The Safe Place
43 Capítulo 43 – Tudo bem, até que...
Notas iniciais
Já era sexta-feira e eu não havia notado a semana passar tão rápido. Depois do episódio ridículo e cruel da minha volta ao colégio, Maggie continuou com suas provocações. Todas em vão, eu estava decidida a ignorá-la. Eu tinha coisas e pessoas muito mais importantes na minha vida para prestar atenção, não iria mais entrar em seu joguinho e chorar por isso.
Essa tarde, Irina estava agitada demais. Iria para casa de praia em La Push com Stefan esta noite e não parava de andar para lá e para cá, procurando coisas que afirmava faltar em sua mala. Uma viagem de apenas três dias, ela não precisava de tanta coisa, mas mesmo assim a grande mala cor de rosa estava lotada.
– Mãe, você viu aquele meu biquíni vinho? – A loira gritou, vasculhando o closet e atirando milhares de roupas de lá. Eu estava sentada na cama dela, apenas dobrando tudo que ela dizia “põe na mala, Rose”. – Mãe?! – tornou a chamar.
Carmen apareceu na porta com uma expressão de cansada, mesmo assim sorriu para a filha.
– Irina, são apenas três dias. Você já colocou uns dez biquínis nessa mala. Chega, não é?! A região é fria, talvez você nem consiga usá-los.
– Ai mãe, vira essa boca pra lá. Eu fiz dieta a semana inteira, com frio ou sem frio, vou usar. E, além do mais, o Stef disse que a casa tem piscina aquecida. Então se não der praia, tem piscina quentinha. – ela sorriu vitoriosa e empolgada pra mãe.
Car desistiu de botar um pouquinho que fosse de juízo na cabeça da filha e deu as costas para sair do quarto.
– Mãe? – Irina tornou a chamá-la, eu só observava as duas. – Você ainda não me disse se viu meu biquíni vinho.
– Última gaveta, Irina. Procure no fundo. – Car respondeu, e eu ri da cara que ela fez, como se fosse óbvio sua resposta. – E você, mocinha, nada de virar empregada dessa minha filha destrambelhada.
– Tá tudo bem, Car. Estou gostando de ajudar. – sorri, agradecida quando ela me deu um beijo na testa.
Minha sogra maravilhosa se foi, e eu e Irina voltamos ao trabalho de tentar guardar tantas roupas, que tinha certeza que ela não usaria, na mala. Iria sentir falta da minha cunhada maluca, mesmo que sua ausência fosse por pouco tempo.
[...]
Quando Stefan chegou para buscar Irina, Emmett desceu as escadas com a mala da irmã e eu fui com minha loira favorita até a porta de mãos dadas. Seu Eleazar beijou a testa da filha e pediu ao meu professor de biologia que cuidasse muito bem da filhinha dele. Car quis chorar, abraçando a filha e enchendo seu rosto de beijos. Eu sabia que era porque Carmen havia passado muito tempo sem ver Irina e tê-la de volta em sua casa agora, mas vê-la saindo, mesmo que por uns dias, lhe apertava o coração.
Emm foi o mais engraçado. Ele não queria de jeito nenhum demonstrar que sentiria falta da irmã. Foi o último a abraça-la, um abraço bem rápido por sinal. Mas antes mesmo que a loira chegasse perto do carro, ele correu até ela e a envolveu em seu grande abraço de urso, chegando a erguer Irina do chão. Foi lindo!
A casa acabou ficando mais silenciosa aquela noite. Até o jantar não foi cheio de conversas e risadas como era todos os dias. Todos nós estávamos sentindo falta da nossa loira doida e animada, apesar de fazer poucas horas que ela havia saído.
Por volta das 23h eu e Emm fomos para o quarto dormir. Não estávamos prestando mais atenção no filme de ação que passava na TV. Ele estava tão quieto, queria que falasse comigo, que sorrisse pra mim. Aquele sorriso de covinhas fofas que fazia meu coração acelerar e se aquecer. Mas respeitava seu tempo, sabia que os Cullen tinham uma ligação muito forte com a filha adotiva, principalmente Emm.
