The Safe Place
64 Capítulo 64 – Agradecidos Por Nosso Felizes Para Sempre
Notas iniciais
Dois anos depois...
Os últimos anos haviam passado como um borrão. A correria da universidade, trabalho e mudança não me deixaram respirar, principalmente nos últimos seis meses. Ah, e claro, certa garotinha sapeca que deixava meu mundo de ponta cabeça também era responsável pela minha vida agitada.
Spencer, agora com cinco aninhos, estava em seu segundo ano na pré-escola e ela adorava aquele lugar. Inicialmente não foi bem assim. PeyPey não queria ficar na classe com as outras crianças e quando eu ou Emmett ameaçávamos ir pra casa, mesmo com a promessa de voltar para buscá-la em poucas horas, ela desandava a chorar. Partia meu coração e por essa razão sempre a pegava nos braços e a levava de volta comigo.
Foi assim na primeira semana inteira, o que me fez pensar seriamente em adiar a ida dela para a escolinha. Quando a segunda semana chegou, Irina resolveu usar seu papel de tia coruja e tentou subornar a sobrinha com presentes se ela fosse. Entretanto, nem mesmo outro ursinho de pelúcia cor-de-rosa convenceu minha filha a ficar no meio de crianças desconhecidas e sem nós.
Então a minha bendita mãe teve uma ideia genial. Sugeriu que Alex, que estudava no mesmo colégio, desse uma voltinha pelo lugar com a sobrinha e, com a permissão da professora, ficasse um tempinho com ela na classe. Quando macinha de modelar, giz de cera e folhas em branco alcançaram as mãos de Spencer naquela tarde de terça-feira, bingo! Ela sequer percebeu quando eu e Emm fomos embora.
Minha garotinha fez novos amigos, apesar de ser bastante tímida. Ela parecia ter o humor de Isabella, já que ficava bastante emburrada quando algum amiguinho pegava algo que era seu ou que estava usando. Foi o que o professora me contou e com muita conversa Spencer aprendeu a dividir, em vez de ficar bicuda ou bater em alguém. Coisa de filha única mimada por todos, claramente.
Os últimos seis meses foram os mais agitados, pois foi quando resolvemos nos mudar de vez. Ou melhor, colocamos a mudança em ação. Desde o ano anterior procurávamos um apartamento, mas sempre havia algo que desagradava a mim ou a Emmett. Quando finalmente encontramos o ideal e realizamos a compra, tivemos que aguardar até juntarmos mais dinheiro para mobilhar por completo. Emm dizia que se fosse pra sair da casa dos pais, que fosse para uma casa completamente confortável.
Esse foi o motivo da demora, mas agora estamos adorando morar sozinhos. Spencer estranhou de início não ter mais a vovó e o vovô para lhe dar beijinhos de boa noite, e por várias vezes Car ligou para ela apenas para dizer que a amava, sentia saudades a todo instante e que dormisse com os anjos. Carmen era mesmo perfeita.
Bom, não éramos apenas nós que havíamos progredido em nossas vidas. Isabella e Alice também tinham muito que contar.
As duas haviam se formado no mês anterior, assim como Miah. Emm, Jacob, Jasper e eu fomos à formatura de cada uma delas, assim com todos eles iriam à minha e à de Emmett. Era incrível que apesar não nos vermos ou falarmos todos os dias, como era no colégio, nossa amizade continuava a mesma. Talvez até mais profunda, pois não desperdiçávamos a chance de nos encontrar.
Alice, apesar de ter se graduado em designer gráfico, estava usando todo seu talento em desenhos para moda. Iria passar o próximo mês em Nova York, num curso de moda que Irina havia conseguido para ela. De acordo com a baixinha, seu pai queria que ela estabelecesse residência fixa por lá, junto dele e da nova esposa, mas Ali afirmava que não tinha estômago para conviver com uma madrasta de 25 anos.
Poderia soar egoísta da minha parte, mas eu sempre agradecia quando Alice negava, veemente, as investidas do senhor Brandon de fazê-la morar tão longe de Forks.
Sobre Bella, seu mundo sim havia mudado radicalmente. Ela ainda minha melhor amiga desajeitada, que só usava all star sujo e viciada em cafeína. A grande diferença era que agora morava sozinha, já que Charlie se casara e fora morar na casa da nova esposa. E era famosa. Bom, talvez não tão famosa assim, mas reconhecida por várias pessoas, definitivamente era.
