The Safe Place
59 Capítulo 59 – Enrolados & Apaixonados
Notas iniciais
Poucos dias depois...
Passaram-se três do nascimento de Spencer, então nós tivemos alta do hospital. Eu já não estava mais nervosa em voltar para casa com um bebê nos braços. Recebi ajuda e dicas dos médicos e enfermeiras enquanto estive aqui e, agora, em casa teria o total auxílio da minha sogra e avó do meu bebê.
No dia seguinte ao nascimento, Bella e Alice foram me visitar no hospital. Elas foram os primeiros rostos diferentes do de Emmett e Carmen que vi naquela tarde. Tinha quase certeza que Irina estava lá fora esperando sua vez, mas deixou minhas melhores amigas passarem na frente.
Eu estava terminando de comer a “comida leve” que uma enfermeira havia me trazido, mas aquilo não tinha gosto de nada e eu estava tentando fugir da insistência de Carmen quando as duas chegaram. Minha salvação!
– Rosie! – Alice se atirou em cima de mim, de braços abertos e com um sorriso estonteante no rosto, como uma criança agarrando seu presente tão desejado de natal.
– Oi baixinha. Como você está? – pedi, agora segurando suas mãos, após dar e receber beijos nas bochechas.
– Quem faz as perguntas aqui somos nós, dona Rosalie Hale. Que maluquice é essa de nos avisar horas depois? Eu queria ter estado aqui o tempo todo, caramba! – Isabella se pronunciou. Carrancuda, de braços cruzados, tentando me mostrar o quão brava estava.
– Ai Bellinha, isso é jeito de falar com a Rosie? – Alice olhou magoada e descrente para nossa amiga, e eu apertei sua mão em sinal de que estava tudo bem.
– Você pode parar de me encarar com esses olhos verdes furiosos e me abraçar, por favor?
Ela quis se mostrar relutante. Deu passos arrastados, se curvou sobre mim e me deixou abraçá-la. Bella sempre foi assim, sempre detestou ser contrariada ou a última a saber das coisas. Ela era o cérebro entre nós três, “a voz da razão” como gostava de referir-se a si mesma. Era quem nos aconselhava e nos ajudava a resolver os problemas. Queria estar sempre ao nosso lado e eu realmente queria ter dado um jeito de isso ter acontecido no dia anterior.
– Me desculpe, Bells. Juro que queria ter te chamado. Você e a Alie. Mas aconteceu tudo tão rápido e eu só conseguia pedir que chamassem o Emm porque ele ainda não tinha chegado. – confessei, afagando suas costas repetidas vezes.
– E ele chegou? Porque eu mato ele se te deixou sozinha... – ameaçou ela e eu ri de leve.
– Chegou sim. Em cima da hora, mas chegou.
Isabella soltou um risinho e fungou, só então eu percebi que ela estava chorando. Isabella Marie Swan chorando! São raras as vezes que isso acontece e eu sabia que, no momento, se devia ao fato dela ser uma das pessoas que mais me amavam e ter pedido o momento mais importante da minha vida.
– Ah Bells... Você não vai chorar, né?!
– Queria ter ficado com você quando a bebê nasceu. Mesmo que você estivesse gritando feito uma louca. Eu queria estar do seu lado, Hale. – ela ergueu o rosto para me encarar e percebi que, apesar do acúmulo de lágrimas nos olhos, eles não estavam borrados pelo rímel e lápis escuros que ela sempre usava. Bella estava linda sem qualquer resquício de maquiagem.
– Ei, está tudo bem, Bells. Também queria que estivesse aqui. – tornei a abraça-la.
– Você é minha melhor amiga, droga. Não faça isso da próxima vez.
–Ei! – Alice exclamou e nós rimos encarando a baixinha.
– Você também é e sabe disso, anã de jardim. – Bella brincou e Alie mostrou a língua para ela.
– E, Bells, pode ter certeza que não vai ter uma próxima vez. Pelo menos não por enquanto. Daqui uns dez ou quinze anos pensamos nisso, okay? – falei, as fazendo rir.
Nesse instante a porta do quarto foi aberta e meu namorado entrou trazendo um pacotinho cor-de-rosa nos braços. Uma enfermeira vinha logo atrás, com os olhos fixo nele, como que vigiando para que ele não desse um passo em falso com o bebê.
