The Sacred
2 Capitulo Dois
Notas iniciais
Uma dor latejante pulsava na cabeça de Brend. Abriu os olhos e um clarão irrompeu diante de seus olhos. Depois de um tempo tentando se acostumar com a luz, percebeu que estava em baixo de uma arvore, ao longe se via a estatua do governador e logo reconhecera onde estava. As crianças correndo e pulando no parquinho à direita e o lago enorme cheio de gansos à esquerda. O parque central se estendia por mais de quatro quarteirões e no final dava para ver o letreiro da entrada do metrô.
Uma silhueta apareceu em sua frente e demorou um pouco para que sua visão toma-se foco. Um cara de mais ou menos um metro e oitenta de altura estava em pé apoiado em uma das pernas a uns dois metros a sua frente. O cabelo negro estava jogado diante dos olhos e na lateral de sua cabeça raspada via-se uma tatuagem que se estendia dos olhos ate a sua nuca. Uma espécie de fumaça e vários fantasmas.
Ele então foi em direção ao garoto sentado no chão e de imediato Brend percebeu seus músculos bem definidos. Não era nada em relação à montanha que vemos nesses programas de fisiculturismo, estava mais para um corredor. Usava uma calça de couro escura e uma camiseta preta que dizia MORTE AOS MORTOS em branco. O casacão que ia até o joelho estava desamarrado e estava para sair de seu corpo com a rajada de vento que lhe atingia, mesmo não havendo vento algum. Seus olhos direcionados a Brend estavam inexpressíveis, ia-se de um castanho escuro a um preto e no momento parecia haver varias formas dentro deles. Uma cicatriz riscava seu pescoço, da orelha até a clavícula e se escondia dentro da camiseta. O individuo parou em sua frente e logo depois Brend se levantou e ficaram se encarando por uns dois segundos, depois seu olhar se desviou para algo atrás de Brend e depois falou:
─ Olá muchachos. ─ uma voz estrondosa e suave ao mesmo tempo seguido por um sorriso torto que se estampou em seu rosto.
Olhou para trás de si e pode ver a meio metro Darlie em pé com os braços cruzados. Logo percebera uma mancha em suas mãos. Aproximou-se dela e viu que também era uma cicatriz que ia das pontas de seus dedos ate o ombro, tinha varias formas, névoa e perto do cotovelo pode ver a cicatriz em forma de olhos. Olhou para ela de novo e se arrependeu de ter discutido com ela mais cedo. Brend confuso se virou em busca de resposta e explicações para o que estava acontecendo. Com a voz falhada por causa da dor de cabeça perguntou:
─ Quem é você, e por que estamos aqui? ─ uma pontada de dor surgiu como um trovão em sua testa perto do olho esquerdo e gemeu.
Passou a mão na região da dor e pode sentir um relevo e logo percebeu que era também uma cicatriz. Procurou Darlie e como se estivesse lendo sua mente, disse:
─ Não se preocupe, ele vai lhe explicar tudo. ─ ela lhe lançou um olhar triste e como se fosse uma chuva, de repente ela começou a chorar.
Foi até ela e lhe abraçou como se nunca a tivesse feito. Mas estava estranhando tudo aquilo, e queria saber o que estava acontecendo. Foi então que os dois olharam em direção ao cara estranho esperando que ele falasse alguma coisa. Revirando os olhos sentou-se no chão, perto da arvore e começou a falar:
─ Para começo de conversa, meu nome é Pablo, e segundo, seria melhor se vocês sentarem. ─ respirou fundo e continuou a falar. ─ como eu já tinha falado para sua irmã existe uma comunidade que mantem em segredo a sua existência, nós nos chamamos de Imatáveis. Nós sempre existimos, mas nunca quiseram me contar como e quem nos criou. Essa comunidade é protegida por um trio de Imatáveis com poderes especiais e raros para mente, corpo e alma que são rotulados como Os Sagrados. Já faz um tempo em que os homens estão procurando a imortalidade e ate hoje vários centros de pesquisas ainda procuram o soro pra imortalidade. Porem para ser imortal você tem que nascer imortal, e quando você nasce um imortal você passa por uma transformação e então os recém-nascidos são levados para Os Sagrados em que eles liberam um poder para enfrentar e conseguir vencer a transformação se tornando um Imatável.
Brend estava muito confuso e tudo isso junto com a dor de cabeça ele estava quase para explodir de tanta dor, impaciente perguntou:
─ O que? Eu não estou entendendo nada. Como assim poderes? E eu nunca ouvir falar sobre esses Imátaveis. ─ Darlie olhou para ele como se estivesse dizendo para não atrapalhar.
