The Safe Place

45 Capítulo 45 – Resolvendo Situações Difíceis


Notas iniciais
Olá amores! Quero me desculpar pela demora, mas não foi culpa minha. Culpem o mosquitinho maligno da dengue que picou minha mãe. Além dela dodói, eu também fiquei ruim do estômago. Resumindo, não dava pra digitar tomando soro no hospital :P Mas cá estou eu, esse capítulo tá grande pra compensar! Espero que gostem, vidinhas.

Meu domingo, pra todos os efeitos da noite anterior, começou tranquilo. Apesar de não ter dormido muito bem, enjoado e vomitado duas vezes durante a madrugada. Emmett não ficou na cama dormindo como eu pedi. Segurou meus cabelos enquanto eu colocava tudo para fora no banheiro, afagou minhas costas e disse que ia ficar tudo bem, que eu estava apenas nervosa.

Por volta das 4:30 da manhã consegui dormir, e fui assim até as 8h. Por mais que Carmen e Emm insistissem que eu ficasse na cama e tomasse meu café da manhã ali mesmo, me neguei veemente. Eu não estava doente. Desci e tomei café na mesa com todos.

Antes das 10h Irina telefonou e, muito calmamente, Car lhe deu a notícia sobre a morte do meu pai. Quando a loira pediu para falar comigo e me disse que iria voltar agora mesmo, pela manhã e não no fim da tarde como planejando, tive que insistir que não o fizesse. Irina merecia aquele final de semana com Stefan, era injusto encerrar seu tempo junto ao namorado por minha causa. Eu estava bem, afinal.

Então minha cunhada desistiu, mas deixou bem claro que cuidaria de mim quando chegasse. Não tive dúvidas que faria isso, ela era tão incrível quanto os outros.

Depois do café, seu Eleazar havia saído e retornou antes do almoço. Ele havia ido até a delegacia resolver a burocracia relacionada a Hector, apesar de não ser parente, alegando que eu não estava em condições pra isso. Quando chegou, ele e Carmen se sentaram na sala, comigo e Emmett, para uma conversa.

Eleazar explicou que a tal vizinha que chamou a polícia havia escutado os tiros. A polícia investigou — tanto no trabalho de Hector quanto nos bares do bairro que ele frequentava — que meu pai tinha dúvidas altas de jogo. Eu nem sabia que ele jogava! Isso me pegou de surpresa, mas mesmo assim não duvidei. Meu pai era capaz de tanta coisa, que ainda me admirava sua capacidade de me assustar. Enfim, os caras que ele estava devendo perderam a paciência e foram acertar as contas. A polícia me encontrou quando procurou por pistas em minha casa, encontrando documentos meus que os guiaram até a Forks High School. De lá foi fácil obterem a informação de que Emmett Cullen saberia do meu paradeiro.

“Um professor do colégio, chamado Stefan Fitz, disse que sabia onde Rosalie Hale estava”, Eleazar repetiu a frase do policial. Era lógico que o professor Stefan sabia, Irina deve ter comentado por várias vezes que eu estava em sua casa.

Quando o pai de Emmett terminou seu relato, dizendo que eu não precisaria me preocupar com a questão do enterro, que ele já estava se encarregando disso, agradeci.

Agora que estava tudo esclarecido, não pude deixar de pensar em um culpado para tudo isso. Hector, é lógico, era o grande culpado. Mas ele só havia entrado nessa, de jogos e bebidas, para suprir a falta que a mamãe fazia. Se ela não tivesse ido embora, talvez ainda tivéssemos uma família, torta e cheia de discussões, mas ainda sim uma família.

Entretanto eu não poderia culpá-la, a vida dela ao lado do meu pai era horrível. Eu teria feito o mesmo no lugar. Só não sei quanto a parte de abandonar a filha de 13 anos com um monstro daqueles.

Não, eu jamais abandonaria meu filho.

Senti meu coração endurecer. Mamãe jamais deveria ter me deixado e agora eu tinha certeza que poderia viver muito bem sem ela. Ela não iria voltar, tinha que parar de fantasiar com isso.

Carmen expressou seu alívio por eu não estar lá quando tudo aconteceu, do contrário eu poderia estar morta também. E meu bebê. Um arrepio percorreu meu corpo, senti minhas veias congelarem. Talvez tenha valido a pena a surra que levei de Hector quando ele descobriu sobre a gravidez, que me mandou direto para o hospital. Valeu muito a pena por ter Emmett de volta e salvar a vida do nosso bebê.

