The Safe Place

52 Capítulo 52 – Sentimentos Confusos


Notas iniciais
Ei, voltei! Desculpem a demora, mas eu estava nas últimas provas da faculdade. Agora já estou de férias, então estou livre pra escrever bastante. Obrigada a todas pelos comentários incríveis do capítulo anterior, foram tantos! *-* Bom, vamos lá. Boa leitura!

Finalmente o carro estacionou em frente à casa dos Cullen. Emm abriu a porta e me ajudou a sair, passando o braço em torno de minha cintura. Meus olhos deveriam estar vermelhos e inchados e meu rosto péssimo, mas não me importei. Passei a manga do casaco para secar as bochechas, fungando em seguida.

As luzes estavam acesas, sinal de que Irina ou Eleazar já haviam chegado. Assim que minha sogra abriu a porta da frente, vimos a loira falando ao celular. Ela desligou quando percebeu nossa presença, se aproximando com um enorme sorriso.

– Gente, gente! Comprei minha fantasia, querem ver? – perguntou, saltitando. Irina apontou duas sacolas no sofá e nos encarou em expectativa. Só então percebeu nossas expressões tensas e a sua murchou. – O que? O que houve?

– Uma longa história. – Emmett suspirou. Afastou uma mecha de cabelo do meu rosto, acariciando minha bochecha.

– Filho, leva a Rose lá pra cima. Faz ela tomar banho enquanto eu preparo o jantar, tudo bem? – Carmen sugeriu. Aproximou-se de mim, beijando minha testa. – Vai ficar tudo bem, carinho. – falou baixinho, docemente. Apenas assenti, segurando a mão dela em forma de agradecimento.

– Alguém pode me explicar o que está acontecendo? Vocês não foram à consulta com a obstetra? Aconteceu alguma coisa com a minha sobrinha? – Irina se preocupou, estendendo as mãos e tocando minha barriga. Os olhos azuis correram por nossos rostos, esperando que alguém falasse.

Eu até explicaria, mas repetir tudo o que ouvi naquela sala, em voz alta, iria doer ainda mais. Já bastava que a voz de Lilian estivesse reverberando em minha cabeça.

– Não. Não foi nada com o bebê. Spencer deve estar ótima, mas a Rose não fez a consulta hoje. – minha sogra respondeu, o que deixou Irina ainda mais confusa.

– Como assim? Porque não?

– Vamos filha, eu te explico lá na cozinha enquanto você me ajuda com o jantar. – Car puxou a filha pela mão. Recebi um afago no braço da minha sogra maravilhosa quando passou por mim. A expressão de Irina se assemelhava a de Alice quando estava triste.

– Vamos subir?! – disse Emmett e eu apenas assenti.

Só queria me jogar na cama e fingir que esse dia não passou de um pesadelo confuso e doloroso. Na verdade, não estava me importante que fosse sonho ou realidade. Queria apenas que a dor passasse, que o rancor fosse embora.

Afinal, Lilian era minha mãe. Por mais que tenha me abandonado e não tenha voltado para me procurar, ainda sim, era minha mãe e eu a amava. Estava ressentida e isso doía. Sentia-me traída e esquecida por ela.

Assim que entramos no quarto, fui direito para cama. Tirei as sapatilhas apertadas em meus pés e me deitei.

– Ei, mocinha. Pode ir para o chuveiro, você precisa relaxar.

Emm se sentou na beirada da cama e tocou meus cabelos. Seus dedos deslizaram por meus fios cacheados, várias vezes, até que eu segurei sua mão, depositando um beijo na palma.

– Pode ficar aqui comigo? Só um pouquinho. – pedi, ainda segurando seus dedos. – Por favor. – meu sussurro saiu como que implorando.

Emmett não teve como dizer não. Notei que mexia as penas, num movimento retirando os sapatos. Então se deitou de frente pra mim e continuou a mexer em meus cabelos.

Seus olhos verdes me encaravam demonstrando amor, carinho e até mesmo tristeza. Eu sabia que ele não queria me ver assim. Por vezes já havia me dito que me ver chorar fazia seu coração doer. Entretanto, no momento, eu não podia fazer nada. Não dava para simplesmente expulsar o que estava sentindo e esquecer. Na verdade, eu estava tentando, sim, expulsar a tristeza e o ressentimento. E era desse jeito, chorando.

Fechei meus olhos, apreciando o carinho de seu toque. Por vezes dedos roçavam na pele do meu rosto. A sensação era reconfortante.

– Amor, você não pode ficar assim. – Emm falou, me fazendo abrir os olhos e encará-lo.

