The Safe Place

51 Capítulo 51 – Explicações Não São Suficientes


Notas iniciais
Olá gatitas! Aqui está mais um capítulo e este está cheio de explicações da dona Lilian. Espero que gostem. Obrigada pelos comentários maravilhosos no capítulos anterior.

A mulher que estava ali bem na minha frente, que também não piscava, era Lilian. Vestida de médica, num consultório chique. Era Lilian. Minha mãe. Em Forks. Perto de mim outra vez.

Minha mãe.

Não conseguia desviar os olhos da figura a minha frente. Lilian ficou de pé, apoiando as mãos da mesa e me encarando. Ela também não piscava e eu sequer conseguia ter certeza que era realmente minha mãe bem ali em minha frente.

– Mãe, é você... – meu sussurro saiu como uma afirmação, a voz embargada pelo choro. Só então percebi que as lágrimas começavam a rolar por meu rosto.

– Mãe? Como assim? Rose, o que está acontecendo? – a mão de Emmett apertou a minha outra vez, pedindo uma explicação. Entretanto, eu não conseguia formular uma frase coerente, nem eu mesma entendia o que estava acontecendo.

– A senhora é a mãe da Rose? – Carmen perguntou, vendo que nem eu nem Lilian dizíamos nada. Minha mãe assentiu, secando uma lágrima que escorreu no canto do olho.

Ela saiu de trás da mesa e caminhou a passos lentos até mim, parando em minha frente. Fiz um esforço para enxergara través das lágrimas que rolavam incontroláveis, e pude visualizar seu delicado rosto. Ela havia mudado bastante. Os cabelos estavam cortados na altura dos ombros e a cor era mais avermelhada agora. A pele era lisa e bem cuidada, parecia que tinha ficado mais jovem. Seus olhos brilhavam, coisa que eu raramente via quando morávamos juntas. Mesmo assim, ainda conseguia reconhecê-la.

Lilian esticou a mão na direção do meu rosto e o tocou, me permitindo sentir a maciez e temperatura de seus dedos. Afagou minha bochecha e eu fechei os olhos, tendo a certeza de que sua figura era mesmo real.

– Minha filha — abri os olhos ao escutar a rouquidão de sua voz, encontrando seu sorriso entre as lágrimas. — Ah Rose, minha filhinha. – ela me puxou para seus braços.

Há quanto tempo eu esperei por aquele abraço? Quantos anos eu fiquei desejando que ela voltasse e me abraçasse? Sonhei noite após noite e até mesmo durante o dia, quando estava acordada. E agora eu estava ali, recebendo um abraço da mulher que fora a mais importante em toda minha vida, um abraço da minha mãe.

Entretanto, não conseguia retribuir. Fiquei lá, imóvel, apenas chorando enquanto ela passava a mão por minhas costas.

Isso parecia tão... Errado?! Eu sempre a quis de volta e agora que tinha minha mãe bem na minha frente, não conseguia dizer que a amava e que estava feliz por ela ter voltado. Não conseguia sequer abraçá-la. Parecia que nada daquilo fazia sentido.

Era como se eu tivesse me acostumado a viver sem ela e sua presença de volta abalasse tudo que eu havia construído em sua ausência, me desarmasse e eu não soubesse como agir. Era exatamente assim.

– Filha, meu amor. Nem acredito que você está aqui, bem na minha frente. – ela me soltou do abraço, segurando meu rosto entre as mãos delicadas. – Você está bem? Está tão linda, eu senti tanto sua falta. – me deu outro abraço rápido, voltando a me encarar.

Seus olhos esboçavam expectativa, esperando que eu retribuísse toda sua emoção. Eu não conseguia absorver sequer suas palavras, quanto mais explanar meus sentimentos. Sentimentos esse que ainda não era capaz definir.

– O que está fazendo aqui, mãe? – foi a primeira frase que consegui formular e o brilho de seus olhos sumiu, dando lugar a confusão.

– Eu estou morando em Forks agora, meu amor. O que foi? Não está feliz em me ver? Sou eu, Rose, sua mãe. – Lilian apertou minhas mãos, preocupada. Forçou um sorriso, mas eu não consegui retribuí-lo.

Ela estava morando em Forks outra vez? Há quanto tempo? Porque não me procurou antes? Eram tantas perguntas que minha cabeça latejava.

–Onde você estava antes? Porque foi embora, mamãe? – pedi, engolindo o bolo que se formava em minha garganta. Mais lágrimas vieram e um soluço escapou, me fazendo fechar os olhos e chorar feito criança.

