The Safe Place

63 Capítulo 63 – Nossa Pequena Família


Notas iniciais
Olá amorinhas! Aqui está o penúltimo capítulo da fanfic. Espero que gostem (: Vou responder todos os maravilhosos comentários do capítulo anterior logo. Já agradeço.

Cerda de dois anos mais tarde...

Os últimos anos estavam sendo os melhores da minha vida, podia afirmar convicta. Estava tudo em seu lugar, como deveria ser, e eu estava me sentindo realizada por nosso pequeno paraíso.

É claro que nada era mil maravilhas todo momento, mas com paciência e muito amor havíamos superado qualquer contratempo que surgira no caminho.

Emmett, eu e Spencer ainda morávamos com os pais dele, mas não seria assim por tanto tempo. Assim que ele conseguisse um certo estágio, do qual não parava de falar, iríamos procurar um apartamento. Não que não gostássemos mais de morar com Carmen e Eleazar, mas já estávamos bem grandinhos, praticamente estabilizados e precisamos de um lugar só nosso.

De toda forma, Spencer passaria a maior do tempo na escolinha no próximo ano, não teríamos problema quanto a onde deixá-la enquanto estivemos na faculdade ou trabalhando. Não que Carmen se incomodasse em cuidar da neta, mas ela também tinha a vida dela, o trabalho. E PeyPey precisava urgentemente perder a vergonha de ficar com outras crianças e sem alguém da família por perto.

Esta noite cheguei em casa por volta das 18h. O dia na loja havia sido cheio, mas divertido também. Trabalhar com Alice sempre era cheio de emoções e risadas. Sim, ela tinha ficado fixa na Fashion Dash desde o casamento de minha cunhada. Irina agora cuidava da segunda loja, aberta há pouco mais de seis meses literalmente em frente ao apartamento onde morava com o marido.

Por mais que eu fosse a gerente dessa loja, eu e a baixinha dividíamos as atividades quase que igualmente, já que ela preferia ficar com a parte de arrumação das peças e eu com a contabilidade. A responsabilidade era, teoricamente, toda minha, porém, nem um milhão de anos, haveria pessoa melhor com quem se trabalhar que Alice.

Além da Fashion Dash, eu tinha outra grande responsabilidade. Minhas notas. Eu havia começado a universidade no ano anterior, cursando história é claro, e não podia estar mais satisfeita. Tudo bem que tivesse adiado meus planos por um tempo, cuidar da minha filha foi minha prioridade e eu me orgulhava disso. Ainda era, mas eu sabia que agora podia me dedicar a outras áreas da minha vida também.

A saudade apertava a todo instante, já que ficava longe da minha bonequinha por quase um dia inteiro. Entretanto, sabia que minha filha estava bem. Carmen era um exemplo de cuidado, carinho e proteção. E Emmett, apesar de passar quase toda manhã enfurnado em seus projetos de engenharia, ainda conseguia lhe dar atenção.

Abri a porta da frente e o riso infantil, acompanhado da fala de Carmen, preencheu meus ouvidos. Com passos lentos entrei na sala, observando as duas sentadas no tapete, rodeadas de brinquedos coloridos. A mesinha havia sido afastada do centro e o cobertor lilás preferido de Spencer pendia do sofá.

Car me viu observando, encostada a parede, e sorriu. Retribui no gesto e no instante seguinte ela estava afagando o joelho da neta, chamando sua atenção.

– Olha só quem chegou, docinho. Sua mamãe chegou. — Car sorriu docemente para ela e virou o rosto em minha direção.

Minha filha ergueu a cabeça, deixando a Barbie em que estava concentrada de lado. Seus grandes olhos encontraram os meus. Mel com mel. E a sensação foi a mesma de quando ela me olhava apaixonada, ansiosa e com saudades. Meu peito inflou de ternura e meu coração transbordou de amor.

Abri os braços e Spencer correu em minha direção.

– Oi meu amor, como foi seu dia? A mamãe estava com saudade. Estava com saudade da mamãe também? — pedi, segurando-a no colo.

Com três aninhos, Spencer continuava uma criança esperta e agitada. Tinha as pernas e os braços gordinhos, o que nos fazia querer apertá-la e morder a todo o momento. E, apesar de gostar de correr para todos os lados da casa, não era uma criança faladeira. Ao contrário, ela se mostrava tímida perto de pessoas novas e não gostava de conversas longas.

