The Safe Place
48 Capítulo 48 – Uma História Por Trás Da Escolha
Notas iniciais
Chegamos em casa rindo muito. Irina desceu do carro saltitante e cantarolando alguma música da Nick Minaj. Emmett tentou fazê-la calar a boca quando a música começou a tocar no carro, mas isso só a fez aumentar o volume ainda mais. No final, ele estava dançando também.
– Meu Deus, mas que alegria é essa? – Car perguntou, aparecendo na porta da cozinha vestindo um avental florido e com um pano de prato no ombro.
– Vai ter festa naquele colégio, mãe! – Irina respondeu, jogando os braços pra cima e indo até Carmen. Minha sogra recebeu vários beijos pelo rosto, que deixaram leves marcas de batom cor de rosa nela.
– Festa?
– É, um baile de despedida. Vamos ter que fantasiados, dá pra acreditar? – Emm respondeu, beijando a bochecha da mãe.
– Hm, parece que vai ser divertido. Está animada, querida? – ela me encarou sorrindo. Abriu os braços em minha direção, me convidando para um abraço.
– Acho que sim. – respondi simplesmente, recebendo seu abraço maternal delicioso. Car beijou minha cabeça e, em seguida, eu e Emmett subimos para guardar as mochilas e voltamos para o almoço.
Almoçamos entre conversas e delírios de Irina. A loira não parava de pensar e comentar sobre qual seria a fantasia perfeita, já que ela iria acompanhando nosso professor de biologia. Seu Eleazar chegou quando já estávamos a mesa e se juntou a nós com um sorriso satisfeito no rosto por ver a família reunida e, talvez, por tido uma boa manhã no trabalho.
Foi difícil, mas convenci Irina e Carmen que eu podia muito bem trabalhar hoje. Então, por volta das 15h, eu e minha cunhada maluca estávamos indo para a loja no centro da cidade.
– Nossa, estava com saudades daqui. – comentei, passando pela porta de vidro da frente.
A Fashion DASH continuava a mesma coisa de sempre, a não ser pelos vários vasos de flores com tulipas cor-de-rosa que não estavam ali antes.
– Bom, você fica sentadinha aí enquanto eu vou lá no estoque checar umas coisinhas. Qualquer coisa me chama, okay? – Irina ordenou, erguendo os óculos de sol para a cabeça. Seu incrível cabelo loiro estava preso em um coque bagunçado bem no alto.
– Sem chances. Eu vou lá e você fica aqui. Irina, sério, me deixa trabalhar como sempre.
Eu estava começando a me irritar com todo esse cuidado. Estava grávida, não doente. E apesar de agradecer toda atenção voltada a mim, eu precisava fazer isso para me sentir melhor comigo mesma. Me sentir útil.
– Okay dona teimosa. Toma aqui, confere se chegaram todas essas peças. – ela me passou um papel com a lista das tais peças e lá fui eu para o estoque, deixando uma Irina já entretida no celular para trás.
A tarde passou rápida, sem muito movimento. Eu e Irina conversamos sobre bobagens. Eu mais escutava os relatos engraçados dela sobre alguma cliente que ela conhecia. Estávamos parecendo duas velhas fofoqueiras!
O professor Stefan telefonou para ela quando estávamos fechando a loja e Irina foi só sorrisos quando recebeu um convite do namorado para jantar fora.
– Está combinado, Stef. Te espero as oito. Beijo. – respondeu ela, encerrando a ligação logo em seguida. Ainda escutei seu suspiro apaixonado, antes que ela falasse qualquer coisa comigo. – Viu como meu namorado é fofo, Rose?! – se gabou e eu sorri.
– Vocês são fofos.
– Eu acho que você e o meu gatinho estão precisando de um jantar romântico. – sugeriu, com os olhos brilhando em expectativa. Poderia jurar que ela já estava pensando em planejar algo.
– Nem inventa, Irina. Eu e o Em estamos ótimos. Sem essa de jantar romântico. – tratei de afastar a ideia. Não ligava para essas coisas de flores, presentes e jantares. Eu estava feliz com Emm do jeito que estávamos.
– Como você é estraga prazeres, garota. – ela fez bico e saímos da loja, indo em direção ao carro vermelho estacionado do outro lado da rua.
