The Scientist
3 Acho que tenho que salvar o mundo com você
Notas iniciais
Percy estava nervoso com toda aquela situação. Ele tinha acabado de chegar no centro de pesquisas do Brooklyn e os olhares que recebia dos agentes da CIA não eram nada amigáveis.
–Está tudo bem, cara. É só não dar muita ideia pra esses caras e eles te deixam em paz. -falou Jason tentando tranquiliza-lo.
Jason sempre foi um amigo fiel de Percy desde a faculdade, e desde que começaram a trabalhar em laboratórios de pesquisas, ele e Percy sempre foram colegas de trabalho. Jason não era um cara muito sentimental, sempre ficava com aquela expressão séria como se tivesse medo de que mostrar que estava nervoso ou preocupado, como se fosse uma forma ridícula de mostrar fraqueza. Os olhos azuis da cor do céu pareciam calmos, mas irremediavelmente cautelosos. Os cabelos loiros curtos estavam perfeitamente penteados de lado. O que fez Percy sentir inveja, já que ele nunca conseguia dar um jeito nos seus cabelos, que insistiam em ficar desajeitados mesmo que ele se esforçasse muito e passasse muito gel. Jason parecia tanto um astro de cinema naquele termo formal, que algumas das mulheres que passavam por eles simplesmente suspiravam.
Percy se sentiu infinitamente inferior no quesito beleza. Usava uma calça jeans escura, uma camisa cinza de mangas longas e botões, por cima da camisa, um blazer preto e nos pés sapatos sociais da mesma cor. Ele provavelmente estava com olheiras, já que passara a noite em claro preocupado com qual séria o assunto da reunião. Ele deveria estar tão parecido com um zumbi que tinha medo de que as pessoas começassem a atirar nele.
"Pelo menos eu fiz a barba", pensou ele. Ele odiava aqueles pelos no rosto o incomodando.
–Você sabe pelo menos pra onde temos que ir? -perguntou ele a Jason.
–Não faço ideia. Eles me disseram pra esperar aqui em frente ao elevador que nos trouxe. -respondeu Jason.
–Bem, já estamos aqui. O que significa que nos resta apenas esperar.
Alguns segundos após Percy ter terminado a frase um rapaz chegou e lhes disse para se dirigirem ao corredor A1. Disse-lhes a onde ficava e então voltou a fazer o que seja lá estava fazendo antes de ter dado uma de guia.
Eles foram até aonde o rapaz tinha dito. Era um corredor estranho, todo branco e com uma única porta no final.
–Acho que essa porta está trancada. -disse Percy.
–Não tem problema, eles recolheram as minhas digitais. -retrucou Jason enquanto colocava a mão direita num dispositivo ao lado da porta. Depois de ler as suas digitais, a porta se abriu. -E abri-te sésamo! Vamos?
Percy assentiu e deu alguns passos entrando no local. Era uma sala bonita com paredes na cor salmão, e quadros com os símbolos e agentes famosos da CIA. Alguém nas arquibancadas da esquerda acenou para eles. Percy e Jason andaram até lá e se sentaram nos espaços vazios ao lado de Leo, cada um de um lado.
–Como vai, super herói? -cumprimentou Leo Valdez.
–Super herói? Quem? -perguntou Percy.
–Ah é, você não sabe. -Leo deu de ombros. -De qualquer forma vai ficar sabendo. Oi, Jason.
–Olá Leo. -disse Jason.
–Porque tem políticos aqui? -indagou Percy.
Jason apenas balançou a cabeça como se dissesse que não sabia. E Leo,se sabia de algo, apenas não disse nada, mas no seu rosto estava aquele sorriso louco que fazia contraste com os cabelos e olhos castanhos. Ele sorria como se estivesse assistindo uma das três coisas que ele julgava as mais interessantes: Briga de mulher, um belo mecanismo com que se podiam criar várias coisas ou o mundo prestes a entrar em colapso. Com um leve tremor, Percy se deu conta de que provavelmente a terceira opção era o motivo de ele ter sido chamado ali.
