The Roommate

15 We're Not Passing Time


Notas iniciais
ADIVINHA QUEM CHEGOU? E COM CAPÍTULO NOVO???? Agora que estou de férias do intensivo até metade de agosto será mais fácil escrever sem ter que me preocupar em ter que acordar cedo pra ir estudar. Claro que eu ainda tenho trabalho, mas será menos puxado. Agora, com a palavra, a inner. ------------------------ KITTY: Essas últimas semanas eu estava com um pessimismo de escritora horroroso. Sabe aqueles momentos que você acha que sua história tá uma porcaria, que tá previsível demais, que ninguém na face dessa terra vai gostar? Pois é. Mas durante uma conversa com minha amiga online, ela me deu um conselho que pode valer pra muita gente aí. Ás vezes achamos que nossa história não está tão legal quanto imaginamos por que nós que escrevemos já a lemos, relemos, revisamos milhões de vezes. Mas pra vocês, meus brilhantes leitores? É a primeira (de muitas, espero :p) vez que vocês veem esse capítulo novo. A decisão de como foi o capítulo é toda de vocês. Não fiquem achando que sua história é ruim. Não tenham medo de postar aquela história que vocês escreveram há décadas. Sua história pode ser incrível se você deixar que outros olhos possam lê-la. Okay, isso foi muuuuito auto ajuda. Desculpem... :p

Eu me senti um pouco claustrofóbico ao ver meu apartamento com tanta gente como naquela tarde. Quase todo mundo tinha ido pra lá, com exceção das Jennifers (estava claro que Logan e eu ainda não éramos dignos da presença delas), do Tyler (mesmo com 18 anos ele era o mais novo no grupo, então ele ainda estava preso ao toque de recolher da mãe, o que eu achava uma idiotice) e do Gabriel (ele tinha ido fazer um luau logo depois do funeral, mas ele tinha deixado Mercedes na porta do meu apartamento antes). James, Carlos, Lucy, Logan e eu estávamos sentados nos pufes perto do tobogã enquanto Dak, Jo, Camille, Stephanie e Mercedes estavam vendo um filme na TV.

–Então, o que aconteceu com você e Wayne-Wayne? –Lucy perguntou. Ela só tinha ido ao enterro simbólico da Jenny. Disse que velórios eram depressivos demais pra ela, por isso ela não sabia bem o que tinha acontecido por lá.

–Aquele filho de uma puta disse que tinha ido dar os pêsames a Jenny, dá pra acreditar? –James falou, irritado, enquanto Carlos tentava acalmá-lo passando a mão no ombro dele. Me perguntei se James era tão cego a ponto de não ver os sinais de que Carlos gostava dele bem mais que um amigo- Eu teria tirado ele de lá a força, se eu quisesse, mas eu não ia querer um escândalo nas minhas mãos. Mas logo eu vou acertar as contas com ele, podem apostar.

–Acha que foi ele que... Sabe, matou a Jenny? –Lucy perguntou baixinho, mas era como se ela tivesse gritado de qualquer maneira. Eu também queria saber quem tinha feito aquilo com a Jenny.

–Por incrível que pareça, não... –James suspirou, meio frustrado- De acordo com o que a polícia revelou para a imprensa, parece que foi um ataque em grupo, e ainda se fosse só o estupro, poderíamos colocar Wayne na lista sem problemas. Mas mataram a Jenny. Se foi antes ou depois, não sei. Eles disseram que podem estar lidando com uma gangue de necrófilos.

–Cara, isso é nojento... –Lucy tremeu teatralmente antes de encostar a cabeça no tobogã- Que prazer esses caras tem em transar com gente morta? Com gente que eles mataram?

–É tipo o que eu ouvi em Piratas do Caribe. –Logan murmurou meio quieto, encarando o chão- Os mortos não contam histórias. É fácil escapar de um crime quando sua vítima está morta...

–Okay, isso foi bem sinistro. –Carlos chegou mais perto de James, como se ele fosse um escudo- Isso chega a ser pior que história de terror...

–Mas é verdade, Carlos. –Logan assentiu, ainda encarando o chão- Pensa comigo. Se eu fosse um líder violento e louco de uma gangue necrófila, eu ia querer que a minha vítima estivesse viva pra contar o que fiz?

Nosso pequeno grupo ficou calado. O único som que ouvíamos era o som da TV e as meninas conversando no sofá. Nós cinco nos encarávamos, sabendo que nesse ponto, Logan estava terrivelmente certo.

–A polícia vai achar esses caras e fazer eles pagarem pelo que fizeram com a Jenny. –Eu finalmente falei- Eu tenho certeza.

