The Safe Place

60 Capítulo 60 – Revendo as Prioridades


Notas iniciais
Olá pessoas lindas do meu coração! Quando eu falei no capítulo anterior que este seria um pouco tenso, não pensei que vocês fossem ficar tão preocupadas. Bom, aqui está o capítulo então. Espero que gostem (:

Emmett havia saído para algum lugar com os novos amigos da faculdade. Ultimamente ele estava saindo bastante com eles. Sabia que ele estava na casa de algum deles estudando, mas não entendia como podia estar demorando tanto. Sempre eram reuniões de estudo para provas ou trabalhos em grupo.

Então não podia culpá-lo por me deixar sozinha em pleno sábado à noite com um bebê que não parava de chorar.

– Vamos Spencer. Pare de chorar, amorzinho. — eu andava para lá e para cá pelo quarto, balançando o pequeno bebê em meus braços. Beijei sua cabecinha com poucos fios de cabelo liso. Suas mãozinhas não paravam de balançar e se esticar, me fazendo segurar ora ou outra e beijar os dedinhos.

Carmen e Eleazar tinham saído para jantar com algum fornecedor do supermercado e Irina, como sempre, estava em algum lugar com Stefan. Apesar da minha sogra e cunhada terem dito que eu podia ligar caso precisasse de qualquer coisa, não queria incomodar. Eu tinha que aprender a cuidar de Spencer, era minha filha afinal.

– O que você tem, hein meu amor? – pedi na vã esperança de que ela pudesse mesmo me responder. — O papai e a vovó já vão chegar. Não precisa chorar, PeyPey. — tornei a beijá-la, agora no narizinho.

Seus olhinhos cor de mel, exatamente como os meus, brilhavam pelas lágrimas. As bochechinhas estavam avermelhadas e sua boquinha se contorcia em meio ao choro desesperado. A fralda estava limpa e ela havia mamado há pouco tempo. Não fazia ideia do que Spencer estava sentindo, mas começava a desconfiar que estivesse ficando um pouco quente.

Estava pensando seriamente em ligar para Emm e pedir que voltasse para casa imediatamente, quando meu celular começou a tocar.

– Alô? — atendi assim que peguei o aparelho que estava sobre a mesinha ao lado da cama. Segurei Spencer com um braço só, com um pouquinho de esforço. Sentei-me na cama, já que ela ainda se mexia muito e chorava.

Rosie!– Alice praticamente berrou do outro lado da linha.

– Sem gritar, Alice. Não sou surda. — comentei, olhando para o bebê em meus braços que havia parado de chorar alto e me encarava. Talvez tivesse escutado a voz de Alie, quem ela tanto amava.

Você está estressada. O que aconteceu?– perguntou ela, me conhecendo pelo tom de voz.

– Não é nada, baixinha. Me diz você o que está acontecendo aí. Que barulho todo é esse? — perguntei, me referindo ao som de pessoas rindo e falando alto, que vinha do outro lado da linha.

Então Rosie, é por isso que estou ligando. Eu estou na casa da Bellinha. O livro dela finalmente ficou pronto e o Jake inventou que tínhamos que comemorar.– Alice riu e eu sorri, contente por Isabella.

– Jacob não perde a oportunidade, né?! — comentei rindo de leve, sabendo que isso era mais um pretexto do Black para ficar mais perto de nossa melhor amiga.

Por mais que os meses tenham passado e Jacob passar vários finais de semana enfurnado na garagem dos Swan concertando aquela lata velha que Bells ainda chama de picape, minha melhor amiga não quis assumir o romance com o Black. Uma babaquice já que estava escrito na testa dela o quanto gostava do moreno.

Nunquinha. Então, topa vir pra cá comemorar com a gente? Miah e Jasper também estão aqui.– convidou Alice. – Aw, vamos Rose, você precisa vir. — a baixinha fez voz manhosa, tentando me convencer.

Entretanto, a questão não era de convencimento. Eu realmente queria ir, mas sem condições de sair e levar Spencer comigo pra nossa bagunça adolescente. Além do mais, ela estava enjoada e chorando. Não, eu não podia sair.

– Foi mal, Ali. Estou sozinha com a bebê e ela não está muito bem. Há pouco ainda estava chorando sem parar. Me desculpe, baixinha. — expliquei, desapontada e escutei Alice resmungar descontente.

