The Same Heart

4 Perdendo a sua essência.


Notas iniciais
Olá, tudo bem? Eu queria muito agradecer vocês pelos favoritos, acompanhamentos e comentários do capítulo passado. Eu sei que a história está apenas no inicio, mas já estou amando o feedback de vocês. Queria muito agradecer isso! E se puder divulgar ainda mais TSH seria ainda melhor! ♥ Esse capítulo terá várias datas, eu não vou me aprofundar demais no assunto do hospital já que irá se desenrolar com o andamento da história, no entanto, aqui nesse capítulos vocês irão perceber o que Skye teve que passar neste hospital, e também será uma dica para os futuros acontecimentos. Bem é isso! Capítulo de 4K prontissimo para vocês. E eu queria saber uma coisa, vocês preferem capítulos de 4K, 5K ou de 2K como eu estava postando anteriormente? Se vocês preferirem capítulos grande eu posso juntar eles e tudo mais, eu prefiro escrever capítulo maiores, mas vai de vocês. Boa leitura.

Skye Martinez 17 de agosto de 2011.

Meu corpo todo tremia, minha cabeça tentava formular diversas teorias, coisas para explicar o que eu acabará de ver, no entanto, nada me desprendia daquela cena. As pessoas estavam loucas, completamente piradas. Dawn havia me avisado do vírus antes mesmo dele ameaçar Atlanta, agora, tudo estava um caos.

O mês passou rápido, já estávamos na metade dele, no entanto, tudo foi marcado por esse terrível vírus. Primeiro começou com alguns casos, depois os hospitais estavam começando a ficar infestados, no fim, podíamos ver às vezes na rua alguns deles.

Eu estava em casa há mais ou menos cinco dias, quando a tecnologia acabou, luz, energia, água em escassez. Os recursos básicos estavam acabando. Tentava a todo custo me desprender da ideia de que ficaria para sempre naquele apartamento cercada.

Nem mesmo havia conseguido falar com Maggie direito, nossa última conversa foi um pedido meu para que ela ficasse em casa e depois me mandasse uma mensagem para onde era a fazenda. A mensagem nunca veio já que a internet havia acabado antes mesmo de Maggie ter a oportunidade.

Rosie estava quieta demais, havia visto, dois dias atrás, um menino sendo morto na rua. Ela era tão pequena e frágil, eu precisava protegê-la, mais do que a mim mesma. Rosie era a minha única sanidade naquele mundo incerto.

Sento-me no sofá, Rosie dormia calmamente, quando ouço o barulho da escada. Há um dia, o silencio que ficava no apartamento era assustador, dava para ouvir tudo do lado de fora, pude ouvir meus vizinhos saindo às pressas e também pude ouvir os pneus cantando quando eles foram embora, pude ouvir pessoas gritando, o barulho de coisas caindo. Tudo era assustador demais, o silencio deixava tudo mais assustador. Levanto-me pegando a faca que sempre levava comigo, tinha medo daquelas coisas acharem Rosie, então sempre tentava estar pronta.

Os passos vão se sessando, até que ouço um barulho na porta, batidas, vou até o olho mágico e vejo que era Dawn, suspiro aliviada.

—Dawn – digo sorrindo, ela sorri também e me abraça rapidamente.

—Precisamos ir – ela diz – Leve tudo, comida, roupas, fotos... Achei um lugar, um lugar que não se afetara com o bombardeamento de Atlanta.

—Atlanta será bombardeada? – pergunto pasma.

—Sim, em algumas horas, está tudo louco Skye – ela diz – Precisamos ser rápidas.

—Tudo bem – digo.

Acordo Rosie, e depois aviso delicadamente que estávamos indo. Ela pergunta de Maggie, o que faz meu coração doer, digo apenas que íamos ficar em segurança. Maggie estava com seu pai e estava bem, assim que tivesse uma brecha disso tudo sairia a sua procura.

