The Safe Place

55 Capítulo 55 – Fechando Ciclos


Notas iniciais
Hey amorzinhos! Falei que não iria demorar tanto com o próximo e cumpri. Aqui está! Bom, espero que gostem. Ainda não respondi os comentários anteriores, mas agradeço desde já e prometo responder logo. Leiam as notas finais, ok?!

Dias depois...

Eu queria gritar. Gritar muito.

Tinha acabado. Finalmente o terceiro ano do ensino médio tinha chegado ao fim e nós não podíamos estar mais felizes por ter concluído mais uma etapa de nossas vidas. Agora era só esperar a formatura, em duas semanas.

Era por isso que eu queria gritar e muito de felicidade.

Isabella havia recebido suas notas maravilhosas e estava pronta para começar a faculdade de Letras e o estágio com um escritor, que era amigo do nosso professor de Literatura.

Alice estava tão calma que era até de se estranhar. Sequer parecia que os pais haviam concluído o divórcio e o senhor Brandon estava morando em Nova York, bem longe da mãe e provavelmente com uma loira gostosona palavras da baixinha, não minhas. Alie estava aguardando a resposta da faculdade, mas já sabíamos que ela tinha passado muito bem entre os classificados para Designer Gráfico da Seattle Academy.

Valia ressaltar que a baixinha estava muito triste por não ver mais Jasper todos os dias. Eles haviam ficado visivelmente mais próximos depois do baile, mas ainda não era um namoro. Havia rolado um beijo de despedida quando ele a levou pra casa e nunca vi os olhos de Alice brilharem tanto ao meu contar algo. O primeiro beijo daquela sapeca!

Sobre os outros, bom... Estavam todos bem! Jacob não queria cursar nada agora, apenas se concentrar na oficina que tinha com os primos e em curtir a liberdade de recém-formado. Miah, para nossa surpresa, havia passado em Engenharia de Software.

Eu sabia que ela amava informática, mas não que fosse desses nerds malucos que sabem desenvolver programas em computadores. Ela estudaria no mesmo lugar que Alice, mas cursaria a noite.

O que realmente me preocupava era Emmett.

Assim como nossos amigos, ele não tinha se dado mal em nenhuma matéria no colégio e estava comemorando as férias de fim de ano. Porém eu sabia que estava incomodado e isso se devia ao fato do envelope que chegou na manhã anterior.

Dentro do envelope marrom, lacrado com um brasão universitário, estava uma carta destinada à Emmett Christopher Cullen, vinda de Nova York.

Sabíamos o que era antes mesmo de Emm abri-lo. O olheiro da Universidade de Nova York estava lá no dia do jogo, Emmett me contou que o técnico havia falado bem dele, de Edward e de Liam, outro garoto astro do time. Provavelmente esses dois também haviam recebido o mesmo envelope e estavam saltando de alegria, sequer pensando na possibilidade de não irem.

Já Emm parecia não ter escolha. Não tinha nem mesmo hesitado ao largar o envelope marrom sobre a mesinha da sala e subir as escadas, resistindo à curiosidade de abri-lo e confirmar que havia sido aceito. Havia sido aceito para uma universidade incrível, que era seu sonho, mas que não iria para lá.

Eu me sentia terrivelmente mal por isso.

Queria poder dizer que fosse para Nova York, que não tinha problema me deixar com Spencer por aqui. Mas não era evoluída o suficiente para isso e sabia que ele jamais toparia.

Também queria dizer que fossemos os dois, mas eu sequer havia feito inscrição e a ideia de cuidar do meu bebê em Forks, uma cidade tranquila, perto dos meus amigos e da família Cullen, era completamente agradável e a melhor se não única opção.

Então o que eu apenas podia fazer era me calar e esperar que ele quisesse falar sobre isso.

– Eu não sei o que fazer com tantos livros. O que vai fazer com os seus, Rose? Emmett perguntou.

Estávamos em nosso quarto. Eu deitada na cama com o celular dele mandando mensagens para Alice, que não parava de falar sobre Jasper e seu súbito interesse em moda, tudo para agradá-la, e ele remexendo na mochila, atirando cadernos e livros do colégio.

