The Safe Place
15 Capítulo 15 – Tarde boa. Noite ruim
Notas iniciais
Depois de almoçarmos na casa de Emmett, Irina resolveu sair pra conhecer mais a cidade. Ela era tão simpática, sorridente e maluca. Acho que eu e Emmett juntos temos mais juízo num pedacinho da nossa cabeça do que Irina em toda dela.
–Vamos Emmett, você não é a noiva, não precisa demorar tanto. – Ela gritou agarrada ao corrimão, no último degrau da escada.
Carmen, que estava com os braços em torno do meu pescoço, sorriu e eu a acompanhei.
–Como é que você aguenta Car? – perguntei rindo.
–Eu não sei, mas vou envelhecer 20 anos nos próximos dias, querida. – ela respondeu.
–Mãe, manda o Emm descer. – Irina pediu se aproximando de nós enquanto mexia no celular.
Carmen revirou os olhos, se soltando de mim e indo até a escada.
–Filho, vem logo, as meninas estão cansadas de esperar. – Ela chamou com a maior paciência.
–É Emm, se você não vier vou levar a Rose comigo e te deixo aí. – Irina provocou, passando um braço em volta do meu pescoço. Com a outra mão ela ergueu o celular na nossa direção e então notei a câmera pronta para uma foto.
–Foto não, Irina, eu estou um caco. – reclamei colocando a mão na frente da câmera do celular.
–Está uma gata. Vai. – Ela falou e nessa hora Emmett desceu as escadas correndo e se jogou entre nós. O resultado foi uma foto muito zoada comigo de olhos fechados, Irina com cara de espantada e Emmett fazendo careta.
–Isso saiu um lixo. – Irina reclamou olhando no visor. – Vou postar! – De repente seu sorriso era gigantesco. Emmett e eu rimos.
–Porque demorou tanto, Emm? – perguntei baixinho enquanto Irina estava distraindo mostrando a foto para Carmen.
–Estava me arrumando pra você. – Ele cochichou no meu ouvido e me beijou na bochecha. Só então notei que ele havia trocado de roupa toda e estava muito cheiroso por sinal. – E eu não achava meu tênis de jeito nenhum. – Eu ri com isso.
–Se você arrumasse seu quarto talvez encontrasse tudo mais rápido. – comentei e ele revirou os olhos.
–Ok gatinhas e gatões, vamos por o pé na estrada! – Irina praticamente gritou empolgada. Ela sabe que Forks é uma cidade quase fantasma?!
–Menos né, loira. Essa cidade aqui não é lá essas coisas. – Emm cortou a animação dela.
–Tanto faz! com Irina Denali Cullen tudo fica animado, gatinho. – ela piscou e foi em direção à porta.
Eu e Carmen rimos, Emmett revirou os olhos segurando minha mão e me puxou para fora. Acenei para Carmen e logo estava dentro do carro indo sei lá para onde.
[...]
Já havíamos rodados várias ruas, passamos pela praça próxima a minha casa, o mercado da família de Emmett, pela frente do colégio e várias outras coisas sem graça que havia nessa cidade. Só não estava reclamando porque estava de carro e com Emmett provocando Irina no banco da frente ficava mais divertido ainda.
–Vira naquela rua que tem uma lanchonete ótima. — eu comentei me lembrando de que já havia tomado Milk-shake ali com Alice e Bells em um dos aniversários da Bella.
Irina entrou na rua que falei e logo vimos a pequena e bonita fachada da lanchonete. Ela estacionou o carro e descemos. Emmett veio logo para meu lado segurar minha mão. Irina praticamente desfilou colocando seus óculos de sol charmosos e andando até uma mesa do lado de fora enquanto os cabelos cacheados voavam com o vento.
–Ela é sempre perfeita assim? — perguntei a Emmett enquanto encarava sua irmã sem nem quase piscar. Irina com certeza era uma réplica das modelos das revistas de Alice.
–Não quando acorda. – Ele me respondeu rindo. – Mas você é muito mais bonita. – Emm apertou minha mão e eu tinha certeza que minhas bochechas estavam vermelhas. Ele aproximou o rosto do meu e me deu um selinho rápido. Mesmo assim pude sentir a doçura incrível dos seus lábios.
–O casalzinho de namorados vai ficar se beijando sempre assim, achando que não estou vendo? – Irina perguntou, abaixando os óculos, para nos encarar. Desviei o olhar, envergonhada, enquanto escondia o rosto atrás do braço de Emmett.
–Não somos namorados ainda, Irina. – Emm respondeu puxando uma cadeira para mim e se sentou ao meu lado.
