The Safe Place

49 Capítulo 49 – Um Dia Mais Que Especial


Notas iniciais
Olá amores! Quero agradecer por todos os comentários no capítulo anterior. Pessoinhas sumidas voltaram e fiquei muito feliz. Obrigada! Please! Leiam as notas finais, é importante.

No dia seguinte, chegamos ao colégio e o clima tenso entre os alunos era notável. Os testes e provas finais começariam hoje. Se não fôssemos bem, ficaríamos mais tempo que o necessário naquele colégio e o sonho da formatura seria adiado.

Eu não estava nervosa. Teste de matemática e uma prova de história. Alice e Bella estavam quicando. Bells odiava números, Alice esquecia facilmente as datas e confundia os locais. Também odiava matemática, mas conseguia notas razoáveis. Já história, eu amava e me saia muito bem. Emmett não esboçava reação, ignorar era seu jeito de não ficar nervoso.

Sequer vi Mia durante toda manhã, ela estava ocupada na sala de informática, sua matéria opcional favorita. Só encontrei com Jacob durante a aula de história e ele riu dizendo que provavelmente iria se ferrar, seu negócio mesmo era física e química.

Ver todos nervosos assim, me fez pensar em quanto aquelas provas eram importantes para determinar o futuro de cada um. Talvez eu não estivesse tão nervosa porque não teria meu futuro acadêmico agora. Eu teria um bebê. O vestibular ficaria, quem sabe, para o ano seguinte.

– Ei Bellita, você já decidiu qual dos dois caras sortudos vai levar ao baile? – Alice perguntou, piscando os olhinhos para Bella.

Estávamos caminhando em direção ao estacionamento, eu havia contado para elas a escolha do nome para a bebê e elas haviam adorado. Emm e eu estávamos de mãos dadas, Alie com o braço entrelaçado ao meu do outro lado e Isabella carregando uma pilha de livros para seu trabalho final de literatura.

– Não, nem me fala. Isso é uma merda, eu nunca pensei que dois caras gostosos pra caramba quisessem ir comigo. – respondeu nossa morena, revirando os olhos.

Nós rimos, Emm ainda mais alto, o que fez Isabella ficar com as bochechas vermelhas.

– Eu e o Jasper temos que voltar pra cá de tarde. É a primeira reunião do comitê de decoração e eu estou ansiosa! – a baixinha bateu palminhas, empolgada.

Sorri. Vê-la assim, animada e sorridente, aquecia meu coração. Eu estava tão feliz por Alice estar contente, por chegamos ao fim do ano e ela estar muito melhor do que no começo. As sessões com o psicólogo que a tia dela a estava levando estavam mesmo dando resultado.

– Já decidiram que fantasias vão usar? – Emm perguntou, quando paramos em frente a picape da Bella.

– Eu estou em dúvida entre o clássico e o rebelde. – Bells falou, abrindo a porta do carro e atirando os livros sobre o banco do carona.

– Que seriam... ? – instiguei, curiosa para saber suas opções.

– Julieta, do livro de Shakespeare, uma das minhas tragédias favoritas. Ou Amy Winehouse, minha cantora favorita. – respondeu, nos encarando.

– Vai de Amy, é sua cara. – Emm falou sorrindo de canto e nós rimos de leve.

– Está me chamando de bêbada, Cullen. – sua frase saiu uma afirmação, não uma pergunta.

– Não, não. Julieta é perfeita, vai ficar tão romântica, Bellinha. – Alie tornou a piscar os olhos, fofa como sempre.

– O que acha, Rose? – a morena pediu minha opinião.

– Realmente você ficaria perfeita num vestido de época. Também ficaria incrível com aquele cabelo da Amy. Não sei, são coisas completamente diferentes. – falei, balançando a cabeça, e escutamos uma buzina frenética. – Olha lá, a Irina chegou. Já vamos, boa sorte pra vocês. – me despedi, vendo o carro vermelho da minha cunhada do outro lado da rua.

Pisquei para minhas melhores amigas e recebi um abraço rápido da Bells e um beijo estalado na bochecha da baixinha. As duas entraram na caminhonete, Alice almoçaria na casa de Isabella e depois voltaria para tal reunião, era mais perto do colégio.