Isso se devia ao sucesso de “Meu Príncipe Desencantado”, o romance engraçado e adolescente de Isabella. A história girava em torno de uma garota que se apaixonava por um idiota do colégio e que nunca percebeu que seu verdadeiro amor era, na verdade, seu melhor amigo. Só eu havia achado que Bella praticamente havia escrito sua vida ali?!
O que realmente interessa é que o livro fora publicado e Bells não esperava alcançar tanta gente com seus devaneios da época do colégio. Ela recebia emails de pessoas que haviam adorado seu livro, além de já ter dado autógrafos para uma cambada de adolescentes. Agora, minha amiga tinha uma renda estável e estava trabalhando em sua nova obra: Meu Namorado Otário. Eu podia jurar que este seria sobre Jake – piadinhas à parte. Os dois continuavam se pegando, por vezes dormiam juntos como ela me contava, mas Bella jamais assumia o relacionamento sério.
Jasper há pouco tempo resolvera abandonar a faculdade de economia e se arriscar na vida militar. Agora o víamos apenas nos finais de semana, o que deixava Alice ainda com mais saudades. Pois é, depois de tanto flerte e enrolação, no Natal do ano passado, quando viajamos a cambada toda para uma praia próxima, o Whitlock finalmente pediu a baixinha em namoro. Eu nunca vi Alice sorrir tanto na vida. Nem saltitar. E, sendo sincera, foi o melhor momento da viagem ver minha melhor amiga tão feliz. Esse também era um forte motivo para ela não querer se mudar daqui.
Ainda me lembro da cena.
– Ai. Meu. Deus. – a voz da baixinha soou atrás de nós, pausadamente. Eu e Bella estávamos esparramadas sobre os colchões no chão do quarto da pequena pousada. Spencer dormia tranquila enquanto eu acariciava suas pernas gordinhas e Bella devorava um saco de marshmallows.
Havíamos terminado de almoçar e os meninos foram fazer trilha. Alice havia sumido e eu achava que ela estava caminhando pela praia ou algo assim.
– O que foi, baixinha? –perguntei, notando a expressão espantada e feliz que esticava seus lábios em um enorme sorriso e o brilho corado em suas bochechas rosadas.
– Eu to namorando! – contou ela, deixando escapar um gritinho agudo e um pulinho estilo Alice Georgia Brandon.
– O que? – Bella berrou e eu fiz um “shhh” para ela lembrar que Spencer estava dormindo bem ali. Minha garotinha murmurou algo em meio ao sono, mexeu as mãozinhas e logo voltou a dormir feito pedra.
– Desculpa. – Bells sussurrou. – Agora vem cá e explica isso direito, pintora de rodapé. – exigiu ela, se esticando e pegando a mão de Alice, que se sentou junto a nós.
No instante seguinte a baixinha estava contando com riqueza de detalhes e olhar apaixonado como havia ocorrido o pedido há minutos atrás. Jasper e ela caminhando de mãos dadas na praia. Fiquei tão feliz por eles.
Aquela viagem ficaria gravada em nossa memória por toda vida.
Eu ficava completamente satisfeita por ver todos eles assim, bem, realizados e felizes. Minha família estava completa e alegre. Irina, que antes afirmava não ter jeito pra maternidade, estava começando a considerar a ideia de dar um primo ou prima a Spencer. Seu casamento, de acordo com a loira, era indiscutivelmente perfeito e talvez fosse a hora de acrescentar mais um pouquinho de felicidade a ele.
Resumindo, era essa enxurrada de coisas boas que faziam todas nossas lutas até aqui terem valido a pena. Até mesmo nos brigas e puxões de orelhas. Eu jamais, em hipótese alguma, abriria mão de ter essas pessoas. Faria tudo de novo, se soubesse que o final seria esse.
[...]
– Passo a palavra para a estudante do curso de História, Rebecca Dikinson, que fará o discurso em nome dos demais alunos. – o professor do mestrado falou ao microfone e Rebecca, sentada ao meu lado, ficou de pé, se dirigindo ao palco com seus saltos prateados.
Era o grande dia, o dia da nossa graduação. Mal podia acreditar que, quatro trabalhosos e divertidos anos depois, estaria recebendo meu diploma. Sentira falta dessa turma. Desde Max, o brincalhão da turma, até Joe, o cara mais quieto e inteligente. Éramos uma das turmas mais unidas da faculdade. Por isso a experiência com cada um ali havia sido absolutamente proveitosa.
