The Safe Place
33 Capítulo 33 – Aceite as Consequências
Notas iniciais
–Isso é tortura, Isabella. Sabia que eu posso te denunciar, né? Me fazer ir pro colégio depois do que te falei ontem é tipo um crime. – murmurei, me sentando no banco do carona ao lado de Bella.
Ela veio me buscar para o colégio alegando que se eu não parecesse na Forks High School de boa vontade então me arrastaria pelos cabelos. Fazer o que? Eu teria que encarar Emmett, afinal eu não podia mudar de escola e queria me formar.
–Sem drama, Hale. Se eu não viesse, A Alice viria. Quer encarar a fúria da baixinha na sua porta logo cedo? – brincou ela, começando a dirigir a velha a amada caminhonete laranja.
–Não, não. No colégio é melhor, tem testemunhas. – falei, entrando na brincadeira.
A conversa com Bella ontem havia me ajudado muito. Podia não ter dado soluções para os problemas que eu mesma estava causando e aprofundando, mas passar a manhã e boa parte da tarde com ela havia me ajudado e muito. Eu estava me sentindo mais leve e aliviada. Eu sabia que sempre poderia contar com Bella e Alice, tê-las me apoiando fazia toda diferença.
Eu poderia ter o apoio de Emmett também se quisesse, mas eu preferi agir assim.
O mais difícil do meu dia foi ir trabalhar. Cheguei à loja de Irina e dei minha melhor desculpa. Falei que não estava me sentindo bem e por isso faltei os dois dias anteriores. Também me desculpei por não avisar, mas ela não se importou.
–O Emm me contou que vocês terminaram, Rose. – expôs ela, antes mesmo que eu pensasse em algo a mais para dizer e completar minhas desculpas lavadas.
–Irina, eu... – até tentei pensar em algo que explicasse minha cara de pau em terminar com o irmão dela, faltar dois dias e ainda vir trabalhar como se nada tivesse acontecido.
Porém não foi preciso.
–Não precisa explicar nada, Rose. Me partiu o coração ver a cara do meu gatinho quando cheguei em casa e ele me contou. Mas eu não posso interferir isso é coisa de vocês. – disse, suspirando. – E, pela sua carinha, vejo que você também não está muito legal. – ela se aproximou de mim, passando a mão em meu braço.
–Irina, me desculpe. Eu vou entender se você... – ela nem me deixou terminar.
–O que? Te demitir? Jamais. Você é uma ótima funcionária e amiga, Rose. Não vou te demitir, sei muito bem separar as coisas. Só lamento não poder te chamar mais de cunhadinha. – seu sorriso saiu um tanto forçado. A loira estava tentando esconder sua expressão de decepcionada.
–Obrigada Irina. E eu... Eu sinto muito, de verdade. Não queria magoar seu irmão e te decepcionar. – pedi, colocando uma mecha do meu cabelo atrás da orelha.
Irina me abraçou e sussurrou um “está tudo bem” em meu ouvido. Então não dissemos mais nada. Eu sabia que se ela pudesse me levaria até Emmett e faria nós dois reatarmos de novo. Eu mesma queria muito isso, só que não achava que fosse possível.
Passamos a tarde meio que em silêncio. Ela queria me dar espaço para pensar, tinha certeza, e eu queria muito por meus pensamentos em ordem. As palavras que Bella havia dito pela manhã, uma a uma, estavam sendo repassadas em minha cabeça.
E foi assim a parte difícil do meu dia anterior. Mas, com certeza, essa parte nem se compararia a esta manhã. Chegar ao colégio e ter que ver Emmett seria doloroso demais. Eu não queria, mas não tinha como fugir.
Então, quando Bella estacionou, respirei fundo e desci da caminhonete. Ela deu volta e parou do meu lado, sorrindo docemente e segurando minha mão. Eu jamais saberia agradecer a Isabella da forma que ela merecia.
Dei graças a Deus quando ouvi no corredor que estava tendo reunião do time. Ótimo, eu teria pelo menos as duas primeiras aulas para me preparar longe de Emmett.
–Parada aí! Onde você pensa que vai? – a voz autoritária da baixinha me fez parar antes mesmo de entrar na classe de biologia.
–Eu acho que tenho aula aqui e a senhorita também, não é? – me fiz de desentendida para brincar com ela.
– Ah Rosalie Hale, como você é engraçada! Eu senti sua falta. – Alice quase pulou em meu colo. Seu corpo pequeno colidiu com o meu, me fazendo dar alguns passos para trás.
