The Safe Place

61 Capítulo 61 – Não se preocupe, Irina


Notas iniciais
Olá amores! Eu sei, demorei uma eternidade. Parte foi culpa das minhas provas e a outra parte foi que fiquei esgotada quando elas acabaram, aí não tive ânimo pra escrever. Sorry. Espero que ainda estejam aí e curtam o capítulo. Vamos lá...

Meses depois...

Nos últimos meses, eu podia dizer que minha relação com Emmett havia melhorado completamente. Estávamos aprendendo a lidar com todo esse lance de sermos pais e ele estava se esforçando ao máximo para equilibrar faculdade, amigos e família.

Eu também estava fazendo minha parte. Trabalhando, cuidando da minha filha, saindo com minhas amigas. E, acima de tudo, não cobrando ou jogando minhas frustrações nas costas do meu namorado.

Realmente estávamos conseguindo conciliar nosso tempo, afazeres e diversões, mesmo que às vezes alguém acabasse pisando na bola. Conversávamos, mas sem discutir como na primeira vez.

Hoje era domingo e Emmett estava tentando relaxar depois horas estudando para uma prova. Eu havia tentado deixar Spencer ocupada por toda manhã para que não atrapalhasse o pai, já que ela não queria sair de perto dele. Mas ela só se aquietou quando Emm lhe deixou mexer em seu estojo, atirando canetas para todos os lados e rindo. Com seus oito meses e meio, Spencer agarrava e atirava tudo que estava ao alcance se duas mãozinhas roliças.

Agora Emm estava deitado em nossa cama, mantendo a bebê sentada em sua barriga. Eu sorria encantada pelas palavras balbuciadas dela, sem entender nada. Ela exibia um sorriso de covinhas tão irresistível quanto o do pai e um par de dentinhos na parte inferior. Os olhos grandes, emoldurados por cílios grossos, fixos em Emm.

Toquei seu pezinho descalço, cheirando e depositando um beijinho em seguida. Spencer fez careta quando olhei pra ela e então atirou a chupeta cor-de-rosa em minha direção.

– Nossa, como ela está brava. – brinquei, sorrindo. – Acho que ela não gosta de ser interrompida quando está com você.

– Não é como se ela não gostasse de você. Ela só gosta mais de mim, não é filhota? – Emm cutucou e eu belisquei seu abdômen. – Ai!

– Eu a carreguei por nove meses. Como assim ela prefere você? – falei e ele sabia que eu estava brincando, apesar de tentar fazer cara de superior. – Não é, PeyPey? Fala pra esse seu papai bobão que você ama a mamãe.

Minha voz soou infantil quando me dirigi a ela. Ajeitei-me de joelhos sobre o colchão, envolvendo minha filha em meus braços e beijando suas bochechas gordinhas. Depois de muitos beijinhos ela resolveu prestar atenção em mim. Abriu um sorriso arrebatador, fechando os olhinhos e soltando um gritinho de entusiasmo. O simples gesto fez meu coração acelerar e transbordar de amor ainda mais. Era realmente possível alguém tão pequena ser tão perfeita?

Enquanto eu me deliciava com a risada gostosa de Spencer e Emmett a chacoalhava tentando fazê-la voltar a atenção para ele, ouvimos a porta lá de baixo bater forte e passos apressados subir as escadas logo em seguida.

– Oi mãe, oi pai. Tchau mãe, tchau pai.

A voz de Irina soou apressada e ofegante. Então ela passou correndo pelo corredor, mas não parou para falar conosco.

– Eu to bem, não se preocupem. E não venham aqui.

Ela gritou. Então outra batida forte ecoou e eu sabia que ela havia se trancado no quarto.

– Tá, o que foi isso? – perguntei, olhando confusa para Emmett. Tinha certeza que uma ruga havia se formado entre minhas sobrancelhas.

– E eu sei lá. Estou dizendo, a água oxigenada está afetando os neurônios dela. Minha irmã nunca esteve tão maluca. – Emm fez piada e eu ri de leve, balançando a cabeça.

