The Same Heart

8 Eu queria dizer que sinto muito... Mas não sinto.


Notas iniciais
OLÁ LINDAS E LINDOS DESSE MUNDO, TUDO BEM? Eu sei que eu demorei, mil desculpas pela demora, mas acontece que eu reescrevi esse capítulo pelo menos quatro vezes, eu queria descrever bem esse sentimento da Skye e também queria fazer um capítulo grandão para vocês, e acho que ele tá grande (quase 7.000 palavras). E bem, desculpem mesmo, vou tentar postar com frequência. Muito obrigada pelos favoritos e os comentários maravilhosos ♥ Bem, é isso, boa leitura.

Skye Martinez

O tempo parecia estar devagar. Como se tudo tivesse sido posto em câmera lenta. O homem em cima de mim ria de minhas tentativas de me soltar, ele nem sequer havia me acorrentado, me julgando fraca demais. Mas eu estava cansada de julgamento, eu estava cansada de pensar, estava cansada de achar que eu merecia qualquer dor, eu não sofreria disso novamente, eu não queria isso.

Eu precisava sair dali e se fosse preciso matar... Eu mataria.

Eu precisava ser capaz disso e mesmo que eu não esteja preparada, isso era um teste. Um teste do novo mundo, ou você mata ou morre. É uma via de mão dupla. Depois de o homem bater em meu rosto novamente, ele se levanta. Rindo com seu amigo.

Desta vez consigo ver Daryl com clareza, ele estava preso a um poste de madeira que sustentava o teto, tentando se soltar a qualquer custo. Seu olhar para em mim e ele parecia pedir desculpas por algo que ele não tinha culpa, e eu passei há admirar um pouco ele.

—Está gostando da vista camarada? – um dos homens pergunta rindo. Fazendo Daryl resmungar mais. – O que está dizendo? – ele pergunta rindo.

E foi quando eles deram o primeiro chute em Daryl que eu realmente me senti fervendo. Fervendo de raiva, de ódio. Um sentimento escuro. Eu queria matar os dois, eu realmente queria, e precisava. Os socos e chutes em Daryl continuaram.

Olhei para os lados vendo meu cinto, começo a me aproximar devagar enquanto eles estavam entretidos demais, botando a faca atrás de mim, em minha calça, não me importando com o incomodo. Quando eles se cansaram de Daryl, eu sabia o que eles fariam.

—Olhe sem poder fazer nada, panaca – diz um dos caras.

Um dos homens vai até a menina a puxando pelo cabelo até o outro lado da sala, enquanto o outro se aproxima de mim, me fazendo recuar. Eu estava com medo, não podia negar, e se eu não conseguisse?

Olho para Daryl e ele tentava se soltar desesperadamente, mas eu não podia esperar nada dele, não naquele momento. Era aquilo que Beth disse para mim.

“Quando você se vê em uma situação em que você sabe que não tem ninguém, naquele momento você vai ser posto em prova, naquele momento você vai saber se pode sobreviver a tudo isso.”

E era aquele momento.

Sinto o aperto do homem em minhas coxas e ele me puxa, fazendo a faca me machucar. Mordo os meus lábios com força para não gritar. Ele começa a me apertar e sinto a dor de sua falta de delicadeza. Ele aperta os meus pulsos e me beija, sinto nojo, como senti com Lucas Hill, mas desta vez eu ia agir. Assim que o homem tira a língua de minha boca, viro para o lado e cuspo, mostrando o nojo que sentia dele... Mas ele apenas começou a rir.

E naquele momento, eu percebi que sim, a humanidade sempre esteve perdida. E que neste novo mundo, eram poucos os sobreviventes como Rick ou Daryl, pois hoje em dia e como antigamente... Apenas os mentirosos e que jogam sujo a custa dos outros sobrevivem, e infelizmente, nesse novo mundo é a maioria.

Eu sabia que eu ficaria totalmente roxa, ele me apertava e me batia e minha raiva ficava cada vez maior. Eu já não hesitaria não neste momento.

Ele começa a abrir a minha calça, mas tento o chutar enquanto pego a faca com a mão esquerda. Com a mão direita tento pegar o seu rosto, fazendo sua atenção ir para outro lugar, quando sinto a faca em minha mão a escondo do meu lado.

—Me solta – murmuro.

Ele se aproxima com rosto e sorri, enquanto isso passo a minha mão esquerda para cima da minha barriga, segurando a faca com firmeza enquanto ele segura meu pescoço.

—Adoro quando pedem para parar – ele diz.

Ele aperta meu pescoço e sinto o ar começar a faltar. No desespero com a mão direita tento afastar seu rosto o arranhando, ele solta meu pescoço, e em um pequeno instante de distração dele o acerto na barriga. O empurrando para o lado, fico em cima dele tampando sua boca e cravando a faca ainda mais funda em sua barriga. Ele morde a minha mão, mas não paro, eu não podia parar.

Cenas de Hill apareceram em minha mente enquanto eu via o homem perder a consciência. Tiro a faca e a acerto de novo enquanto sentia a bile voltar aos meus lábios, o homem ficou com o olhar vidrado depois de acertá-lo mais uma vez, tiro minha mão de sua boca, a vendo cheio de sangue, me levanto e vou até meu cinto rapidamente pegando a arma.