– Hmm, acho que vou guardá-los. Pretendo ficar estudando com eles até o próximo vestibular. respondi, dando de ombros, me concentrando outra vez na última mensagem da baixinha.

Emmett suspirou e ouvi um baque surdo. Olhei para ele e a pequena bagunça, notando que a mochila também estava sobre o tapete agora.

Deixei Alice e suas mensagens de lado, colocando o celular sobre o criado ao lado da cama. De joelhos, fui para perto de Emmett e coloquei minhas mãos sobre os seus ombros. Ele tornou a suspirar.

– O que foi Emm? pedi, beijando seu pescoço antes de massagear seus ombros.

– Nada, só esses livros idiotas. Preciso de espaço para os novos. ele riu sem emoção, mas eu sabia que não se tratava dos livros. Tratava-se de Nova York e tudo que ele estava abrindo mão.

Me remexi, saindo detrás dele e sentando ao seu lado. Segurei sua mão e esperei, ele sabia que eu queria que ele falasse, falasse a verdade.

– Tudo bem. Não é isso, é Port Angeles. sua resposta me pegou de surpresa. O que tinha de errado? Eu não acredito que vou para lá. Não estou dizendo que não queria estudar lá, mas eu não tenho uma bolsa nessa faculdade. Depois de todas as horas que fiquei estudando, do tempo que você gastou tentando enfiar física e outras matérias na minha cabeça... Não queria fazer meu pai ter mais gastos. explicou ele.

Agora eu entendia. Emmett não estava com raiva ou decepcionado por não ir estudar em Nova York, como idealizávamos. Ele estava se sentindo mal por fazer o pai gastar mais ainda com ele, mais do que já gastava. Não só com ele, mas comigo também e agora mais uma pessoa viria aí.

Sempre soube que meu namorado era do tipo que gostava de fazer as coisas por si só, por isso se esforçava tanto nos treinos. Emmett acreditava que se não tinha como conseguir uma bolsa por sua inteligência, então por seu bom desempenho esportivo conseguiria. Dito e feito. E agora, que iria ter que estudar em Port Angeles faria Eleazar pagar.

Tanto eu quanto Irina, Carmen e o próprio Eleazar sabíamos que ele se orgulhava por poder bancar os estudos do filho, mas Emmett era orgulhoso o suficiente para se sentir mal por isso. Além de achar que havia se matado de estudar esse tempo todo à toa.

– Emm, você sabe tão bem quanto eu que seu pai está feliz em pagar a faculdade para você. Largue de bobagens. Você não estudou por nada esse tempo todo, tanto é que teve ótimas notas. Isso é o que importa. Além do mais, não é como se fôssemos deixar todas as nossas despesas nas costas dos seus pais. Eu vou continuar trabalhando com a Irina. falei, tentando tranquilizá-lo.

– Eu sei, só é meio... Ah, sei lá. ele estava medindo as palavras, com medo de dizer algo que parecesse que uma gravidez fora de hora estava atrapalhando todos seus planos de independência. Só sei que vou fazer o que puder para recompensar meu pai. Sério, vou ser o melhor aluno de engenharia da turma. me encarou e pude ver um pequeno brilho surgindo em seus olhos verdes. Sorri, apertando sua mão.

– Tenho certeza que vai. segurei seu rosto e beijei a bochecha, bem em cima da covinha que tanto amava. Agora pare de pensar nisso, por favor. Está me matando te ver assim, preocupado. confessei e seu olhar em meu rosto parecia desvendar muito mais que minhas palavras haviam dito.

– Me desculpe. pediu e minha expressão de transformou em confusa.

– Pelo que?

– Sei que você se sente mal, mas é por achar que é culpada, que está atrapalhando minha vida e essa baboseira toda que não é verdade. Nunca esqueço que você se afastou de mim por isso. disse ele, aproximando o rosto do meu. Seu olhar mais intenso que nunca. Não quero que se sinta assim jamais, Rose. Nós dois estamos abrindo mão de algumas coisas, mas é por um bem muito maior. E eu não me arrependo de nada.

