The Safe Place
14 Capítulo 14 – Irina
Notas iniciais
Com a permissão de Carmen subi as escadas, caminhando até a porta do quarto de Emmett. Se ele estivesse fazendo algo de errado iria surpreendê-lo.
Ok, não que ele ficar com outra garota fosse errado sendo que nós nem namorávamos, mas eu esperava um pouquinho de consideração da parte dele depois das coisas que me disse e de me beijar.
Assim que cheguei à porta de seu quarto, escutei risadas. Ele não estava sozinho, a fina risada era de mulher. Me aproximei mais e pela fresta entreaberta da porta pude espiá-los. Isso era completamente errado, eu não era intrometida, mas queria acabar com minhas dúvidas de uma vez. Tinha que saber se Emmett queria algo só comigo ou se haviam outras garotas na jogada.
Havia uma garota deitada na cama dele e Emmett estava sabre ela, apoiado nos joelhos para impedi-la de sair. Ele fazia cócegas nela e as risadas dos dois ecoavam pelo quarto. De relance pude ver o cabelo loiro da garota, mas eu precisava ver mais. Precisava garantir que não era Maggie ou uma de suas amiguinhas.
–Para gatinho! – ela pediu quase sem ar de tanto rir e reconheci a voz. Era a mesma da loira que o levou e buscou no colégio.
– Você vai me dar o que pedi? – ele perguntou, segurando os braços dela abertos e esticados.
Ok, isso já está estranho demais pra mim.
Abri lentamente mais um pouco da porta e pude a ver negar com a cabeça. Seu cabelo loiro perfeitamente cacheado balançava enquanto ela balançava a cabeça e ria. Ele tornou a perguntar e ela negou. Emmett atacou a garota de novo, fazendo mais cócegas.
Eu não ia mais ficar ali assistindo os dois rindo vendo a loira se fazer de difícil. O que ele tinha pedido? Um beijo? Pois que fizesse bom proveito!
Bati a porta com mais força que o necessário e fiz o caminho de volta para as escadas. Desci as escadas correndo, mas Carmen me parou enquanto eu atravessava a sala de jantar rumo à porta.
–O que aconteceu, Rose? – ela segurou meu braço. – Está chorando, querida?- perguntou docemente, secando uma lágrima teimosa que rolou por meu rosto.
–Não foi nada, Carmen. Tenho que ir pra casa. – falei. Eu precisava sair dali antes que desabasse e chorasse na frente dela. E não demoraria muito para isso acontecer.
Carmen me soltou suspirando desapontada. Não queria magoá-la, mas minha cabeça não estava boa agora para tentar explicar.
–Rose? – escutei a voz de Emmett assim que fui colocar a mão na maçaneta. Me virei e lá estava ele parado com cara de preocupado no topo da escada.
Ótimo! Só porque eu queria desaparecer dali. — Pensei irônica. — Só falta a loirinha bonita descer também.
–Porque não subiu pra falar comigo? – Emmett perguntou enquanto descia as os degraus, vindo em minha direção. Encarei Carmen que nos olhava com uma expressão confusa.
–Mas ela subiu sim, eu a mandei ir te ver. – ela falou.
–Ele estava ocupado e não quis incomodar. –falei com desdém encarando meus pés. Quando voltei a olhar para Emmett seu rosto tinha um sorriso presunçoso o que me deixou mais nervosa do que já estava. Ele suspirou fundo, provavelmente entendo onde eu queria chegar.
– Mãe pode nos dar licença? – ele pediu.
–Ok, já entendi tudo. – ele sorriu. – Estarei na cozinha caso precisem de mim. – Carmen saiu sorrindo enquanto balançava a cabeça. Ainda pude escutar ela murmurar “esses adolescentes”.
Revirei os olhos e me virei para sair, mas Emmett segurou meu braço me impossibilitando de fugir dele.
– Você não vai me dizer por que não foi falar comigo? – perguntou encarando em meus olhos.
Não ia deixar seu olhar esverdeado fascinante me tirar de órbita. Não, agora não.
Pisquei algumas vezes para conseguir me concentrar.
–Quando subi lá você estava se divertindo muito com uma loira na sua cama. Queria que eu interrompesse? – perguntei irônica, puxando meu braço.