Ela afundou o rosto na curva do meu pescoço e eu fiquei com medo de que ela fosse chorar. Alice seria sempre Alice, sempre assim, extremamente amorosa.
–Também senti sua falta, mas você vai entender quando eu te contar. – falei, me soltando de seu abraço apertado.
–Contar o que? – a preocupação e curiosidade passando por seus grandes olhos cor de ameixa. – Rosie, não aconteceu nada com o be... — tapei a boca dela antes que terminasse de falar.
–Ali, não fala disso aqui. E vira essa boca pra lá, tá tudo bem. É sobre mim e o Emm. – suspirei, olhando em volta. Sentia que a qualquer minuto ele poderia passar por ali e eu teria que cavar um buraco para me esconder. Eu havia sido tão cruel com ele, não coragem de olhar em seus olhos. Aqueles lindos olhos verdes que eram minha perdição.
–Você contou pra ele? – Ali perguntou, diminuindo o tom de voz.
–Não, na verdade... Eu, é... – engoli o bolo na garganta que estava me fazendo gaguejar. – Na verdade eu terminei com ele, Ali.
–Você o que? – ela quase berrou, o que fez alguns alunos nos encararem.
–Ali! – a adverti, fazendo sinal de silêncio em seguida. – Por favor, eu te conto tudo depois. Temos que ir pra aula. Não fica brava comigo, tá? Por favor, baixinha. – pedi, envolvendo sua mão com as minhas.
–É muita informação pra assimilar logo cedo, mas eu vou tentar não surtar até o intervalo. Ai, ai Rosita, não sei se te abraço de novo ou dou um peteleco na sua cabeça. – ela riu.
Acabei rindo de leve também e fiz minha melhor carinha de carente. Alice não perdeu tempo e me abraçou de novo. Só então percebi meus olhos marejados.
–Que droga, eu não quero chorar agora. Vamos entrar vai, o professor Stefan está vindo. – falei, vendo nosso professor de biologia se aproximar.
Alice e eu entramos. Miah não estava lá, mas o garoto novo sim. Bella, que chegou minutos depois do professor, pediu desculpas pelo atraso. Ela estava conversando com o professor de literatura sobre mais um possível estágio com um amigo escritor dele. Eu ficava cada dia mais orgulha dela a vendo correr atrás de seus sonhos.
–Muito bem classe, as férias acabaram e nada melhor para animá-los pra mais um semestre que um bom e detalhado trabalho, não é?! – o professor Stefan começou, num tom animado e irônico ao mesmo tempo.
A sala irrompeu em lamentações teatralmente exageradas. Eu não ligava de ter que fazer trabalhos desde que não precisasse apresentá-los para sala toda. Falar em pública não nada meu forte, eu travava e esquecia tudo que havia ensaiado.
–Sem reclamações gente, estou sendo bonzinho ainda deixando que façam em dupla. E quando digo dupla é uma dupla, de dois, sabe? Não três, quatro ou qualquer quantidade além. Estendidos? 10 minutos para escolherem seus pares enquanto passo o tema e o prazo de entrega. – ele terminou, alguns alunos estavam rindo.
Foi só o professor Stefan se virar que o burburinho começou. Alguns ficaram de pé indo até carteira do outro para conversarem, outros combinavam a dupla simplesmente chamando o amigo, quase que gritando.
Eu, Bella e Alice nos entreolhamos. Ótimo, alguém ia ficar sobrando.
– Olha, eu faço sozinha se for problema ou sobrar alguém na sala. – Bella se ofereceu e Alice fez careta.
–Mas isso é sacanagem, Bellinha. – seu narizinho estava franzido e ela ficava adorável fazendo carinha de insatisfeita.
–Ah Ali, é o jeito. Eu não... – a fala de Bella foi interrompida pela voz de Jasper. Ele parou ao lado da mesa de Alice e nos cumprimentou, dirigindo um sorriso mais que simpático para a baixinha.
Vi as bochechas de Alice corar e ela desviou o olhar, envergonhada.
–Alice, será que você quer fazer esse trabalho comigo? Se já tiver dupla eu entendo, não tem problema. – ele sugeriu, com as mãos apoiadas na mesa dela.
Sabe o gato de Alice no País das Maravilhas? Então, o sorriso dele não chega nem perto do sorriso radiante da baixinha quando Jasper Whitlock lhe fez esse convite.
–A gente tava discutindo isso agora mesmo, uma de nós ia ficar sobrando, não é Alice? – Bells insistiu vendo que Ali não respondia.
–Ah é c-claro. – Ali gaguejou, voltando a realidade.