– Ah, meu Deus! Olha só, Bella! – os olhos de Alice brilharam e ela juntou as mãos, erguendo os calcanhares, quando viu Spencer.
Bella secou os olhos com as mãos e sorriu. As duas se aproximaram do bebê e vi Emmett apertá-la mais contra o peito, talvez com medo de derrubá-la pela emoção das duas ou só não querendo ter que entregá-la as meninas. Eu ri. Ele seria um pai ciumento.
Alice foi a primeira a pegá-la e Spencer continuou dormindo enquanto a baixinha a balançava e roçava a bochecha macia na pele rosada do bebê. Achei que Bells iria ficar sem jeito para segurá-la, mas ela me surpreendeu revelando um jeito com crianças que eu sequer sabia que ela tinha.
Eu só consegui pegar minha filha quando ela despertou e a ameaçou um chorinho, com certeza estava na hora de amamentá-la. Minhas duas melhores amigas não seguram o “awwn” de emoção quando viram Spencer abrir os olhinhos cor de mel e fazer um biquinho antes de começar a mamar. Nem eu consegui e me peguei sorrindo, admirando o precioso presente em meus braços.
Isabella e Alice voltaram no dia seguinte com flores para mim e ursinhos cor-de-rosa para Spencer, com a promessa de irem me visitar em casa quando eu tivesse alta.
[...]
Três meses depois...
Nessa manhã, Irina apareceu com mais presentes para sobrinha, o que estava me deixando desesperada e sem jeito. Apesar de ela dizer que era tudo extremamente fofo e o que a bebê não usasse ou não servisse mais poderíamos doar mais tarde, eu continuava achando tudo um exagero.
Era sábado e Emm não tinha aula na faculdade, então tínhamos o dia todo juntos. No momento eu estava sentada na beirada da cama de casal, dobrando mais algumas roupinhas que ela trouxe essa manhã, junto com cachorrinho caramelo de pelúcia que minha cunhada afirmou ser presente do namorado dela. Pedi que a agradecesse a Stefan por mim. Meu ex-professor de biologia era sempre um cara legal.
Emmett brincava com Spencer, fazendo barulhos engraçados com a boca enquanto ela babava, tentando colocar a mãozinha fechada na boca. Ele estava deitado na cama e a suspendia no ar de barriga para baixo. Isso fazia Spencer rir bastante, aquele sorriso sem nenhum dentinho, mas tão lindo que chegava a doer, exibindo um par de covinhas irresistíveis como as do pai.
Encarei a pilha de roupas coloridas a minha frente e suspirei.
– Acho melhor sua irmã parar de comprar coisas pra ela. Logo não vamos mais ter onde guardar. – falei, pegando um par de sapatinhos de boneca azul-marinho e colocando sobre a pilha.
– Você sabe como a loira é, amor. Nem adianta falar. – respondeu ele, ainda mantendo os olhos fixos em Spencer.
– Bom, pelo menos nossa filha vai parecer uma princesa com todas essas coisas. – falei, passando a mão pelos babados rosa de uma linda saia. Eu tinha que admitir, era tudo tão angelical. Dava para entender o motivo de Irina não resistir.
– Ela já é uma princesa, amor. Igualzinha à mãe dela. – Emm falou, olhando para mim e piscando. Abriu um adorável sorriso de covinhas e eu não resisti.
De joelhos sobre o colchão, me aproximei dos dois. Emm colocou Spencer deitada sobe seu peito largo, enquanto eu unia nossos lábios. Antes que pudéssemos aprofundar o beijo, Spencer bateu a mãozinha gorducha na bochecha dele e soltou um gritinho, como que exigindo atenção.
– Eu acho que alguém está com ciúmes do papai. – eu ri, segurando a mãozinha da minha filha e dando um cheirinho. Ela olhou de mim para o pai e fixou os olhos cor de mel nele, como se Emm fosse a coisa mais interessante do mundo para se olhar. E, bem, ele era mesmo. Para mim e para ela.
– Ou da mamãe. Afinal, ela bateu em mim. – respondeu ele, fazendo bico. Spencer achou graça e estendeu a mãozinha cheia de baba para a boca do pai.
