The Sacred
1 Capítulo Um
Notas iniciais
Havia tempos que não saía com seu irmão. Brend era um cara alto e com um corpo bem definido. Seus olhos castanhos chamavam muito atenção e seus cabelos escuros, como sempre estavam despenteados. Darlie estava sentada em umas das mesas perto da janela. A claridade que vinha de fora da lanchonete fazia com que seus olhos claros ficassem mais intensos. Odiava aqueles olhos. Morava em uma cidade em que era difícil ficar escuro, o inverno lá não se passavam de chuvas. Havia herdado de sua mãe, uma mulher linda que irradia poder. Pena que não tenha puxado suas personalidades.
─ Eu gosto muito daqui. Lembra-me muito o tempo em que papai era normal. ─ Falou Brend enquanto olhava em direção a rua. Darlie percebeu sua hesitação e disse:
─ Olha Brend sei que você e ele eram muito unidos, mas, pelo que eu venho observando, ele só tende a piorar. ─ Darlie tentava passar segurança enquanto falava, mas, se lembrou de que ela não era sua mãe. ─ Papai aceitou essa pesquisa, e ele sabia que acabaria se afastando de nós.
Brend olhava agora para o sanduíche, que não sabia como, mas, não tinha mais o mesmo sabor.
─ É eu sei. Às vezes eu fico pensando se o que ele está fazendo, é para nos proteger. ─ Dessa vez ele olhava em direção a ela, no fundo dava para perceber sua preocupação.
─ Como ele quer nos proteger, se o que ele fez foi apagar qualquer indício de que um dia teve filhos? ─ Diz ela, e dava para o ver o quanto estava cansada de só falar de seu pai. ─ Brend, você não vê que ele nem liga para nós. Ele nem se quer...
─ Deve ter uma razão para tudo isso. ─ Ele fala interrompendo Darlie. ─ Eu ainda vou descobrir. ─ Disse Brend decidindo-se não comer mais, a comida passara a ter gosto de bile, mas não sabia se era o sanduiche ou ele mesmo. Concluiu que não se importava.
Agora os dois estavam mergulhados em seus pensamentos. Darlie não parava de lembra no quanto seu pai era atencioso e sempre quis cuidar deles de perto. Ele um dia havia explicado que seu avô era muito agressivo, e que sua avó apanhava muito dele. Oliver tinha prometido a sua mãe, em uma noite, quando já estava no seu ultimo dia de vida, que iria ser melhor com seus filhos, do que seu pai fora com ele. Mas até agora Darlie não tinha visto essa promessa se cumprir. Depois que Oliver se formou, ele construiu seu próprio laboratório. Há uns dois anos atrás o laboratório ganhou vários prêmios e acabou ficando entre os melhores. Mas ai veio a maldita pesquisa. Sua mãe havia lhe falado que ele tinha recebido uma proposta que mudaria suas vidas, mas que em troca ele teria que dar tudo de si, e isso envolveria cortar relações. Acabei o odiando por causa disso.
─ Não viemos aqui para falar dele. ─ Darlie disse quebrando o silêncio.
Ela não queria começar uma discussão com seu irmão. Darlie sabe que ele está sofrendo, mas, Brend parece estar afundado no amor que sente por seu pai. Ela acha que tudo aquilo que ele pensa sobre Oliver, não passa de uma ilusão, mas ela estava ali pra ajudar ele não para deixar ele pior. E se apoiar ele nas decisões que envolvem seu pai fizer parte disso tudo, ela estaria disposta a ajudar.
Brend sai de supetão da mesa, cansado de toda aquela conversa. Darlie deixa o dinheiro no balcão e vai atrás de Brend. Quando consegue alcança-lo ela o puxa pra si e começa a gritar.
─ Por que você sempre faz isso? ─ Pergunta ela reclamando.
─ Porque você sempre tenta me convencer de que o papai está doido? ─ Diz ele gritando por cima do barulho dos carros que passam na rua.
Darlie ficou horrorizada depois que ouviu aquela última palavra. Nunca tinha mencionado ao seu irmão que seu pai estava ficando doido. Pelo menos não lembrava daquilo, ela sempre falara a ele que a distância que o seu pai esta mantendo entre eles só tende a crescer mais ainda. Mesmo assim, ela não entendia o porquê que Brend sempre o defendia, por que ele sempre era a favor dele. Estava cansada daquilo também, de seu pai esquecer-se dele, de sua mãe não ver que isso esta acontecendo. De um lado, Brend o protege por estar se distanciando deles. Do outro sua mãe apoiando Oliver nessas pesquisas idiotas.