Cadê o Emm? Sua sogra ou a Irina? – perguntou ela.

– Carmen e o marido saíram para um jantar de negócios. Sem chances de interromper a noite da minha cunhada, ela está com o namorado. E o Emm... — suspirei, passando a mão no rosto. — Bom, o Emm saiu com amigos da faculdade.

– De novo? Mas Rose, essa é a décima vez que ele sai num final de semana e te deixa sozinho com a bebê. — advertiu Alice num tom irritado, exagerando.

Olhei para Spencer em meu colo. Ela tentava colocar uma mecha de meu cabelo, que havia escapado do rabo de cavalo, na boca.

– Eu sei, eu sei. – murmurei, exausta. — Mas todas essas saídas foram pra estudar. Ele está tão empolgado com o pessoal da faculdade, Alice. Não posso culpá-lo. Está tudo bem. — tentei afastar qualquer resquício de raiva que ela pudesse criar pelo comportamento de Emmett, mesmo sabendo ser em vão.

Alice adorava Emmett, mas estava ficando bastante irritada com ele nos últimos dias. Acho que Bella ainda não sabia de nada, do contrário já teria dado um sermão em meu namorado. Eu a conhecia muito bem.

Não está tudo bem. Ir para aula e okay. Mas ir e sair depois, te deixando aí com a PeyPey, não é legal. E hoje é sábado. Você também tem que se divertir, Rose. — a baixinha continuou, parecendo magoada, tentando me convencer de que a situação estava errada.

Bom, eu também não achava isso nada legal. Porém não queria confrontar Emmett e começar uma discussão.

– Não, não tenho não. Diversão não é meu primeiro plano. Eu tenho que cuidar da minha filha. — respondi, olhando outra vez par o bebê em meus braços.

Acontece que Spencer é filha do Emmett também, você não tem que fazer tudo sozinha. — rebateu Alice e eu sabia que ela tinha razão. Podia vê-la de nariz empinado e falando as palavras.

Suspirei, cansada demais para continuar essa discussão com a baixinha. Fiquei de pé, apoiando o celular entre o ombro e o rosto, ajeitando Spencer em meus braços e a fazendo soltar meu cobelo.

No instante seguinte o choro recomeçou e eu suspirei estressada, passando a mão pela testa e jogando para trás os fios que pendiam do rabo de cavalo. Estava ansiosa para desligar a ligação com Alice, ansiosa para fazer minha filha parar de chorar, ansiosa para que Emmett chegasse e me ajudasse.

– Alie, vou desligar. Spencer voltou a chorar. Manda um beijo pra Bells e pede desculpa ao pessoal aí por mim, okay?! Beijo, amo você. – me despedi, desligando antes que Alice tentasse me convencer que eu estava fugindo de um confronto. E eu estava mesmo!

Atirei o celular sobre a cama e afaguei as costas do bebê, torcendo sinceramente para que, seja lá o que estivesse sentindo, passasse logo.

– Oh meu amor, já está chorando de novo. — beijei a cabeça dela, em seguida as bochechas rosadas, sentindo outra vez o quão mais quente pareciam.

Resolvi que um banho talvez fosse o melhor a se fazer no momento.

Durante o banho ela se acalmou. Não chorou, não resmungou, nem ficou se remexendo. Spencer apenas me encarava com aqueles grandes olhos claros que às vezes lembravam os de Alice, curiosos e espertos, enquanto mordia um patinho de borracha.

Depois de trocá-la, eu finalmente achei que tinha vencido essa guerra. Respirei aliviada enquanto a colocava no berço e desci para beber um copo de água em seguida.

[...]

Meus momentos de alívio duraram cerca de meia hora, o pouco tempo em que ela dormiu. Quando acordou parecia ter ainda mais força naqueles pequenos pulmões.

Foram incontáveis os minutos e Spencer não parava, a não ser para tomar fôlego e recomeçar tudo outra vez. Sinceramente? Eu estava ponto de enlouquecer e chorar junto com ela.

– Por favor, bebê, pare de chorar. Está me deixando desesperada, Spencer. Vamos amorzinho, já vai passar. Por favor, por favor. — implorei, beirando ao desespero.

Meus olhos arderam com a ameaça das lágrimas.

No instante seguinte ouvi o barulho da garagem se abrindo, o motor do carro e em seguida o portão se fechando. Passos apressados subiram a escada e em seguida minha sogra apareceu com a expressão preocupada na porta do quarto.