Ele estava quase abusando da menina, a calça dela já estava no joelho e ele estava passando a mão pelo corpo dela. E meu ódio aumenta, não sabia como podia estar sentindo tanto ódio de alguém, mas eu estava. Ela chorava, mas não se movia, era como estar abrindo uma nova ferida enquanto olhava para ela. E naquele momento percebo o quanto estava errada, o quanto sempre me julguei por algo que eu não tinha culpa. Eu era a vitima, aquela menina que eu nem mesmo conhecia era a vitima. E aqueles homens mereciam sim ser mortos.

—Solte-a – grito.

O homem se vira e me olha, depois de abotoar a calça ele se levantando, mas eu me aproximo.

—Nem mais um passo ou eu atiro.

—O que você fez com meu amigo, sua vaca? – ele pergunta quando olha seu amigo cheio de sangue.

—Eu o matei como vou fazer com você – digo firme.

—Olha docinho, abaixe essa arma – ele diz – Eu sei que não vai atirar.

—Não se aproxime – digo e destravo a arma, vejo-o engolindo em seco. E ele se afasta, solto uma risada negando. – Você realmente acha que essa é a primeira vez que eu atiro em alguém? – pergunto alto.

Aquela era uma mentira, mas quando se convive com policiais por cinco anos, você aprende o quanto o blefe é necessário.

—Você acha? – desta vez eu grito.

Ele recua novamente, com medo. Eu deveria deixa-lo ir?

—Você não vai atirar – ele diz rindo e pega a garota, botando a faca em seu pescoço, no entanto eu ainda tinha uma visão completa do seu busto e de seu rosto, eu só precisava atirar, mesmo que minha mão tremesse visivelmente – Eu sei que não vai – ele fala sorrindo.

Acabo por fraquejar por um momento, eu conseguiria? Eu seria forte o suficiente? Meus olhos se enchem de lágrimas, a indecisão, o medo. Mas como sempre, um instante pode mudar tudo.

Em apenas um segundo eu o vi apertar a garota contra si e mover a faca por sua garganta, o sangue enchendo o busto da menina à medida que ele cortava a garganta dela, apenas um segundo havia se passado entre a minha ação e a dele e tinha dois corpos no chão. Eu vi a bala ir em direção à cabeça dele, de modo certeiro sem segundas chances, sem misericórdia.

Corro até a menina, tento lembrar-me de qualquer coisa que aprendi no Grady, tento limpar o sangue, mas já era tarde demais, a menina tentava falar algo enquanto me apertava, mas não conseguia. O sangue começou a tomar conta de sua boca e eu comecei a chorar, com o tempo o aperto dela se tornou fraco e ela foi perdendo a consciência junto com o brilho em seus olhos.

Seu olhar ficou vidrado no meu quando seu coração parou.

Eu não conseguia me mover, não conseguia acreditar. Eu nem mesmo sabia o nome dela, nem mesmo sabia quem ela era, mas a dor da perda dela me atingiu muito forte. Eu podia ter a salvado, era só não ter excitado, se eu não tivesse pensado ela estaria viva naquele momento.

Eu tremia e meus soluços eram altos enquanto via a menina ali, morta, tão jovem. Olho para a minha mão ensanguentada e a arma recém usada e me sinto péssima.

Respiro fundo e finalmente olho para Daryl, corro até ele, o soltando e tudo que sinto é o seu corpo no meu, o seu calor e então eu choro. Choro como uma criança se agarrando ao seu ursinho. Daryl não disse nada e nem mesmo precisou, eu só queria o seu abraço. Eu não sabia como, mas Daryl conseguia me tranquilizar de um modo como ninguém nunca conseguiu.

Foi assim desde o inicio, quando ele apenas disse “sinto muito” pela morte de Noah, quando ele ajudou Rosie, quando ele andava ao meu lado mesmo eu não pedindo a sua proteção. Eu me sentia livre do lado dele, como se ele fosse à pessoa que sempre procurei em toda a minha vida. Ele com um abraço conseguiu me livrar de toda dor que segurei por anos, as lágrimas eram muito maiores do que essas duas mortes que eu causei, eram maiores até do que eu mesma

Ficamos alguns minutos apenas ouvindo meus soluços e as nossas respirações.

Ele me afasta um pouco segurando meu rosto, algo naquele momento parecia me aproximar ainda mais dele e dessa atração que eu estava começando a sentir. Senti-lo tão perto fez por um segundo tudo desaparecer, por um segundo tudo que eu senti foi alivio. Alivio por ter conseguido, alivio por estar com ele naquele momento, por poder voltar para Rosie, por ter feito a escolha certa. Encaro seus olhos, azuis e profundos.

—Eu estou bem.

—Me desculpa – ele diz e eu nego.

—Não precisa disso Daryl, não dava.

—Eu tinha que ter prestado atenção, eu...

—Não foi sua culpa – digo olhando para ele.

—Se algo tivesse acontecido... – ele murmura – O que você está fazendo comigo, Skye?