Ela assentiu em resposta, entretida com o colar dourado de coração que reluzia em meu pescoço. Afastei o cabelo de sua testa, apreciando seus cílios cumpridos como os de Emm. Car se aproximou de nós e afagou as costas dela.

– Conta pra mamãe que trocamos as roupas das suas Barbies. — minha sogra pediu e Spencer sorriu, provavelmente se lembrando da tarde divertida com a avó.

– Imagino o desfile de modas que foi por aqui. Ela é igual à Irina e Alice nesse quesito. — comentei, olhando para minha bebê que exibia as covinhas. Depositei um beijo em cada uma das bochechas.

– Eu puxei minha titia, não foi vovó? – Car brincou, tocando o nariz da neta, que se encolheu em meus braços.

– Ela deu muito trabalho, Car? – perguntei, ajeitando Spencer em meus braços.

– Minha netinha nunca dá trabalho, Rose. Ela é um docinho, não é bebê? Vem com a vovó. — Carmen a tirou de meu colo e Spencer foi de bom grado para os braços da avó.

Ela adorava tanto Carmen. Mas quem não adorava minha doce sogra? Além do mais, Car, Irina e Eleazar faziam todas as vontades dessa garotinha sapeca.

– Ela já comeu? — perguntei, tornando a tirar uma mecha do cabelo de PeyPey que caía nos olhos. Seus cabelos estavam presos em várias chiquinhas, que já desmanchavam, o que a deixava extremamente fofa.

– Jantar ainda não. Apenas fez um lanchinho, faz pouco mais de uma hora. Vou começar a preparar o jantar agora. – avisou.

– Bom, eu vou tomar um banho e desço pra te ajudar, okay? O Emm tá lá em cima? – perguntei, pegando minha bolsa que havia deixado sobre o braço do sofá.

– Não se preocupe, meu bem. Hoje o jantar é só meu. E o Emm foi para faculdade mais cedo, tinha um trabalho para apresentar. — me respondeu, afagando a bochecha da neta, que a encarava concentrada. Carmen sorriu docemente para ela.

– Quer ficar com a vovó, meu amor, enquanto a mamãe toma banho? – perguntei.

– Fala pra mamãe que você vai ficar aqui com a vovó, PeyPey. Vamos, docinho. — Car pediu e Spencer fez carinha manhosa, estendendo os braços em minha direção, que prontamente a peguei. Vi minha sogra fazer uma leve expressão de decepção.

Carmen era quem mais insistia tentando arrancar frases interias de Spencer, enquanto eu, Emmett e até mesmo Irina já havíamos deixado pra lá. Quando ela queria falar, falava. E se insistíssemos, PeyPey fazia birra. Porém as avós, o que inclui minha mãe, achavam que toda criança deveria ser faladeira. Tipo meu irmãozinho Alex.

– Ah não fique assim, Car. Ela é quietinha, apenas isso. Alguma coisa tinha de puxar do vovô, não é? Não existe pessoa mais quieta nesta casa que o Eleazar. Mas ela ama a vovó dela. Não é mesmo, minha vida? Ama sim. — falei, beijando o narizinho da minha princesa.

Spencer encostou a testa na minha, envolvendo meu pescoço com os bracinhos curtos. Ela assentiu, fazendo nossos narizes se chocarem. Sorri abertamente, lhe dando um beijinho de esquimó. Seus cachinhos balançaram quando ela sacudiu a cabeça.

– Tudo bem, docinho. Vem com a vovó pra cozinha enquanto sua mãe toma banho. – Car tocou a mãozinha da neta.

Coloquei minha filha no chão e a vi segurar a mão da avó. Ajeitei a bolsa no ombro e fui em direção à escada. Subi já retirando o celular do bolso, a fim de enviar uma mensagem para Emmett.

– Vovozinha, bicoito. — escutei minha pequena pedir e me virei ainda na metade nos degraus, vendo Car levá-la pela mão até a cozinha. O sorriso satisfeito da minha sogra me alegrou. Ela gostava tanto de ser chamada de vovó.

Lá em cima, no quarto, joguei a bolsa sobre a cama e retirei as sapatilhas vermelhas. Enquanto desabotoava a blusa social branca, meu celular tocou avisando que havia uma mensagem.

“Estou muito nervoso. Acho que vou vomitar, amor. Minha nota toda depende disso".

Emmett enviou, se referindo à apresentação de um projeto da faculdade de engenharia mecânica. Ele falou deste trabalho o mês inteiro e na última semana sequer teve tempo para brincar com Spencer, o que a deixou aborrecida com ele.