As ruas estavam tranquilas, como sempre eram em Forks. Irina dirigia com o som do carro ligado e, apesar de já estar escurecendo, ela não retirava os óculos escuros do rosto.
Chegamos em casa e encontramos Eleazar colocando a mesa para o jantar. Pelo barulho Carmen estava na cozinha. Minha cunhada subiu as escadas com pressa, dizendo que não iria jantar em casa, o que fez o pai suspirar e recolher um dos pratos.
Encontrei Emmett na sala assistindo televisão. Ele estendeu a mão em minha direção e eu prontamente a peguei, sentando em uma de suas pernas. Sua mão afagou minhas costas e eu inclinei a cabeça, beijando seu pescoço.
– Cansada? – perguntou baixinho, em seguida beijou meus cabelos. Fiz que não com a cabeça e escutei sua risada baixinha quando soltei um bocejo. – Imagina se estivesse, hein.
– Não estou, quase não fiz nada por lá. – comentei, erguendo a cabeça e o encarando.
Emm passou a mão por meu rosto, o gesto me fez fechar os olhos e apreciar seu toque macio e quente. Seus dedos contornaram meus lábios, em seguida tocaram levemente minhas pálpebras. Abri o os olhos a tempo de vê-lo aproximar o próprio rosto do meu para me beijar.
O beijo já começou intenso e cheio de paixão. Praticamente havíamos esquecido que estávamos na sala de estar com os pais dele tão perto. A mão de Emmett apertava meu corpo contra o dele e a minha foi parar em sua nuca, querendo ao máximo prolongar a sensação maravilhosa de nossos lábios unidos. Até que ouvimos o coçar de garganta do pai de Emm, passando por nós e indo em direção ao escritório. Nos separamos rindo e eu fiquei de pé.
– Bom, eu preciso de um banho.
– Vou subir com você. – Emm me olhou com um sorriso de canto irresistível e cara de quem iria aprontar. Ri, balançando a cabeça e segurei sua mão.
No quarto...
Emmett sequer esperou passarmos pela porta. Ele agarrou minha cintura por trás, beijando meu pescoço. O ato me fez rir. Segurei suas mãos, tentando fazê-lo me soltar.
– Eu disse que preciso tomar banho, Emm.
– Podemos fazer isso juntos. – sua voz soou rouca e extremamente convidativa próxima a minha orelha. – Estou com saudades. – ele mordeu o local, me causando um arrepio completamente prazeroso.
– Também estou com saudades, ursinho. – me virei de frente para ele, segurando seu rosto e o beijando. – Mas preciso me livrar desses sapatos. Estão machucando meus pés. – me soltei dele, indo em direção à cama.
Ouvi Emm bufar insatisfeito enquanto eu retirava as sapatilhas cor de rosa que Irina havia comprado. Só então notei que meus pés estavam inchados e isso me deixou irritada. Praticamente havia me esquecido que gravidez tinha essas coisas, apesar da doutora Emily e minha sogra já terem me dito.
– Que droga. – resmunguei, mexendo os dedos dos pés.
– O que foi? – Emm perguntou, se sentando ao meu lado.
– Meus pés estão enormes. – respondi, fazendo careta.
Fiquei de pé, caminhando até o espelho grande que havia na parede do quarto. Encarei a imagem da garota grande refletida no espelho. Minha imagem. Com cinco meses minha barriga já estava bem grande, meus pés só agora havia percebido que estavam inchando e eu sequer tinha resquício de cintura. Sem contar no quadril mais largo e até meu rosto parecia estar diferente.
Não era Rosalie que eu estava acostumada a ver. Não era a Rosalie cheia de marcas, com cabelo sem brilho e corpo esguio. Era óbvio que as mudanças viriam, mas me xinguei mentalmente por nunca ter parado para analisar minha imagem atual. Me senti péssima.
– Rose? – a voz de Emm se fez presente, me despertando dos meus pensamentos. – O que foi?
– Você não me disse que eu estava tão diferente. Eu estou gorda, Emmett. – respondi, ainda encarando o espelho com um olhar insatisfeito.
– Você não está gorda, está grávida. Pare de bobagens, sabe que está linda. – ele se aproximou, tocando meu ombro.