—Eu não posso responder isso – murmuro também – Mas eu me sinto da mesma forma.

Digo encostando minha testa em seu queixo. Ele se afasta e passa o seu colete em meus ombros e só naquele momento percebo que estou apenas de sutiã.

—Você está bem? Está machucado? – pergunto vendo sua cara com algumas marcas.

—Eu estou bem – ele murmura, e eu assinto.

Tudo que eu queria era ir embora daquele lugar, daquela cabana. Eu queria continuar com a confiança que me levou a fazer aquilo, eu não queria pensar, apenas ir encontrar a minha filha, vê-la bem.

Vou até as minhas coisas e boto a minha blusa, a sujando de sangue como meu corpo todo estava.

—Precisamos enterrá-la – murmuro – Eu não vou deixa-la ali.

—Precisamos ir – diz Daryl segurando a minha mão e eu nego.

—Eu hesitei, ela estaria viva se eu não tivesse parado para pensar – murmuro – Não vou deixa-la.

Murmuro indo até ela, pego a minha faca e boto-a na têmpora dela, e então cravo a faca em seu crânio, para acabar com o seu possível sofrimento. Vou até as coisas dela e acabo por achar um documento.

—Jasmine Swan – murmuro limpando as minhas lágrimas.

—Vou fazer a cova – Daryl murmura e eu assinto.

Olho as coisas dela achando várias fotos e um colar. Boto em seu pescoço, e pego as fotos junto com o documento dela. Daryl logo volta para dentro da cabana e me ajuda. Nós a enterramos. E eu botei seus pertences junto com ela.

—Desculpa – murmuro quando terminamos de enterrá-la.

Daryl me abraça de lado e murmura.

—Não foi sua culpa.

—Foi sim – digo – Eu hesitei...

—Tudo que você fez... Isso é muita coisa para você. Mas temos que nos conformar que algumas pessoas não podem ser salvas.

Fico encarando seus olhos azuis e assinto.

—Vamos embora – falo.

—Você fez o certo – ele diz antes de entrar na cabana, ele saí momentos depois com as nossas mochilas e mais algumas armas que estavam dentro da cabana. Boto meu cinto e boto nele minhas facas e a nova arma que havia conseguido.

—Toma – Daryl diz com um arco e várias flechas e acabei por sorrir – Acho que a baixinha vai gostar.

—Ela vai amar Daryl – digo sorrindo – Obrigada. – digo botando o arco e as flechas na bolsa.

Depois jogo a bolsa em minhas costas e seguimos em silêncio pela rua. Já era noite e eu não sabia quando tempo havia se passado desde o sequestro. E eu não sabia onde Rosie estava e isso me deixava apreensiva demais.

Chegamos ao ponto de encontro e não vimos ninguém, por um momento me senti desesperada. Meu corpo todo se arrepiou na possibilidade de nunca mais ver Rosie. Várias coisas surgiram em minha mente.

—Fique calma, vamos acha-los – Daryl diz com a mão em meu ombro, assinto e respiro fundo.

Fizemos uma limpa por todas as casas no perímetro, mas não havia ninguém.

—Meu deus – murmuro com a mão na cabeça me sentando na escada de uma das casas. – Precisamos seguir pelas ruas, ver se eles não foram para algumas delas.

—Skye se acalma – murmura Daryl – Está tarde, não podemos fazer as coisas com a cabeça cheia, vamos ir para alguma casa e de manhã, se eles não aparecerem nós seguimos por uma dessas ruas.

Fico olhando para ele, e estava prestes a desmoronar, mas então começa a respirar novamente e pensar com clareza.

—Tudo bem – digo respirando fundo e tentando me acalmar.

No entanto apenas a possibilidade de nunca mais ver Rosie já me assustava.

Escolhemos a casa na esquina das três ruas, ela era mediana e tinha uma cor alaranjada desbotada. Fizemos a limpa nela e apenas encontramos dois errantes dentro de um quarto. Parecia ser um casal que acabou por se matar. As janelas estavam com madeira, no entanto a porta da frente já havia sido arrombada antes.

Não havia comida muito menos água, então comemos o que havíamos achado na nossa busca, o que não era muita coisa. Havíamos perdido muito nas nossas fugas.

Enquanto comia ficava – sem querer – pensando nos últimos fatos, no quanto me senti orgulhosa ao conseguir limpar a pele de Daryl, e no momento seguinte em como me senti desesperada ao ter aquele homem imundo em cima de mim, como se aquelas antigas cicatrizes fossem substituídas por novas, abertas e sangrentas.

No entanto algo havia mudado entre a antiga Skye e essa nova, essa nova eu que estava começando a fazer sentindo em minha cabeça.

Eu não tive culpa.

Talvez para algumas pessoas isso sempre ficasse claro em sua mente, mas eu cresci em uma família rigorosa, onde o machismo predominava de forma ruim e abundante. Por um momento, naquele hospital imundo e desumano, eu me vi pondo a culpa toda em mim. Lembrava-me das frases de meu pai, da forma como ele e seus amigos falavam de mulheres que queria se mostrar poderosas, de como éramos o sexo frágil. E eu acreditei, acreditei em uma mentira.