Tinha certeza que Emm se sairia bem, ele apenas precisava relaxar. Disquei o número dele e aguardei. No primeiro toque fui atendida.

– Amor, respira fundo. É só uma apresentação, vai se sair bem. – falei, tentando acalmá-lo. Sua respiração pesada do outro lado linha soando em meu ouvido.

Eu não costumo suar tanto para apresentar essas coisas na sala. Mas agora é diferente, tem uma bancada de engenheiros importantes nos avaliando. Rose, é sério, não vou conseguir. Meu projeto não é bom o suficiente. – faloudesanimado e eu sabiaque ele estava surtando à toa.

Tudo que Emmett fazia era ótimo, tinha notas excelentes. Estava mesmo honrando seu compromisso de ser o melhor aluno da turma, como prometera ao pai.

Enquanto eu tentava colocar um pouco de confiança na cabeça do meu namorado, uma pessoinha adorável invadiu o quarto correndo. Spencer apareceu com a boca suja de chocolate, um biscoito pela metade na mão e a blusa cor-de-rosa molhada. De relance, vi Carmen passar pelo corredor.

– A mamãe está falando com o papai, amor. Quer dizer oi? — a puxei para meu colo, sentindo cheiro de leite. Era isso que havia molhado sua camiseta e estava fazendo o tecido grudar. — Emm, a PeyPey vai falar.

Coloquei o celular no viva-voz e avisei que ela já poderia dizer algo.

Filha?– Emm a chamou e Spencer arregalou os olhos, sorrindo ao ouvir a voz do pai.

– Diga “boa sorte papai". Ele tem que fazer uma coisa muito importante na escolinha dele e está nervoso. — expliquei a ela, que encarava o celular como se procurasse Emmett lá dentro.

– Papai? Boa sóte papai usinho. – desejou, sorrindo em seguida ao ouvir a risada de Emm. Passei meu dedo no canto de sua boca, onde havia farelo de chocolate e beijei o local.

– Ouviu isso, amor? Ela está te desejando boa sorte. E eu também, amor. – falei.

Eu ouvi sim. Obrigado amor, obrigado bebê. Agora tenho que desligar, vão começar as coisas por aqui. Amo vocês. – ele se despediu.

– Amamos você também. Até logo, ursinho. – e finalizei a chamada. Deixei o celular sobre o colchão ao meu lado. — E o que aconteceu com a senhorita para estar toda molhada de leite assim? — pedi, tocando a barriguinha de Spencer, que se encolheu em meu colo.

Ela olhou para a mancha em sua blusa e passou a mãozinha, como se o ato pudesse fazer a sujeira desaparecer.

– Caiu, mamãe. – respondeu, ainda olhando para mancha.

– Tudo bem. Então vamos tomar um banho com a mamãe. Sua vovó te trouxe aqui pra tomar banho, não foi?! — imaginei, do contrário ela ainda estaria lá embaixo brincando.

Spencer assentiu e se remexeu, fazendo menção de descer do meu colo. Com ela no chão, fiquei de pé, terminando de desabotoar os botões da camisa e retirá-la por completo.

Vi minha garotinha correr para fora de quarto, com um sorriso sapeca nos lábios.

– Ei, ei! Onde pensa que vai, mocinha? Vem tomar banho na banheira da mamãe e do papai comigo, amor. — falei, estendendo minha mão na direção dela.

Pegá patinho de boacha. — avisou, apontando o corredor na direção do quarto dela.

– Tá bom, pode ir lá pegar seu patinho de borracha. Mas volta pra cá, nada de fugir do banho, Spencer. — ordenei, sabendo que qualquer coisinha era fácil para distraí-la e não voltar pra cá.

Então ela sumiu no corredor, o que fez meu coração se apertar por alguns segundos. Era sempre assim quando ela corria, eu ficava esperando que ela fosse cair. Pura neura, como Emm dizia.

Terminei de retirar a roupa, ficando de lingerie, e Spencer voltou quando eu calçava meus chinelos de borracha. Fechei a porta antes de segurar na mãozinha dela e guiá-la até o banheiro do quarto.

Enquanto a banheira enchia, me ajoelhei em frente a Spencer para retirar sua roupa. Joguei a camiseta cor-de-rosa e o shortinho no cesto de roupas sujas atrás dela. Soltei seus cabelos, desfazendo as várias chiquinhas que Esme havia feito. Spencer sacudiu a cabeça, sorrindo do modo como seus cachos bateram contra o rosto.

