The Same Heart
5 Uma simples bala.
Notas iniciais
Para mim, estar na frente de Beth Greene era como um sonho. Ela era a meia-irmã de Maggie, fico me perguntando como não percebi antes? Maggie vivia me falando sobre ela, como ela era diferente dela, e muito parecida com Hershel. Minha respiração por um momento parou, tento falar mais do que uma vez, no entanto nada precisava ser dito. Beth estava como eu, pasma.
Em um ato um tanto quanto irracional, me vejo abraçando ela que me retribui. Não posso explicar como me sentia naquele momento, eram tantas emoções, se Beth estava viva, Maggie também podia estar.
—Maggie? – digo mais como uma pergunta.
Ela me olha e seu olhar pareceu vago.
—Eu não sei – ela diz e meu sorriso murcha.
—Como? – pergunto – Ela não resistiu? Ela... – não consegui pronunciar a palavra.
—Posso lhe contar a história toda – ela diz – Mas acredito que ela está viva. Maggie é forte, se tornou ainda mais com tudo que passamos, ela consegue, sei disso.
Beth conta-me tudo. Sobre a fazenda, sobre Maggie ter tentado ir até Atlanta, mas ser parada por militares que diziam que a cidade fora bombardeada, a busca que fizeram depois, o desespero de Maggie ao ver que o meu apartamento estava destruído. Depois ela contou como conheceu um grupo grande de pessoas e como essas pessoas se tornaram a família dela. Contou que eles acharam uma prisão. Eram tantos nomes, tantas histórias que me via com esperança, e desta vez não estava fingindo, eu realmente tinha esperança de sair daquele lugar.
Dale, Lori, T-Dog, Hershel... Tantas vidas perdidas em prol de uma família. Senti-me mal ao saber de Hershel, eu o adorava, e sabia que Maggie o amava também.
Ela me contou sobre um homem chamado Governador, e como ele era terrível, como ele destruiu o lar deles e fez com que todo o grupo se dispersasse. Beth era forte, uma menina muito forte, tinha apenas dezoito anos, estava começando a vida, mas já tinha uma história para contar. Uma história grande de superação. Ela me contou de Rick e Daryl, o quanto o tempo que estava sozinha com Daryl além de bom a fez crescer muito.
—Vou embora daqui – ela diz.
—Sei que consegue. – digo sincera. Mesmo que eu várias vezes havia desejado fazer isso, havia uma grande diferença entre Beth e eu. Beth conhecia o mundo lá fora, sabia o que estava fazendo, eu não... Tinha que descobrir o que existia lá, e ainda cuidar de minha filha sozinha, era uma decisão difícil de ser tomada.
—E você e Rosie vão comigo – ela diz sorrindo –Maggie falava tanto de Rosie para mim.
Sorrio com a lembrança das duas juntas.
—Rosie ainda lembra a promessa que Maggie fez a ela – digo – Rosie sempre quis andar de cavalo.
—Maggie também me disse isso – ela diz rindo.
Era bom lembrar-me de Maggie com alguém que conhecia ela, sabíamos da essência de Maggie, me fazia ter esperança e um pressentimento bom de tudo.
—Vamos acha-la –ela diz – Ou melhor, minha família nos achará.

(...)
Beth tentou fugir junto com Noah, no entanto, apenas Noah conseguiu escapar. Tantas coisas haviam acontecido, Rosie e Beth ficaram amigas rápido. Rosie tinha uma nova esperança, falava mais, brincava mais, ria mais. Mal podia agradecer por ter Beth ali comigo.
Também descobrimos que realmente o grupo de Beth procurava por ela, já que uma mulher chamada Carol havia aparecido no Grady, tivemos que fazer muitas coisas, salvamos Carol por conta de Dawn. Beth apanhou de Dawn, quase foi violentada, eram tantas coisas que não gostava de lembrar. Momentos um pouco difíceis, no entanto, quando Beth aparece na minha frente com suas roupas antigas acabo por ficar confusa.
—Eles estão vindo – ela diz emocionada – Estão vindo nos salvar.
—Isso é maravilhoso – digo feliz por ela. Abraço-a e suspiro. –Quero que diga há Maggie que a amo.
—Você dirá isso – Beth diz – Vou convencer Rick há fazer um acordo com Dawn, ela não te prenderá aqui.
—Eu duvido muito – digo – Eu e Dawn já fomos amigas, mas faz tempo, muita coisa aconteceu.
