The Son of Death
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Abri meus olhos cansados e exaustos pelo dia anterior e fiquei fitando o teto. Percebi que sempre que havia algo me incomodando, eu acordava do mesmo jeito, todas as vezes.
Olhei ao redor e vi que o quarto era bem rústico e rico. Os móveis pareciam terem sido feitos no mínimo detalhe e provavelmente custado uma fortuna.
Meus olhos pousaram na janela ao lado direito, próxima ao pequeno espaço de lazer do quarto com poltronas acinzentadas. Com certeza a dona tinha privacidade nenhuma, já que a janela pegava um grande espaço da parede e dava saída para a parte exterior coberta.
O que mais me chamou atenção foi a pequena árvore que tampava um pouco da visão do cômodo, era bonita e cheia de galhos, parecia até uma cachoeira reversa.
Escutei um estalo e vi que a lareira estava acesa, pelas madeiras queimadas devo ter dormido durante um bom tempo, algo que não fazia ultimamente.
Sorri lembrando do tanto que estava sendo apertado dividir os estudos com o estágio, era extremamente cansativo! De tudo isso, o mais exaustivo era ter que fingir para os pacientes que estava tudo bem. Não poderíamos demonstrar qualquer desanimação para os incapacitados, isso automaticamente atingiria eles e os desanimaria.
Sentei na cama tirando o grande cobertor quente de cima de mim, pude notar que estava com outra roupa, uma camisola lilás com detalhes de renda preto. Estranhei por um breve momento o que estava se passando comigo.
Escutei a janela abrir rapidamente e Temari aparecer entrando com uma bandeja em mãos, toda animada.
Temari: Bom dia! Eu já iria te acordar para comer algo, precisamos de você viva!
Ela se aproximou e depositou o objeto em minha cama, rindo.
Temari: Eu comprei o que eu achava gostoso... Sabe... Não somos muito de comer, mas o que eu considero bom, resolvi trazer! Espero que goste.
Fiquei calada observando-a passar de um lado para o outro da cama e pegar o robe me indicando para colocar.
Fiz apenas o que a mesma pediu e sentei na cama ainda quieta. Estava um pouco assustada e preocupada, não tinha visto as minhas amigas ainda e até onde me lembro, Temari não foi muito receptiva...
Um vento gelado atravessou a porta de vidro ao lado da lareira que dava acesso para a sacada e quando desviei meu olhar para onde vinha, vi o quão bonito era esse lugar.
Simplesmente esse mundo não cansava de me deixar mais encantada, o quarto tinha uma visão incrível para as montanhas afofadas com a neve do inverno.
Fiquei sem fôlego olhando a maravilhosa visão. Tudo que é presente divino, nos deixa bobos com tamanha perfeição, é algo que nunca poderíamos construir na vida, algo que nunca podemos imaginar.
Estava aclamando mentalmente aquele magnífico paraíso, quando Temari entrou na minha frente fechando a janela.
Temari: Desculpa pelo frio, normalmente ela sempre fica aberta. Tinha me esquecido que vocês são sensíveis.
Ela me olhava como se eu fosse um extraterrestre ou um cachorro que acabou de ser adotado. Por mais que ela transparecesse bondade, estava uma situação bem estranha entre nós, afinal, a qualquer momento eles poderiam nos matar sem pestanejar.
Temari: Olha...
Sentou-se na poltrona de descanso que ficava ao lado da cama e inclinou seu corpo para frente meio apreensiva.
Temari: Eu sei que não fui receptiva e peço mil desculpas... É que os donos....
Ela me olhou medindo o que falar.
Temari: Eles não são legais, eles não gostam de nada fora do eixo deles. E ver humanos aqui, não é comum, na verdade isso nunca aconteceu. Nossos mundos têm conflitos... É muita informação para vocês agora, mas logo poderão entender.
Temari estava mais nervosa do que eu naquele momento, escutava tudo bem atenta com medo do que pudesse sair dali.
