The Scientist
4 Com ou sem você
Notas iniciais
Anda logo, Piper. -gritou Annabeth.
–Aí, espera. Eu já estou indo. -ela gritou de volta.
Annabeth suspirou enquanto checava a hora no celular. Já eram nove horas da noite e a festa começaria naquele mesmo horário e, como já era costume, elas estavam atrasadas. Annabeth bufou e se deitou no sofá, não adiantava nada tentar apressar Piper. Ela era o tipo de pessoa irritantemente calma e não costuma se preocupar muito com horários e muito menos com Annabeth gritando de cinco em cinco minutos para ela se apressar.
A campanhia do apartamento tocou. Annabeth se arrastou até lá e abriu a porta.
–Olá, Annie. Ainda não estão prontas? -perguntou Frank com as sombracelhas franzidas.
–Oi, Frank. -cumprimentou Annabeth enquanto dava um beijo na bochecha dele. -E não, não estamos prontas, mas a culpa dessa vez não é minha. -ela abriu espaço para que ele pudesse entrar. –Vamos, entre.
Eles entraram no apartamento e se sentaram no sofá esperando Piper terminar de se arrumar. Antes disso Frank quase derrubou a mesinha de centro da sala, Annabeth sorriu com aquilo, ele era um pouco desengonçado, como se estivesse constantemente tentando se ajustar ao seu corpo. Quando Annabeth e Piper o conheceram, ele era um cara gordinho que trabalha no mesmo departamento de coleção de provas que Piper. Agora ele havia crescido repentinamente, estava totalmente musculoso e o rosto com feições asiáticas tinha se tornado obtuso e sério, como se ele fosse um imperador romano. Ele até que era bonito, mas Piper e Annabeth o amavam de uma forma fraternal demais, como se ele fosse o irmão mais velho desastrado delas.
Annabeth agarrou um braço de Frank e descansou a cabeça no ombro dele.
–Está tudo bem, Annie? -Ele perguntou gentilmente.
–Não Frank, não está. Eu reencontrei um amigo de infância e vou ter que trabalhar junto com ele. O problema é que eu meio que o magoei muito no passado. -Ela tentou soltar toda a frustração em um suspiro. -Eu tenho medo de magoá-lo de novo.
Eles ficaram em silêncio por um tempo. Ela percebeu que Frank estava pensando em algo pra dizer. Ele segurou a mão dela gentilmente e disse:
–A vida é feita de escolhas, Annabeth. Eu sei que você já magoou esse cara, mas isso foi no passado. Agora você só tem que escolher não feri-lo. Não é algo irracional, sabe? Não é algo que você faz e depois diz que foi sem querer. A gente nunca fere alguém porque foi sem querer, fazemos porque escolhemos fazer. -Ele a afastou um pouco e a olhou nos olhos. -A única coisa que você tem que fazer é escolher fazer as coisas certas dessa vez.
Ela baixou o olhar. Percy sempre fora uma ferida não curada dentro do peito de Annabeth. Ela sempre se lembrava do que tinha feito a ele e imaginava como seria se nunca tivesse o desapontado. Eles poderiam estar juntos agora, casados e felizes. E o pior de tudo isso é que Annabeth tinha aprendido a amá-lo, o problema é que foi depois da grande mancada que ela deu. E a afeição que sentia por ele ainda estava ali, em algum lugar no coração dela. Mas assim como ela tinha aprendido a mar, ela tinha aprendido a esquecer.
Frank ia dizer mais alguma coisa a ela, mas foi interrompido por Piper.
–Pronto, estou pronta. -ela sorria radiante. -Vamos?
Frank se levantou e foi até ela lhe dando um abraço.
–Sim, Piper. Agora sim nós vamos. -disse ele.
Eles saíram do apartamento e foram para o carro de Frank. Enquanto ele dirigia, Annabeth estava no banco ao lado dele e Piper estava no banco de trás. Annabeth deu uma olhada rápida na amiga e reprimiu um sentimento de inveja. Piper tinha que ser tão linda? Pelo jeito, sim. O Cabelo cor de chocolate caía lindamente pelas costas – mais um motivo para ter inveja: Annabeth sempre quisera ser morena, odiava o conto popular da loira burra. — O sorriso era tão lindo que era impossível não sorrir junto. O vestido preto justo e de mangas longas a deixava mais bonita ainda. Ela não era o tipo de pessoa que se importava com a aparência, mas sempre estava linda.