Sutilmente seus olhos passaram por minha barriga volumosa, voltando a se encontrar com os meus. Engoli o bolo em minha garganta, sentindo os olhos arderem pelo acúmulo de lágrimas. As mãos de Emmett tocaram as laterais de minha barriga e ele voltou a falar.

– De nada mesmo. Vale a pena, está me entendendo? Pela Spencer. afirmou.

– Pela Spencer. repeti. Minha voz suave e convicta de seu amor pela nossa filha.

– Por você também. Jamais poderia te deixar. Largaria tudo por vocês duas. então suas mãos seguraram minha cintura e eu seu rosto, enquanto seus lábios tomavam os meus de forma urgente e apaixonada.

Sentia a maciez e avidez de sua boca contra a minha. Satisfeita, amada e confiante. Era assim que me sentia.

Quando senti minhas costas tocando o colchão macio e Emmett se deitando sobre mim, sabia muito bem onde aquilo iria parar. Minhas mãos voaram para a barra de sua camisa, erguendo e lutando contra ele para tirá-la, mas Emm não me soltava para facilitar o serviço. Não podia reclamar também, a pressão de seus dedos em meus quadris só mostrava o quanto ele me tinha por completo e fazia questão de revindicar isso.

Seus lábios movimentando-se junto aos meus incontroláveis, urgentes e sufocantes. Nossas línguas se tocando quase me fazia esquecer que a porta do quarto estava aberta, mas um roçar de garganta fez questão de nos lembrar desse detalhe.

– Pelo amor de Deus, tem um bebê aí dentro! Eu realmente não precisava ter visto essa cena. Irina falou naquele tom de voz divertido e indignado que só ela tinha. Emmett saiu de cima de mim e ajeitei meu vestido, me sentando de costas para minha cunhada a fim arrumar o fecho do sutiã que havia se desprendido na frente.

– O que você quer, maluca?

Me virei para olhar minha cunhada e a careta que Irina fez quando Emm perguntou já avisou que coisa boa não era. Ela retorceu os lábios antes de falar.

– Rose, tem alguém lá embaixo querendo falar com você.

Minha expressão se tornou confusa novamente, talvez até desconfiada.

– Quem é que pode ser tão ruim a ponto de estar querendo falar comigo e você fazer essa cara? perguntei, ficando e pé e buscando meu chinelo com os pés debaixo da cama.

– Sua mãe. respondeu e na mesma hora a encarei, surpresa.

O que Lilian queria por aqui? Sabia que precisávamos conversar, que ainda tínhamos muito a tratar, mas adiei tanto o momento que parecia algo tão distante como se jamais tivesse que existir. Agora lá estava ela, me procurando. E, sabe se lá como, me encontrou.

Respirei fundo e Emm sentiu a tensão sobre mim. Levantou-se da cama e segurou minha mão. Seu polegar acariciou os nós dos meus dedos.

Olhei em seus olhos e obtive a certeza de que ele estaria o tempo todo comigo nessa conversa, a menos que eu lhe pedisse o contrário coisa que não tinha intenção alguma de fazer.

Então ajeitei uma mecha de cabelo atrás da orelha, assenti para Irina e descemos os três juntos.

[...]

Lilian estava sentada no sofá bege de dois lugares enquanto Carmen a observava, sentada da poltrona reclinável do marido. Irina passou direto por Lilian, indo de sentar no braço na poltrona, recebendo os braços da mão em volta na cintura.

Carmen sorriu amável para mim quando a encarei. Emmett acenou com a cabeça para Lilian quando esta tentou sorrir para nós. Eu apenas me sentei ao lado dele no sofá maior, esperando que ela começasse.

– Vocês preferem que a gente saia para deixá-las a sós? — minha sogra perguntou e nossos olhares se encontraram. Fiz que não com a cabeça e ela sorriu como se dissesse tudo bem, querida, estamos aqui e agradeci mentalmente por isso.