–É sério isso? –Ele riu. – Você me viu rindo com a garota e pensou o que? Que éramos namorados, por acaso?
–Não importa o que pensei. Agora pode voltar lá pra cima por que sua “gatinha” deve estar te esperando. – me virei de volta para porta e outra vez Emmett me impediu. Ele se colocou entre mim e a porta, e segurou meus ombros me fazendo encará-lo.
– A garota lá em cima é minha irmã. –Ele falou sério, me encarando nos olhos de uma forma tão profunda que por um mísero segundo senti medo dele. Não mesmo dele, mas sim da reação que fosse ter por saber que fiz ideia errada dele.
Ok, eu esperava por tudo menos por essa. Irmã? Que eu saiba ele é filho único, ninguém nunca mencionou uma loira bonitona, que aparece do nada, como irmã.
–Irmã, Emmett? Sério? Por favor, nisso não dá pra acreditar. – falei dando alguns passos pra trás.
–E por que eu iria mentir? – perguntou cruzando os braços.
–Não sei, mas você nunca disse que tinha irmãos. Carmen nunca mencionou ter uma filha, nunca a vi por aqui e ela nem se parece com vocês. – foi a minha vez de cruzar os braços. Emmett suspirou cansado e revirou os olhos.
–Vou explicar. Só me escuta ok? – pediu e eu assenti. Ele pegou minha mão e me puxou para o sofá.
Emmett respirou fundo parecendo que tinha muita coisa pra dizer. Nós ainda estávamos de mãos dadas e isso era estranhamente confortável pra mim, apesar da situação.
– O nome dela é Irina, ela é uma irmã de consideração. Ela tem 23 anos e morou com a gente em Port Angeles desde os 16. Os pais delas faleceram num acidente de carro e como eram os melhores amigos dos meus pais, resolveram ficar com a guarda dela. Quando a Irina completou 18 anos foi estudar moda na Itália. – ele explicou e eu estava me sentindo uma boba por ter pensando coisa demais.
–Quantas vezes eu vou ter que dizer que foi na França? Caramba Emmett! – a voz da loira se fez presente eu me assustei. Eu e Emmett olhamos pra trás e ela esbanjava um sorriso, parada na metade da escada.
–Tanto faz, é tudo na Europa mesmo. – ele deu de ombros e ela riu. – Entendeu agora, Rose?
–Eu... É... Me desculpe. Não devia ter pensando outra coisa. É só que eu fiquei... – estava quase engasgando de vergonha.
–Com ciúmes? – Emmett me interrompeu e eu arregalei os olhos. – Você podia ter entrado e perguntado.
Ah tá, como se eu tivesse essa cara de pau! – pensei irônica.
–É que é estranho. Você nunca comentou que tinha uma irmã, nem quando falamos de família.
–Quer dizer nunca falou de mim, Emm? – Irina falou se aproximando de nós. – Que coisa feia, gatinho. – ela bateu no ombro dele.
Está aí uma coisa que vou demorar a me acostumar: “gatinho”.
–Não irrita loira! – ele brincou e ela lhe mostrou a língua. Ela tinha mesmo 23 anos?
Irina tinha os cabelos loiros com cachos perfeitos e brilhantes. Olhos azuis cristalinos e um sorriso marcante. Vestia calça jeans, botas sem salto e um casaco marrom de pele que parecia ter saído de uma revista. Ela parecia um modelo das revistas de Alice com um corpo de dar inveja. Como é que eu não ia pensar que ela e Emmett não estavam...?!
–Você me ama que eu sei. – ela piscou pra Emmett e saiu na direção da cozinha.
–O pior que é verdade. – ele riu falando baixinho pra mim. Sorri, apertando sua mão.
–Emm me perdoa ok? Criei uma confusão desnecessária sendo que deveria ter realmente falado com você. Eu só não queria ser intrometida e nem tinha o direito de te cobrar explicações, mas você é meu amigo e fiquei preocupada porque faltou ontem... – eu estava tentando explicar tudo de uma vez pra que ele não ficasse bravo comigo. Então Emmett me calou da forma que ele mais gostava de fazer e eu também adorava quando fazia.
