The Same Heart
9 Seu abraço seria a minha nova casa...
Notas iniciais
Capítulo dedica a AustenGirl
Skye Martinez
Eu estava com as mãos cheias de terra. A terra que usei para tampar o corpo de Tyresse... O Tyresse que estava morto, aquele homem que ajudava tanto a minha filha estava ali, encoberto pela terra que eu tinha nas mãos. Minha cabeça estava fraca demais enquanto eu olhava para a minha filha sendo consolada pela Beth e não por mim, pois eu era fraca demais.
Eu simplesmente não conseguia acreditar que havíamos perdido ele, eu entrei em estado de choque, e só acordei quando a vi chorando.
—Você precisa falar com ela – murmura Daryl ao meu lado, seus olhos estavam vermelhos, ele havia chorado, principalmente quando Sasha deu adeus ao seu irmão. Todos nós havíamos chorado. – Eu sei que você não está bem, mas para ela você precisa.
Olho para ele e assinto. Respirando fundo e indo até Rosie.
—Filha – murmuro depois de limpar a terra de minhas mãos, me agachando, Rosie não disse nenhuma palavra, apenas me abraçou com seus braços finos enquanto eu mordia meus lábios para não chorar. Sento no chão enquanto fechava os olhos e mordia os lábios com a onda de tristeza que me atingiu.
—Como alguém pode estar ao seu lado em um momento, e no outro simplesmente não existir – Rosie murmura entre soluços, eu não sabia o que falar para ela, porque simplesmente era duro demais vê-la daquele jeito. Respiro fundo e a afasto um pouco de mim, tirando os cabelos loiros-morango de seu rosto e limpando suas lágrimas.
—Na vida, você vai perder muitas pessoas – murmuro – Era assim antes, e continuará sendo agora, só que bem mais difícil, e você precisa ser forte – murmuro – Eu sei que é difícil, nem mesmo eu estou sendo forte no momento. Mas ele continuará aqui – mostro seu coração.
—Eu não quero perder mais ninguém, mãe – murmura Rosie e eu assinto.
—Eu também não – murmuro – Quando sua avó morreu, eu me perguntei a mesma coisa e meu tio disse a mesma coisa que eu disse para você. A única certeza que temos é a morte – digo para ela olhando em seus olhos – Nesse novo mundo a morte nos cerca, e eu sei que é difícil pensar em sobreviver rodeada dela, mas você precisa ser forte, por você e por eles.
—Eu quero ser forte – Rosie diz.
—E você é. – digo – Você me dá força todo dia. Agora precisa fazer isso com o grupo. Eu acredito em você, meu amor. Dentre todas as pessoas aqui, você é a única que consegue se reerguer de qualquer situação.
Rosie assente e me abraça, respiro fundo fazendo carinho em seus cabelos. Abro meus olhos e eles param em Daryl, dou um sorriso mínimo, agradecendo, ele acena com a cabeça entendendo o recado.
Naquele momento, tudo que eu queria era que o mundo voltasse a ser como era antes.
(...)
Era difícil ter esperança quando todos ao seu redor estão prontos para desistir. Foram dias difíceis, resolvemos ir para DC andando, e com toda certeza todos estavam esgotados demais para protestar a ideia.
Ter uma direção era melhor do que nada.
Rosie conseguia aguentar, sempre de cabeça erguida. Ela já não falava sem parar, a sede não deixava, mas ela tentava a todo custo ser forte. Lembro que um dia depois de Tyresse morrer, Rosie deu a pulseira que ela e Ty fizeram em umas das tardes em que paramos, Sasha chorou, mas agradeceu muito ao receber o presente.
Rosie parecia ser a mais inteira e com esperança de todo o grupo, nem mesmo Beth tinha mais o sorriso grande em seus lábios. Aquilo era horrível e deprimente, eu simplesmente via cada um se afastando aos poucos. Criando seus próprios casulos.
—Mãe – murmura Rosie puxando a minha blusa de leve e faz um sinal para trás, me fazendo olhar e ver a horda que nos seguia.
—Vamos cuidar deles, mas não agora. – murmuro. Ela assente para mim e continua com a mão grudada na minha.
Eu me sentia melhor assim. Pelo menos tê-la ao meu lado. Mas algo havia mudado. Daryl não ficava mais ao meu lado e ao lado de Rosie, ele sempre ficava distante, a última vez que ele falou comigo diretamente era para estregar água e foi a mais ou menos dias atrás.
Eu me sentia mal porque fui eu que causei isso, eu o beijei, mesmo ele negando, eu continuei, eu estreguei o que podia ser uma amizade. Até mesmo Beth percebeu a distância dele, mas eu desconversei.