– Não, não estou. Estou gorda e os meus pés estão enormes. Nem eu mesma me reconheço. Como é que pode querer me beijar? Querer estar comigo assim. – falei, fazendo minha voz soar triste. — Nem quero ir naquele baile idiota.
Meu choque de realidade me deixou confusa e chateada, eu só queria entender como Emm ainda conseguia me achar um pouquinho atraente que fosse a ponto de querer me amar.
Ele me virou pelos ombros para si, segurou meu rosto entre as mãos grandes e reconfortantes e selou os lábios nos meus, num longo beijo. Quando senti a pressão de sua boca diminuir e ele se afastou, senti como se tivesse levado um pedaço de mim.
– Eu sempre vou querer estar com você, Rose. Sempre, não importa sua aparência. Você continua linda pra mim, ainda mais do que antes. Você está carregando um bebê nosso, como não poderia estar perfeita assim?!
As palavras de Emm me deixaram atordoada. Como ele sempre sabia o que dizer? Como ele sabia dizer sempre o certo e fazer meu coração derreter? Ele parecia ter soprado para fora de minha mente minhas conclusões sobre minha aparência.
– E você não precisa ir se não quiser, não vou te forçar. Mas eu não quero ir sem minha namorada.
Suas mãos me puxaram para um abraço caloroso e agradeci mentalmente por ter um namorado tão perfeito. Eu não poderia querer mais nada que estar na segurança de seus braços. Senti seu beijo em minha cabeça e ergui para encará-lo. Recebi beijos por todo rosto e pescoço. Mas quando Emmett tentou retirar minha blusa cinza, infiltrando suas mãos por baixo do tecido fino tocando minha pele, me senti insegura outra vez e segurei suas mãos, o barrando.
– Eu vou tomar banho. Sozinha. – frisei o final da frase, mesmo com a voz num tom baixo. Emm revirou os olhos, dando pequenos passos para trás.
– Eu não sei mais o que te dizer, Rose.
– Te encontro lá embaixo, tá bom?! – eu disse, ignorando sua frustração em não conseguir me fazer sentir melhor.
Caminhei até o banheiro, fechando a porta dele logo em seguida. Ainda deu tempo de ver Emm sair do quarto, com uma expressão de chateação no rosto de anjo.
[...]
Stefan tocou a campainha pontualmente no horário combinado com minha cunhada e lá se foi ela, sorridente e arrumada para um desfile de moda. Ela parecia uma Barbie com os cabelos recém-escorridos.
Durante o jantar eu e Emm não falamos muito. Respondíamos e comentávamos o que Carmen ou Eleazar falavam, mas não passava disso. Eu já não era de falar muito, já ele era tão tagarela quanto Irina e ficou perceptível que havia algo errado. Mesmo assim, ninguém nos perguntou nada.
Depois de recolher a louça suja, Emmett e o pai foram para sala de estar. Eu e Carmen nos encarregamos de lavar e guardar tudo. Enquanto ela lavava os pratos, eu secava e os guardava no armário.
– Querida, está tudo bem? – Car perguntou com a voz doce, me encarando pelo canto do olho rapidamente.
– Está sim, Car. – me limitei a dizer, mesmo sabendo que não seria suficiente.
– Carinho, o Emm veio falar comigo enquanto você estava no banho. – ela parou de lavar o prato de porcelana e se virou para mim.
– E o que ele disse? – perguntei, torcendo o pano de prato nas mãos, visivelmente desconfortável com a situação. Emmett havia contado à mãe que eu não estava no “clima” por me achar gorda? Eu o mataria se sim.
– Que você não está se sentindo bem com sua aparência e não sabe o que dizer para te convencer que não está “gorda”. – ela fez aspas com os dedos e eu suspirei, desviando o olhar.
– Carmen, eu... Ah, não sei o que dizer. – joguei o pano de prato sobre a mesa, puxei uma cadeira e me sentei.
Ela também puxou uma cadeira se sentando de modo que ficasse de frente pra mim, secou as mãos no avental e segurou a minha. Seu olhar e sorriso doces não saiam do rosto.