– Hey love birds! – Irina sorriu assim que entramos no carro, Emm no banco da frente ao seu lado e eu bem atrás dele. – Hoje é o dia!

– Dia? Dia de que? – Emm se fez de desentendido, mas ele sabia muito bem a que a irmã se referia.

– Não se faça de esquecido, gatinho. Dia de compras, é claro! – ela bateu no volante, empolgada exatamente como Alice, logo em seguida buzinou e seguiu pelas ruas da cidade.

Emm murmurou algo que não consegui entender enquanto a irmã ligava o rádio numa música mais agitada que seu próprio humor. Ela me lançou um sorriso brilhante pelo espelho retrovisor e eu fiz meu melhor para devolvê-lo na mesma intensidade. Enquanto dirigia, Irina cantarolava a música da rádio, só então percebi que não estávamos indo almoçar em casa.

– Como faz pra desligar essa doida? – Emm perguntou, se virando no banco para me encarar.

Ri de leve, levando minha mão ao seu rosto. Meus dedos acariciaram seu queixo, sentindo a leve aspereza dos fios da barba que começavam a crescer. Inclinei meu corpo sobre a mochila em meu colo, aproximando nossos rostos.

– Promessa é dívida, amor. – ele fez careta. – Olha só como ela está animada. Vai, dá um sorriso. Sua irmã já fez tanto por mim, não consigo não querer agradá-la. – pedi da forma mais gentil que podia.

Minha cunhada era tão maravilhosa, que negá-la isso e não me animar com sua empolgação, me parecia completamente errado. Era o mesmo que ferir os sentimentos de Alice e vê-la chorar, praticamente um crime ou pecado.

– É, você está certa. – ele sorriu doce e me beijou rapidamente, voltando a se acomodar melhor no banco.

Emm abaixou um pouco o volume do som e, antes que Irina pudesse reclamar, começou a conversar com ela sobre a tarde que teríamos. Essa conversa seguiu divertida e animada, de ambas as partes, às eu até falava alguma coisa, mas estava adorando mesmo ouvir a interação entre os irmãos. Foi assim que chegamos ao shopping em Port Angeles e Emm nos arrastou direto para o restaurante, antes que a irmã inventasse de parar em qualquer loja.

[...]

Andávamos pelo shopping desviando das pessoas, enquanto Irina seguia na frente sequer olhando para as vitrines. Isso era estranho, muito estranho. Afinal, ela não queria comprar milhares de roupas, sapatos e ainda me fazer de boneca particular? Porque estava passando reto por todas as lojas, então?!

– Irina, é melhor escolher logo onde quer entrar. Não vemos rodar isso aqui o dia todo pra você não levar nada. Além do mais a Rose está cansada, os pés dela estão doloridos. Se decide, por favor. – Emm pediu, já irritado.

– Não ursinho, está tudo bem. – apertei sua mão, não querendo que ele ficasse preocupado comigo e brigasse com a irmã. Meus pés ainda não estavam doendo, mas eu sabia que no final dessa tarde estariam insuportáveis.

– Ai gatinho, não estressa. A Rose tá bem, não é cunhadinha? – ela me olhou, por baixo dos óculos escuros. Eu assenti, sorrindo de canto. – Viu, calma. – Irina deu de ombros, fazendo Emm bufar mais irritado ainda com sua tranquilidade.

Continuamos a andar até que ela parou em frente a uma pequena loja com paredes em tons claros de azul e cor-de-rosa. A placa ‘Style Baby Store’ me surpreendeu. Irina deu alguns passos entrando e parou, se virando para nós, vendo nossas expressões confusas.

– Você não estava me apressando, Emmett? Agora vamos. Anda logo, se mexe. – ela bateu no ombro do irmão.

– Uma loja de roupa de bebê? Maluca, não tem roupa pra você aqui. – Emm falou, cruzando os braços. Sua obviedade me fez rir e Irina revirar os olhos.

– Não me diga, capitão óbvio?! – ela zoou. – Acho que ninguém se deu conta que temos uma garotinha a caminho que não uma peça de roupa sequer. Já passou da hora de fazermos isso, não concordam? – perguntou, no encarando ao colocar o par de óculos caro na cabeça.

