The Safe Place
17 Capítulo 17 – Baile: Meu Conto de Fadas
Notas iniciais
Fui empurrada para dentro do quarto de Irina. Havia pilhas de roupas sobre a cama e fileiras de sapatos no chão encostados a uma parede. O notebook cor de rosa também estava sobre a cama e Irina o afastou, atirando algumas peças para de roupa para o lado, para que eu pudesse me sentar.
–Olha, não reparara a bagunça, mas eu ainda estou me organizando. – Ela falou correndo os olhos pelo quarto, como se procurasse por algo.
–Tudo bem, já sei com quem o Emm aprendeu a ser desorganizado. – Eu ri.
–Ele é pior que eu, acredite. – Ela falou e eu assenti rindo. Era verdade. O quarto de Emmett era três vezes pior que este no quesito bagunça. –Okay, mas não viemos aqui para arrumar o quarto, certo? Viemos te arrumar. – ela deu ênfase no “te”, jogando alguns fios de cabelo que caíam do coque dourado feito bem no alto da cabeça.
Voltei a ficar nervosa. Sabia que precisava e queria ficar bonita, só não sabia se estava preparada para sessão de salão de beleza que viria adiante.
–Primeiro, seu vestido, né? – ela falou sorrindo. Virou-se e saiu em direção à outra porta do quarto que imaginei ser o closet. Eu apenas escutava o farfalhar de, provavelmente, sacolas e embrulhos de plásticos. Também conseguia escutar a loira resmungando.
–É esse! – pude ouvi-la comemorar.
Então se fez silêncio, seguido por um baque surdo de alguma porta ou gaveta. Irina retornou trazendo um vestido de cor clara envolto em plástico transparente. Fiquei de pé, encarando-o. Parecia ser algo chique e delicado, nada que combinasse exatamente comigo. Se bem que... Com o que é que eu combinava?!
–Rose, esse vestido vai ficar perfeito em você. Tenho certeza que vai servir, tenho olho certo pra medidas. –Ela falou sorridente.
Colocou o vestido sobre a cama e quando fui me aproximar, tocar no pacote que parecia estar chamando meu nome, tamanha minha curiosidade para ver os detalhes, ela segurou meu pulso direito.
–Nada disso, mocinha. Só vai vê-lo quando for vestir. Primeiro você vai tomar banho ali e lavar esses cabelos. – Ela apontou primeiramente o banheiro e depois algumas mechas castanhas que pendiam sobre meu ombro.
–Mas Irina... – tentei falar, mas ela não deixou. Já foi me empurrando na direção que apontara antes.
–Xii! Vai logo, quer deixar meu gatinho esperando? – Ela perguntou segurando meus ombros. Neguei com a cabeça sorrindo. – Então vai, gata. – Beijou minha bochecha e eu entrei no banheiro de uma vez. –Ah, pode usar o que precisar aí. Tem sabonete novo no armário embaixo da pia, xampu no aparador dentro no Box. Vou deixar uma toalha pendurada lá também, okay? – Irina falou com a cabeça pra dentro do banheiro enquanto eu desabotoava meu jeans e tirava as sapatilhas.
Após trazer a toalha branca e macia pra mim, ela saiu fechando a porta. Então entrei debaixo do chuveiro, deixando a pressão ótima da água que saia quentinha me relaxar.
[...]
No momento eu estava vestida num roupão bege com estampa floral, sentada numa cadeira, com uma toalha na cabeça, enquanto Irina finalizava minhas unhas da mão com um esmalte azul claro, cor do céu.
–Prontinho Rose. – ela fechou o esmalte e o colocou numa maletinha cor de rosa ao seu lado, com tantos outros dentro. –Agora vamos para o cabelo!
Irina ficou de pé indo para o banheiro, quanto eu admirava minhas unhas bem cuidadas agora. Segundo depois retornou com um secador e cacheador de cabelos, um em cada mão. Ela estava quase dando pulinhos enquanto se aproximava de mim.
