The Same Heart

2 Toda ação tem uma reação


Notas iniciais
Oi, tudo bem? O capítulo era para ter saído só amanhã, mas eu amei o feedback de vocês e resolvi trazê-lo agora, muito obrigada pelos favoritos e comentários, e essas dez pessoas acompanhando ♥ Sério, vocês me fizeram acreditar ainda mais na fanfic. Esse capítulo ainda vai ser em terceira pessoa só para os fatos ficarem mais claros, mas no próximo capítulo Skye volta a narrar ♥ Boa leitura.

Outubro de 2004 — Atlanta.

As infinitas lágrimas em seus olhos a impediam de ver a rua com total clareza, mas ela tentava a todo custo eliminá-las. Skye nunca foi de chorar, não porque achava ser uma fraqueza, mas sim, porque toda vez que ela chorava ficava transparente, todos conseguiam decifrá-la quando ela estava em prantos, e ela não gostava de ser descoberta por todos, gostava de exclusividade, e as lágrimas tiravam isso dela.

Aquele teste, ele era o culpado por elas rolarem seus olhos, ele não podia estar certo, no entanto, ele estava. Skye para o carro em uma vaga e encosta a cabeça no volante, sabia que se continuasse dirigindo podia sofrer um acidente, e machucar outra pessoa. Ela bate a cabeça no volante de leve, soltando um soluço que estava preso em sua garganta desde que foi a farmácia.

Skye queria gritar, queria tirar aquele sentimento de dentro de seu peito, queria que tudo fosse uma total mentira. Pensou em sua família, em seu namorado, em seu emprego, sua faculdade, pensou na sua vida. Skye pensa em ligar para sua melhor amiga. Maggie com toda certeza saberia o que ela deveria fazer, mas ela deveria estar ocupada, era feriado e ela estava na fazenda de seu pai, não podia simplesmente atrapalha-la.

Principalmente quando fazia um mês que Maggie não via seu pai.

Skye estava em uma encruzilhada, não sabia se deveria ir para a sua casa e contar para os seus pais, não sabia se iria falar com Justin, não sabia se desaparecia por alguns dias. Até mesmo a ideia egoísta de tirar aquela criança de dentro de si passou por sua cabeça.

Mas Skye não era assim, ela tinha uma nova vida dentro dela, não podia fazer isso apenas porque foi irresponsável.

No entanto, tudo parecia ir por água a baixo, seu pai ficaria muito bravo, ela não conseguia imaginar a reação dele, seu pai era um ex-militar, um homem duro, religioso e muito conservador, ele nem mesmos sabia que Skye não era mais virgem, mesmo que Skye imaginasse que ele já tinha uma ideia. Sua mãe, no entanto, ficaria deprimida, diria que havia avisado, e Skye não podia desmentir, porque ela avisou.

Eles eram as únicas pessoas que Skye tinha e ela iria decepcioná-los.

Eles odiavam Justin, odiavam-no tanto que nem mesmo aceitavam ele dentro de sua casa. Sua mãe era a única que quis conhece-lo, no entanto, Justin não é um amor de pessoa, e nem mesmo um exemplo. Skye sempre gostou dos complicados, e ela sabia que no fim, sempre acabaria se ferrando.

Skye, depois de mais calma, respira fundo e então decide tomar uma decisão. Ir para a sua casa.

Skye cursava a faculdade em sua própria cidade, então continuava a morar com os pais. Depois de dez minutos, e muitos suspiros e pensamentos, Skye chega até a última casa da rua sem saída que ela tanto conhecia. Os vizinhos continuavam a fazer suas coisas ao ar livre enquanto as crianças brincavam no jardim, o dia estava meio nublado, sinal de que logo mais uma chuva de verão ocorreria.

Skye estava com os olhos inchados quando deixou o carro, estava cansada, esgotada. Ela entra em casa e vê seu pai que fumava um charuto e via futebol, sua mãe com toda certeza estava na cozinha preparando o jantar como todos os dias.

—Filha – Skye ouve sua mãe – O que aconteceu? – ela diz ao ver o estado da filha.

—Você pode se sentar? – pergunta Skye. – Tenho algo a dizer.

—O que aconteceu? Perdeu a bolsa? – sua mãe pergunta, seus cabelos castanhos e longos tinham finos cabelos brancos, o que a deixava ainda mais bonita, seus olhos verdes que infelizmente Skye não herdou estavam preocupados, a postura submissa e a expressão cansada denunciavam o quanto que ela trabalhou sem nenhuma ajuda de seu pai. Já o seu pai estava com o charuto em um de seus dedos, a olhando enquanto passava a mão pelo seu bigode, à expressão como sempre fechada. Os olhos azuis iguais o de Skye a analisavam.