O discurso de Rebecca rendeu lágrimas de boa parte dos alunos e familiares, assim como vários sorrisos e recordações. Virei-me minimamente na cadeira onde estava, vendo Emmett, minha família e meus melhores amigos ao fundo. Spencer também estava lá, de pé no colo do pai, tentando enxergar o máximo que podia.
Quando minha colega finalizou a oratória, foi a vez de o diretor chamar nossos nomes enquanto o decano da faculdade e uma professora de outro curso entregavam os canudos representando o diploma. Ah, também tinha a paradinha típica pra foto com aquele chapéu ridículo.
Demorou, mas meu nome foi anunciado. Precisei segurar o riso e limpar as lágrimas quando vi todos que eu amava de pé, me aplaudindo. Jacob, como sempre, não perdeu a chance e assobiou bem alto. Fiquei vermelha, mas outra coisa desviou completamente minha atenção.
– Mamãe, mamãe! – a voz angelical e infantil de minha filha soou em meio à multidão e, quando dei por mim, aquela criaturinha que eu tanto amava estava correndo em minha direção.
Spencer, usando seu vestido rosa de babados favorito, escapou dos braços de Emmett e subiu os pequenos degraus de acesso ao palco. Ela agarrou minhas pernas, quase me desequilibrando por estar de saltos finos.
– Oi meu amor! – minhas mãos tocaram as costas dela.
Eu estava tão feliz pelo momento e por ver minha menininha sorrindo sem os dois dentinhos da frente, que só me dei conta da cena quando vários “awwn” chegaram aos meus ouvidos.
Curvei-me, pegando Spencer no colo. Ela segurou o canudo do diploma e foi exatamente assim que saiu minha foto de lembrança da graduação. Eu e minha filha, ambas completamente sorridentes.
[...]
A formatura já havia se encerrado, os capelos jogados para o alto e milhares de abraços eram distribuídos pelo salão. Foi difícil, mas consegui me afastar dos meus colegas de classe para ir atrás do meu namorado e do resto da família. O motivo de me prenderem tanto? Todos queriam conhecer a garotinha sapeca que invadiu o momento da formatura da mamãe.
Não era segredo pra ninguém ali que eu tinha uma filha. Não era a única da classe também. Acontece que Spencer nunca havia entrado na faculdade, apenas ficado no carro quando Emmett precisou me buscar algumas vezes. E agora que meus colegas a conheceram, foram picados pelo mosquitinho da paixão e ficaram nas mãos da minha pequena. PeyPey era mesmo encantadora.
– Rosie! – escutei a voz da baixinha e quando me virei lá estava ela acenando. – Parabéns, Rosie. Meu Deus, estamos mesmo formadas pela segunda vez! – ela comemorou, batendo palminhas. Aos 21 anos, Alice ainda não perdera este costume.
– Parabéns, meu amor. – Emm me puxou pela cintura, colando os lábios aos meus num selinho esmagador. – Estou muito orgulhoso de você. – sussurrou em meu ouvido, me fazendo arrepiar. Aquela sensação, o efeito que ele causava em mim, jamais iria embora.
– Obrigada ursinho. – segurei seu rosto, selando mais uma vez nossos lábios.
Fomos interrompidos por um roçar de gargantas. Nos separamos, dando de cara com minha cunhada maravilhosa num vestido branco e justo deslumbrante.
– Loira, eu não te vi! Achei que não tivesse conseguido chegar. – falei, recebendo um abraço apertado de Irina.
– Estávamos lá atrás. Foi impossível achar uma vaga pra estacionar e esses sapatos não me permitem correr. – sorri ao vê-la fazer careta. — Mas não pense que perdi o espetáculo. Cadê a estrela da noite? Minha sobrinha linda sempre rouba as cenas.
Irina arrancou risadas de nós com suas palavras. Mas era verdade. Spencer conseguia ser o centro das atenções até mesmo quando não queria.
Apontei para Carmen e Eleazar que conversavam com outro casal enquanto Spencer brincava de correr em círculos com Alex.
– Ela ficou mesmo uma gracinha naquele vestido. Está vendo? Alice e eu temos ótimos gostos. – a loira se gabou.
– Nunca duvidei disso. – pisquei para ela, recebendo mais um beijo na bochecha. Stefan me parabenizou também e seguiu a esposa para perto dos meus sogros.
