The Safe Place

32 Capítulo 32 – Isabella “Conselheira” Swan


Notas iniciais
Bom, apesar das diversas ameaças e revoltas, cá estou eu com mais um capítulo. Você aconselharam tanto a Rose indiretamente pelos comentários que resolvi transmitir isso pra ela através da Bella. Capítulo simples, mas tão essencial quanto os outros.

“De quantas maneiras um coração pode ser despedaçado e ainda continuar batendo?” – Lua Nova.

A música tocando em meu celular me despertou às seis e meia, como sempre. Desliguei e cobri a cabeça com a coberta. Eu não podia nem queria ir ao colégio. Eu simplesmente não podia encarar Emmett depois da cena de ontem.

Queria ter acordado hoje e imaginado que tudo não havia passado de um sonho, ou melhor, um pesadelo. Um pesadelo terrível e sufocante, mas que havia chegado ao fim.

Porém a vida não é tão simples assim e sonhos, sim, acontecem, mas se acabam também. E o meu, meu sonho mais perfeito já realizado, havia terminado. Emmett, a partir de agora, não seria mais parte da minha realidade.

Constatar isso fez os pedacinhos do meu coração, já estilhaçado, doerem. Cada fibra do meu corpo doía e me afundava no colchão. Respirar doía, física e emocionalmente. Se eu pudesse fazer o mundo lá fora se calar e esquecer-se de mim, faria.

Mas exatamente porque não posso é que ouvi o celular tocando.

Bells.

Ela devia estar preocupada, já que não dei sinal de vida ontem o dia todo.

–Alô? – pedi, atendendo.

–O que foi que aconteceu com você? Porque não ligou, mandou SMS, qualquer merda. Porra, Rosalie, eu a Ali já estávamos tendo um ataque! – falou ela, completamente irritada pelo meu descaso em dar notícias.

– Desculpa Bells. Eu não tava legal para ir ao colégio ontem. – respondi, como se fosse só isso. Quem dera se fosse — lamentei.

– Está melhor? Você vai hoje, né? – perguntou ela.

–Estou sim, mas não sei se vou. – ouvi quando Bella bufou irritada do outro lado da linha. Conhecia Isabella muito bem pra saber que era capaz de vir aqui e me arrasar pelos cabelos até o colégio.

–Como assim não sabe? Garota, eu acho bom você aparecer ou vou aí te buscar. Quer saber? Eu vou mesmo, se arruma agora. – ordenou ela.

–Bells, não, eu não posso ir. – minha voz como uma de uma garotinha fazendo birra.

–Me dá um ótimo motivo pra eu não ir aí e te enfiar na caminhonete. – exigiu. Bella tinha acordado mesmo decidida.

– Eu... – engoli o bolo que se formou em minha garganta. – É que eu terminei com o Emmett. – saiu mais um sussurro.

–Como é? Porque, Rose? Ele estava louco atrás de você ontem! – agora ela não soava autoritária, apenas queria entender o motivo de eu ter feito essa besteira gigante. Talvez me achasse louca. Bom, eu deveria estar mesmo.

– Prefiro te contar pessoalmente, mas não no colégio. Por favor, foi tão difícil ontem, não sei como ainda estou respirando, Bella. – senti as lágrimas retornarem e sabia que logo não controlaria o choro.

–Ô meu amor, não chora. Eu vou para o colégio assistir a primeira aula porque tenho que entregar uma resenha de um livro pra nota do estágio lá das férias, lembra?! Então, mas saio no primeiro intervalo e vou te buscar, okay? Vamos conversar na minha casa, mas não chora. – prometeu Bella, solidária.

Realmente, eu não podia querer mais nada tendo ela e Alice como amigas.

Alice.

–Bells, e a Ali? Vai deixá-la sozinha no colégio? – perguntei, me preocupando e sentindo pena da baixinha. Ela já odiava quando nossas aulas eram separadas, quando faltávamos, as duas então, nem se falava.

–Ela vai sobreviver. Tem a Ângela e a Miah. Fora que agora o Jasper tá mais próximo então ela tem o príncipe dela e o Emmett de companhia. Sozinha ela não fica. – afirmou Bells, completamente segura.

