The Safe Place
58 Capítulo 58 – Bem-Vinda Spencer
Notas iniciais
Algum tempo depois...
Eu finalmente havia completado 9 meses de gravidez e isso não estava só me deixando tensa, mas à família inteira também. Irina, que já era a pessoa mais empolgada que eu conheço, conseguiu ficar ainda mais. Carmen quase não queria sequer me deixar descer as escadas e eu tinha que implorar para poder ajudá-la com qualquer coisa. Emmett tentava parecer o mesmo cara despreocupado de sempre, mas eu sabia que ele achava que se eu espirrasse ou me esticasse demais na cama poderia ter o bebê a qualquer momento, apesar da doutora Emily ter dito que Spencer poderia nascer até o início da próxima semana.
Eles estavam me fazendo pirar!
– Nada disso, Rosalie. Você não vai sair de casa. – Car falou pela décima vez, tentando soar autoritária.
Minha sogra havia conseguido me enrolar por toda essa semana, me impedindo de ir para loja com Irina. Porém, hoje, todos iriam sair de casa e eu não queria ficar sozinha.
– Está tudo bem, Car. Eu nem estou sentindo mais nada, sério. – argumentei, mas ela parecia uma mãe irredutível com os braços cruzados e batendo um dos pés contra o carpete enquanto eu guardava o celular na bolsa.
Nesta manhã eu havia sentido um espécie de cólica, nada do outro mundo, e se não fosse a boca grande do meu lindo namorado a mãe dele não estaria obstinada em não me deixar ir trabalhar com minha cunhada essa tarde.
– Eu não vou mais ao trabalho. Ligo para o Eleazar e ele resolve tudo lá sem mim. Fico aqui te fazendo companhia, querida. – tentou, mas se ela estava inflexível eu também estava.
– Sua filha não vai me deixar fazer nada mesmo. Eu só quero sair um pouquinho, Car. Vai ficar tudo bem, até mais tarde. – afirmei, depositando um beijo na bochecha dela e saindo do quarto, sem deixar mais brechas para que ela tentasse me convencer a ficar.
Lá embaixo, Irina estava me esperando.
– Ela não deixou. – afirmou a loira, levantando-se do sofá. Os cabelos cacheados estavam presos num coque alto e bagunçado e, mesmo que a roupa fosse simples, ela inda parecia uma modelo.
Sorri para minha cunhada, com a melhor expressão de vitoriosa que consegui fazer.
– Deixou sim. Vamos logo antes que ela mude de ideia. – respondi, passando meu braço pelo dela.
– Irina, cuide dela, okay?! Qualquer coisa você me liga. – Car gritou do topo da escada e a filha assentiu.
Saímos de casa e entramos no conversível vermelho dela. Irina logo ligou o som e deu partida.
– Minha mãe está realmente pirada. Parece que é ela quem está grávida. – a loira comentou enquanto dirigia.
– Bom, ela só está querendo cuidar de mim e da neta. E, além do mais, ela tem motivos suficientes para ficar estressada com esse lance de gravidez. – respondi, me recordando da triste história de Carmen havia me contado sobre seu primeiro bebê. Tinha certeza que, no fundo, ela nunca havia superado isso. Mas que mãe superaria completamente?
Pensar nisso me fez estremecer de leve e afaguei minha barriga enorme, enquanto Irina fazia a curva na rua da Fashion DASH.
– Apesar de achar que minha mãe está sendo um tanto exagerada, essa tarde você está sob minha responsabilidade, coisa que pode não parecer, mas eu tenho e de sobra. Então você vai ficar quietinha, porque se alguma coisa acontecer, eu não levo bronca só da dona Car, mas o Emm me mata. – a loira falou exigente, enquanto trancava o carro com controle automático. Eu ri, então entramos na loja e ela me fez ficar sentadinha no sofá enquanto ia checar algumas coisas no depósito.
[...]
Por volta das 16 horas, uma cliente havia acabado de sair e agora Irina estava do outro lado do balcão devorando uma barrinha de chocolate com caramelo e me contando algo engraçado sobre a mulher que havia acabado de deixar a loja.
Eu até estava rindo da história que ela narrava, mas o mesmo desconforto dessa manhã recomeçou só que mais intenso e eu estava tentando não fazer cara de dor para evitar preocupá-la.