Arrumo tudo, quatro bolsas foram necessárias, já que estava levando bastantes alimentos, e facas. Dawn vai à frente, e me senti tremula ao sair finalmente de meu apartamento, Rosie no meu lado, andava colada ao meu corpo, parecia um ratinho assustado e queria que ela não passasse por isso.

Mas era necessário.

Depois que chegamos ao carro, Dawn dá a partida e então, depois de quinze minutos, ela atravessa por uma ponte, posso ver ao longe muitas pessoas, no entanto, depois de focar mais o meu olhar, vejo que não eram pessoas e sim, aquele vírus.

Tinham tantos, sinto-me ainda mais com medo. Mas confiava em Dawn, sabia que ela faria de tudo para nos ver bem. Na frente do hospital, tinham vários corpos e tinham mais outros perambulando. Tudo foi bem rápido, uma porta foi aberta, e os policiais que tanto conhecia começaram a atirar, dando espaço para que eu, Dawn e Rosie pudéssemos entrar no hospital.

Nunca fui fã de hospitais, mas me sentia grata por estar ali naquele momento. Dawn me acompanha pelas alas, enquanto eu via que muita coisa havia sido destruída ali, marcas de tiros e outras coisas mais naqueles andares de baixo, sentia o cheiro da morte sem ao menos pensar.

Era um cheiro único.

Depois de subir vários lances, acabo por me instalar em um quarto. Rosie estava tão cansada que não se mexeu em meu colo, dali do alto do Grady, pude observar quando Atlanta fora bombardeada, junto com ela a esperança da cura, e a esperança que tudo isso fosse apenas um pesadelo.

Skye Martinez 24 de setembro de 2011.

Aqueles eram os nossos últimos segundos de paz, no entanto, naquele momento eu não percebera isso.

Agora eu percebo. Grady se tornou em um mês, um lugar de refugio, não posso dizer que as coisas ali eram ruins, pelo contrário. Rosie tinha outras crianças, eu havia conseguido um emprego como Policial ali, era respeitada por muitos. Os primeiros meses para ser mais sincera foram bons, ótimos.

No entanto, quando Hanson começou a surtar, e ouve sua morte, as coisas desandaram. Dawn assumiu o controle total do Grady, as coisas começaram a ficar piores. As pessoas eram salvas, mas tinha uma condição, tudo que pegassem elas teriam que trabalhar para pagar.

Era como se estivéssemos voltando ao feudalismo, onde o senhor feudal eram os policias, e eu fazia parte desses circulo vicioso e doentio. Depois de mais alguns meses, comecei a ouvir boatos que os policiais abusavam das mulheres recém-chegadas, no entanto, eu não conseguia acreditar que Dawn havia permitido uma atrocidade dessas, nunca acreditaria, afinal, Dawn era minha amiga e era mulher, sabia mais do que ninguém que isso era desumano, mas eu estava errada mais uma vez.

Skye Martinez 20 de dezembro de 2012.

Os meus lábios tremiam, minhas mãos e meu corpo também. Meu olhar vago acabava encontrando o do Oficial Miller, Dawn estava logo atrás com os braços cruzados, a expressão séria, no entanto, seus olhos transmitiam um desespero terrível. Olho para a pequena janela, vendo-me pelo reflexo, eu estava terrível, parte do rosto roxo, um corte na testa, cabelos bagunçados, a roupa de policial que agora eu sentia nojo de vestir rasgada, aos pedaços.

—Conte-nos – diz Dawn rude – O que aconteceu naquela sala?

Na hora o corpo de Hill ensanguentado me vem à mente, uma dor percorre todo o meu corpo, a vontade de chorar aparece e tudo que eu queria era não chorar, não queria acreditar que tudo ali fora real, que eu havia matado um homem.

—Skye olhe para mim – diz Dawn de forma rude – O que aconteceu naquela sala? Conte tudo.

Olho para ela e meu olhar se perde novamente.