—O que tanto pensa? – a voz de Maggie me faz levar um leve susto, olho para o lado sorrindo.
—O quanto mesmo vivendo com riscos, eu me sinto bem melhor ao lado de vocês do que no hospital – digo, eu estava mentindo sobre o que estava pensando, mas aquilo era uma verdade.
—Nunca se perguntou se fez a escolha certa? – ela pergunta e eu nego – Por quê?
—Porque ter vocês ao meu lado parece o certo – digo – E eu sempre tive medo quando Rosie começasse a crescer e tivesse que fazer...
—Mas eles não te obrigaram a fazer isso?
—Não, mas tudo por conta de Dawn, mesmo que eu não reconhecesse mais ela, ela continuava me protegendo, e protegendo Rosie – digo – Mas eu não trocaria ter você, Beth e Rosie comigo por nada.
Maggie sorri apertando o meu ombro.
—Ter você comigo, é maravilhoso – diz Maggie – Ter vocês duas na verdade.
Sorrio assentindo. A caminhada continuou, eu e Maggie não falamos mais muito, estávamos tão esgotadas quanto os outros. Andamos por mais horas, tantas que já sentia a minha perna ficar bamba, então decidimos que era a hora de cuidar daqueles errantes.
Decidimos parar naquela ponte, e Rick decidi que os atrairíamos até nós e o jogaríamos do barranco.
—Skye cuide de Judith – diz Maggie.
—Não, ela consegue – diz Rick olhando para mim – Beth, fique com Judith.
Estávamos indo bem, o plano de Rick estava dando certo, eles estavam caindo pelo barranco e sendo arrastados pela correnteza. Até que Sasha começa a se descontrolar, fazendo toda a formação do grupo desaparecer, olho para trás vendo que Rosie está bem e a salvo junto com Beth e Judith, volto a matar os errantes até que escuto um grito. Olho para o lado e vejo Carl sendo encurralado por um. Vou correndo até lá batendo nos errantes no meu caminho e mato o errante puxando Carl para mim.
—Você está bem? – pergunto e ele assente. –Vá com elas.
Digo e Carl faz o que eu mando, mato o errante que estava entre as árvores e então olho para o lado, faltavam poucos errantes, mas Daryl acabou se distraindo comigo e não viu um errante indo em direção ao seu braço por trás. Sou rápida em pegar a minha faca, e atirar com toda a minha força acertando a cabeça dele em cheio, solto um suspiro vendo que mesmo depois de anos, eu continuava acertando o alvo que queria e sorrio, olhando para Daryl.
Estava prestes a sair daquela parte do barranco quando algo me faz parar.
—Cuidado. – ouço a voz de Daryl, mas assim que eu viro dou de cara com um zumbi vindo para cima de mim.
Desequilibro-me e caio do barranco, direto para o rio.
Daryl Dixon
Eu a vi cair em câmera lenta, os olhos arregalados, e o errante tentando pega-la.
Ela havia me salvado. E eu não consegui salva-la. Olhar para Rosie chorando doía, olhar para Maggie, Beth... Olhar para todos doía porque ela me salvou e eu não a salvei.
Ninguém saia do lugar, nem mesmo conseguiam respirar. Rosie teve que ser segurada por Maggie para não ir atrás de Skye. Todos estavam parados, encarando o mesmo lugar que eu olhava. Eu precisava fazer algo, precisava ir atrás dela. O seu grito ainda ecoava em meus ouvidos, mesmo fazendo minutos que ela havia caído daquele lugar.
Todos estavam sentados no chão, errantes mortos estavam espalhados.
Eu simplesmente não podia perdê-la. Eu não podia. Até aquele momento eu tentava esconder que aquele beijo não havia mexido comigo, eu me afastei dela, tentei falar o mínimo que consegui. Deixei Skye de lado como se ela tivesse uma doença contagiosa.
Mas agora eu me sentia desesperado, ele me corroía, me fazia imaginar se eu não tivesse a afastado como fiz com todas as pessoas a minha volta. Se eu tivesse aceitado que estava finalmente sentindo algo por alguém mesmo fazendo tanto tempo.
Levanto-me e vou até onde Rick estava. Ele junto com Glenn estava tentando acalmar Maggie.
—Eu vou ir atrás dela – Maggie dizia em um soluço – Não vou perdê-la novamente, não vou deixar ela de lado só porque vocês não querem que eu vá até lá.