–Não? Então você beija todas as suas amigas assim? Bom saber, gatinho. – ela piscou para ele e riu.
–Cala boca, loira. Eu disse ainda. –Emmett deu ênfase na última palavra depois olhou pra mim. Eu devia estar muito vermelha e sem graça, pois ele e Irina começaram a rir.
–Vamos para de zoar a Rose, né gente. – eu comentei falando de mim mesma na 3ª pessoa.
Irina pegou o pequeno cardápio em cima da mesa e, após ler todas as opções, resolveu pedir Milk-shake para todos nós.
Assim que os pedidos chegaram ficamos bebendo e rindo das loucuras que Irina contava que aprontou na França. Depois Emmett começou a se lembrar das brincadeiras que os dois aprontavam quando moravam juntos. Apesar de ter 16 anos quando se mudou para família Cullen, Irina adorava aprontar com Emmett.
–Tem razão Rose, essa lanchonete é ótima. Olha aquele gato. –Irina comentou encarando alguém. Sagui seu olhar e então notei que o homem que saia da lanchonete com um copo de café na mão e uma pasta na outra era nosso professor de biologia, Stefan.
–Emmett ali não é o Stefan, nosso professor? – falei cutucando Emm e apontando com a cabeça na direção dele.
–É ele mesmo.
–Como é que vocês tem um professor tão gato assim? Na minha época do colégio a professora tinha verrugas. – Irina falou fazendo careta.
–Ele é lindo mesmo. – falei vendo Stefan caminhar por entre as mesas do lado de fora, provavelmente passaria por nós.
–Dá pra parar de babar? – Emmett perguntou estalando os dedos na frente do meu rosto.
–Não estou babando ninguém, Emm. Já sua irmã... –nós dois encaramos Irina ao mesmo tempo e ela acompanhava nosso professor com o olhar, mas parecia estar imaginando mil coisas. – Ei professor Stefan! – o chamei acenando.
–O que você está fazendo, sua doida? – Irina perguntou nervosa.
–Vou apresentar vocês ué. – Eu disse sorrindo. Logo ele se aproximou de nós com um sorriso meio sem graça.
–Boa tarde Rosalie, Emmett. – respondemos seu comprimento, mas Emmett não com muita vontade. – E você... Acho que não é minha aluna?! – ele riu de leve.
–Irina, muito prazer. Não, já passei dessa fase. Sou irmã dele. –Ela ficou de pé e os dois estenderam a mão se cumprimentando.
–Seu irmão é um ótimo aluno. – Stefan falou desviando o olhar rapidamente para Emmett, mas logo voltou a encarar a linda loira a sua frente. Emmett coçou a garganta e sorriu sem graça e só então os dois perceberam que ainda estavam segurando a mão um do outro. Assim que se soltaram, os dois passaram a mão no cabelo, visivelmente envergonhados. Eu ri baixinho, era engraçado ver os adultos de comportando como nós adolescentes. –Eu acho que já vou indo, foi um prazer conhecê-la Irina. Até mais garotos. –ele acenou para gente e atravessou a rua, entrando num carro preto e dando partida.
–Que professor hein, me deu até vontade de voltar a estudar. – Irina comentou enquanto sentava novamente, se abanando teatralmente.
–Pena que não ter curso para loiras saidinhas, né?! – Emmett falou e parecia nervoso.
–Está com ciúmes da irmã aqui, gatinho? – Irina brincou e ele revirou os olhos. –Awn que bonitinho Rose. Ele tá com ciúmes de mim. – ela apertou a bochecha dele, mas Emm logo se afastou.
–Para Irina, deixa o Emm na dele. –pedi afastando a mão dela. – E você desmancha esse bico porque sua irmã já está bem grandinha. – falei e minha mão foi para sua nuca, mexendo nos fios claros de cabelo ali. Emmett deu um sorriso de canto e beijou minha bochecha.
–Pronto, ficou feliz já. – Irina tornou a irritá-lo.
–Para de ser chata loira. –Emm pegou o canudinho do seu Milk-shake já terminado e jogou nela.
–Ok, vamos parar os dois, né?! – Eu estava me sentindo a Carmen, tendo que controlar dois irmãos bem crescidinhos. –Irina porque você não vai sexta à tarde no colégio? Eles sempre precisam de adultos voluntários para vigiar os alunos durante os bailes. Só os professores não dão conta e sempre pedem ajuda aos pais e parentes de alunos que puderem ir. Você marca seu nome lá e vai ser uma ótima chance para conversar com nosso professor no sábado. – dei uma ideia de gênio e ela pareceu gostar.