– Rose, querida, o que foi? Dá pra ouvir o choro dela lá de baixo.

– Carmen. — suspirei aliviada. Nunca fiquei tão feliz em vê-la! — Ela não para de chorar, eu não sei mais o que fazer. — falei, vendo-a se aproximar e tirar Spencer dos meus braços.

Funguei, colocando mechas do meu cabelo para trás, enquanto via Carmen balançá-la suave e ritmadamente. Tinha certeza que meu rosto estava contorcido em sofrimento quase tanto quanto o de Spencer.

– O que foi netinha linda? Vovó já está aqui. — ela segurou a mãozinha da neta e beijou a palma pequena.

– Eu não sei, acho que ela está com dor. Não é fome e nem está com a fralda suja. Ela tomou banho há pouco tempo, achei que estivesse com febre. Depois dormiu um pouquinho e então começou tudo de novo e... Ah, não faço ideia. – falei, jogando mais uma vez alguns fios de cabelo para trás. Um indício claro de nervoso.

– Vamos dar outra conferida então. — ela virou Spencer em seu colo, deixando a bebê de barriga para baixo. Olhou dentro da fralda através da abertura que havia no macacão e negou com a cabeça. — Não, não está suja.

– Oh meu Deus. Não sei o que fazer. — murmurei, dando passos para trás e me sentando na cama com a mão na testa.

– Calma, calma, meu bem. — Car pediu, ajeitando Spencer em seu colo e depois tocando meu ombro. – O que ela estava fazendo quando parou de chorar?

– Estava na banheira, mordendo um patinho de borracha. – respondi, recordando a cena de poucos instantes atrás.

Notei quando Carmen correu os olhos pelo quarto, procurando algo. Caminhou até a pequena estante onde havia brinquedos de bebê, retirando de lá o mordedor lilás e entregando nas mãozinhas de Spencer. Ela parou de chorar no instante seguinte.

Carmen se sentou ao meu lado, mantendo a neta sentada em suas pernas. Agora Spencer me encarava com seus grandes olhos emoldurados por cílios cumpridos como os do pai. Já não tinha as bochechas vermelhas e aparentava tranquilidade, completamente entretida com o mordedor de borracha.

– Viu? Olha como ela ficou calma. Acho que os dentinhos de alguém estão querendo nascer. – minha sogra falou, olhando de mim para o bebê.

– Mas ela só tem três meses. – indaguei, achando cedo demais para isso.

– Esqueceu que o que a pediatra lhe disse, Rose? Três meses é a idade mais comum para isso acontecer. Você deve ter ficado tão nervosa que se esqueceu. Ela só queria algo pra morder. Essa fase realmente incomoda os bebês, fique preparada para mais noites como essa. – disse ela e eu assenti.

Como sempre, minha sogra maravilhosa estava certa. Eu havia me esquecido do que a pediatra de Spencer havia falado sobre o processo longo e exaustivo do nascimento dos primeiros dentinhos. Estava tão agradecida por ter Carmen nesse momento. Por tê-la me ajudando a cuidar de Spencer e me ensinando a ser uma boa mãe.

– Obrigada Car, não sei o que faria sem você. Acho que não sou uma mãe muito boa, não consegui nem fazê-la parar de chorar. — comentei e ela pousou uma mão em meu joelho.

– Claro que é uma boa mãe, Rose. Não diga isso. Você é ótima, só não pode ficar nervosa quando acontecer algo assim, porque ela sente e chora ainda mais. E ninguém nasce sabendo. Também já tive meus momentos difíceis com Emmett. — ela sorriu suavemente e eu devolvi o gesto. Entretanto meu sorriso não durou muito.

Falar em Emmett agora me fez lembrar a conversa com Alice. Talvez eu tivesse realmente que ter uma conversa séria com meu namorado quando ele chegasse.

– Está tudo bem, Rose? — Carmen perguntou, notando meu olhar vago.

– Está sim. Obrigada mais uma vez. — apertei a mão dela sobre meu joelho e sorri com mais vontade.

Carmen ficou de pé, apoiando Spencer contra o peito, mantendo uma mão em sua cabeça e afagando os fios que davam leves voltas. Minha filha ainda não tirava o mordedor da boca.