Annabeth se sentia de certa forma inferior usando botas pretas, calça jeans escura, blusa cinza com o desenho de uma coruja e uma jaqueta de couro preta por cima.
–Onde é o lugar, Annie? -perguntou Frank.
–Rua 23 leste, na entrada do Brooklyn. Boate Abbey. -ela respondeu.
Piper enfiou o rosto no meio deles dois.
–Você conhece alguém que vai lá?
–Sim, tem aquele meu ex amigo que eu falei pra vocês. E outros dois amigos dele -disse Annabeth num sussurro.
–Aquele com quem você fez merda. -Piper falou e Annabeth assentiu. -Ah que ótimo, umas das únicas pessoas que conhecemos lá já te odeia.
Annabeth revirou os olhos.
–Não quer dizer que ele me odeie, está bem?
–Ahã, sei. -Piper resmungou. -Quando vai nos contar a história de vocês dois?
–Não sei, mas hoje não.
–Ok. –Piper deu de ombros.
E essa foi toda a conversa que eles tiveram antes de chegar à boate. Era um lugar lindo,com a parte da frente em branco e as luzes iluminando tudo. O nome "Abbey" estava escrito em grandes letras pratas na fachada do local. A música alta dava pra se ouvir de lá de fora, na rua.
–Bem, parece que a festa está boa. -comentou Frank.
–É parece mesmo. -retrucou Piper. -Frank arranja um lugar pra estacionar enquanto eu e Annabeth entramos. E não se preocupe, vamos arranjar uma garota pra você. -Ela piscou um olho para ele.
–Ah, está bem. -Frank corou violentamente. — E-eu já vou indo então. -gaguejou ele.
Quando saíram do carro e Frank já estavam longe, perto do estacionamento, Annabeth disse:
–Você é impossível. Sabe que ele é tímido e fica sem graça com esses tipos de comentários.
–Ah, Annie, ele supera. E alias ele é um cara legal, precisa de uma namorada. -Piper segurou a mão de Annabeth e deu um daqueles sorrisos carregados de charme. Annabeth não se conteve e retribuiu o sorriso. -Então, vamos nos divertir e ficar com alguns caras?
–Ok, vamos. -respondeu ela.
Elas entregaram o convite para o segurança do lugar. Quando entraram viram um cenário ainda mais bonito por dentro. Parecia que tudo era feito de cristal: as mesas, o bar, o palco onde o DJ tocava, enfim tudo. Elas arquejaram de surpresa e ficaram por alguns instastes admirando a beleza da boate. Ficariam ali por mais tempo, de boca aberta e os olhos brilhando, se não fosse interrompidas por um cara baixinho, de cabelos encaracolados e o sorriso travesso que podia te fazer morrer de rir ou morrer de medo.
–Annabeth Chase, você veio! -cumprimentou Leo Valdez. -E vejo que trouxe uma amiga também.
Piper estendeu a mão para ele e ele a beijou.
–Meu nome é Leo Valdez, moça. Qual é o seu?
–Piper Mclean. -Piper arqueou uma sombracelha e sorriu zombeteira para Leo. -Por favor, Annabeth, não me diga que o cara bonitão que você ia me apresentar era esse baixinho e magricela.
Annabeth ia responder, mas pelo visto Leo já tinha entrado no embalo da brincadeira.
–Para sua informação, moça, eu não sou tão baixo assim. Pelo o que percebo, se você não estivesse usando saltos eu estaria uns dois centímetros maior que você. E sobre o fato de eu ser magro, convenhamos que esse é o novo estereotipo bonitão atual. -Leo sorriu para Annabeth. -Bem, gostei dessa sua amiga aqui.
–Percebi, pelo visto vocês se deram muito bem. -disse Annabeth sorrindo.
–Enfim, vocês dariam a honrar de se juntar a nossa mesa?
–Claro. -respondeu Piper. -Você tem algum amigo bonito de verdade?
