The Safe Place

3 Capítulo 3 – Um novo Amigo, talvez.


Notas iniciais
Hey gatitas! Sério, estou delirando com tantos comentários. Vocês são incríveis! Preparadas para saber como vai ser esse encontro surpresa? Come on, girls!

Fiquei sem reação quando me virei dando de cara com o aluno novo. Porque alguém como ele estaria falando comigo fora da escola?

–Oi, eu te vi lá dentro, mas não pude falar com você. Estava ajudando meu pai. – ele me explicou.

– Tudo bem. – falei encarando o chão.

– Você está com pressa? – perguntou, me fazendo encara-lo novamente.

–Estou eu preciso ir pra casa logo. – respondi não querendo ser grossa, mas precisando encerrar o assunto ali antes que meu pai resolvesse sair para me procurar.

–Quer companhia até lá? – ele sugeriu. – Me deixa ajudar você com isso. – falou já pegando as sacolas de minhas mãos, não me deixando nem sequer responder. Ele foi andando para fora dali e eu fiquei parada achando aquilo tudo muito estranho.

–Vai ficar aí? – ele virou para mim, rindo de leve, exibindo suas covinhas. Senti vontade de correr até ele e apertá-las.

–Desculpe. – murmurei assim que me aproximei dele.

–Você gosta muito dessa palavra, não é? – ele riu.

–Talvez porque eu tenha de mencioná-la muitas vezes. – falei baixo, mais para mim do que para ele. Mas acho que Emmett percebeu.

–Está mancando? – ele notou enquanto caminhávamos.

–Eu... Eu caí da escada, foi isso. – menti. Mas porque diria que meu próprio pai me chutou?!

–Mas não foi nada grave, não é? – ele pareceu se preocupar.

–Não, está tudo bem.

–E como está sua amiga? Acho que nunca vi alguém chorar tanto daquela forma. Me senti mal por ela. – ele falou me fazendo encará-lo subitamente. Ele notou minha expressão confusa. Nós andávamos lado a lado na rua, eu com as mãos no bolso do moletom. – O que foi? – ele questionou minha expressão.

–Vou ser sincera. Não entendo porque está me ajudando. Porque ajudou a Alice. Seus amigos não gostam de nós, você também não deveria gostar. Sei que é novo no colégio e tal, quer ser legal com todo mundo, mas já vou avisando que se for legal com a gente você vai sofrer também. – falei de uma vez, querendo mostrar para ele a realidade do colégio de Forks.

–Como assim não gostam de vocês? Eu... Gostei de vocês. – ele deu de ombros.

–Não, eles simplesmente não gostam. A Maggie é a pior de todas, você viu o que ela fez com a minha baixinha. Me dói todos os dias ver o que eles fazem com minhas amigas mais do que comigo. E sinceramente, você parece ser uma boa pessoa, acho melhor não andar conosco.

–Acho que já entendi. Notei isso assim que cheguei. O lance daquele colégio é as panelinhas.

–Exatamente. – assenti.

–Acho isso ridículo. Todos deveriam ser amigos lá, no mínimo se respeitarem. Mas vocês têm problemas com meu primo? – perguntou me encarando.

–O Masen? Não como com a Maggie. Seu primo é mais do tipo bagunceiro, gosta de fazer brincadeirinhas. Mas nada que não dê para aguentar. A Maggie e as amigas são mais cruéis. – falei encarando o fim da rua, assim que paramos em frente a minha casa.

Não sei como, mas o sorriso dele me passava uma confia incomum, só por isso tive coragem de lhe contar tudo isso. Infelizmente não era nem metade do que eu sentia, do que as meninas sentiam.

–Olha Rosalie, eu não me importo com as panelinhas. Meu primo sabe ser idiota. – falou me fazendo rir de leve. – Mas é um cara legal, acredite. Você também parece ser uma garota bem legal. Podemos ser amigos. – ele falou. Fiquei encarando seus olhos verdes por tempo demais, eu acho. Depois desviei o olhar para meus pés.

–Eu não... – fiquei sem saber o que responder. Seria ótimo ter um amigo, um amigo legal como ele parecia ser, como estava sendo. Mas isso duraria? Ele aguentaria depois as brincadeirinhas dos outros por nós?

–Eu não sou igual a todo mundo daquele colégio. – ele buscou meu olhar. – Sou bem mais bonito que a maioria. – falou me fazendo rir. – Você deveria sorrir sempre, garota. E não deixar se intimidar pelas pessoas de lá.