Skye engole em seco, querendo mentir, e dizer que tudo estava bem. Mas ela não era de correr com o rabo entre as pernas, ela sempre enfrentava desafios, e ela precisava ser sincera. Skye olha para as suas mãos, o teste em seu bolso parecia pesar muito mais do que realmente pesava.

—E-Eu não sei como dizer isso – diz Skye nervosa.

—Que tal do começo – seu pai fala impaciente.

—Lembra-se dos enjoos – Skye diz olhando diretamente para a sua mãe, sua expressão logo congela, e ela pareceu prender a respiração, sabia exatamente do que Skye estava falando. Já estava desconfiada, mas rezava todos os dias para estar errada. –Então, Maggie pediu para que eu fizesse um teste – Skye diz pegando o teste de seu bolso entregando-o para a mãe. –E-Eu estou grávida.

Skye diz e tudo pareceu parar por um momento. E ela achou que tudo ficaria bem, quando nada foi dito, ela achou que seu pai ficaria bravo, mas que aceitaria, apenas com algumas regras. Ela estava pronta para aceitar tudo.

Mas quando ele a olhou, Skye estremeceu. A raiva em seus olhos era tanta que Skye deu um passo para trás, sua mãe tentou falar algo, mas seu pai pega o teste na mão indo para cima de Skye pegando seus cabelos e deixando o teste bem na sua frente.

—Eu te avisei – ele grita a fazendo chorar. – Eu avisei que aquele garoto era um delinquente.

—Pai – Skye sussurra.

—Pai? Cale a boca sua vagabunda – ele grita, e Skye o empurra com raiva, nunca pensou que seu próprio pai falaria isso para ela. –Além de dar para qualquer um quer bater em mim? – ele pergunta apontando o dedo na cara de Skye, ameaçando a bater.

—Charles – sua mãe grita, mas ele levanta a mão fazendo-a dar um passo para trás. Skye sabia que seu pai já havia batido em sua mãe, quando ela era mais nova, sua mãe a fazia ficar trancada em seu quarto enquanto seu pai voltava bêbado à noite, ela sempre escutava os gritos de sua mãe, seu choro, sem poder fazer nada, com medo.

Sua mãe havia prometido a Skye que isso nunca mais aconteceu que seu pai havia tomado um rumo, e que só era explosivo às vezes, mas nunca levantava a mão para ela. Naquele momento Skye percebe o quão foi ingênua. O quão estava errada, seu pai nunca mudou, e ela se sentiu culpada por nunca perceber nada, tão envolta em seu mundo de descobertas que não viu o que estava em baixo do seu nariz.

—Vamos – Skye diz puxando o braço do seu pai – Me bata seu covarde – ela diz com raiva – Vamos? Vá em frente, mas aproveite para passar o resto da sua vida na cadeia – Skye diz a raiva transbordando junto com a tristeza de suas palavras.

—Você vai embora desta casa – ele diz apontando o dedo na cara de Skye novamente, ela soluçava, mas mantinha a postura, um misto de emoções passava por ela, todos ruins. – Você não é mais uma Martinez, eu me recuso a te chamar de filha. Pegue suas coisas, agora! – ele grita a última frase e então saí, indo para a cozinha.

Sua mãe queria dizer algo, mas não conseguiu, apenas seguiu seu pai.

Skye ficou triste, desolada, a raiva dando a posição à tristeza, tudo parecia cair. Ela sobe as escadas e arruma tudo, ela arruma tudo nas caixas que havia no porão, levando tudo ao seu carro, caixa por caixa, sem a ajuda de ninguém.

Depois que termina, seu estoque de lágrimas pareceu acabar. Já havia chorado tanto que nem mesmo conseguia saber como estava em pé, talvez à vontade de sair daquele lugar fosse maior. Skye olha para a cozinha, seu pai a olha enquanto tomava o seu uísque, mas depois desvia. Sua mãe vai até a sua direção e a abraça.

—Desculpa – ela murmura.

—Vamos comigo – diz Skye – Eu e você, sozinha, podemos construir tudo de novo juntas. Longe dele. – diz Skye desesperada – Mãe, e-ele não é bom.

—Não posso – ela diz – Cuide de meu neto, por favor, dê um futuro a ele – ela diz tocando minha barriga – Eu vou te ajudar, apenas encontre um lugar, talvez a casa de Justin... Eu vou te ajudar com o que puder. Não vou abandonar você – ela diz – Eu te amo.