–Bom dia, senhores. Iremos dar inicio a nossa reunião. -falou um homem que Percy reconheceu ser Phillip (ou Phill, como o homem preferia) Manson. -Quero agradecer a presença de todos aqui.
Depois das formalidades necessárias para se começar uma reunião daquele nível, Phill começou a explicar situações em que nada envolviam os cientistas que estavam ali presentes. Ele falava sobre os rebeldes árabes e o estado islâmico, os políticos presentes davam sugestões sobre o que fazer e Phill apenas assentia a tudo aquilo.
–Ele está apenas enrolando, sabe? Está esperando a melhor agente dele, a que vai fazer as coisas ficarem mais interessantes. -disse Leo naquele estranho tom misterioso, que já estava irritando Percy.
–Valdez, dá pra você, por favor, dizer o que está acontecendo? -perguntou um Percy bastante irritado.
–Não dá parceiro. Se eu pudesse até diria tudo, mas infelizmente eu só consegui descobrir o que está rolando porque hackei alguns computadores da CIA. É informação pesada demais, e eu fico com medo de dizer algo e eles acabarem nos prendendo por traição. Esse tipo de coisa leva à cadeira elétrica, meu amigo. -Leo falou tão baixo que os outros tiveram de se esforçar para ouvir. -Então é melhor que Phill explique o que está acontecendo.
De repente se fez um barulho na porta eletrônica da sala. Quando ela se abriu revelou a mulher mais bonita que Percy já vira. Os cabelos loiros dela estavam presos em um coque — algo que ele achou particularmente sensual-, e ela usava roupas sociais. Tinha uma expressão divertida no rosto e talvez, apenas talvez, um pouco de vergonha por ter chegado uma hora atrasada.
Ela se dirigiu até o lado de Phill. Eles trocaram uma conversa curta através de sussurros. Percy se sentia estranho olhando pra ela, tinha a sensação de que já tinha a visto antes. Ele ficou totalmente absorto em seus pensamentos até que ouviu o seu nome ser chamado.
–Você tem que ficar de pé, cara. -avisou, gentilmente, Jason.
Percy se levantou e agora encarava mais intensamente a mulher loira. Ele a conhecia. Na verdade algo pior do que isso, ele já havia a amado. Se ele era o cara mais azarado do mundo? Isso ele não sabia responder. Apenas torcia pra que fosse alguém parecida com ela. Ele sorriu, de qualquer forma se fosse quem ele estava pensando ou não, a mulher era bonita, merecia um sorriso amistoso.
Como se para confirmar os temores dele, Phill anunciou:
–Senhores, este é Percy Jackson, o homem que achará o antídoto para essa arma letal. O homem que trabalhará junto com a principal agente da CIA, Annabeth Chase, está moça que está do meu lado. E que ensinará de uma vez por todas aos rebeldes não se meterem mais conosco.
Phill assentiu para Percy e ele entendeu que já podia se sentar.
–Para explicar melhor nossa situação. –continuou Phill – Eis o que está acontecendo.
“Há alguns meses atrás, nosso sistema de inteligência tem dequitou mensagens um tanto quanto suspeitas em relação ao nosso país e nossos aliados. As mensagens vinham de vários lugares da Europa, como se os remetentes em questão estivessem em vários lugares ao mesmo tempo, ou apenas executando um belo truque para não descobrirmos onde eles estavam. Nossas suspeitas foram confirmadas quando recebemos uma mensagem no principal computador do nosso sistema. A mensagem dizia que alguns rebeldes de nacionalidade desconhecida queriam acabar de uma vez por todas com o monopólio americano ao redor do mundo.”
“Eles explicaram tudo sobre a bomba e disseram que jamais conseguiríamos achar o antídoto. Por isso bolamos um plano: Vamos atrás desse grupo de terroristas na Europa, vamos encontrar a bomba e desarmá-la antes que eles consigam usá-la. Por isso o cientista, Percy Jackson, e a agente, Annabeth Chase, junto com mais alguns agentes e cientistas, estarão em continente Europeu daqui a uma semana. Eles vão atrás desse grupo e restaurarão a paz. Precisamos da aprovação dos políticos aqui presentes para eles realizarem tal missão.”