–É mais difícil do que imagina.

– Vamos fazer assim, amanhã ficamos o intervalo juntos, tá certo? Eu, você e suas amigas.

–Tem certeza? – eu não queria me agarrar à ideia de começar uma nova amizade e ser enganada ou humilhada por ele dizendo que nós nunca poderíamos ser amigos, que éramos de classes sociais bem diferentes.

–É claro! – ele piscou pra mim e jogou o corpo de leve, batendo o braço dele no meu. Gemi baixinho pela dor. Ele não tinha intenção de me machucar ali, mas meu pai havia me machucado, estava dolorido.

–Está tudo bem? – perguntou notando que eu passava a mão pelo local.

–Sim, está. – escutei barulho dentro de casa. Com certeza meu pai sairia para ver porque eu estava demorando tanto. – Eu preciso entrar, desculpe.

–Tudo bem, mas está combinado amanhã então? – perguntou.

–Está. Até mais. – me virei, abrindo rapidamente a porta e entrando. Fechei a porta com uma urgência que chegava a ser estranha. Só não queria que meu pai saísse e o visse lá fora.

–Demorou tanto por quê? – perguntou quando meu viu na cozinha guardando as compras.

–A fila estava grande. – respondi sem nem encará-lo.

Preparei o almoço e comemos em silencio. Eram quase três da tarde quando terminei de arrumar a cozinha e pude subir para meu quarto para fazer as tarefas da escola. Primeiro dia de aula e os professores não tem piedade de nós.

Largada no tapete do meu quarto com os livros no colo, meus pensamentos vagaram para Emmett Cullen.

Como ele havia me encontrado ali? Será que morava por perto? Ele disse que estava ajudando o pai. Será que eles eram donos do tal armazém? Mas ele havia acabado de se mudar para Forks segundo as fofoqueiras do colégio.

Bom, rico ou não, ele realmente parece ser um cara muito legal. Se amanhã ainda estiver simpático como hoje vai ser ótimo. Ter um amigo como ele, que ajuda as pessoas e não curte “as panelinhas”, será um sonho realizado. Mas não quero criar esperanças. Amanhã ele pode perceber o quão equivocado esteve querendo ser amigo das três sem graças do colégios, como éramos rotuladas.

Seria uma pena se isso acontecesse, por não veria mais aquele sorriso de covinhas fofas direcionado a mim despertando uma confiança que nunca senti com ninguém ali além das meninas.

Direcionei os pensamentos ao estudos e me concentrei no dever de casa.

XXXXX

Já eram quase seis horas da tarde quando escutei batidas na porta de casa.

Eu estava cochilando sobre os livros, minha cara devia estar toda amassada. Larguei tudo no chão do quarto e fui abrir a porta depressa antes que meu pai berrasse para eu fazer isso.

Passei pela sala notando meu pai dormindo largado no sofá. Logo mais ele sairia para trabalhar e só voltaria depois que enchesse a cara no fim do expediente.

Abri a porta tomando um susto com a pessoa que estava ali.

–Emmett? O que faz aqui? – perguntei, saindo de casa e fechando a porta atrás de mim. Não queria que meu pai o visse ou nos escutasse, e nem que Emmett visse minha velha casa por dentro.

–Vim te chamar para dar um volta, me mostrar a cidade. – respondeu com um sorriso empolgado.

–Está brincando, não é? – perguntei confusa.

–Claro que não. Rosalie, já disse que quero ser seu amigo garota. Larga de implicância.

–Des... – ele não me deixou terminar e silenciou minha boca com o dedo.

–Sem desculpas, lembra? Por favor, né?! Vamos nessa, a não ser que esteja muito ocupada.

Eu não tinha nada mesmo para fazer, meu pai acordaria logo e sairia sem nem mesmo se despedir de mim. Não haveria problema algum.

–Não tenho nada pra fazer. Podemos ir. – me vire apenas para trancar a porta.

Fomos andando pelas ruas da pacata e fria cidade de Forks. Emmett me contava um pouco de sua vida em Port Angeles, onde morava antes com sua mãe Carmen e seu pai Eleazar, que são os novos donos do armazém que fui hoje. Seus pais estavam ampliando uma rede de mercados e o compraram para reformar e fazer uma espécie de mini — supermercado. Ele jogava futebol americano no colégio de lá e faria o teste em breve para o pequeno time do nosso colégio.

