The Safe Place
56 Capítulo 56 – Formatura. O Tempo Passa...
Notas iniciais
Cerca de 2 meses depois...
Estávamos quase na metade de janeiro e podia dizer que tudo corria perfeitamente bem. Quando foi que imaginei ter uma vida tão boa assim?
Depois da formatura tudo parecia ter se encaixado no lugar exato e eu não tinha mais motivos para me estressar com nada. Só estava ansiosa — muito ansiosa — pela chegada de Spencer. E com medo também. Não estava física ou emocionalmente preparada para sentir dor.
O dia da nossa formatura foi maravilhoso. Até mesmo a Grayson se comportou, agindo como a patricinha de sempre, mas não se recusou em tirar as fotos de turma com todos juntos e nem fez piadinhas sobre ninguém. Acho que até mesmo ela estava animada em deixar a FHS, mesmo que seu reinado fosse acabar.
Era uma tarde de sol em Forks – um grande milagre – e estávamos todos no gramado do lado esquerdo do prédio do colégio, vestindo aquelas becas azuis ridiculamente cumpridas e o capelo com aquela cordinha irritante balançando na frente o rosto. Todos conversavam, riam, zombavam um dos outros. Havia dois garotos brincando de atirar os capelos pra cima. E a diretora Brianna estava ao lado do fotógrafo contratado enquanto ele arrumava um equipamento.
– Isso vai durar até o apocalipse, não é possível! Detesto sol, sou terrivelmente alérgica. – Bella resmungou se aproximando de mim e Emmett. Dava para ver o par de all star milagrosamente limpos debaixo da beca enquanto ela caminhava.
Nós rimos e eu ergui as mãos, ajeitando o capelo torto em sua cabeça. Os cabelos escuros dela estavam presos num coque bagunçado e havia fios escapando para todos os lados. Mesmo assim Isabella estava linda, com sua pele pálida e expressivos olhos verdes ressaltados pelo lápis de olho forte e preto.
– Também não vejo a hora de acabar, estou derretendo com isso. – comentei, puxando a gola da beca. Emmett aproximou o rosto de mim, assoprando meu pescoço. – Nossa isso ajudou demais. – revirei os olhos o fazendo rir e acabei rindo de leve.
– E a baixinha cadê? – Bells perguntou, olhando em volta com a mão acima dos olhos, como que os tapando da claridade.
– Deve estar vindo. Sabe como ela é, vai querer usar saltos na grama e caminhar até aqui pode demorar. – falei, fazendo ela e Emm rir. E, como que para confirmar meu comentário, lá estava a baixinha vindo.
Alie caminhava com o braço entrelaçado ao de Jasper. Os cabelos castanhos cumpridos dela esvoaçavam com cachos perfeitos e ela segurava o capelo encostado ao peito. O Whitlock estava sorrindo e ela andava olhando para o chão, como que para se certificar que não iria afundar em algum buraco.
– Nós vamos nos formar. Vamos nos formar. Vamos nos formar, yep! – antes de Alice no alcançar, Miah passou correndo por eles com uma mão apoiando o chapeuzinho na cabeça e a outra erguendo a barra da beca para não tropeçar.
A loira de cabelos coloridos começou a saltitar, nos fazendo rir. Ela tinha os cílios enormes e seus cabelos estavam presos e vários cachinhos com as pontas em lilás caíam por seu rosto e ombros. O penteado era praticamente o mesmo da festa a fantasia.
– Me recuso a colocar isso. Vai estragar meu cabelo! – Alie reclamou quando nos alcançou e Jasper sorriu como se tivesse visto um passarinho verde. Alguém está apaixonado...
– Para da ser fresca, sua baixinha pentelha. – Bells reclamou e Alice lhe mostrou a língua. Duas crianças. Sentiria falta disso todos os dias.
– Vem cá, eu arrumo isso pra você. – peguei o capelo das mãos dela o ajeitei em sua cabeça, arrumando as mechas castanhas para que caíssem perfeitamente em seus ombros. – Está perfeita, amor. — Ela sorriu. Aquele sorriso de aquecer o coração que só Alice Brandon sabia dar e eu sorri de volta, recebendo um beijo na bochecha.
– Obrigada Rosie.
Jacob também apareceu e foi logo tascando um beijo em Isabella, que bateu nele e o xingou de algo que não preciso repetir. Eles não precisavam disfarçar já todos nós sabíamos da pegação deles, mas Bells não queria admitir e isso só nos fazia ter certeza que ela estava afim do Black.
A diretora nos chamou para as fotos individuas e depois em turma. Foi constrangedor – super hiper constrangedor – ficar fazendo pose sozinha enquanto uma fila de alunos esperava atrás de mim para serem os próximos. Eu simplesmente não conseguia sorrir.
– Dá um sorriso, gata! – a voz de Isabella chamou ainda mais a atenção de todos e me fez ficar vermelha. Me virei para censurá-la, com um extrema vontade de mandá-la se ferrar, mas aí Jacob e Emmett assoviaram e Alice me olhou daquele jeitinho que fazia qualquer pessoa se sentir especial.
