The Safe Place
1 Capítulo 1 - Essa droga de vida
Notas iniciais
Estou entrando de cabeça nessa história, esperam que leiam sem moderação.Tem um toque bem pessoal nessa fic e talvez por isso eu esteja tão inspirada em poder escrevê-la. Se alguém se identificar com qualquer aspecto e quiser conversar, pode me chamar, aqui você tem uma amiga! (:Enfim, sem mais rodeios, bora ler meu novo xodozinho.
Música: Dark Paradise — Lana Del Rey http://www.youtube.com/watch?v=ZSz43AHM2EU
Acordei às seis e meia da manhã para me aprontar para escola. Eu entrava as 8 na Forks High School. O motivo de ter que acordar tão cedo? Simples: ter que pegar 2 ônibus para chegar até meu amado (só que maldito) colégio. Pelos menos já são um hora e meia a menos para desfrutar da “companhia” do meu pai. Há essa hora deve estar afundado na cama fedendo a cachaça. Ou se não chegou, está jogado no chão do bar mais próximo. Ele trabalha como garçom em um restaurante durante a noite, já é o 4º emprego desde que a mamãe foi embora. E tenho certeza que só trabalha ainda porque precisa de dinheiro para alimentar o vício.
Organizei a cama, tomei banho e me vesti. Minha calça jeans está tão surrada quer às vezes tenho a sensação de que se me sentar depressa elas rasgarão. Calcei um par de sapatilhas vermelhas, vesti uma regata azul clara e um moletom cinza dos Lakers. Não torço pelo time, mas a Allie é viciada nos jogadores e tenta me fazer gostar também, por isso deixou um de seus 5 moletons comigo.
Fui até a cozinha procurar o que tomar de café da manhã. Ótimo, maçã. Melhor do que nada. Quando voltar da escola talvez tente arrancar algum dinheiro do meu pai para fazer compras. Afinal, ele se enche de bebida, mas tenho fome.
Arrastei os pés para fora de nossa pequena casa, seguindo até a esquina, onde ficava o ponto de ônibus. O inverno em Forks estava começando a se tornar mais rigoroso. Como se isso fosse novidade. Era sempre frio aqui.
-Espero que esteja num lugar ensolarado, mamãe. – Sussurrei olhando para o céu coberto por nuvens grossas e cinzas.
E não há remédio para a lembrança
Seu rosto é como uma melodia
Não sairá da minha cabeça
Não a culpo de ter ido embora. Eu também iria se descobrisse que o homem com quem me casei, além de chegar bêbado todos os dias e me bater, me traía. Ela tinha suas razões, só não entendo porque ela esperou que eu dormisse para sair no meio da noite, me deixando apenas um bilhete embaixo do travesseiro. Talvez eu não queira entender. Só queria que ela tivesse me levado junto.
Sua alma está me assombrando e me dizendo
Que tudo está bem
Mas eu queria estar morta
Mais ou menos dez minutos depois o ônibus chegou. Subi, mostrei a carteirinha estudantil ao motorista e me sentei no fundo. Coloquei os fones de ouvido no celular (o antigo de Alice que ganhei porque segundo ela eu não podia ser incomunicável) e deixei a voz depressiva de Lana Del Rey guiar minha mente para o meu paraíso sombrio.
Toda vez que fecho os meus olhos
É como um paraíso sombrio
Minutos depois, primeira parada. “Vamos ao próximo” – pensei ironicamente empolgada com a ideia de ser esmagada por pessoas apressadas que levam sua vida medíocre sem sequer ter coragem de ceder assento a uma pessoa mais velha.
Faltando apenas 15 minutos para as 8, cheguei ao portão do colégio. Alice e Isabella não estavam na porta para me esperar. Era o primeiro dia de aula, qual é? Elas podiam quebrar esse galho, para mim, certo?
Entrei na escola me misturando aos alunos. Caras conhecidas, e também rostos novos, estavam ali. No corredor dos armários, as líderes de torcida fofocavam alguma coisa sobre a mais nova – e cara- coleção de sapatos de inverno. Do outro lado, o time de futebol comentava (mostrando o quão estúpidos eram) quantas garotas haviam “pego” durante as férias.
Revirei os olhos e segui em direção ao quadro de horários, pregado na parede onde ficava encostado o bebedouro, não me atrevendo a olhar nos olhos dos “tão descolados”.
Chequei os horários do 3° ano do colegial e graças ao bom Deus teria todas as aulas com as garotas. Infelizmente a lista de alunos não havia sofrido tantas alterações praticamente a mesma turma anterior estaria me fuzilando em todas as cansativas 6 aulas do dia.