Ela tinha toda razão. Lógico que já havia pensado nisso, mas não me parecia algo urgente. Na minha cabeça, ainda não havia caído a ficha de que Spencer estaria em meus braços em, mais ou menos, quatro meses. Não tínhamos roupas, sapatos, móveis ou fraldas. Não tínhamos nada e isso não me pareceu grave, até agora.

– Ela tem razão, Rose. – ela disse me olhando e, em seguida, beijando meus cabelos.

– Ela sempre tem razão, Emm. – respondi. Então seguimos Irina para dentro da loja.

Era tudo tão colorido e alegre, que pela primeira vez fiquei mais animada que Alice por estar fazendo compras. Irina me arrastava para todos os cantos, pegando diversas peças, de vestidos à calças cumpridas, tudo em tamanho pequeninos e delicados que pareciam ser de bonecas. Emm ria quando fazíamos um “awwn”, achando algo completamente fofo.

Não pude deixar de notar Emm encarando as peças de roupas para meninos. Eu sabia que ele estava totalmente feliz com nossa garotinha, mas também entedia que estaria muito mais empolgado se pudesse estar comprando roupas azuis e um uniforme infantil de seu time favorito de basquete.

– Olha esse Rose, que gracinha! – Irina falou, puxando um vestido cor-de-rosa cheio de lacinhos e babados brancos.

– Você já escolheu um deste, só que vermelho. – respondi, mostrando um super parecido que ela havia me mandando segurar a minutos atrás. Eu havia gostado muito mais do vermelho.

– Não tem problema, vamos levar. São tão lindos. – ela aproximou o tecido do rosto, cheirando e sorrindo em seguida. Irina parecia tão sonhadora, que imaginei que estivesse pensando em quando seria sua vez de fazer essas compras.

Depois de um longo tempo, minha cunhada decidiu que ali não havia mais nada que nos interessasse levar. Emm não havia opinado muito, apenas concordava com tudo que escolhíamos alegando não entender nada sobre laços e babados. Ele ficou sentado num sofazinho no canto da loja, esperando a irmã pagar.

– Você está bem? – perguntei, me sentando ao seu lado e apoiando a cabeça em seu ombro.

– Sim. – foi o que ele apenas respondeu. Ergui a cabeça para encará-lo e fiz um bico.

– Não parece feliz. – afirmei. Emm passou o braço em torno dos meus ombros, me trazendo para si. Aconcheguei a cabeça na curva de seu pescoço e fechei os olhos quando ele fez carinho em meus cabelos.

– Eu estou sim. Ver você e minha irmã se divertindo me deixa feliz. Além do mais, vou ter a filha mais linda e bem vestida dessa cidade. – ele riu, afagando minha barriga volumosa com a mão livre.

Beijei rapidamente seus lábios, ficando de pé logo em seguida. Caminhei até a arara com roupas de meninos e vasculhei as camisetinhas esportivas até achar a que eu queria. Peguei a menor camiseta, amarela com detalhes em roxo, com nome Lakers na frente e fui até o caixa.

– Irina, espera. Pode passar essa também, por favor?! – pedi, entregando a peça para ela.

– Rose, isso é de menino. – ela fez careta, analisando.

– Não, não é. Uma só uma camiseta esportiva. Por favor, quero agradar o Emm, é o time dele. – implorei, a olhando com minha melhor expressão de pidona.

Irina suspirou e pagou por fim, me direcionando um sorriso. A abracei, agradecendo. Ela me passou algumas sacolas e carregou outras. Emm até quis me ajudar, mas estava tudo tão leve que não deixei. Também não queria que ele visse a blusinha do time, seria surpresa.

Saímos da loja e logo já estávamos em outra. Sapatos, sandálias e meias. Outra vez minha cunhada me arrastou para todos os lados, escolhendo mais que o necessário.

– Irina, Spencer nem vai poder usar tanto sapato. Ela só vai ficar no colo, não tem necessidade de comprar tantos pares para depois perdê-los por não servirem mais. – falei, tentando colocar um pouquinho de limites no surto de compras da minha cunhada.