–O que vai fazer no meu cabelo? – perguntei tocando com cuidado uma mecha.
Meu cabelo era uma das poucas que gostava de mim, uma das poucas coisas em mim que ainda estavam intactas. Igual ao da mamãe. Não queria mudar muito, gostava tanto dele assim. Gostava dos meus cachos mesmo que mal feitos.
–Relaxa, não vou meter a tesoura ou alisá-los, se é isso que te preocupa. Vou só secar e definir melhor seus cachinhos, okay? Vai ficar lindo, prometo.
Irina segurou minha mão e apertou em sinal de confiança. Assenti e respirei fundo. Ela me virou de costas para o enorme espelho e ligou o secador. E assim foi por alguns minutos. Irina apenas direcionava o ar para os fios e as mexia com a mão. Depois de completamente secos, foi a vez da babyliss. Esta demorou um pouco mais. Não pensei que tivesse tanto cabelo, mas em fim ela terminou de cachear, completamente, mecha por mecha.
–Nossa Rose, ficou perfeito. Mas acho que falta alguma coisa. Não pode ficar apenas assim. – Ela me analisou pensativa.
–Mais? – coloquei as mãos levemente sobre a cabeça. – Deve estar demais já, Irina. Tenho certeza que está lindo assim.
–Não, espera.. Já sei! – ela se virou para penteadeira atrás de mim, a que tinha o tal espelho enorme, e abriu uma gavetinha. –Não pode olhar ainda, Rose. – Ela ajeitou o corpo na frente do espelho para me impossibilitar de ver, então me virei, tornando a ficar de costas.
Apenas escutava ela remexendo em objetos na gaveta. Então o barulho cessou e senti as mãos de Irina em minha cabeça. Ela pegou algumas mechas e as jogou para trás, prendendo-as. Uma mais curta na frente, que um dia já fora uma franja, Irina prendeu de lado. Ajeitou os cachos sobre meus ombros e deu um tapinha neles, como se avisasse que havia terminado.
–Vou te maquiar e aí você poderá ver como ficou, tá bom?! –Irina se inclinou na minha direção já com um estojo de maquiagem ao seu lado.
–Nada muito exagerado, tá? Eu não sou você ou a Alie que adoram essas coisas. Não quero parecer outra pessoa. – pedi. Realmente, eu não curtia nem um pouco essas garotas com quilos e quilos de maquiagem no rosto. Um pouco e água e pronto, já parecia derreter.
–Relaxa, eu sei o que estou fazendo, gatinha. – Irina piscou pra mim e começou a procurar o que usaria no estojo.
Pude ver a sombra clara que passara em mim, porém o batom era num tom de cereja. O lápis de olho me irritou quando ela tentou passar, então eu mesma tive que fazer. Assim como o rímel, usando um pequeno espelho de mão, por Irina não queria me deixar ver no maior de maneira nenhuma.
–Prontinho, acabei. – Irina comemorou, dando um último retoque na minha bochecha.
–Já posso ver? Por favor. – tentei fazer a carinha de Alice, mas acho que não deu muito certo. Irina ergueu o dedo indicador e balançou, negando.
–Você vai ficar completamente pronta e aí sim. – Ela sorriu e eu revirei os olhos.
Irina foi até a cama pegar o vestido. Fiquei de pé e ela veio me ajudar a vestir. Tinha um zíper cumprido atrás, o que facilitou muito colocá-lo por baixo para não bagunçar meu cabelo. Ela foi para trás de mim e o fechou, ajeitando alguns lugares.
–Sabe andar de salto, né? – perguntou.
–Saber eu sei, já usei um da Alice num aniversário dela. Mas é necessário mesmo? Não vou aguentar ficar muito tempo com eles se forem enormes e finos.
–Relaxa, pra ficar bonita tem que sofrer. E não adianta estar divina assim e de sapatilhas ou all star.
