The Senser

15 Noite Estranha


Noite Estranha

O seu beijo tem um gosto estranho...

Estranho como o cabelo louro-castanho,

Que recentemente te transformou.

Se o certo ainda é certo,

Feche a porta e isole-os de nosso pequeno show.

Nós não estamos numa peça de teatro,

Mas cada quadro tem significado dramático nesse quarto.

Pois não é só de aparência que a alma se alimenta...

Todavia, também, de inteligência, sensualidade, magia.

Erro quando falo que te quero toda minha,

Quando o que devia era perceber...

Mudanças e feições que você

Serenamente escondeu.

Nesse estranho roteiro entre você e eu.

Sua pele recua ao toque de meus dedos...

Enquanto eu desejo, anseio;

Traga a alma felina de volta a esses rodeios,

Onde laços sequer são fortes para domar.

A leoa assassina dessas noites sem luar...

Não me esqueci de perguntar onde ela está,

Só que fica estranho quando nós somos estranhos

Um ao outro.

Esqueça-se em meu devaneio meio morto,

Ou renasça nosso cemitério e mausoléu.

Fibras carnívoras tão agressivas quanto um canibal...

Sedento pelo seu beijo, encontro rodovias entre o canavial.

Fétida terra impura que nos purga e expurga em frenesi,

Contudo, propriamente digo que esse é o fim de nosso gênesis.

E o início do apocalipse...

Não é tempo que te faz mais fria que o ártico...

Nem os falsos “eu te amo” proclamados.

A verdade é única, sente-a mútua enquanto...

Meus braços ainda acalentam teu pranto?

Você recusa a minha dúvida,

Enquanto eu mantenho-a confusa.

Para que retirar a blusa?

Para que continuar com isso?

Apenas deite-se nesse colchão e durma...

Talvez ainda haja memórias boas e suas

Para me aquecer durante a noite nua.

Não me dê seu amor por pena,

Ou aproxime-se como se sentisse culpa.

Essa é a falácia do casamento,

Infinito como o finito fim de um ordinário relacionamento.

~Gabriel.