No fim, saímos da loja com uma quantidade aceitável de pares e ela com um bico por te deixado para trás vários outros que eu e Emmett a fizemos devolver. Ele carregava as novas sacolas e apenas quando Irina parou para fazer uma ligação, foi que senti meus pés doerem.

– Vem, vamos comer alguma coisa. Assim você descansa também. – Emm me puxou a caminho da praça de alimentação. – Irina, estamos no McDonald’s. – ele cutucou a irmã antes de sairmos.

Emmett pediu nosso lanche e batatas fritas tamanho família. Não fazia nem 3 horas que havíamos almoçado e ele dizia estar morto de fome. Ri quando o vi atacar o hambúrguer e aproveitei para tirar por alguns minutos a sapatilha de um dos pés enquanto comia também.

– Foi mal, assunto importante. – minha cunhada apareceu, jogando a bolsa na pequena mesa e puxando uma cadeira. – Pediram pra mim? – Eu e Emm negamos com a cabeça e ela se levantou, indo fazer seu pedido na sorveteria que havia ali. Em poucos minutos retornou com uma banana split enorme coberta por calda quente de chocolate.

– Podemos ir pra casa? – Emm perguntou, quando já havíamos acabado de comer. Sua irmã não parava de digitar no celular, metade do seu doce ainda estava no prato.

– Não, vamos dar mais umas voltas. – respondeu a loira, sem desviar os olhos da tela.

Emmett revirou os olhos, mas não reclamou. Ficamos de pé, pegamos a sacolas e tornamos a andar. Meus pé, calçados novamente, começavam a latejar.

– Hmm, não faço ideia que fantasia eu vou usar no baile de vocês. – murmurou ela, quando passamos por uma loja apenas de fantasias. Irina analisava a vitrine onde fantasias de temas de filmes de zumbis e bruxas estavam expostas.

– Não é o Jasper e a Alice ali? – Emm falou, me puxando para olhar dentro da loja. Os dois estavam de costas, mas eu reconhecia muito bem minha baixinha e ele o amigo.

Jasper e Alice saíram com sorrisos satisfeitos e carregando, cada um, uma sacola roxa com o nome da tal loja de fantasias.

– Ei baixinha, achei que estivesse no colégio. – chamei por Alie, que sorriu assim que me viu.

– Rosie! O que está fazendo aqui? – perguntou ela, olhando rapidamente para o Whitlock a seu lado e de volta para mim.

– A irmã do Emm arrastou a gente pra comprar roupas de bebê, dá pra acreditar?!

– Oh meu Deus, eu preciso ver todas! – ela foi abrindo as sacolas que estavam em minhas mãos, mas a parei antes que retirasse junto a surpresa que tinha para Emm.

– Depois eu te mostro, baixinha. Você e a Bells podem ir à casa dos Cullen qualquer dia e ver tudo. – Alie fez um biquinho adorável, mas aceitou. – E você, o que está fazendo aqui? Ainda com o Jasper. – cochichei a última frase para que apenas ela ouvisse.

– Viemos procurar nossas fantasias. Saímos da reunião no colégio e viemos direto, ele veio dirigindo. – ela sorriu empolgada, me arrastando para longe dos meninos. – Ai Rosie, ele é tão fofo! Me fez rir o caminho todo, aceitou minhas sugestões para fantasia e ainda quer me pagar um Milk-shake. Eu estou me sentindo a garota mais sortuda do universo! – Alie comemorou, se jogando em mim de braços abertos. Abraçou meu pescoço e eu, desajeitadamente devido às sacolas, retribui passando os braços em sua cintura fina.

– Ei Alice, podemos ir? Desculpe, é que ainda preciso estudar para minha prova de geografia de amanhã. – Jasper pediu e a baixinha assentiu. Recebi um beijo na bochecha e ela acenou para Emmett.

Os dois saíram caminhando lado a lado, com sorrisos contentes e satisfeitos. O de Alice era ainda maior e mais radiante. Não podia estar mais contente por ver o sonho de Alice se realizando. O Whitlock que nem pensasse em magoá-la, ou eu e Bella o faríamos chorar de arrependimento.