Temari: Eu não sei o que vai acontecer, mas confio no Shikamaru, sei que talvez tudo ocorra bem. Vocês poderão voltar ou...
Ela se calou e desviou sua atenção para fora da janela que a loira entrou.
Temari: Bom, eu não sei que ideia doida foi essa daquele gênio trazer vocês para cá..., mas não é o momento ainda! Termine de comer e desça, suas amigas estão preocupadas.
Sakura: Minhas amigas?
Indaguei vendo-a levantar e tomando rumo a porta do quarto.
Temari: Sim, você dormiu durante dois dias Sakura. Elas estão preocupadas.
Ela saiu fechando a porta atrás de si.
Tentei raciocinar cada palavra dita por ela, mas nada entrava, parecia até que a minha mente queria bloquear esse tipo de pensamento, queria banir qualquer sensação negativa de mim.
Me levantei da cama colocando o robe e abri os pequenos potes que estavam em cima da bandeja. Peguei o refratário de fruta e caminhei até a mesinha, comendo.
Ao contrário do que eu imaginava, aqui era bem parecido com o mundo humano... Mentira, tinha diferença sim. Mas o jeito de viver, era exatamente igual.
Peguei um dos quadros que estava no pequeno móvel e percebi que Temari estava bem feliz e se divertindo na foto, parecia estar aproveitando tudo ao máximo. Meus olhos se direcionaram até o outro quadro, ao fundo. Era a única foto que estava acompanhada.
A loira estava abraçada com o Shikamaru que tinha nos ajudado na noite dos monstros, o local parecia ser uma praia... Ou algo do tipo. Eles aparentavam ser grandes amigos.
Resolvi terminar de comer e parar de ficar bisbilhotando.
...
Desci as escadas sendo guiada pelas vozes altas até uma sala que ficava na lateral do casarão. Ao adentrar o cômodo, vi todos conversando e rindo, Suigetsu contava algo sobre um momento que ele teve com Juugo, Karin e Sasuke, e todos estavam bem atentos, divertidos com o relato.
Não fazia ideia de quem seria esse terceiro, mas pelo contar, não parecia ser uma pessoa amigável.
Estava encostada no batente da grande porta de madeira, quando Ino, que estava sentada ao lado da garota de cabelos azuis, me avistou e levemente arregalou os olhos se levantando.
Ino: Testa!!
Disse vindo em minha direção, aliviada.
Ino: Meu Deus, você nos preocupou!
Ela me abraçou fortemente e eu apenas retribui o abraço vendo Tenten também se aproximar.
Tenten: Nem é para tanto, eles avisaram que ficaria bem!
Me abraçou após Ino me largar.
Ino: Depois de um tempo você entendeu, se negar, eu vou desmentir.
Olhei para ambas que estavam bem tranquilas com a nossa situação.
As duas continuavam iguais, implicando uma com a outro, mas sempre de modo brincalhão, com certeza elas pareciam estar contentes com o lugar.
Sakura: Gente... Não é por nada, mas... Podemos conversar?
Elas desviaram os olhos de mim para o pessoal que nos observava disfarçadamente.
Tenten: Vamos... Nós temos que conversar mesmo!
Prontificou.
E seguimos até a sala principal para acertarmos os pontos sem que ninguém pudesse ouvir.
Sentei no sofá e as meninas fizeram o mesmo, assim ficamos até alguém tomar a primeira iniciativa.
Ino: Bom... Antes de tudo... Estamos bem! Esses dias foram bem tranquilos, eles nos deram atenção, cuidaram da gente e...-
Sakura: Gente! Como vocês estão tão tranquilas?
Interrompi Ino.
Tenten: Estamos tranquilas porque não podemos fazer nada enquanto os “donos daqui”, não chegam.
Ela fez aspas com os dedos.
Sakura: Como assim? Vocês esqueceram que temos família? Amigos? Uma vida!?
Alterei a voz preocupada com o bem-estar delas.