Depois foi a vez de Miah, Jacob, Jasper e Bella me darem os parabéns. PeyPey apareceu no meio da nossa conversa e Bells a pegou no colo. Por mais que estivesse bem crescidinha, minha princesa não abria mão de um belo colo.
– Okay, vamos pra casa e pedir uma pizza enorme! – esse foi Emm, animando todos nós. Despedimos-nos dos pais dele, que iriam pra casa, e de Irina e Stefan.
Antes que eu chegasse à saída, fui puxada por Max e Rebecca para uma última foto de turma. Cheia de caretas e sorrisos. Isso me lembrou da formatura do colegial.
– Chope no próximo sábado? – essa foi Katherine, a “bêbada” da turma. Ela era bastante legal e só a chamávamos assim – na brincadeira, é claro — pois Kate era quem sempre organizava as bebedeiras da turma.
– Não vamos perder o costume. – Max falou, se agitando no meio de nós.
– Topa Rose? – Rebecca perguntou e eles me olharam.
Por várias vezes neguei os convites, em outras eu fui apenas para ser social. Eu não gostava de beber, ao contrário de Emmett, que sempre conseguia me persuadir para ficar de olho em Spencer enquanto saia com os amigos de sua universidade. Tirando essas vezes que ele trapaceava, conseguíamos equilibrar e dividir igualmente todo esse lance de estudos, saídas e filha.
Dessa vez, com aquele bando de olhos me encarando, esperando uma resposta, senti que deveria me dar uma última chance.
– Tá legal, eu topo. – a comemoração dos meus colegas de turma colocou um sorriso sincero em meu rosto.
Então me despedi outra vez, seguindo para saída onde Emm e nossos amigos esperavam. Spencer dormiria na casa da vovó Car esta noite.
Todos espremidos no carro de Jasper, já que eles haviam ido à formatura juntos e eu Emm com os pais deles, seguimos para o simples e aconchegante apartamento que agora era o lar da minha pequena família. Assim que estacionamos, Isabella se contorceu em meu colo, colando o rosto no vidro.
– Aquele ali é o Edward? – perguntou, mantendo as mãos espalmadas na janela.
Jacob, no banco do carona, virou imediatamente na direção onde Bella espiava.
– Merda! – praguejou o grandão.
Descemos do carro e eu finalmente pude respirar fundo sem achar que o ar se esgotaria. Minhas costas estalaram e tornei a sentir minhas coxas, já que Bella havia as deixado dormentes.
– Edward? Tá fazendo o que aqui, cara? Achei que estivesse em Nova York. – Emm se aproximou do primo, estendendo a mão pra ele.
Os dois se cumprimentaram e olhar do Masen correu por todos nós. Pelo canto de olho vi Jake fazer cara feia e apertar a cintura de Isabella.
– Eu estava, mas agora estamos de férias por lá. A temporada acabou e o próximo jogo vai demorar um tempo. Então, vim ver a família. Minha mãe passou seu novo endereço. – ele sorriu, colocando as mãos no bolso do casaco, parecendo sem jeito.
Edward Masen envergonhado? Uau! Tá aí uma coisa que achei que morreria sem ver. O silêncio se instalou entre nós e Jake pigarreou claramente irritado por todos nós estarmos vidrados em Edward, esperando que ele dissesse alguma coisa.
– Tá legal, vamos entrar. Bells, liga pra pizzaria? Você pode ficar se quiser, Edward. – sorri educadamente pra ele, que assentiu ainda sem jeito.
Não precisamos nos espremer dessa vez no elevador já que Jacob, Bella e Miah ficaram para subir depois de nós. Só esperava que a cara emburrada de Jake não estragasse o resto da noite da minha formatura.
Eu e Alice fomos diretamente para meu quarto. Eu precisava me livrar daqueles saltos enormes o mais rápido possível. Aproveitei para vestir um short jeans e uma blusa de malha de mangas cumpridas. Alie calçou meu par de chinelos. Seus pés pequenos já estavam com bolhas causadas pelas sandálias prateadas. Ela ficou uma gracinha de chinelos e vestido de festa.
– Ah aí estão vocês. Pediu a pizza, Bells? – perguntei assim que saí do quarto, dando de cara com uma Bella com a expressão não muito animada tamborilando os dedos na mesa e um Jacob irritado no sofá.
Ela assentiu e começou a revirar o celular sobre a mesa. Eu e Alice trocamos olhares e fomos pra cozinha pegar os pratos e talheres. Encontramos Edward e Emm conversando. Havia latinhas de cerveja sobre a mesa e duas garrafas de Coca-Cola.