Sentia meu corpo tremer no ritmo dos soluços seguidos e um par de mãos afagando minhas costas. Alguém me guiou até uma cadeira e segurou firmemente minha mão, não deixando de afagar minhas costas com a outra.

– Ela pode ficar nervosa assim? Eu tenho certeza que não. – a voz de Emmett soou aflita, só então ergui a cabeça e o encontrei me encarando. Os olhos verdes contendo preocupação e desespero por minha causa.

– Toma aqui, carinho. Bebe devagar. – Carmen apareceu com um copo d’água e me entregou. Fiz o que ela pediu, respirando fundo entre cada gole que engolia. – Acho melhor eu esperar lá fora, vocês duas tem muito que conversar. – minha sogra falou, tomando o copinho plástico de minhas mãos. – Vamos filho?

Agarrei o braço de Emm assim que Carmen sugeriu que ele saísse dali. Eu não só queria como também precisava que ele ficasse ao meu lado. Emmett me dava certeza de eu não estava louca ou sonhando, ele era a pessoa mais real na minha vida e me dava forças. Se ele saísse, me sentiria mais sozinha do que nunca.

– Acho melhor eu ficar com ela, mãe. Tudo bem? – ele perguntou, olhando de Carmen para Lilian. As duas assentiram e eu recebi um afago no braço de minha sogra antes dela deixar a sala de paredes brancas.

Emm plantou um beijo meus cabelos enquanto minha mãe puxava uma cadeira, se sentando a nossa frente. O discurso iria começar e eu tinha medo de me desapontar com as explicações dela. Passei a mão no rosto, afastando as lágrimas uma mecha de cabelo que cobria meu olho. Lilian suspirou e sorriu, encarando minha mão e a de Emmett entrelaçadas.

– Vocês são um casal bonito. São namorados, não é? Nem acredito que minha menininha cresceu tanto. E está grávida! – ela começou, com um sorriso largo. – Mal acreditei quando minha secretária falou seu nome marcado na consulta e...

– Onde você estava, mãe? – a interrompi, vendo seu sorriso desmanchar em seguida.

Minha expressão deveria estar dura, séria ou talvez não demonstrasse nada. Não estava me importando, eu queria respostas. Ela teria que me explicar tudo, desde o porquê ter ido embora e me deixado com uma mísera carta de adeus até em como veio parar em Forks de novo, aparentemente bem de situação. Depois contaria o que ela quisesse saber sobre minha vida durante esse tempo, mas primeira ela me devia isso.

Lilian se ajeitou na cadeira, cruzando as pernas. Eu e encarava aguardando sua resposta e ela parecia buscar nos pensamentos as palavras corretas.

– Eu estava na Flórida. Morei lá desde que saí daqui, é um lugar lindo e ensolarado. Você iria adorar, Rose. – contou, parecendo repassar na mente cenas do lugar.

Bom, pelo menos acertei sempre que dizia a mim mesma que ela estaria em um lugar ensolarado. Só não sabia dizer se isso me deixava feliz. Saber que ela estava aparentemente ótima num lugar lindo, enquanto eu estava naquela casa imunda com Hector.

– E por que foi embora? Porque não me levou junto com você? Mãe, por favor, eu preciso de respostas. – minha voz soou desesperada. Eu queria chorar outra vez, mas me segurei.

– Você sabe o motivo de eu ter saído daquela casa, Rose. Seu pai era um monstro, o que ele fazia comigo... – ela balançou a cabeça, como que querendo afastar as memórias. — Era horrível, eu não aguentava mais, filha.

– Então você saiu no meio da noite, sem ao menos se despedir de mim. – afirmei. Dessa vez minha voz saiu amargurada e não me recriminei ao constatar. Eu estava magoada com ela por isso, sempre estivesse.

– Se eu te acordasse você não me deixaria ir, filha. Querida, entenda, eu não te deixei lá por mal. Eu sequer sabia pra onde realmente estava indo. Não iria arriscar sua vida, já bastava o que me via sofrer nas mãos do Hector. – contou e mesmo assim não me senti completamente convencida ou capaz de perdoá-la.

– E preferiu me deixar com o meu pai sabendo de tudo que ele era capaz de fazer. – outra vez não foi uma pergunta, foi uma afirmação. Eu não tinha esse direito, mas não estava me importando de jogar tudo na cara dela. Lilian suspirou.

– Quando eu fui embora, não fui sozinha. Eu tinha me envolvi com outro homem, estava apaixonada e ele prometeu que seríamos felizes longe dali. Ele disse que eu poderia te levar comigo, mas nos conhecíamos há tão pouco tempo. Poderia ser só fachada, ele poderia ser tão ruim quanto Hector ou até pior. Não te colocaria em risco te levando comigo, Rose. Esse home não tinha compromisso nenhum com você e, por mais insano que fosse seu pai, ainda era seu pai, tinha certeza que ele jamais te agrediria da forma que fazia comigo. – contou ela e me surpreendi com aquilo.