Me soltei dela, virando na cama em busca de um paninho. Encontrei a fralda de pano, que ficava presa a uma das várias chupetas, sobre o encosto da poltrona. Busquei e tornei a me sentar, tentando secar a boquinha rosada da bebê, mas ela estava muito entretida apertando as bochechas e boca do pai para me deixar fazer isso.
– Vamos PeyPey, deixa a mamãe limpar essa boquinha cheia de baba.
Segurei seu rostinho e passei a fralda de pano. Ela fez careta, ameaçando chorar se eu não a deixasse voltar a apertar o pai. Então a soltei, atirando a fralda sobre o colchão.
– Deixa ela, Rose. Até parece que você nunca babou na vida. – Emm reclamou, não ligando ela que voltasse a bater as mãozinhas em seu rosto.
– Todo bebê baba, Emm. Eu sei disso. Só estava tentando evitar que você ficasse cheio de baba também.
– Eu não me importo com isso, amor. Não é, filha?! Fala pra sua mamãe paranoica que eu não me importo em ter uma filha babona. – ele brincou, beijando as bochechinhas gorduchas e rosadas dela.
– Não chama ela assim, Emm. – foi minha vez de fazer careta.
– Quer que eu a chame de PeyPey também?
– Desde que não a chame de babona, tudo bem. E foi a Alice que escolheu esse apelido. Achei bonitinho. É engraçado, amor. – comentei, me lembrando do dia que a baixinha e Bella estavam aqui, brincando e paparicando Spencer.
Alice não gostava de chamar minha filha pelo nome, assim como não fazia com a maioria das pessoas que conhecia. A baixinha sempre encontrava um apelido para todos e PeyPey foi o que ela inventou para Spencer. “Tipo, Spencer... Spey... PeyPey! Entenderam?” Foi o que ela disse e achamos melhor não contrariar as maluquices de Alice.
Emmett voltou a suspender Spencer no ar e ela riu, esticando as mãozinhas na esperança de agarrar as bochechas dele. Ultimamente ela queria agarrar tudo que via e Carmen disse que isso se deve ao fato dela estar crescendo e querendo descobrir as coisas. Ah, e isso inclui o gosto das coisas que ela pega, já que ela quer colocar tudo na boca, não importa o que.
– Você está muito risonha, meu amor. Vem cá, deixa a mamãe te apertar também. – sorri, ficando de joelhos sobre o colchão.
Emm me passou Spencer e eu distribuí beijinhos por todo seu rosto de boneca. Ela me encarava séria quando eu a olhava e depois ria do som que o beijo estalado fazia em sua bochecha. Meu coração acelerava e transbordava com cada risadinha sua. Era a coisa mais encantadora do mundo. Do meu mundo.
– Sua mãe está muito beijoqueira hoje, Spencer. – Emm falou, já com os braços estendidos a querendo de volta.
– Isso porque eu amo essa garotinha e é impossível não querer beijar, cheirar ou apertá-la o tempo todo. – respondi e envolvi Spencer mais junto a mim, cheirando sua cabecinha, absorvendo o aroma suave de bebê que vinha seus poucos cabelos claros.
– E eu? Você também não consegue ficar sem beijar o tempo todo? — perguntou ele, me encarando com um sorriso de canto.
Seus olhos verdes sempre me deixavam desconcertada quando estavam sobre mim daquela forma. Transparecendo amor, desejo e admiração. Espelhando o que eu também sentia.
Estiquei o pescoço, deixando que me beijasse. Fechei os olhos quando seus lábios doces e quentes uniram-se aos meus. Aquela sensação de estar voando me atingindo novamente. De estar fora da Terra. Em um universo só nosso. O que ainda me prendia à realidade era o pequeno bebê resmungando em meu colo.
Spencer puxou meu cabelo, me fazendo separar de Emmett e rir. Ele também riu, enquanto eu segurava a mãozinha dela. Os dedinhos gorduchos fechados com força em torno de algumas mechas cacheadas de meu cabelo.
– Você tem razão, ela tem ciúmes de mim. – ele se gabou e eu revirei os olhos, ainda tentando fazendo Spencer me soltar.
– Solta o cabelo da mamãe, Spencer. Vai bebê, não pode puxar. – pedi, como ela se fosse mesmo capaz de entender. – Emm, tira a mãozinha dela daqui, amor.