–Então, topa Alice? – ele lhe lançou outro sorriso amável e tinha certeza que o coração da baixinha estava como chocolate derretido.
–Tudo bem. – foi só o que ela conseguiu falar. Jasper piscou e voltou para seu ligar, do outro lado da sala.
E foi aí que Ali quase entrou histeria, mas se controlou porque estávamos numa sala cercada de alunos. Bella até comentou que era estranho Jasper não fazer o trabalho com seu melhor amigo, Liam, como sempre, mas isso não abalou Alice. Ela estava tão feliz que parecia flutuar, quase quicando da cadeira.
Edward e Emmett não estavam na sala, estavam na reunião do time que, pelo visto, só exigia a presença de alguns dos jogadores, já que Jasper e outros garotos faziam parte, mas estavam na sala. Concluí que os dois fariam juntos, não deixando de lamentar que poderia ser eu a passar algumas tardes jogada no tapete de seu quarto com o notebook dele no colo, rindo de suas reclamações enquanto tentávamos nos concentrar no tal trabalho.
Suspirei, não queria pensar nisso agora, não no colégio. Esperaria chegar em minha casa e desabaria na cama, sozinha, sem restrições quanto a derramar minhas lágrimas.
–Então, ficamos nós. – Bells fechou a mão em punho e eu fiz o mesmo, chocando nossas mãos num cumprimento.
–Certo, agora silêncio classe. Todas tem um par? – o professor perguntou, se virando para nós.
Todos olharam para trás, inclusive eu, quando alguém coçou a garganta e levantou a mão. Era o aluno novo, Jacob Black.
–Temos um número ímpar de alunos na sala, pelo visto. Nesse caso uma das duplas será um trio. Quem vai ser? – Stefan pediu, mas ninguém se manifestou.
Ninguém falava com Jacob Black, não era de se estranhar que ninguém o quisesse na dupla. Porém não tinha como conhecê-lo se não déssemos oportunidade pra isso. Encarei Bella com uma sobrancelha arqueada, ela assentiu entendendo.
–Ele pode fazer com nós duas, professor. – ela disse, erguendo a caneta na mão para chamar atenção e apontando para mim em seguida.
Não houve objeções e o professor seguiu com a aula. Olhei para trás e lá estava ele nos encarando. Ou melhor, me encarando. Seja lá que tipo de pessoa Jacob Black fosse, esperava que fosse bom em biologia ou no mínimo esforçado.
[...]
Alice até tentou me arrastar para o banheiro assim que o sinal do intervalo soou, mas sua tentativa de extorquir qualquer palavra sobre meu término com Emmett foi interrompida por Miah. A loira com mechas cor de rosa nos entrou no corredor e nos arrastou para cantina. Sem chances, Alice!
Sentia meu coração e respiração acelerados assim que nos aproximávamos da cantina. Se Emmett estivesse lá, eu conseguiria encará-lo? A resposta era óbvia e vergonhosa: Claro que não.
Mas ele não estava lá. Sentamos numa mesa, a que ficávamos quase sempre, mais afastada do movimento dos alunos populares. Jasper também se juntou a nós e quando o aluno novo passou por perto Bells sugeriu chamá-lo, mas saia que ele não aceitaria. Acabou que o vimos sair pela porta que dava para o estacionamento do colégio.
– Ei Rose, cadê o grandão do seu namorado? – Miah perguntou, enquanto comíamos.
Olhei para Bella e engoli o bolo em minha garganta. Eu não iria dizer que havíamos terminado, ninguém tinha nada com isso. E eu, provavelmente, choraria na frente deles.
–Eu não sei, Miah. – foi só o que respondi, dando de ombros.
–O Emmett está na reunião de time. O treinador chamou alguns alunos, os melhores do time, pra conversar sobre a bolsa pra faculdade. Os olheiros de algumas universidades estarão aqui quando o campeonato começar. – Jasper explicou e Miah assentiu.
–E você não está lá por quê? – Essa foi Bells.
Era engraçado que Bella conseguisse falar mais com Jasper do que Alice que realmente estava interessada nele. A baixinha era faladeira de carteirinha, mas quando se tratava do garoto dos seus sonhos as palavras simplesmente sumiam.
–Eu só jogo pra agradar meu pai. Ele era jogador destaque do colégio quando estudou aqui e queria que eu seguisse seus passos. Mas covenhamos, eu sou péssimo. Sou reversa em todos os jogos, vou conseguir a bolsa pelas minhas notas. – ele riu no final da explicação.