Meus cabelos deviam estar uma desordem, porque, por mais eu tivesse os penteado, ficar deitada entretendo Spencer por essa manhã acabou com qualquer chance de ficar apresentável. Mas eu não estava ligando, nem Emmett.

Levantei da cama, calçando os chinelos e jogando meus cachos castanhos para trás. Estava decidida a saber o que havia perturbado minha cunhada.

Irina sempre voltava mais contente que um passarinho na primavera da casa da Stefan. E assim como em quase todos os sábados, ontem ela havia passado a noite lá. O que teria acontecido para fazê-la voltar de lá correndo?

– Aonde vai? – perguntou Emmett, enquanto eu ajeitava a blusa.

– Ver sua irmã. Já volto. – respondi e me curvei para beijá-lo. Nossos lábios se encostaram rapidamente, em seguida beijei a testa de Spencer.

No instante seguinte eu estava passando pelo corredor e parando em frente ao antigo quarto do meu namorado, ocupado por Irina desde que eu me mudei oficialmente pra cá.

Dei duas batidas na porta e esperei.

– Mãe, estou ocupada. Conversamos depois, tá?! – ela falou lá de dentro e pude jurar que a ouvi fungar em seguida. Ela estava chorando?

– Sou eu, Irina. Posso entrar? – pedi.

Houve uma movimentação lá dentro e em seguida a porta foi destrancada. Irina até tentou me dirigir seu melhor sorriso, mas não passou de uma careta. Ela jogou os cabelos para trás e piscou apressadamente os cílios cobertos por rímel.

– Está tudo bem? Você passou tão... apressada? – tentei, escolhendo a melhor palavra para usar. Fechei a porta atrás de mim e fui até ela, que já estava sentada sobre o colchão e abraçando uma almofada cor-de-rosa enorme em forma de coração.

– É, tá tudo legal. Por que não estaria? – ela não me olhou ao responder. Ficou cutucando uma unha com a outra, retirando o esmalte rosa nude.

– Irina, olha pra mim. – me sentei na beirada da cama e puxei sua mão direita, acariciando meu polegar sobre os nós de seus dedos. – O que aconteceu?

Finalmente seus olhos azuis encontraram os meus e, pela primeira vez, vi algo neles que jamais havia visto. Medo. Irina estava com medo. Já a tinha visto sentir raiva e até ficar chateada. Feliz e animada ela sempre estava. Entretanto, com medo? Era a primeira vez.

E não gostei nem um pouco.

Irina às vezes me lembrava de Bella. As duas eram inabaláveis pra mim, mas, como todo ser humano, tinham suas fraquezas. E eu não sabia ao certo como agir quanto a isso. Eram as duas que me davam confiança, puxões de orelha e até me botavam no colo e cuidavam de mim. Quando os papéis se invertiam, eu não confiava na minha capacidade de fazer tanto por elas quando faziam por mim.

– Ele me pediu em casamento, Rose. O Stefan quer casar comigo. – respondeu e sua voz soou amedrontada. Quis pegá-la no colo nesse instante e acariciar seus cabelos, como fazia com Alice. Seus olhos cristalinos encheram-se de água e ela enterrou a cabeça na almofada fofa de coração.

Minha boca se abriu, sem saber o que dizer. Stefan havia a pedido em casamento! Isso não devia ser algo ótimo? Ela devia estar feliz. Ela o amava tanto! E ele a ela, então não entendia o motivo dela estar dessa maneira.

– Ah Irina, isso é ótimo. – toquei sua cabeça — A Irina saltitante que eu conheço deveria estar soltando fogos de artifício com essa notícia. O que há de errado então? Me diz, vai.

Ela respirou fundo, erguendo o rosto. Duas lágrimas cinzentas pela maquiagem manchavam suas bochechas rosadas.

– Está tudo errado! Bom, não com o Stefan. Mas comigo. Rose, acha mesmo que eu sou mulher pra casar? – ela me encarou profundamente e meu rosto se contorceu numa expressão confusa e desacreditada.