—E-Eu – murmuro – Eu conto.

Digo, sentindo-me vazia.

Estava caminhando lentamente pelos corredores, o clima natalino preenchia a ala das crianças, estava tão feliz por Rosie poder ter natais bonitos, no Grady tudo era contado, o calendário ainda existia, junto com energia.

Mesmo que escassa, no natal eles acabavam por fazer todos se divertirem. Havia acabado de visitar Rosie, que como sempre estava sozinha pintando, ela vivia sozinha, não confiava muito nas pessoas, apenas conversava comigo e mais ninguém. Estava traumatizada pelo mundo, e eu a entendia, todo dia tentava me desligar de tudo.

Estava andando devagar quando ouço um barulho, uma mulher chorando. Aproximo-me da porta e então vejo Hill abrindo sua calça, a mulher no chão, tentando fazê-lo parar. Ver aquilo só me fez ver o quanto eu estava errada sobre todo o sistema do Grady. Abro a porta e tiro Hill de cima da mulher que saí correndo.

—O que pensa que está fazendo? – grita Hill.

—O que diabos você está fazendo? – pergunto. – Abusando de uma mulher, desde quando você virou um idiota?

—Ela só estava me pagando pela salvação.

—Pagando? Trabalho é o pagamento, não satisfazer os seus desejos sexuais – digo com nojo, sentindo-me quase fraca por ter confiado naquele homem todos esses anos.

—Skye se estiver com ciúmes é só falar, ok? – ele diz – Pare de teatro, eu sei que você já sabia sobre isso, acontece há meses.

—Meses? Como assim?

—Dawn não lhe contou? – ele pergunta, mas nem precisou de resposta. – É ela não te contou.

—Você me dá nojo– digo dando um tapa em sua cara.

Estava saindo da sala quando sou puxada com força, a velocidade do ato não me faz ter outra reação se não levantar minhas mãos que são presas com brutalidade na parede.

—Sempre quis te ter assim, Skye – ele diz sorrindo, seu rosto se aproximando de meu pescoço, tento sair de seu aperto, mas tudo que faço é em vão, ele segue até meus seios, e eu resmungo, mas não de prazer e sim de desgosto, no entanto, não sei se ele conseguiu distinguir, ele me solta e eu dou um chute em seu rosto.

Ele caiu e quando estava saindo puxa meu pé. Caio e bato meu rosto em uma cadeira me sentindo tonta, ele me vira e fica em cima de mim, me desferindo um tapa.

—Sua vadia – ele diz – Você tem sorte de eu te achar muito gostosa para te matar.

Ele estava alucinado, um brilho masoquista estava em seu olhar, ele rasga parte da minha blusa me deixando exposta, seu aperto estava forte em meu corpo e deixaria marcas, ele me beija de forma feroz e eu me sinto enojada. Com a calça já aberta, ele apenas tira seu membro.

Era ridículo o modo como ele já estava ereto, sendo que eu estava chorando para que ele me tirasse dali. Ele se masturba enquanto me olha e depois tenta botar o seu pênis em minha boca, em vão, já que eu negava. Ele me bate mais uma vez e acabo por ficar perder a consciência por alguns segundo, sentia tudo girar.

Tudo começou a ficar em câmera lenta, meu corpo estava em seu ritmo, ele estava dentro de mim, tudo rasgava. Uma dor que jamais senti, meu corpo estava rígido, minha cabeça doendo, sua mão suja estava pelo meu corpo, meu seio, meu cabelo, meus lábios. Tudo para mim era escuridão naquele momento aterrorizante, eu estava sendo abusada.

Depois tudo para, ele parecia satisfeito com o trabalho, recolho os trapos de minha roupa, chorando em silêncio, agachada, frágil, vejo-o sorrindo com o meu estado deplorável, ele arruma a sua calça, só naquela hora percebo que ele não estava vestido como policial. E lembro que hoje teríamos uma festa, uma festa que agora não faria sentido.