Ino: Sakura! Não éramos nem para estarmos vivas! Se nós vamos voltar ou não, fica a critério deles! O que podemos fazer agora é ficarmos felizes por eles terem nos ajudado tanto.
Fiquei calada por alguns instantes, Ino realmente estava certa... Passamos por tanta coisa, que era para estarmos mortas. Mas por que não estávamos?
O clima ficou desconfortável depois que Ino apontou tudo que passamos... Nenhuma de nós tínhamos coragem de quebrar a tensão que pairava no ar.
Suspirei sentindo meus olhos lacrimejarem, eu estava bem confusa. Um sentimento de paz e conflito reinava em mim...
Eu não sabia se queria ficar... Eu sentia como se aqui fosse o meu lar, como se esse lugar me trouxesse uma felicidade no peito. Eu não sabia se queria ir embora, voltar para meu pai que... Meu pai... Um sentimento de culpa por deixá-lo sofrer estava me domando.
Ao contrário das meninas que moravam em Konoha sozinhas, eu vivia com meu pai, ele sempre foi minha única companhia depois que minha mãe faleceu.
Tenten nunca teve um vínculo forte com seus pais, acho que é por isso que ela é bem forte emocionalmente. Sempre trabalhou e pagou a sua faculdade sozinha, sem falar que a sua inteligência deu à ela uma das melhores bolsas.
Já Ino... Sempre foi criada pelas asas dos pais, mesmo longe, sempre mandavam dinheiro e faziam o que podiam e o que não podiam por ela. Mesmo assim, a tal nunca deu valor neles.
Escutamos passos se aproximando da sala e Temari junto de Hinata adentraram o cômodo preocupada com a gente.
Temari: Gente...
Ela começou.
Temari: Eu sei que é difícil, nós entendemos perfeitamente! Podem conversar com a gente...
Limpei as lágrimas que queriam descer pelo meu rosto e me virei para o lado contrário, não queria que me vissem daquele jeito.
Temari: Olha, enquanto vocês estiverem aqui, procurem esfriar a cabeça. Não sabemos quando os meninos chegarão e até lá, não precipite decisões.
Hinata: Nos colocamos na reta por vocês, tudo vai ser resolvido do melhor jeito. Shikamaru quis salvar vocês e trazê-las para cá foi o único jeito.
Foi a vez da azulada falar.
Hinata: Sei que tudo é complicado e vocês não deveriam nem saber de nós... Mas agora vocês sabem e tudo que precisam fazer é relaxar. Temos propósitos, não fazemos nada atoa, nosso destino é traçado! Durante décadas, eu nunca vi um humano estar aqui, somente alguns boatos...
Ela respirou tomando a calma.
Hinata: Nós conhecemos a sua raça a muito tempo, por isso estamos compreensivos. Na verdade... Só alguns de nós conhecem.
Ela olhou para Temari que deu um sorriso sem graça.
Hinata: Creio eu que tudo vai dar certo, Sasuke e Naruto vão direto ao seu mundo, aposto que eles vão ser bem tranquilos. Agora vem, vamos fazer algo para vocês comerem.
Seguimos até a cozinha no andar superior da casa, ao chegarmos deparei com o moreno de rabo de cavalo bebendo uma taça de vinho, apoiado no balcão da pia. Ela deu apenas um sorriso e acenou para mim.
Enquanto as meninas decidiam o que comer, percebi que Temari às vezes concentrava seus olhos em Shikamaru.
Na foto eles pareciam ser amigos... Mas aos poucos fui me tocando que aquilo estava além da amizade, pelo menos para ela que olhava o rapaz de uma forma conhecida por nós mulheres.
Esbocei um leve sorriso e notei que a mesma desviou sua atenção para mim, me encarando interrogativa.
Virei meu rosto para as meninas e então, logo começamos a preparar nosso almoço.
...
Estava caminhando pela casa enquanto o pessoal ficava no jardim aproveitando a tarde, não sentia nenhuma vontade de ficar com eles, não me sentia confortável com a situação. Por mais que no fundo, algo tentava me deixar mais pacífica, meus extintos de preocupação eram maiores.