Ainda rindo, meu namorado segurou a mão da filha e tentou fazê-la soltar. Em vão, pois Spencer estava obstinada a não soltar os fios. Ela tentou colocar a mecha na boca, mas Emm não deixava. Foi impossível não rir também.
– Ah meu Deus, estamos tão enrolados. Ela tá ganhando da gente, Emm. Que ótimos pais nós somos. – brinquei.
No instante seguinte, Emm conseguiu abriu os dedinhos de Spencer com cuidado e afastou a mãozinha gorducha dos meus fios castanhos.
– Ufa, sua sapeca. – suspirei aliviada, jogando os cabelos para trás quando Emmett a pegou no colo. Aproveitei para pegar o elástico no criado ao meu lado e prendi meus cabelos em um coque.
Percebendo o que aconteceu, que não poderia mais “experimentar” o cabelo da mamãe, Spencer fez carinha de choro. Suas bochechas se avermelharam e o rostinho se contorceu numa careta.
– Ah não, não chora meu amor. – pedi, segurando sua mãozinha, enquanto Emm a balançava devagar, tentando acalmá-la.
– Acho que ela gosta do seu cabelo, Rose. – Emm falou, apoiando Spencer contra seu peito enquanto encostava-se à cabeceira da cama. – Não é, Spencer? O papai também gosta. – ele depositou um beijinho no topo da cabeça dela, o que me fez abrir um sorriso singelo e cheio de admiração. Eu nunca me cansaria de vê-los juntos.
O choro parou poucos minutos depois e ela ficou balbuciando baixinho enquanto Emmett acariciava os dedinhos dela que estavam espalmados em seu braço. Tudo nela era tão pequeno e delicado.
Quando Spencer encostou a boquinha no ombro do pai e mexeu os lábios rosados, como se quisesse sugar, eu entendi o motivo do choro.
– Ah, ela quer mamar, Emm. Olha só, não era o meu cabelo que ela queria comer. – falei, já estendendo os braços, pronta para receber minha garotinha de volta. – Vem cá, meu amor. O papai não tem nada aí não. – brinquei, a pegando no colo e me ajeitando melhor na cama.
– Você já percebeu que sempre fazemos uma voz idiota pra falar com bebês? – Emmett falou de repente, me fazendo rir.
– Com filhotes também. Isso me faz lembrar a Alice e a sua irmã. – eu disse, recordando as vezes que a baixinha e minha cunhada chegavam perto de Spencer. Era sempre uma comédia, cheias de caretas e vozes fininhas.
No instante seguinte Spencer estava mamando. Sua mãozinha espalmada em minha pele, próxima ao queixo. Eu acariciava o contorno de seu rosto angelical com a ponta do indicar, admirando meu pequeno e mais importante presente. Cada detalhe perfeito dela. Desde os olhinhos cor de mel até as bochechas que guardavam as covinhas fofas. A mistura exata entre mim e Emmett. Nunca me pareceu tão certo que fosse exatamente assim.
Quando Emm se mexeu na cama, percebi que ele estava apontando o celular em nossa direção.
– Emm, não tira foto. Eu fico com vergonha. – pedi, encarando-o rapidamente, em seguida voltando minha atenção para a bebê em meus braços que mexia as mãozinhas.
– Vergonha nada. Você está linda. Vocês ficam lindas assim. – afirmou ele. Tornei a encará-lo e lá estava aquele sorriso arrebatador, que fazia meu coração acelerar e meu corpo derreter.
Antes que eu pudesse voltar a me concentrar em Spencer, os lábios de Emmett já estavam próximos demais. Encostaram-se os meus, despertando cada fibra do meu corpo. Aquela clichê, porém inegável e arrepiante, corrente elétrica passando dele para mim. Tudo isso despertado apenas por um tocar demorado de lábios.
Sua mão tocou meu rosto, seus dedos acariciaram minha pele e eu abri os olhos. Trocamos olhares intensos e apaixonados e eu não me surpreendi por ainda conseguir ser tragada por aquele verde profundo e inigualável. Agradeci mentalmente a Deus por tanta sorte.
Emmett se afastou para beijar a cabeça da nossa filha e tirar outra foto, capturando agora meu sorriso bobo e olhar encantado.
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