Alice o encarava como se ele fosse o melhor e mais interessante programa de televisão. Jasper lhe mandou um sorriso e piscou para ela. Só assim para Alice desviar o olhar e corar. Ela conseguia ficar mais fofa assim e tenho certeza ter notado um brilho diferente nos olhos do Whitlock.
Quando achei que poderia relaxar, que não encontraria Emmett por aqui tão cedo, lá estava ele. Edward vinha a seu lado, sorrindo e falando, Emm parecia só escutar, mas não prestar atenção.
–Olha seu namorado, Rose. – Miah apontou com a cabeça, me fazendo encará-lo ainda mais sem nem disfarçar.
Foi então que nossos olhares se cruzaram e eu senti meu corpo todo tencionar. O ar de repente faltou em meus pulmões e minha boca ficou seca. Eu queria correr e chorar, chorar muito. A presença de Emmett deixava todo meu corpo aquecido, mas seu olhar congelava meu coração. Era duro, frio, desapontado. Ele tinha raiva de mim, eu tinha certeza.
Mas o que eu poderia querer? Eu o magoei de pior forma possível, me afastei, menti. Depois de todas as promessas, de todo amor que compartilhamos e de todos os sonhos. Eu estraguei tudo e só poderia esperar que ele me odiasse mesmo.
“Poderia ser de outra maneira, você poderia contar para ele a verdade.”
As palavras que Bella me dissera mais uma vez reverberando minha mente. Como eu era teimosa! Mas agora não tinha volta, tinha?
Ele não iria me perdoar por mentir e esconder dele algo tão grande. Eu tinha cavado minha própria cova e tinha que me acostumar com ela.
Desviei o olhar e Bells, ao meu lado, segurou minha mão. Acho que todos na mesa sentiram o clima tenso. O silêncio tinha se instalado ainda mais pesado quando Emmett passou por nós, direto, indo para uma mesa com Edward e outros garotos que já estavam lá. Pelo menos não era a mesma mesa de Maggie.
Sentia meus olhos arderem e fiquei de pé. Andei o mais depressa possível para fora dali, deixando Miah e Jasper com expressões confusas. Notei Bella e Alice vindo em atrás de mim.
–Rosie, calma, não chora. – Ali entrou logo atrás de mim no banheiro.
Encostei na parede fria e soltei o ar que estava preso em meus pulmões. As lágrimas saíram junto e cobri o rosto com as mãos.
–Eu estraguei tudo, Ali. Tudo que a gente tinha. Tudo! Ele me odeia, você viu? Dá pra ver nos olhos dele. – minha voz saiu esganiçada por conta do choro, meu rosto devia estar vermelho.
–Foi você quem preferiu assim, Rose. Agora vai ter que encarar as consequências. – Bella falou séria, mas eu não estava mais com paciência para seus conselhos.
–Chega Bella, eu já sei disso! Que droga, eu não aguento mais a culpa me consumindo e vocês me julgando. Eu já entendi ok?! – tentei não gritar, mas não estava controlando meu tom de voz. Saiu duro e mesquinho. Elas eram minhas melhores amigas, estavam me ajudando mais do que nunca eu estava gritando com elas.
Bella suspirou e cruzou os braços, encostando-se a parede. A careta séria de Bella não chegava nem perto do que me causou ver a cara de tristeza de Alice. Que droga, como eu pude dizer isso?
–Ai meu Deus, desculpa, desculpa. Eu estou nervosa, por favor, me desculpem. Vocês não estão me julgando, estão tentando me ajudar, eu sei. Me desculpa Bella. – implorei, passando as mãos pelo rosto, nervosa.
Isabella deu de ombros e veio até mim, me puxando para seu abraço caloroso. Alice se juntou a nós e logo estávamos naquele braço coletivo que tanto amávamos, a única diferença é que eu estava no meio delas.
–Desculpe Ali. – pedi. Minha mão procurou a dela e quando achei entrelacei nossos dedos.
–Tudo bem, Rosie. – ela sussurrou e podia adivinhar que ela estava de olhos fechados.
Não sei quanto tempo ficamos assim, mas quando o sinal tocou tivemos que voltar para a classe. Por sorte eu teria as próximas aulas com Alice, mas sem Bella e com Emmett.
Respirei fundo, lavei o rosto e saímos juntas. Miah nos encontrou outra vez em um dos corredores e perguntou o que havia acontecido. Eu disse que estava tudo bem, mas ela não me pareceu convencida. Então eu e Alice seguimos por aquele corredor e Bella foi com Miah para outro. Ele ainda não estava lá quando entramos, mas eu já sentia meu coração apertar outra vez por ter que passar horas dentro de uma sala com ele tão perto e tão longe ao mesmo tempo.
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