Pareceu uma eternidade até que o entregador chegasse. Emmett atendeu e todos nós rachamos a conta. O cheiro estava delicioso, mas eu não podia dizer o mesmo do clima no apartamento. Estávamos muito quietos e isso não era normal.
– Qual é gente, vamos ficar nesse tédio mesmo? É a formatura da Rose, vamos comemorar. – Miah se pronunciou, segurando um copo de refrigerante pela metade. Ela não quis comer pizza afirmando que estava enjoada. E eu podia jurar que sabia o motivo de seu mal estar.
– Tá legal, pessoas. Já sei o que vamos fazer. Mímica! – Alice pulou do sofá e nós a encaramos com uma expressão desacreditada.
– Sério, Alice? Quantos anos você tem? – Bella revirou os olhos.
– Deixa de ser chata, Bellinha. – a baixinha lhe mostrou a língua.
– Porque não fazemos valendo alguma coisa? Quem perder no final paga algo que o vencedor escolher. – Edward sugeriu e os garotos pareceram se animar.
Então começamos o jogo. E não é que foi divertido? Eu e Bella sempre acertávamos o que Alice imitava, já que ela tentava fazer cenas que algum filme adolescente que adorava. Era quase impossível adivinhar as mímicas do Jasper. Que tipo de pessoa imita um filósofo grego ou um personagem de filme preto e branco?
Edward e Jacob estavam levando aquilo a sério demais. Sempre eram os primeiros a tentar responder corretamente e quase sempre acertavam. Emmett só sabia imitar cantores famosos ou cenas engraçadas de comédias, o que me fazia chorar de rir.
Eu e Bella já havíamos desistido de tentar adivinhar a mímica de Miah. Ela passava a mão no cabelo, fazia cara de nojo e tentava desfilar. Que raios era aquilo?
– Espera! É a Maggie? – Alice tentou e Miah soltou um “finalmente”.
Então foi a vez da baixinha e a brincadeira se repetiu mais algumas vezes, até que ninguém mais tivesse ideia do que imitar. Jacob havia ganhado por um ponto do Edward, Alice estava marcando. A perdedora havia sido Bella. Isso ia ser engraçado.
– Então Jacob, o que a Bells vai ter que fazer? – perguntei, atraindo os olhares para o moreno sentado no sofá comigo e Alice.
– Hmm... – ele olhou maliciosamente na direção de Bella. Ela estava com a sobrancelha arqueada, um claro de sinal de desafio. – Ela vai ter que dizer sim, não importa o que seja, certo? Ela vai ter que aceitar, né?
– É isso aí. – Jasper deu um sorrisinho cúmplice.
– Olha lá o que vai sugerir. Não quero baixaria na minha sala. – Emm avisou, tomando um gole de cerveja.
– Já sei. – Jake ficou de pé. Aproximou-se de Isabella e segurou sua mão. Ela ficou de pé, olhando nos olhos dele. Então eu soube exatamente o que Jacob iria pedir. – Você pode ser contra relacionamento sério e querer me matar depois disso. Mas eu não vou deixar essa chance passar, cara. A gente já está de rolo há muito tempo, mas eu quero que você seja minha de verdade. Então, Swan, aceita namorar comigo?
Alice apertou minha mão e soltou um “awwn”. Ela sempre seria uma romântica incorrigível. Os olhos de Isabella corriam o rosto de Jake, que agora a encarava sério. Ela suspirou, fechou os olhos e balançou a cabeça. Depois tornou a encará-lo e sorriu.
– Eu aceito, seu idiota. Ah, é claro que aceito, Jake. – então jogou os braços em volta do pescoço dele e o beijou.
Emmett puxou as palmas e o seguimos. Edward parecia meio sem graça, mas aplaudiu o novo casal também. Novo que de novo realmente não tinha nada. Ri com o pensamento, mas ouvi alguém fungar. Virei-me e Miah chorava, sentada no braço do sofá.
– Você tá chorando? – fiz a pergunta óbvia.
– Não, só fiquei um pouquinho emocionada. – Ela secou os olhos levemente avermelhados. – Ai Bella, você são tão bonitinhos! – expressou a loira e correu para abraçar nossa amiga.
– Ela tá bem? – Alice cochichou em meu ouvido, olhando na direção de Miah.
– Ela está ótima. Mas eu acho que vamos ter que aguentar esses surtos de emoções pelos próximos 9 meses. – cochichei de volta e Alice arregalou os olhos surpresa.