– Quando vamos para casa, Irina? – perguntei, achando que falar me faria esquecer a dor que vinha cada vez mais forte e em menos tempo.
– Hmm, daqui a pouco. O Emm ainda não me ligou, achei que ele fosse me pedir pra buscá-lo em Port Angeles. – respondeu ela, olhando para tela do celular.
Eleazar havia levado Emmett para resolver a papelada da faculdade, já que faltava menos de duas semanas para as aulas iniciarem-se. Irina havia ficado de ir buscá-lo, mas até agora meu namorado não havia dado sinal de vida.
– Tá. Eu... Eu acho que preciso ir ao banheiro. – falei, ficando de pé. Outra dor abdominal me atingiu e apoiei as mãos na barriga. Antes que eu pudesse dar um passo, senti algo escorrer por minhas pernas.
– Rose, eu não acredito! Você fez xixi no chão da loja?! – Irina quase berrou, o que me deixou mais nervosa do que já estava ao constatar o que era aquele líquido.
– Não é nada disso, Irina. Eu acho que... – nem consegui terminar, pois ela me interrompeu, entendendo o que havia acontecido.
– Ah meu Deus, não vai me dizer que... Sua bolsa estourou?! – constatou e eu juro que vi Irina passar de branca para transparente. Se ela entrasse em pânico agora seriam duas, porque eu já estava pronta para começar a chorar. – Tá bom, sem pânico. – falou mais para si mesma, tentando se acalmar, e puxou uma boa quantidade de ar. – Ok, eu vou ligar pra minha mãe.
Irina quase derrubou o celular pelo modo que seus dedos tremiam. Teve que repetir a discagem três vezes até acertar o número.
– Liga pro Emm. – pedi, com a voz já embargando.
Carmen pediu que Irina me levasse direto para o hospital que ela já estava a caminho. Eu não queria me mover enquanto minha cunhada não ligasse para Emmett e ele viesse nos encontrar.
– Eu vou ligar, Rose. No carro, prometo. Agora vamos, ou quer que minha sobrinha nasça por aqui mesmo?
Ela me ajudou a ir até carro e colocar o cinto de segurança. Irina dirigiu o mais rápido que pôde, obedecendo todos os sinais de trânsito. Estávamos já próximas do Hospital de Forks e nada dela conseguir falar com o irmão.
– Droga, acho que o celular dele está desligado. Você está bem? – ela desviou a atenção da estrada para mim por poucos segundos e apertou meu joelho, tentando me acalmar.
Apenas assenti, tentando não pirar com o fato de Emmett estar incomunicável justamente agora. Ele prometeu que estaria do meu lado quando a hora chegasse e eu tinha que acreditar que ele iria cumprir com isso.
Mesmo assim, acreditar que ele chegaria a tempo não afastava a vontade de chorar cada vez que uma nova contração me atingia.
Chegamos ao simples hospital da cidade e Irina foi logo chamando uma enfermeira. Enquanto me empurravam numa cadeira de rodas, Carmen apareceu. Ela tinha a expressão preocupada, os olhos cheios de lágrimas, entretanto ainda assim conseguiu sorrir para mim.
– O que eu te disse, hein carinho?! – falou, mas não em tom acusatório. Ela afagou minha bochecha.
– Desculpe, Car. – pedi, com a voz baixa, torcendo para que ela não ficasse brava comigo por ter insistido em sair.
– Tudo bem, tudo bem. Vai dar tudo certo, querida. – minha sogra se curvou sobre mim, depositando um beijo cálido em minha testa. Senti todo seu carinho e amor maternal transbordando diretamente pra mim.
– Mas que droga! Cadê o idiota do meu irmão? – Irina resmungou, mexendo no celular outra vez, com certeza tentando ligar para Emmett.
– Ele vai chegar logo. Eu prometo, querida. – Car assegurou, acariciando mais uma vez meu rosto. Ela secou uma lágrima que rolou por minha bochecha quando eu assenti.
A enfermeira não esperou. Tornou a pôr em movimento a cadeira de rodas, me levando para uma sala onde me preparam para o parto, colocando aquela camisola ridícula e em seguida me levaram para outra sala, onde tudo iria acontecer.
Apenas uma pessoa podia ficar comigo e obviamente Emmett deveria estar ocupando esse lugar. Porém, ele ainda não havia aparecido e, quando Carmen entrou vestida adequadamente para acompanhar o parto, eu soube que talvez não tivesse meu namorado ao meu lado e fiquei ainda mais nervosa.