─ Sabe Brend eu também estou cheia disso tudo. ─ Fala ela exaltada. ─ Você sempre o protege, você e a mamãe estão sempre do lado dele.
Algumas pessoas estavam paradas prestando atenção na discussão deles dois. Brend se solta de Darlie e lança um olhar triste pra ela. Ele da meia volta e vai embora, de longe dava para ouvir Darlie implicando com ele.
─ Isso vai embora. Faz igual como Oliver faz com a gente. ─ Fala ela não suportando mais aquilo. ─ Dê as costas e foge. Não eh isso o que ele faz?
Brend vira pra dizer algo, sua respiração ofegante e o sangue pulsante em suas veias que pareciam que iam explodir, mas ele não percebe o carro vindo em sua direção. O baque surdo de carro e perna se chocando deixa varias pessoas desesperadas. O garoto sai rolando pelo chão feito boneco de pano, e para desmaiado perto do meio fio.
Os próximos segundo viram um caos.
Darlie corre até onde seu irmão e encosta a suas mãos no rosto, agora pálido dele. Um choque atravessa seu corpo e é repelida para longe. A sensação formigante em suas pernas e braços a deixa ainda mais aterrorizada. Darlie levanta sacudindo a poeira do seu corpo e olha em direção ao corpo de seu irmão, jogado no chão como se fosse um objeto qualquer sem mais nenhuma utilidade. Uma névoa cinza começou a envolvê-lo e a engoli-lo. Darlie levanta suas mãos até a frente de seu rosto e percebe que uma fumaça azul saía dos seus braços, rodeando seus dedos e envolvendo suas mãos. Atordoada, ela é levada de volta pra onde seu irmão está como se ela fosse um íman e ele um bloco de metal. A fumaça que agora ela percebera que também é uma névoa, começa a rodeá-la, um lençol azul que por um momento ela pode perceber a beleza que ali continha, mas só por um momento. Tudo a sua volta transformou-se em uma nevoa cinza e azul, rodopiando sobre o seu corpo e o corpo de Brend. Darlie olhou para seu irmão e percebeu que corria sangue de sua testa. Assustada tentou tocá-lo de novo. E o que aconteceu depois foi incrível. Tudo ficou escuro e do nada tudo a sua frente se encheu imagens e momentos. Quando sua mãe e seu pai lhe deram sua bicicletinha aos sete anos. Os biscoitos em cima do balcão que tinha feito junto com Oliver e Brend. Mas não entendeu nada, ela estava olhando pra ela mesma, não via Brend. Foi ai que ela percebeu que ela era o Brend, ela estava na cabeça dele.
Afastou-se do seu irmão empurrando tudo que estava ao seu redor. O presente lhe voltou à frente de seus olhos e pode rever o corpo de seu irmão, machucado e quase sem vida. Pode ouvir ao longe vozes perguntando o que estava acontecendo, algumas no telefone ligando para a emergência e outras tentando penetrar a parede azul escuro, que por acaso parecia ser impenetrável. Agachou-se ao lado da cabeça do garoto e tocou os lados de seu rosto. Fechou os olhos e quando abriu estava sentada com as pernas cruzadas a frente dele. Ao seu redor não havia nada, apenas branco. Tudo branco. E claro. Mais nada. Apenas um quarto enorme de paredes brancas e piso claro. O quarto parecia não ter fim, a luz no teto a cegava. Gritou seu irmão, mas algo inesperado aconteceu, como uma grande cachoeira, a névoa azul saiu dos seus braços e foi encobrindo o corpo de Brend pálido e imóvel a sua frente. Depois de engolir o corpo todo de seu irmão uma luz fraca emanou de onde a névoa estava. Darlie estava desesperada. Atordoada e desesperada ao mesmo tempo. Não entendia o que estava acontecendo. A luz se apagou e uma voz grossa e estrondosa quebrou o silêncio.
“A sua força vem da mente, aprenda a usar. Controle seu poder, assim controlara a si mesma.”
Enquanto a voz falava dava para sentir algo dentro de si. Por um instante fechou os olhos e resolveu apreciar aquela sensação.
A névoa se dissipou. O corpo de Brend não estava mais lá. Do nada tudo ficou escuro. Sentiu-se tonta e forçou seus olhos a se abrir, viu Brend a sua frente passando a mão na sua cabeça. Ela olhou pra ele e ele olhou pra ela em resposta. Aquele olhar dizia tudo, ele também ouvira a voz. Ela precisava descobrir o que acabara de acontecer, e então uma onda de náuseas invadiu sua cabeça e então caiu no chão. Deitada viu seu irmão caindo também e então, adormeceu.
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