Dirigi-me a sala de biologia onde teria as duas primeiras aulas e meus olhos encontraram Alice e Bella, sentadas uma ao lado da outra na ultima fileira de carteiras, no canto. Ótimo, agora era só atravessar a bendita sala, desviando dos meus tão queridos colegas de turma, para chegar até minhas chatas preferidas.
Com a mochila pendurada no ombro direito, caminhei olhando fixamente para meus pés. Quando estava quase no fim da sala olhei para Allie que sorria me incentivando a chegar logo, com cara de quem queria contar algo interessante. Perdida no sorriso brilhante de minha amiga, não notei a mochila no chão em minha frente. Tropecei recebendo um ‘idiota lesada’ de Maggie, uma loira rica – e vadia, valendo ressaltar — de minha sala, dona da tal mochila.
-Desculpe. – sussurrei, tentando não criar confusão. Ela revirou os olhos e se virou para rodinha de amigos para rir. Minha vontade era derrubar a carteira em que ela estava sentada para lhe ensinar que lugar de bunda é na cadeira, não sobre a mesa.
-Rose por que pediu desculpas? Não se humilhe para essas vacas. – Bells falou assim que sentei em sua frente.
Todos os meus amigos me perguntam
Porque permaneço forte
- Não quero dar motivo para acharem que estou desafiando elas ou sei lá o que. Para todos os efeitos eu sou a desastrada. – vi Allie sorrir com meu comentário e Kris abaixar a cabeça sabendo que o cargo de desastrada era dela.
- Alice, conta pra Rose sua novidade. – Bella pediu.
-Então, advinha só amiga.. – a baixinha fez suspense. – Eu vou ganhar um carro! – quase gritou. Alguns alunos olharam para nós, mas logo voltaram à atenção para suas rodinhas. A família Brandon era de classe média, com certeza tinha condições de dar um carro à filha, por mais simples que fosse.
- Sério amor? Que top! Parabéns! – comemorei com ela, puxando seus braços para um braço. Meu sorriso sumiu assim que vi os pulsos da baixinha. – Alice, de novo? – me referi às marcas da lâmina em ambos os pulsos. As cicatrizes já estavam rosadas, bem claras, mas ainda sim dava para notar. Ela puxou os braços, escondendo de meus olhos os pulsos marcados com a manga da blusa.
Não há alívio, eu vejo você no meu sono
(...)
Não há libertação, eu sinto você nos meus sonhos
Alice era uma garota muito sorridente, alegre, animada. Mas isso tudo era só fachada. Não que ela não se sentisse feliz conosco, ao contrário, ela nos animava e muito. Mas quando estava sozinha era questão de segundos para desabar. A única forma que encontrava de extravasar a dor era se mutilando. Eu e Bella queríamos contar para os pais dela, mas ela negava veemente dizendo que ia parar ou que se disséssemos algo nunca mais falaria conosco.
- Rosie, eu estava péssima. Desculpe, eu não queria, mas o medo de voltar para escola estava me consumindo, me tirando de órbita. Só queria voltar para o chão. – ela explicou olhando para os pés calçados em sapatilhas semelhantes as minhas, só que pratas. Ela só me chamava de ‘Rosie’ quando estava muito triste ou arrependida de algo, era meu apelidinho carinhoso segundo ela.
-Tudo bem, amor. Só não faça isso de novo. Eu e a Bells nos preocupamos demais com você, não queremos que se machuque. – falei acariciando sua bochecha, fazendo com que me encarasse novamente. Uma lágrima solitária rolou por seu rosto, fazendo os olhos cor de ameixas brilharem tristes.
- Eu sei, eu sei. – ela fungou, passando a manga da blusa nos olhos, secando as novas ameaças de lágrimas. – Bellinha, me desculpa também? – esse era o apelidinho da Bella. Sorri.
-Lógico, sua coisa pequena e chorona. – Bells zombou conseguindo lhe tirar um sorriso.
Às vezes Alice parecia o bebê que eu e Bella tínhamos que cuidar.
- Calada, sua morena falsificada. – Allie falou bagunçando os cabelos de Bella recém-tingidos de pretos. Na verdade ela era quase loira.
Nossas risadas contidas foram interrompidas pela entrada da professora Carlin, de matemática.
-Muito bem, só por que voltaram das férias agora não quer dizer que terão moleza. Esse é o ultimo ano de vocês e se quiserem ter um bom futuro é bom se dedicarem agora, desde o começo. – A velha começou o sermão.