─ Continuando, o soro para a imortalidade foi descoberta há alguns anos quando um Imatável se revoltou com a comunidade e resolveu contar nosso segredo para os humanos.
Esse assunto estava ficando esquisito e Brend estava começando a se assustar com aquilo tudo. Darlie percebeu sua agitação e segurou sua mão em gesto de carinho e proteção, por incrível que pareça ela conseguiu ser sua mãe ali e agora, conseguiu confortar o próximo e transmitir segurança, sorriu se orgulhando de si mesma.
Enquanto isso Pablo continuava a falar.
─ O que torna os humanos imortais é o nosso sangue, o sangue de um Imatável. Mas como eles não nascem imortais, quando vêm à transformação eles acabam virando uma aberração, homens gigantes e fortões de pele vermelha e marcas por todo o corpo, nós os chamamos de Imortais Criados. Eles são muito perigosos e daqueles tempos em diante eles se tornaram nossos maiores inimigos. Ninguém no mundo pode nos matar, mas os ICS sugam nossa vitalidade nos deixando fracos e incapazes de fazer qualquer coisa, daí nós somos levados aos Sagrados e lá eles removem nosso poder e como isso também não possível, nós acabamos morrendo. Nenhum dom é capaz de nos trazer de volta, nem mesmo o de cura que é um dos essenciais para os sagrados, essencial e raro. Existe uma lenda que a milhares de anos no ápice de nossa geração foram criados três poderes em que cada um além de lhe dar é capaz de tirar seu dom assim tirando sua imortalidade e lhe transformando em humano. Mas até hoje ninguém nasceu forte o suficiente para receber esses poderes. Antigamente nossos Sagrados eram concebidos por poderes raros a cada 50 anos, mas com a criação dos ICS a nossa comunidade esta entrando em colapso. Há milênios que não aparece ninguém capaz de manter ordem na nossa comunidade, e então daqueles tempos pra cá Os Sagrados são os mesmos. ─ Pablo lança um olhar triste para eles e é então que Brend se manifesta e fala:
─ Tá bom então. Você me disse isso tudo, mas o que a gente tem a ver com isso? ─ Brend estava exausto e queria acabar logo cm aquilo.
─ Dois meses atrás ─ Pablo começou a explicar ─ eu descobri que tinha dois irmãos, e que minha mãe não estava nada em viagem de trabalho e sim com outro cara, com outro marido. Meu pai por incrível que pareça sabia de tudo e me explicou que fazia parte dos planos. Primeiramente uns grupos de Imatáveis são treinados com conhecimentos científicos assim mandados para os maiores laboratórios do mundo para que eles possam impedir de os humanos encontrarem o soro da imortalidade.
Foi ai que a ficha caiu, seu pai, um grande laboratório conceituado e com vários prêmios, noites e noites em claro pesquisando algo que não tem fim, e minha mãe do lado dele sempre. Darlie tinha razão havia algo de errado. Deixou seus pensamentos de lado e resolveu esperar o rapaz terminar de falar.
─ Minha mãe se infiltrou na família desse cientista para que ela pudesse espionar tudo de perto. Segundamente, minha mãe não é Imatável, ela e meu pai se apaixonaram e me tiveram. Por meu pai ser Imatável e minha mãe humana, eu acabei indo morar com ele. Na comunidade é proibida relacionamento com qualquer humano pelo fato de que quando há relações com um humano as células desse humano é modificado de algum modo que não me pergunte como, mas eu não sei, fazendo com os filhos desse humano não importa se é com outro de sua espécie eles acabam se tornando Imatáveis. Quando eu tinha uns cinco anos ela disse que ia a uma viagem a trabalho e que ia demorar muito tempo para voltar. Depois disso eu nunca mais a vi. Ate que um dia eu os ouvi conversando por telefone e ouvi dizer que ela ainda estava aqui nessa cidade, foi então que eu fui procurar e encontrei-a em uma casa junto com os dois filhos delas sorrindo como se isso fosse a ultima coisa que eles fariam no mundo. E isso me entristeceu muito. Mas uma coisa eu não entendia seus dois filhos não tinham dom, ou tinham e não queria demonstrar mesmo um humano não podendo ver. Foi então que eu pressionei meu pai e ele falou que quando eles nasceram eles foram trazidos escondidos para cá para que eles pudessem passar pela transformação sem correr nem um risco de morte. Depois que esses meus irmãos passaram pela transformação Os Sagrados esconderam os poderem deles de novo, destrancando apenas quando outro Imatável usasse o dom contra eles, tipo como um Modo de Defesa.