Leo gargalhou e deu o braço para Piper. Ela enlaçou seu braço direito no esquerdo dele. Annabeth previu que eles se tornariam melhores amigos. Eles foram andando até que chegaram a uma mesa redonda onde estava uma mulher linda, com a pele cor de chocolate, os cabelos cor de caramelo e os olhos dourados. Vestia um vestido bege e usava um par de brincos dourados.
Ótimo, pensou Annabeth. Mais uma mulher linda pra me fazer se sentir inferior.
Logo um cara alto e loiro se juntou a eles também. Ele percebeu que era o mesmo homem que estava com Percy e Leo no dia da reunião. Como era mesmo o nome dele mesmo? Talvez fosse Jason.
–Bem, vamos às apresentações. -anunciou Leo. -Piper e Annabeth, esses são Jason e Hazel. Jason é arquivista e trabalha para Percy coletando e guardando os documentos no laboratório dele. Hazel também trabalha com ele, mas só de vez em quando.
–É , geralmente eu trabalho como arquivista em outras três empresas aqui em Nova York. -acrescentou Hazel. -Jason é que trabalha em tempo integral para Percy.
–De vez em quando o cara é um pouco chato e perfeccionista demais, mas até que é bom trabalhar com ele. -Jason disse. -Olá meninas.
Ele sorriu na direção delas, que estavam sentadas lado a lado. Annabeth percebeu que o sorriso dele era para as duas, mas os lindos olhos azuis estavam voltados para Piper. A amiga suspirou do seu lado e sustentou o olhar do rapaz.
–E vocês, trabalham com o que? -perguntou Hazel enquanto bebericava um liquido transparente no seu copo.
–Hã...- Piper começou a dizer.
–Somos secretárias de um empresário aqui em Nova York. -respondeu rapidamente Annabeth. Aquela era sempre a desculpa usada para não revelar à verdadeira identidade do seu trabalho. -O nome dele é Carter Smith.
–Ah, nunca ouvi falar. -Hazel franziu o cenho.
–É que ele não é daqui. Era de Boston e abriu uma empresa aqui essa semana.
Jason e Leo suspiraram, aliviados. É claro que eles sabiam com o que Annabeth e Piper trabalhavam, mas Hazel não. Saber a identidade verdadeira de alguém que trabalhava no serviço secreto é perigoso e eles faziam muito bem em esconder algo assim da amiga. Ate mesmo de Frank elas tinham que esconder algumas coisas de vez em quando, mesmo ele trabalhando junto com Piper, ainda era de um nível inferior no departamento. Ele não podia saber de tudo, e pelo visto Hazel também não.
Annabeth sentiu seu celular tocar. Era uma mensagem de Frank perguntando onde elas estavam. Ela respondeu e depois de minutos de conversa do grupo, Frank se juntou a eles.
–Hã, desculpe a demora. Foi difícil achar vaga no estacionamento. -ele se desculpou.
–Tudo bem. -respondeu Annabeth.
Depois de um tempo as pessoas sentadas na mesa se dividiram em casais. Jason e Piper conversavam animadamente, Hazel conversava gentilmente com um Frank muito envergonhado mais entretido na conversa, Annabeth e Leo ficaram sobrando.
–É, parece que estamos segurando vela aqui. -comentou Leo.
Annabeth soltou uma risada.
–Tenho uma mulher ali olhando pra você desde que a festa começou, Leo.
–Sério? Onde? -perguntou ele com os olhos percorrendo todo o local.
–Ali, sentada numa das cadeiras do bar. -respondeu ela. -Vai lá falar com ela.
–Ah meu Deus. -arquejou Leo. -Ela é linda. Espero que eu não me apaixone.
Annabeth gargalhou e logo foi acompanhada por ele. Ele era uma pessoa agradável. Leo a olhou com um olhar demonstrando compaixão.
–Olha, não tem problema eu ir até lá e conversar com ela um pouco, não é? Quer dizer sei que você vai ficar sozinha e vai ter que aturar o cara chato, mas ela é uma gata, não posso perder essa oportunidade.
–Cara chato? De quem você está falando? -indagou ela.
–Do Percy, é claro. Olha, ele está ali no último canto do balcão do bar. -Leo apontou para um cara de blusa social roxa e calças jeans escuras. -Ele está fazendo anotações naquele caderno dele. Só concordou vir pra festa porque eu lhe dei 50 dólares. Desde aquele dia da reunião ele não para de escrever naquela coisa.