Irina saiu da loja de fantasias sem nenhuma compra. Estava confusa e não fazia ideia do que vestir que a deixasse espetacular. Acontece que qualquer coisa deixa esta loira espetacular! Mas ela queria algo único e ainda precisava falar com Stefan.

Depois de ligar outra vez para alguém, Irina disse que estávamos liberados da tarde de compras e podíamos ir para casa. Sabia que Emmett estava comemorando internamente enquanto seguíamos para o estacionamento do shopping. Já eu só queria chegar em casa, tirar esses sapatos e roupa e tomar um banho quente. Precisava relaxar e estava pensando seriamente em pedir a Emm outra massagem quando chegássemos.

[...]

Chegamos em casa quando já começava escurecer. Irina desceu do carro apressada, deixando todas as sacolas de compras para mim e Emmett. Não reclamamos, só queríamos entrar logo e descansar.

– Ei vocês dois, não subam. Deixem as coisas aí mesmo, acho que a mamãe já vai descer. – a loira avisou, parada no meio da escada. Deus as costas e subiu pulando alguns degraus.

– O que ela está aprontando? – Emm perguntou, jogando as sacolas com marcas das lojas sobre o sofá. Fiz o mesmo, bocejando logo em seguida.

– Não sei, só quero subir e tomar banho. Ganhar uma massagem, quem sabe... – dei um sorrisinho, passando meus braços em volta de sua cintura, colando nossos corpos. Emm sorriu malicioso, me dando um selinho.

– Ô pombinhos, já podem subir! – Irina apareceu no topo da escada e logo sumiu. Emm revirou os olhos e eu ri, segurando sua mão e o arrastando para cima.

Encontramos Carmen e Irina paradas na porta do quarto da minha cunhada. Seus olhares eram de expectativa. Havia sorrisos ansiosos em seus lábios e eu não entendia o porquê daquilo.

– Temos uma coisinha pra mostrar pra vocês. – Irina falou, sorrindo radiante. Pelo visto a animação das compras ainda não havia passado.

– Esperamos que gostem. Filho, carinho... – Car começou, com a mão sobre a maçaneta. Então ela a girou, abrindo a porta e revelando algo que eu não estava preparada pra ver.

De uma lado do grande quarto havia uma cama de casal posicionada bem embaixo da janela com pequenas cortinas brancas e transparentes. A colcha estendida minuciosamente sobre a cama, branca com detalhes em azul claro, era bonita e delicada. No criado ao lado dela estava um porta-retratos com uma foto de mim e Emmett no dia do Baile de Primavera. Além do abajur que antes ficava no quarto de Emm.

Porém, o que mais surpreendeu foi a arrumação cor-de-rosa e infantil do outro lado.

Um berço branco bem posicionado ao lado da parede, com colchão e travesseiros rosa. A cômoda da mesma cor do berço, ao lado, unida ao trocador. O pequeno guarda-roupa igualmente branco, com bonequinhas enfeitando as portas. Toda aquela parte tinha enfeites infantis, flores e bonequinhas. Também havia uma poltrona cor-de-rosa que parecia ter saído do quarto de uma princesa. Tudo ali parecia ter saído de um conto de fadas.

Caminhei lentamente até o berço, tentando absorver tudo aquilo. Tentando compreender se era mesmo real. Minhas mãos seguraram a grade, sentindo a textura da madeira. Arfei. Aquilo era demais. Senti as lágrimas escorrerem e molharem minhas bochechas. Não me importei em secá-las. Estava feliz demais, realizada demais, para esboçar qualquer reação. Me curvei sobre o berço, pegando uma almofadinha e a aspirando o cheiro sutil. Logo teria o cheiro da minha garotinha. Minha Spencer. Chorei mais, abraçando junto ao peito o pequeno objeto macio.

– Gostou, carinho? Não é pra você chorar, é pra ficar feliz. – Car tocou meu ombro. Nem havia percebido quando ela chegou ao meu lado.

– Eu... Eu estou feliz. Isso é... Ah meu Deus, nem sei o que dizer. É incrível, Carmen. – ela me abraçou, beijando minha bochecha em seguida e colocando uma mecha de meus cabelos atrás da orelha.

– E você, irmãozinho, o que achou? – Irina saltitou para perto de Emmett e só então o notei encarando de longe todo o local.