—Não vou te deixar aqui – Beth diz decidida, queria ser mais como ela. – Pegue as suas bolsas, deixe em um canto, assim que eu conseguir convencer Rick, ele dará um jeito. Daryl também.
Beth havia falado muito de Rick e Daryl, tanto que já me sentia quase amigas deles indiretamente, já os conhecia, claro que na visão dela, no entanto, eles eram de confiança, pessoas boas, muito diferente das pessoas do Grady.
—Vou falar com Rosie, ficar com ela, deixe tudo pronto – ela pede novamente, suspiro e a obedeço, se tudo desse certo eu já estaria pronta para partir, se tudo desse errado eu apenas guardava minhas coisas e esperava Rosie ficar maior.
Eu não podia arriscar a vida dela assim, sem ter certeza, se eu percebesse que Dawn não deixaria, eu mesma interviria, eu mesma deixaria tudo de lado. Entre ir embora e perder Rosie ou ficar e continuar com Rosie, eu escolheria a segunda opção sempre, nunca a deixaria, daria minha vida por ela.
Termino de arrumar as coisas e vou até o quarto de Carol, ela estava em uma cadeira de rodas, e Beth já estava com ela e Rosie ao seu lado.
—Pode deixar que a levo – digo – Vão na frente.
—Obrigada Skye – Beth diz sorrindo, alegre, sua alegria me contagiou, mesmo que me deixasse triste.
Eu podia ter feito parte desse grupo, podia ter tido uma família melhor para Rosie. Decido ignorar esse sentimento ruim, e então vou até a cadeira de Carol, sem antes dizer.
—Carol – digo – Beth está esperançosa que ela consiga me tirar daqui, mas eu sei que não será possível, não de graça. Dawn já foi uma pessoa boa, não é mais. – digo – Eu só quero que não se arrisquem por mim. E quero que diga a Maggie que eu a amo muito e que me arrependo de não ter ido à fazenda quando pude.
Carol pareceu entender a minha dor, pois pegou a minha mão e assentiu.
—Você salvou Rosie, não se sinta culpada por pensar na sua filha em primeiro lugar.
Respiro fundo e então há levo. Chego a hora da troca, Rosie estava comigo, ao meu lado, na parte de baixo na cadeira de rodas estava uma bolsa com as minhas facas e as roupas de Rosie, junto com algumas fotos que sempre levava comigo, era tudo que levaria se conseguisse.
Meu coração batia de modo acelerado, estava começando a suar frio, estávamos no penúltimo andar, estar ali me lembrava de quando tudo começou e senti um pressentimento ruim, algo iria acontecer, e eu não gostava disso.
Dawn para, fazendo nós e os outros policiais pararem. Minha barriga revirava, eu tremia. Logo o outro grupo apareceu, o grupo de Beth continua três homens e uma mulher, atrás Noah, sorrio ao vê-lo bem. Estavam fortemente armados, mas mantinham a arma abaixada. Maggie não estava ali, o que me deixou triste, Beth me olha e sussurra.
—Ela está bem – ela diz me pergunto da onde vinha tanta força para uma menina tão pequena. Enquanto eu perdia a esperança, a sua só se restaurava.
Primeiro foi à vez da Carol, me ponho do lado da cadeira de rodas, olho para Rosie e digo.
—Fique aqui.
Ajudo Carol a se levantar que sorri se apoiando em mim, enquanto um policial voltava para o seu grupo, eu levava Carol para o dela. Um homem negro e robusto me agradece, segurando Carol.
—Você consegue – ela sussurra e eu assinto. Olho para Noah e pego sua mão sorrindo.
—Eu disse – sussurro e então lhe dou as costas.
Passo por Dawn batendo em seu ombro. Eu estava nervosa, depois de mais drama, foi à vez de Beth. Beth abraça Rosie e depois me abraça.
—Nunca perca essa força, cresça e cuide de Maggie – digo – Ela precisa muito mais de você do que parece.
—Você vai conseguir. – ela diz.
Vejo-a andando, enquanto a outra policial voltava. Abraço Rosie pelos ombros, aqueles foram os piores segundos de minha vida.
Tudo parecia bem, até que Dawn exige que Noah fique todos negam, mas Noah disse que tudo bem ficar, as coisas passavam em flashes em minha cabeça davam voltas, eu não ouvia nada, apenas pensava neles, pensava em Dawn fazendo algo. Meu coração se fecha.