– Mamãe, pode mimi ali? — ela perguntou, enquanto eu lhe retirava a calcinha branca com estampa floral. PeyPey apontou minha cama e de Emmett, através da porta do banheiro, enquanto a outra mão se apoiava em meu ombro.

– Você quer dormir na cama da mamãe e do papai? — ela assentiu, ainda olhando na direção da porta — Mas e quem vai dormir na cama da PeyPey? — perguntei, atraindo seu olhar para mim.

Spencer apareceu pensar, depois sorriu sapeca.

– O Toddy e a Jojo? — sugeriu, se referindo ao ursinho e ao cachorro de pelúcia que tanto gostava de brincar e que ficavam em sua cama.

Tive que rir. Minha filha era muito esperta e mesmo que não fosse uma faladeira de mão cheia, sempre tinha argumentos para conseguir o que queria.

– Tudo bem, sua espertinha. Você pode dormir com a mamãe e o papai hoje. Agora entra aqui antes que a água esfrie.

Fiquei de pé e ergui Spencer pelos braços, a colocando dentro da banheira. Primeiro ela se encolheu, segurando meus braços para não entrar na água, deixando apenas os pezinhos molharem.

– Vamos bebê, a água está quentinha — eu disse, sentando Spencer na banheira.

Ela não resistiu mais, apenas pediu pelo patinho de borracha. Entreguei, entrando e me sentando na frente dela. Prendi meus cabelos, me esticando debaixo da água aquecida. Fechei os olhos para relaxar, pesando em Emmett e em como deveria estar saindo na apresentação do projeto.

Fui despertada dos meus pensamentos quando senti pequenas mãos sobre minhas pernas. Permaneci de olhos fechados e recebi um beijinho demorado no braço esquerdo.

– Mamãe tá mimindo. — a voz doce da minha menina saiu em um sussurro, como se não quisesse me acordar. Não consegui evitar o sorriso.

Quando os dedinhos de Spencer não tocavam mais minha pele, abri os olhos e a vi se sentar entre minhas pernas, apertando as mãozinhas na água, tentando fazer bolhas.

– Ei bebê — ela olhou pra mim no mesmo instante, exibindo um sorriso de covinhas que era de dar inveja ao sol, de tão brilhante, quente e espontâneo -, a mamãe não tá dormindo não.

Não resisti em distribuir beijos por todo seu rostinho. Ela se encolhia em meus braços, rindo, às vezes espirrando água para fora da banheira.

– Coisa mais fofa da mamãe. – falei, lhe dando um beijo estalado e arrancando mais um risinho dela.

Ela era a garotinha mais preciosa do mundo. Do meu mundo. Eu amava Spencer tanto que chegava a me sufocar. E sabia que todos da nossa família sentiam o mesmo.

– Vamos passar o sabonete agora, meu amor? Olha esses dedinhos, já estão encolhendo.

Quando terminamos nosso banho, fiquei de pé, me enrolando na toalha macia branca. Deixei a lingerie molhada dentro do cesto e fiz uma nota mental de levar tudo parar a área dos fundos amanhã cedo. Estava cheio de roupas minhas e de Emmett ali.

Esqueci que a toalha de banho de Spencer não estava aqui, e sim no quarto dela. Quase sempre havia uma aqui, já que por vezes ela tomava banho comigo. Provavelmente havia sido lavada e devolvida a seu armário.

– A mamãe vai buscar sua toalha, tá bom amor?! Fica aí, não levanta pra você não escorregar no piso. Spencer, está me ouvindo? — pedi séria, tendo que retirar o patinho de borracha de suas mãos para atrair sua atenção.

– Mã... Dá. — gemeu, esticando as mãos para o brinquedo.

– Não sai da banheira, PeyPey. É sério. Por favor, bebê. A mamãe vai buscar sua toalha e já volta.

Devolvi o patinho a ela e calcei meus chinelos, saindo do banheiro com a toalha presa ao corpo. Passei pelo corredor depressa, entrando no quarto de minha filha, com parede agora em tons claros de rosa e amarelo, indo direto ao armário pegar a toalha de banho.

Em um instante já estava de volta ao meu banheiro, retirando Spencer da banheira. Ela tremeu, agarrando meus ombros e vi seus dedinhos dos pés encolherem.

– Tá com frio, amorzinho? Ô meu Deus, meu bebê tá tremendo. — falei, apertando minha garotinha em meus braços. Cheirei seu pescoço, aspirando aroma de bebê com banho recém-tomado, e afaguei as costas, deixando o banheiro.