–A Bella usaria all stars. – Ri com isso. Conhecendo minha amiga, apensar de ter comprado um salto preto arrasador, provavelmente levaria os inseparáveis par de tênis velhos no carro para quando cansasse.
–Não se eu a arrumasse. – Irina falou com um sorriso presunçoso. Depois disso saiu, indo até o closet. Voltou trazendo um par de sapatos de saltos, não muito altos, finos. Era num tom incrível de rosa, talvez o correto fosse púrpura. Eram lindos! Pareciam macios por fora, quase como veludo.
–Irina, eles são... – estava olhando abobalhada para os saltos. Nunca tive dinheiro para um desses, mas com certeza já havia sonhado com um.
–Eu sei, são perfeitos. Eu fiquei babando por eles, mas só pude usá-los uma vez. Comprei o último e não era meu número sabe. Triste realidade de alguém que tem pés enormes como eu. – ela olhou para os próprios pés calçados em chinelos de borracha, branco com strass. Fez careta e depois deu de ombros, me passando os sapatos maravilhosos. –Pode ficar com eles depois que usar. Se servirem é lógico.
Fui até a cama, me sentei e calcei o par. Irina me puxou pela mão, me ajudando a ficar de pé.
Ok, estável. Não iria cair e parecia até que minha postura havia melhorado.
Irina mexeu em meus cabelos, dando as últimas ajeitadas. Pronto. Eu estava completamente pronta segundo ela.
– Agora vem cá. – Ela me puxou para perto do enorme espelho, mas ainda não me deixou olhar. Vi Irina se aproximar com um frasco de perfume cor de rosa. – Você não é alérgica, né? – fiz que não com a cabeça e ela borrifou em mim. Meu Deus, que cheiro maravilhoso! – Prontinho Rose, pode olhar.
Finalmente me virei de frente para o espelho.
Minha boca se abriu em um “O”. Era eu mesma ali?
Meus cachos estavam mais definido do que nunca, soltos e brilhantes. Minha antiga franja estava presa de lado e uma parte do cabelo presa para trás por um lindo laço, não tão grande, num tom de pérola. A maquiagem estava perfeita, na medida certa, e minha boca estava visivelmente marcada por um batom vermelho cremoso. Tom de cereja.
Descendo os olhos para meu vestido quase tive um treco. Parecia ser feito de algodão e renda. Era tomara que caia, como os das meninas. O tom de rosa quase embranquecia, contrastando com minha pele morena clara. Faixas da mesma cor, de cetim, marcavam longamente minha cintura, terminando num laço perfeito bem na frente. Era coisa de princesa, coisa de Alice! Para terminar, caía abertamente até acima dos joelhos, coberto completamente por renda.
Era um vestido magnífico, surreal. Parecia ter sido feito por mãos de fadas. Eu estava me sentindo num conto de fadas. Emmett era meu príncipe que estaria me esperando lá fora. Irina minha fada madrinha a quem eu seria eternamente grata. E eu estaria indo pela primeira vez á um baile do colégio, me divertir com o garoto mais perfeito do mundo e minhas melhores amigas.
Tinha coisa melhor?
Por favor, por favor, Deus, não me faça acordar agora se isso for um sonho!
–Ei, ei, não pode chorar. Vai borrar a maquiagem. – Irina falou e pude notar a doçura em sua voz. Ela limpou delicadamente uma lágrima que teimou em rolar por minha bochecha.
–Desculpe. – sorri. – Obrigado Irina, de verdade. Nem sei como agradecer. – Falei e ela me abraçou.
Com certeza, havia arrumado uma grande amiga ali.
[...]
–Vai logo Irina, deixa a Rose descer! – Emmett gritou lá de baixo.
Eu já estava pronta há alguns minutos, mas Irina teimou em me prender no quarto para tirar fotos do seu trabalho genial.
–Vem Rose, antes que o gatinho surte. – Ela me puxou pela mão e saímos do quarto.