Annabeth olhou para Percy. Deus, como ele estava lindo! Quer dizer, ele sempre fora bonito na adolescência, mas as roupas largas, os óculos enormes e a falta de peso ofuscavam um pouco tudo isso. Mas o rosto dele sempre fora lindo, e agora fazia contraste com o corpo definido -não tão musculoso — e a expressão de máxima autoconfiança que antes não tinha no seu rosto.
–Annabeth? Ei, garota! -Leo balançava a mão na frente do rosto dela.
–Ah sim, me desculpe, Leo. Pode falar. -ela se enrolou com as palavras.
–Eu vou até lá falar com aquela gata, ok? -Leo dizia sorrindo da provável cara abobalhada dela. -Vai lá falar com Percy e talvez você consiga deixá-lo menos nerd.
Annabeth assentiu. Leo se levantou e foi até a garota que estava olhando para ele a festa inteira. Ela também se levantou e foi andando a passos lentos até onde Percy estava. Ele tinha dito que estava tudo bem entre eles, mas pra falar a verdade ela tinha medo da reação dele.
Antes que ela pudesse continuar a andar, um garçom parou na frente dela.
–Me desculpe, senhorita. Mas alguém aqui lhe mandou uma taça de champanhe e um bilhete. — o garçom colocou a bandeja quase na cara de Annabeth.
–Obrigada. -ela pegou o champanhe e o envelope vermelho sangue da bandeja.
O garçom sumiu na mesma velocidade que apareceu. Annabeth pensou que finalmente a sua noite poderia estar melhorando. Quem sabe aquele não era a carta de um bonitão querendo conhecê-la melhor? Mesmo assim ela não bebeu o champanhe, quando outro garçom passou na frente dela ela colocou a taça na bandeja dele.
Ela abriu o bilhete devagar, tirando um pedaço de papel que parecia folha de caderno.
Ela teve de se segurar para não gritar de pânico naquele momento. A mensagem dizia apenas uma coisa:
"Estamos te vigiando, senhorita Chase. A ordem do jogo é pegar antes que se seja pego. Tome conta do seu grande cientista. Vocês são nosso alvo, querida."
[...]
Percy estava sentado na calçada da rua. Ele tinha saído de dentro da boate e se encontrava sentado em frente as portas dos fundos, onde os funcionários provavelmente jogavam o lixo na nas grandes lixeiras lá fora. O barulho da música o irritava e o fazia lembrar-se de todas as festas para as quais ele não fora chamado ao longo de sua vida. Afinal, ele era o esquisitão, o moleque nerd que todos achavam não precisar de amigos. Mas ele precisava, e precisava naquele momento também.
Seus amigos estavam se divertindo lá dentro e ele não queria tirar nenhum deles dos seus momentos de descontração. Ele ainda segurava sua caderneta de anotações, ela cabia perfeitamente na palma da mão dele. Ali estavam formulas químicas, reagentes e venenos capazes de fazer qualquer vírus, doença ou bactéria sumirem. Mas tudo aquilo era inútil já que a CIA tinha dito que ele teria que encontrar um solvente para destruir o vírus, mas se esqueceram de dizer qual era o vírus. Aquele história estava muito mal contada, havia algo estranho. Ele estava mais perdido que cego em tiroteio.
–Estou fodido mesmo. -resmungou ele.
Ele ouviu o barulho da porta dos fundos se abrindo e virou o rosto para ver quem é que iria lhe fazer companhia. Ele quase se surpreendeu quando viu um par de olhos cinza, quase.
–Oi, Annabeth. -ele a cumprimentou e tentou dar o seu melhor sorriso.
–Oi, Percy. -ela respondeu. -Posso me sentar aqui com você?
Ele assentiu e ela se sentou do lado dele. Era complicado pensar nela, há dois dias ele nem mesmo se lembrava que ela algum dia já tivesse existo. E agora ela estava ali, linda e descontraída, da mesma forma que ele se lembrava. Nesse meio tempo em que reencontraram, pensar em Annabeth fazia um misto de sentimentos borbulhar dentro dele: raiva, saudade, desejo, compaixão, amizade e principalmente magoa. Ele tinha dito a ela que tinha lhe perdoado, agora ele já não tinha tanta certeza assim.