As duas ouvem os passos pesados de Charles, ele aparece com um novo charuto em mãos.

—O que faz aqui? Vá embora – ele diz – A porta é serventia da casa.

Skye amava tanto seu pai, sentia tanta saudade de quando ele era um bom homem, mas agora tudo que ela podia ver eram migalhas do que ele um dia foi. E as únicas lembranças que ela levaria eram as de quando ela tinha sete anos, quando ele era um homem que demonstrava seu amor, que queria ser um bom pai, depois disso tudo era um borrão.

—Desculpa – murmura ela, mesmo ele não as merecendo.

—Nunca mais pise nesta casa – ele diz – Não quero ser obrigado a te chutar para fora.

Ele volta a ver o futebol, como se sua única filha não estivesse indo embora.

Dizem que palavras são como facas, e agora Skye sabia que essa frase era verdadeira, pois ela estava sendo ferida pela própria família, mas o sangramento era muito pior, ele era interno, e difícil de ser curado.

(...)

O coração de Skye batia forte, o sol já não estava no céu há muito tempo, dando lugar a uma noite escura e chuvosa. Skye estava procurando Justin a tarde toda, passeando por toda Atlanta. Mesmo que a briga recente dos dois tenha os feito ficar afastados por alguns dias, e que ela soubesse que ele seria um cretino com ela. Skye precisava dizer isso a ele, ele precisava saber e fazer algo.

Skye não podia ficar sozinha nessa, não aguentaria.

O carro de Skye para em frente ao bar que ele sempre frequenta, foi ali que o melhor amigo dele disse que ele estaria. E Skye se sentiu tola por não ter ido ali de primeira. Ela o conheceu ali, naquele bar, quando Maggie a levou para aquele lugar porque queria ter o seu primeiro porre coletivo. Fomos com um grupo grande, e acabamos nos enturmando com o grupo de Justin, não posso dizer que foi amor à primeira vista, porque para Justin tudo é muito carnal, então foi atração à primeira vista.

Era estanho o sentimento ruim que Skye sentiu ao passar por aquelas portas, olhou para todos os lados, e então suspirou quando o viu. O ar faltou, as lágrimas voltaram e tudo parecia zono. Justin estava com uma menina, era obvio que aquele idiota nem mesmo esperou que Skye telefonasse, nem mesmo ele a telefonou. Apenas levou o “Não dá mais” de Skye como um “Estou terminando com você”.

Naquele momento Skye viu que Maggie estava certa nas diversas vezes em que disse que Justin só estava esperando a oportunidade para pular fora vinda de Skye, ele só estava esperando que Skye perdesse o controle. E aquilo doeu porque Skye o amava, amava aquele garoto que na frente dos amigos era diferente, era arrogante. Mas que quando estava com ela, a levava as alturas, a fazia ser amava, ou melhor, fingia para parecer que Skye era amada.

Skye respira fundo, se controlando ao máximo e então vai até Justin, puxando a garota de seu colo que estava tão bêbada que nem mesmo conseguiu revidar o empurrão que Skye deu nela. Justin olhou Skye e depois revirou os olhos.

—O que você quer Skye? Voltar? – ele pergunta olhando para a ruiva, e então as palavras de Maggie passam na cabeça de Skye “Ele é um idiota que só pede desculpas e você volta correndo”, Skye se sentiu tola, tantas vezes brigou com Maggie por causa dele e ela estava certa.

—Preciso conversar com você – Skye diz séria.

—Estou ocupado – ele diz olhando para os amigos idiotas dele, Skye conhecia todos eles, todos tão ridículos quando Justin podia ser quando estava bêbado. Skye se perguntava como pode se permitir amar e se entregar a alguém tão idiota quanto ele?

O amor é cego, e Skye estava cega esse tempo todo, mas aquela parecia ter sido a gota da água para tudo. Depois de tantas perdas Skye conseguiu ver tudo com mais clareza, e a mascara de Justin havia caído naquele momento.

—O que temos para conversar?

—Muita coisa Justin – diz Skye – Eu fui expulsa de casa.

—E o que eu tenho a ver com isso?

—Por que você tem uma parcela de culpa? – Justin ri pegando um cigarro com um amigo, não era um cigarro normal é claro, maconha... Skye odiava quando ele fumava na sua frente.

—Hm... O que foi agora? Seu velho me acha um delinquente? Um idiota?

—Eu não preciso do meu pai para tirar essas conclusões – diz ela brava – Você é tudo isso que ele acha.

—A princesa está brava? – ele pergunta se levantando e a olhando – Você estava namorando comigo há tanto tempo e não notou?

—Estou – corrigiu-o.