O tempo entre as contrações estava diminuindo cada vez mais. Uma a cada vinte minutos. Depois quinze, sete, e quando o intervalo passou para três, como uma das enfermeiras avisou, percebi que não aguentaria mais segurar a vontade de empurrar.
Spencer queria nascer e o fato do pai dela não estar aqui parecia não fazer a menor diferença.
– Está certo, querida. Você está com dilatação suficiente. Podemos começar, Rose? – a doutora Emily perguntou e por mais que eu quisesse tentar me segurar, já estava ficando insuportável.
Olhei para Car e ela segurou minha mão. Assenti para a doutora Emily, pronta para fazer força.
– Ok, vamos... – antes que ela pudesse terminar, a porta da sala hospitalar foi aberta e a pessoa que eu mais ansiava ver ao meu lado neste momento entrou.
– Emmett. – sussurrei.
Eu sabia que meu rosto deveria estar péssimo e contorcido de dor, mas isso não me impediu de sorrir ao vê-lo. A sensação de alívio finalmente se instalando.
– Desculpe doutora, eu tentei segurá-lo lá fora. – uma das enfermeiras reclamou, mas eu sequer prestei atenção.
Emmett tomou o lugar o da mãe, segurando minha mão e beijando minha testa.
– Desculpe, desculpe. Eu vim o mais rápido que pude quando soube. Você está bem? – pediu ele e através de seus olhos verdes pude ver angústia, preocupação e culpa.
– Onde você estava? – perguntei, mas antes que pudesse ouvir sua resposta outra contração veio e fechei os olhos, gemendo. Teria que pedir desculpas depois a Emmett, porque tenho certeza de que quase quebrei os dedos da mão dele.
– Tudo bem, vocês podem conversar depois, han?! Rose, concentre-se. Sua filhinha quer nascer. – a doutora Emily avisou e só então percebi que minha sogra não estava mais ali.
Eu empurrei, gemi, chorei e mesmo assim aquilo parecia nunca ter fim. A mão de Emmett não desgrudou da minha e mesmo que a médica já tivesse avisado que estava vendo a cabeça do bebê, parecia que ainda duraria por horas.
– Vamos lá, Rose. Só mais uma vez. – a Dr. Emily pediu quando eu já estava pra lá de cansada.
Eu só queria dizer que tudo bem se Spencer não quisesse realmente nascer agora, que eu poderia parar de fazer força ou apertar os dedos do meu namorado. Mas, mesmo querendo desistir, obedeci.
– Eu confio em você, Rose. Você consegue, amor. Por favor, pela nossa filha... – as palavras sussurradas de Emm em meu ouvido eram tudo que eu precisava ouvir naquele momento.
Seu encorajamento, sua força, sua confiança em mim. Era por isso que eu precisava tanto dele ao meu lado. Ele acreditava em mim e queria tanto quanto eu ver o rosto da nossa garotinha.
Após um último empurrão, soube que havia acabado. Quando o choro agudo preencheu o ambiente, foi impossível não chorar junto. Tudo bem que eu já estava chorando desde o momento que cheguei aqui, mas agora foi um choro de emoção. Lágrimas de pura felicidade por ter escutado o som da nova pessoa mais importante da minha vida.
– O papai quer cortar o cordão umbilical? – a doutora perguntou e Emmett parecia meio zonzo quando se aproximou dela, que segurava meu bebê.
Foi rápido e quando terminou, a doutora Emily trouxe Spencer para mim, a colocando sobre meu peito. Ela estava chorando baixinho, mas parou no instante em entrou novamente em contato comigo. Sorri em meio às lágrimas, encostando meus lábios docemente na cabecinha dela.
– Como você é linda, meu amor. – minha voz saiu sussurrada e chorosa. Solucei. Segurei sua mãozinha minúscula, acariciando os dedinhos e beijando suavemente.
O calor de corpinho dela contra o meu, seus batimentos cardíacos acelerados contra meu peito, sua respiração e o rostinho avermelhado me davam uma sensação incrivelmente nova e indescritível. Era tudo tão bom que parecia não caber amor em mim. Transbordava.
Era o meu pedacinho de amor ali nos meus braços. Meu pedacinho e de Emmett. Não podia estar mais grata. Spencer era o melhor presente que eu poderia receber na vida.