– Você já jantou, querida? — ela perguntou e eu neguei. Sequer pensei em comida enquanto tentava fazer minha filha se acalmar. — Então vou preparar algo pra você, tudo bem? Você quer ficar aqui de olho nela? Não acho que vá voltar a chorar.

– Não precisa se incomodar, Car. Eu mesma posso esquentar qualquer coisa. Onde está o Eleazar? Vocês precisam terminar a noite juntos. — falei, me aproximando dela e esperando que passasse o bebê para meus braços.

– Ah, que bobagem. Ele foi direto para o escritório revisar o contrato que fechamos. Não é incomodo algum, carinho. Vamos, vem me fazer companhia na cozinha.

Olhei da minha sogra maravilhosa para a criança agora em meus braços, considerando a ideia.

– Vamos Rose, ela não vai mais chorar. Pode relaxar. Você a coloca no carrinho lá embaixo enquanto eu faço seu jantar. Tudo bem? – pediu novamente e seu sorriso gentil me fez ceder.

Peguei a fralda e a chupeta de Spencer antes de sairmos. Carmen apagou a luz e deixamos o quarto. Enquanto ela preparava lasanha pré-pronta para mim, me contava sobre o jantar de negócios e eu balançava o carrinho com uma Spencer quase adormecida.

[...]

Por volta das onze e meia da noite eu estava no quarto tentando me concentrar num romance que parecia ser interessante. Carmen e Eleazar haviam ido dormir depois de passarem no quarto e beijarem Spencer, que dormia profundamente.

Eu deveria estar fazendo o mesmo, mas estava chateada o suficiente com as palavras de Alice perambulando minha mente e ansiosa para que Emmett chegasse logo.

Escutei passos subindo a escada e em seguida ele entrou no quarto, carregando a mochila sobre o ombro direito e esbanjando um sorriso no rosto. Deixei o livro de lado quando ele se aproximou para me beijar. Desviei a cabeça, me pondo de pé.

– O que? O que foi, Rose? — me olhou confuso. Minha expressão era séria e determinada. Iríamos ter uma conversa aqui e agora por mais que antes eu quisesse deixar isso pra lá.

– Quer saber o que foi? Bem, os dentinhos da nossa filha estão começando a nascer e ela chorou tanto, mais tanto, que eu estava beirando um ataque de desespero. Minha sorte foi sua mãe chegar e me ajudar. – falei enquanto gesticulava para ele entender meu nervoso.

– Como? Mas ela está bem agora, né? – perguntou ele, parecendo preocupado, e olhou rapidamente para o berço.

– Sim, ela está bem. Agora já passou... — cruzei os braços, respirando fundo. -... Já passou e você não estava aqui. — minha voz soou mais acusatória do que eu imaginei que seria, porém não tratei de concertar. Eu estava nervosa, tinha o direito de soar como quisesse.

Emmett suspirou. Jogou a mochila no chão, passou a mão nos cabelos da nuca e suspirou profundamente outra vez.

– Amor, me desculpe. Eu estava com os amigos da faculdade, você sabia disso. Não tinha como adivinhar o que aconteceria aqui. — deu de ombros, como se apenas isso pudesse justificar.

– Não Emmett, você não tinha mesmo como adivinhar. Mas o que acontece é que você saiu várias vezes com seus colegas novos da faculdade. Sabe quantas vezes eu saí com meus amigos essa semana? Nenhuma. Alice me ligou para que eu fosse lá, estavam todos na casa da Bella. Mas eu não pude sair porque havia um bebê que não parava chorar nos meus braços. – explodi, elevando um pouco o tom de voz e jogando tudo pra cima dele.

Eu tinha mesmo que falar. Essas horas sozinha me fizeram pensar no que a baixinha me disse e tomar uma decisão. Emmett e eu não podíamos ficar dessa forma, pelo bem da nossa filha.

– Disso eu também não sabia, Rose. Não sabia que iriam te chamar para algo. Você poderia pedir para minha irmã vir ficar com ela ou até mesmo me ligar para que eu voltasse. — sugeriu, tentando dar uma solução.

– Não iria chamar sua irmã. Eu tive uma filha, não Irina. Spencer é minha responsabilidade. Nossa. Eu não posso te ligar toda vez que algo acontecer, você tem que estar aqui comigo. Tem que estar com ela. — apontei o berço, onde a bebê dormia alheia às discussões dos pais.