– Também não sei o que dizer. Vocês são mesmo reais? – ele sorriu, desacreditado no que via. Eu estava da mesma forma. Sentia que se piscasse tudo desapareceria.

– Já estava na hora de montar o quarto da minha netinha.- Carmen sorriu, indo até o filho e o abraçando. Ela recebeu um beijo na testa.

– Eu e a mamãe fizemos tudo juntas. Ela encomendou os móveis depois que escolhemos e combinou para que entregassem hoje bem cedo. Eu fiquei encarregada de enrolar vocês até que tudo ficasse pronto. Plano cumprido com sucesso. – Irina sorriu, batendo palminhas. Depois apertou a mão da mãe e as duas se abraçaram.

– Por isso você não desgrudava do celular. Estava falando com a mamãe o tempo todo. — Emm constatou e ela confirmou com um aceno de cabeça. — Espera aí, onde você vai dormir? – perguntou e então me lembrei de que este quarto era da minha cunhada.

– No seu antigo quarto, ora essa, gatinho! – falou como se fosse óbvio, fazendo Emm e Car rirem. – Não caberia a cama de casal lá com o berço e o guarda-roupa. Vocês não vão ficar se espremendo da cama de solteiro do Emm pra sempre, as costas das Rose não vão aguentar também. Então eu dei a ideia para mamãe de trocar, eu quase não durmo em casa mesmo. Quem sabe não compro meu apartamento logo? Ou melhor, vou morar com o Stef. – a loira piscou os olhinhos, apaixonada e sonhadora.

Não sabia nem o que dizer para agradecê-la. Irina estava cedendo o quarto espaçoso dela para dormir no que agora era o antigo quarto do irmão. Tudo para que ficássemos confortáveis juntos com nosso bebê. Não imaginava que o coração dela, já enorme, pudesse ser ainda maior.

– Obrigada Irina. De verdade, obrigada. – agradeci, ainda com os olhos marejados. Ela negou com a cabeça, vindo me abraçar.

Recebi seu abraço apertado, sentindo todo amor, carinho e familiaridade. Ela era a melhor cunhada do universo. Tão altruísta, meiga e gentil. Todos os Cullen eram. O que mais eu queria? Estava vivendo a vida perfeita. A vida que nunca imaginei alcançar. Devia tanto a eles que nem se agradecesse por mil anos seria suficiente.

– Não tem que agradecer, sua boba. Você é tipo uma irmãzinha caçula pra mim. Quero o melhor pra você, minha sobrinha e para o chato do meu irmão. – ela falou baixinho ao meu ouvido.

Sorri de leve, completamente emocionada. Então ela beijou minha bochecha e me soltou do abraço, passando um braço em torno do meu pescoço, me prendendo a si pelos ombros.

– Loira, suas roupas não vão caber todas no guarda-roupa do meu quarto. – Emm avisou, se lembrando da quantidade monstruosa de roupas, sapatos e acessórios que a irmã tinha.

– Sem problemas, gatinho. Encomendei um guarda-roupa de casal pra mim. Vai sobrar espaço naquele quarto sem aquela mesa com o computador que tinha antes. Aquele quarto vai ficar à minha altura, não se preocupe. – ela piscou para o irmão. – Ah, as roupas dos dois estão no closet. Vocês só tem que organizar como acharem melhor. O que compramos para Spencer depois nós arrumamos ali. – apontou o guarda-roupa de bebê atrás de si.

Se Alice soubesse que agora eu tinha um closet, mesmo que não fosse enorme, surtaria. Era o sonho da vida dela. Nunca me apaguei a esse tipo de coisa, mas estava radiante com isso. É aquele tipo de coisa que você nunca pensou em ter, mas quando ganha fica super empolgado.

– Ah, eu quero ver as roupas de bebê. – Car pediu, fazendo um biquinho fofo. Estava explicado de onde Emm tirava essas carinhas fofas. Ele era a versão masculina e enorme da mãe.

Irina se soltou de mim, pegou a mão da mãe e foi a arrastando para fora do quarto. Ainda dava para escutar ela falar o quão fofas eram as coisas que havíamos comprado e reclamar que eu não a deixei levar tudo, quando já tinham sumido de vista.