—Maggie – murmura Glenn – É melhor outra pessoa ir – diz o marido dela – Você está muito alterada, talvez não veja tudo.
—Eu vou atrás dela – digo.
—O que? – pergunta Rick negando.
—Eu não vou deixar essa garotinha sem mãe por uma coisa que foi eu que causei – digo.
—Você não causou nada – diz Rick.
—Ela me salvou antes de cair, se não fosse por ela eu teria o braço amputado agora – digo olhando para Rosie e me abaixando – Eu vou trazer a sua mãe de volta.
Ela me olha com os olhos verdes e grandes marejados e me abraça. Fico alguns segundos sem reação até que a abraço no fim, sentindo o quão ela estava agradecida por eu me oferecer. Ela se afasta e assente.
—Então alguém precisa ir com você – diz Rick.
—Não – digo – Eu sou bom em achar pistas, vou seguindo o rio, até achar pegadas.
—Eu tenho que concordar com o Rick – diz Glenn – Você também era próximo da Skye, precisamos ver cada pista, eu vou com você.
—Não quero meter ninguém nisso, eu sou melhor quanto estou sozinho – digo.
Glenn e Rick se olham e suspiram.
—Eu sei que não vou conseguir tirar essa ideia da sua cabeça, então pode seguir sozinho.
—Eu vou voltar com ela – digo.
—Trás ela de volta – Maggie murmura para mim apertando a minha mão e assinto.
Vou até Skye, e me agacho. Eu nunca fui bom com crianças, mas assim como a minha relação com Judith e Carl, Rosie fez meu instinto protetor se aflorar e eu faria tudo por aquela garotinha, assim como faria tudo por Judith e Carl.
—Eu vou trazer ela de volta – digo olhando para Rosie. Ela assente e mostra o dedinho dela. Fico olhando sem saber o que fazer até que Maggie me cutuca e mostra o seu próprio dedo, no mesmo momento mostro o meu e então ela enrosca o seu dedinho no meu.
Fico me perguntando o que aquilo quis dizer até que lembro que Beth e ela já tinham feito isso, era uma promessa. Faço um sinal para ela e depois para Glenn que começa a dizer para Maggie e Rosie descansarem um pouco.
Vou até Rick apertando seu ombro.
—Se eu não voltar, se eu demorar... Sigam em frente – digo para Rick e ele me olha – Prometa.
—Não posso prometer isso.
—Não sei onde ela foi parar, talvez esteja sendo levada pelo rio nesse momento, mas eu não vou descansar até achar ela – murmuro – Nem que seja apenas o seu corpo.
—Daryl...
—Prometa, você precisa cuidar deles – digo – Mas eu vou voltar, eu sempre volto.
—Tudo bem – ele diz depois de um tempo em silencio, ele me abraça batendo em minhas costas e eu sabia o que ele queria dizer com aquilo. Ele não concordava, mas confiava em mim.
—Obrigado – digo.
Rick que fala com grupo, tendo muitas negações sobre só eu ir atrás dela. Mas eu esclareci que era melhor só uma pessoa ir.
Comecei a seguir por onde ela caiu, o lugar era bem íngreme e ia direto para o rio, então tive que desviar pela floresta até achar uma entrada até a beira do rio.
A correnteza não estava muito forte, mas era forte o suficiente para alguém despreparado e pego de surpresa ser levado e até se afogar. Fico analisando o rio vendo que ele estava cheio de pedras que podiam machuca-la.
Tento não pensar no pior, e tento não me desesperar, eu sempre era o mais racional nessas horas e precisava ser racional agora. Fico seguindo devagar tentando ver cada detalhe, mas dava para perceber que naquela parte ela não havia nem sequer estado.
Paro quando vejo alguns galhos bagunçados, subo em cima deles e vejo uma bifurcação com a correnteza mais lenta, se ela tiver pegado impulsão com aqueles galhos seria levada justamente para o lado mais calmo do rio.
Ando dessa vez mais rápido até que vejo algumas pedras mais molhadas, e com sangue. Era uma boa quantidade o que me faz pensar na possibilidade dela ter sido mordida. Respiro fundo e sigo pelas marcas que acho. Dava para ver que não eram de um errante já que uma pegada era forte e a outra marca arrastada. O que confirmava o seu machucado.
Pelo menos eu sabia que ela havia saído do rio, o que era um alívio e um problema a menos, já que se ela fosse puxada pela correnteza levaria mais do que o desejado para busca-la e talvez ela não tivesse sobrevivido.
Fico mais animado com a pista dela, e sigo aquela pista. Com aquele machucado ela não deve ter ido muito longe. Vou seguindo seus passos até que simplesmente eles param e logo à frente reconheço as pegadas dos errantes.