Um pouco mais a noite decidi poupar a mim e a Logan do trabalho na cozinha e pedimos pizza pra todo mundo (claro que James quis bancar tudo, mesmo Logan e eu dizendo que nós éramos os anfitriões, nós deveríamos pagar pela comida). Aproveitei que James estava por lá e decidi tocar a música que modifiquei ontem. Era a primeira vez que tocava pra uma plateia (ainda que pequena) desde que saí de Sherwood. E todos pareciam encantados com o que ouviram. Pelo menos foi o que deu pra notar nas poucas vezes que vi a galera. Na maior parte da música meus olhos se encontravam com os do Logan, mesmo sem querer. No final da música, Jo foi a primeira a se manifestar.

–Whoa...

–É, tirou a palavra da minha boca, Jo... –Camille falou, igualmente impressionada- Sinceramente, você é bem melhor do que o James fez parecer.

–Bom, obrigado. –Falei, colocando o violão do meu lado. Lucy deu uma risada antes de falar e dar uma mordida na pizza dela.

–Se antes, quando eu vi o vídeo, eu já quis te roubar pra ser meu compositor, agora eu quero mais do que nunca. –Ela deu um soco no ombro do James enquanto engolia o pedaço de pizza em sua boca- Sério, vai ter que me emprestar ele algum dia desses.

–E então, James? –Perguntei pra ele, que alternava olhares entre Logan e eu- O que achou?

–Ele ouviu primeiro, não foi? –James apontou para Logan, que decidira que seus tênis eram mais interessantes de se olhar- Ele não me pareceu surpreso quando ouviu essa música.

–É, ele ouviu. –Eu sorri e olhei na direção dele- Ele me disse que você seria a pessoa mais louca do mundo se não gostasse.

–Bom, quem diria que o cara pudesse ter tão bom gosto com música... –James sorriu- Será que amanhã temos como gravar a demo dessa música, Carlos?

–Acho que você tem um horário livre a tarde. Vou ver se coincide com os horários do Gustavo e do Griffin, vamos ver. –Carlos franziu a testa, como se estivesse pensando demais- Mercedes, o que acha? Pode passar no lounge umas duas e meia?

–Peraí, você vai gravar essa música? –Interrompi Carlos, sentindo como se meu fôlego estivesse escapando. James ia mesmo gravar a música?- E o que a Mercedes tem a ver com isso tudo?

–Sou conselheira artística do meu pai. –Mercedes falou, um tanto altiva- Eu meio que indico a ele o que é legal e o que não é. Além disso, fico com a parte mais legal e a que meu pai mais odeia lidar. Eu posso demitir quem meu pai mandar. Ou quem eu acho que não tem talento nenhum para pertencer a Rocque Management.

–Mercedes é a terceira acionista majoritária da Rocque Management, ela tem poder pra isso. –Jo explicou pra mim, depois de olhar minha cara confusa (e confesso, um tanto receosa)- A gente chama ela de Carrasca de Grife ás vezes.

–Hey Jo, quem disse que podia ficar espalhando meu apelido por aí?

–Uma hora o Kendall ia saber, ué.

–Enfim, não se preocupe Kendall. Se você não fosse talentoso eu te demitiria agora, mas não posso por que tecnicamente quem tem que te demitir é o James e por que, francamente garoto, você é a coisa mais talentosa que eu já vi na minha vida. –Mercedes falou, colocando a mão no coração para dar um efeito dramático antes de olhar para o nosso grupo, que encarava ela com uma cara de como é que é?– Sem ofensas, pessoal. Eu só tô sendo sincera.

–Respondendo sua pergunta, –James interviu, ainda com a cara de como é que é? em direção a Mercedes- sim, eu vou gravar a música. Você conseguiu dar vida a uma música que eu achei que estava morta desde a hora que comecei a escrever. Você é muito bom Kendall. E espero que isso seja o começo de uma grande parceria, cara.

–Whoa... –Respirei fundo e dei um sorriso que parecia não caber no meu rosto- Obrigado, James.

–Viu? –A voz de Logan soou baixinha, mas todo mundo conseguia ouvir- Eu tava certo ou não?

–Claro que tava, capitão sabe tudo. –Me virei para ele e vi que ele também sorria, um pouco mais timidamente- Com toda a certeza.

–E respondendo sua pergunta anterior, Carlos, –Mercedes falou, enrolando uma mecha do seu cabelo loiro no dedo- duas e meia está ótimo pra mim, mas verifique as coisas com a Kimberly quanto à agenda do meu pai. De qualquer modo, eu teria que passar por lá mesmo. Preciso falar com o pessoal do RH pra arrumar uma carta de demissão.