–Tá bom, mas não comenta nada com a baixinha sobre isso, tá? Deixa eu contar pra ela pessoalmente. – pedi.

–Okay, agora me deixa ir tomar café. Até logo Hale, fica calma aí. – Isabella se despediu e desligamos.

Joguei o celular no criado e fiquei encarando meus pés por um bom tempo. Depois tornei a olhar o celular. A janela, o teto. Tudo que havia naquele quarto. Queria conseguir me distrair, mas nada tinha esse poder sobre mim.

Só Emm. Ele tinha. Sempre teria essa habilidade mágica, incrível, de fazer o mundo ao meu redor não passar de um grão de poeira ou fumaça fina e dispersa. Fazer tudo desaparecer.

Resolvi que se queria tentar esquecer, pelo menos pelo tempo que Bella estava na escola, deveria ocupar minha mente. Então saí da cama, calcei os chinelos e dobrei as cobertas, deixando a cama forrada e organizada.

–Talvez lavar essas roupas seja uma boa. – comentei comigo mesma, enquanto juntava as peças que tinha deixado largadas no chão do quarto.

Isso aqui estava parecendo o quarto de Emmett. Como se um tufão tivesse passado por ali.

É, seria bem difícil esquecer. A cada coisa que via, fazia, falava, eu acabava associando a ele. Emm estava em todos os lugares. No casaco que me emprestou e ainda estava aqui, no bilhete que passou durante a aula de história e agora estava em cima do criado, na foto do dia do baile que Irina tirou, revelou e me deu de presente.

Simplesmente estava em todos os lugares pra mim. Era impossível ficar por 10 minutos sem pensar nele. Era impossível sendo que ele dominava minha mente e meu coração.

Desci as escadas carregando as roupas sujas e fui direto para os fundos da casa, deixá-las sobre a velha máquina de lavar. Quando Hector resolvesse sair do quarto dele, talvez pegasse as suas também.

Na cozinha, comecei a preparar o café. O relógio marcava 07h17min e o sol estava fraco naquela manhã, típico de Forks. O cheiro do café quente bateu contra meu rosto e despertou meu apetite. Meu estômago revirou com fome e agradeci mentalmente por não ter ficado enjoada quando acordei.

Tomei café, sozinha, comendo uma fatia de torrada. O tic-tac do relógio era irritante, parecia que o tempo passava mais devagar.

07h39min

Pouco mais de 20 minutos inteirinhos sem pensar em Emmett. E lá estava eu de novo.

Será que ele estava muito bravo? Muito triste? Desapontado com certeza. Será que estava fazendo a mesma força que eu para evitar pensar nele? Mas eu queria pensar nele, com todas minhas forças, para jamais esquecê-lo, tê-lo, pelo menos, em meus pensamentos. Eu só não queria sofrer mais. Fazia todo esse esforço para evitar despedaçar mais.

Vamos, Rosalie, você consegue se distrair por mais algumas horas até a Bella chegar. Depois você poderá desabar de vez no colo de sua melhor amiga. – pensei, indo até a pia e lavando a louça.

Em seguida fui até os fundos de casa e liguei a máquina, a deixando lavar as roupas por mim. Antes de jogar o moletom que já fora de Alice e uma calça jeans, chequei os bolsos. No da calça havia o ingresso da última vez que fui ao cinema com Emmett.

Eu realmente não iria escapar dele, de todas suas lembranças, tão cedo. E quer saber de uma coisa? Eu nem queria.

Guardei o papelzinho amarelado no bolso do short que estava usando. Só então lembrei que ainda estava praticamente de pijama. Voltei para dentro de casa e fui tomar um banho. Bells demoraria a chegar, eu tinha tempo de sobre.

E onde é o melhor para pôr os pensamentos em ordem? No chuveiro, é claro.

Esperava que Bella me entendesse. Alice queria que eu contasse a Emmett, mas não podia. Bella era a mais racional de nós, sempre pensando muito bem antes de agir. Ela compreenderia minha decisão, tinha que compreender. Eu precisava de alguém ao meu lado, não de julgamentos. Não que Ali fosse fazer isso, mas sabia que ela ficaria brava comigo quando soubesse. E, bem, no lugar dela eu faria o mesmo. Emm era bom demais, não merecia essa mentira, essa dor, esse meu comportamento.