Emmett se baixou, ficando com o rosto à nossa altura e me beijou rapidamente nos lábios.
– Obrigado, Rose. Ela... Ela é perfeita! – ele falou, com a voz embargada. Encarei seu rosto de anjo e notei os olhos verdes brilhantes como eu jamais vira antes. Foi então que uma lágrima rolou deles e Emm sorriu, fitando nosso bebê.
Quando Spencer recomeçou a chorar, uma das enfermeiras presentes a pegou e levou para longe de mim, deixando a sensação de vazio e falta do calor que minha garotinha havia me proporcionado.
– Agora você pode ir lá dar a boa notícia pra sua família. Vamos cuidar delas e logo você pode ver a Rose no quarto, está bem? – a doutora Emily avisou Emmett e ele me encarou, meio relutante em sair de perto de mim.
– E a Spencer? – perguntou.
– Depois que a limparem, vão levá-la ao berçário. Não se preocupe, eu aviso assim que puder ver as duas. – Emm assentiu, concordando. Acariciou meus cabelos bagunçados e suados, e beijou minha testa antes de sair.
Meus olhos estavam ficando pesados e eu queria muito dormir, apesar da vontade de pegar Spencer mais uma vez. Teria muito tempo com ela, o resto de nossas vidas. Poderia me permitir descansar um pouco e sonhar com o rosto do bebê mais lindo que já vira.
[...]
Algumas horas depois...
Eu acordara há um tempo, mas ainda não havia visto meu bebê novamente. Uma enfermeira veio ver como eu estava e aproveitei para perguntar sobre e Spencer e ela apenas disse que logo a doutora Emily viria falar comigo.
Quando a doutora entrou, acompanhada da minha sogra e com um leve e gentil sorriso no rosto, pude soltar o ar que nem notara estar prendendo e ficar menos tensa.
Estava tudo bem com Spencer e logo ela estaria em meus braços pronta para mamar. Não via a hora de senti-la tão pertinho outra vez. Com certeza, eu seria uma mãe extremamente grudenta e babona.
– Ela é tão linda, Rose. – Car falou, assim que a médica nos deixou a sós. Ela tinha um sorriso radiante iluminando a face, o que me fez sorrir também.
– Você a viu? Com quem ela se parece? Com o Emm, né? – perguntei curiosa e empolgada.
Durante toda a gravidez torci para que minha filha fosse uma cópia fiel do pai. Os cabelos claros, a pele branca, os olhos verdes e intensos e, principalmente, as covinhas nas bochechas. Quando a vi rapidamente, estava emocionada demais para sequer pensar em procurar tais semelhanças.
– Ela ainda não se parece com ninguém e estava de olhos fechados então não sei se tem seus olhos ou os do meu filho. Mas é uma boneca, uma preciosidade. – Car sorriu, parecendo divagar na imagem que tinha da neta na mente.
– Quero vê-la logo. Realmente segurá-la, curtir minha garotinha. – confessei, sentindo meu coração disparar no peito, transbordando de um sôfrego sentimento materno.
Era tudo tão intenso e sabia que seria ainda mais quando a tivesse pertinho outra vez.
– Onde está o Emm? Ele foi vê-la? – perguntei, estranhando que ele não tivesse vindo aqui ainda.
– Emmett não queria sair da janela do berçário quando a doutora nos levou até lá. Irina também não, mas convenci os dois a irem comer alguma coisa na cantina do hospital antes de passarem pra te ver. – explicou ela.
Conseguia visualizar a cena. Emmett todo bobo vendo nossa filha através do vidro e Irina completamente maluca e ansiosa para pegá-la. Isso me fez lembrar Alice e quis saber se alguém se lembrou de avisar minhas duas melhores amigas.
– Rose, sua mãe esta aí fora com seu irmãozinho. Quer vê-los agora? – minha sogra perguntou e me dei conta que nesse tempo todo não havia sequer pensado em Lilian.
Foram emoções muito fortes para um dia só e eu não podia me culpar por me esquecer de pedir a Irina ou Carmen que chamasse por Lilian. Mas com certeza minha sogra havia se lembrado e eu estava grata por esse imenso favor.
– Quero, obrigada Car.
Antes de sair, Carmen afagou meu rosto e beijou meus cabelos. Ela deixou o quarto e no instante seguinte a figura calma e controlada da minha mãe segurando a mão do meu pequeno e esperto irmão caçula, que vestia uma camiseta azul do Super-Homem, apareceu.