—Escuta belezinha, quero mais de você – ele diz sorrindo – Mas volto depois, hoje à noite, te espero nesta sala e desta vez, quero te ouvir gritar – ele diz completamente louco – E mais uma coisa, não conte para Dawn, se você contar, farei o que fiz com você em sua filhinha – ele diz – Rosie é tão bonita quanto a mãe.

O que ele diz me faz enlouquecer, algo sobe pelo meu corpo, um misto de raiva e nojo. Algo que nem sequer controlei, ele me da às costas e na hora me levanto, vendo a minha faca na mesa, vou até ele e acerto suas costas com a faca que pego, ele caí no chão e começo a acertá-lo repetidas vezes, tantas que nem sequer consegui contar, apenas sentia o seu sangue expirando para todos os lados, em minha roupa, meu rosto, tudo estava vermelho.

Minha raiva se esvaiu, e então vejo o abdômen de Hill aberto com o tanto de facadas que lhe dei os olhos vidrados, abertos, o peito não subia mais e sua vida não estava mais ali, deixo a faca cair.

Eu havia matado um homem.

Olho para Dawn que tinha as lágrimas saindo pelos seus olhos, enquanto os meus estavam secos, sem remorso, tudo que eu sentia era uma peso enorme em minhas costas, o peso de uma morte, de uma vida que foi embora.

Mesmo ele sendo ridículo, tendo feito aquilo comigo, sua morte pesava mais do que qualquer coisa que já fizera na vida em minhas costas.

—Não sei o que devemos fazer – diz Dawn – Mas o mais fácil é te tirar dos policiais, a partir de amanhã, tudo que você pegar terá que ser pago com trabalho – ela diz dura, Miller parecia satisfeito, ele nunca havia gostado de mim no grupo. – Você só poderá ir embora quando tudo estiver pago, e quanto à morte de Hill, iremos encobrir, para que isso não vire um caos, mas se você infringir alguma regra iremos te expulsar daqui – ela diz – Sem Rosie.

Ela diz, e nunca pensei que teria tanta vontade de matar alguém, quanto eu tinha em enfiar aquela faca em Dawn.

(...)

O natal foi bom, no entanto, eu me sentia vazia.

Ninguém desconfiou de ninguém, e Dawn usou a desculpa que eu tentei fugir para todos, por isso havia perdido meu cargo de policial. Agora eu usava as roupas que todos os outros “pacientes” usavam, trabalhava na lavanderia e na limpeza do local, sozinha.

Termino de botar a última maquinada e me pergunto quando que vou finalmente sair daquele lugar, olho pela janela.

Ver aquelas coisas me deixava acordada, muitas pessoas ali dentro viviam suas vidas medíocres, como se o apocalipse não acontecesse lá fora, como se morar em um hospital era o novo mundo delas. Mas para mim não era, Rosie merecia muito mais do que um quarto e uma sala de recreação com quatro amigos, ela merecia viver.

No entanto, eu ainda estava em duvida se viver lá fora era melhor do que ali dentro.

São dois infernos diferentes. A única diferença é que no hospital eu estava acostumada, mas lá fora seria diferente. Às vezes eu ouvia as histórias das pessoas ali dentro. O quanto você tem que correr se esconder, matar.

Foram tantas histórias. Suny, Mike, Chloe, e outras mais. Todas elas me faziam pensar se lá fora era melhor ou não. Com Rosie apenas com sete anos era difícil, no entanto, não deixava de pensar na possibilidade de fugir quando ela estivesse maior. Talvez eu pudesse pegar algum carro, ir à busca de Maggie, mesmo que no fundo eu ache que ela está morta ou muito longe de meu alcance, ainda tinha esperança.

Eu podia ir até a minha casa, não o meu apartamento, e sim a casa dos meus pais. Ainda tinha um esconderijo onde meu pai deixava suas armas, eu estava pelo menos por um ano com armas boas.