– Não precisa dizer nada, querida, só precisa acreditar em nós quando dissermos que está linda. Porque é verdade, não mentiríamos para você. – ela apertou minha mão, sorrindo sincera. Eu sabia disso, sabia que nenhum deles mentiria para mim. – E, meu bem, você está grávida. De 5 meses, Rose. Seu corpo precisa mudar para se adaptar ao bebê. Não é gordura, é o peso da sua filhinha. Eu sei como se sente, também fiquei com essa neura de estar gorda ou estar feia. Mas isso passa, acredite. – seu polegar acariciou meus dedos, me fazendo sorrir também.
– Imagino que o Emm tenha ficado um pouquinho grande. – brinquei, imaginando minha sogra grávida. Emmett era enorme, deveria ter sido um bebê gordinho e fofo.
– Oh sim, o Emm nasceu bem grandinho. – ela riu e eu a acompanhei. – Mas não é sobre a gravidez dele que estou me referindo. Eu nunca te contei isso e imagino que meu filho também não tenha te dito nada, mas eu fiquei grávida antes de ter o Emmett. – Car confessou, séria, e eu me espantei. Nunca imaginei que ela havia tido outro filho ou filha. Se tinha, onde estava?
– Você tem outro filho, Car? – perguntei, curiosa. Sabia que Irina não era filha biológica dela, e agora a história parecia confusa em minha cabeça.
Carmen se ajeitou na cadeira, como se estivesse se preparando para contar uma longa história. E, por sua expressão, não parecia ser nada feliz.
– Uma filha. Eu tive uma menina, se chamava Spencer. Foi uma gravidez difícil, eu e o Eleazar estávamos apenas com 3 meses de casados quando descobri. O parto foi complicado, ela estava enrolada no cordão umbilical e morreu asfixiada, não conseguiram salvá-la. Disseram que mesmo se conseguissem ela teria problemas respiratórios e viria a falecer do mesmo jeito, estava muito abaixo do peso. Eu estava abaixo do peso também, talvez por ficar me controlando para não engordar. – Car contou e enquanto as palavras saiam, as lágrimas acompanhavam. Só notei que estava chorando também quando senti o gosto salgado no canto da boca.
Nem em um milhão de anos imaginaria essa história tão triste. Jamais poderia, Carmen era tão alegre e cheia de vida. Era impossível imaginar que tivesse passado por uma tragédia dessas. Podia sentir a dor que ela guardava e instintivamente apertei minhas mãos ao redor da dela.
– Oh meu Deus, Car, me desculpe. Sinto muito, nunca imaginei que tivesse passado por isso. Se soubesse não teria perguntado. Desculpe-me... – pedi, arrependida pela curiosidade que expressei em saber da história.
– Tudo bem, querida. Eu quis contar, eu comecei. – ela limpou as lágrimas com a mão livre, me direcionando um sorriso terno. – Já faz muito tempo. Não é como se eu pudesse me esquecer, mas faz. Ela teria a idade da Irina agora, seria apenas alguns meses mais velha. – comentou, encarando nossas mãos unidas, mas o olhar estava vago.
Agora entendia porque Carmen era tão grudada em Irina. Tinha tanto amor e carinho por ela como se fosse sua verdadeira filha. Não só porque minha cunhada era filha dos melhores amigos de Car, mas porque minha sogra também via nela a figura da filha que morreu ainda recém-nascida.
– Isso é algo impossível de esquecer, Car. Você é tão forte, eu no seu lugar não teria aguentado. – falei sinceramente, admirada por ela ser essa mulher forte, sorridente e amorosa. Se fosse comigo, teria morrido junto com meu bebê, tinha certeza.
– Obrigada querida. Não foi fácil, mas eu tive bastante apoio. E anos depois veio meu Emmett e eu tratei de aproveitar essa gravidez ao máximo. – o sorriso sincero tomou seus lábios outra vez, apagando qualquer vestígio da dor que ela havia relembrado. – Então, carinho , quero que me prometa que quando subir e se olhar no espelho vai se sentir ótima, linda e feliz. Sem essas bobagens de estar enorme. Me promete? – pediu ela.
– Prometo Car, obrigada por sempre saber o que dizer e como me ajudar. – agradeci, me inclinando para abraça-la. — Acho que devo desculpas ao Emm, eu o chateei com isso. – falei quando nos separamos. Car secou as lágrimas que secavam em minhas bochechas, assentindo com a cabeça.