No entanto, hoje consegui abrir meus olhos para a realidade. E eu era a vítima disso tudo, mas nem sempre precisava ser. Hoje eu aprendi que nesse novo mundo é matar ou morrer. Não importa o que você tenta que fazer para continuar com vida. Não importa o que tenha que fazer para voltar para quem você ama.

Eu me sentia culpada por Jasmine e nunca me esqueceria de seu nome e de seu rosto pálido e sem vida. Mas eu não me importaria com os outros dois homens que deixei apodrecer no galpão velho, aqueles homens mereciam, e agora eu entendia como ninguém.

Eu podia sim viver nesse mundo, mesmo que me consumisse por completo, se no fim eu voltasse para Rosie, eu estaria bem.

Termino o meu enlatado e fico olhando para as pequenas chamas que fizemos na lareira, sinto vontade de me levantar e procurar por Rosie, mas sabia que teria que usar a cabeça, ela estava com Beth e Maggie, estava em boas mãos e sabia que Rick não deixaria nada acontecer com ela.

—Você não deveria se culpar – ouço a voz rouca de Daryl, nem mesmo havia percebido a presença dele ali, estava tão envolta pelos meus pensamentos que não o notei sentado no chão a minha frente.

—É difícil.

—Você se saiu bem lá fora – ele diz lambendo seus dedos já que ele quis comer um coelho que ele caçou.

—Achou que eu não fosse capaz? – pergunto e logo depois me arrependo, aquela fala era ridícula.

—Não é isso – ele diz sério – Talvez você julgue a si mesma demais.

—Depois de tudo que sofri no Grady, parte da minha confiança se foi junto – digo – Não acho que gostariam de ter por perto uma pessoa como eu... Toda cheia de cicatrizes e obstáculos.

—Não – ele diz – Skye, não importa o que aconteceu antes ou enquanto estava no Grady, o que importa é que você é boa. Assim que você chegou e disse a Rick sobre a comida para Judith ele percebeu... Eu percebi. Você podia não estar pronta para o apocalipse, mas estava pronta para fazer parte da família.

Olho para Daryl sem acreditar em suas palavras. Aquilo com toda certeza era o mais perto de uma conversa que tivemos desde o inicio de tudo para mim, e eu estava feliz com o que ele havia dito. Assinto suspirando.

—Obrigada – murmuro e ele da de ombros.

Fico encarando o fogo e depois passo o olhar para Daryl, ele ficava olhando para a sua crossbow, e eu o olhava. Tinha algo em Daryl, algo que era difícil decifrar, tudo que eu sabia era que ele era tão profundo quanto eu. Havia sofrido, tinha cicatrizes até mais profunda que as minhas, e eu achei isso tão lindo nele.

O modo como ele era impenetrável. Eu sempre gostei de problemas, era meio obvio observando o quanto a minha vida era cercada deles, mas Daryl, ele era irresistível.

Seus olhos, sua boca, tudo nele. E mesmo com seu rosto machucado eu ainda me sentia perdida nele. Seus olhos estavam com um corte, enquanto o seu queixo estava roxo com os socos que levou. Seu lábio inferior estava cortado, sem contar que ele não havia me mostrado o que acontecerá com o seu abdômen com os chutes e socos que levou.

Desvio o olhar assim que percebo que ele me olhava às vezes, abraço as minhas pernas.

Mas mesmo assim sinto o olhar pesado e o calor que Daryl me proporcionava apenas com o olhar, eu me sentia desprotegida por vários motivos. O azul de seus olhos tinha muito mais do apenas a cor, havia dor dentro deles, triste, algo que só o tempo pode fazer com a pessoa, mudar o seu olhar. E isso eu compartilhava com ele. Eu nunca fui à mesma depois do Grady e sei que nunca serei não importa os anos. Aquele hospital me fez confiar ainda menos nos homens, no entanto, no grupo de Rick eu me sentia bem novamente, mesmo que eu não fosse à mesma.

Mas parecia que a dor de Daryl vinha antes dos errantes e por ironia do destino eu também partilhava certa dor.

Ele era meu reverso, no fim. Aperto-me mais a mim mesma por conta do frio. Passaram-se alguns minutos e percebo quando Daryl se levanta e depois se senta ao meu lado no sofá me entregando o meu moletom, o tempo estava começando a esfriar e até mesmo o fogo não era suficiente, principalmente porque deixamos as bradas bem pequenas para não atrair ninguém, tanto vivo ou morto. Aceito o casaco com um sorriso e depois olho para ele.

—E você?

—Estou bem.

—Está frio, talvez tenha um cobertor – digo e me levanto já caminhando, mas ele me para e quando volto a olhar para trás dou de cara com o sua camiseta suja, começa a subir o olhar até que meus olhos verdes se encontram com o mar infinito de Daryl.

Sinto-me encurralada por tê-lo tão perto. Daryl tinha uma beleza exótica, um charme só dele. E eu nem sentia inteira novamente apenas por tê-lo ali, na minha frente. Nem mesmo Justin que eu jurava para Maggie que amava me proporcionou isso apenas com um toque, ele me tocava com dois dedos, e eles já me proporcionavam calafrios.