– Olá, meu bem. Como está se sentindo? – ela perguntou gentilmente, sorrindo.
Lilian puxou uma poltrona branca que havia para as visitas para mais perto da cama onde eu repousava. Segurou minha mão tranquilamente e esperou, enquanto Alex se sentava numa perna dela, com um dedo na boca, parecendo com medo de falar com qualquer coisa.
– Bem, agora estou bem. Que bom que está aqui, mãe. – agradeci, sorrindo de leve para ela, que afagou o dorso da minha mão.
– Assim que Carmen me avisou vim correndo. Alex também queria te ver e Peter infelizmente está no trabalho e não pôde sair ainda. Também não vejo necessidade de tantas pessoas te sufocando, quando estiver em casa ele vai te visitar. – explicou e eu assenti. Vi Alex se remexer no colo de Lilian e ela o ajeitou sobre a perna.
– Estou feliz que veio também, Alex. – estiquei minha mão na direção dele, tocando-lhe o joelho.
– A mamãe disse que agora você tem um bebê e eu tenho uma sombrinha. – ele falou após tirar o dedo da boca e ajeitar os óculos de grau. Eu e Lilian rimos ao escutá-lo pronunciar incorretamente a palavra.
– É isso mesmo, uma sobrinha. Você já a viu? – perguntei e ele negou com a cabeça. – Ela é pequenininha e muito linda. Tenho certeza que vai gostar dela.
– Pequenininha assim? – Alex mostrou o dedo indicador e o polegar, quase os juntando, num sinal de que era algo bem pequeno.
– Não, não. Um pouquinho maior. – eu ri.
– Assim? – ele tentou mostrar o tamanho com as duas mãos e eu ri, tentando ajudá-lo com o tamanho mais ou menos certo. Quando chegou ao tamanho que eu lembrava ser o bebê que pegara rapidamente, Alex arregalou os olhos castanhos e a boca se abriu.
– E ela estava bem aí na sua barriga? – perguntou, como se não acreditasse. O garotinho desceu do colo de Lilian e se aproximou de mim. Em seguida cutucou minha barriga com o dedinho magricela como se quisesse ter certeza que não havia mais nenhum bebê ali.
– Estava, agora ela está lá no berçário. Porque não pede pra mamãe te levar para ver a Spencer? – sugeri olhando do garotinho que começara a saltitar em minha frente para minha mãe. Lilian sorriu assentindo, ficou de pé e ajeitou a bolsa no ombro.
– Venho te visitar antes que volte para casa, ok?
– Obrigada. – recebi de Lilian um beijo na testa e Alex tirou o dedo da boca para poder beijar minha bochecha, o que acabou deixando um pouquinho de baba em minha pele, mas não me importei.
Meu irmãozinho era extremamente fofo e eu estava muito feliz por me dar tão bem com ele. Por ele me aceitar facilmente e vise-versa.
– Vamos mãe! Vamos ver o bebê da minha irmã! – Alex puxou Lilian pela mão e ela ainda conseguiu acenar com a outra para mim antes de fechar a porta atrás de si.
[...]
Poucos minutos depois, foi a vez de Emmett, Irina e Eleazar entrarem. Meu sogro não ficou muito tempo, apenas passou para ver como eu estava e dizer que a neta dele era a coisa mais linda que já vira. Eleazar podia ter todo esse jeito sério, mas não conseguiu segurar o sorriso ao falar da netinha.
Rapidamente ele se foi, indo encontrar Carmen na cantina do hospital, me deixando apenas com Emmett e Irina. Minha cunhada foi logo saltitando para perto de mim com o celular nas mãos.
– Olha, eu consegui tirar uma foto pelo vidro, mas foi coisa rápida. Aquela enfermeira chata não queria deixar. – tive que ri quando ela disse isso. A loira mostrou a tela do celular e mesmo que a imagem tivesse um tanto borrada ainda assim dava para identificar um bebê ao longe ali.
– Eu avisei a essa maluca que ela poderia tirar quantas fotos quisesse quando trouxessem o bebê pra cá, mas ela é impaciente pra burro. – Emm falou, balançando cabeça. A irmã lhe mostrou a língua enquanto dava zoom na imagem do celular, tentando ver melhor.