Então escuto dois disparos, Dawn caiu no chão e então vejo que Noah cai com ela.
—Não – grito caindo de joelhos, as armas são engatilhadas, sinto-me pequena.
Beth chorava no chão, enquanto a policial falava algo, para todos deixarem quieto, que Dawn era o problema, que eles podiam ir embora.
O homem que parecia ser o líder e chuto ser Rick diz.
—Tudo bem, mas se alguém quiser seguir conosco, sinta-se livre – ele diz. Beth me olha e eu olho para Rosie, meu corpo trêmulo, sinto a mão de Dr. Stevens em meu ombro, mas a tiro. Pego minha bolsa e jogo em meu ombro, Rosie me segue ao meu lado.
—Isso é suicídio – diz Dr. Stevens – Pelo menos deixe Rosie aqui.
—Ela é minha filha Stevens – digo rudemente – E prefiro ficar lá fora a continuar aqui, é minha escolha, já não tenho dividas. Já me tiraram tudo que sou, se você não tem coragem para fazer o mesmo, me desculpe, não tire essa escolha de mim.
Caminho pelo corredor, me sentindo mais livre. Beth se levanta e me abraça, depois abraça Rosie. Olho para o grupo e depois para Noah deixando um soluço escapar de minha boca. Beth abraça Rosie para que ela não visse isso.
Beijo a testa de Noah, e então suspiro. Não sabia o que fazer ou o que dizer, Noah havia dado um pouco mais de cor a minha vida, por um ano ele que foi o meu pilar do mundo real para o inferno do hospital, ele que não me fez enlouquecer lá dentro, ele que cuidou de Rosie para que ela não me visse chorar. Por conta dele, para a minha filha, eu sempre fui forte.
—Vamos achar a sua família, vamos acha-los – digo – Não se preocupe você está livre agora!
Murmuro e pego seu colar, não podíamos fazer nada, me levanto. Vejo Rick me olhar e assentir antes de pegar o corpo de Noah, a cena foi mais do que forte para mim, vê-lo com tanto sangue. Nunca mais ouviria sua voz, suas canções ou seu sonho em fazer algo melhor para os seus pais.
Fico parada até que Rosie se agarra ao meu corpo, me abraçando, limpo as lágrimas e a abraço, depois pego sua mão vendo que eu estava cheia de sangue, suspiro e então sigo o grupo. Beth estava mais a frente, com o homem que chutei ser Daryl.
A alegria dela se misturava com sua tristeza, perder alguém nunca é fácil. Noah era como um filho para mim me sentia perdida, mas feliz por sair daquele lugar, só queria que ele estivesse ao meu lado.
Minha respiração é rápida, meus passos lentos, ninguém dizia nada, talvez eles não tivessem a mesma intimidade com Noah, no entanto, respeitavam a minha dor.
A porta se abre, a luz do sol me cega por um tempo. Vejo um grupo, ou melhor, o resto dele, eram tantos. Vasculho todos, mas de alguém modo não a acho. Sinto-me triste, abraço Rosie que também procurava por Maggie, fico mais para trás até que ouço choro, era um recontro. Olho novamente e então a vejo, Maggie abraça a irmã, era ela, eu sabia que era ela.
O recontro é bonito, é maravilhoso, como uma nova luz.
Beth a abraça e depois aponta para mim. Rosie corre, tão rápido que não consigo a acompanhar.
—Maggie – ela grita a pleno pulmões e abraça a madrinha.
Boto a mão no rosto, tentando ver se realmente tudo era real, se realmente ela estava ali, e então eu corro também a abraçando. Nem mesmo a dor me faria perder a alegria que eu tinha dentro de mim naquele momento. O abraço de Maggie me faz sentir segura, me faz ver que tudo valeu a pena, que a vida valia a pena, me sinto viva, me sinto bem. O choro nunca foi tão libertador quanto esse.
Maggie era a minha esperança. Aquele grupo era a minha esperança.
Daryl Dixon
O som de um tiro. Como apenas um som, um momento, pode levar consigo toda a sua esperança, uma bala, e sua vida estava decidida. Era ridículo, e ao mesmo tempo, certo. Uma bala, a bala da morte. Por um momento pensei que era Beth, por um instante vi meu mundo ficar cinza.