– Não dá, Emm. Como você quer que eu fique depois do aconteceu? Está tudo tão confuso na minha cabeça. – respondi, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha.

– Eu imagino. Sei que está triste por saber que eu sua mãe nunca te procurou. Até mesmo eu, que não a conheço, fiquei com raiva. – disse ele, me fazendo lembrar o que disse a Lilian em seu consultório. Era notável como Emm havia ficado um tanto indignado com a explicação de minha mãe.

– Na verdade acho que não é isso. Eu estou chateada por isso também. Mas o que está doendo mais é a forma como ela me contou tudo. A maneira como contou da nova família. Parecia que eu não fazia parte, entende? Como se ela houvesse me excluído da vida dela. – expliquei e novas lágrimas se acumularam em meus olhos.

A forma como Lilian sorria contando da vida da Flórida, do novo marido e filho, me deixou magoada. Esse sentimento poderia ser facilmente confundido com inveja, mas não era nada disso. Eu só queria que ela dissesse o quanto se sentia mal por eu não ter estado ao lado dela esses anos, que não deixou de pensar em mim um dia sequer, que eu ainda era a garotinha dela. Mas não, não aconteceu da forma que imaginei.

Eu sequer sabia se fazia parte dessa família, mas também não me chatearia mais se não fizesse. Não menti quando disse que estava bem com os Cullen. Jamais fui tão feliz assim, nem mesmo quando morava com Lilian e Hector. Foram os Cullen que me mostraram como é ser amada e tratada bem de verdade e eu seria eternamente grata a eles por isso.

– Não sei se posso perdoá-la, Emm. – falei, quebrando o silêncio que se instalara entre nós.

Lilian havia dito que o grande motivo que a fez ir as pressas foi descobrir que estava grávida de outro homem. Ela optou por salvar o bebê e me deixar para trás. Por mais quer tivesse afirmado que não deixou de pensar em mim, era como se ela tivesse me trocado, descartado. E isso estava doendo.

Emm suspirou se aproximando mais de mim. Aninhei-me mais a ele quando passou um braço por minha cintura. Agora minha barriga volumosa encostava-se a ele.

– Claro que pode. Apesar de ter errado, ela é sua mãe e sempre vai ser. Não estou a defendendo, Rose. Lilian errou e muito, mas ela te ama. E você a ama também. Você só não quer admitir porque está chateada. – Emm falou e eu sabia que ele estava coberto de razão. – Eu acho que você até já a perdoou, só não se deu conta disso.

Pensei no que Emmett disse. Eu já havia a perdoado? Como? Se há pouco tempo eu estava gritando com Lilian, completamente irritada com suas desculpas e explicações.

Bom, pelo menos ela tinha se dado ao trabalho de explicar e se desculpar. Eu não queria mesmo que ela fosse embora. Queria abraça-la, um abraço de verdade, forte e cheio de amor. Porém, minha confusão e ressentimento estavam falando mais alto.

Eu tinha o direito de me chatear. Ela me abandonou, caramba. Entretanto, não valia a pena guardar uma raiva que eu sequer sabia existir dentro de mim. Não podia deixar que isso me fizesse perdê-la outra vez. Que meu ressentimento a afastasse, afinal foi eu quem torceu todo esse tempo para que Lilian voltasse.

– Acho que você tem razão. Eu só... Ah, eu só me irritei. Talvez eu dê uma chance a ela para conversarmos melhor. Mas não agora, ainda estou chateada e confusa. – respondi, escondendo meu rosto em seu peito.

– Tudo bem, você tem todo tempo do mundo. – Emm afagou minhas costas. – E eu sempre vou estar ao seu lado, não importa a decisão.

Senti quando seus lábios quentes e macios tocaram meus cabelos. Tinha plena e absoluta certeza quando afirmei que tinha que agradecer por Lilian não ter me levado de Forks. Ter Emmett comigo aqui não me permitia imaginar uma vida sem sua presença. Ele sempre estaria do meu lado independente de qualquer coisa.

Suspirei. Não queria pensar em que decisões tomar, se devia ou não perdoá-la, procurá-la e tentar conversar. Pelo menos não agora. Ainda sentia que se a visse, tão sorridente e alheia ao que passei durante esses quatro anos, toda irritação voltaria.

Não sei quanto tempo eu e Emm passamos ali abraçados e de olhos fechados, apenas com os sons de nossas respirações. Só nos movemos quando Irina apareceu, batendo no beiral de madeirada porta.

– Mamãe pediu pra avisar que o jantar está quase pronto. Vocês vão descer? – perguntou ela com a voz controlada. Era estranho vê-la séria.