Emm resolveu tomar um banho antes de dormir e eu fiquei esperando na cama, já que havia tomado o meu antes do jantar. Enquanto esperava por ele, minha mente se direcionou a Alice. Ela havia chegado estranha no colégio esta manhã, estava com a expressão triste, apesar de tentar disfarçar constantemente. Eu a conhecia muito bem para saber que havia acontecido algo errado. Ela não quis falar, mesmo quando eu e Bells lhe perguntamos na saída. Então não insistimos, daríamos a ela o tempo que precisasse. No final, ela sempre nos contava.
Quando Emmett saiu do chuveiro, enrolado apenas numa toalha azul, quase tive um ataque do coração. Por alguns segundos esqueci como se respirava, piscava e até mesmo qual era meu nome. Eu sempre me surpreendia com sua beleza, com seu corpo forte e cada músculo dele. Tudo a minha disposição. Ele era meu, assim como eu completamente dele. Só este pensamento já me fez arrepiar.
As gotas de água em seu abdômen me desconcentravam. Meu olhar seguia o percurso que elas faziam escorrendo desde seus cabelos claros molhados até o peito largo. Senhor, eu realmente merecia aquele garoto todo pra mim?
– Ei Rose, está me ouvindo? – ele perguntou, estalando os dedos. Pisquei várias vezes e acho que minhas bochechas ficaram vermelhas.
– Oi? Desculpa, tava pensando. – menti descaradamente, mas acho que ele notou, já que deu aquele sorriso sedutor de canto que eu tanto amava e me deixava tremendo.
– Ham, sei. Eu estava dizendo que espero que a Irina ligue amanhã. – ele disse, terminando de se trocar. Mesmo vestido naquela bermuda comum, Emmett conseguia ser o cara mais lindo do universo.
– Ela vai ligar, ursinho. Ela prometeu, não fica triste, amor. – falei docemente, estendendo os braços para ele, que veio em minha direção.
Emm sentou na beirada da cama ao meu lado, me abraçando. Sua cabeça enterrada no vão do meu pescoço. Eu podia sentir sua respiração junto a minha e o perfume maravilhoso que vinha sua pele e cabelo.
– Você tá muito cheiroso, viu ursinho. – comentei, aspirando novamente se perfume embriagante e maravilhoso. Depositei um beijo singelo em seu ombro.
Emmett me apertou mais em seus braços, beijando meu pescoço. Não pude segurar o gemido que escapou de minha garganta e isso fez com que Emm distribuísse mais beijos naquela região. Minhas mãos deslizaram por suas costas, deixando aquele rastro quente de marcas vermelha, tão conhecido por nós dois. Eu sabia muito bem aonde aquilo iria nos levar.
– Você é muito espertinha, Rose. – Emm falou, agora me encarando. Seu corpo ainda estava sobre o meu, suas mãos agora seguravam firme meu quadril largo devido a gravidez.
– Eu? — fiz cara de confusa e ele riu, me dando um beijo rápido e mordendo meu lábio inferior.
–É, você mesma. Sabe muito bem como me animar. – respondeu, dando outro beijo no meu pescoço.
– Não é isso amor. Eu só estou tentando fazer você ficar melhor e desmanchar essa carinha triste, assim como você sempre fez comigo quando eu ficava mal pelo que meu pai fazia ou alguma bobeira do colégio. – respondi, segurando seu rosto entre minhas mãos.
Os olhos verdes de Emmett me prenderem por sei lá quanto tempo. Não importava, eu ficaria ali olhando para aquele par de joias cristalinas e verdes pelo resto da minha vida. Nunca me senti tão em paz, tão protegida, tão completa. Tudo isso causado pelo simples ato de encarar profundamente os olhos do meu garoto de covinhas.
– Você é perfeita, Rosalie. Eu sou o cara mais sortudo do mundo por ter você. – ele passou o dorso da mão por meu rosto. Fechei os olhos, apreciando a maciez do seu toque.
Eu não sabia onde uma garota cheia de problemas, tristezas, abandonada e repleta de marcas, poderia ser perfeita. Mas para ele eu era. Se Emm dizia isso, então eu acreditava. Não havia como duvidar da doçura e sinceridade de suas palavras.