Irina desceu as escadas na minha frente e foi fazer suspense, me deixando parada no topo.
–Senhoras e senhores, com vocês... – ela começou a fazer graça.
–Para de palhaçada, loira maluca. –Esse foi Emmett.
–Tá bom, tá bom. Pode vir Rose!
Respirei fundo e segurei no corrimão. Pedi rapidamente a Deus que não me deixasse despencar da escada por causa dos sapatos e comecei a andar.
A escada pareceu mais longa que o normal e eu estava de cabeça baixa, mas quando cheguei quase no fim, ergui e tive a visão mais linda da minha vida até agora.
Emmett, parado perto do sofá, trajando um terno preto impecável. Os cabelos claros estavam organizados e seus olhos verdes brilhavam mais que o normal. Vestia por baixo uma camiseta branca e no bolsinho do terno havia um lenço azul. Ele segurava uma caixinha também azul só que transparente, que continha pelo que pude ver uma flor.
–Rosalie, querida, você está deslumbrante. –Carmen me elogiou, assim que meus pés tocaram o ultimo degrau da escada e em seguida o chão. – Parabéns, filha. – ela abraçou e beijou a bochecha de Irina.
–Obrigada, Car. – agradeci um tanto envergonhada. Ela me olhava sorrindo, assim como a loira, já Emmett estava meio que sem reação.
Será que não tinha gostado?
–Fala alguma coisa, ô anormal. – Essa foi Irina, esticando o braço e dando um cutucão no irmão.
–Ér... – Emm deu alguns passos em minha direção. Sua expressão, para meu alívio, adquiriu um sorriso. –Rose, você está incrível. Sério. Realmente linda. Mais linda que o normal. Eu... É... – ele começou a se enrolar eu ri. – Está perfeita, de verdade. – terminou, rindo de leve por seu próprio nervosismo.
–Obrigado, Emm. Você também está incrível. – sorri abertamente.
–Okay pombinhos, agora quem vai se arrumar é a gatona aqui. Podem ir e avisem ao professor gatão que já, já, estou chegando. – Irina falou fazendo uma dancinha engraçada. Parecia coisa da Bella. Nós rimos e ela subiu as escadas jogando beijos.
–Então, vão lá e divirtam-se. –Carmen se aproximou e beijou minha bochecha, depois a do Emm. – E juízo, hein.
–Pode deixar mãe. – Emm respondeu. Segurou minha mão e fomos em direção à porta. – Ah, Rose, antes de irmos tenho que te dar isso. – ele me soltou para poder abrir a caixinha azul de plástico que segurava na outra mão.
Emmett retirou de lá uma flor azul bem clara e perolada. Era o corsage e ele prendeu em meu pulso, como uma pulseira. Agora nós dois tínhamos algo em azul. Combinávamos com um casal perfeito, mesmo que ainda não fosse nada oficial.
Emm beijou minha mão e minha bochecha depois e pude sentir aquele arrepio gostoso quando seu nariz e lábios roçaram em minha pele.
–Agora sim pode ir. – ele sorriu, me guiando para fora.
O carro de Irina estava estacionado bem na frente e Emm abriu a porta pra mim. Como os pais dele iriam sair e não puderam emprestar o carro para ele, Irina ganharia uma carona e por isso chegaria mais tarde.
Emmett entrou e ligou o carro. Finalmente estávamos indo para o colégio e acho que meu estômago estava embrulhando.
–Ei, está nervosa? – Emm perguntou enquanto dirigia, dando uma rápida olhada em minha direção, notando meu nervosismo.
–Estou. Afinal, nunca fui nesses bailes, não sei dançar e provavelmente aquelas garotas riquinhas não vão gostar de me ver lá.
–Esqueça-se delas, esqueça tudo e se concentra no bonitão aqui. – Emm falou sorrindo.