Eu sabia que lá fora tudo era incerto, no entanto, morar no hospital era tão incerto quando a outra opção, e ainda mais desesperador. Eu estava sozinha ali, cuidando de Rosie o melhor que eu posso, deixando-a ter uma infância boa, ou no melhor jeito que consigo.

Respiro fundo, e então pego o carinho de limpeza.

Skye Martinez 10 de outubro de 2014.

—Alice suspirou – leio – Em um tom mais baixo, diz: “Chapeleiro, você me acha louca?” – faço a voz da Alice enquanto Rosie sorria, ela pega o livro e então lê.

—O Chapeleiro sorri – ela lê, gaguejando um pouco quando fala os dois “r”. – E então diz: “Louca louquinha, mas vou te contar um segredo: as melhores pessoas são assim.”.

Ela lê, continuamos com a leitura enquanto ela ficava cada vez mais animada com a história, tínhamos poucos livros, e no mínimo já li esse com a Rosie três vezes. Rosie estava muito maior, depois de dois anos daquele fatídico natal, tudo parecia se normalizar, claro que eu simplesmente ignorava as atrocidades feitas ali dentro, sempre tentando ajudar as pessoas ao máximo.

Já que Rosie não pagava pela sua comida, às vezes pegava mais para ela e destruía para algumas pessoas que já não comiam quase nada por medo, dava aula para as crianças e cuidava delas às vezes, tentava me esquecer daquele ano cheio de tormentas que me assombra até hoje.

—Vamos voltar a ler depois, tenho que ajudar Noah com a roupa. – digo e Rosie assente.

—Tudo bem – ela diz.

—Eu te amo – digo a ela beijando sua testa.

—Também te amo, mamãe – ela diz e então saio do quarto, indo até o quarto ao lado e vejo Malia e Clara. Mãe e filha que estão no Grady desde o inicio, como eu.

—Malia – digo – Tem como você olhar Rosie para mim hoje?

—Claro Skye – ela diz sorrindo – Clara adora a companhia de Rosie.

—Muito obrigada – digo e então sigo pelos corredores brancos, sinto-me pequena todas as vezes que caminho por eles.

Há muito tempo perdi a minha essência. Às vezes me pergunto se a antiga Skye ainda está dentro de mim, à corajosa e destemida garota que resolveu ser mãe solteira, ameaçou prender seu pai e desistiu de tudo para dar a vida há uma criança. Eu ainda queria me ter, se perder é pior do que a morte. Perder a si mesma é como não existir mais, e me pergunto se ainda existo, ou se só estou ali por conta de Rosie.

Passou por mais um corredor, quando vejo Dr. Steven, ele me chama com a cabeça e eu vou até ele. Dr. Steven era um homem bom, comparado a todos os outros ali dentro, no entanto, mesmo se eu quisesse não confiava em ninguém naquele hospital.

Apenas em Noah, e só.

—Diga – falo.

—Quero que cuide de uma paciente hoje – ele diz e eu olho para dentro da sala. –Ela bateu a cabeça muito forte, está um pouco fraca, talvez com anemia, e tem aquela coisa de pagamento... Se você estiver com ela ninguém se meterá – ele diz e eu assinto. Mesmo que eu e Dawn tenhamos deixado de ser amigas, eu era a sua protegida, ninguém chegava perto de mim, não mais.

—Tudo bem – digo – Vou preparar algo para ela, limpá-la, mas antes tenho de avisar Noah.

—Tudo bem – ele diz – Obrigado.

Deixo Dr. Steven sozinho e me dirijo à lavanderia. Noah cantava um rap, o que me fez rir antes mesmo de vê-lo.

—E a plateia delira com o rapper Noah – digo sorrindo e ele solta uma risada. Noah estava sendo uma boa companhia para mim, um adolescente que tem muita história para contar, tinha esperanças por ele, e acabei por adquirir um instinto maternal quanto a ele.