Diante daquelas palavras, não restavam dúvidas, todos estavam assustados demais para pensarem em qualquer outra coisa que não fosse deter esse grupo do terror. Em meio a tantos rostos preocupados e mentes alarmadas, Leo Valdez fez uma pergunta um tanto intrigante.
–Mas eles também estarão atrás de nós. Quer dizer, eles sabem que Percy é o único capaz de destruir essa bomba. Então possivelmente ele é o alvo principal desses caras. –Leo soltou uma risada sem humor e olhou com pesar para as pessoas ali. –Estamos em um jogo de caça. Como cão e gato. Nós os perseguimos, eles nos perseguem.
Annabeth assentiu. Sabia muito bem do que ele estava falando.
–Porém, senhor Valdez, nós não permitiremos de maneira alguma que essa "caça" se prolongue mais que o necessário. -ela olhou no fundos olhos verde de Percy. -Tenho certeza de que eu e o senhor Jackson vamos trabalhar juntos e de forma mais competente possível para cumprir tudo com êxito.
Percy ouviu alguns murmúrios de aprovação. Annabeth falara com tanta convicção que até ele se sentia capaz o suficiente para resolver qualquer problema. Ele sentiu um arrepio passar pelo seu corpo ao perceber que ela ainda sustentava o olhar dele. Ele ficou tanto tempo hipnotizado por aqueles olhos cinzas que nem percebeu que ela lhe dirigiu um sorriso doce, amigável e tenro. O mesmo sorriso que ele recebi todas as vezes que visitava a casa dela na adolescência e na infância.
–Sendo assim, senhores, acho que a reunião está acabada. -sentenciou Phill- Nossos agentes e cientistas estarão embarcando em direção a Europa daqui a uma semana. Lhes daremos mais informações no decorrer da missão. Passar bem.
Phill sussurrou mais algumas coisas no ouvido de Annabeth e então saiu da sala, sendo acompanhado logo depois pelos políticos e a maioria dos cientistas.
–Bem, acho que a gente deveria ir também. -disse Jason.
–Não, cara. Não podemos ir embora, olha só a cara do Jackson olhando para a agente. -retrucou Leo, zombeteiro.
E era verdade mesmo, Percy estava quase babando olhando para ela. Annabeth saiu de do lado do púlpito e foi até ele com os braços estendidos e um sorriso no rosto. Quando ele a abraçou toda a nostalgia que sentia explodiu dentro do seu peito, era bom sentir aquele calor reconfortante dela de novo.
Mas algo na sua consciência apitou: era o alarme de vai com calma, idiota.
Ele não podia se dar ao luxo de se apaixonar por ela de novo. E também não podia ser o cara atencioso e prestativo da mesma forma que era antes. Ele precisava ser frio, não um cara arrogante, mas apenas um cara cauteloso.
–Percy Jackson -diz Annabeth com uma voz suave e sem se desvencilhar dos braços dele.
–Annabeth Chase -Percy se solta gentilmente do abraço dela. -Quanto tempo, não é mesmo?
Ela sorriu mais uma vez, os olhos cinza brilhando.
–Sim, faz muito tempo mesmo. -Então o olhar dela percorre o ambiente e então só naquele momento percebe a presença dos amigos dele. -Ah, perdão, eu não cumprimentei os senhores.
Ela estendeu a mão e cumprimentou Leo e Jason.
–É, sabe moça, nosso amigo aqui é mal educado mesmo. Fica babando em cima de uma mulher bonita e esquece de apresenta-la aos amigos. -diz Leo enquanto piscava um olho para ela.
–Muito prazer em conhece-la, senhorita Chase. -limita-se a disser Jason, lhe dirigindo um sorriso amigável. -Bem, sinto muito não poder ficar para conversarmos mais, mas eu e Leo temos que ir até o departamento de documentação ver uns papeis.
–Temos? -perguntou Leo. Mas depois de receber um olhar nada calmo de Jason ele responde: -É, temos. Até mais moça.
Jason lançou um olhar estranho para Percy. Só uns instantes depois ele percebeu que o amigo estava lhe dando uma chance de conversar com Annabeth a sós.