Trocamos sorrisos cúmplices e a falação voltou, todos rindo e conversando outra vez.
[...]
Passava das 2h da manhã quando todos se foram. Miah estava praticamente babando no meu sofá e as meninas a levaram para o carro de Jasper quase carregada. A organização da bagunça de almofadas, copos e caixas de pizza ficaria para amanhã. Apenas tratei de tirar o que era de vidro dos lugares onde as mãozinhas de Spencer pudessem alcançar caso ela chegasse mais cedo no dia seguinte.
Por falar na minha pequena bagunceira, Emmett estava com ela no telefone. Carmen ligara fazia pouco mais de dez minutos dizendo que PeyPey havia acordado e estava chamando por nós. Agora Emm estava tentando fazê-la dormir, mas ela parecia irredutível do outro lado da linha.
– Fechou os olhinhos? – perguntou ele – Agora conte carneirinhos. Até que número? Até você dormir, filha. Mas você só sabe contar até 17? – me olhou, pedindo socorro.
Não consegui segurar o riso, me aproximando dele e tomando o celular.
– PeyPey, é a mamãe. Porque minha bonequinha está acordada até agora, ham? Obedece ao papai, fecha esses olhinhos e vá já dormir. – pedi e ela fez manha do outro lado da linha, afirmando que o sono tinha ido embora. – Tá legal, o que a mamãe pode fazer para o sono voltar?
– Cantá?! – sugeriu ela e pude visualizar sua carinha de sono, o sorrisinho sapeca e os cabelos bagunçados. Sorri.
Minha voz não era nada afinada, mas Spencer nunca reclamou. Eu podia vê-la sendo embalada pela velha canção de ninar que Carmen cantava para ela todos os dias, mas que desde que viemos morar no apartamento era eu quem tinha essa função. Murmurei as estrofes, diminuindo lentamente o tom até que minha voz não passasse de um sussurro.
Quando seu ressonar chegou aos meus ouvidos, soube que minha garotinha havia adormecido.
– Rose? Ela dormiu, querida. Obrigada. – a voz sussurrada de minha sogra avisou. Despedi-me e encerramos a ligação. Então senti as mãos de Emmett em minha cintura.
– Como você consegue? – perguntou ele, mordiscando minha orelha em seguida. Meu corpo se arrepiou com a proximidade e ele pareceu notar, já que apertou ainda os braços em torno de mim. Seus lábios quentes tocaram a curva do meu pescoço e tive me esforçar para manter a sanidade e responder sua pergunta.
– Cinco anos de prática. Eu tinha que aprender alguma coisa, ursinho.
– Certo. Vamos deixar essa prática de lado e praticar outra coisa.
– Vamos é? – me virei, sorrindo pra ele e passando meus braços em volta de seu pescoço.
– Uhum. Algo bem mais interessante.
Seu sorriso malicioso e as covinhas que salpicavam suas bochechas foram as últimas coisas que vi antes que seus lábios tomassem os meus. Aquela bendita frase clichê sobre a corrente elétrica passando por nós foi a única coisa que consegui pensar para descrever a sensação. Era eletrizante, quente e devastadora. Não havia nada no mundo que pudesse me afetar mais que Emmett.
E parecia que eu o afetava da mesma forma. Por mais anos que se passasse, eu jamais me acostumaria com o fato de abalar as estruturas dele.
Suas mãos voaram para barra da minha blusa e no instante seguinte ela estava no chão da sala e o celular jogado em algum canto do sofá. Sua camisa social fez o mesmo percurso e antes que minhas mãos chegassem ao cós de suas calças, Emm as segurou, me empurrando na direção do nosso quarto.
Não fomos tão longe. Ali mesmo, no corredor, ele se apressou em deixar os sapatos. Eu sequer sabia onde estavam meus chinelos, já tinha os tirado durante a brincadeira de mímica. Nossas bocas se afastaram apenas para que eu pudesse me concentrar em retirar o cinto de sua calça, mas ele foi mais rápido e poupou meu trabalho com aquele acessório desnecessário a meu ver.
Suas calças caiaram logo em seguida e não resisti em encarar o homem maravilhoso a minha frente. Eu era mesmo a garota mais sortuda do planeta. Tornei a unir nossos lábios, depois distribuí beijos por seu pescoço e peito largo, enquanto Emmett brigava com o fecho deu meu sutiã. Isso sempre acontecia!