Minha mãe havia traído meu pai? Como? Quando? Tudo bem, não podia julgá-la. Hector fazia isso com ela sempre, não foram poucas as vezes que minha mãe o encontrou com alguma mulher nos bares ou nas ruas. Mas saber que Lilian também o traíra, era estranho.

– Mas ele fez. Meu pai não me deu sossego desde o dia que você partiu. Eu virei empregada daquela casa, ele me batia praticamente todo dia. Era uma tortura conviver com ele, fora quando ele surtava e me agredia simplesmente por me achar parecida com você. – contei a ela, deixando mais lágrimas rolarem. Porém, a expressão dura e contida não deixava meu rosto.

– Me perdoe meu amor. Seu pai quase não se irritava com você, em minha cabeça ele ignoraria sua presença ou teria um pouco de compaixão por terem o mesmo sangue.

– Hector não tinha compaixão de ninguém, nem dele mesmo. Agora não importa mais, ele está morto. – falei, sem demonstrar qualquer emoção.

Emm apertou minha mão e o encarei. Seu polegar limpou o canto dos meus olhos. Quando olhei Lilian, ela tinha o olhar perdido e uma expressão um tanto assustada no rosto.

– Morreu? Há quanto tempo?

– Faz quase dois meses. Ele tinha dívidas de jogo com uns homens e foram cobrar. – dei de ombros, me impressionando com minha capacidade de ser fria. Apesar de ter chorado por Hector, não sofreria a vida intera. Ele havia plantado isso e a vida é assim, há consequências.

– Não posso acreditar que seu pai se envolveu com esse tipo de coisa. Também não duvido, ele era capaz de tudo. – ela negou com a cabeça, fazendo os cabelos balançaram sobre os ombros.

Reprimi a vontade de dizer que, em parte, a culpa era dela. Talvez se tivesse ficado conosco meu pai não teria se envolvido nesse tipo de coisa, não teria se afundado ainda mais na bebida. Entretanto, no lugar dela, eu também não aguentaria viver ao lado dele sofrendo tanto.

Não dava para escolher um lado, dar razão a um e culpar o outro. Meus pais tinha sua parcela de culpa em tudo que havia acontecido em nossas vidas.

– O que aconteceu depois que foi embora? – perguntei, querendo que ela continuasse.

– Bem, nós nos casamos. – só então olhei para suas mãos, notando a aliança dourada. – Sabe Rose, eu estava grávida desse homem quando resolvi partir. Sabia que seu pai me mataria se descobrisse que o filho não era dele e eu não podia deixar que fizesse algo contra o bebê. Esse foi o principal motivo de ter saído às pressas.

Minha boca e olhos se arregalaram. Ela tinha outro filho? Estava casada, tinha outra família. Por isso não tinha voltado, ela havia reconstruído a vida dela bem longe de toda dor que passou em Forks, pra que voltar e reviver tudo?

– Você tem outra família? – minha voz saiu carregada de uma emoção estranha. Um misto de tristeza e ressentimento. Até mesmo descrença.

– Eu tenho um marido maravilho e um filho lindo de 4 anos. Você vai adorar conhecê-los. Seu irmão se chama Alex e ele já ouviu muito sobre você. Até deve te reconhecer pela foto sua que tenho na minha sala, a única lembrança sua que consegui levar. – ela sorriu. – Me marido se chama Peter e nos conhecemos quando eu trabalhava como enfermeira no hospital daqui. Descobri que ele é mesmo o homem bom que aparentava ser depois que nos casamos. Ele dizia que quando eu quisesse poderia te levar para morar conosco. – disse ela e uma pontada de raiva surgiu dentro de mim.

Ela havia coinstruído a vida perfeita, o que custava me levar com ela depois que tivesse se estabilizado? Agora estava aqui, contando o quanto sua vida era maravilhosa ao lado do novo marido e filho. Parecia tão injusto pra mim.

– E por que não veio? Por me deixou aqui sozinha, mãe? Não é justo. – acusei, chorando baixinho.

– Eu sei que não, Rose, mas eu tinha medo de voltar e encontrar com seu pai. Tinha medo de Hector fazer alguma coisa contra mim de novo, até contra minha família.

Engoli o bolo em minha garganta. Só eu sentia o quando essa última frase havia me magoado. Ela parecia não me incluir no seu novo contexto de família.