– Como assim, Irina? É que claro que é. Você é maravilhosa. Que homem um milhão de anos não iria querer se casar com você? Eu casaria com você, garota! – fiz cara de óbvia e sorri, tentando animá-la.

–Rose, não estou falando sobre o quão legal eu posso ser, ou bem arrumada e divertida. Nada disso importa. Eu não sou o tipo de garota que se acomodada. Eu canso fácil da monotonia e não gosto de ser controlada. Eu sequer sei fritar um ovo, pra começar! Como poderia cuidar de uma casa? Admiro muito você e a mamãe por terem tanto jeito nessas coisas. A mamãe é ótima cuidando de todos nós e você da Spencer. Eu jamais conseguiria. – ela admitiu com pesar e eu suspirei, achando aquilo uma grande maluquice.

Minha cunhada era incrível, da onde estava tirando aquelas bobagens?

– Irina, você ama o Stefan, certo? – ela assentiu veemente, fazendo mechas de cabelo escorrido balançarem. A loira logo as colocou atrás das orelhas. – E você acha que se cansaria dele algum dia?

– Onde quer chegar com isso, Rose? É claro que jamais me cansaria do meu professor gato. Ele é todo careta, mas me faz amá-lo mais a cada dia de um jeito diferente. – sorriu, confessando. De repente lá estava a carinha de apaixonada outra vez em seu rosto.

– É exatamente aí onde quero chegar. Você o ama e sei que a recíproca é verdadeira. Vocês jamais enjoariam um do outro. Ele te conhece, sabe muito bem como você é, o que pode ou não fazer. O que gosta ou não gosta. Acha mesmo que um casamento com ele viraria uma monotonia? Irina, ele te pediu em casamento sabendo seus defeitos e qualidades. Acha mesmo que ele faria isso se achasse que você não é a pessoa certa? Pense bem, é o Stefan, meu ex-professor perfeccionista e exigente! – falei, não conseguindo encontrar mais nada pra dizer. No momento, aquilo foi o melhor que pude fazer.

E pareceu o melhor para Irina também.

A loira bufou, como se tivesse se dado conta que estava pirando à toa. Então ela riu, afundando o rosto na almofada enorme. Depois tornou a me encarar, atirando os cabelos para trás e cobrindo as bochechas com as próprias mãos.

– Ah, eu sou tão boba! Eu sei que não sou perfeita e é exatamente isso que me assusta. Ele achar que eu sou e descobrir o contrário. E por mais que eu tenha pinta daquelas mulheres que carregam vinte divórcios nas costas, não é isso que quero pra mim. Definitivamente não. – afirmou ela, fazendo um bico e erguendo o dedo indicador. Vislumbrei a Irina maluca de sempre de volta.

– Acredite em mim, loira. Ele sabe que você não é perfeita e é exatamente com essa Irina aí que ele quer se casar. – afirmei – E é claro que não tem que ser agora. Qual é, não é como vocês fossem fugir e se casar em Las Vegas amanhã, não é mesmo? – ela riu, negando com a cabeça – Então pronto! Conversem. Diga a ele como se sente e quando acha que é melhor tomar essa decisão. Vocês praticamente moram juntos! Metade de suas coisas está espalhada pelo apartamento dele, loira. E, se não estiver mesmo pronta pra casar, diga a ele. Ele vai entender.

– É verdade, você está certa. – ela secou as bochechas, limpando os indícios de lágrimas misturadas à maquiagem. – Obrigada Rose, você é a melhor cunhada do universo! – sorriu, abrindo os braços.

Eu e Irina nos abraçamos apertado e ela afundou a cabeça na curva do meu pescoço. Afaguei seus cabelos e ficamos por minutos daquela forma. Percebi ali que Irina era tão humana quanto eu, também precisava de cuidados e tinha suas inseguranças. E eu sempre faria meu melhor para ajudá-la. Ela não era apenas minha cunhada destrambelhada, era também minha irmã mais velha e eu a amava tanto quanto amava essa família.

– Ei maluca, será que você pode devolver minha namorada, por favor? – nos desgrudamos ao ouvir a voz.