Eu estava presa e a cada segundo sentia tudo ao meu redor diminuir. Daryl parecia tão hipnotizado quanto eu. Aproximo-me involuntariamente e sinto os seus dedos deixarem a minha mão percorrendo o meu braço e indo até o rosto, o seu toque era áspero, mas me fazia querer senti-lo para sempre, fecho os olhos por um segundo apoiando meu rosto em sua mão, no entanto ele começa a se afastar e depois não sinto mais se toque.

Quando abro meus olhos ele já estava longe o bastante para que eu respirasse com tranquilidade.

—Vou ver se tem cobertores. – ele diz simplesmente e me deixa na sala, parada e arfando.

(...)

Acordo em um sobressalto quando escuto a porta, na hora me levanto em alerta, olho ao redor e não vejo Daryl, no mesmo momento sinto meu coração acelerar. Ouço passos correndo e pego a minha arma até que uma figura mediana e sorridente aparece na porta com seus cabelos levemente presos em duas tranças e uma carinha vermelha que parecia ter chorado por uma noite inteira. Era a minha menina, minha pequena Rosie.

—Mamãe – Rosie grita e eu acabo por cair de joelhos enquanto sinto seu abraço.

Sinto o seu cheiro de morango que parecia nunca sair dela, seus soluços e as lágrimas que lavavam tanto o meu rosto quanto o dela. Ela estava ali, nos meus braços e suspiro aliviada por tê-la ali comigo finalmente.

—Eu estava com tanto medo – Rosie diz em soluços.

—Eu nunca vou te deixar – murmuro e pego seu rosto. –Eu sempre vou voltar para você, sempre.

—Maggie disse que eu não precisava me preocupar, mas as horas se passavam e quando todos os grupos chegaram e nem sinal de vocês – diz Rosie falando muito rápido enquanto chorava. – Eu quase te procurei, mas lembrei do que disse. Fica sempre ao lado de Maggie e Beth.

—Isso mesmo meu amor – digo sorrindo por vê-la – Eu trouxe algo para você, na verdade, Daryl que achou.

—O que?

Vou até a minha bolsa e tiro o arco e as flechas de lá, Rosie vai correndo até o meu encontro.

—É meu?

—Sim – digo sorrindo – E eu vou ensinar a como usá-lo.

—É muito legal – ela diz me abraçando.

—Onde estão os outros?

—Lá fora, Daryl que nos achou, ele estava na varanda enquanto estávamos indo para a rua que vocês seguiram.

—Vamos seguir com eles tudo bem?

—Sim – ela diz sorrindo ainda analisando o arco e as flechas novas.

Pego a minha bolsa e pego a bolsa de Daryl, depois entrelaço meus dedos com os de Rosie e seguimos para a saída, e vejo todos ali sentados. A primeira que abraço é Maggie.

—Nunca mais faça isso – murmura ela – Não posso te perder de novo.

—Você não vai – murmuro sorrindo.

—E esses machucados?

—Eu estou bem – digo e ela assente.

Depois abraço Beth e Rick aperta o meu ombro de leve sorrindo. Não falamos muito, apenas algumas pessoas como Carol, Tara e Eugene vieram me perguntar como eu estava. Sem contar em Tyresse que se mostrou prestativo quanto aos meus machucados. Eu estava muito feliz por tê-los comigo, por estar cada dia mais me sentindo parte daquilo.

Parte de uma família.

O resto do dia foi de caminhada, tínhamos que seguir para Richmond. E a caminhada não era muito curta. Seguimos sem parar, e por momentos me senti feliz por estar com eles. Depois de um tempo senti calor e tive que tirar o moletom revelando a minha blusa ensanguentada e meus braços com algumas marcas roxas, me sinto exposta ao ver um a um me observando enquanto eu tentava não ligar para aquilo. Mas era impossível não ver as marcas roxas em meus pulsos e no meu braço.

Tento reverter à vontade incontrolável que tinha que me cobrir de novo, até que meu olho se cruza com o de Daryl e me sinto melhor, ele sabia o que havia acontecido, e eu gostava de só ter ele como cumplice. Eu não precisava que todos soubessem que matei dois homens para salvar Daryl e eu daquele lugar, eu não precisava de nenhuma garantia de que estava sendo durona ou de que estava aprendendo com o mundo.

Pelo menos eu sabia que ele sabia a verdade, e isso importava.

Depois de horas resolvemos parar um pouco. Sentamos na estrada mesmo, parte do grupo segue por um tempo para achar carros e gasolina, no fim, Glenn volta correndo dizendo que achou um tipo de garagem de beira de estrada, voltamos com ele.

Quando chegamos ao local vi três carros na enorme garagem e vários pneus e equipamentos, dois dos carros pareciam em bom estado e um que pude perceber Abraham mexendo. Pelo menos sobre motores eu entendia. Viver cercada de homens tinha pontos positivos como ser ligada a esportes, armas e carros. E meu tio era um amante de carros e depois namorei Justin que era viciado em velocidade, sempre se aprende algo às espreitas.