Brend estava começando a entender tudo foi então que decidiu que já estava na hora de ir embora.
─ Muito obrigado por nos confessar que tem um traidor infiltrado no laboratório do meu pai, nós precisamos ir já estar tarde. ─ Brend se levantou com o intuito de ir pra casa, mas uma mão lhe segurou forte o braço ele se virou e viu uma linda mulher segurando seu pulso impedindo que ele fosse embora.
─ Aonde você pensa que vai? ─ sua voz lhe passava inocência, mas ao mesmo tempo um perigo extremo. Ela saíra de detrás da arvore onde ele estava encostado mais cedo.
Tinha um corpo bem definido, seios volumosos e era baixinha. Dava em seu ombro, mas seus olhos lhes transmitia tanta raiva que resolveu não enfrentá-la. Usava uma bota de trilha surrada e sua calça de coura turquesa estava apertada em suas pernas. Sua camiseta justa mostrava seus mamilos – não tinha sutiã nessa comunidade? – e sua jaqueta de coro preta estava amarrada em sua cintura, usava uma luva de motorista que combinava muito com a sua pele cor de café-com-leite. Seus cabelos curtos pretos estavam amarrados pela metade da cabeça em um coque, igual o de um samurai.
Foi então que ela o imobilizou, em um golpe rápido já estava no chão, ela em cima dele apertando seus braços atrás de seu corpo. Levou seus lábios ate o ouvido de Brend e sussurrou:
─ Você não vai a lugar algum e pare de olhar para os meus peitos, senão arranco seus olhos com meus próprios dentes. ─ estava tão perto que sentia o seu cheiro.
Brend sentiu a raiva subir pelo seu peito e então com a mão que estava em suas costas segurou firme o braço dela e girou jogando ela a dois metros a sua frente. Em um segundo já estava de pé, ela então se recuperou e correu em sua direção, foi ai que algo estranho aconteceu tudo estava escuro, via apenas ela, sua irmã e Pablo a sua direita. Tudo estava em câmera lenta, observou o corpo da mulher todo contraído correndo em sua direção. Viu tudo detalhado, suas pernas os braços, o final de todos os membros e onde eles dobravam.
No momento seguinte viu manchas vermelhas no corpo e no instante pensou serem seus pontos fracos. Tudo voltou ao normal e então ele se desviou para a esquerda onde quase foi atingido por um soco. Viu algo brilhando no ombro direito da menina estranha e então a puxou por ele, girando ela em sua direção. No segundo seguinte estava em pé, imobilizando ela preste a enforca-la com seu braço ao redor de seu pescoço. Sentiu um baque em suas costelas e se contorceu de dor. Soltou-a e ficou de joelhos. Ela então já estava em pé a sua frente se preparando para dar o último golpe. Não aguentando mais aquilo, levantou o braço para se defender do murro e virou o rosto para não ver o momento em que ia ser atingido. Esperou a dor, mas nada veio, foi ai que relaxou e se virou em direção onde ela estava. Os dois se encontravam em uma sala enorme com paredes brancas e umas lâmpadas com luz muito intensas que cegavam seus olhos.
Viu que de seus braços saiam uma nevoa cinza e terminava onde estava o corpo da mulher pronto para o golpe, mas parecendo uma estátua. Ele se levantou e viu que ela fazia muita força pra sair daquele lugar, mas ela não conseguia. Do nada uma voz estrondosa cortou o ar dizendo:
“Sua força vem do corpo, utilize-o da forma correta. Não use para o mal, assim sua alma não será corrompida.”
Voltou o olhar para a garota, mas ela não estava mais lá, então veio um clarão e voltou para onde estava.
Foi até onde sua irmã e começou a puxa-la. Querendo urgentemente sair dali. Foi então que Pablo falou:
─ Vocês não podem ir embora. ─ ele disse em um tom calmo e de como não estivesse acontecendo nada.
─ Porque não podemos ir embora?! Por que esta nos prendendo aqui?! ─ estava exausto e aquilo tudo estava lhe gastando suas energias.
Pablo se apoiou na arvore, ele parecia triste e algo estava o desgastando, algo dentro dele. Seu olhar era inexpressível. Com uma voz cansada respondeu:
─ Por que vocês são os meus irmãos, há uma horda de ICS vindo atrás da gente e precisamos fugir daqui. Quer mais motivos?
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