Naquele momento a realidade me atingiu, e tantas possibilidades rondaram a minha cabeça que a única coisa que eu fiz foi correr seguindo os passos arrastados daquelas coisas. Depois de alguns minutos e o sol já se pondo quase que completamente só sobrando uma penumbra, vejo cinco deles caminhando lentamente. Sou rápido em acertar uma flecha em cada cabeça, recolho as flechas e pego a minha faca.
Viro um por um abrindo o estômago de cada um deles em um desespero quase primitivo. O cheiro forte de pobre fazia com que meus olhos enchessem de lágrimas e minhas narinas pegavam fogo, mas eu não parei.
Quando vasculhei o estomago do último e vejo que não tinha nenhum sinal ou vestígio, fico aliviado e ao mesmo tempo puto. Eu havia perdido ela de novo.
Começo a socar aquele errante sentindo o seu crânio podre se desfarelar como poeira, respiro fundo quando vejo o que estou fazendo, eu estava fazendo exatamente o que eu disse a mim mesmo o que não faria.
Chuto um dos errantes e fico o chutando tentando extravasar a raiva que eu sentia.
Novamente eu iria decepcionar alguém. Primeiro a Carol não conseguindo encontrar Sophia, e depois Rosie com a sua mãe.
Respiro fundo novamente, vendo tudo ao meu redor escuro e então decido ficar ali, deixo todos os errantes ao meu redor para disfarçar meu cheiro e me sento no chão.
Sinto-me ridículo por ter ficado tão desesperado. Mas só de ter a ideia ou a possibilidade dela ter sido morta por aquelas coisas era demais para mim. Ela havia me salvado mais de uma vez e eu estava disposto a salvá-la. Eu não sabia o significado do meu desespero, eu não sabia explicar nada do que sentia desde que vi aquela ruiva.
Mas o que eu sabia era que Skye era forte o suficiente em algumas ocasiões, ela me mostrou isso em uma das situações mais extremas que experimentei viver, mas a pergunta era por quanto tempo ela aguentaria?
E essa era uma pergunta que eu não gostaria de responder.
Skye Martinez
A sensação de estar caindo era desesperadora, tudo que eu conseguia ver era aquele errante e então me encontro com a água fria que cortava como gelo, meu corpo foi levado pela correnteza enquanto eu sentia uma dor enorme em meu pé. Engoli água mais do que uma vez até que percebi que tudo isso era por conta do meu desespero.
Eu não sabia por quanto tempo estava sendo levada, tinha momentos que eu era encoberta pela água e outras que eu não sabia se iria respirar novamente, mas só começo a me mexer quando vejo uma bifurcação, com toda certeza dava em algum lago, ou lugar mais calmo, ou talvez uma cachoeira que acabaria por me matar de vez.
Vou até um alguns galhos e tomo impulso na hora certa, sendo levada pela fraca correnteza da bifurcação, tento nadar até a beirada até que vejo uma pedra, me segurando com força nela e pegando o último pingo de força que eu tinha, me levantando se sentando na pedra.
Minha vontade era chorar e ficar deitada ali, mas eu tinha que seguir para algum lugar talvez voltar pela margem. Olho ao redor depois de respirar fundo, percebendo que o eu precisava ser rápida. E precisava cuidar do ferimento da minha perna antes de começar a andar de volta para a ponte.
Respiro fundo primeiro vendo a minha perna onde tinha um grande ferimento, rasgo o resto da minha calça ao redor do ferimento. Volto a botar minha mão no rio e jogo um pouco de água ali, depois tiro um bom pedaço de musgo que segundo o meu tio ele havia sobrevivido a uma caçada fazendo isso.
Torço para que ele não tenha inventado, pego o musgo e cubro meu ferimento, amarrando o local com o fio do meu cadarço.
—Pare, pense, olhe e planeje – murmuro para mim mesma a frase de meu tio.
Depois que arrumo a minha perna e descido levantar, arrastando o meu pé por conta da dor. Fico olhando o local e decido seguir mais para dentro pelo menos para conseguir me secar, eu precisava manter a minha temperatura do corpo alta e só andando para me manter seca. Sem contar que eu não teria forças para subir aquele barranco no qual eu caí. Então a melhor forma era seguir pela floresta.
Fico andando o mais rápido que consigo até que escuto o familiar e pitoresco som daquelas coisas, olho para o lado e os vejo, cinco deles. Não eram tantas, mas eram o bastante para me matar principalmente porque eu estava tão lenta quanto eles.