Emmett se sentou na cama, massageando rapidamente as têmporas. Ele odiava discussões de relacionamento tanto quanto eu. Entretanto, a meu ver, essa era extremamente necessária.

– Olha Rose, eu estou me desculpando okay?! Por favor, não vamos brigar. Estávamos lá estudando e acabamos bebendo um pouquinho. Não foi nada demais, só queríamos nos divertir e eu acabei perdendo a hora. Me perdoe, não vai se repetir. – Emm explicou e eu assenti, ouvindo tudo em silêncio.

Dei alguns passos, me aproximando mais dele. Respirei fundo, tentando controlar meu tom de voz para não acordar a neném.

– Eu entendo que queira se divertir, você tem esse direito e eu também. Mas agora as coisas são diferentes. Temos um bebê, Emmett. Se não quisesse essa responsabilidade então não deveria ter tido um filho. — cruzei os braços.

Por mais que eu não quisesse soar a namorada chata que fica cobrando as coisas ou jogando na cara, era exatamente assim que eu estava soando. Só queria que ele me entendesse, caramba!

Emmett não disse nada.

– Será que dá pra você fa.... – comecei, mas ele me interrompeu, elevando o tom de voz.

– Que droga, Rosalie! Eu não pedi pra ter um filho, mas estamos aqui, não estamos?! – esbravejou Emmett.

Minha boca se abriu e fechou várias vezes tentando encontrar as palavras certas, mas elas não vinham. Eu não estava esperando que ele fosse dizer isso. Nunca esperei. E isso me magoou.

– Rose, eu... — ele engasgou, tentando concertar.

– Eu não acredito que disso isso. — murmurei, desapontada com a intensidade que aquelas palavras me atingiram.

Dei alguns passos para trás. Não queria demonstrar o quão desapontada fiquei. Sequei qualquer resquício de lágrima, antes que rolasse.

Emmett passou a mão pelo rosto, percebendo a bobagem que tinha dito. Tarde demais, já havia escapado e eu me sentia mal por saber que era aquilo que tinha pra me dizer. Soou infantil, mesquinho e cruel.

– Me desculpe, me desculpe. Eu estou nervoso. Rose, perdão. – pediu, parecendo desesperado para me fazer notar seu arrependimento.

Spencer murmurou algo no sono e me xinguei mentalmente por quase acordá-la com isso.

– Fale baixo, por favor. Ela vai acordar. — pedi, ignorando seu pedido de desculpas. Eu ainda estava digerindo a frase “eu não pedi pra ter um filho".

– Oh meu Deus. — ele murmurou. Escondeu o rosto nas mãos, apoiando os cotovelos nas coxas.

Caminhei a passos lentos na direção dele, parando em sua frente.

– Você se lembra muito bem do que eu disse quando descobriu da gravidez. Não queria atrapalhar sua vida por isso me afastei. Te dei a chance de me deixar seguir sozinha e cuidar do bebê sem você. É tarde demais pra pular fora, Emmett. – disse e minha voz soou impassível.

– Eu não vou pular fora. Eu amo a Spencer, amo você. — ele me encarou. Estendeu a mão, tocando meu braço. Me puxou para mais próximo de si, fazendo meus joelhos encostarem nos dele. — Vocês são as pessoas mais importantes da minha vida, não deveria ter dito isso. Sabe que eu nunca pensei em te deixar cria-la sozinha. Eu só... — se interrompeu, suspirando. – Só estou tendo dificuldade para conciliar as coisas. — falou e eu assenti, fazendo um esforço enorme para compreendê-lo. Ainda estava difícil. Suas palavras ainda soavam egoístas em meus ouvidos.

– Eu abri mão da faculdade nesse ano, das noites na casa da Bella e da Alice. Praticamente de viver uma vida adolescente comum, sem preocupações. Mas, sabe Emmett, não me arrependo de nada toda vez que olho para aquela garotinha ali. — apontei o berço. Dei um passo para trás, me soltando dele. — Você precisa rever o que é prioridade na sua vida antes que seja tarde. — me surpreendi com a frieza das minhas próprias palavras. Em minha cabeça soariam como um pedido, até saírem e baterem em Emmett com a força de um navio em um iceberg.

Então eu dei as costas e saí do quarto, deixando um Emmett perplexo em silêncio sentado na cama. Desci lentamente as escadas, tentando organizar meus pensamentos e desanuviar minha cabeça.