Então ele me beijou e eu correspondi. Não havia como não corresponder, eu precisava dele, deu seu contato, tanto quanto de oxigênio. Não queria de sair de seus braços jamais, por mim fazia morada permanente ali.
Não precisava dizer que nossa noite foi perfeita outra vez. Estava me acostumando minha nova vida naquela casa, ainda mais dividindo a mesma cama com o amor da minha vida todas as noites.
[...]
A manhã de sábado foi mais feliz na casa dos Cullen – eu ainda aprenderia a chamar de “minha casa”.
Por volta das 11h Irina telefonou e foi aquela alegria. Carmen quem atendeu e foi um sacrifício fazê-la passar o telefone ao marido. Depois de muitos pedidos de cuidado e abraços, Emmett finalmente conseguiu pegar o telefone das mãos do pai e falar com a irmã. Ele pediu que ela tivesse juízo e eu pude ouvir Irina falando alto que o irmão mais novo era ele. Emm rebateu com o mesmo argumento de sempre: “Você sempre será minhas irmãzinha, loira”.
Por fim, eu pude cumprimentá-la e pedir que aproveitasse o final de semana e ela mandou um beijo para a sobrinha dela, me fazendo rir de sua certeza em relação ao sexo do bebê. Carmen mandou um último beijo e desligou. Depois disso o dia correu cheio de conversas e sorrisos.
Era incrível a forma que, mesmo longe, Irina era capaz de iluminar a casa.
[...]
Era quase sete e meia da noite quando a campainha tocou. Eu e Emm estávamos deitados no sofá maior da sala, assistindo Velozes e Furiosos 6 e comendo pipoca. Seu Eleazar cochilava na poltrona, mas acordou com o barulho da campainha. Carmen, que estava organizando a cozinha depois da bagunça que Emm fez tentando fazer a pipoca, veio atender.
“Informaram no colégio Forks High School que vocês poderiam saber sobre a adolescente Rosalie Hale.”
Escutei a voz de um homem mencionar meu nome e peguei o controle remoto das mãos de Emmett, abaixando o volume. Ele me olhou com cara de quem ia reclamar.
– Xii, eu ouvi meu nome. – falei baixo, tentando escutar a conversa que Carmen tinha com alguém na porta da casa.
– Sim, a Rosalie está morando aqui, senhor policial. – Carmen respondeu e eu gelei.
Policial? Mas porque raios a polícia estaria me procurando? Eu não fiz nada fora da lei que me lembre. Pelo amor de Deus, o que era agora? O medo e desespero estavam tomando conta de mim.
– Policial? Rose, o que tá acontecendo? – Emm perguntou, sussurrando pra mim. Eleazar parecia alheio à situação, quase cochilando outra vez.
– Eu não sei, mas estou com medo. – respondi, sentindo um arrepio percorrer meu corpo. Emm acariciou meu braço, como que tentando me passar segurança e tranquilidade.
Neste instante Carmen entrou na sala, mais dois policiais atrás dela.
– Rose, querida, pode vir aqui um instante? — pediu, docemente, mas ainda assim dava pra notar a preocupação em seu rosto.
Olhei para Emm e ele segurou minha mão. Meu rosto deveria mostrar todo meu nervoso. Ele se levantou comigo, logo seu pai estava acordado e atento, olhando confuso para nós.
– Carmen? – Eleazar pediu, ficando de pé e ajeitando a camisa.
– Querido, eles querem conversar com a Rose. – ela respondeu, fazendo o marido me olhar. Desviei o olhar, com medo do que estivesse pensando que eu havia aprontado e colei mais meu corpo ao de Emmett.
Fomos todos até a porta de entrada. Carmen e Eleazar ficaram mais atrás, observando, enquanto eu não soltava a mão de Emmett e esperava o que quer que fosse que aqueles dois homens fardados tinham a me dizer.
Seja lá o que fosse, a expressão deles não era boa. Eu estava com medo de que meu mundo perfeito com os Cullen desabasse nesse momento.
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