—Pare, pense, olhe e planeje – murmuro novamente piscando os olhos com força para focar a minha visão. Olho para os lados não vendo nenhuma saída, até que percebo uma boa árvore para subir, ando devagar tentando não fazer tanto barulho e penso em como vou conseguir subir por aquela árvore com a minha perna daquele jeito.
Pego uma boa parte da minha blusa para abafar qualquer som que eu possa fazer, começo a subir sentindo meu ar faltar por conta da dor, fecho os olhos com força sentindo as lágrimas descerem meu rosto livremente, penso em Rosie, Maggie, Beth, Daryl... Eu simplesmente não desistiria, não com eles pensando em mim, não quando tenho pessoas que são quase como a minha família esperando eu voltar.
Continuo subindo, e paro no primeiro galho que vejo, não era muito alto, mas dava para o gasto. Sento-me entre eles e respiro fundo, me sentindo fraca e zonza, me encosto-me ao tronco e suspiro, fechando meus olhos, o som dos errantes vai se perdendo e aproveito para subir um pouco mais alto. Sento-me novamente, começo a soluçar por conta da dor, do cansaço e do fato de que a minha vida estava sempre me mostrando o quanto eu estava despreparada.
Eu precisava apenas prestar atenção, e não foi isso que eu fiz. Fecho meus olhos novamente e acabo dormindo. Acordo com os primeiros raios solares, o céu estava entre o negro e o azul claro, um misto de cores. Olho para minha perna e vejo que estava sangrando mais. Primeiro desço da arvore e depois olho ao redor. O lugar estava tão silencioso que eu sentia o medo corroendo meu interior, nunca gostei do silencio absoluto, eu o apreciava apenas. Tudo que eu queria agora era ouvir Rosie ou Maggie, ou até mesmo Tara contando algo sobre um reality show.
Encosto-me a árvore e então amarro mais forte o meu machucado, começando a andar, eu precisava andar em direção àquela ponte, e para isso teria que escutar o rio. O bom do silêncio era que eu podia andar sem me preocupar, pois o barulho me seguiria.
Ando devagar, passo a passo tentando não fazer tanto barulho. Depois de um tempo de caminhada paro, e vejo um amontoado de errantes, talvez seis, e estavam mortos. Até que percebo que o sexto errante era na verdade uma pessoa, já que sua pele era mais clara e menos apodrecida que a dos outros. Começo a andar até a pessoa, até que reconheço os cabelos um pouco longos jogados pelo rosto... Era Daryl.
Esqueço totalmente minha dor e vou correndo até ele, o assustando enquanto procurava por alguma mordida em seu corpo, e se ele tivesse sido mordido tentando me salvar? Eu nunca me perdoaria.
—Skye – ele murmura e eu pego seu rosto, olhando em seus olhos azuis.
—Oi – murmuro sorrindo – Você não foi mordido...
—E você?
Nego enquanto encaro seu rosto, só naquele momento percebendo que havia chorado de desespero. Algo em Daryl me deixava desesperada com a possibilidade de perdê-lo, ele havia me atraído e estava me ganhando a cada momento com suas pequenas coisas. Eu gostava dele, o admirava, e perde-lo não era algo que eu contava.
Fico apenas analisando seu rosto por um tempo, encarando suas marcas mais velhas, a sua sujeira, seus olhos. Ele estava ali, e eu estava aliviada por tê-lo ali comigo, pois eu nunca iria admitir, mas ficar sozinha me deixava com medo, apavorada.
Ele segura meu rosto, se aproximando de mim, e então seus lábios preenchem os meus. O puxo mais para perto de mim, Daryl tinha suas mãos em minha cintura segurando-a forte, enquanto o nosso beijo era avido, cheio de paixão e desespero, como a situação em que nos encontrávamos. Era como se aquele beijo dissesse tudo que não tínhamos coragem de dizer em voz alta, aquele simples momento já me disse o quanto Daryl estava querendo me encontrar.
Separo-me dele, colando nossas testas e sorrindo.
—Eu pensei que não podíamos...
—Foda-se – ele murmura – Eu percebi que não preciso me importar com isso.
Sorrio soltando uma fraca risada e o encarando.
—Eu fiquei com tanto medo – murmuro, e mesmo só tendo ele ali comigo além daqueles errantes mortos aos nossos pés, ele sabia que era uma confissão só dele, que eu não diria isso para mais ninguém além de Maggie.
—Tudo vai ficar bem agora – ele diz me abraçando.
E eu sabia que a partir daquele momento, o seu abraço seria a minha nova casa.

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