Mas o que estava feito, estava feito. Não voltaria atrás.

Tudo isso teria que compensar no final. Ah, eu rezava pedindo a Deus para que sim.

Saí do chuveiro enrolada na toalha e fui procurar o que vestir. Calça jeans, blusa de mangas cumprida branca e tênis. Deixei a toalha no banheiro e saí do quarto, indo estender as roupas no varal. Quando passei pela cozinha vi Hector já acordado, tomando seu café da manhã. Passei em silêncio. Era sempre assim, sem bom dia ou qualquer troca de palavras ou sorrisos.

Por volta das 10h15min Bella estava buzinando na minha porta. Eu já havia estendido todas as roupas, organizado todo meu quarto e a sala, na esperança de ocupar a mente e afastar Emmett da cabeça. Tudo em vão, porque ele jamais sairia de lá.

–Bom dia, Bells. – a cumprimentei, entrando na caminhonete.

– E aí Rose, como você tá? – Bella me encarou, ainda estacionada.

–Como você acha? – minha expressão revelava tudo. – Péssima. – dei de ombros.

–Olha, eu to morrendo de fome. Vamos pra minha casa, você conta tudo enquanto eu como, ok? – ela sorriu e eu assenti. Percebi que Bells estava disposta a me animar.

Ela deu a partida e fomos. Tocava uma música baixa dentro do carro e eu permaneci em silêncio. O céu azulado estava começando a ser cobertos por nuvens. Tudo parecia mórbido pra mim.

–Bells, e a Ali? – perguntei, assim que chegamos à garagem da casa dos Swan. Bella e eu estávamos descendo da caminhonete.

– Ela ficou preocupada e pediu pra ressaltar que está completamente magoada por abandonarmos ela lá – ri de leve, imaginando a cara de indignação de Alice. Bella revirou os olhos. -, mas também pediu para que você ficasse bem e mandou um beijo pro seu filhote.

Tornei a rir. Só Alice mesmo.

Entramos na casa e encontramos Charlie saindo às pressas. Ele e cumprimentou, se despediu da filha dizendo que tinha uma emergência na delegacia e se foi. Bells e eu fomos para cozinha. Enquanto ela fazia café, me sentei à pequena mesa e começamos a conversar.

– Tá, pode ir me contando. Como assim terminou com o Emmett? – ela pediu, se sentando na cadeira de frente a mim.

Respirei fundo, sabendo que contar tudo, repassar o momento, seria dolorido demais. Mas eu já tinha feito isso. A noite toda, a manhã toda. Já tinha repassado o momento em minha mente como uma tortura contínua.

–Ontem, no fim da tarde, Emmett apareceu lá em casa. Eu não fui trabalhar, me esqueci completamente de Irina, da loja, enfim, de tudo. A gente já tinha meio que discutido antes sobre a faculdade. Bells, não tem mais hipótese alguma de eu ir pra Nova York. Eu disse isso pra ele, mas... – comecei a contar e Bella me observava.

–Mas não explicou o motivo real. – ela concluiu, me interrompendo. Assenti.

–Não podia contar, Bells.

–Podia sim, Rose. Você ainda pode, só não quer. Quer fazer tudo sozinha, está sendo mais cabeça dura que meu pai e olha que o chefe Swan consegue ser completamente teimoso e orgulhoso quando quer. – Ela disse, convicta. E ela estava certa, eu estava mesmo sendo teimosa e orgulhosa.

– Você sabe o que vai acontecer se eu falar. – desviei o olhar para minhas mãos, que mexiam na toalha de mesa, nervosa.

– Duas coisas podem acontecer: a primeira é o Emmett surtar e falar pra você se virar sozinha. A segunda é ele dizer que está do seu lado, vocês sentarem e repensarem seus planos. Há faculdades por perto, Rose. Em Seattle mesmo. E você sempre disse que a família do Emmett é tão carinhosa, acolhedora. Acha mesmo que eles vão deixar os dois na mão? Pelo pouco que eu conheço do Emmett posso afirmar que a primeira opção jamais passaria pela cabeça dele, nem de longe. – Bella afirmou convicta.