–E a Carrasca de Grife levanta seu açoite Gucci de couro italiano mais uma vez. –Stephanie falou enquanto digitava no notebook (sim, ela tinha trazido o notebook para cá. Ela dissera que, por mais que a morte da Jenny tenha sido triste, tinha dado um surto de inspiração incrível nela e assim que o filme acabou, ela ligou o computador e ficou horas digitando, com Dak do lado lendo e ajudando com a revisão)- Quem é a vítima dessa vez?

–Nem é tão vítima assim. –Mercedes deu de ombros, como se demitir alguém não fosse grande coisa. E, considerando o cargo que ela ocupa, provavelmente aquela atitude era verdadeira, quase natural para ela- Jett Stetson.

–Antes que a Mille comece a dançar de alegria por aqui, –Jo falou, segurando os pulsos de Camille, que se agitava toda animada, como se estivesse ouvindo a música favorita dela na balada- por que vai demitir ele?

–Ele já perdeu tantas oportunidades de contratos de produções milionárias e ao contrário de muitos aqui presentes, ele está gastando o dinheiro da agência sem fazer nada. O último trabalho dele foi em New Town High, como o par romântico da Jo e ainda assim, faz quanto tempo desde o último episódio da série, um ano e meio? Além disso, as briguinhas dele com o James estão fazendo a cabeça do meu pai explodir. James é o queridinho do meu pai e qualquer um que não se dê bem com o Diamond aqui está na mira da demissão.

–Bom, ele vai tarde, é o que eu digo. –James falou, se recostando no sofá- Griffin me falou que ele estava pensando em demitir o Jett, só não sabia quando exatamente. O idiota já sabe que vai ser chutado?

–Ainda não. –Mercedes falou um pouco mais alto, tentando ser ouvida através da voz alta de Camille, que havia se soltado da Jo e estava cantando aleluia pelo apartamento- Quero dar a notícia na hora que eu estiver com a carta de demissão dele em mãos.

Depois disso, ninguém quis falar mais daquele assunto, mas todos ali pareciam um tanto relaxados depois da notícia de que Jett deixaria a Rocque Management. Camille ainda cantava e dançava sua dancinha da vitória (ou como ela nomeou mais tarde, dancinha do xablau, seja lá o que xablau significa) enquanto Jo a olhava com um sorriso bobo. James e Carlos agora estavam perto de Stephanie e Dak, conversando e de vez em quando lendo a história da Steph quando achavam que ela estava ocupada demais escrevendo pra ver. Lucy e Mercedes tinham ido pra cozinha pegar mais refrigerante. Só Logan parecia meio aéreo. Ele parecia meio relaxado também, claro, mas algo nele não parecia certo. Ele olhava Mercedes, um tanto pesaroso, e eu não conseguia entender por que.

–Tudo bem aí, Logan? –Me aproximei e coloquei a mão no ombro dele.

–Tudo bem sim. –Ele deu um sorriso fraco antes de falar de novo- Parece que as coisas estão melhores, mesmo com tudo o que aconteceu hoje de manhã.

–É, eu também tô sentindo isso. –Suspirei, me sentando do lado dele no chão- Você ainda parece meio tímido com o pessoal, mas eles parecem que gostam de você.

–São muitos pareceres, se quer saber. –Logan riu e encarou a parede por um tempinho, seu lábio inferior se projetando mais pra frente em um beicinho. Ai que vontade de morder essa boca... Ah céus, alguém morreu hoje e você ainda pensa nisso Knight?– Eu sei que ainda preciso me comunicar mais, mas hey, eu fiz parte das conversas hoje, ninguém achou minha opinião idiota. É um avanço e tanto.

–Logo eles vão ver o Logan que eu vejo, não tenho dúvida. –Sorri e abracei ele meio de lado. Ultimamente estava me sentindo mais corajoso em fazer pequenas coisas desse tipo. Dar um beijo na cabeça dele, um abraço de lado, um flerte que escapa “sem querer”. E a resposta do Logan a tudo isso dava mais combustível para a esperança se incendiar no meu peito- Eu vou interromper a conversa da Lucy e da Mercedes pra pegar um refri com elas. Quer que eu pegue pra você também?

–Não, eu tô bem. Vai lá matar sua sede. –Logan sorriu antes de me soltar e deixar eu ir. Eu me virei e pude ver que ele voltara a encarar Mercedes, mas agora eu podia ver melhor sua expressão, e aquilo me fez tremer.

Podia ser o clima do velório de hoje de manha e tudo mais, eu não sei. Mas o jeito como Logan encarava Mercedes... Parecia até que ele estava imaginando ela em um caixão ou coisa parecida...