Emmett havia aberto porta sem que percebêssemos e estava parado lá com Spencer nos braços. Minha bebê esticou os bracinhos assim que nos viu, ou melhor, assim que viu Irina. Abriu e fechou as mãozinhas várias vezes e sacudiu as perninhas gorduchas, querendo se atirar no colo da tia.

– Oi minha princesa linda! Vem cá, coisa fofa da tia! – Irina bateu palmas, animando mais ainda minha filha.

Afastei-me dela, dando espaço para ela pegar Spencer. Emmett se aproximou e nossa pequena praticamente se jogou no colo da tia maluca. Irina encheu o rosto dela de beijos, intercalando com elogios e barulhos engraçados com a boca. Não deu pra não rir.

Emm se sentou na beirada da cama, ao meu lado. Segurou minha mão e entrelaçou nossos dedos. Quando nossos olhares se cruzaram, ele se curvou, beijando meu pescoço.

– O que aconteceu? – pediu ele. Estiquei a mão, tocando seu rosto. Minhas unhas roçaram seu queixo, gostando da textura da pele com a barba por fazer.

Olhei do meu namorado perfeito para minha cunhada. Irina estava fazendo caretas para Spencer, que só fazia rir e babar.

– Tudo bem, Rose. Pode contar. Curioso do caramba. – ela xingou Emmett e mostrou a língua em seguida, em sinal de brincadeira.

– Você chegou aqui parecendo que estava fugindo do inferno ou escondendo um pote de ouro. O que você quer? – ele se defendeu.

– Tá, vamos lá embaixo ver se sua mãe precisa de ajuda com o almoço. Te conto no caminho. – falei e ficamos de pé, ainda de mãos dadas.

– Rose, não fala nada perto da mamãe ou do papai. Nem você, gatinho. Vou conversar com eles depois. Okay?

– Claro. – afirmei e me curvei sobre ela para lhe beijar a bochecha. Spencer quase agarrou meu cabelo, mas eu segurei sua mãozinha antes e beijei os dedinhos. – Cuida dessa sua tia boba. Tá bom, amorzinho? – tornei a beijá-la, agora na testa.

Então eu e Emmett deixamos o quarto, parando no corredor para que eu lhe pudesse contar todo motivo da preocupação da irmã.

[...]

Quando Irina contou do pedido da Stefan, durante o almoço, seu Eleazar engasgou. Carmen quis chorar e Emmett não conseguia para de rir pela reação dos pais. Eu não sabia se me concentrava em limpar a bagunça que Spencer estava fazendo com a comida, já que agora ela comia legumes amassados e mais outras comidas sólidas em pequenas porções, ou se tentava amenizar a situação.

Estava na cara que os pais da minha cunhada estavam felizes por ela, mas estavam chocados. Foram pegos de surpresa e Irina não foi nem um pouco receosa ao dizer que havia sido pedida em casamento esta manhã e agora resolveu aceitar.

Depois que o susto passou, todos deram os parabéns a loira, inclusive Emm que ainda não tinha tido a chance de fazer. Irina sussurrou um agradecimento em meu ouvido quando foi minha vez de abraçá-la.

[...]

Dias depois...

Nessa semana descobrimos da pior forma que Spencer era alérgica a abacaxi. Eu e Carmen estávamos começando a experimentar diferentes frutas com ela, como a pediatra havia sugerido. Até então ninguém havia tentado o bendito abacaxi.

Quando Irina chegou numa manhã, carregada de sacolas, pedindo a Car que lhe preparasse uma salada de frutas, eu resolvi ajudá-la. Deixei a loira de olho na sobrinha enquanto eu ajudava minha sogra na cozinha.

Não demorou muito até que Irina viesse beliscar algo, saindo com Spencer em um braço e uma tigela de frutas cortadas em cubinhos na outra mão. As duas foram para sala e Carmen e eu rimos achando graça da minha cunhada.

Porém a descontração não durou muito e no instante seguinte estávamos correndo pra sala devido aos gritos de Irina.

– O que foi? – Car perguntou, mas eu não esperei que Irina respondesse.