—Tá, você está namorando comigo – ele diz – Continua...

—Ele me expulsou de casa – ela diz – Estou deserdada, por causa de você, por causa de mim.

—Quer saber Skye – ele diz rindo – Esse papo tá bem chato, aquela gostosa estava sendo bem mais interessante.

A cada palavra que ele dizia era um tapa na cara de Skye, cada palavra a deixava mais desperta para tudo que deixou passar despercebido, todas as vezes que ele vinha para o bar com os amigos, com toda certeza ele a traia antes, e ela tola achava que estava sendo uma boa namorada.

—Estou grávida – ela diz de uma vez. Justin para, o cigarro na boca, ele a olha e diz.

—O que?

—Eu estou grávida Justin – ela diz novamente engolindo em seco.

Skye sentia-se sem tempo, cada vez mais sem direção.

—Esse filho não é meu...

—É claro que é – Skye diz – Não sou igual a você Justin, eu ao contrário de você, fui fiel.

—Eu não estou nem aí, esse filho não é meu – ele diz e se senta. Skye olha para ele pasma.

—Seja um homem Justin – Skye grita o pegando pela blusa, o fazendo levantar – Pare de ser esse idiota de sempre, eu vou ter um filho, uma criança, estou sem casa e esse filho também é seu.

—Essa coisa não é minha – ele grita e Skye sentiu todos do bar a olhando, mesmo que eles estivessem bêbados o suficiente para não se lembrarem disso amanhã, e os poucos sóbrios nem mesmo ligavam para a gritaria, Skye se sentiu invadida.

Skye toma uma atitude um tanto irracional e automática, sua mão acerta a cara de Justin antes mesmo dela se dar conta, Skye saiu antes dele dizer algo, estava despedaçada. Ela sente os passos dele logo atrás dos delas.

—Skye – ele grita e ela se vira – Isso não é verdade.

—Claro que é verdade – diz ela se aproximando – Eu não mentiria sobre isso.

—Eu não posso ter um filho – ele diz parecia ter acordado para vida – Você vai tirar isso – ele diz e Skye dá um passo para trás – Pronto, você vai tirar essa coisa da sua barriga, e vamos viver nossas vidas normalmente.

Aquilo foi bem pior, pior do que tudo que Skye ouviu naquele dia, pior do que ver ele com outra garota. Skye não podia negar que essa ideia passou pela sua cabeça, na hora do desespero tudo entra, mas tão rápido que a ideia chegou ela foi embora, no entanto Justin parecia certo de que essa era a solução, e ela sentia nojo. Aborto, ele estava querendo que ela abortasse essa criança, estava cansada de chorar, mas Skye sentiu as lágrimas novamente em seu rosto.

—Finge que eu não existo – Skye diz cansada jogando seus braços ao lado do seu corpo, ainda atordoada com o que ouviu, ele não queria voltar atrás, ele realmente achou que ela concordaria com isso, com aquela ideia absurda. – Finge que nunca namoramos. Você não é um homem Justin, nunca seria um pai digno para essa criança de qualquer forma – Skye diz tudo que pensava, despejando as coisas para o garoto que ela ama, mas que havia a machucado muito em poucos minutos – Sério, finge que eu não existo e que eu não estive aqui.

Ela fala e saí correndo até o seu carro, ela não sabia para onde ia, não sabia o que fazer. Então ela se lembra do apartamento de Maggie, ela sabia onde estava a chave reserva, Maggie a ajudaria, ela era a única.

Com o coração na mão, Skye dirige mais uma vez pelas ruas de Atlanta até o apartamento de Maggie, ela entra no apartamento dela, deixando suas coisas no carro, apenas trazendo sua bolsa. Ela estava despedaçada, perdida, sozinha.

Skye se encosta na parede, fechando os olhos, e quando menos percebe já chorava de novo, e toda a sua força se esvai com elas.

Ela se senta no chão, em um canto da sala, não importando com o chão gelado, e então ela chora, enquanto o silencio e a escuridão eram suas únicas companheiras no momento.

Notas finais
Esse capítulo só mostra mais como a Skye ficou grávida e a vinda de Rosie ao mundo, esse capítulo pode parecer superficial, mas bem para frente fará diferença por conta dos personagens citados, também mostra um pouco da relação de Maggie e Rosie. Lembrando que esses primeiros capítulos são introduções para mostrar a vida de Skye antes do fim do mundo, e fazer um paralelo com a vida dele depois do fim do mundo. Obrigada pelos comentários, estou aguardando vocês de novo, e leitores fantasmas apareçam, eu não tenho medo de vocês ♥