–Todos arranjaram alguém pra beijar e conversar e eu meio que fiquei sobrando, sabe? -ela disse.
–Agora você sabe como eu me senti a vida inteira. -ele deu risada abafada no final, sendo acompanhado por ela.
–Preocupado? -ela perguntou.
–Sim, muito. -ele suspirou e reuniu um pouco de coragem para olhar nos olhos dela. -É algo complicado ter que descobrir a cura de uma doença que não se sabe nem mesmo qual é.
–Você vai conseguir. -ela assentiu como se estivesse tentando convencer também a si mesma daquela afirmação.
–Não sei se vou, mas eu tenho.
Ela tirou algo que estava escondido do lado do corpo dela. Era uma garrafa de vodka. Aquilo fez Percy se lembrar de quando ele tinha quinze anos e Annabeth lhe dera uma cerveja que ela tinha arranjado na casa dos seus amigos arruaceiros. Fora a primeira vez que ele tinha bebido.
–Servido? -Ela tinha aquele sorriso torto lindo nos lábios.
–É, acho que sim. -ele pegou a garrafa da mão dela e deu um gole.
O líquido desceu rasgando pelo seu interior, ele sabia que não era tão ruim assim, mas ele tinha bebido apenas três vezes na vida. Qualquer bebida alcoólica teria aquele efeito. Ele devolveu a garrafa pra ela e a viu tomar um gole sem nem mesmo fazer careta. E assim eles ficaram dividindo a bebida até que alguém decidisse dizer alguma coisa.
–Então, como virou cientista? -perguntou ela, interrompendo o silêncio.
–Bem, eu me queria ser biólogo marinho como o meu pai. Mas depois dos dois anos iniciais na faculdade, decido mudar o curso para química farmacêutica. Hoje eu produzo remédios e de vez em quando também faço uns trabalhos como físico.
Ele não queria contar a verdade a ela. Que ele tinha desistido de ser biólogo porque não queria seguir a profissão que ela sempre o incentivara a seguir. Iria ser doloroso demais estudar sobre animais marinhos e se lembrar de quando ele explicava para ela cada espécie enquanto eles viam fotos num livro no chão de sua casa. Agora parecia uma imensa besteira desistir de algo que sempre quis só por causa de uma desilusão amorosa, mas na época ele só tinha 17 anos e era muito impulsivo.
–Ah sim. -ela balbuciou enquanto bebia mais um gole e depois passava a garrafa para ele. -Pelo o que vi você também se deu muito bem se tornando químico.
Percy assentiu e perguntou:
–E você, como entrou para CIA?
–Hã... Bem, você se lembra de Luke não é? -ela perguntou com uma expressão engraça. Talvez fosse medo.
–Sim, me lembro. -era impossível ele não se lembrar do cara que tirou ela da sua vida.
–Então, quando nós terminamos o namoro eu ainda não tinha entrado na faculdade. Porque era uma garota louca que só se preocupava com o namorado e esqueceu completamente dos estudos. -ela bufou e colocou uma mecha loira para trás da orelha. -Então o pai dele, Hermes, ficou com pena de mim e me ofereceu um emprego numa corporação do governo. Ele não sabia, e nem eu na época, que aquela corporação era para jovens americanos interessados em ingressar no serviço secreto. Hermes apenas trabalha para um senador em Washington, ele não sabia muito dessas coisas. Eu aceitei o emprego, fui a melhor em todos os testes e agora eu sou a melhor no que faço.
–Você sempre foi. -Percy acrescentou.
E aquilo era verdade mesmo. Mesmo ela sendo uma garota popular que sempre ia a festas e arranjava namorados idiotas, ela sempre fora também muito inteligente. Ela e Percy sempre competiam no final dos bimestres para ver quem tirava as melhores notas. E mesmo Percy passando dias a fio estudando, Annabeth simplesmente fazia a prova e tirava um dez.
–Você... Não me perdoou, não é mesmo? -ela sussurrou as palavras para ele.
–Claro que sim Annabeth, eu já te disse. -ele percebeu que sua voz estava frágil, ele tinha contado uma mentira. Algo que não fazia há muito tempo.