- Professora... – chamou Maggie com a voz anasalada.
- Sim, senhorita Grayson? – pediu a professora, abaixando os óculos até a metade do nariz.
- E as que têm o futuro já garantido, precisam se dedicar? – perguntou fazendo toso rirem baixo.
- Só porque se tem dinheiro não quer dizer que não precise estudar senhorita Grayson. – a senhora Carlin respondeu.
-Não, eu quis dizer como as três babacas ali atrás. O futuro de catadoras delas já está garantido. – Maggie soltou seu veneno já no começo da aula, fazendo todos da sala rir. Ela se virou para nos encarar e jogou os cabelos para trás, piscando para mim que a encarava sem demonstrar medo, mas logo desviei quando a professora coçou a garganta chamando a atenção de todos.
-Silencio, sem gracinhas na minha aula, por favor, senhorita Maggie Grayson. – a Sra. Carlin encerrou as risadas, dando inicio a sua aula. As horas se passaram rápido, em meio a piadinhas, bolinhas de papel na cabeça de Alice, um aviãozinho na carteira de Bella e uma borracha jogada quase que em minha testa.
Finalmente era hora do primeiro intervalo (tínhamos 2, um a cada duas aulas).
As meninas e eu fomos para cantina rapidamente e quando voltamos à sala, para comer nosso lanche em silencio, encontramos a mochila de Alice em cima do armário da professora de matemática. Sempre as mesmas brincadeiras, só porque a garota era mais baixo do que nós.
Bella alcançou a mochila, devolvendo a ela. Allie checou e nada havia sumido de lá. Fizemos o mesmo com as nossas, e nem eu nem Bella havíamos dado falta de nada.
Fomos para próxima sala, do professor Daniel, onde teria minha tão adorada aula de história. Eu era completamente apaixonada por essa matéria. Gostaria de me tornar uma grande historiadora algum dia.
Esperamos o sinal bater tomando refrigerante e comendo salgadinho. As meninas dividiram o lanche delas comigo.
O sinal bateu e a quase a mesma cambada de alunos entrou. Dei graças a Deus por me livrar de Maggie nessa aula, mas quase vomitei por ter que dividir esse tempo com o Masen topetudo e o Whitlock espertão.
Vi os olhinhos de Bella brilharem assim que viu seu amor secreto passar pela porta. Alice suspirou olhando para Jasper, mas logo desviou o olhar assim que notou que eu a encarava de cara feia.
-Qual é Rosie não me olha assim. – pediu fazendo beicinho.
-Allie, eu não quero que você sofra amor. – pedi
- Eu não vou. É só... Só é difícil. – falou se referindo ao fato que ser difícil mandar no coração.
Assenti, dando total atenção ao professor que começava a aula, nem se quer notando o resto de alunos que entrava.
A história de Esparta estava totalmente interessante. As guerras contra os persas, a cultura, a política. O Sr. Daniel conseguia me fazer ser teletransportada para lá.
Fomos interrompidos por batidas na porta. Logo a diretora Brianna estava na sala com um garoto um tanto grande para nossa idade, porém com rosto de criança. Ele estava com as mãos nos bolsos da frente da calça e sorrindo.
Ela o apresentou como Emmett Christopher Cullen, o mais novo aluno do colégio de Forks, e depois se retirou.
O garoto foi logo se juntar a turminha de Edward.
-Ótimo, mais um pra turma do seu amado, dona Isabella. – resmunguei baixo.
- Rosalie, não fala isso garota. Se alguém escuta estou perdida.
-Meninas, ele pode não ser tão ruim. – Alice soou esperançosa.
- Tem certeza? – questionei arqueando uma sobrancelha. Olhei de Alice para Emmett, fazendo com ela também o encarasse. E lá estava ele se divertindo e rindo, como se já conhecesse a turma da bagunça há anos.
-Tudo bem, deve ser um grande idiota como os outros. – a baixinha revirou os olhos.
A aula seguiu tranquila. Passou até rápido demais para o meu gosto. Durante as aulas de história eu me desligava, não prestava atenção em nenhuma brincadeirinha, só nas palavras do professor.
No segundo intervalo os boatos sobre o aluno novo, que pelo jeito era o mais novo gostosão da escola, já circulavam na boca das líderes de torcidas e fofoqueiras. Conseguimos até ouvir que ele era primo de Edward. Tá explicando porque tanta intimidade com os amigos dele.
No terceiro — e último – tempo as aulas eram duas de física. Chatas e confusas. Sentamos-nos no fundo como sempre, deixando as palavras do professor McConaughey entrar por um ouvido e sair pelo outro.