E ele estava certo. Era minha vez de me divertir. O não tinha como olhar para outra coisa ou pessoa tendo Emm perto de mim. Ele estava mais perfeito que o normal.
Chegamos e Emm entrou no estacionamento do colégio. Já havia vários carros lá, inclusive o do Edward. Será que ele havia trazido mesmo a Bells?
–Ei Emm, sabe se seu primo buscou a Bella? – perguntei enquanto descia do carro, sendo ajudada pela mão dele.
–Não sei, mas se ele deu mancada eu quebro o cabeção dele. – Tive que rir com essa.
Tínhamos que atravessar o pátio e ir pelos fundos para chegar à quadra, coisa que seria desnecessária se a diretora Brianna fosse mais boazinha e nos deixasse passar por dentro do colégio.
Bem na porta da quadra havia dois fotógrafos, um de cada lado, apontando suas câmeras para cada casal de alunos que entrava. E havia cada um mais inusitado que o outro! Gente que nem se falava ou ficava juntos nas aulas estavam de mãos dadas e sorrindo. Provavelmente ninguém estava disposto a ficar sozinho nessa festa.
Mesmo com vergonha, já que havia uma porção de gente atrás de nós, parei ao lado de Emmett para foto. Ele passou o braço por minah cintura, me colando junto a ele. Seu cheiro era inebriante, mas agora eu tinha que me concentrar e sorrir para câmera.
Foi rápido, terminamos e finalmente pudemos entrar. A música estava alta, algumas pessoas dançavam no meio da pista iluminada por luzes coloridas, outras bebiam e conversavam em suas mesas. Meus olhos caçavam Alice ou Bella, enquanto meu corpo se escondia atrás de Emmett.
–Rosie, Rosie! – A voz da baixou soou aguda, me gritando. Ela correu com suas sandálias prateadas e altas na minha direção, com uma pressa e graça ao mesmo tempo, que era incrível!
–Alie, você está linda! – nos abraçamos. Era verdade. Agora maquiada e penteada, Alice* estava mais linda do que no dia em que experimentou o vestido na loja. O que realçava sua beleza de menina era seu enorme sorriso, acentuado por um batom vinho.
–Obrigada, mas você está uau! – Nós rimos. – Que vestido perfeito, como conseguiu? – Baixinha e curiosa: características eternas dela.
–Irina, a irmã do Emm, quem me arrumou dos pés cabeça.
–Pois está uma diva, Rose! Nem a Maggie pode com você e olha que ela está com um vestido vermelho que parece acender lá da esquina. – Tive que rir com a careta de Alice.
–Oi Alice. – Emmett se pronunciou.
–Oi grandão! – Eles se cumprimentaram com um beijinho rápido na bochecha.
–Alie, cadê a Bells? – perguntei. Estava curiosa para saber da minha morena falsificada.
–O Masen está desfilando com ela por aí. E, Rose, ele tem toda razão. A Bells ficou um arraso! Eles até que formam um casal bonito. – Ela contou dando umas pescadinhas no final. Alice sempre sonhadora.
–Que bom que o Edward não furou. Não vou precisar esfolar ninguém. – Emmett falou brincando, mas não duvidava mesmo que ele brigasse com o primo por chatear a Bella.
As pessoas passavam pra lá e pra cá e cada hora aquilo parecia ficar mais cheio. Algumas esbarravam em nós. Eu queria me sentar.
–Emm, podemos arrumar uma mesa, por favor? – pedi, segurando em seu braço.
–Querem sentar comigo? Eu estou sozinha com a Ângela. O par dela ainda não chegou. Tem lugar pra vocês e ainda sobra, já que a Bellinha vai ficar com o Edward e companhia. – Alice falou. Ângela ara uma garota nerd que tinha aulas de inglês com a gente se não estou enganada. Era bem quieta e pelo que Alice tinha me dito as duas ficaram amigas durante o processo de decoração daqui. Pelo jeito era simpática.