Emmett não desgrudou de mim nenhum minuto sequer do dia. Carmen a todo instante vinha me oferecer algo e checar se estava tudo bem. Antes que saísse para seu escritório que ficava no outro cômodo, dei um abraço singelo no senhor Cullen. Eleazar estava demonstrando como esta família era tão amável e atenciosa. Ele devolveu o abraço e me senti a Irina quando ele beijou minha testa, dizendo que não havia nada que agradecer.

Durante o almoço tentei escapar de comer, não estava com apetite, ainda mais depois dos enjoos da madrugada. Mesmo assim Car e Emm não me deixaram fugir de comer pelo menos um pouquinho.

[...]

Eram quase sete horas da noite quando Irina chegou. A loira afirmou que não conseguia ficar mais nenhum minuto sem me dar um abraço e apoio.

Não consegui sequer ficar brava com ela por ter voltado horas mais cedo de sua pequena viagem com Stefan. Ela havia feito isso por mim, só podia agradecê-la e aceitar seu abraço.

Depois que Eleazar contou para filha o que aconteceu – eu mesma não conseguiria repetir o relato policial – Irina me puxou para cima, a caminho de seu quarto. Emmett quis vir junto, mas ela o impediu.

“Preciso conversar a sós com a Rose, gatinho. Você sabe por quê.” – foi o que ela argumentou e Emm não discutiu, dando meia volta nas escadas e voltando para sala com os pais.

Quando cheguei ao quarto de Irina, ela deixou a grande mala cor de rosa e a bolsa sobre a cama. A loira me puxou para o colchão e segurou minhas mãos.

– Olha, seria muita indelicadeza da minha parte perguntar se você está bem, prometer que vai passar e que logo você esquece. Porque não é assim que as coisas funcionam. – começou ela. Seu olhar era sério. – Eu também perdi meu pai. Meu pai e minha mãe, de uma vez só, num acidente. A dor foi insuportável. Eu tinha 16 anos e me senti literalmente perdida no mundo.

Os olhos azuis de Irina brilharam pelo acúmulo de lágrimas. Era diferente, até mesmo estranho, vê-la chorar. Minha cunhada estava sempre tão alegre, como se nada pudesse afetá-la e tirar seu sorriso do rosto. Era difícil perceber que ela já tinha passada por tamanha tristeza.

Irina era tão forte!

– Quando a Carmen e o Eleazar foram me buscar mais cedo no colégio, eu soube que havia algo de errado. Mas eles não me deixaram sozinha nem um minuto sequer, Rose. Eles sempre foram minha família. – ela sorriu, secando uma lágrima de rolou. — Quando fui morar na casa deles foi bem estranho. O Emm tinha ciúmes de mim no começo, ainda mais quando a Carmen disse que estava na justiça tomando minha guarda. Mas aí a gente ficou mais próximos rapidinho. Sempre fomos amigos mesmo, não tão próximos, mas acabamos virando irmãos com a convivência.

Imaginei Irina e Emm mais novos. Emmett com ciúmes da nova irmã, Irina com medo, se sentindo sozinha. Exatamente como eu me senti quando soube da notícia. Mas, assim como ela, eu também tinha encontrado um novo lar. Que, por acaso, agora era o mesmo que o dela.

– O que eu quero dizer é que eu te entendo, Rose. Sei como é a dor e o vazio que está sentindo. Mas olha só, eu fiquei bem. Pode parecer que eu não tenha sentimentos, que não fique triste por nada, mas não é verdade. Talvez eu seja toda destrambelhada assim pra não demonstrar para os outros minhas fraquezas. – ela sorriu outra vez e eu a acompanhei. Irina era tão especial. – Mas eu sofri sim com a morte dos meus pais. Você também está no seu direito, apesar do seu pai não merecer nenhuma lágrima sua. Ele não soube cuidar da filha maravilhosa que teve. – ela acariciou minha bochecha suavemente, me fazendo chorar também.

Mesmo que não fosse filha biológica, Irina estava provando que era filha de Carmen. As duas tinham o dom de dizer as palavras certas, nos momentos exatos. Eu não podia estar mais grata e emocionada por isso.