Finalmente o sinal bateu. Podíamos deixar aquele ambiente onde não éramos bem vindas e muito menos gostaríamos de ter que frequentar todos os dias.
-Vem Rose, te dou uma carona. – Bella ofereceu, assim que todos os alunos saíram da sala só sobrando nós três. Allie brigava com o zíper da mochila, reclamando da quantidade de livros que tínhamos recebido.
- Não vai incomodar Bella? – perguntei ajeitando a mochila nas costas.
- Óbvio que não. Quer também Alice?
- Não, não. Minha tia resolveu dar o ar da graça e vir me buscar. Ela me deixou uma mensagem, está me esperando no portão.
-Okay, se cuida gata. Vamos Rose. – Bella passou o braço por meus ombros me levando para fora da sala.
Estávamos no estacionamento perto da picape vermelha desbotada de Bella, quando vimos a tia de Alice encostada na grade ali perto.
- Dona Marie, está procurando a Allie? – Perguntei me aproximando, deixando Bella abrindo a picape.
- Estou sim querida, ela disse que já estava saindo, mas até agora nada.
-Quer que eu vá chamá-la? – me ofereci.
- Você faria isso, meu bem?
- Mas é claro. – sorri pra ela e me virei, voltando para o colégio. – Bells, eu vou chamar a Allie, me espera. – gritei para minha amiga.
-Okay, Rose!
Passei rapidamente pelos corredores, indo até em direção a nossa sala. Assim que abri a porta não vi que havia alguém saindo. Nossos corpos se chocaram, me fazendo ir ao chão pelo peso da mochila.
-Ai cara, desculpa. – ele pediu. – Te machuquei? – perguntou estendendo a mão para me ajudar.
Está aí uma coisa que não vejo todos os dias. Ou melhor, uma coisa que não vejo dia algum. Ninguém aqui nunca parou para me ajudar. Ao contrário, teriam passado por cima de mim a pontapés.
Levantei a cabeça para ver quem era dando de cara com o tal aluno novo.
Não aceitei sua mão entendida, com medo de ser alguma piadinha.
- Estou bem, não se preocupe. Eu é que peço desculpas. – falei limpando a parte de trás de minha calça já de pé.
- Que isso, eu é que sou grande demais pelo jeito. – ele riu, exibindo covinhas fofas demais para um cara daquele tamanho.
Fiquei encarando suas bochechas acho que por tempo demais.
- Você está bem? – ele passou a mão na frente do meu rosto.
-Ã? Ah, sim estou. – balance a cabeça. – Com licença. – falei abaixando, recolhendo minha mochila do chão a colocando de volta nas costas.
Já ia saindo quando ele segurou meu braço. Seu toque me fez tremer. Talvez por medo de ser zoada por ele ali, ou até algo pior.
- Como você se chama? – perguntou soltando meu braço.
-Ro ... Rosalie– gaguejei.
-Rorosalie? – ele riu.
-Rosalie. Desculpe. – abaixei a cabeça.
-Desculpas por gaguejar? Qual é?! – o sorriso de covinhas não saia de seus lábios.
-Olha, eu estou procurando uma amiga. Não posso ficar conversando mais. Me desculpe. – pedi de novo, querendo sair logo dali.
-Se você não parar de pedir desculpas não te deixo sair mais daqui. – ele falou, me fazendo sorrir de leve.
Era estranho como aquele estranho estava conseguindo me deixar à vontade, pela primeira vez, naquele ambiente desagradável que era o colégio.
-Ok, eu paro. – ri de leve abaixando a cabeça, encarando minhas sapatilhas. – Mas é sério, preciso... – ia terminar de falar quando ouvimos sons de alguém batendo, ou melhor, esmurrando, uma porta.
Toda vez que fecho os meus olhos
É como um paraíso sombrio
- Gente, por favor, me tira daqui, eu peço desculpas! – a voz soava desesperada. Eu conhecia aquela voz. Era a voz da minha baixinha.
- Alice! – corri em direção ao banheiro no fim do corredor, de onde parecia vir os gritos agoniados e os tapas na porta. Emmett estava bem atrás de mim, o que me deixa mais nervosa ainda.
Só espero que ele queira ajudar.
Ninguém se compara a você
Mas não há você, exceto nos meus sonhos esta noite.
Notas finais
Comentem por favor, pelo menos pra dizer se gostou ou não. Obrigado amores! Ainda não tenho datas para postagens, vai depender se vocês gostarem ou não.. Beijinhos e abraços da Joi :33
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