The Safe Place
31 Capítulo 31 – Destruindo Nosso Lugar Seguro
Notas iniciais
Eu era covarde. Completamente covarde.
Não tinha coragem de ligar para Emmett e pedir que viesse ter uma conversa séria comigo. Também não tinha coragem de ir até sua casa, nem de vê-lo no colégio. E foi por esse motivo que faltei hoje. Pouco me importava perder as aulas de hoje, levar falta ou que a secretária do colégio pudesse ligar pra cá para saber o motivo que me fez não cruzar os portões da Forks High School. Hoje eu não estava me importando com nada disso.
Eu só me importava agora com Emmett e em como ele ficaria com raiva de mim e decepcionado com o que eu estava para lhe dizer. Mas nem que eu ensaiasse na frente do espelho milhões de vezes tornaria o momento mais fácil ou menos doloroso. Era impossível. Eu já sentia meu coração começar a se rasgar e Emm ainda estava há quilômetros de distância de mim.
Talvez fosse isso. A distância. Meu coração não suportava a ideia de ficar longe de Emmett, nem qualquer parte do meu corpo. Meu cérebro não conseguia imaginar uma vida inteira mais sem ele. Eu não sabia se conseguiria viver, mas teria. Teria que viver pelo filho, pelo nosso filho.
Pelo menos eu teria esse pedacinho de Emmett comigo.
E como seria ir para escola todos os dias, vê-lo e fingir que ele não existe? Cruzar com ele pelos corredores e não encará-lo? Chegar todas as manhãs e não receber seu beijo de bom dia?
Ah, eu não era nem um pouco forte para aguentar isso.
Mas não seria por muito tempo. Quando minha barriga começasse a me denunciar teria que parar de ir às aulas ou todo meu esforço em manter em segredo seria em vão.
E eu demoraria a voltar a estudar novamente já que a prioridade seria cuidar do bebê. Quanto ao meu pai... Teria que encontrar a melhor maneira de possível de lhe contar e convencer-lhe a não me expulsar de casa, o que tinha quase certeza que ele faria.
Quanto a meu emprego na loja de Irina... Ela ainda me deixaria trabalhar quando soubesse que eu não namorava mais seu irmão? Lógico que sim, Irina era completamente justa e compreensiva, ela não misturaria assuntos pessoais com os de trabalho. Mas até quando eu conseguiria esconder a gravidez dela?
Não importava, eu juntaria todo meu salário no máximo de tempo que conseguisse trabalhar lá. Depois teria que dar meu jeito. Sim, eu contava desesperadamente com um milagre!
Ah, como queria minha mãe aqui. Ela saberia o que fazer, o que me dizer e como me ajudar.
Passei a manhã toda planejando o que fazer da minha vida até que deu meio dia e desci para fazer o almoço. Enquanto começava a preparar o arroz, meu pai chegou com várias latas de cerveja e as guardou na geladeira, pegando apenas uma e indo se jogar no sofá.
Terminei de preparar o arroz e o bife, coloquei os pratos na mesa, peguei uma garrafa de refrigerante pequena na geladeira e mais uma cerveja para meu pai.
–Pai, já tá pronto. – o chamei da cozinha, me sentando à mesa.
Comemos em silêncio como sempre fazíamos. Já era muito bom de uns tempos pra cá conseguirmos nos sentar juntos, a última briga feia já havia sido esquecida.
Terminei antes dele e comecei a lavar a louça. Em nenhum momento ele me perguntou por que não havia ido à aula essa manhã, talvez nem tivesse percebido. Quando a cozinha estava organizada, subi para meu quarto.
Estava com vontade comer doce, chocolate para ser mais específica, mas não tinha nenhum aqui. Em algum lugar na minha mochila deveria haver uma bala ou algo do tipo, Bella sempre estava mascando chicletes e, vira e mexe, me dava um. Enquanto procurava, acabei encontrando meu celular no meio dos livros.
7 ligações perdidas, 2 de Bella, 2 de Alice e 3 de Emmett. 3 mensagens de texto, uma de cada um deles.
“Hale, onde você está, garota? Liga de volta assim que puder. Beijo, Bells”
“Rosie, estamos preocupadas. Porque faltou? Atende o celular, por favor. Beijinho, Ali”
“Amor, cadê você? Por que não quer atender e não veio à aula? É por causa de ontem? Me desculpe, vamos conversar. Emm”
O celular estava no silencioso e eles morrendo de preocupação. Alice e Bella com certeza arriscariam em suas mentes que eu tinha faltado por ter passado mal, já Emmett pensaria que eu estava o evitando. Ele estava certo em partes se pensasse assim. Eu não estava evitando ele, estava evitando o momento que teria que afligir a nós dois.
Coloquei o celular sobre o criado ao lado da cama e resolvi ocupar minha mente lendo. Peguei o livro que Alice me dera há um tempo, Se Eu Ficar, e comecei a ler, deitada na cama. O livro era super-romântico, mas também dramático e Ali não gostava de dramas, na verdade ela nem gostava muito de ler, os únicos livros da estante dela era a coleção de Pretty Little Liars, cheia de mistérios e garotas fabulosas.