– Não acredito que elas fizeram tudo isso para nós. – Emm se aproximou de mim. Suas mãos circundaram minha cintura larga e seus olhos verdes me encararam intensamente. Irradiavam felicidade e emoção. Acima de tudo amor, puro e perfeito.

– Nem eu. Ainda estou sem palavras. Só obrigada não é nem um centésimo do que elas merecem. – ele assentiu, concordando. A almofada cor-de-rosa que antes eu segurava, agora estava de volta ao berço.

Emmett começou a me beijar. Primeiro meu pescoço, depois minha bochecha, até chegar aos lábios. Antes que ficasse incontrolável o parei, afastando meu rosto.

– Espera. Quero te mostrar uma coisa. – me virei, pegando minha bolsa que havia deixado cair no chão sem perceber. Tirei de lá o pacotinho com a blusa de bebê dos Lakers que havia guardado enquanto estávamos no carro. – Toma, abre. – entreguei a ele e esperei.

Emm me olhou desconfiado, mas fez o que pedi. Quanto estendeu o pequeno tecido, amarelo com detalhes em roxo, seus olhos brilharam e um sorriso acompanhado por um par de covinhas irresistíveis surgiu. Os batimentos do meu coração aceleraram simplesmente por vê-lo dessa maneira. Era tão lindo que chegava a doer.

– Comprou uma camiseta dos Lakers pra ela? – perguntou como se não acreditasse no que via bem a sua frente.

– Sim, é seu time favorito. Spencer vai torcer junto com você. – sorri, me aproximando dele e recebendo um abraço apertado e completamente seguro. – Queria te agradar, ursinho. – falei baixinho em seu ouvido, fazendo com que minha voz saísse manhosa.

Ele me apertou ainda mais em seus braços e senti meus pés saírem rapidamente do chão, mas logo o tocarem de novo.

– Já te falei que você é incrível? – perguntou, me encarando daquela maneira que deixava meus ossos moles como gelatina. Sentia meu corpo derreter e meu sangue aquecer. – Você é perfeita e eu te amo.

Seus lábios tocaram os meus e dessa vez não precisei afastá-lo. Poderia beijá-lo para sempre. Não ligava em ter que respirar, morreria sem ar só para poder não desgrudar dele. Só que contrariando minha vontade, o destino resolveu agir e eu não pude reclamar.

O destino não, Spencer resolver agir. Ela se mexeu outra vez, cutucando minha barriga. E pela risada de Emm e o modo como ele interrompeu o beijo de repente, ele também havia sentido, já que uma de suas mãos tocava minha barriga.

– Cara, eu senti! Foi rápido e leve, mas mesmo assim deu pra sentir. Finalmente. – ele sorriu contente, olhando o volume onde estava nossa filha. – Oi filha. – falou baixinho, afagando o local onde havia sentido o bebê mexer. Devolvi o sorriso, completamente satisfeita com o dia de hoje. – Tem como tudo ficar mais perfeito? – foi uma pergunta retórica, sussurrada próximo ao meu rosto. Seu hálito contra meu rosto me fez beijá-lo sofregamente.

Vocês dois! Venham jantar. Agora! – escutamos a voz estridente de Irina nos gritar e nos separamos aos risos.

De mãos dadas descemos rumo à cozinha, encontrando Eleazar já a mesa. Emm foi gritando o que havia acontecido no quarto, o que fez minha cunhada maluca pular e dizer que precisava ser a próxima a sentir Spencer. Tivemos mais um jantar perfeito em família e, cada vez mais, eu sentia que aquele era mesmo o meu lugar.

Notas finais
Então, o que acharam? Pra mim foi bem fofinho (: Eu preciso de um help! Alguém tem sugestões pra fantasia da Irina? Já conhecem nossa loira, não faço ideia de uma fantasia legal. Se puderem me ajudar, agradeço de coração. Não consegui por no capítulo, mas seria este o pedaço do quarto do bebê: https://www.espacodamamae.com.br/fotos_materias/P4300018.jpg Comentem e, se quiserem me fazer mais feliz, recomendem também ;) Beijo, beijo.