– Quer descer? Eu posso trazer o jantar aqui se você não quiser ir. – sugeriu Emmett, mas eu neguei. Ele realmente não se cansava de ser perfeito, de querer me ajudar.

– Não, tudo bem. Eu vou lá pra baixo, mas antes vou tomar um banho rapidinho. – respondi, me sentando sobre o colchão.

– Vai ajudar a mamãe a colocar a mesa, gatinho. Eu fico com a Rose. – pediu Irina e Emm concordou, assentindo positivamente com a cabeça.

Ele beijou meus lábios rapidamente e minha barriga também, me fazendo sorrir e acariciar os fios curtos de sua nuca. Quando passou pela irmã, Emm lhe deu um beijo estalado na bochecha.

Vi minha cunhada se aproximar de mim. Seus olhos azuis percorreram meu rosto, tentando encontrar o que dizer.

– Você vai ficar bem? – pediu ela, segurando minhas mãos. Assenti, fungando. – Se quiser conversar... – ela deixou a frase morrer.

Passei meus braços em volta dela, a puxando para um abraço. Nesse momento precisava da Irina maluquinha e animada de volta tentando me fazer sorrir.

– Eu sei, obrigada. – agradeci, me afastando minimamente para poder encarar seu rosto. – Não fica assim, okay? Eu estou legal. Se você ficar triste por mim, quem é que vai me animar? – minha pergunta conseguiu arrancar um riso leve dela e me senti satisfeita por isso.

– Okay, tem razão. – ela passou a mão pelo rosto, afastando o cabelo loiro para trás. — É que você está passando por muita coisa. Primeiro seu pai morreu, você achou que estava sozinha e agora, de repente, sua mãe retorna. Muitas emoções pra uma garota de 17 anos. Isso está me abalando. – contou ela, me fazendo sorrir de leve.

– Pois é, mas ainda bem que eu tenho você, essa família e meus amigos pra me ajudar. Se não já tinha desabado. – comentei, reconhecendo a verdade em minhas palavras.

Se não fosse por Emmett e os Cullen, por Isabella e Alice, com certeza eu já teria surtado. Eles me davam força, não me deixavam afundar. Eu mesma não queria ficar mal para não machucar nenhum deles.

Recebi um abraço apertado da minha única e maravilhosa cunhada. Irina era quem mais entendia meu drama familiar porque ela havia perdido seus pais também, só que sem chance de volta. Eu ainda tinha minha mãe e isso deveria bastar para me sentir melhor.

– Nós vamos estar sempre aqui por você, sua boba. Sua mãe foi muito sem noção, mal sabe o quanto perdeu por não estar ao seu lado. – ela beijou minha bochecha. – Mas como ela pôde casar com outro se ela já era casada com seu pai? – Irina perguntou e eu suspirei.

– Bom, não sei se com esse cara ela é casada legalmente. Talvez seja, ela e meu pai não eram, só moravam juntos e se consideravam marido e mulher. – expliquei, dando de ombros.

– Hum, vai entender. – revirou os olhos. — Okay, vai para o chuveiro enquanto eu pego uma roupa pra você. – Irina deu um tapinha em meu no quadril, me fazendo perceber a Irina animada de sempre voltando.

– Irina, nós vamos jantar e depois dormir. Não vai me vestir para uma festa. – falei, tentando cortar sua empolgação quanto a querer me arrumar.

– Ai eu sei, sua chata. Só quero cuidar da minha cunhadinha, será que eu posso? – ela abriu um sorris irresistível e não teve como dizer não. Assenti e fui empurrada para o banheiro que havia no quarto enquanto ela ia buscar minhas roupas.

Assim que retirei o vestido e o casaco que vestia, e entrei debaixo do chuveiro, aproveitei ao máximo a sensação de relaxamento que a água quente me proporcionava. Este sempre foi o lugar para colocar os pensamentos em ordem, mas a bagunça em minha mente era tão grande que chegava a latejar e eu não queria mais pensar em Lilian. Pelo menos não por hoje.

Quando saí, enrolada na toalha, minha cunhada me aguardava com as roupas sobre acama. Suspirei aliviada quando vi o conjunto azul claro de moletom e a camiseta de malha branca. A calça tinha elástico na cintura o que facilitava muito já que minhas outras calças estavam incomodando por me apertarem. O tecido parecia veludo e era extremamente confortável.

Terminei de vestir sobre os olhares atentos de minha cunhada. Irina sorriu e bateu palminhas como Alice ao ver o resultado. Eu estava vestida de maneira simples, não entendia porque ela estava tão sorridente. Mas estava feliz e era isso que eu queria.