Acabei adormecendo enquanto lia, já que acordei sobressaltada com o toque do celular. De joelhos sobre o colchão, me estiquei até o criado onde estava o celular e o peguei, vendo uma mensagem de Emmett. Já passava das quatro da tarde.
“Estou chegando aí, pode sair? Minha irmã avisou que você não foi trabalhar. Precisamos conversar.”
Ah meu Deus, Irina! Como é que esqueci que tenho emprego? Tinha que ligar para ela depois e me desculpar, inventar uma desculpa qualquer. Seria mais fácil contando com o fato de que não fui para o colégio também.
Substituí o short que vestia por uma calça jeans e desci as escadas. Enquanto bebia um copo de água a campainha tocou e senti cada fibra do meu corpo gelar. Eu não sei se conseguiria fazer isso.
Deixei o copo na pia e fui rapidamente abrir a porta, antes que meu pai saísse de seu quarto e resolvesse “dizer olá” para Emmett.
–Rose, eu estava preocupado, amor. Você está bem? – Emm me puxou para um abraço apertado assim que abri a porta e minha única reação foi abraçá-lo também. Afundei a cabeça sem eu peito e absorvi seu aroma delicioso, talvez fosse a última vez que fizesse isso.
–Eu não me senti muito bem hoje, me desculpe. Vou ligar e me desculpar com a Irina. – falei. Ele segurava minhas mãos agora, olhando para meu rosto. Não conseguia encará-lo com o que estava prestes a fazer.
– O que você tinha? – perguntou ele, a preocupação ainda não tinha deixado seu tom de voz.
Como é que eu conseguiria partir o coração dele? Seria o maior pecado cometido por mim.
–Nada, já passou. – respondi. – Emm, será que podemos ter uma conversa séria? – pedi, olhando em seus olhos dessa vez. A preocupação dobrou em seu olhar esverdeado.
– Claro, é sobre a faculdade? Rose, olha, eu queria me desculpar por ter ficado nervoso com você sobre isso. Não quero te pressionar a ir comigo, você tem que tomar suas próprias decisões. Eu só pensei que... – ele desandou a falar, visivelmente nervoso.
–Não Emm, não precisa se desculpar. Não é só sobre isso que quero falar. Vamos dar uma volta, okay? – ele assentiu, soltando o ar que prendia pelo nervosismo e concordando com minha sugestão.
Fechei a porta da frente de minha casa e me pus a andar ao lado de Emmett. Ele segurou minha mão, entrelaçando as nossas.
Ah Emm, não torne esse momento mais difícil pra mim. – lamentei em meus pensamentos.
Caminhamos até uma praça que havia perto de minha casa. Algumas crianças se divertiam no parquinho, os adultos conversavam, um cara vendia algodão-doce. Sentiria falta de ir ali com Emmett, caminhar de mãos dadas e até de quando ele insistia em me empurrar no balanço.
Respirei fundo, parando de andar. Emm também parou, apertou minha mão e se pôs a minha frente, esperando eu começar. A hora de acabar com uma das melhores coisas que havia acontecido em minha vida havia chegado e eu queria chorar. Minha garganta já estava se fechando e tive que tomar ar algumas vezes para conseguir pronunciar uma palavra sem engasgar.
Soltei a mão de Emm e coloquei minhas mãos no bolso do casaco que vestia. Ele suspirou insatisfeito. Eu queria gritar para ele que aquele meu afastamento estava doendo mais em mim do que nele, queria gritar o motivo disso tudo e pedir que me ajudasse, que não saísse do meu lado. Mas eu não podia.
–Rose, me fala o que está acontecendo. – ele pediu, espalmando a mão grande e quente em meu rosto. Dei um passo para o lado.
Não conseguiria fazer isso com ele me tocando e me olhando daquela maneira. Cheio de ansiedade, amor e compreensão. Ele entenderia qualquer coisa que eu dissesse que estava errado e me ajudaria, eu sabia que sim. Mas meu objetivo não era ser compreendida, era ser afastada.
–Emm, eu acho que... – as palavras engasgaram. Sabia que seria difícil, mas estava sendo dolorosamente insuportável fazer isso. – Eu acho que gente não está dando mais certo.
A frase saindo de meus lábios fez com que eu me odiasse ainda mais. Sua expressão surpreendida não acreditava no que tinha ouvido.
–Do que está falando, Rose? Como assim não estamos dando certo? Nunca tive tanta certeza de algo como tenho de nós dois. – disse ele, se aproximando outra vez de mim.
Eu também, Emm. Você é o mais certo, mais real, que já aconteceu pra mim. – pensei, em resposta.
Porém o certo, agora, era isso.
–É, eu também achei isso, mas nunca vai dar certo. Somos pessoas completamente diferentes. Eu nunca vou me adaptar ao seu mundo, Emmett, nem posso forçá-lo a viver no meu. – falei, cruzando os braços. Desejei que um meteoro caísse em minha cabeça assim que terminei de dizer isso.