Deixo Rosie com Beth e Carl e então sigo até Abraham, só homens estavam ali.

—Eu não sei muito sobre carros, devo admitir – diz Rick.

—Dale me ensinou algo – diz Glenn.

—Eu sei um pouco – digo

—Como? – diz Abraham dessa vez interessado na conversa.

—Cresci cercada de homens – digo indo até o capo. – Meu ex-namorado era viciado em velocidade, meu tio um amante de carros e meu pai um apostador de corridas.

—Família interessante.

—Nunca achei que serviria para algo. – digo.

Ficamos eu, Abraham e Glenn discutindo sobre o motor enquanto os outros descansavam, no fim, estávamos sujos com um pouco de graxa e percebemos que o motor daquele carro não tinha solução.

—Como aprendeu tudo isso? – pergunta Glenn.

—Minha infância – digo – Quando se cresce cercada por homens tudo que você quer é se tornar mais especial para que eles te admirem. Meu pai não era muito de elogio, então aprendi tudo de carro que pude aprender com meu tio, não deu muito certo, mas meu tio sentia muito orgulho de mim. E meu ex-namorado, pai de Rosie... Bem, ele era meio idiota, mas sempre ficava tentando me ensinar sobre carros. A maioria das coisas eu sabia, mas tinha outras que conseguia aprender.

—Lembro que Maggie contou sobre você e Rosie, mas nunca mencionou o pai dela.

—Ele era um idiota – digo sorrindo, agora a lembrança era ridícula perto das outras tantas piores, parecia que o dia que ele me largou era uma lembrança mediana perto das outras que eu estava colecionando – Maggie o odiava.

—Por isso – ele diz sorrindo, e depois olha para Maggie que conversava com Rosie – Ela ama vocês. Quando estávamos indo para DC com o grupo de Abraham, ela tentava ser esperançosa, mas eu sabia que ela estava arrasada. E quando ela viu Beth e vocês duas, eu finalmente vi alegria nela.

—Eu também amo ela, não sei o que seria de mim sem ela e sua ajuda.

—Imagino – ele diz sorrindo e apertando o meu ombro – Vou dar a noticia a Rick.

Ele diz e assinto indo até um lugar para me sentar. Depois de um tempo alguém se senta ao meu lado, era Maggie. Ela apoia a sua cabeça em meu ombro e então sorri.

—Vejo que compartilhou um pouco do seu passado com Glenn, ele contou que você era bem habilidosa com o motor.

—Não tenho mais tristeza ao lembrar daquilo – digo encostando a minha cabeça na dela.

—O que aconteceu? – ela pergunta e eu a encaro.

—Aonde?

—Seu corpo Skye, todos comentaram – ela diz e eu mordo os lábios.

Havia botado na minha cabeça que não ligava para os comentários, mas ouvir da boca de Maggie era pior. Fico um tempo em silêncio e então conto para ela. Desde o momento em que eu e Daryl nos separamos, depois de como atraí os errantes para um lugar só, da minha briga com Daryl e os dois homens que apareceram, de como me senti desesperada e expliquei que as marcas foram feitas por um deles enquanto ele tentava tirar minha calça. Falei que os matei, mas não entrei em detalhes, também não falei sobre Jasmine, acho que não precisava.

No fim Maggie estava sem palavras.

—Mas eu fui abusada – digo de uma vez.

—Por eles?

—Não. – nego mordendo os lábios – Acho que Beth já te contou sobre o Grady.

—Você sofreu daquilo? Eles...?

—Não eles, foi ele – digo olhando para as minhas mãos, acho que se olhasse para ela choraria. Maggie sempre fazia eu me sentir segura em chorar, mas eu não queria chorar por aquilo, não mais. – Hill.

—Lucas Hill? O policial do café?

—Sim – murmuro e então conto para ela como aconteceu, no fim acabei derramando algumas lágrimas, no entanto, elas eram de alivio por finalmente ter contado para alguém e esse alguém ser Maggie.

No fim ela me abraçou, me botando em nosso casulo, enquanto eu me focava em quanto senti falta daquele momento apenas com ela. Eu sentia tanto a falta de Maggie que era surreal estar com ela naquele momento.

—Eu te amo e isso não muda em nada o que sinto por você – ela diz – Você é tão forte... Se fosse comigo, não sei como estaria em pé. Só agradeço por ter cuidado da nossa Rosa. – ela diz sorrindo e eu a abraço mais forte.

—Eu também te amo.

Daryl Dixon

Meus pensamentos estavam em outro mundo naquele momento. Tentei ficar o mais longe possível da presença de Skye, talvez porque pouco a pouco, ela conseguia me ter ainda mais perto dela, não fisicamente, mas psicologicamente. Ainda não acreditava que por um descuido quase a beijei na noite anterior. Também não conseguia tirar da minha cabeça o quão durona ela foi, o quanto ela se transformou em outra pessoa, ela não parecia mais tão frágil na minha visão.