Nós duas ficamos de pé e ela entrelaçou um braço no meu. Fomos até a sala e encontramos Emm e Eleazar assistindo um noticiário sobre esportes.
– Tinha tanta louça assim? – Emm brincou, se ajeitando no sofá com o controle remoto nas mãos.
– Estávamos só batendo um papinho. – Car me olhou rapidamente, me lançando um olhar e sorriso compreensíveis apenas para nós duas.
Fui até Emm, me sentando ao seu lado e passando os braços por sua cintura, num abraço desajeitado. Beijei sua bochecha e cheirei suavemente seu pescoço, apreciando a gostosa sensação quando ele também me abraçou.
– Me desculpe por te chatear, ursinho. Eu te amo. – o encarei, dando de cara com um par de olhos verdes brilhantes. Ele sorriu, exibindo as covinhas, em seguida beijou meu nariz, o que me fez rir.
– Seja lá o que você fez, mãe, obrigado! – Emm falou, nos fazendo rir. Carmen piscou para o filho e se virou, voltando para cozinha.
– Espera Car. – pedi, me ajeitando no sofá. Emm passou o braço em volta do meu pescoço e eu me inclinei para cochichar em seu ouvido. – Sua mãe me contou a história da sua irmãzinha que morreu. Eu estive pensando e acho que já temos um nome para a bebê. – sussurrei apenas para Emm. Ele me encarou sorrindo e assentiu com a cabeça, entendendo onde eu queria chegar.
– Mãe podemos te pedir uma coisa? – Emm perguntou, segurando minha mão e ficando de pé, me levando junto com ele.
– Claro, querido. – assentiu, a expressão calma e meiga. Carmen era um anjo, sem dúvida. Emm me encarou, como que pedindo para eu falar.
– Bom, queríamos saber se nos deixa colocar na bebê o nome da sua primeira filha. Spencer. Podemos? – meus olhos piscaram em ansiedade e vi a expressão de Carmen mudar para de surpresa.
– Estão falando sério? Oh meu Deus, é claro que podem! – ela se aproximou de nós com os braços aberto e nos puxou para um abraço conjunto. – Obrigada, crianças. – ela depositou um beijo em minha bochecha e na de Emm.
Sorri, satisfeita com a reação que havíamos causado em minha sogra. Felicidade; era isso que eu esperava. Emm também estava contente, seus olhos e sorriso brilhavam quando a mãe nos soltou do abraço apertado.
– Uma ótima escolha, crianças. Fico feliz também. – Eleazar comentou, se levantando do sofá e vindo abraçar a esposa.
Para uma noite que começou digamos que um tantinho conturbada, acabou muito bem. Com abraços em família, sorrisos satisfeitos e alegres pela singela homenagem. Carmen e Eleazar podiam ter pedido a Spencer deles e, sabendo que ela seria sempre insubstituível, agora ganhariam uma netinha com o mesmo nome. Nossa Spencer.
Eu estava ansiosa para contar a Bella e Alice sobre nossa escolha.
Quando fomos dormir, pensei que Emm insistiria no que não havia conseguido mais cedo. Mas ele como sempre me surpreendeu. Esperou que eu me trocasse, vestisse um pijama confortável de inverno, e me deitasse na cama.
– Vem, vou te fazer uma massagem. – pediu ele, puxando meu pé esquerdo assim que me deitei com as costas encostadas na cabeceira.
Emm começou a massagear meu pé e, apesar de sua mão ser grande e forte, os movimentos eram completamente delicados. Era tão relaxante que estava me deixando com sono.
– Hmm, isso é tão bom, ursinho. – murmurei, com os olhos fechados apreciando seu toque.
– Imagino mesmo. Seu pé está parecendo um pão, amor. – ele riu e eu fiz careta.
– Bobo. – mostrei a língua para. Logo Emm recomeçou a massagem, agora no pé direito.
Realmente, eu tinha o melhor namorado do mundo. Spencer teria o melhor pai de todos. Acho mesmo que eu estava precisando ser um pouco mais amorosa com ele e menos neurótica.
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