—Tudo bem com você? E Rosie?

—Ela está bem – digo sorrindo – Hoje não irei te fazer companhia. Dr. Steven me pediu para cuidar de uma paciente.

—Tudo bem, não tem muita coisa – diz Noah.

Assinto e então deixo a sala. Vou até o quarto da garota, me surpreendo com ela, uma menina ainda. Cabelos loiros medianos, rosto angelical, com traços finos, estava machucada, com um forte corte na bochecha, mesmo assim ela parecia um anjo.

Fico me perguntando qual é a sua história, e ansiosa para ouvi-la. Limpo-a, e arrumo o quarto, ela continua dormindo, boto soro nela e um remédio para que ela descanse mais e então me sento, apenas observando Atlanta destruída, lembrando quando tudo era bonito, e não destruído.

(...)

Termino de arrumar os armários enquanto Rosie estava em meus pés, Noah estava ajudando Dawn, então o trabalho ficou para mim, não que eu me importe, gostava de ficar ocupada, me fazia não ver os horrores daquele lugar. Minha sorte é que eu tinha muita ajuda ali dentro.

Começo a cantarolar uma música enquanto Rosie me ajudava com a roupa. Uma espécie de momento mãe e filha que era raro acontecerem fora de nosso quarto, não gostava de ver Rosie andando naqueles corredores cheios de coisas pobres e nojentas em baixo do tapete, mas ela quis me fazer companhia e não podia negar esse pedido há ela.

—Mamãe – diz Rosie.

—Sim – murmuro.

—Eu tive um sonho ontem – ela diz triste, olho para ela vendo sua expressão melancólica, me agacho e fico em sua altura, passo a mão em seus cabelos e digo.

—De novo com os errantes? – pergunto, depois de um quase ataque que tivemos há dois anos, Rosie sonhava com aquelas coisas.

—Não – ela diz – Foi um sonho, não pesadelo... – ela parecia distante, então logo a abraço, não gostava de tê-la tão distante de mim, me doía saber que na maioria das vezes ela escondia seus sonhos de mim, quem me contava era Malia.

—Pode contar – digo quando ela me olha vejo que não queria chorar.

E novamente me vejo nela, completamente nela. Éramos a mesma pessoa praticamente, Rosie herdara tudo de mim, incluindo a teimosia.

—Eu sonhei com Maggie – ela diz e acaba não conseguindo segurar as lágrimas.

Ela tinha apenas nove anos e já tentava segurar suas emoções como uma garota bem mais velha de sua idade, não conseguia lembrar quando ela se tornou tão forte, mas isso me preocupava.

—O que você sonhou? Foi ruim?

—Foi bom – ela diz sorrindo – Ela estava me ensinando a andar de cavalo – Rosie diz e eu acabo por deixar escapar um soluço, Rosie me vendo chorar acaba chorando também.

A promessa de Maggie, já havia a esquecido, menos Rosie, ela ainda mantinha viva essa lembrança. Na maioria das vezes eu não gostava de pensar em Maggie e no quanto fui estúpida em não aceitar que ela fosse me buscar, o quanto fui cega com tudo que me acontecia. Maggie era tudo para mim, e agora não passava de uma triste lembrança.

—Ela morreu não é mamãe – ela diz e eu abaixo o olhar, não podia negar muito menos dizer que sim.

—Não sei filha – digo sincera.

—Será que ela procurou por nós?

—É a Maggie – digo – Ela nunca nos deixaria.

—Por que a deixamos? – ela pergunta e eu me sinto terrível.

—Não tivemos escolha – digo – Eu não tive... Desculpa-me.

—Tudo bem mamãe – diz Rosie desta vez me abraçando. – Maggie é forte, ela que me ensinou a ser forte como à senhora.

—Um dia nós vamos embora daqui, meu amor – digo sorrindo – Um dia vou te dar uma vida melhor.