Lá embaixo, me encostei ao balcão da cozinha, enquanto bebia um copo de água. Fechei os olhos e me permiti chorar, como se o ato pudesse aliviar o sufoco em meu peito.

Odiava fazer cobranças a Emmett, mas sentia que aquela situação estava errada. E, por mais que soubesse que essa discussão não iria acabar tão bem, jamais imaginei que fosse terminar dessa forma.

Eu entendia que Emm precisava do tempo dele, do espaço dele, dos próprios amigos. Porém eu precisava saber que podia contar com ele, que ele queria estar comigo e com nossa filha. Precisava saber que, apesar de tudo que poderia parecer que ele estava abdicando, ainda continuava feliz por nos ter em sua vida.

Limpei as lágrimas, deixando o copo vazio sobre a pia. Fui até o banheiro que havia no corredor e lavei o rosto. Então subi as escadas, retornando ao quarto.

Encontrei Emmett já deitado na cama, de costas para porta e para mim. A luz já estava apagada, apenas liguei a do pequeno abajur. Troquei de roupa, me livrando do short jeans e colocando um do pijama.

Demorei a pegar no sono, mas quando o fiz dormi profundamente. Talvez fosse esse um mecanismo da minha mente para tentar esquecer e relaxar em relação ao que aconteceu.

[…]

O choro contido de Spencer me acordou. Me remexi embaixo das cobertas, espiando no visor do celular. Eram quase seis e meia da manhã.

A cena que encontrei próxima ao berço me surpreendeu. Emmett estava balançando nossa filha nos braços. Os cabelinhos claros dela roçavam no pescoço e rosto dele. Spencer tinha a cabeça apoiada no ombro do pai e ele dava leve palmadinhas nas costas dela, na tentativa de acalmá-la.

Sentei-me no colchão, procurando meu par de chinelos.

– Ah, você acordou. Ela começou a chorar e eu achei que você já tinha tido trabalho demais... — Emm justificou, dando de ombros no final enquanto eu ficava de pé, caminhando até eles.

– Tudo bem, me dá ela. Está na hora de mamar. — estendi o braço na direção do bebê, mas Emmett não quis entregá-la.

– Estava pensando em descer, preparar a mamadeira e eu mesmo dar a ela. Pode voltar a dormir se quiser, está cansada. — me encarou e eu passei a mão pelos cabelos, tentando ajeitar a desordem que eu sabia que se encontravam. Acabei bocejando.

– Isso não é necessário. Eu sempre dou de mamar pra ela a essa hora. Só preciso trocá-la antes. Vamos, me dê ela, Emmett. — pedi outra vez, ficando impaciente.

Ele se esquivou levemente, ainda sem querer me entregar Spencer. Ela se assustou com o movimento, mexendo a cabeça e os bracinhos, os batendo contra o peito de Emm. Tornou a chorar, um pouquinho mais alto.

– Eu posso fazer isso então. — se ofereceu e eu suspirei um tanto nervosa.

– Não tem que fazer tudo só pelo que eu te disse. – resmunguei.

– Não é pelo o que você disse. Eu quero fazer isso. — respondeu e eu continuei o encarando, desconfiada. — Ok, o que você disse me fez pensar a noite toda. Eu quero estar presente na vida da minha filha, mesmo que para isso eu tenha que abrir mão de outras coisas. — falou convicto e por um minuto me esqueci do Emmett nervoso de horas atrás e vi meu namorado prefeito de volta.

– Você não tem que abrir mão de tudo. Basta dividir seu tempo. Nossos horários quase nunca correspondem por causa das suas aulas e das minhas tardes com Irina na loja. Eu sei que precisa do seu espaço, se divertir, mas ela sente sua falta. – expliquei, me aproximando ainda mais. — E eu também. — encarei os olhos dele.

A intensidade do nosso olhar fez meu coração disparar e minha garganta secar. Era incrível que, mesmo quando eu estava brava com ele, desapontada, Emmett conseguia causar os mesmos efeitos e reações em meu corpo.

Emm colocou uma mão em minha nuca, facilmente segurando nossa filha em um braço. Seus olhos pareciam poder desvendar minha alma e queimar qualquer resquício de ressentimento que eu tivesse a seu respeito.