– Por falar nisso, estão demorando demais para trazerem minha sobrinha para mãe dela. Eu vou lá falar com aquela enfermeira grossa. – reclamou Irina e saiu, com o queixo empinado e cheia de atitude, pronta para exigir satisfações.
Emmett e eu rimos. Ele se sentou na beirada da cama e segurou minha mão, acariciando meus dedos com o polegar. De repente tudo em volta tinha perdido a cor, o som e os sentidos, e agora éramos apenas nós dois com a forte memória de haver um pedacinho de nós próximo dali.
Encarei seus olhos verdes intensos e brilhantes e mais uma vez desejei que minha garotinha tivesse o tom exato do pai. Esses olhos que me deixavam perdida, que me roubavam o ar e me derretia o coração.
– Sua mãe me contou que você não queria sair da frente do berçário. – comentei, agora encarando nossos dedos entrançados. Emm riu de leve antes de falar.
– Acho que nunca me senti tão preso alguém dessa maneira. A alguém que conheço há poucas horas. Realmente não queria sair de perto dela apesar de estar tudo meio que girando na minha cabeça. Quer dizer, é claro que quero estar com você o todo tempo também, mas...
–... É diferente. – completei a frase e Emm me encarou, assentindo. Seu sorriso sutil foi como se quisesse me agradecer por compreendê-lo. – Eu te entendo. É completamente diferente. Ela é nossa filha, é literalmente parte de nós. Não é só como se o coração nos puxasse até ela, mas o corpo também. Muito intenso. – expliquei, expondo o que sentia naquele momento, feliz e tranquila por Emmett se sentir da mesma forma. Era um sentimento que só pai e mãe poderiam sentir.
Amávamos aquela garotinha desde sempre, intensamente.
– Ei, olha quem veio ver a mamãe. – minha cunhada colocou a cabeça pela fresta da porta e eu me estiquei para ver por cima de Emmett.
Lá estavam Irina e uma enfermeira entrando, trazendo consigo um bebê recém-nascido nos braços. Meu bebê, minha Spencer. Ela estava enrolada numa manta cor-de-rosa e estendi os braços assim que a funcionária do hospital se aproximou.
Quando o pequeno bebê foi depositado em meus braços, foi impossível não fitar cada pedacinho dele. Spencer dormia com as mãozinhas em punho próximas ao rosto, às vezes mexendo os dedinhos. Aproximei meu rosto do seu, roçando meu nariz em sua bochecha, apreciando a maciez e o cheirinho gostoso de bebê que exalava dela.
– Minha bebê. – falei baixinho, ainda bem perto de se rostinho. Beijei sua bochecha e depois cada um dos dedinhos da mãozinha esquerda e ela segurou meu polegar, abrindo os olhos e me encarando.
– Olha só, ela tem seus olhos, Rose! – Irina declarou, fazendo um tom de voz manhoso como de Alice quando via algo fofo. Meu coração disparou.
Era verdade. Assim que abriu os olhos, Spencer revelou uma imensidão castanho-clara, cor de mel para ser mais exata, exatamente como os meus olhos. Não me arrependi de ter desejado que ela tivesse os olhos verdes de Emm, mas agora me parecia absolutamente certo que ela tivesse o mesmo tom que os meus.
– Eu não disse que ela seria igual a você?! – Emm falou, tocando a testa da nossa filha e depositando um beijo casto e suave no local.
Irina tirou algumas fotos de nós antes de passar o celular para o irmão e pedir que ele tirasse uma dela com a sobrinha no colo. Com muito custo me separei da minha garotinha, passando para os braços da tia maluca dela.
– Emm, você falou com a Bella e a Alice? – perguntei, enquanto ele batia as fotos com o celular da irmã.
– Ainda não, não me lembrei de nada. Se minha mãe não tivesse ligado pra sua, eu mesmo não teria lembrado. – confessou ele, tirando mais uma foto enquanto Irina mudava de posição com o máximo de cuidado.
– Realmente, você estava uma pilha de nervos quando saiu da sala de parto. A ficha não caiu ainda, gatinho? – a loira riu, brincando.
Irina distribuiu beijinhos pelo rosto de Spencer e a passou para os braços de Emmett. Foi lindo vê-lo com nossa filha nos braços. Achei que fosse chorar outra vez, mas consegui controlar a emoção que sufocou meu peito, me roubou as palavras e fez meu coração acelerar.