Não sabia quanto tempo duraria, eu queria muito aceitar essa suposta nova vida, mas algo não deixava. Na verdade, ninguém com consciência aceitaria isso... É algo totalmente bizarro, nem sei se era mesmo real.
Quando cheguei no final do corredor, percebi que estava tomando um rumo qualquer pensando na vida. Notei que as paredes tinham vários quadros grandes com algumas paisagens bonitas em tons escuros.
Kankuro: Bonitos, não?
O rapaz com marcas roxas no rosto chegou silenciosamente, me assustando.
Coloquei a mão sob o peito, sentindo meu coração descompensado pelo susto.
Sakura: Você quase me matou...Kankuro: Tem várias outras formas mais dramáticas de morrer, não deixaria essa simples causa acontecer.
Ele disse se apoiando de braços cruzados na parede.
Kankuro: Então... Passeando?
Perguntou.
Sakura: Gosto de conhecer os lugares que frequento.
Sorri divertida.
Kankuro: Esperta, não vai demorar muito tempo para se adaptar por aqui.
Meu sorriso se desfez com o comentário dele.
Kankuro: Você precisa dar uma oportunidade, podemos parecer ruins, mas todos aqui sabem entrar em um consentimento. Não somos monstros!
Sakura: Não tenho medo de morrer.
Falei reparando em um quadro com uma família muito bonita.
A pintura parecia ser bem antiga, pelas roupas aparentava ser uma época bem distante. Um senhor um pouco moreno com traços no rosto estava sentado em um trono mesclado entre dourado e preto, a mulher ao seu lado com uma de suas mãos no ombro e a outra em uma criança pequena, tinha uma linda pele branca. Todos tinham o mesmo tom de cabelo, olhos e feições, sem dúvidas era uma das famílias mais bonitas que já vi.
O mais inconveniente nessa imagem é que eu reconhecia o rosto do rapaz mais velho entre os dois jovens. Aqueles traços faciais e penteado não me era estranho.
Kankuro: Esses são os Uchiha. É a família mais forte desse mundo, eles governam e definem tudo daqui, mas ultimamente as coisas não andam muito boas entre eles.
Olhei para ele interrogativa.
Kankuro: O menor é o Sasuke, é ele quem construiu essa mansão e nos chamou para cá. Ele e mais quatro mandam em tudo na região, estão entre as famílias mais poderosas que já existiu.
Sakura: A decisão do que fazer...
Kankuro: Sim.
Respondeu.
Kankuro: Vem deles. Mas não se preocupe, no final tudo dará certo.
Ele olhou rapidamente para o final do corredor com uma expressão séria.
Kankuro: Vem... Parece que chegaram bem antes do previsto.
...
Chegamos na sala e imediatamente recebi um olhar pesado dos homens que ainda não tinha conhecido.
Eles não falavam nada, apenas escutavam o que Shikamaru tinha a dizer.
Meu coração batia forte e rápido, estava com medo de qualquer coisa que poderia acontecer naquele momento.
Olhei para Shikamaru que explicava tudo calmamente junto a Juugo, os rapazes pareciam não estar muito contentes com a situação, mas aparentavam estar de acordo.
De repente a conversa foi cortada por uma voz grossa.
Sasuke: Seja de quem for essa ideia, a responsabilidade é de tal...
Um moreno de olhos negros passou pela porta ajeitando os fios do cabelo para trás.
Ele parou próximo aos outros rapazes e olhou para todos, continuando sua fala.
Sasuke: Aqui não é um mundo adaptado para elas e não vai demorar muito para que algo aconteça. Espero que estejam sujeitos à isso.
Eu não conseguia prestar atenção em nenhuma palavra que o rapaz dizia, nunca vi tamanha perfeição em uma pessoa só. Meu coração acelerou de um jeito que eu jamais senti em toda a minha vida, a sensação de borboletas na barriga me dava um sentimento de vergonha e ansiedade.