Era bem possível que se ficasse sozinha com minha mãe, surtaria como no consultório. Acabaria me estressando rápido demais e gritando. Precisava da minha nova família ali para me dar forças e manter o controle.

Lilian se remexeu no lugar, virando-se em minha direção. Eu só conseguia focar em seus pés, calçados em sapatilhas laranja delicadas, com medo do que encontraria se olhasse em seu rosto.

– Filha, vim até aqui para que pudéssemos conversar melhor. Agora você está mais calma, te dei o tempo que precisava, Rose. ela começou e eu sentia seu tom de voz vacilando. Como você está, querida?

Ergui a cabeça para encará-la, encontrando seus olhos claros como os meus cheios de ternura. Chegavam a brilhar e eu só conseguia pensar como ela era tão boa atriz.

– Como me achou aqui? perguntei curiosa, ignorando sua pergunta. Lilian desviou o olhar rapidamente para Car, voltando para mim.

– O telefone daqui estava na agenda de horários do meu consultório, certamente de quando Carmen ligou para marcar aquela consulta. Liguei e pedi para te ver. Ela me passou o endereço e aqui estamos. explicou casualmente e notei a Lilian despreocupada do dia em que nos reencontramos de volta. Tudo bem, meu amor? Precisava te ver filha.

Ela se esticou, afagando meu joelho e sorrido de um jeito terno e compreensível. Era como se eu tivesse um problema e ela estivesse me dizendo que tudo iria ficar bem. Mas eu não tinha problema algum. Ela quem havia reaparecido do nada e, por mais que eu dissesse que não me importava, ainda estava chateada, mas era orgulhosa o suficiente para não querer demonstrar.

– Puf, me poupe! Irina resmungou e vi Car apertar a coxa dela como se pedisse para se calar.

Lilian ajeitou a postura no sofá e me olhou sorrindo, esperando que eu retribuísse o gesto e parecesse feliz com sua preocupação.

– Como estava dizendo... Precisava saber de você, filha. Quero ter notícias suas, não me deixa de fora da sua vida, meu amor. Fiquei tanto tempo longe, não vi minha garotinha virar uma linda mulher e... suas palavras foram interrompidas pela risada abafada de minha cunhada. Carmen a olhou feito, mas isso não a parou.

Irina ficou de pé e cruzou os braços, olhando desacreditada para Lilian.

– Tá, espera aí. Deixa eu ver se entendi. Você sumiu da vida da sua filha durante o que? Uns 4 ou 5 anos, por aí. E agora volta com a explicação mais mesquinha do universo e pede, inocentemente ela fez aspas com as mãos -, para fazer parte da vida da garota?

– Irina, fica quieta, filha. Carmen pediu, tocando o cotovelo dela, mas isso só fez com que a loira se desvencilhasse e desse mais um passo para perto de minha mãe.

– Não, eu tenho que falar. Foi você quem saiu da vida dela, não o contrário. Qual é gente, só eu acho isso aqui uma barbaridade? minha cunhada gesticulou com as mãos no ar, olhando desacreditada para a mãe, o irmão e eu. Ela riu nervosa. Não dá pra acreditar nisso.

Emmett não falava nada e eu sabia que tudo que Irina havia dito ele também tinha vontade de dizer, mas, ao contrário da irmã, ele conhecia os limites quanto a se expressar.

Ele se remexeu desconfortável ao meu lado e eu o encarei. Só quando sua mão acariciou meu rosto, limpando uma lágrima, foi que percebi que chorava.

Mais lágrimas vieram incontroláveis em seguida.

– Eu não a tirei da minha vida porque quis. Eu tive que ir. E não foi só pensando em mim, foi pensando no irmão dela que eu carregava. Lilian defendeu-se.

– Ah Santa Madre Tereza! Não baque a mãe altruísta. Você não tem um filho só. Rosalie também é sua filha, mas parece que você apagou isso enquanto vivia sua vidinha maravilhosa. Irina acusou e vi Lilian engolir seco, aparentando culpa. Você tem alguma noção do que essa garota passou? apontou para mim Aposto que ela não te contou detalhes. Quer uma dica? Experimenta ajudá-la com um banho e vai ver quantas cicatrizes ela tem. Nem todo tempo do mundo vai apagar as coisas que ela passou e você não estava ao lado dela para ajudar.