Se pudesse voltaria no tempo e retiraria as palavras egoístas que eu disse a Emmett. É claro que eu tinha família. Eu tinha cunhada, sogro, sogra, namorado e um bebê a caminho. O que mais eu poderia querer? Ainda tinha minhas melhores amigas e novos amigos. Pessoas que se importavam comigo, me amavam e cuidavam de mim.

Eu não podia ser tão ingrata a ponto de esquecer tudo isso.

Irina e eu ficamos por mais um tempo conversando, só nós duas. Depois Carmen se juntou a nós, contando histórias de quando a filha finalmente se tornou filha dela e como era divertido ver Emm e Irina implicando.

Foi bom, me fez relaxar e me familiarizar ainda mais com elas. Com essa nova família.

Depois de jantarmos em família, todos estavam cansados. Como Car havia dito, foi um dia longo. E, na minha concepção, a semana toda seria ainda mais cansativa.

[...]

Alguns dias depois...

Na segunda-feira seguinte após a notícia da morte Hector, eu fui ao colégio. Carmen insistiu que eu ficasse, mas eu neguei veemente. Ficar na cama me lamentando não me levaria a lugar algum, nem traria ninguém de volta. Então, pela manhã cedinho, estava no carro vermelho de Irina com Emm, sendo levada por ela para Forks High School.

Não tive contato nenhum com as meninas no final de semana. Então quando Bella chegou reclamando da segunda-feira e Alice com a mesma carinha triste da última vez havia a visto, tive que contar.

Bella quase engasgou com a própria saliva, mas se recuperou do choque e me abraçou. Demonstrou até estar triste, mas pareceu mais brava por eu não ter ligado para ela. Argumentei que não era o tipo de coisa que eu queria dizer pelo telefone. Até porque nem celular eu tinha mais e não queria ficar usando o de Emmett a todo o momento.

Alice quase não esboçou uma reação. Apenas me abraçou e disse um sinto muito. Durante toda aula sua mente parecia estar longe, com a cabeça lá em Marte menos em Forks.

Queria realmente saber o que havia de errado com ela, mas a baixinha se esquivava de qualquer pergunta minha ou de Isabella. Chegou a dizer que eu não tinha que me preocupar com ela, apenas comigo mesma pelo fato da morte do meu pai.

Não fiquei brava, ela não falou de forma grosseira. Mas pedi a Bells que parasse de questioná-la. Quando quisesse acabaria nos contando.

Quando o velório do meu pai chegou, fiquei nervosa e angustiada. Parte de mim não queria ir, a outra parte dizia que eu devia. Então, depois de brigar comigo mesma, reuni minhas forças e fui junto com os Cullen. Só nós, foi tudo rápido e simples.

Agradeci por não ter chegado a ver o corpo dele.

Depositei uma flor amarela sobre a lápide, acreditando que, apesar dele não merecer, eu devia me despedir dela uma última vez.

Aquele dia passou tão monótono e cinza quanto o céu lá fora.

Assim que cheguei em casa, não quis ficar parada, deitada e calada como todos esperavam. Peguei o material escolar e resolvi estudar o máximo de matéria que conseguisse. Emmett pulou fora, alegando que ainda faltavam duas semanas para as provas começarem. Eu só queria me distrair e estudar era uma forma de fazer isso.

[...]

– Hey Rose, quando é que vamos ter outra foto desse bebê? – Bella perguntou enquanto nos dirigíamos a saída do colégio. Era sexta-feira e eu não poderia estar mais agradecida pela semana mais estranha da minha vida finalmente ter chegado ao fim.

– Como se você não soubesse que eu tenho consulta hoje no fim da tarde, Isabella. – revirei os olhos, brincando.

– Se Alice estivesse aqui arrastaria aquela baixinha pentelha para irmos com você. Deve ser tão legal. – Bells sorriu, acariciando minha barriga quando paramos em frente a caminhonete.

– Por falar na Alie... Acho que deveríamos passar na casa dela, Bells. Ela está muito estranha esses dias e, apesar de eu mesma ter insistido para não questioná-la, precisamos entender o que está acontecendo para ajudá-la. – comentei, preocupada.

Alice havia faltado a aula de hoje e não atendeu o celular nenhuma das vezes que Bella ligou. Nem sequer respondeu as mensagens. Alguma coisa havia acontecido e eu esperava que ela não estivesse tão mal a ponto de se machucar, como há tanto tempo não fazia.