Fiquei sem ar no momento que seus olhos negros pousaram em mim, percebi franzir o cenho, incomodado. Corei violentamente percebendo que eu encarava-lhe com tamanha transparência.
Sua face tinha os traços perfeitos de um homem desejado, seu cabelo levemente arrepiado dava um toque de rebeldia na sua expressão séria. Ele realmente esbanjava temor só de olhar, não parecia nada com a criança do quadro... Era medonho e encantador ao mesmo tempo.
Meu rosto estava queimando feito pimenta, e eu não entendia o por que. Ele parou de me olhar quando Karin laçou os braços em seu pescoço e o abraçou.
Parecia que eu tinha tomado um balde de água gelada assim que vi que os dois tinha uma relação. Virei meu rosto para o loiro que conversava com Shikamaru, tentando tirar aquele leve desânimo, desconhecido por mim.
Respirei fundo e sai do cômodo subindo para o quarto. Não era normal aquilo que acabara de acontecer, eu nunca me apaixonei por alguém e não seria agora, ainda mais com alguém comprometido.
“Deve ter sido atração, ele é muito bonito, apenas isso”, pensei fechando a porta do quarto.
Me sentei na cama e de imediato, depositei minhas costas no colchão macio de Temari, e sem perceber, acabei adormecendo naquela mesma posição.
...
Acordei com Ino me chamando, olhei para a loira assustada e só então percebi, que acabei cochilando.
Ino: Porca por que subiu?
Ela me perguntou com um semblante desconfiado e preocupado.
Sakura: Nada... Apenas quis descansar.
Tenten: Já avisou ela?
Disse entrando no quarto.
Sakura: Por que eu sempre fico de fora das suas decisões?
Perguntei chateada.
Ino: Deixa disso! Você some do nada e quer que a gente...-
Ino parou de falar quando recebeu um tapa nas costas de Tenten.
Tenten: Não começa!
Falou um pouco mais alto me fazendo gargalhar pela cara de Ino.
Ino: Eu não falo mais! Se quiser conta você!
Disse sentando na poltrona cinza do espaço de lazer.
Tenten: Então... Nós... Decidimos ficar.
Fiquei quieta esperando ela incrementar a frase.
Tenten: O Gaara deu a opção de ficarmos ou irmos embora, ele sentou para conversar com nós de um jeito mais... Compreensivo, digamos.
Ela olhou de relance para a loira que apressava ela com as mãos.
Tenten: Ele disse que tem consequências do tipo... Nosso corpo é frágil aqui e aqui é um mundo de seres poderosos, mas com a ideia de Shikamaru e a responsabilização dele, estamos seguras.
Ino: Sabemos que você tem mais receio que nós Sakura, por isso peço que pense...
Sakura: Então vocês decidiram ficar?
Perguntei ríspida.
Tenten: Sim, nós decidimos isso...
Ficamos nos olhando por um tempo.
Sakura: Vocês não tem medo?
Ino: Sakura...
Ela se levantou.
Ino: Você mesma falava tanto de destino! Não acha que isso é um propósito?
Ino era insuportável em questões de chantagear, ela sabia do meu ponto fraco e pegou justamente nele. Minha mãe sempre me dizia que meu destino era lindo, e uma mudança terrível aconteceria em minha vida, uma mudança que me traria os melhores momentos...
Fiquei pensando se era disso que ela estava falando, e se fosse... Como saberia?
Fui tirada de meus devaneios com Tenten falando novamente.
Tenten: Não precisa ter uma resposta agora... Você tem todo o tempo que quiser. Se quiser ir... Você que sabe, entenderemos, assim como espero que nos entenda.
Ela me deu um abraço confortável, aquele abraço que transmitia segurança de que tudo terminaria bem. Retribui apertando-a bem forte, era tudo que eu precisava naquele momento.
Tenten tinha a cabeça concreta, dificilmente ela ficava em dúvida. Por ser muito esperta, ela sabia o que era certo para ela e se ela aceitou ficar, eu sei que está tudo bem, ela sempre foi bem segura com decisões e mudanças.