– Ficou ótimo, Rose. Eu já estou ficando expert nesse negócio de comprar roupa pra você. Serviu certinho. – comentou ela, segurando minha mão e me fazendo girar.

– Você é ótima, Irina. Tudo que compra fica perfeito. – elogiei, arrancando mais sorrisos dela.

– Obrigada, gata. Agora senta aqui, eu vou pentear seus cabelos.

Irina deu leves batidinhas no colchão da cama, me fazendo sentar ali. Ela se posicionou de joelhos atrás de mim com uma escova de cabelos cor-de-rosa e começou a penteá-los.

Seus movimentos eram leves e precisos, fazendo meus cachos se desmancharem suavemente. Dali dava para notar, através do espelho grande pregado na parede, a expressão concentrada e satisfeita de Irina. Eu podia imaginar o que estava se passando em sua cabeça. Provavelmente que eu era sua boneca particular. Ela estava adorando isso e, pra ser sincera, eu também.

Não me lembrava da última vez que Lilian havia penteado meus cabelos, mas me recordava da sensação. Era maravilhosa. Como se naquele momento fossemos apenas eu e ela, sem coisas ruins a nossa volta. Ela me fazia sentir especial, uma princesa. Era como se seu carinho materno transbordasse por seus dedos e me atingisse através dos fios de cabelo, acalmando e me fazendo sorrir.

Quando dei por mim já estava chorando. Limpei as lágrimas que rolaram por minha bochecha e Irina percebeu, parando de escovar minhas mechas e se inclinando para poder me observar melhor.

– O que foi? Te machuquei, Rose? – perguntou, revelando culpa na voz. Neguei, tentando lhe dar um sorriso.

– Não, eu só me lembrei da minha mãe. Ela costumava pentear meus cabelos quando eu era pequena. Eu adorava. – respondi, nostálgica, envolvendo os braços em torno da minha barriga avantajada.

Senti quando os lábios macios de Irina tocaram minha bochecha molhada e a encarei, recebendo um sorriso sincero e gentil, característica típica dos Cullen. Apertei a mão da minha cunhada e, em seguida, ela voltou a me pentear, proporcionando mais daquela sensação maravilhosa que eu tanto sentia falta.

Será que um dia Lilian faria isso por mim de novo? Será que ainda teria o prazer de sentir o toque carinhoso da minha mãe cuidando de mim? Bom, ela havia retornado. Isso era o principal.

Eu só tinha que deixá-la se reaproximar. Isso é claro, se ela quisesse me incluir na vida dela novamente e eu não tinha certeza disso. Apesar de dizer que me amava, não senti segurança em nenhuma de suas palavras. Eu sequer sabia se estava incluída na família que ela tanto falou com um sorriso nos lábios.

Deixaria para pensar nisso depois, quando eu mesma estivesse sem dúvida alguma quanto aos meus sentimentos em relação ao nosso reencontro.

Irina terminou de pentear meus cabelos e os deixou solto para que secassem naturalmente. Agradeci lhe dando um beijo na bochecha e um abraço apertado. Descemos as duas com os braços entrelaçados, encontrando a mesa posta e um cheiro delicioso vindo da cozinha.

Emmett se aproximou de nós e a irmã lhe deu um tapinha nas costas, indo em direção a cozinha.

– Você está muito cheirosa. – ele comentou, beijando meu pescoço. O gesto causou um arrepio tão conhecido por mim. Aquele arrepio proporcionado única e exclusivamente por Emmett.

– Obrigada ursinho. Sua irmã até me penteou. – contei e seus olhos verdes imediatamente percorreram meu rosto e cabelos, sorrindo verdadeiramente. Apertei suas bochechas, apreciando as covinhas fofas. – Quero que a Spencer tenha suas covinhas. – falei, ainda com as mãos sobre seu rosto.

– Ela vai ser igualzinha a você. – respondeu ele, me dando um selinho rápido. – Linda como a mãe dela. – outro selinho.

– Prefiro que pareça com o pai, mas nós não podemos escolher. Se pudéssemos... – deixei a frase no ar, me lembrando do quando meu pai insistia em dizer que eu era a cópia de Lilian.

Não que eu não gostasse, pelo contrário. Eu amava – talvez ainda ame – parecer tanto com minha mãe. Só que, no momento, não queria ser comparada a ela.

Eu havia abandonado Emm quando descobri da gravidez e fiz isso por medo e orgulho, achando que o estaria poupando de uma responsabilidade que ele não queria. E eu errei muito em agir daquela forma. Contrariando todas as minhas certezas e angustias, Emmett não só me perdoou como me aceitou de volta também e está se mostrando o melhor namorado do mundo.