Ele me beijou. Seu corpo se inclinou sobre o meu enquanto minhas costas encostavam-se ao sofá. Seus lábios quentes e macios moldando-se minha boca. A sensação era incrível. Minhas mãos seguravam seu rosto como se pedisse para não parar. Eu não queria ter que precisar respirar. Senti as mãos de Emmett em meu quadril, seu perfume me embriagando. Como esse garoto conseguia me deixar tonta quando há 5 minutos atrás eu estava brava? Não sabia responder.
–Arrumem um quarto, por favor! – me separei de Emmett na mesma hora em que ouvi a voz de sua irmã. Tornamos a nos sentar direito no sofá. Emmett e eu a encaramos, ela sorria satisfeita enquanto segurava uma maçã.
–Irina vai dormir e largue de ser chata. – Emm reclamou.
–Se continuar assim eu não vou te dar o que me pediu. – ela tentou fazer cara de superior, mas assim que viu minha expressão, confusa e um tanto sem graça, ela riu. – Não se preocupe, ele só quer as chaves do meu carro pra ir ao baile do colégio.
Olhei para Emmett sem acreditar e ele coçou a cabeça, dando de ombros no final.
–Meus pais vão sair com o carro no dia do baile e ir de táxi não seria legal. Estava tentando convencer a loira ali me emprestar o dela. Eu tenho que te levar de alguma forma, né? – seu sorriso meio envergonhado fez aparecer as covinhas fofas. Acariciei sua bochecha bem em cima dela.
Então ele estava pensando em mim esse tempo todo? Emmett conseguia me surpreender a cada momento, eu não devia imaginar coisas e pensar que ele é como os outros. Não, Emm é completamente diferente.
Apesar da vergonha eu lhe dei um selinho e seu sorriso só aumentou mais. Ele queria quebrar meu coração em pedacinhos com aquela visão que pra mim parecia o paraíso. Meu paraíso.
–Ah, só pra esclarecer: eu faltei ontem porque fomos bem cedo ao aeroporto buscar ela e depois Irina me fez rodar cada canto dessa cidade, que eu nem conheço direito, pra estrear o carro que ela fez questão de comprar no mesmo dia. Me desculpe não ter ligado ou avisado, não achei que fosse se preocupar. – ele continuou não querendo deixar nenhuma ponta solta na conversa.
–Tudo bem, Emm, não precisa me dar mais satisfações. – falei me sentindo extremamente envergonhada ainda.
–Sua namorada é muito boazinha, gatinho. Se fosse eu e você sumisse sem me avisar, eu te cortava em pedacinhos. – Irina comentou rindo.
–Dá um tempo, sua loira maluca. – Emmett pegou uma almofada do sofá e atirou na irmã a fazendo subir as escadas correndo. Eu ri daqueles dois, pareciam crianças. – Sabe Rose, minha mãe é muito apegada à Irina e sentiu muito falta delas quando foi estudar fora. Por isso não tocamos no assunto, porque minha irmã apesar de adulta é sem juízo e quase não dava notícias. Pra não magoar minha mãe, eu e meu pai não falamos isso com ninguém.
Então era por isso que ele nunca tinha comentado nada, com certeza se eu perguntasse, mesmo sem perceber, pela “irmã”, isso poderia magoar Carmen. E agora ela estava tão radiante feliz. Entendi seu sorriso ao me receber. Estava feliz por ter a filha do coração de volta.
–Entendo Emmett. Irina parece ser muito legal. Imagino que a Carmen vai ficar muito triste quando ela voltar, né? – falei.
–Ah, mas aí é a parte boa! Irina já se formou e está de mudança definitiva pra cá. Ela vai abrir uma loja de roupas, sapatos e essa palhaçada toda que vocês, meninas, curtem. – ele riu, mas dava pra notar nos seus olhos verdes a empolgação e felicidade por ter a irmã de uma vez por aqui.
–Isso é ótimo, Emm. – sorri.
–Vamos almoçar, crianças? – Carmen entrou na sala nos chamando. Dali dava pra ver a mesa posta lindamente. Ela estava mesmo feliz.
Eu e Emmett ficamos de pé, ele passou o braço em torno do meu pescoço e me arrastou para a mesa. Carmen subiu para chamar Irina e as duas desceram abraçadas. Logo Eleazar chegou e se juntou a nós.
Foi um almoço muito bom em família. Uma família que eu estava começando a fazer parte. E simplesmente adorando tudo isso.
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