No entanto, Noah que caiu. E eu atirei em Dawn, eu usei a bala, eu decidi sua morte.
Eu ouvi um grito, olho para o outro lado e vejo que era a mulher que a pouco havia pegado na mão de Noah, uma amiga ou namorada, não sabia, mas sua dor fez com que tudo em mim sentisse dor também. Eu não havia perdido Noah, ele era apenas um conhecido para mim, foi triste, mas não doloroso. No entanto, sentir a dor daquela mulher havia sido novidade para mim, e uma novidade que pareceu levar cada pedaço meu.
Beth também sofria, e vi que não eram motivos para comemorar. Ela estava viva, mas uma vida havia sido perdida, de um garoto bom, que não desistiu de ajudar Beth como pode. Rick falou que quem quisesse ir embora podia ir, vi a ruiva do outro lado se levantar, pude ver que Beth olhava para ela, e percebi que Beth havia se aproximado de ambos os três. A ruiva, a criança e Noah, Beth era assim, sabia como se apegar de uma maneira muito fácil às pessoas.
No entanto, eu vi no olhar das duas. Era muito mais do que uma troca de favores, eu vi uma promessa. Percebi que esse laço era muito maior, era estranho.
A ruiva se levantou pegando junto uma bolsa, um médico tenta intervir, mas ela parecia decida e leva a criança junto, talvez a menina tivesse nove anos ou menos, me lembrava de Sophia. Não sei como me sinto quanto a isso, apenas queria sair daquele lugar, estava com um mau pressentimento quanto a ele desde que descobri que Beth estava ali, e ver que aquela mulher estava indo embora sem hesitar ainda por cima com uma criança, me fazia ver que o hospital tinha muita sujeira, muito mais do que uma líder maluca, havia pessoas que não faziam jus a palavra humanidade.
Beth abraçou as duas, ambas choravam e a criança também. Ela me lembrava de Sophia, o que me fez desviar os olhos da cena. Ouvi o choro da mulher, depois pude perceber que ela havia se despedido.
Com toda certeza o grupo estava feliz, mas eles estavam respeitando a dor das duas. Beth estava abalada, mesmo assim, dava para perceber a sua expectativa quanto ver a sua irmã novamente.
Naquele momento, me senti como se tivesse conseguido, eu havia conseguido salvá-la. Abraço a de lado, era um alivio não ter que levar seu corpo, ou voltar lá para fora sem Beth.
A menina era muito mais do que só uma integrante, ela era a esperança do grupo.
Posso dizer que nunca me emocionei com recontros, no entanto, para a minha surpresa meus olhos ficaram lacrimejados com a cena que eu vi. Beth abraçando Maggie foi lindo. Porém o que me deixou surpreso foi ver aquela pequena garota de cabelos cacheados correndo e chamando o nome de Maggie e logo em seguida a ruiva.
Foi tão sincero e rápido todos foram pegos de surpresa. Tanto os homens, quanto as mulheres.
As quatro pareciam estar nascendo de novo, uma nova esperança, novas vidas.
Eu não tinha uma opinião concreta sobre isso, já tínhamos duas crianças no grupo, ter mais uma deixa tudo menor, mas não podíamos deixa-las sozinhas, não agora que vejo que Beth e Maggie tinham um carinho muito grande pelas duas. Elas mal chegaram, mas pude perceber que conseguiriam fazer parte da família.
—Isso é real – ela diz segurando o rosto da criança, a menina soluçava e seu sorriso era enorme. –Vocês estão vivas, eu tive tanto medo.
—Está tudo bem agora – diz a ruiva.
Toda vez que olhava para ela era diferente. Algo dentro de mim se remexia em curiosidade, como alguém tão delicada, inocente e frágil poderia largar tudo para viver aqui?
Lá dentro eles tinham comida, segurança, agora aquela líder estava morta e tudo melhoraria, mas mesmo assim ela nos seguiu, ela quis enfrentar o mundo ao ficar lá. Isso me intrigava ao extremo. Fazendo-me a observar mais.
Fizemos um pequeno enterro para Noah, depois de caminhar, conseguimos chegar a uma floresta e lá o enterramos. O padre Gabriel fez um discurso, ninguém estava chorando além de Beth, a ruiva e sua filha, mas eles sentiam a dor. Eu sentia a dor.