As músicas agitadas foram interrompidas e de repente foi colocada uma música que eles conheciam e muito bem.
–Ah não. -Annabeth sorriu. -Se lembra dessa?
–Segundo ano, depois da escola. Discos roubados e um toca disco velho na garagem da casa dos seus pais. -ele respondeu sorrindo também.
–Nós roubamos os discos do papai e começamos a tocar as músicas e de repente achamos a coletânea do U2 -ela se virou para ele. -Ouvíamos e prestávamos atenção nas letras até que "With or Without you" começou a tocar.
–Então eu te chamei pra dançar e fiz você se esquecer das estúpidas brigas com o seu namorado. -ele completou.
A música ainda tocava ao fundo. Annabeth se levantou com uma expressão decidida no rosto e ofereceu a mão para ele.
–Quer dançar, senhor Jackson?
Percy não sabia se era a bebida, a angustia por estar com o destino do mundo nos ombros ou somente aquele olhos cinza suplicando por uma dança com ele; mas ele se levantou, segurou a mão dele e respondeu:
–Mas é claro, senhorita Chase.
Ele segurou uma mão dela e com a outra a abraçou pela cintura. Seus corpos estavam colados um no outro, enquanto a voz de Bono Vox enchia seus ouvidos. Eles se moviam no ritmo da música. Os corações batendo no ritmo da música. A bebida fervilhando na corrente sanguínea e entorpecendo a mente.
–Com ou sem você. -ela cantarolou um trecho da música o fazendo dar um sorriso genuíno.
Ele a girou e os cabelos dela voaram, quando ela parou estava com o rosto tão próximo ao dele que ele podia sentir o hálito dela: Vodka e menta, uma mistura perfeita na opinião dele. Tarde demais, Percy percebeu que eles estavam se aproximando.
Ele sentiu os lábios dela contra o seus, um sabor inigualável que ele sinta uma profunda saudade. Ele pediu passagem com a língua e ela cedeu, ele pode sentir ela estremecer nos braços dele. Ele apertou mais o abraço e sentiu seu corpo se inflamar de desejo, ela correspondia o beijo com a mesma empolgação.
Depois que se separaram, ele viu uma coloração negra nos olhos dela. Céus, ela estava o desejando! E ele por sua vez se sentiu frustrado, tinha cedido aos encantos daquela mulher outra vez.
–Nós não deveríamos ter feito isso. -ele murmurou.
–Percy, eu... -ela começou a dizer.
Antes que ela terminasse a frase ele se afastou, pegou a caderneta de anotações que estava no chão e girou os calcanhares para ir embora dali. Ele estava com raiva e confuso, de repente todos os anos que ele se lembrara dele antes de dormir vinheram a tona de uma só vez na sua mente.
–Você pode dizer a Jason que eu fui pra casa mais cedo, por favor? -ele perguntou.
Ela estava com uma expressão confusa no rosto e com até um pouco de decepção também, mas ainda sim assentiu.
–Tchau, Annabeth. Até daqui a cinco dias quando formos para Europa.
Ele nem esperou uma resposta dela. E ela também não o seguiu. Sentia sua cabeça doer e queria chegar logo de uma vez em casa. Foi andando a passos largos até o estacionamento. A frustração de anos dando facadas no seu peito. Ele queria que seus problemas fosse apenas uma paixão mal curada, mas tinha tanto coisa que o oprimia que quando ele chegou no carro e encostou a cabeça no volante não conseguiu evitar suas mãos de surrarem o painel do carro..
Ele se lembrou da sua mãe. Se lembrou de quando era um adolescente e as pessoas diziam que ele não era nada. Se lembrou da faculdade quando todos o ignoravam. Se lembrou daquela manhã de segunda quando os agentes do governo entraram no seu laboratório e quebraram todos os seus objetos e disseram que ele jamais seria capaz de conseguir o que ele queria.
Mas agora ele tinha que conseguir. E estava decido que iria parar de ser o coitado da história. A situação exigia que ele fosse o herói.
Ele afastou todos os pensamentos negativos da mente. Balançou a cabeça para tentar amenizar o efeito da vodka. Deu um sorriso bêbado. Ligou o carro e dirigiu para casa.
Fale com o autor