Fomos com Alice para sua mesa, cumprimentamos Ângela e ela devolveu com um sorriso tímido. Estava diferente, bonita, sem os óculos de sempre.
Alice desandou a falar com a garota do quanto haviam feito um belo trabalho, mas eu quase não prestava atenção. Estava perdida com Emmett em uma bolha só nossa. Ele ria dos casais inusitados e jamais visto antes ou de alguma garota com vestido exagerado. Até zoar quem tentava se divertir dançando na pista ele fez.
Bebemos, rimos, conversamos e, quando Alice foi com Ângela ao banheiro, trocamos beijos rápidos.
–Sabia que você fica extremamente irresistível com esse batom? – ele falou depois de alguns selinhos rápidos. – Fica difícil parar de te beijar.
–Não precisa parar. – falei próxima a orelha dele. Estava quente aqui ou estava ficando louca o suficiente pra me achar sexy.
Emmett me deu um beijo mais intenso dessa vez e mesmo que estivéssemos sentados um ao lado do outro, minhas mãos voaram para seu pescoço.
–Co-com licença... – ouvimos alguém gaguejar e nos separamos.
–Oi? – Emmett perguntou para o garoto visivelmente envergonhado.
–Vocês viram a Ângela? Ele me disse que estava por aqui e não consigo achá-la. – ele perguntou. Se não estou enganada seu nome era Erick. Ele também era da turminha dos nerds, – coisa que eu também era tachada, porém não andava em bando como eles ou ficava todo tempo livre no laboratório – e tinha cabelos espetados pretos e olhinhos puxados.
–Ela foi ao banheiro. Vou chamá-la, tá bom?! – fiquei de pé e fui, escutando ao passar um obrigado discreto do garoto com feições orientais.
Desviei de meio mundo de alunos, mas em fim alcancei a porta que dava acesso ao banheiro de dentro do colégio.
–Alice, Ângela? – chamei.
–Aqui Rose! – Alice ergueu a mão de dentro de uma das cabines. Pela abertura de baixo dava pra ver as duas se espremendo lá dentro. – To ajudando a Ângela a arrumar o vestido, só um minuto.
–Ok. Só vim avisar que o par da Ângela chegou e está procurando ela.
–Ai sério? O Erick chegou, meu Deus. To nervosa! – Ângela comentou saindo da cabine.
–Você tá linda, Ang. Relaxa. – Alice sorriu a encorajando. Queria tanto que a baixinha se divertisse de verdade hoje, se divertisse com alguém.
Estávamos saindo do banheiro, de volta para festa, quando três loiras divinas pararam em nossa frente. Maggie no meio, Mary-Kate e Tanya, uma da cada lado. Como Alice havia dito, Maggie usava um vestido super decotado e justo vermelho sangue. As outras duas também tinham decotes, mas não tão escandaloso quanto o da líder, e o de uma era verde e da outra, cinza prateado.
–Olha só, mas não são as nerdzinhas bobocas?! – Maggie começou, estalando a língua. As 3 nos olhando de cima abaixo. – Estão parecendo bonequinhas de plásticos. Aquela outra lá, como se chama mesmo...? – fingiu pensar com a mão no queixo. – Ah é, Isabella né? Ela também está toda arrumadinha. Pena que a alegria de vocês só dura uma noite e a meia-noite a carruagem vira abóbora, né?! – Maggie fez carinha de dó, destilando seu veneno pra cima de nós.
Eu estava tentando ignorar. Ângela parecia que iria chorar e Alice tinha cara de brava, com certeza querendo revidar. Segurei a mão de cada uma delas e respirei fundo, tentando passar uma calma que nem eu mesma sentia. Mas Maggie e seu clubinho ridículo não iriam estragar nossa noite.
–Vamos, meninas. – falei baixo, as puxando dali.
As 3 loiras abriram passagem com cara de nojo e seguimos, ouvindo suas gargalhadas irritantes.