– Eu vou melhorar. Eu prometo. — aproximou nossos rostos, seu hálito quente contra meus lábios. — De novo, me perdoe. Eu amo você, vocês duas, está bem? — assenti, afetada demais com a proximidade de nossas bocas e seu intenso olhar esverdeado.

Então ele me beijou, derrubando qualquer barreira que eu havia construído a fim de me manter brava com ele durante todo o dia. Era impossível, ele me desarmava de maneira tão fácil. Seus lábios quentes contra os meus, me fazendo perceber que há tempos não sentia tanto amor e paixão em um beijo nosso.

Paramos quando Spencer balbuciou algo, batendo a mãozinha gorducha em mim, como que para chamar a atenção. Emm e eu rimos, ela estava com fome e a gente aqui se beijando as seis e tanta da manhã.

– Ah bebê, o papai já vai trocar você, meu amor. Calma. — segurei a mão dela, beijando os dedinhos.

– Porque eu fico com a parte mais difícil? — Emm perguntou e eu o encarei com uma sobrancelha erguida.

– Porque você estava se oferecendo há minutos atrás. Não reclama vai. Eu te ajudo. — puxei a mão dele e pedi que a deitasse na cama.

Peguei tudo que precisava para trocá-la enquanto Emmett abria a parte inferior do macacão cor-de-rosa de Spencer. Ele foi rápido, apenas se enrolou um pouco na hora de colocar a fralda descartável limpa, com dificuldades de prender as fitinhas adesivas, já que Spencer ficava mexendo as pernas gordinhas enquanto mordia o mordedor lilás.

– Sossega essas pernas, filha. — Emm pediu, num tom divertido. Ela o encarou, os olhos expressivos cravados nele, parando de se mexer.

– Nossa, me ensina isso. Ela não me obedece fácil assim. — falei e ele riu.

Eu assistia sorrindo enquanto ele prendia os botões, fechando o macacão. Terminou e ergueu Spencer, a deixando de pé sobre o colchão macio. Ela mexeu as perninhas como se quisesse andar, roçando os pezinhos um no outro.

– Prontinho, mamãe. Já pode encher em cima que o papai já esvaziou embaixo. — Emm brincou, dando um beijo estalado na bochecha de Spencer antes de me entregá-la. Ela riu, jogando o mordedor no colchão.

– Vem cá sua babona. Está rindo já, não estava chorando de fome?! Vem mamar, vem. – a ajeitei em meu colo.

No instante seguinte ela já estava mamando. Uma mãozinha dela repousava sobre minha pele exposta, próximo ao biquinho adorável que ela fazia. A outra estava escondida entre meu corpo e o dela.

Emm se aproximou de nós. Sua mão acariciou a cabeça dela, afagando os cabelos levemente enrolados. Ele beijou o local, em seguida nossos olhares se encontraram e eu recebi um beijo rápido.

– Ainda está brava comigo? Ou chateada? — perguntou de repente.

– Não, não estou. Eu não deveria ficar te cobrando tanto, entendo seu lado. — respondi, sendo sincera.

– Eu não deveria ter dito aquilo, Rose. Nunca vou me arrepender de ter a Spencer. De ter vocês comigo. — sua mão acariciou minha bochecha, contornando meu rosto suavemente. Fechei os olhos, apreciando a maciez do toque de seus dedos quentes.

– Eu sei. Eu amo você. — abri os olhos, notando seu rosto outra vez tão próximo ao meu.

– Também amo você. — ele me beijou, com cuidado para não incomodar Spencer que quase dormia em meus braços. Sua mão brincava com os fios da minha nuca, me deixando absorta e envolvida.

Não gostava nem um pouco de discutir com Emm, mas amava cada segundo da reconciliação. Resolveríamos qualquer assunto, sempre e juntos. Encontraríamos uma solução pra qualquer problema, desde permanecêssemos juntos e nos amando. E eu tinha certeza, apostava minha vida, que isso seria para sempre.

Notas finais
Viram só? Apenas uma discussão sobre prioridades. A fanfic está no final, por isso não queria fazer eles terem uma longa briga a essa altura do campeonato. Porém eu tinha que mostrar que nenhum relacionamento, por mais que se amem infinitamente, é totalmente perfeito. Continuem amando o Emm, ele continua perfeito. Vou receber comentários? Espero que sim. Não prometo voltar logo, minhas provas estão na porta. Eu estou literalmente sufocada de matéria. Mas eu volto, não me abandonem. Beijo, beijo.