Ela se levantou e pegou uma xícara de café para ela e outra pra mim, mas eu estava sem apetite.

–Você tem razão, Bells, você sempre tem razão. Mas, mesmo assim, eu ainda sinto que estou fazendo a coisa certa pra ele. Não sei se teria coragem de olhar nos olhos da Carmen e contar isso.

–E você não está trabalhando na loja da filha dela? Mais dia, menos dia, a Irina vai perceber. – ela avisou.

Isso é verdade, mas até lá daria para disfarçar, juntar dinheiro. Talvez não fosse tão difícil arrumar outro emprego por aí.

–Rose, você sabe que eu e a Ali vamos ajudar em qualquer coisa que precisar, certo?! E tem esse lance todo com seu pai... – ela continuou a falar, vendo que eu permanecia em silêncio, perdida em meus próprios pensamentos, retendo tudo que me dizia. – Sabe, se for o caso, você pode morar aqui. Acho que meu pai não iria encrencar com isso. – ofereceu, tomando um gole de café.

–E o que o chefe Swan acha de adolescentes grávidas na casa dele? – brinquei, tentando disfarçar a confusão em minha cabeça, e Bells fez uma careta. – Obrigada Bella, pelos conselhos, por me ajudar. De verdade, obrigada. – agradeci sinceramente, segurando sua mão. Bella piscou para mim e eu sorri.

– Então? – incentivou ela.

–Eu ainda não sei, preciso pensar mais um pouco. Ou melhor, muito mais. Está tudo tão confuso. – escondi meu rosto nos braços, apoiados na mesa.

–Está tudo tão confuso porque você quer. Já disse o que é melhor a fazer. Mas infelizmente eu não posso decidir por você, nem entrar na sua cabecinha. – ela cutucou minha cabeça. – E outra, você precisa relaxar. Está tentando achar muitas soluções para o futuro, Rose. Pensa no que fazer agora, em primeiro lugar. Amanhã é amanhã. – ela disse, daquele jeito de quem tem a voz da razão. E, se for parar pra notar, Isabella tinha mesmo.

–Já pensou em ser analista, psicóloga, algo do tipo, Bella? – perguntei, erguendo a cabeça, brincando.

–Rá-rá, engraçadinha. Sabe que meu dom é pra escrever. Talvez eu devesse escrever uma história em que a personagem principal é cheia de dúvidas e insegurança, e que soluciona tudo através de seu orgulho e teimosia gigantesca. O nome dela podia ser Rosalie, o que acha? — falou, com seu olhar superior.

–Nossa, como você é criativa! — revirei os olhos, mas não consegui evitar a risada no final.

–Vai tomar esse café aí, Hale? – ela perguntou, mudando de assunto. Neguei e ela pegou a xícara, bebericando.

– Isso aí se chama vício, sabia? Não sei como você aguenta tanto café, Bella.

– Minha mente é alimentada de cafeína e criatividade, meu bem. Isso aqui é minha fonte de energia. – ela riu, tornando a beber e eu neguei com a cabeça, rindo de leve daquela maluca.

Isabella era um poço de criatividade e juízo, cheia de romances e conselhos, prontos para serem espalhados pelo mundo. E eu amava cada detalhe da minha amiga-irmã.

Depois eu e Bella subimos para seu quarto. Ela havia modificado alguns detalhes do último capítulo escrito até agora de seu romance e queria me mostrar. Isso serviria para me distrair, apesar de parecer impossível quando suas palavras tomavam conta de cada canto de minha mente.

Havia mesmo um modo mais fácil de fazer minha vida funcionar? Eu havia errado tanto assim escondendo e terminando com Emmett? E se eu resolvesse mudar de ideia e contar, ele entenderia? Perdoaria minha total falta de consideração e confiança?

Ah Rose! Que droga você está fazendo com sua vida?

Eu não tinha resposta para nenhuma dessas perguntas.

Notas finais
Então, como foi? Quero comentários, please. Acho que todas estão querendo saber quando eles voltam, né? Bom, não vai demorar tanto, só isso que vou dizer. Não me abandonem, tá? Beijinhos.