Assim que chegamos a nossa mesa, Erick e Ângela foram dançar juntos. Os dois eram fofos envergonhados. Emmett perguntou o porquê de nossa demora e apenas contei que Alice e Ângela ficaram enroladas com o vestido. Não falaria da Grayson, não a noite pra isso. Queria me divertir com ele, sem preocupações.
–Vamos dar uma volta lá fora? – Emm pediu, falando perto da minha orelha. Depois beijou minha cabeça.
–E a Alie? Não quero deixar a baixinha aqui sozinha, poxa. –Olhei rapidamente pra ela. Alice parecia estar com a mente longe, admirando os casais na pista dançando uma música mais lenta que começara.
–Ei Alice, se importa se eu e a Rose formos dar uma volta? Não demoramos. – Emmett perguntou, chamando a atenção dela.
–E porque não foram ainda? Tchauzinho, gente. Eu não ligo de ficar aqui, to curtindo.
–Sério mesmo, Alie? Se quiser... – ela nem me deixou terminar.
–Vai logo, dona moça. – ela me direcionou seu melhor sorriso e assentiu.
Soprei um beijo para minha baixinha e fiquei de pé com Emm. Fomos de mãos dadas para fora do colégio, no simples gramado atrás da quadra.
Música: https://www.youtube.com/watch?v=FX8Pf0oZTds
“Pouco você sabe
Estou tentando me montar
Peça por peça
...
Debaixo de tudo, estou mantida em cativeiro
Pela visão sagrada
Eu tenho aguentado pelo sentimento
Você pode mudar sua mente”
E então lá estávamos nós dois, sozinhos. Uma de minhas mãos na de Emmett e a outra no ombro dele. Sua mão livre repousava em minha cintura, fazendo o local se aquecer e meu coração palpitar. Talvez eu estivesse nervosa com a proximidade e intensidade de romantismo do momento. As luzes em volta de nós eram fracas, o sol estava se pondo. A música ficara mais suave, ao fundo. O barulho das vozes estava abafado pelas paredes distantes. Tudo estava absolutamente como tinha que ser.
–Está se divertindo? – Emm quebrou o silêncio, me encarando. Ergui meus olhos para ele. Castanho se encontrando com verde, daria uma mistura perfeita em minha mente.
Eu assenti, sorrindo afetada. Devia estar parecendo uma idiota, mas expressão de boba era mais que compreensível no momento.
–Eu também estou. – Emm riu de leve. Colocou uma mecha de meu cabelo para trás.
–Está tudo perfeito, Emm, por que estou aqui com você. – aninhei minha cabeça em seu peito, sentindo seu perfume doce.
–Só falta uma coisinha pra ficar mais perfeito ainda. – Ele se afastou minimamente de mim.
“Eu vou esperar, eu vou esperar
Eu vou te amar como você nunca sentiu
A dor, eu vou esperar
Eu prometo que você não tem que ter medo
Eu vou esperar, o amor é aqui e veio para ficar
Então, coloca sua cabeça em mim”
As mãos voaram para o bolso do terno e ele tirou do lado direito uma caixinha de veludo azul-marinho. Ao abrir a caixinha na minha direção, senti meu coração falhar. Minha boca se abriu quando olhei para os pequenos e delicados anéis prateados.
–Rose, eu comprei essas alianças pra mostrar que eu quero algo sério com você. Mostrar que é diferente, que eu sou diferente. Não vou te fazer sofrer, vou me esforçar ao máximo pra te fazer sorrir. Por que isso é o que te deixa mais linda: seu sorriso é a coisa mais preciosa em você. – Emmett começou a falar, olhando para nossas mãos entrelaçadas e depois em meus olhos. – Não me importo com isso de sermos diferentes, dinheiro, família perfeita. Não, nada disso. Me importo com você, só com você. Eu caí de paraquedas em Forks e você foi a garota mais incrível que conheci aqui. Achei que você nunca me daria brecha, mas olha só, estamos aqui! – Ele riu e eu o acompanhei. Senti o polegar de Emm perto do meu olho e só então percebi que chorava. Ele secou uma lágrima. – E a cada dia nesse colégio, cada dia que pude te conhecer melhor, eu pude perceber o quão especial você é. Meio cabeça dura, claro, mas eu aguento. – nós dois tornamos a sorrir e mais lágrimas escorriam por meu rosto, sem vergonha, só felicidade e emoção. – Me deixa cuidar de você, tá?! Te proteger. Quer namorar comigo, Rosalie?