Depois que os dois saíram, Percy e Annabeth saíram da sala também. Eles andaram pelo corredor em direção ao elevador num silêncio desconfortável.
–Olha Percy ... -Annabeth disse com um suspiro. -Eu sei que dá última vez que nos vimos ou nos falamos as coisas não ocorreram bem. Eu só queria que você me perdoasse por tudo o que eu um dia te fiz.
Aquele comentário tinha o pegado de surpresa. Ele já tinha perdoado ela a alguns anos atrás, não precisava jogar todo o ocorrido na cara dela de novo. Ele olhou pra ela, que estava com os olhos em súplica. Percy sentiu seu coração derreter.
–Tudo bem, eu te perdoo. Na verdade já perdoei faz tempo. -Ele sorriu para ela e ela retribuiu o sorriso. -Passado é passado, Annabeth. E eu não pretende revive-lo de novo. -finalizou ele.
Eles chegaram ao elevador e ficaram só os dois lá dentro. Enquanto esperam o elevador descer novamente até o primeiro andar, Annabeth lhe disse que estava morando temporariamente -assim como o seu trabalho exigia- em Nova York. Disse que estava gostando bastante da cidade. Ela perguntou, também, como estava a mãe dele.
–Está bem. -respondeu Percy, sentindo um nó se formar em sua garganta.-Obrigado por perguntar.
–Sempre gostei muito de Sally. -disse ela.
Quando chegaram no primeiro andar, eles se dirigiram até a entrada do local. Nas escadarias em frente ao centro de pesquisas estava o carro de Percy, com o banco do motorista sendo ocupado por Leo. Annabeth ainda estava do lado dele.
–Demoraram, viu? -disse Leo de dentro do carro.
–Ao contrário de você que chegou aqui rápido demais, senhor Valdez. -comentou Annabeth.
–Ah, por favor, senhorita. Me chame apenas de Leo. -ele abaixou mais o vidro para que ela pudesse ouvi-lo melhor. -Vejo que já conhece o meu amigo aí.
Percy corou. Leo sempre fazia ele ficar constrangido perto de uma garota.
–Sim, já conheço. -disse ela -Mas agora se me dão licença rapazes, eu vou pegar um táxi e ir para casa.
–Ah, Annabeth, não quer uma carona? -Perguntou Percy.
–Não, obrigada. Tenho que resolver uns assuntos e ir em mais alguns lugares. -ela respondeu. -Foi um prazer revê-lo.
Ela deu alguns passos a frente. Mas logo foi interrompida pelos gritos de Leo:
–Espera, moça. -ela se virou para ele que já tinha saído do carro e agora estava parado na frente dela. Ele prosseguiu: -Vai ter uma festa na boate da rua 23 leste, na entrada do Brooklyn. Só vai ter gente bacana, um colega meu ta organizando. Olhe, aqui está o convite -ele lhe entregou um envelope roxo com um laço da mesma cor. -Você pode levar mais três pessoas. Como é nova na cidade, achei que iria gostar de comparecer e conhecer novos ares, novas pessoas.
Annabeth soltou uma risadinha e depois deu um beijo no rosto de Leo.
–Muito obrigada, Leo. Eu vou estar lá sim.
Então ela se virou, chamou um táxi, entrou dentro dele e foi embora. Percy ficou abobalhado com a forma com que o amigo fazia tudo com naturalidade. Leo ficou na frente dele, sorrindo como um retardado.
–Consegui uma oportunidade de você vê-la de novo. -ele abriu os braços num gesto de superioridade. -Então, quem é o seu melhor amigo?
–Então, temos uma festa pra ir. -disse Percy, não respondendo a pergunta. -Onde está Jason?
–Ah, ele ficou vendo aquelas papeladas chatas tentando descobrir algo a mais sobre o tal vírus contido na bomba. -Leo praticamente sussurou a última parte. -Então, tem como você me levar em casa nesse seu carro aí?
Percy estava atordoado demais, era muita informação para processar. Mas de uma coisa ele sabia: não iria ser o bobo de novo. Não iria ser tão tolo ao ponto de se apaixonar novamente por Annabeth Chase.
–Sim, claro. -respondeu a Leo. -Eu te dou uma carona.
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