– Desculpe, mas a Rose também é sua família. A senhora não pensou tanto nela quanto está convencida e agiu de forma egoísta. Ainda está agindo, contando como viveu maravilhosamente bem todos esses anos, enquanto ela sofria nas mãos daquele idiota que foi o pai dela. Tudo bem que no começo você não sabia se podia confiar no cara, mas depois teve tempo suficiente para voltar e não voltou. – pela primeira vez Emmett se manifestou naquela conversa, depois de um longo tempo em silêncio. Ele estava sério, mas em seu tom de voz e olhar notava-se a reprovação.

– Eu sei que parecesse assim, mas eu vivi alimentada de medo toda minha vida de casada até sair daqui. Continuava com medo, achando que Hector poderia me encontrar. Mas nunca, entendeu filha, nunca me esqueci de você e sempre senti sua falta. – Lilian se aproximou, ajoelhando-se em minha frente e segurando meus joelhos.

– Não pensou em sequer mandar uma carta? Ligar? – outra vez foi Emm quem falou, questionando.

– Eu tentei ligar algumas vezes, mas dizia que o numero não existia. Pensei que pudessem ter saído daquela casa, por isso não mandei carta. – Lilian se justificou.

– Cortaram a linha telefônica. Eu não tinha como pagar, papai gastava tudo bebendo. Eu trabalhava de babá só pra gente não morrer de fome. – contei e ela levou a mão até meu rosto, acariciando minha bochecha molhada.

– Ô meu amor, me desculpe. Se eu soubesse que estava passando por tantas dificuldades... – deixou a frase morrer.

– Você não faz ideia do que a Rose passou. – Emmett disse, parecendo irritado. O rancor era explícito na voz dele, apesar dele sequer a conhecê-la. Emm estava tomando minha angustia para si.

– Você cresceu tanto, se cuidou sozinha... – minha mãe comentou ainda acariciando minha bochecha, desviando olhar de Emm para mim.

Por mais que sua voz fosse extremamente doce e seus olhos brilhassem pelo acúmulo de lágrimas, eu não conseguia me comover. Parecia que uma barreira em meu coração havia surgido, desde o instante que a vi. Talvez já estivesse sendo construída, pouco a pouco, a cada dia longe dela.

– Eu tive que crescer. – falei, tirando sua mão do meu rosto, a fazendo me olhar confusa. – Eu tive que crescer, mãe! — acabei esbravejando as palavras, ficando de pé. — Você não estava aqui pra cuidar de mim. Não estava quando eu mais precisava, droga. – a acusei, limpando as lágrimas que escorriam como uma torrente por meus olhos.

– Rose, por favor... – ela tentou segurar minhas mãos, mas eu a afastei.

– Não, por favor nada! Não venha ser carinhosa agora. Não adianta sorrir como se não tivesse passado quatro anos fora da minha vida sem dar qualquer sinal de que estava bem ou preocupada comigo.

– Filha, eu já te expliquei. – sua voz soava como um pedido desesperado de me fazer entender.

– E eu já entendi. Mas não é suficiente. Uma explicação, por mais convincente e emocionante que seja, não vai aplacar a saudade que senti de você, não vai pôr tudo de volta no lugar. Não vai resolver as coisas facilmente. Não é assim, está doendo, Lilian. – apertei o tecido entre os dedos sobre o lugar do coração, para enfatizar o que estava sentindo.

Ela precisava saber que meu coração estava machucado, que eu estava machucada.

– Rose, não fale assim, filha. Eu sou sua mãe e te amo. – implorou, tentando outra vez me segurar.

– Uma ótima mãe. Uma mãe que foi embora, que me abandonou com um pai alcoólatra e viveu esse tempo todo muito bem. Que não teve coragem nem de me procurar quando voltou. Que amor é esse, hein Lilian? – joguei a realidade em cima dela, ficando descontente com meu tom acusador. Mas era isso, era a verdade e ela tinha que ouvir.

– Eu ia te procurar filha. Ia sim e logo. Eu tinha te visto no hospital uma vez, fui eu que te atendi quando chegou aqui machucada, mas você não se lembra de mim porque te deram um tranquilizante e você apagou rapidamente. Não consegui falar com você no dia seguinte, estava com medo e não sabia o que dizer. Sei que fui fraca, mas assim que o destino nos deu essa chance de nos reencontrarmos, eu quis me explicar com você. Acha mesmo que se eu quisesse não poderia ter me recusado a te atender hoje?! – inquiriu ela, mas nada do que dissesse justificaria a forma como ela agiu.