– Aí está uma coisa que você precisa de prática, ursinho. – eu ri e ele resmungou algo quando finalmente abriu, retirando a peça e atirando no chão.
Foi sua vez de me admirar e não pude evitar ficar vermelha. Seus olhos faiscavam seguindo minhas curvas e imaginei se era realmente tão atraente assim. Emmett me olhava com devoção! A mesma de quando ele me vira assim pela primeira vez, quando eu ainda tinha as marcas das agressões de Hector. Talvez até mais. Mesmo depois das mudanças que ocorreram em meu corpo devido à gravidez de Spencer.
Em ambas as ocasiões, e em tantas outras, ele não pareceu se importar com qualquer defeito que meu corpo exibia. Ao contrário, ele admirava cada pedacinho e isso só me fazia amá-lo mais.
Emmett me puxou para si, moldando meu corpo ao dele. Mas eu ainda estava vestida demais. Então ele me empurrou quarto à dentro, na direção da cama. Minhas costas tocaram o colchão macio e Emm se posicionou sobre mim. Em nenhum instante ele deixou de me beijar.
– Caramba Emm, acaba com isso. – pedi, sentindo o peso de seu corpo sobre o meu. Sua boca tornando mordiscar minha orelha. Ele gemeu com meu pedido e resolveu o problema do restante de minha roupa.
Meu short jeans e a calcinha voaram para trás dele e sua cueca seguiu o mesmo rumo. Finalmente nossos corpos se uniram e arqueei as costas, juntando ainda mais nossos quadris e aprofundando o contato. Logo nos movíamos em sincronia e eu não achei que pudesse ir ao céu e voltar tantas vezes. Amar Emmett sempre seria assim. Como ir a lua e voltar, um milhão de vezes, e jamais se acostumar com essa sensação avassaladora.
Há alguns anos, quando minha vida era um inferno e eu só queria que tudo fosse pelos ares, sequer cogitara a ideia de ser feliz. Eu sonhava. Sonhava muito com a volta da minha mãe, um pedido de desculpas do meu pai e com meu príncipe encantado. A única coisa me dava o mínimo de ânimo eram minhas melhores amigas. Sem elas, eu realmente teria afundado.
Então aquele cara grandalhão esbarrou em mim no primeiro dia de aula, me fazendo cair de bunda no chão. E, acredite, foi o melhor tombo da minha vida. Aí ele sorriu, exibindo covinhas fofas demais para um cara daquele tamanho e meu coração dançou dentro do peito. Ele me roubou para si naquele instante e sequer sabia disso.
Depois disso foi impossível ignorar o bater desenfreado do meu coração, os pensamentos constantes a respeito dele. Quando Emm me beijou pela primeira vez eu mal sabia como agir e mesmo assim ele me conduziu da forma mais perfeita. Ainda sinto aquele beijo como se tivesse acabado de acontecer.
– Ei, em que está pensando pra estar sorrindo desse jeito? – a voz de Emm me despertou dos pensamentos.
No momento, minhas mãos estavam espalmadas em seu peito nu, sua mão corria por minhas costas traçando desenhos imaginários. Era tão relaxante. Podia sentir o bater calmo de seu coração sob minha palma. Meus cabelos levemente suados estavam espalhados sobre o travesseiro. Vez ou outra Emm mexia neles, que estava grande demais e passavam da hora de ser cortados. Ele gostava assim, cumpridos e desordenados.
– No nosso primeiro beijo. – respondi. – Em quando nos conhecemos.
– Foi o melhor dia da minha vida. – ele sorriu e suas covinhas brilharam pra mim.
– Você podia ainda não gostar de mim, mas fique sabendo que roubou meu coração no instante em que sorriu e mostrou essas covinhas pra mim. – confessei, estendo a mão para acariciar sua bochecha.
Sua mão deixou minhas costas e fez o contorno do meu rosto, parando nos lábios. Seu polegar acariciou minha boca, em seguida ele me beijou. Um selinho forte e demorado.
– Eu te amei no instante que botei meus olhos em você, Rose. Posso não ter percebido isso logo de cara, posso ter ignorado o jeito estranho que meu coração bateu. Mas fiquei encantado com a garota que me pedia desculpas até mesmo por respirar.
Ri de leve, recebendo um beijo na testa e outro nos cabelos.