Depois disso não teve como não sorrir. E isso se repetiu com Bella, Alie, Miah e até mesmo Angela, a amiga nerd de Alice. De repente todos os alunos estavam dando apoio moral enquanto o fotógrafo clicava um por um. Não teve como não rir quando foi a vez de Jake e Bella gritou “gostoso”. Outras garotas fizeram o mesmo e não preciso dizer que ela ficou enciumada e o moreno enorme se sentindo o tal.
Quando já havíamos tirado a décima foto da turma reunida – as meninas de pé atrás e os meninos agachados na frente -, porque sempre alguém se mexia, a diretora e mais uma secretária do colégio nos guiou até os fundos, onde nossos familiares e professores aguardavam a cerimônia.
Jessica Stanley, a rádio fofoca da escola, fez um discurso incrível e, quando começaram a chamar nossos nomes para pegar os canudos, foi impossível não sentir o famoso friozinho na barriga e medo de tropeçar. Alie foi uma das primeiras obviamente e agradeci por meu nome estar quase no fim da lista.
Todos foram aplaudidos, alguns mais que outros e Maggie não perdeu a oportunidade de mandar um beijo para os fãs. Na minha vez não consegui olhar para o rosto de ninguém, nem mesmo procurar a família Cullen ou minha mãe na plateia. Só queria correr dali e não ser o centro das atenções.
Quando tudo acabou, jogamos os capelos para cima, gritamos e a turma do terceiro de ano de 2015 da Forks High School estava, em fim, formada. Foi emocionante!
– Puta merda, eu amo vocês. Estão proibidos de sumir, estão ouvindo?! – Bells falou. Seu rosto estava vermelho e ela estava chorando. Não estava tão diferente de mim ou Alice.
Nos abraçamos. Todos nossos amigos num circulo. Miah, Jacob, Isabella, Jasper, Emmett, Alice e eu. Como é que eu não iria chorar? Mais tarde fui saber que Irina havia tirado foto dessa cena perfeita e fazia questão de revelar e pregá-la na parede.
E foi assim nossa formatura.
Se me falassem no início do ano que seria dessa maneira, teria gargalhado e dito a pessoa que estava louca. Mas, analisando os momentos que tive ao longo do ano – e que momentos! – não poderia esperar nada diferente.
Havíamos conseguido mudar muitas coisas naquele colégio. Emmett havia conseguido mudar completamente minha vida. A sensação de satisfação, ao cruzar os portões de ferro cinzento ao final daquele dia, foi inegável e arrebatadora. Pela primeira vez na vida eu podia dizer que valeu a pena estudar na FHS, um lugar que eu considerava um inferno, mas que, no final, me trouxe coisas maravilhosas.
[...]
Essa semana eu estava completando 7 meses de gravidez e minha barriga estava enorme e pesada. Spencer não parava de chutar, o que me deixava feliz por saber que ela estava bem e animada lá dentro. Entretanto, também me deixava cansada, já que por muitas noites não conseguia dormir direito, além dos enjoos que pareciam não ter fim.
Nesse momento eu havia acabado de tomar café da manhã com Emmett e nossa família, e estava deitada em nossa cama de casal e pensando em Alex.
Eu havia conhecido meu irmãozinho no mês passado e já o tinha visto algumas vezes de novo, como nas festas de Natal e Ano Novo na casa dos Cullen. O garotinho tinha cabelos castanhos claros e lisos, já usava um par de óculos apesar de ser pequeno e era irresistivelmente fofo, sempre fazendo biquinho e com cara de sapeca. Era extremamente inteligente para um garoto de 4 anos e sabia quem eu era antes mesmo de Lilian nos apresentar.
Peter, o marido da minha mãe, também era bastante simpático. Foi uma tarde estranha comigo, Emm e a nova família da minha mãe, reunidos na sala de estar na casa chique dela. Mas foi bom conhecê-los e saber que gostavam de mim.
Alex não parou de se gabar dizendo para todos que iria ser tio. Foi o que Lilian me contou e achei graça disso, sentindo vontade de apertar as bochechas do meu pequeno e lindo irmão menor.
– Ei amor, tá melhor? — Emm entrou no quarto, atraindo minha atenção e me fazendo colocar meu novo celular – um presente dos meus sogros no meu aniversário, no mês passado – sobre a mesinha ao lado da cabeceira.
Ele se sentou na beirada da cama, colocando a mão no meu ventre avantajado.
– Sim, acho que ela parou de dançar aqui dentro. — brinquei me referindo ao fato de nossa filha estar se remexendo muito esta manhã, o que quase me fez pôr o café para fora.
– Que bom. Ela é realmente sobrinha da Irina. — ele falou, sorrindo, e veio se deitar ao meu lado.
Nos aconchegamos um ao outro, minha cabeça na curva de seu pescoço. Absorvi seu cheiro delicioso e recebi mais um carinho na barriga.