Emm terminou e me encarou, aguardando minha resposta. Seus olhos brilhavam em expectativa e eu? Eu só conseguia chorar.
“Eu vou esperar, eu prometo que você não tem que ter medo
Eu vou esperar, o nosso amor está aqui e veio para ficar
Então, coloca sua cabeça em mim”
Ele era tudo que eu queria. Que sempre sonhei finalmente o príncipe encantado que minha mãe contava nas histórias e que eu passava noites e noites sonhando que chegasse logo. Ele estava ali, bem na minha frente, me pedindo em namoro.
Eu. Eu que não tinha nada para oferecer em troca além de um amor de adolescente, um coração problemático e um corpo cheio de marcas.
“Pouco você sabe
Como eu estou quebrando enquanto você dorme
Pouco você sabe
Eu ainda estou assombrado pelas memórias”
Esperaria que o amor bastasse, por que Emm já tinha todo o meu. Esperaria que ele não desistisse de mim. Não iria magoá-lo. Não iria me magoar. Era minha chance de ser feliz. Eu podia tentar, não?
E tentaria.
–É claro que quero Emm. É o que mais quero. Obrigado! – meus braços voaram para seu pescoço e eu o abracei forte.
Depois Emm pegou a aliança prateada, a menor, e segurou minha mão pra colocá-la. Antes me mostrou o que tinha escrito dentro dela: “Forever?”. E na dele a resposta: “Forever.”.
Emmett colocou a minha e depois eu a dele. Quem olhasse diria que estávamos no casando, ficando noivos ou algo do tipo. Mas que falassem o que quisessem. Eu estava radiante, quase explodindo de felicidade. Minha vida finalmente estava tendo um sentindo. O melhor sentido.
–Pra sempre? – ele falou olhando fundo nos meus olhos.
–Pra sempre. – sorri, confirmando. Era o nosso pra sempre, nosso infinito.
Os lábios carnudos de Emmett tomaram os meus, se moldando um ao outro num encaixe perfeito. Clichê ou não, era assim que me sentia. Que nos sentíamos. Perfeitamente encaixados. Como uma balançada equilibrada. Pra mim, eu não era nem tinha nada, e Emm chegou para me fazer e ter tudo que sempre sonhei. Ter paz, amor, proteção. Agora eu tinha mais certeza do que nunca que ele amava, mesmo que aquela vozinha insistente no fundo da consciência dissesse que era impossível.
“Eu vou te amar como se eu nunca tivesse medo
Basta esperar, o nosso amor está aqui
E veio para ficar
Então, coloca sua cabeça em mim”
–Eu te amo, Rose. De verdade. – Emm falou nos separando rapidamente.
–Também te amo, Emm. Obrigado. – Lhe dei um beijo rápido e afundei minha cabeça em seu peito, me deliciando com seu cheiro. Meus braços em torno de sua cintura larga, os dele em torno de mim. Meu porto seguro.
“Eu vou te amar como você nunca sentiu a dor
Eu vou esperar, eu prometo que você não tem que ter medo
Eu vou esperar, o nosso amor está aqui e veio para ficar
Então, coloca sua cabeça em mim”.
–Little do you Know, Alex & Sierra
“Que seja eterno enquanto dure. E que dure para sempre”.
nota: *vestido da Alice é até os joelhos
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