– Você me devia isso! Me devia uma explicação, não podia fugir a vida inteira da própria filha! – reclamei, tornando a gritar.

– Rose, amor, calma. Por favor, não pode ficar nervosa assim. – Emm segurou minha mão, ficando de pé ao meu lado.

– Como quer que eu me acalme, Emm? Depois de tudo que eu passei, depois de ouvir isso... Eu simplesmente não entendo. – suspirei cansada, passando as mãos pelo cabelo. – Não dá, não aguento mais. – tornei a me sentar, chorando. Escondi meu rosto nas mãos.

– Filha, me perdoa. Não chora, eu... – Lilian tocou meu ombro e eu me esquivei.

– Não quero mais desculpas. – fiquei de pé, decidida a sair dali. – Eu só queria uma explicação. Achei que tudo fosse melhorar depois de entender, mas não. Só ficou mais confuso e dolorido. Espero, de verdade, que esteja feliz com sua nova família, porque eu estou ótima com a minha. – falei, fria e seriamente. Lilian me olhava com tristeza e confusão. Segurei a mão de Emmett. – Só mais uma coisa: eu jamais, em hipótese alguma, abandonaria minha filha. Espero ser uma mãe bem melhor do que você foi. – ela não teve palavras para isso.

Puxei meu namorado dali, abrindo a porta e deixando Lilian para trás. Não aguentava mais ouvir suas desculpas, explicações, sua vida perfeita. Tudo me irritava no momento. Só queria voltar para casa, que nem era mesmo minha, mas onde me sentia protegida e feliz.

Recebi um abraço de Carmen assim que passamos pela porta. Ela secou minhas lágrimas e sussurrou palavras tranquilizadoras enquanto saímos do consultório médico.

– Rose, você sabe onde me encontrar. Não vou embora outra vez. Por favor, filha, precisamos conversar melhor. – Lilian falou da porta. Sua voz soava como um pedido desesperado, mas nem mesmo isso me comoveu a virar e encará-la. – Eu amo você, Rose.

Suspirei. Nenhum de nós olhou para trás e seguimos para fora dali.

Eu precisava descansar, colocar os pensamentos em ordem. Era informação demais para processar, minha cabeça latejava e meus olhos doíam de tanto chorar.

Emmett foi comigo no banco de trás, enquanto a mãe dirigia. Seus braços me envolveram e eu repousei minha cabeça em sei peito. Chorei mais, em silêncio, agarrada a ele. Meus dedos seguravam o tecido de sua camiseta como se ele fosse fugir. Em minha mente eu só pensava em como tudo parecia ter virado de cabeça para baixo e em como não podia deixar Emm desparecer. Parecia que tudo iria sumir e eu voltaria pra minha casa antiga, com Hector e Lilian discutindo aos berros.

– Vai ficar tudo bem, anjo. Eu estou aqui, Rose. – afirmou Emmett, em seguida beijou meus cabelos e me apertou mais em seus braços. Fechei os olhos, entrelaçando mais os dedos em sua camisa, pedindo a Deus que aquela sensação horrível de perda passasse.

Era tão irônico. Minha mãe apareceu, mas eu sentia que com isso perderia tudo que havia construído em sua ausência. Tinha medo até mesmo de pegar no sono enquanto Carmen guiava o carro pelas ruas frias de Forks, temendo que o que vivi ao lado dos Cullen houvesse sido um sonho. Nunca o caminho até minha atual casa demorou tanto.

Mesmo assim, a voz de Emmett em meu ouvido continuava lá, afastando meus temores. Seu toque e seu calor, me transmitindo segurança. Suas mãos ora afagando meus braços, ora minha barriga avantajada. Ele depositou demoradamente mais um beijo cálido em meus cabelos, num gesto de proteção e carinho incomensurável.

Emm era o único motivo para agradecer por minha mãe não ter me levado com ela ou não ter voltado para me buscar. Se isso tivesse acontecido, nós não nos conheceríamos. Não seríamos namorados, não haveria Spencer.

Também não teria Alice e Isabella em minha vida.

Pensar os pontos positivos, em vez de todo rancor que o encontro com Lilian me proporcionou, talvez bastasse para não me fazer afundar na dor que sentia.

Notas finais
Eita que essa explicação não aliviou em nada o ressentimento da Rose. Dona Lilian errou, mas, defendendo o lado dela, estava realmente com medo de encontrar com o Hector. Esse medo foi tanto que passou por cima até mesmo da vontade de ajudar a filha. Mesmo assim, nada justifica né?! Bom, comentem o que acharam. Se alguém quiser recomendar e me fazer feliz... Beijo, beijo.