shikamaru: Karin!

Shikamaru gritou e Karin correu em minha direção me pegando no colo tomando rumo as escadas.

Karin: Aguenta mais um pouquinho!

Falou apressada terminando de subir os degraus.

Notas finais
Até o final de semana meus amados!