–Ótima ideia, Rose, valeu. –ela ergueu a mão e eu bati a minha na dela. Estava adorando ser amiga dessa garota.
–Vocês duas juntas vão me dar dor de cabeça. – Emmett dramatizou e nós rimos.
Depois de conversarmos mais um pouco fomos embora. Emmett explicou o caminho até minha casa e Irina foi dirigindo até lá. Assim que chegamos me despedi deles e entrei.
Minha casa estava silenciosa, mas não era tão tarde. Provavelmente meu pai havia ido trabalhar mais cedo. Todas as luzes estavam apagadas e isso estava me deixando nervosa. Passei pela porta a cozinha e escutei um barulho.
–Onde estava até essa hora, garota? – acendi a luz e vi meu pai praticamente debruçado sobre a mesa com uma lata de cerveja na mão.
–Eu... É... Eu estava estudando na casa de uma amiga. – menti.
–Aqui não é a casa da mãe Joana que você chega a hora que quiser, está me ouvindo? – ele ficou de pé vindo em minha direção. Engoli seco. – Está me ouvindo? – ele berrou.
–Estou. Me desculpe. – me encolhi contra parede.
–Agora vai fazer a merda do jantar porque estou com fome. – ele apertou meu braço, me jogando praticamente em cima do fogão. Segurei o choro, mas não pude evitar escapar um soluço.
–Está chorando por quê? Eu nem te bati ainda. – ele praticamente rosnou perto de mim. – Você é muito mole, Rosalie. – ele segurou meus braços e me atirou contra bancada, bati minhas costas com força e isso fez com que as lágrimas rolassem por meu rosto.
–Pai.... – chorei baixinho, queria pedir para ele parar de me machucar, eu não tinha feito nada.
–Cala boca! – berrou. Encolhi-me, sentindo seu hálito embriagado de álcool contra meu rosto. – Sabe por que você merece apanhar todos os dias? Porque você é igualzinha àquela maldita. Ela foi embora e todo dia que olho pra essa sua carinha de boa moça me lembro daquela vadia infeliz. – ele apertou meu rosto com tanta força que não dava nem pra gritar que me soltasse. — Só não deformo de uma vez essa sua carinha bonita porque pode me trazer lucros um dia. – seu sorriso era nojento enquanto apertava mais ainda minhas bochechas. –Agora faça a merda do jantar logo. – ele me jogou outra vez contra o balcão de mármore e tive certeza que duas ou mais marcas roxas haviam se formado em minha pele.
Hector se jogou no sofá da sala com sua lata de cerveja na mão. Preparei o jantar depressa. A única coisa que havia naquela casa no momento: macarrão. Arrumei o prato e levei para ele na sala. Voltei para cozinha e mesmo morrendo de dor nas costas e sentindo meu rosto arder, deixei tudo limpo. Notei que ele tinha terminado, peguei seu parto e lavei. Finalmente pude subir as escadas e me trancar no quarto.
Me livrei das minhas roupas e entrei no chuveiro. A água quente contra meus novos machucados doía de início, mas depois relaxava. Ignoraria se ele viesse bater na minha porta mandando não gastar tanta água. Que se dane hoje! Ele me machucou, agora que me deixasse aliviar a dor.
Depois de um banho demorado, sentindo meus músculos relaxar, mas não tanto quanto gostaria, saí do chuveiro. Meus dedos já estavam encolhidos. Após me secar e vestir um short velho e camiseta confortável, me sentei na cama para secar meus cabelos.
“você é igualzinha àquela maldita” “É uma vadia mesmo, igualzinha a sua mãe”...
As palavras dele reverberavam por minha cabeça. Ele sempre tinha que falar dela. Que droga! Minha mãe se foi, pronto. Porque tem sempre que me lembrar de que parecia com ela? Lógico que mesmo estando longe eu a amava mais que tudo e me orgulhava de ser sua cópia. Afinal ela era a mulher mais linda do mundo pra mim. Mas eu queria, pelo menos por um instante, esquecer que ela se foi e não ter que apanhar por ser parecida com ela.
Enquanto seus insultos soavam em minha mente, eu deixava as lágrimas rolarem livremente por meu rosto. Eu estava cansada de ser forte. Eu não aguentava mais isso. Queria poder ir embora de uma vez, mas pra onde?
Não liguei se meus cabelos estavam totalmente secos ou não. Me deitei na cama, enrolada no velho cobertor lilás. Permiti-me chorar até que o sono chegasse e assim, quem sabe, eu pudesse ter um sonho bom, completamente diferente da minha realidade.
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