Dava pra ver o rosto de Spencer vermelho, a carinha de choro se formando o beicinho tremendo. Quando a peguei no colo também pude notar as manchinhas vermelhas surgirem na pele e desejei que não lhe faltasse ar, o que acontecia na maioria das alergias.

– Não sei, mãe. Ela só comeu um pedacinho e ficou assim em segundos. – Irina respondeu, gesticulando nervosa da tigela deixada sobre o sofá para sobrinha que começava a chorar em meus braços.

– O que deu ela, Irina? Que fruta ela comeu? – perguntei, desesperada.

– Abacaxi. Mas foi só um pedacinho. Não sabia que isso ia acontecer. Me desculpem. – pediu ela e parecia que minha cunhada iria se desmanchar em lágrimas a qualquer instante. – Desculpe, sobrinha linda.

Irina segurou a mãozinha dela enquanto eu balançava Spencer na tentativa de acalmá-la. Carmen já estava ao telefone e, pelo que entendi, falando com Camille, a pediatra.

Emmett não estava em casa, mas no momento sequer pensei em telefonar. Só queria correr dali até um hospital e pedir que fizessem Spencer ficar bem.

– Temos que ir hospital agora. Vamos, Rose. Irina, liga pro Emm e explica com calma o que aconteceu. Pare de chorar ou vai assustar seu irmão. Os dois nos encontrem lá. _ Car ordenou, com voz firme e decidida. Vi minha cunhada fungar, secar as lágrimas e acenar com a cabeça.

No instante seguinte estávamos a caminho do hospital e por mais que eu tentasse fazer Spencer se acalmar, ela não parava de chorar, mesmo que baixinho.

Felizmente tudo ficou bem depois. Cuidaram muito bem da minha filha no hospital e, apesar de eu ter chorado assim que Emmett nos encontrou lá, consegui sorrir depois de vê-la dormindo no quarto hospitalar.

Emm e Irina me abraçaram tão forte aquele dia que achei que fosse sufocar. Tive que repetir mil vezes a minha cunhada que estava tudo bem, que a culpa não era dela. Mesmo assim, ela não parou de dizer o quanto estava se sentindo culpada e quão péssima tia era.

Uma grande bobagem da cabeça dela!

Neste sábado, Stefan viria almoçar conosco e Irina pediu à mãe que fizesse um almoço daqueles! A loira estava na casa dele – pra variar -, mas havia ligado para avisar o horário que chegariam.

Depois que ajudei Car na cozinha, subi para ver Emmett e Spencer.

Minha filha Spencer brincava com vários bichinhos de pelúcia sobre a cama e eu a observava com devoção. Ela era meu anjinho, meu maior presente, e ainda não consigo descrever a dor que foi vê-la chorar a caminho do hospital. Emm havia a cercado de almofadas e estava encostado à cabeceira assistindo nossa bebê com um intenso brilho nos olhos verdes.

– Oi amor. – ele me cumprimentou e eu me aproximei, curvando-me para depositar um beijo doce em seus lábios. Emm me puxou para seu colo, envolvendo seus braços em volta de mim.

– Como ela está? – perguntei, observando Spencer, que batia as mãozinhas no cachorro de pelúcia.

– Está ótima. Pode relaxar, Rose. – respondeu ele, sentindo a tensão em meu corpo. Recebi um beijo demorado no pescoço e podia jurar que meus cabelos da nuca ficaram arrepiados.

Apesar da médica no hospital ter dito que ela ficaria completamente bem logo, ver as pequenas pintinhas vermelhas, como picadas de inseto, em algumas partes do corpo da minha garotinha ainda me deixava mal.

– É eu sei, vou relaxar. – virei o rosto, lhe dando um selinho. — Vem cá, meu amor. –me estiquei na direção do bebê e a trouxe para meu colo. — Minha bebê linda. — beijei sua bochecha e aspirei o cheirinho delicioso que vinha de seus cachos castanhos claros. Ela me olhou, esboçando um sorriso e piscando os olhinhos emoldurados por cílios longos e grossos como os de Emmett. Rocei meu nariz no dela, sentindo seus dedinhos em meu braço.