– Acha que deveríamos ligar e avisar que estamos indo lá? – minha morena perguntou e eu neguei.

– Você já ligou umas dez vezes. Ela está se escondendo. Seja lá o que a baixinha tem, vamos ajudar. – ajeitei a mochila no ombro, dando certeza a Bells que estava empenhada em descobrir agora mesmo o que havia com Alice.

– Tudo bem, partiu casa dos Brandon. Vai avisar ao Emmett?

– Não precisa, ele sabe que vou pra casa com você. Ele tem treino até às 15h. O jogo é neste domingo. Eu mando uma mensagem do seu celular no caminho. – respondi, dando a volta e entrando na caminhonete alaranjada e velha da minha melhor amiga.

Bella guiou a picape pela saída do colégio, ligando o rádio e deixando suas batidas de rock tomarem conta do pequeno ambiente.

– Ai que saudade do meu celular, dos meus fones, da voz da Lana Del Rey. – reclamei, massageando as têmporas teatralmente. Isabella riu do meu drama.

– Quando é que vai comprar um celular novo, Hale? – perguntou ela, desviando o olhar rapidamente pra mim.

– Quando me deixarem trabalhar. Sério, eu estou muito bem e, mesmo contra vontade da Irina e do Emm, segunda eu volto para loja. – afirmei convicta.

Eu estava cansada de ficar parada. Não que eles me achassem um estorvo, mas eu queria me sentir útil. Fora que morar na casa de Emmett não quer dizer que eu vá depender dele pra tudo.

Depois do enterro de Hector, fui com Emmett e o pai dele até minha casa. Uma tentativa falha de recuperar qualquer coisa minha. Primeiro porque o lugar estava uma bagunça, meu quarto de cabeça para baixo. E segundo porque eu não queria muitas lembranças do que vivi ali.

Então acabei resgatando apenas meus documentos que ficavam numa caixa no fundo do guarda-roupa, um livro que ainda estava intacto, e algumas peças de roupas que ainda estavam decentes, mesmo que não fossem servir em mim agora.

Agora minha antiga casa estava lá, trancada e deixada à boa sorte. Por mim, não voltaria a pisar meus pés lá. Se um dia Lilian voltasse... Bom, talvez ela nem tivesse mais direito sobre a casa.

Quando o motor forte da picape parou, acordei dos meus pensamentos. Bella havia estacionado em frente à casa de Alice. Deixei a mochila no banco, Bells pegou apenas o celular e descemos.

Batemos na porta e esperamos. A casa parecia silenciosa e logo ouvimos passos ritmados em nossa direção.

– Ah, oi meninas. Que surpresa. – tia Marie nos atendeu. Seu sorriso não era tão espontâneo e alegre quanto tentava demonstrar.

– Oi dona Marie, a Alice está? – essa foi Bells, esgueirando a cabeça pela fresta da porta em busca da baixinha. Belisquei sua cintura e ela ajeitou-se.

– Ela está no quarto. Entrem. – a tia de Alice nos deu passagem e entremos. A curiosidade de Bella estava me deixando envergonhada, tive que segurar sua mão para que não corresse escada à cima atrás da nossa baixinha desaparecida.

– Sabe o que é tia Marie... A Alice não foi ao colégio hoje e ficamos preocupadas. Ela não atende o celular, estava triste a semana inteira e... – um barulho forte interrompeu minha fala. Parecia uma porta batendo.

– Oh meu Deus... – dona Marie sussurrou, caminhando em direção as escadas. – A Alice não está muito bem. É coisa de família, acho melhor ela mesma contar. – nos explicou, enquanto subíamos os degraus atrás dela. Paramos na porta do quarto da baixinha. – Lice, meu bem, sua amigas estão aqui.

Mesmo após as insistentes batidas da tia, Alice não quis abrir. Bella já estava se preparando para dar um pontapé na porta, mas eu a segurei. Ela não iria quebrar outra maçaneta de Alice, mesmo que da primeira vez a situação tenha sido extremamente necessária.

– Tia Marie, pode deixar a gente sozinha com ela? Ela vai abrir, eu garanto. – pedi docemente, lançando meu melhor sorriso compreensivo.

– Tudo bem, boa sorte querida. Está linda, sabia?! – ela acariciou levemente o volume em minha barriga, depois tocou no ombro de Bells. Agradeci a vendo sumir no corredor.