–Mas então, me conta um pouco de você. – ele pediu

–Não tenho nada de interessante para dizer.

–Ah duvido. Sua mãe, seu pai... Tem irmãos? – perguntou.

–Não tenho irmãos. Minha mãe foi embora de casa há três anos e eu moro só com meu pai. – contei, sem dar detalhe algum.

–Eu sinto muito pela sua mãe.

–Ela era ótima. Sinto falta dela. – falei olhando para o céu que escurecia. O vento fazia meu cabelo chicotear no rosto. Estava esfriando mais.

–Porque ela foi embora? – ele perguntou curioso. Eu hesitei em responder e ele notou meu desconforto. – Me desculpe, não devia perguntar. Vamos mudar de assunto.

Assenti, concordando. Aquele não era um assunto em que me sentia bem em falar ainda mais com uma pessoa que nem conhecia direito.

Ouvi seu estômago roncar e nós rimos do barulho.

–Acho que está na hora do jantar. – ele olhou para o relógio em seu pulso. – Você quer ir comer lá em casa?

–Não, não. – recusei.

–Por quê? Seu pai não deixa?

–Não é isso. Ele já deve estar indo trabalhar uma hora dessas e chega bem tarde. — respondi.

–Então por que não?

–Nem nos conhecemos direito e eu... – hesitei em falar. — Não quero incomodar. — Disse envergonhada.

–Vamos mudar essa história de ‘nem nos conhecemos direito’ jantando juntos. E nem me venha com essa de incomodar. – ele sorriu me incentivando.

Seria muito errado aceitar? Ele estava demonstrando ser tão legal...

–Tudo bem, eu vou. – falei baixo.

–Isso aí, garota. – ele comemorou passando o braço por meus ombros me apertando contra seu corpo.

–Ai. – gemi de novo.

–Desculpe, eu sempre te machuco, não é?

–Não, não foi você. – tranquilizei quando ele tirou o braço de cima de mim.

–Como assim não fui eu? – ele perguntou arqueando uma sobrancelha.

–Não foi isso que quis dizer. Eu... É, eu... – gaguejei sem saber como sair dessa situação. Não podia dizer que meu pai me bateu e apertou meus ombros com tanta força que ficaram marcas.

–Rosalie, eu sou seu amigo. Você pode me contar o que quiser. – ele pediu. Sua mão buscou a minha quando notou que meus olhos se enchiam de lágrimas.

Senti sua mão segurando a minha, a apertando e transmitindo aquele estranha confiança. Mesmo querendo falar para ele, para alguém além das meninas, o que se passava na minha vida, eu não podia. Não agora.

–Não foi nada, por favor. – soltei sua mão, secando os olhos antes que alguma lágrima quisesse rolar e denunciasse minha verdadeira dor.

–Tudo bem, eu espero você confiar em mim. – ele pegou minha mão outra vez e acariciou com o polegar o dorso dela.

Fomos andando assim, de mãos dadas, até sua casa que ficava há poucas quadras dali.

Eu me sentia estranhamente confortável segurando sua mão. Como se nossas mãos se encaixassem perfeitamente e fossem para ficar unidas para sempre.

Mas eu sei que não era nada disso. Era apenas uma sensação boba do coração de uma adolescente sonhadora como eu.

Paramos em frente uma casa grande e bonita. As paredes eram brancas as janelas de vidro. Era um sobrado, e as luzes da frente estavam acesas. Dois pequenos jardins faziam um caminho até a porta da frente, onde um tapetinho de ‘Bem-vindo’ estava posicionado dando familiaridade a casa.

–Sua casa é muito bonita. – comentei quando ele abriu a porta me cedendo passagem.

–Obrigado. Minha mãe está adorando morar aqui. E adorou encontrar essa casa.

–Pois ela tem muito bom gosto. – sorri.

–Família? Cheguei. – ele anunciou entrando na cozinha, de onde ouvi barulhos e uma conversa entre duas pessoas. – Vem Rosalie. – me chamou, notando que fiquei para trás.

–Filho, que bom que já chegou. Trouxe uma amiga?! – uma mulher muito bonita, de cabelos castanhos me olhou sorrindo. Não tive como não sorrir de volta. Ela parecia ser muito doce.

– Mãe, pai, essa é minha amiga Rosalie. – Emmett me apresentou e uma sensação maravilhosa, que há tempos não sentia, de família unida invadiu meu coração quando seus pais direcionaram sorrisos radiantes para mim.

Notas finais
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