No entanto porque então eu não conseguia deixa-la sozinha na rua. Era involuntário e eu me sentia preso a ela. Quando via já estava a poucos metros de distancia dela, como um protetor. Era impossível eu controlar aquilo, e Carol já havia percebido isso, veio conversar comigo assim que teve oportunidade e no fim, ela era a minha amiga mais próxima ali. Uma confidente, ou o mais próximo que tive de uma a minha vida inteira.

Ela disse as suas verdades e depois se mandou, me deixando parado enquanto era envolto por vários pensamentos. Esse era o efeito Carol, ela concertava as coisas, mas não sem antes te fazer pensar, enquanto o efeito Skye era fazer tudo se bagunçar novamente.

O que eu estava pensando quando a toquei? Aqui era a droga do mundo real, e um mundo real onde o amor não era bem-vindo. Mesmo que Maggie e Glenn fossem a prova viva de que era possível sim crescer algo além de dor, eu não era como Glenn e muito menos serei um dia.

Eu era bruto, não sabia muitas coisas da vida, eu apenas sabia me virar. Enquanto Skye cada dia mais me surpreendia, ela sabia muitas coisas, pelo que ouvi Beth dizendo para Carl há poucos minutos, Skye era advogada, sem contar que a casa dela em Atlanta era a típica casa de uma família conservadora rica.

O que ela iria querer com um cara como eu? Chegava a ser patético pensar isso? Eu sempre corri de pessoas como ela, no entanto, ela estava me puxando como um imã.

—Você não falou nada desde que achamos você e Skye – diz Rick aparecendo ao meu lado.

—Não achei necessário.

—Skye está com várias marcas no corpo, você está todo machucado – diz Rick e eu sabia aonde ele queria chegar, no fim, ele se importava com o bem-estar de todos, até mesmo de Skye que era nova no grupo. – Aconteceu algo?

—Skye me salvou – digo a verdade. – Uns caras nos pegaram, tentaram abusar dela, me bateram... Mas ela os matou.

—Skye... Ela?

—Sim – digo – Os dois homens.

—Por essa eu não esperava – diz Rick passando a mão nos cabelos. – Por isso o sangue em sua blusa. – ele diz e eu afirmo. Aquela era a verdade, e Skye não merecia o posto de frágil.

Não era novidade que qualquer um naquele grupo achava Skye inocente demais para aquele mundo.

—Vejo que se importa com ela – diz Rick.

—Rosie precisa de ajuda e...

—Estou falando de Skye – ele diz apertando o meu ombro – Eu sei que é assustador, mas está na hora de pensar em você.

Ele diz e saí como se sua frase não causasse nada em minha cabeça cheia de paranoias. Não sabia quando Rick havia se tornando uma espécie de Carol.

Depois de um tempo, Rick pede para que todos se juntem. Rick explica sobre o caminho e sobre como ele acha que pode ser feito.

—Como vai ser? – pergunto.

—Não acho que devemos seguir todos juntos – diz Michonne – Nosso grupo é grande, e da última vez, mesmo tendo desvios deu certo.

—Concordo com Michonne – diz Tyresse.

—Então eu vou com você Tyresse, Michonne e Glenn – diz Rick – Usamos o rádio para nos comunicarmos. Se algo der errado. Se der certo os avisaremos.

No fim, dividimos o grupo, como eu estava cansado demais, não protestei para ir. Judith, Rosie e Carl também precisavam de proteção e isso eu podia fazer. Glenn e Maggie se despediram e eu busquei Skye com o olhar, vendo-a com Rosie, no entanto, ela acaba por desviar os olhos da filha e olhar para mim.

Ficamos um tempo naquela ridícula batalha até que desvio os meus olhos do dela, já que no fundo, eu não conseguiria desviar meus pensamentos dos últimos ocorridos.

Seguimos viagem um pouco depois que o carro com o grupo de Rick partiu, até que paramos de novo. Fiquei olhando para a mata e percebi um barulho, só podia ser uma cachoeira pequena. Aviso às pessoas, e elas vão direto se limpar o quanto podem. Lavar o rosto e os braços.

Ando até Skye que estava com Judith e digo.

—Me siga. Tem um lugar que você pode se limpar.

Ela me olha, mas não discute.

—Já volto – ela diz entregando Judith para Beth que sorri para mim.

—Pega outra blusa sua – digo e ela faz.

Beth e eu não conversamos muito depois de tudo, até porque os últimos acontecimentos foram rápidos e seguidos um do outro. O que dificultou em saber se ela estava bem ou se precisava conversar. Passar aquele tempo com Beth me fez aprender muitas coisas, me fez perceber muitas coisas. Coisas que agora eu via com Skye mais claramente.

Skye me seguia enquanto eu andava até a cachoeira, eu ficava sempre muito atento ao meu redor. No fim eu estava certo sobre o barulho, ela era pequena, mas daria para nos limpar ali. Carol e Tara eram as ultimas no local.

—Obrigada por achar esse lugar – diz Tara passando por mim junto com Carol, que não deixa a oportunidade de piscar um de seus olhos enquanto passa por mim.

—Achei que gostaria de se limpar – digo e ela me olha sorrindo.

—Obrigada – ela diz – Não aguentava mais ficar com isso no meu corpo – ela diz.