Ele tinha razão, eu pedia muitas desculpa naquela época. Sempre me senti culpada pela maneira que meu pai me tratava, achando que podia ser uma filha melhor. Demorou até que eu entendesse que o problema era ele e não eu. Emmett me fez enxergar isso. Ele mudou completamente minha maneira de encarar a vida, meu deu novos motivos para lutar. Um deles, o mais importante de todos, Spencer.
Tinha que admitir que ficara terrivelmente assustada quando descobri que estava grávida. Fiz a grande besteira de me afastar do primeiro e único amor da minha vida e me arrependo disso até hoje. Por sorte ou seja lá o que for, Emmett sempre teve um coração grande demais para guardar rancor e me perdoou. Assim como ficou radiante com a ideia de ser pai.
– Eu só sei que tenho que te agradecer por ter confiado em mim e me dado à chance de entrar em sua vida. Você era tão fechada e assustada, meu amor. Eu só queria te proteger. – ele confessou e sua mão voltou a acariciar meus cabelos.
Sua respiração parecia ter se desestabilizado por um minuto, como se estivesse sufocando, e me peguei pensando que Emmett sentia medo de imaginar que eu jamais o deixasse se aproximar ou que não conseguisse me livrar das garras do meu pai.
– Eu é que tenho que te agradecer, ursinho. Se não fosse por você, eu jamais teria essa vida maravilhosa. Não teria a Spencer, que é o melhor presente que você poderia me dar. Você não só mudou minha vida como me deu também uma nova vida pra cuidar. É motivo suficiente para eu ser eternamente grata a você, Emm. – apoiei meu peso sobre o cotovelo, erguendo a cabeça para olhar fundo em seus olhos.
E lá estavam aquelas joias verdes brilhando pra mim. Foi a vez de o meu coração desestabilizar.
Seria sempre assim. Quando ele me olhasse, me tocasse, me beijasse, milhões de sensações incoerentes reverberariam em meu ser. Tá aí outra coisa a qual eu agradeceria eternamente. Por Emmett despertar em mim sentimentos e reações que em hipótese alguma seriam provocadas por outra pessoa. E por eles nunca cessarem.
Emmett tornou a unir nossos lábios, me pegando de surpresa. Sua boca se uniu a minha e a sincronia foi perfeita outra vez. Ele reivindicava cada canto como se já não pertencessem a ele há muito tempo. Eu sentia o amor exalando de cada parte dele, correndo sua pele e chegando até mim. Afundando, inebriando, grudando.
Paramos apenas quando o maldito ar se fez necessário. Era nessas ocasiões que eu desejara que alguém inventasse algo que poupasse nosso fôlego por incontáveis horas. Poderia passar a vida toda beijando Emmett e morrer satisfeita.
– Eu te amo, Rose. Te amo tanto! – e sua voz soou doída, como se o sentimento fosse tão intenso que o dilacerasse por dentro.
Eu o entendia perfeitamente. Emm grudou a testa na minha, nossos suores se misturando. Sua mão segurando minha nuca e nossas respirações ofegantes se entrelaçando.
– Eu sei, Emm. Eu sei. – minha mão direita tocou sua bochecha e meus dedos se demoraram acariciando o local. – E eu te amo da mesma forma. Com a mesma intensidade e loucura. Te amo como jamais pensei que fosse possível amar alguém. – minhas palavras o fizeram abrir os olhos.
Verde se misturando com mel. Nunca foi tão certa aquela mistura de cores, de olhares, de sentimentos.
– Pra sempre? – ele quis confirmar e acabei rindo. Junto com o riso, vieram as lágrimas.
– Pra sempre. Incondicionalmente. – respondi e ele secou a lágrima teimosa que escorreu com um beijo.
Vieram outros e outros. Milhares deles. Quando me dei conta, estávamos nos amando de novo. Não tínhamos intenção alguma de encerrar aquela noite perfeita. Emmett podia fazer sua quantas vezes quisesse. Infinitas, pra ser mais exata.
E, quando a manhã chegasse, trazendo consigo um novo dia, nos amaríamos de novo e de novo e outra vez mais. Ele me dando cada vez mais provas – não que fosse mais necessário – de todo esse amor.
Em seguida poderíamos tomar um relaxante café da manhã, trocando sorrisos e beijos enquanto aguardamos nossa princesa. Quando ela chegasse, a beijaríamos até Spencer fugir de nós, então nós correríamos atrás dela pela casa e a encontraríamos escondida debaixo de nossas cobertas.
Seria mais um dia perfeito do nosso pequeno paraíso.
Fim
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