—Você já faz isso mamãe – ela diz sorrindo e eu fico com ela abraçada por um tempo.

Terminamos de arrumar as coisas e eu logo levava Rosie no colo para o refeitório, já haviam se passado uma semana desde a chegada daquela menina loira, não havia conversado com ela ainda por conta da falta de tempo, mas assim que pudesse conversaria com ela.

Sirvo Rosie, e depois pego o mínimo e coisas que posso para mim. Sento-me e como, na maioria das vezes, eu alimentava Rosie bem, não abusava, mas como ela era pequena, não pegava tanta comida assim.

Já eu, sempre pegava pouca coisa, minha divida só aumentava, mas eu tentava não fazê-la ficar muito grande. Depois de Rosie alimentada, dou um banho nela e a deixo com Malia, depois pego uma roupa limpa e vou até o chuveiro, o banho é de dois minutos, água fria, mas eu nunca desperdiçava. Era um banho a cada três dias, uma regra já que a água tinha que ser aproveitada ao máximo.

Termino meu banho e me troco, deixo a roupa suja na lavandeira, olho ao redor. Vendo que não tem ninguém decido por subir até terraço, ali eu podia pensar ficar um pouco sozinha e olhar a cidade que tanto amava em ruinas, do hospital eu podia ver o inicio da minha antiga rua, mas não a minha casa. Às vezes tenho medo que ela tenha sido destruída, queria que meu pai estivesse bem, mas era muita esperança ele ter sobrevivido.

Ainda tinha as minhas duvidas com Maggie, mesmo que eu não admita, ainda queria ter esperança, e fingir tê-la me motivava a ficar viva.

Respiro fundo ao olhar para todos os lados, o sol estava se pondo, um céu limpo graças à falta de gases poluentes que antes mudavam totalmente o por do sol. Estava relaxada quando escuto um barulho, pego um pedaço de pau no chão e me viro, vendo que era a menina nova.

—Desculpa se a assustei. – ela diz rápida.

—Estava me seguindo?

—Esse hospital não é muito acolhedor – ela diz e noto que ela estava mais machucada. Com outro corte, fico com medo de alguém ter abusado dela, ela não merece isso, mesmo não a conhecendo, sei que nenhuma mulher merece passar por isso.

—Eu entendo – digo abaixando o pedaço de madeira e me sentando, ela aceita meu convite silencioso e se senta ao meu lado.

—Aqui é lindo. Mesmo Atlanta aos pedaços – ela diz.

—Atlanta sempre foi bonita – digo.

—Está aqui desde o inicio de tudo?

—Infelizmente sim – digo e suspiro. – Nasci e cresci nessa cidade.

—Viu tudo acontecer?

—Sim – digo – Passo a passo, já estava aqui no Grady quando tudo foi bombardeado.

—Isso é uma pena – ela diz.

—Meu nome é Skye – digo sorrindo para ela, e ela para o que fazia.

Seu olhar fica perdido, ela me encara, os olhos arregalados, a respiração descompassada, eu não sabia o que disse de errado, mas ela parecia surpresa, assustada.

—Skye Martinez? – ela pergunta com certa melancolia na voz.

—C-Como você sabe? – pergunto.

—Me chamo Beth – ela diz – Beth Greene.

Notas finais
Então, o que acharam? Espero que tenham gostado de coração. Resolvi não mostrar muito do Grady porque pela série já dava para perceber que o lugar era literalmente um inferno, só trouxe o motivo pelo qual Skye continuava ali, sem opção nenhuma já que Rosie é muito nova. No próximo capitulo já teremos a aparição de Daryl Dixon e o resto do grupo ♥ Estou bastante ansiosa. De qualquer forma, comentem o que acharam do capítulo, quero muito saber a opinião de vocês sobre a minha narrativa e os acontecimentos, estou deixando algo passar? Beijos da Vênus e até o próximo capítulo.