Eu havia recebido uma segunda chance, talvez tivesse que dar uma também a Lilian. Mesmo que achasse que seu comportamento comigo foi muito pior que o meu em relação à Emm. Quem era eu para julgá-la, afinal?!

Precisava de tempo. Tempo para organizar minha mente e ter certeza se quero minha mãe tão próxima agora que reconstruí minha vida sem ela.

– No que está pensando? – Emm perguntou, analisando meu rosto com seus olhos verdes curiosos.

– Nada demais. Vem, vamos jantar. – segurei sua mão, o puxando para mesa. Emmett me deu outro beijo no pescoço, arrancando um riso leve de mim.

Entrelacei nossos dedos quando nos sentamos, vendo Irina e Carmen se juntarem a nós. Não demorou muito para que Eleazar chegasse e todos nós começamos a jantar.

O clima não estava mais tenso. Minha sogra provavelmente contaria mais tarde ao marido sobre o que houve, então eu não teria que me preocupar em descrever o episódio durante o jantar.

Agradeci a Deus por estarmos reunidos ali, trocando leves sorrisos e conversas tranquilas. Mesmo que por dentro estivesse confusa e exausta. Imaginei também se Lilian estaria jantando com seu novo marido e o filho caçula. Se nosso encontro a havia abalado tanto quanto a mim. Queria saber o que minha mãe sentia realmente.

Quando terminamos de jantar, Carmen não me deixou ajudá-la com a louça. Minha sogra, da forma mais gentil e ainda sim autoritária, mandou que Emmett subisse comigo e me fizesse descansar. Acabei agradecendo internamente, já que me sentia desgastada pelo dia de hoje.

Eu e Emm fomos para nosso quarto e, enquanto ele se trocava para dormir, eu me aproximei do bercinho de bebê. Ver os lençóis cor-de-rosa, travesseiro e bonequinha de pano me fez imaginar como seria ter minha garotinha deitada ali. Passei as pontas dos dedos suavemente pela barra de madeira branca, me inclinando para pegar o travesseiro e cheirá-lo. Logo teria o aroma suave e delicioso de bebê. Do meu bebezinho.

– Pensando na nossa filha? – me assustei quando a voz de Emmett quebrou o silêncio. Ele me abraçou por trás, pousando as mãos sobre meu ventre.

– Uhum. Estou imaginando quando ela vai aproveitar tudo isso que sua mãe e irmã fizeram pra ela. Quando vou sentir o cheirinho dela. – contei, aspirando outra vez a almofadinha cor-de-rosa.

– Você vai ser uma ótima mãe, sabia?! – senti os braços de Emm se apertarem mais em torno de mim.

– Desejo isso com todas as minhas forças e vou me esforçar. – eu disse, encarando o objeto macio em minhas mãos. Os lábios quentes do meu namorado tocaram minha bochecha demoradamente e eu coloquei minha mão sobre a sua ainda em minha barriga.

– Você é perfeita e eu acredito em você. – afirmou ele, me fazendo encará-lo.

Seus olhos esverdeados não demonstravam resquício algum de dúvida. Acreditei nele. Emmett estaria sempre ali comigo, não me deixando errar, surtar ou desmoronar quando algo acontecesse. Descobri nele meu porto seguro e não abria mão de tê-lo comigo jamais.

– Obrigada ursinho. – agradeci, me virando de frente para ele e passando meus braços em volta de sua cintura. – Obrigada por acreditar em mim e me apoiar.

– Eu sempre vou fazer isso, amor. Eu te amo. Estou aqui para o que precisar e decidir. – respondeu ele e eu sabia que estava se referindo também à minha relação com Lilian.

Emmett plantou um beijo no topo da minha cabeça. Quando ele fez menção de me arrastar para cama, devolvi o travesseiro de bebê ao berço e segurei sua mão. Nos deitamos abraçados e Emm ficou fazendo círculos com a ponta do dedo indicador em minhas costas, me fazendo fechar os olhos e desfrutar do gesto que me relaxava.

Era disso que eu precisava no momento, relaxar para poder pensar melhor. E nos braços do meu namorado perfeito eu quase que podia esquecer por completo da revolução que meus sentimentos atravessaram hoje.

Notas finais
Aw, alguém pega a Irina, coloca num potinho e dá pra mim?! Melhor cunhada do universo! Rose também está precisando de cuidados, é muita informação pra processar. Espero que tenham gostado. Comentem, por favor. Beijo, beijo.