– Ok Alice, se não abrir por bem, eu vou chutar essa porta até ela cair. – Bells ameaçou, mas sabia que ela estava tão nervosa quanto eu. Nós duas sabíamos bem o que a baixinha fazia quando ficava trancada por muito tempo.

– Assim que ela não vai abrir mesmo, Isabella. – revirei os olhos. – Alie? – bati de leve na porta. – Só queremos conversar com você. Somos suas melhores amigas, mas não somos advinhas. Você tem que abrir e conversar com a gente. – pedi e nada aconteceu.

Bells soltou um gemido de desgosto.

– Alie, por favor. Foi alguma coisa no colégio? Com o Jasper? Pode nos contar qualquer coisa, meu amor, mesmo que pense que não é importante. – insisti. – Alice?

Silêncio. Outro gemido da parte de Bella e agora ela parecia estar ficando irritada.

– Escuta aqui baixinha, se aquele loiro metido à carinha de anjo fez alguma coisa me fala que eu vou sentar minha mão na cara dele. Mas se você não abrir, quem vai apanhar é você, Alice Georgia Brandon! – Bells ameaçou, batendo as duas mãos em punho na porta.

– Você sabe que ela odeia esse segundo nome, não é? – ri e Bella deu de ombros. Ela estava apostando em qualquer coisa para fazer Alice sair. – Ah desisto Bells, vou pra casa almoçar. – comentei, notando que Alice não sairia dali tão cedo.

Quando estávamos prontas pra desistir, escutamos o barulho da tranca. A porta abriu e uma Alice chorosa deu as caras, vestida num pijama rosa com estampas de ursinho.

– Finalmente! – Bells brincou, revirando os olhos. Cutuquei seu braço e fui logo abraçando Alice.

– O que houve baixinha? Estamos preocupadas com você. – perguntei, enquanto a guiava para perto de sua cama.

As cortinas do quarto dela ainda estavam fechadas. As cobertas estavam emboladas sobre a cama. Parecia que alguém doente estava dormindo ali.

– Okay, desembucha. Escola? – Bells arriscou, sentando na cama de Alie e segurando sua mão. A baixinha negou.

– Tudo bem Alie, pode nos contar. – coloquei uma mecha do cabelo dela para trás, acariciando o contorno macio de seu rosto esbranquiçado.

– É que... Meus pais estão se separando. Ontem teve uma discussão horrível aqui e meu pai saiu de casa. – ela falou, com a cabeça baixa.

Isabella engoliu em seco. Havia tocado em algo que ela entendia muito bem. Divórcio.

–Mas Alice, foi tão grave assim pra deixar nesse estado? – Bella perguntou, com uma expressão séria no rosto.

– Foi. Minha mãe não parava de gritar, ela quase acertou um vaso na cabeça do meu pai. Eu nem sei qual foi o motivo da briga, mas não foi a primeira. Eles sempre querem parecer o casal perfeito perto dos outros, mas aqui dentro quase nem se falam. Eu me sinto culpada. Talvez se eu tivesse me esforçado para ser uma filha melhor, fizesse mais coisas junto com eles, isso não teria acontecido. – Alice contou. Seus olhos grandes se encheram de lágrimas outra vez e eu a abracei mais.

Bella se aproximou de nós, afagando as costas da nossa pequena melhor amiga.

Alie não tinha culpa de nada. Ela sempre fora uma filha ótima. Seus pais quem nunca lhe deram atenção e nisso ela não podia se culpar. A culpa é deles, a decisão de divórcio também. Um filho não pode se responsabilizar por isso e alguém tinha que colocar isso na cabeça da baixinha.

– Alie, a separação deles não é sua culpa, não é de ninguém. O casamento deles acabou, isso acontece. Por favor, não se culpe, amor. – pedi a aninhando mais em meu colo.

– Mas Rosie... – ela tentou argumentar, mas Bella a interrompeu.

– Alice, você acha que eu fui culpada do divórcio dos meus pais?

– Não. Mas, Bells, você só tinha 3 anos. – tentou intervir.

– Não importa. Mesmo assim não foi o fim do mundo. Eu tenho duas casas em cidades diferentes, posso escolher onde passar as férias e ainda ganhei um padrasto e quase uma madrasta. Pode não parecer, mas vieram coisas boas com o divórcio deles. Eu posso não me lembrar da época que morávamos juntos, mas tenho certeza que não ia gostar de saber que minha infância foi numa casa cheia de gritos e discussões. – Bella contou, fazendo Alice encará-la.