Com ela em meu colo e eu no de Emmett, parecíamos a família perfeita. E eu realmente acreditava que éramos.

Quando Spencer colocou a mãozinha na boca, eu sabia que ela estava querendo coçar a pele sensível pela alergia. Eu não queria que ela se machucasse por causa dos dentinhos, então tratei de afastá-la. Ela fez beicinho, parecendo estar brava e resmungou.

– Não pode morder, bebê. Tem que dar beijinho pra melhorar. — falei e foi o que fiz. Ela fez um biquinho, como sempre fazia quando alguém a beijava. Acho que era sua forma de retribuir. – Pede para o papai dar beijinho também.

Emmett fez uma trilha de beijos pelo braço da nossa filha até chegar à bochecha. E pra deixar a cena mais fofa ainda, Spencer colocou as mãozinhas nas bochechas dele e acabou lhe dando um beijo cheio de baba nos lábios. Emmett fez careta, enquanto eu não conseguia parar de rir.

– Que espertinha você, PeyPey! – sorri, olhando pra ela, que soltou um gritinho empolgado. – Mas só a mamãe que pode beijar o papai assim. Tá bom?! – falei e ela só fez rir e babar mais. — Irina ligou e disse que está vindo almoçar com o Stefan daqui a pouco.

– Então acho melhor você ir se trocar. – Emm sugeriu, me fazendo lembrar os shorts de pijama que eu vestia por baixo da camiseta cumprida.

– Queria ficar mais um pouquinho aqui com ela. — falei olhando para minha bonequinha. Minha voz soou como de uma criança manhosa.

–Ela vai ficar bem, Rose. Não se preocupe. O chuveiro é aqui do lado e não sairemos daqui, okay? – Emmett me garantiu e eu assenti.

– Eu sei, Emm. É que fico meio insegura quando não estou perto dela por míseros minutos que seja. Sei lá, agora imagino um milhão de coisas que podem acontecer. Mas eu vou lá, amor, rapidinho. — Me remexi sobre o colchão, saindo dos braços de Emm. Aproveitei para lhe beijar rapidamente depois de passar Spencer para seu colo.

Já fora da cama, segurei seu bracinho, beijando a mãozinha gordinha e aspirando o perfume suave de bebê.

– Mamãe já volta, anjinho. Brinca com o papai, a mamãe não vai demorar. — falei para ela, que já estava alheia a qualquer coisa a sua volta. Completamente concentrada no rosto do pai, batendo as mãozinhas na fina camada de barba, que Emm havia deixado por fazer.

Tirei a camiseta branca que vestia e atirei sobre a cadeira. Percebi que Emm me encarava, seguindo minhas mãos que pararam sobre a barra do short.

– Pare de babar, ursinho. — brinquei, rindo dele.

– O que eu posso fazer se eu tenho a namorada mais linda do mundo? — ele sorriu, exibindo as covinhas irresistíveis pra mim. Não resisti em me aproximar outra vez e beijá-lo.

Segurei seu rosto entre minhas mãos e selei nossos lábios, sentindo seu gosto doce e refrescante ao mesmo tempo. Quando nossas línguas se enrolaram ainda mais, quentes, soube que era a hora de parar ou não conseguiria ir para o chuveiro.

– Tá legal, me deixa ir tomar banho. — falei, o encarando. Nossos rostos perigosamente próximos ainda. Emm me deu um selinho e sorriu de canto.

Entrei no banheiro da nossa suíte, não sem antes dar uma última espiada em Spencer e soprar um beijo para meu namorado perfeito. Já livre das roupas, me permiti relaxar com a água quente que escorria forte do chuveiro. Entretanto, sabia que sempre seria neurótica em relação a Spencer. Era isso que uma mãe deveria fazer pelos filhos: proteger.

Meu banho foi rápido e quando desliguei o chuveiro, escutei o chorinho de Spencer. Tratei de me enrolar na toalha e torcer os cabelos molhados. Saí do banheiro ainda pingando, calçando meus chinelos de borracha, e fui atrás da minha menina.