– Estava pensando no Alex. Ele é tão esperto! – falei e escutei a risada de Emm.
– Com certeza. Viu só aqueles golpes de ninja? O garotinho é bom. – dessa vez quem riu fui eu.
Quando estávamos na casa de Lilian, Alex quis ensinar Emmett a ser um ninja de verdade e começou a mostrar seus golpes no meio da sala o que arrancou risadas de todos nós.
– Fiquei feliz por conhecê-lo. Peter também. São bem legais. – confessei e recebi um beijo na testa.
– Sempre soube que se sentiria bem quando fizesse isso. Família é a coisa mais importante do mundo. Não importa o quanto errem. – afirmou Emmett e ergui a cabeça para encará-lo.
– Eu amo você, sabia?! — era óbvio que ele sabia, mas eu não cansava de repetir.
A melhor parte do meu dia era ver aquele sorriso de covinhas direcionado especial e unicamente a mim. E lá estava ele, enfeitando o rosto angelical do meu namorado perfeito. Sorri, completamente afetada pela beleza e amabilidade daquele garoto enorme que havia me conquistado por inteiro.
– Sabia, porque eu te amo também e na mesma intensidade. – disse ele e me beijou.
Seus lábios contra os meus me davam a maior e mais real sensação de ser amada. Beijar Emmett era como ir à lua e voltar. Nenhum espaço de tempo seria suficiente, eu precisava- e precisaria sempre — de mais e mais dele.
Uma mão dele ainda repousava em minha barriga quando sentiu Spencer chutar.
– Ei garotinha, eu amo você também. — Emm disse separando nossos lábios e sorrimos.
Ele se inclinou, erguendo minha blusa, e encostou os lábios macios em minha barriga, depositando um beijo lento e doce. Minhas mãos acariciaram seus curtos fios de cabelo claros e eu já sentia meus olhos se encherem de lágrimas.
A cada dia ficava mais boba e emocionada com os atos de carinho dele para com nossa filha.
– Você acha que ela escuta a gente? — Emm ergueu a cabeça e me encarou ao perguntar de repente. Seus expressivos olhos verdes ainda me deixavam desorientada.
– Tenho certeza que sim. Escuta e sente que é muito amada, não é mesmo, meu amor? Eu sei que é. — passei minhas mãos pela barriga. Meu sorriso não podia estar maior, imagino.
– Sua mãe está aqui sorrindo que nem uma boba, filha. — disse ele, com o rosto próximo ao grande volume ali, rindo divertido. -Estamos ansiosos demais pra você chegar, ouviu?!
– E ela pra sair, com certeza. — eu ri, um pouquinho nervosa. – E é disso que eu tenho medo.
– Como assim?
– Do parto, sabe... Da dor. E eu não quero mais uma cicatriz. – expliquei, lembrando-me da conversa que tive com a doutora Emily na última consulta. Tanto ela quanto Car haviam aconselhado o parto normal como melhor opção e eu concordei, apesar de estar me borrando com medo de sentir uma dor que dizem ser insuportável.
– Vou estar com você o tempo todo, sabe disso, não é?! – ele quis confirmar e eu assenti.
Não podia esperar outra coisa dele e sabia que, quando a hora chegasse, Emmett estaria segurando minha mão.
– Quando você sair daí, eu vou te levar pra jogar bola comigo. — ele prometeu, voltando a falar com Spencer e eu ri de leve.
– Jogar bola? — ergui uma sobrancelha, fazendo Emm me encarar com a pergunta.
– É claro, meninas também jogam bola sabia?!
– Claro, claro. Ela vai jogar bola com você, fazer compras com a Alice e a Irina, ler com a Bells. O que mais? Vocês estão fazendo planos demais com a minha filha, vão cansar ela antes mesmo de nascer. — falei, me lembrando dos milhares de coisas que todos disseram estar ansiosos para fazer com Spencer. A agenda dela já estava cheia!
– Nem vem, eu sou o pai, ela vai se divertir comigo primeiro. — ele afirmou, fazendo careta como se fosse óbvio.
– Claro que vai. — confirmei, colocando minha mão sobre a sua, que continuava a repousar em meu ventre. — Só estou pensando se vai sobrar um pouquinho de atenção pra mim. — fiz bico e Emm me olhou, com um sorriso sapeca de canto.
– Todos vão continuar te paparicando, Rose. Está com ciúmes de um bebê? — ele riu de leve.
– É claro que não. E você sabe que a única atenção que quero pra mim é a sua. — falei, apertando sua mão.
Emm se inclinou ainda mais sobre mim, colando nossos corpos e me dando um beijo devastador. O amor exalando de nós dois era palpável. Eu sentia como se algo nos envolvesse e fosse impossível parar, o que me fazia ter certeza que os efeitos dele sobre mim jamais cessariam.
Isso só foi quebrado quando o ar nos faltou e tivemos separar nossos lábios, mas ele encostou a testa na minha e sabia que poderia ficar encarando seus olhos verdes pelo resto da vida.
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