Eu concordava com Bells. É melhor crescer com os pais separados do que num lar conturbado. Eu posso afirmar isso. Quantos pesadelos eu já tive com as cenas de Hector batendo em minha mãe. Alice tinha que tentar enxergar o lado menos dolorido dessa situação, e não se culpar.

– Você tem razão, Bells. Vocês duas. Mas, mesmo assim, é difícil. Queria minha família inteira e perfeita como pensam que somos. – a mágoa na vozinha chorosa de Alice foi de cortar o coração.

Bella e eu a abraçamos em grupo, depois beijamos sua cabeça. Alice precisava saber que não devia ficar escondida ali remoendo sua dor sozinha. Nós estávamos como ela. Sempre.

– Nenhuma família é perfeita, Alie. Mas com o tempo a gente aprende isso. – falei, dando um beijo em sua bochecha. – Agora a senhorita vai levantar dessa cama, descer e almoçar. Afinal, eu estou com fome e sentindo o cheiro da comida da tia Marie daqui. – brinquei, conseguindo arrancar um sorrisinho da baixinha. Isso já bastou para me tranquilizar. Ela iria ficar bem.

Bella ficou de pé e foi logo abrindo as cortinas. Eu comecei a dobrar as cobertas enquanto Alice tirava a blusa do pijama. Foi aí que vi as marcas vermelhas em seu pulso.

– Alie, você prometeu. – segurei seu braço, expondo a pele. Bella veio logo ver e fez cara de desapontada.

– Desculpa, mas eu estava muito mal com isso. – ela puxou o braço, cobrindo o machucado com a mão.

– Foi por isso que não foi hoje? Não queria a gente visse? – Bella perguntou e ela assentiu.

Suspirei. Era óbvio que Alice tinha se cortado outra vez. Já tinha passado dos limites a minha preocupação e de Bella. Tínhamos que contar para alguém responsável e pedir que ajudasse Alice.

– Alie, nós vamos contar para sua tia. – afirmei.

– O que? Não, vocês prometeram. Não podem fazer isso. Ela vai ficar chateada, já basta essa situação dos meus pais. – falou ela, nervosa, querendo chorar outra vez.

– Alie, alguém precisa te ajudar. Você vai ficar assim até quando? Não é o fim do mundo nem vergonha nenhuma pedir ajuda. Nós vamos falar, é para o seu bem. Bells chama a tia Marie, por favor. – pedi e vi Bella assentindo. A morena saiu do quarto, me deixando com uma Alice já chorando. – Nós vamos ficar com você, baixinha. Do seu lado, está bem?! – passei minhas mãos por seus braços, na tentativa de acalmá-la. Alice soluçou e eu tornei a abraça-la.

Guiei Alice até o banheiro e a ajudei com um banho rápido. Fiz o curativo em seu pulso e quando saímos Bells esperava no quarto com a tia Marie.

A conversa foi longa, entre lágrimas das duas. Mas Marie prometeu ajudar e disse que devíamos ter dito isso a ela há muito tempo. Era verdade. Eu e Bella adiamos muito contar à tia de Alice, mas tínhamos medo também de perder nossa melhor amiga.

Depois de avisar que marcaria um psicólogo com urgência para sobrinha, Marie nos ofereceu almoço. Apesar de Alie não querer comer, fizemos a baixinha almoçar um pouquinho que fosse. Conseguimos até arrancar alguns sorrisos dela.

Quando vi, a tarde havia se estendido e estava quase na hora de Emmett sair do treino. Logo ele estaria em casa e provavelmente curioso sobre onde eu estaria, já que esqueci completamente de mandar mensagem pelo celular de Bells.

Ganhei outra carona na picape para voltar. Alice prometeu que segunda estaria no colégio, bem. Eu e Bella recebemos um beijo e um muito obrigado da tia da baixinha, o que nos fez sair de lá com a sensação de dever de amiga cumprido.

Notas finais
Então, a semana passou pra Rose se acostumar com a nova realidade. Quem ficou triste pela Alie? Tadinha da nossa baixinha. Comentem, por favorzinho. No próximo .. tchan tchan tchan... Vamos saber quem ganhou a tal aposta! Beijinhos da JoiJoi.