Encontrei Emmett de pé, balançando Spencer em seus braços.

– O que ela tem, Emm? — pedi, me aproximando e afagando as costinhas do bebê.

– Acho que está com fome, ela começou a chorar de repente. – respondeu.

– Me dá ela, amor. Me deixa ver se ela quer mamar. — pedi, tentando pegá-la, mas Emm não a entregou.

– Se veste primeiro, Rose. Vou aproveitar e ver se a fralda dela não está suja.

Enquanto me vestia, observei Emmett deitar Spencer na cama e checar a fralda dela. Não estava suja. Então foi minha vez de tentar acalmá-la. E realmente, a garotinha estava mesmo com fome. Quando terminou de mamar, Emm a pegou e a fez arrotar. Logo Spencer estava sonolenta nos braços dele, o que me permitiu pentear os cabelos com calma.

– Hey família! – escutamos a voz animada da loira lá embaixo.

– Sua irmã chegou. Vamos descer? Coloca ela no Bebê-Conforto lá no sofá, ursinho. – sugeri e Emm assentiu.

Irina e Stefan estavam de mãos dadas e sorridentes quando os encontramos na sala de jantar.

– Boa tarde. – meu ex-professor de biologia nos cumprimentou.

– Awn, minha pequenina já está dormindo. — Irina se aproximou de Spencer e lhe afagou os cabelos curtos, em seguida depositou um beijo doce na cabeça. – Ela ainda está mal pela alergia? – perguntou ela, preocupada.

– Não, ela está ótima. Só um pouquinho vermelha em alguns lugares, mas nada grave. Relaxa, Irina. – a tranquilizei e vi minha cunhada respirar aliviada.

– E o meu pai? Está aqui? — pediu a loira, olhando para os lados.

– Ajudando a mamãe no jantar. — Emm respondeu.

– Vem, vamos lá dar um oi. — ela pegou na mão do namorado e os dois entraram na cozinha, sumindo de nossas vistas.

Emmett se sentou no sofá, mas não colocou Spencer no Bebê-Conforto. Eu não reclamei. Era tão lindo vê-los juntinhos. Emm aproveitava cada segundo que tinha com ela.

– É, ela dormiu mesmo. Não sabe como fico angustiada ao vê-la chorar, ursinho. – confessei, me sentando ao lado dele e ajeitando a chupeta nos lábios rosados de Spencer.

– Agora você sabe o que eu passo. — Emm comentou, olhando rapidamente para mim. Ainda assim, consegui sentir a intensidade de seu olhar. Ele acariciava os dedinhos da bebê com delicadeza.

Encarei meu namorado e a expressão confusa em meu rosto era nítida.

– Como assim?

– Agora você sabe como me sinto. Quando você chora eu fico sem saber o que fazer, literalmente perdido. A única diferença é que quando se trata dela é mais difícil saber o motivo do choro. Mas saber o motivo das suas lágrimas não diminui minha angústia. — ele explicou, tornando a me encarar com aqueles grandes olhos verdes que faziam meu mundo parar.

Suspirei. O mundo poderia dar mil voltas, passar centenas de anos, e eu seria completamente apaixonada por ele da mesma forma de sempre. Talvez até mais.

– Ah ursinho. Te amo tanto que me dá até vontade de chorar. E não faço isso pra você não sofrer. – falei, emocionada. Alice e Bella tinham razão. Eu era uma chorona de carteirinha! Mas Emm parecia não se importar.

Uni nossos lábios, num beijo demorado. Depois aproximei meu rosto da curva de seu pescoço e aspirei seu perfume delicioso, me embriagando. Ficamos assim, até que Carmen nos chamou para o almoço em família.

Notas finais
Uma das minhas leitoras havia me sugerido um casamento, pensando em Rosemmett. Bom, eu gostei da ideia, mas achei que ela se encaixaria na minha personagem maluca e tão querida. Aprovaram? Aguardando os comentários. Beijinhos!