—Espero que agora você a reencontre, Noah – diz a ruiva sorrindo. – Nunca tema o que tem do outro lado, grandes dificuldades lhe dão prêmios melhores, não irei desistir. Sua morte não será em vão.
Suas palavras pegaram todos de surpresa, ou tocaram as pessoas, ninguém falava, nem mesmo as respirações ficaram tão silenciosas quanto naquele momento. Depois de mais uns quinze minutos a ruiva se levantou, pegou sua filha e se encostou a uma árvore enquanto Beth falava algo.
Estávamos cansados e com um clima ruim entre nós, não tínhamos destino, tínhamos pessoas a mais e Carol estava machucada, nossas opções estavam escassas.
Demorou um pouco, mas logo estávamos voltando para o caminhão, ficamos parados, alguns fazendo guarda enquanto Rick tentava pensar em algo. Maggie abraçava Beth e a menininha enquanto a ruiva estava mexendo em sua bolsa. De lá ela tirou uma lata, jogou um pouco de pó dentro de outra coisa e mexeu com uma colher, dava para ver que a mulher não tinha nenhum jeito para isso.
Quem pensaria em uma colher para levar ao apocalipse?
Ela se levanta e então a vejo indo a minha direção, mas me engano, pois ela foi até Carl. Ela se agacha e sorri.
—Ela é linda – a ruiva diz – Fiz uma papinha para ela, acho que essa comida pode durar dois meses se for só para ela – diz a ruiva. Rick a olha e depois nega.
—Todas as crianças merecem comer – diz ele.
—Tenho algumas barras de cereal e enlatados que roubei da cozinha, eles estavam tão entretidos com os últimos acontecimentos que foi fácil pegar – ela diz – E Rosie e seu filho podem comer dessas barras e enlatados enquanto caçamos.
Eu já tinha visto esse olhar em Rick, gratidão.
—Meu nome é Skye Martinez, não que sobrenomes importem nesse novo mundo.
—Rick Grimes.
A ruiva assente e depois pede permissão a Carl para pegar Judith no colo, fico me perguntando quantos anos aquela mulher tem, idade da Maggie posso chutar, no entanto ela parecia bem mais jovem e inocente.
—Qual é o nome dela?
—Judith – diz Carl.
—Linda – ela diz sorrindo. Pega uma colher e então começa a alimentá-la.
Ainda acho um erro ela ter deixado aquele lugar, viver aqui fora é ruim. Mesmo que libertador, você perde muito, e eu estava cansado de perdas.
—Rick – Skye volta a falar depois de fazer Judith dormir e entrega-la novamente ao irmão. – Não sei se vocês têm energia o suficiente, mas estava conversando com Maggie, e estava pensando em passar na minha antiga casa – ela diz – Meu pai era caçador e um ex-militar, gostava de ter armas e comida, é no subsolo, podemos dormir lá, talvez tenha energia ainda se ele não a usou tudo e comida. Podemos dormir lá, comer e reabastecer.
Rick me olha. Atlanta estava tomada, sabíamos disso, mas sabíamos lidar com isso. Era um tiro no escuro, mas estávamos sem direção. Maggie logo se aproxima e fica ao lado de Skye.
—A casa é aqui perto, duas quadras. – diz Maggie – Podemos ir com um grupo, depois que tivermos certeza se vale a pena levamos o resto.
Olho de novo para Rick e assinto, era melhor assim, qualquer possibilidade era melhor do que nada, qualquer direção era melhor do que nada. Rick se levanta decidido, tínhamos algumas horas de sol, daria tempo.
Rick explica o plano para todos, ninguém cogita, na verdade se enche de esperanças.
Então Rick decide em ir com um pequeno grupo. Rick, eu, Maggie, Glenn e Skye, os cinco iriam. Não gostei da ideia de levar à ruiva, não pelo fato dela ser nova ali. O que ela fez para Judith e Carl já deixava claro que ela era uma boa pessoa, no entanto, quando olhava para ela, apenas conseguia ver inocência. Ela era frágil, como se o apocalipse para ela tivesse começado naquele instante, como se ela ainda não soubesse lidar com isso.
E algo dentro de mim queria protege-la, como eu protegia Beth ou como tentei proteger Sophia. No entanto, me sentia estranho quanto aquilo. Acabei de conhecê-la, mas já me sinto no dever de protegê-la, no dever de mantê-la viva. Aquilo poderia ser bom, mas ao mesmo tempo poderia me levar à morte.
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