Deixei Spencer sobre a cama de casal e fui me vestir rapidamente. Coloquei um short jeans de lavagem clara, camiseta branca e o moletom cinza de Emmett, que cobriu até a metade das minhas coxas. Enquanto secava com a toalha a parte de trás dos meus cabelos, que haviam molhado um pouco, Spencer rolava sobre a cama. Os seus cabelos sim estavam bastante molhados e ela parecia se divertir com isso.

– Spencer, não. Seu cabelo está molhado, amor. Não pode. — pedi, a sentando sobre o colchão. — Você não quer dormir aqui na cama do papai e da mamãe?! Então não pode molhar. — falei séria, olhando em seus olhos castanhos claros intensos. Ela pareceu se entristecer e ergueu os bracinhos pedindo colo. — Não adianta pedir colo.

– Mamã... – abriu e fechou uma mãozinha. Um beicinho se formou em seus lábios e o inferior tremeu.

Antes que ela chorasse realmente, cedi e a peguei no colo. Eu era incrivelmente fraca quando o assunto era vê-la chorar. Acho que ainda não superei o trauma de quando ela ainda era um bebezinho e chorou por horas sem parar, enquanto eu quase tinha um colapso por estar sozinha nesta casa.

Ajeitei a toalha em seu corpinho e caminhei com ela para seu quarto. Vesti Spencer com seu pijama de mangas cumpridas e ela quis calçar as pantufas de gatinho em vez de meias. Antes que eu pudesse lhe pentear os cabelos úmidos, ela avisou que a vovó Carmen iria fazer isso. Então descemos as duas, carregando sua escova de cabelo e prendedores.

[...]

– Então quer dizer que meu ursinho arrasou hoje? – perguntei, sorrindo em meio aos beijos que Emm depositava em meu pescoço.

Estávamos no corredor, depois do jantar. Emm chegou da faculdade com um sorriso no rosto e eu soube naquele momento que tudo havia dado certo.

– Aham. E amanhã um professor que falar comigo. – sorriu satisfeito e as covinhas dançaram em suas bochechas. O brilho em seus olhos era arrebatador e eu estava morrendo de orgulho do meu namorado.

Passei os braços em redor de seu pescoço quando suas mãos apertaram minha cintura. Seus lábios tomaram os meus e fui ao céu naquele instante. Emm me beijou com tanta vontade, e eu retribuí na mesma intensidade e urgência, que cheguei a pensar que meus lábios se desintegrariam. Que meu corpo todo sucumbiria à paixão naquele instante.

Sua mão alcançou a maçaneta, abrindo a porta do nosso quarto que estava apenas encostada. Emmett me empurrou para dentro do quarto e a penumbra nos cobriu. Quando minhas pernas encostaram-se à beirada da cama, parei de beijá-lo.

– O que foi? – gemeu a contragosto, próximo a meus lábios.

– Spencer. – e olhei para nossa cama. Nossa filha dormia com a chupeta pendendo da boca e o cobertor embolado entre suas perninhas.

– Você disse que ela estava dormindo no quarto dela.

– Não, eu disse que ela estava aqui em cima dormindo. Não disse exatamente em qual quarto.

Com o facho de luz vinda do abajur, consegui ver Emm revirar os olhos. Ele me soltou, coçando a cabeça.

– Desculpe ursinho. Ela pediu e eu não consegui dizer não. Sabe que quando sua filha faz aquele biquinho não dá pra resistir, não é?! – voltei a unir nossos corpos, colocando minhas mãos no bolso detrás de sua calça. Dei-lhe um selinho.

– Tudo bem. Acho que podemos só dormir hoje. – ele beijou minha testa e se afastou outra vez, agora para se trocar.

Ajeitei o cobertor sobre Spencer e os travesseiros para mim e Emmett. Cada um deitou de um lado, deixando nossa garotinha no meio. A mão de Emm descansou em meu quadril, o braço passando sobre o corpinho de nossa filha. Dei um último beijinho no nariz de Spencer e Emm em seus cabelos.

– Boa noite, ursinho. Amo você. – falei, bocejando logo em seguida.

– Também amo você, Rose. Pra sempre.

Então adormecemos. Os três juntinhos. Minha pequena família perfeita.

Notas finais
E aí, o que acharam? Espero que tenham curtido. Eles são umas gracinhas pra mim. O próximo é o grande final, já estou com o coração na mão. Beijinhos e comentem, amorzinhas.