Emmett nunca fez pouco caso das minhas condições, nem eu quis explorá-lo ou algo do tipo. Nos encaixávamos perfeitamente, exatamente com as diferenças. Sua família sempre me tratou muito bem, diferente do meu pai com ele.
Eu havia acabado de dizer a maior mentira da minha vida e merecia pagar caro por ela.
–Rose, escuta o que você está dizendo. A gente deu certo até agora, apesar de qualquer diferença. Eu não ligo pra merda nenhuma sobre dinheiro, você sabe disso. Não tem essa de meu mundo e seu mundo, é tudo uma coisa só. Nós dois, um só. – ele falou, segurando minha nunca, tentando me beijar.
O simples roçar de seus lábios me fez perder as forças. Deixei algumas lágrimas escaparem e segurei seu pulso, o tentando fazer parar.
–Mas as coisas são complicadas demais. – rebati, tentando convencê-lo.
–Você que está complicando, Rose. Não está vendo? – ele pediu, ainda próximo de mim. Sua boca há pouquíssimos centímetros da minha, seu hálito batendo quente contra meu rosto, completamente irresistível.
–É melhor assim. Não podemos nos enganar mais, eu não vou poder ir pra Nova York com você, nem se quisesse. – falei, reunindo minhas forças parar soar séria e fazê-lo desistir de uma vez por todas de mim.
–Então eu fico com você, só não acaba com isso que temos. Por favor. – sua voz saiu sussurrada, implorando.
Então Emm me beijou. Em seus lábios eu sentia todo seu amor, em seus braços toda minha salvação. Não consegui mais resistir, deixei meus lábios fluírem com os seus. Sua boca era urgente, o beijo sufocante e desesperado. Minhas lágrimas se misturavam entre nosso beijo, deixando tudo mais dolorido e apaixonante.
Com minhas duas mãos, eu afastei Emmett. Dessa vez ele me olhou confuso. Talvez ele tivesse achado que tinha ficado tudo bem outra vez.
–Para Emm, não faz isso. Agora quem está complicando é você. – afastei as lágrimas do meu rosto. – Você tem que entender que acabou.
– Para você com isso, Rosalie! – esbravejou, nervoso. – Eu te amo, caramba! Isso não basta pra gente ficar junto? Eu sei que você me ama também. – ele deu dois passos para trás, passando a mão no rosto.
–Amo, amo mais que minha própria vida, Emm. – sussurrei.
–Então, vamos fingir que essa conversa não aconteceu e voltar a sermos um casal, amor. – ele se aproximou outra vez, segurando meus ombros.
–Você não entende, Emm. Não dá. –fechei os olhos com força, deixando mais lágrimas fazerem um caminho amargo por meu rosto.
–Então me explica. Me explica, por favor, estou enlouquecendo. – ele pediu, sussurrando. Encostou a testa na minha e segurou meu rosto.
Eu solucei devido ao choro e neguei com a cabeça. Ele entenderia, eu sei que entenderia. Emm faria tudo por mim, mas nesse momento eu precisava fazer isso por ele.
–Eu não posso, não posso. Desculpa. – pedi, me desvencilhando de suas mãos. Dei alguns passos para trás, preparada para fugir dali. – Só entende que acabou, okay?!
–Rose, espera. – ele tentou segurar minha mão, mas eu já estava correndo.
–Adeus Emm. – sussurrei entre as lágrimas enquanto em afastava o máximo possível daquela praça deixando Emmett e todo seu amor para atrás.
Seu amor, não o meu. O meu amor por ele jamais acabaria, estaria sempre em mim, em cada célula do meu corpo, pulsando freneticamente. Esperaria que Emm não me odiasse para sempre, que um dia pudesse me perdoar por ser uma completa idiota.
Não liguei para o barulho dos carros, das buzinas, enquanto atravessava a rua correndo. Eu tinha acabado de fazer a coisa mais difícil e dolorosa da minha vida, morrer atropelada seria um alívio. Porém eu tinha outra alma dependendo de mim, dentro de mim, que não tinha culpa de nada e não merecia a morte.
Cheguei em casa, subi as escadas correndo e tranquei a porta do quarto, desesperada por silêncio, apenas os ruídos do meu choro. Assim que meu corpo colidiu com a pouca maciez do colchão, senti desabar toda minha dor ali. Eu me sentia afundando na minha própria angústia e mentira. Preferia mil vezes outra surra do meu pai. A dor nem se comparava. Meu coração dilacerado agora sangrava e doía muito mais. Era insuportável.
Sentia meu peito sufocar. Esperava que um dia a dor passasse, tinha que passar. Quando visse meu bebê nos braços, quando Emmett estivesse indo embora depois da formatura, talvez a ferida rasgada em mim começasse a cicatrizar. De alguma forma, toda aquela aflição, valeria de algo.
Chorei e chorei, até não ter mais forças. Foi então que adormeci, sem apetite nenhum para descer e jantar. Por mim ficaria trancada naquele quarto até que tudo pudesse ser esquecido, curado, cicatrizado.
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