Um soluço escapou de minha garganta, atraindo os olhares para mim. Carmen já havia desistido de silenciar a filha e eu sentia a realidade da minha própria dor tomando conta ao ouvir o relato de minha cunhada. Era como se Irina estivesse escavando tudo que lutei para manter enterrado esse tempo todo para não demonstrar fraqueza. Não podia culpá-la. Ela queria que minha mãe se sentisse tão péssima quanto eu.

Senti a mão grande de Emm afagando minhas costas e ergui a cabeça, dando de cara com uma Irina irritada esfregando a testa. Seus olhos azuis brilhavam e seu rosto estava vermelho. Ela estava chorando.

– Não precisa jogar em minha cara tudo que minha filha sofreu. Eu não tinha como saber que... outra vez ela foi interrompida.

– Ah, tinha sim! Irina apontou o dedo no rosto dela. Com o crápula do marido que tinha, era obvio que tinha pelo menos a leve noção do que ele era capaz.

– Olha, eu não vim aqui pra isso. Lilian ficou de pé. Eu vim para tentar conversar com a minha filha, não para ser crucificada pelos meus erros. Já pedi perdão a Rose e pedirei mais trezentas vezes se for necessário. Eu só quero minha família completa. falou. Sua voz soando doce e quase sussurrada na última frase.

– Família! a loira riu. Rose é da minha família agora. Mas que droga! esbravejou.

– Irina, comporte-se! Car ralhou com ela. Não foi assim que seus pais te criaram, nem eu. Lilian está tentando fazer as pazes com a filha, por favor, vamos ser compreensíveis.

– Não, chega. dessa vez eu interrompi. Não, ela não iria colocar Carmen contra a filha por Irina tentar me proteger. Você não pode vir aqui e fazer a Car brigar com a filha por minha causa. Não pode bagunçar a vida dos outros assim, não pode Lilian. falei, irritada e chorando.

Queria tanto que aquilo tudo acabasse. Estava cansada e precisava dar um ponto final naquela situação. Queria pedir que ela sumisse outra vez, mas que fosse para sempre. Entretanto sabia que sentiria sua falta de novo. Era minha mãe, droga. Não conseguia, apesar de tudo, deixar de amá-la.

– Filha, por favor... pediu ela, se aproximando de mim com os braços estendidos. Afastei-me, agarrando o braço de Emm. Respirei fundo, de olhos fechados, antes de falar.

– Lilian. outro suspiro longo da minha parte. Mãe. Se tudo o que você diz é mesmo verdade então está certo. Eu te perdoo. E se quiser pode fazer parte da minha vida novamente, mas vai ser do meu jeito. Não vou deixá-la me machucar de novo, nem afetar as pessoas a minha volta. Principalmente minha filha. minha mão voou para meu ventre, como se quisesse garantir que Spencer estava lá, que estava bem. Então se quiser ficar, tudo bem. Só não desapareça de novo. Por favor. as últimas palavras saíram sussurradas e mais lágrimas rolaram.

Funguei, sequei o resto e encarei. Lilian assentiu, vindo me abraçar. Emm deu um passo para o lado, proporcionando espaço suficiente para que eu fosse abraçada por minha mãe e ainda sentisse seu calor.

Me deixei ser abraçada por ela. Apoiei o queixo em seu ombro e fechei os olhos. Pela primeira vez, em anos, me senti como a garotinha de 6 anos de quando ela me pegava no colo. Me senti a mesma menina de quando havia sonhado que ela me segurava ao descer do escorredor. Senti-me em casa, por mais que não quisesse admitir.

– Eu vou estar presente, filha. Eu prometo, meu amor. falou baixinho. Então se afastou minimamente para poder olhar em meu rosto. Eu te amo, filha. Não vou te decepcionar de novo. ela passou os dedos por minhas bochechas, secando as lágrimas.