Viro-me e digo.

—Pode se limpar.

Aproveito para olhar o local e limpar o rosto, minha sobrancelha arde quando a água tocou a ferida em meu rosto. Ouço o barulho da água e fico olhando o céu. Não pude deixar de lembrar-me da cena dela de sutiã me abraçando, no momento nem mesmo achei que notei, mas a imagem dela e de seu corpo, as sensações e o calor da sua pele não saíram da minha mente.

Depois de um tempo ela fala que está pronta.

—Você também deveria limpar isso melhor – ela diz se sentando na pedra a minha frente, ela usa a sua blusa na parte não suja e mergulha ela na água, se aproximando devagar de mim, até que ela toca na ferida novamente me fazendo protestar – Desculpa, sua sorte é que não é fundo. Mas precisa cuidar.

—Eu sobrevivo – digo.

Observo-a enquanto se mantinha na tarefa de limpar o meu rosto. E novamente sinto como se tivesse treze anos novamente, era ridículo o fato de que uma mulher me fazia sentir algo que eu nem sequer sabia o nome ou significado. Eu só sabia que sentia e isso já me assustava.

Ela termina de limpar e olho para o meu rosto. Seus olhos eram de um verde intenso, e não parecia ter nada no mundo com a mesma cor, eram os olhos dela, e eram únicos. Por um momento me senti nervoso, coisa que eu não deveria sentir. Acontece que Skye era uma mulher esbelta, cheia de segredos e muito profunda, mas ela era linda e eu seria louco se dissesse que não me senti nem um pouco atraído por ela.

Por um momento senti que o clima estava começando a mudar, e ela começou a se aproximar, foi de modo sutil, mas mesmo assim me senti encurralado. Ela para, e estávamos muito perto, tão perto que sentia que poderia beijá-la ali, mas eu simplesmente não conseguia me mover, eu sabia que se rompesse aquela barreira que eu tinha, com toda certeza eu teria outras prioridades, e eu precisava servir ao grupo.

Mas ela pareceu não ligar para nada, e quando percebi, ela já estava com os lábios nos meus. Com toda certeza não era apenas a sua pele que era macia, seus lábios eram macios e suaves. Skye era uma obra-prima, e tudo nela me proporcionava várias emoções que nunca pensei um dia sentir por alguém.

Boto a mão em seu pescoço quando aprofundamos o beijo, sentindo que aquilo era o certo. No entanto, me desperto, eu não podia fazer isso. A afasto e ela fica um tempo de olhos fechados, até que os abre e me encara desapontada pela interrupção. Fico encarando seus lábios abertos, e quase a beijo de novo.

—Não. – falo antes que faça outra coisa. – Não podemos.

Ela me olha desapontada, e depois encara a cachoeira.

—Sinto muito – as duas palavras saem da minha boca do nada e ela morde os lábios e depois me olha.

—Eu queria dizer que sinto muito – ela diz – Mas não sinto.

Ela diz e assim se levanta pegando a sua blusa e andando pela mata. Fico um tempo pensando até que volto para a estrada, todos estavam mais agitados, fico em alerta na hora, e busco Skye com o olhar, mas ela estava bem junto com Maggie e Rosie.

—Rick entrou em contato, só faltava você – diz Carol – Temos que ir.

Já estávamos na metade do caminho, então fomos andando até o nosso ponto de encontro. Demorou pelo menos três horas para avistarmos o carro deles, e no momento em que os vi percebi que algo estava errado. Olhei um por um até perceber que Tyresse não estava mais ali.

Sasha foi a primeira a perceber. No fim, Rick explicou que ele foi mordido no braço, e depois que amputaram ele perdeu muito sangue e acabou por morrer no caminho. Eu me via pior do que já estava.

Estava cansado de perdas, cansado de fazer o mesmo ritual de sempre e enterrar um amigo, eu estava puto principalmente ao ver Rosie chorando, eu sabia que a pequena havia se aproximado muito de Tyresse, me doía saber que como sempre eu não pude fazer nada para impedir.

Olho para Skye, e naquele momento, em meio a raiva que eu sentia, percebi que estava aliviado, pois havia tomado a decisão certa. Eu tinha que manter distancia da ruiva, mesmo que parte minha protestasse essa decisão.

Notas finais
Então gostaram? Me digam o que acharam da atitude da Skye ao matar os homens, sobre as lembranças dela e sobre essa amizade dela com a Maggie que eu amo demais escrever. E é claro, o que acharam desse final de capítulo????? DIGAM, SE EXPRESSEM. Eu amo os comentários de vocês, eles me motivam, e tiver vários comentários postarei bem mais rápido, na terça-feira ♥ Vou responder os comentários de vocês ♥ E é isso, espero que tenham gostado do capítulo, um feliz 2017 para vocês mesmo já tendo passado 13 dias, espero que o ano de vocês seja abençoado e cheio de alegria. E é isso, comentem, favoritem e quem sabe recomendem (?) não sei soltei aí o pedido kkkkkkkk Muito obrigada de novo, e nos vemos talvez na terça-feira. Beijinhos ♥