Agora Ino, era do tipo que não estava nem aí! Topava qualquer diversão, mas algo me dizia que a decisão de ficar foi por Tenten, ela sempre confiou muito nela e não seria diferente agora.
Nunca vi alguém tão confiante e sortuda! Ino sempre se metia em momentos preocupantes, mas sempre saía de todos. Era bem esperta, não deveria se preocupar com ela aqui, no fundo sinto segurança nesse mundo.
Ino: Nós vamos fazer compras, você vem?
Seus olhos brilharam em relação ao fazer compras, típico dela.
Sakura: Eu não estou muito afim, mas tragam a mesma coisa para mim! Vocês sabem meus gostos.
Sorri tentando conforta-las sobre a decisão de ambas ficarem, ou ficarmos.
Tenten: Pode deixar!!!
Não me preocupei muito com as roupas. Pela loira comprar todas as minhas roupas, a garota de olhos azuis sabia muito bem todos os meus tamanhos e gostos. Por um breve momento me senti bem evasiva.
Sai do quarto e fui para a cozinha beber um pouco d’água, meu corpo pedia o tal líquido, não havia sequer colocado uma mísera gota na boca e isso me deixava inquieta, morrendo de sede.
Abri a geladeira pegando uma garrafinha d’água e sai até a parte aberta recebendo o vento gelado no corpo.
Tinha momentos que me sentia bem, outros mal... Eu estava tendo um conflito terrível comigo mesma e isso iria acabar me matando. Mas talvez eu devesse ser que nem as meninas, seguir essa nova vida, por mais que eu estivesse curiosa por saber como estão as coisas do outro lado, uma parte de mim dizia para ficar.
Levei minha mão até a ferida do acidente e percebi que não tinha nada, nem se quer cicatriz. Fechei os olhos tentando manter a calma, era muita informação para mim.
Bebi mais um gole da água na garrafinha e senti que alguém me olhava, uma sensação estranha de estar sendo vigiada me incomodava.
Olhei para os lados procurando por alguém e nada, abaixei a cabeça tentando tirar essa paranoia de mim e voltei para dentro da casa.
Resolvi procurar por Shikamaru para perguntar algumas coisas, para tentar me confortar mais com esse mundo. Andei por todos os cantos e não tinha visto se quer alguém, tudo estava silencioso e medonho, a casa não parecia ser tão linda quando se estava sozinha.
Passei por uma porta escura e pude ouvir algumas vozes lá de dentro, parei por uns instantes e me aproximei tentando ouvir algo.
”Não acho que seja o certo a se fazer, seu pai foi muito nobre Sasuke”, ouvi a voz de Shikamaru.
”A decisão está tomada, creio que você também pensa igual, mas está com medo”.
”Claro que ele tem medo, ele é esperto e sabe que isso pode gerar nosso fim”, foi a vez de Juugo.
”Faz anos que nosso mundo está morrendo, aquele homem está solto desde que a criança nasceu! Não podemos permitir mais que o mundo morra diante dos nossos olhos e depois abandonamos todos mortos”.
”Por que seu pai não faz algo?”.
”Porque meu pai tem o respeito pelo meu tio, mas eu não. Temos que encontrar Itachi, ele sabe aonde a coisa está e podemos matá-la antes que Madara encontre e termine de vez com tudo isso”, Sasuke finalizou o assunto.
“Ainda acho que teríamos outro jeito de fazer isso... É arriscado sua ideia, os lobos não deixarão você fazer isso”, Shikamaru continuou. “Os lobos estavam no mundo real, provavelmente tem vários deles por lá, estão procurando nos dois mundos”.
Karin: Posso ajudar?
Um grito abafado saiu da minha boca.
Karin surgiu atrás de mim me encarando com os seus olhos vermelhos.
Karin: Vamos dar uma volta, eles precisam de... Privacidade.
Me encarou com desgosto. Apenas concordei, seguindo-a.
...
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