Quando me abraçou de novo vi que Irina e Carmen também estavam abraçadas. A loira era visivelmente maior que a mãe e tinha o rosto apoiado na cabeça dela. Ela não chorava mais, porém os olhos azuis continuavam a brilhar. Percebi outra vez que minha cunhada era apenas uma garota crescida que ainda precisava de colo.

– Tudo bem, eu preciso ir. Lilian avisou, secando o próprio rosto. Tenho que buscar o Alex no colégio. É o último dia dele e já estou atrasada. Quer ir comigo, amor? Tenho certeza que ele vai adorar conhecê-la. sugeriu, sorrindo como se tivéssemos tendo uma conversa casual. Ta aí uma coisa nova nela que estava me incomodando. Essa estranha capacidade de mudar de humor e expressão tão facilmente.

– Acho melhor irmos devagar. Um passo de cada vez. Foi muita emoção numa conversa só. Rose está cansada, não é amor? falou Emm, se pronunciando pela primeira vez. Ele precisava me contar como havia adquirido tanto autocontrole. Ele colocou uma mecha de meu cabelo para trás, me fazendo sentir a maciez de seus dedos contra minha pele.

Assenti. Como ele mesmo disse: um passo de cada vez. Ainda não estava preparada para ver meu irmãozinho.

– Tudo bem, tem razão. Então estou indo. Aqui está o número do meu celular, pode me ligar quando quiser ok?! ela me passou um papelzinho dobrado. Até logo, filha.

Lilian beijou minha bochecha e se dirigiu a porta, seguida por Carmen.

– Se você sumir depois de tudo isso, não precisa tornar a aparecer. resmungou Irina quando minha mãe passou por ela. Ela estava de cara feia e braços cruzados. Emm riu e minha sogra a censurou com os olhos.

Então ela se foi. Ouvimos o motor do carro se distanciando e suspiramos, soltando um ar que sequer havíamos notado prender. Todos nós.

– Que dia, hein. minha sogra sorriu de leve, tentando amenizar o clima, mas, a meu ver, nada precisava ser amenizado.

Eu estava bem comigo mesma agora. As pessoas precisam perdoar para seguirem em frente e sabia que não fizesse isso por Lilian, quem não ficaria bem nunca seria eu. Sentir rancor é como beber veneno e esperar que a outra pessoa morra.

– Quem quer ver tevê? Tá passando uma maratona de Are You The One? irada! Irina se jogou casualmente no sofá, ligando a televisão com o controle remoto. Lá estava minha cunhada destrambelhada de volta.

– Programa de mulherzinha. Emm zombou e eu ri, o puxando comigo para o sofá. Ele esticou os pés na mesinha de centro da mãe e eu repousei a cabeça em seu peito.

– Olha a pipoca! minha sogra apareceu com uma tigela e sequer havia percebido que ela havia ido para cozinha prepará-la para nós. Tira o pé da mesa, menino. ela bateu na perna do filho e eu ri. Passou por nós e se sentou no sofá com a filha.

Passamos o resto do dia assim. Irina com a cabeça no colo da mãe, eu aninhada a Emm e uma maratona de um ótimo reality show passando na televisão de tela grande. A tigela verde de pipoca passando para lá e para cá, numa disputa da loira e de Emm pra ver quem comia mais.

Sorri, apreciando a calmaria bem-vinda no fim de um dia tão agitado. Era assim que eu queria viver. Com eles. E, se Lilian quisesse, poderia fazer parte da minha família maravilhosa.

Notas finais
Então, mereço comentários?! Por favorzinho :3 Gente, minha ideia inicial era fazer uma Lilian completamente boazinha, arrependida e até mesmo vítima. Mas, nessa briga com a Irina, ela acabou criando vida própria na minha cabeça. As duas criaram! E eu não consegui controlar minhas personagens. Era como se a Irina estivesse gritando na minha cabeça ''Ei, ela não presta. Escreve isso, caramba!'' hahaha E saiu assim. Espero que tenham curtido. Se alguém quiser recomendar... Vou ficar muito happy! Beijinhos, até breve.