– Acho que nunca vai cair. – respondeu ele, então curvou o rosto sobre o bebê e aspirou seu cheirinho delicioso da mesma forma que eu fizera minutos atrás.
Emm era grande e forte, e a forma extremamente cuidadosa que ele segurava Spencer, parecendo ter medo de quebrá-la, derrubá-la ou coisa parecida, mostrava o quão delicado nesse aspecto ele podia ser. O quanto podia protegê-la.
Apesar de ter meus olhos e todos dizerem que bebês não se parecem com ninguém quando nascem, vendo Spencer nos braços do pai, os dois amores da minha vida tão próximos, era impossível não compará-los. Os lábios gordinhos e rosados, a pele branca e o rostinho redondo. Só faltavam as covinhas, mas pra isso eu precisaria vê-la sorrir para constatar.
Irina estava tão hipnotizada quanto eu assistindo a cena, mas quando despertou foi logo tirando várias fotos. Mais tarde, quando estivesse com meu celular, ela teria que passar cada uma delas pra mim.
Antes de nos deixar aproveitando o resto de tempo que ainda tínhamos com Spencer, Irina perguntou a Emmett o motivo que o fez demorar tanto e quase perder o parto da própria filha. Ele explicou que o celular ficou sem bateria quando estava em Port Angeles e quando conseguiu um telefone para ligar, o celular da irmã estava dando ocupado.
– Eu estava ligando pra mamãe na hora, provavelmente. – interrompeu Irina.
– Quando consegui ligar para o papai, ele falou que a mamãe havia acabado de telefonar dizendo que a Rose estava indo para o hospital. Então ele foi me buscar e eu achei não fôssemos chegar nunca. – confessou ele, balançando suavemente Spencer que estava aninhada em seus braços contra o peito, e afagando as costas dela.
– Que bom que chegou. – minha voz soou baixa, mas ainda assim ele conseguiu ouvir. Emm assentiu para mim, sorrindo cúmplice e eu sorri de leve em resposta.
Então minha loira favorita nos deixou, se despedindo de mim com um beijo na testa e vários outros na sobrinha. Irina parecia não querer ir para longe dela e eu me sentia da mesma forma. Ela avisou que tinha o número da baixinha e ligaria para que ela e Bella viessem me visitar amanhã, já que o horário de visitas acabara de terminar.
No instante em que minha cunhada nos deixou, a doutora Emily apareceu me perguntando se eu havia amamentado Spencer. Eu sequer tinha ideia de como fazer isso da maneira correta. Então Emm me entregou o bebê que já choramingava e a doutora me ensinou a posição correta de deitá-la e me avisou que ficasse bem esperta quando fizesse isso em casa. Se caísse no sono enquanto a amamentava, ela poderia sufocar, engasgar ou algo do tipo. Também estava proibida de deixar o bebê dormindo na cama comigo, pois poderia rolar sobre o bebê e sufocá-la também.
Enquanto ela falava dessas coisas horríveis que poderiam acontecer, me avisando para ter cuidado, eu ficava completamente arrepiada e só conseguia pensar em como seria absolutamente atenta e cuidadosa com minha garotinha. Já não me imaginava mais vivendo em um mundo onde Spencer não existisse.
Tive que ignorar a vergonha quando a doutora me pediu para abaixar a alça da camisola. Seria mais fácil se os olhos de Emmett não estivessem pregados na filha. Porém, eu teria que me acostumar, haveria muito mais cenas assim e esse era meu momento de mais contato com minha menina.
Eu mal conseguia piscar enquanto Spencer sugava o leite, fazendo um biquinho adorável e com o rosto corando ainda mais. Ela parecia uma bonequinha de porcelana, perfeita em cada detalhe e completamente frágil. Soube naquele instante que jamais deixaria nada de mal lhe acontecer, a protegeria para sempre com minha própria vida. Ela era minha vida agora.
Quando Emm sentou-se na beirada da cama e tocou uma das mãozinhas dele e nossa filha segurou o dedo indicador com toda força que aqueles dedinhos minúsculos conseguiam fazer, ele sorriu, exibindo as covinhas marcantes. Soube naquele instante que meu namorado perfeito compartilhava do mesmo sentimento de proteção que eu.
Trocamos olhares intensos e sorriso sinceros. Nossa felicidade estava completa agora.
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