Fiquei rolando na cama sem parar, o sono não queria chegar, mesmo depois de todo mundo ter ido embora horas antes. Olhei mais uma vez para o alarme na mesinha de cabeceira. Duas e quinze da manhã e nada de querer dormir. Ouvi uma batida leve na porta do meu quarto e a voz do Logan abafada do lado de fora.

–Kendall, tá acordado? Eu posso entrar?

–Pode entrar, Logan. –Falei alto o bastante para que ele pudesse me ouvir.

Logan abriu a porta e entrou no meu quarto, meio tímido. O tempo na California tinha esfriado, o que explicava a calça de moletom que ele estava vestindo junto com a camisa do pijama. Debaixo do meu edredom estava com meu pijama de sempre, camiseta e bermuda de basquete. Eu ainda achava que o frio da California era meio fajuto demais, por isso não me dava ao luxo de usar meu pijama de inverno.

–Também tá com insônia? –Perguntei quando Logan se sentou na minha cama.

–Um pouco. É difícil dormir sabendo que enterramos uma amiga em potencial... –Logan mordeu o canto da boca, seus dedos fazendo algum desenho aleatório no meu edredom- E você?

–Nervoso quanto a amanhã. –Admiti- Vão gravar a demo de uma música que eu compus. Bom, na verdade, eu ajudei na composição, mas... Ainda assim não consigo deixar de ficar nervoso, sabe?

–Vai dar tudo certo amanhã. –Logan pôs a mão no meu ombro e sorriu, e ao mesmo tempo eu sentia sua outra mão chegando mais perto de mim- Eu posso ficar no estúdio de gravação com você amanhã, pra dar apoio moral. Quer dizer, se eu puder entrar lá.

–Você é assistente do James na Rocque. Claro que vão te deixar entrar. –Assegurei- E eu agradeço pelo apoio moral. Eu vou precisar.

–Não tem de quê, Kendall. –Logan sorriu, meio tímido, antes de se aproximar mais de mim. Sua mão já estava ao lado da minha coxa- Mas, se eu puder, quero te ajudar mais do que com o apoio moral.

Antes que eu pudesse me dar conta nossos lábios se encontraram em um beijo faminto. Minha língua explorava cada canto da boca do Logan, fazendo com que ele soltasse pequenos gemidos que eram abafados pelo nosso beijo. A mão dele apertava minha coxa, subindo aos poucos em direção à minha virilha. Suspirei enquanto sentia uma onda de desejo me atingir em cheio. Meus lábios corriam pela linha do queixo do Logan até chegar à orelha dele. Minha respiração pesada somado aos meus sussurros parecia mandar a Logan a mesma onda de desejo que eu sentia.

–Você tá me deixando louco, Logan. Louco... –Minha voz estava rouca. Eu tentava conter meus gemidos enquanto Logan tirava o edredom de cima de mim e me masturbava devagar por cima da minha bermuda. O toque dele parecia me levar ao paraíso a cada movimento, e eu não tinha a menor intenção de voltar à terra.

–Deixa eu cuidar de você, Kendall... –Logan sussurrara de volta antes de voltar a me beijar. Suas mãos se apressavam pra tentar tirar minha bermuda, Eu sorri nos lábios dele antes de me apoiar nas mãos, levantando meu quadril da cama para que ele pudesse tirar minha bermuda e a cueca junto. Logan parou por um segundo, seus lábios formando murmurando algo em silêncio para si mesmo enquanto olhava para baixo. Não que eu fosse tipo, superdotado, mas se consegui deixar Logan tão... Hipnotizado, talvez? É, talvez fosse um ótimo sinal...

Quando eu ia perguntar para Logan se estava tudo bem seu rosto ia em direção a meu membro já ereto. Vi a ponta da língua dele umedecendo de leve seus lábios, finalizando com uma leve mordida no lábio inferior. Não sabia se aquilo era intencional ou não, mas aquilo era de longe a coisa mais erótica que já vi em minha vida. Fechei meus olhos e quase dei um gemido alto ao sentir a língua dele descendo de leve no meu membro.

–Logan... –Gemi enquanto eu sentia a língua dele subindo, indo até a cabeça. Ouvi ele dar um riso de leve, baixinho. Senti seus lábios tocando de leve a cabeça em um beijo quase tão leve quanto o toque de asas de uma borboleta, e antes que eu pudesse me derreter com o gesto dele, tão doce e tão sexy ao mesmo tempo, senti um calor úmido envolver meu membro. Agarrei o lençol do colchão, perdido na sensação de Logan me engolindo inteiro. Minha mão foi parar na cabeça do Logan, não para guia-lo ou para acelerar, só por que eu simplesmente podia fazer aquilo. Logan parecia saber exatamente o que eu queria e como eu queria, e ele não estava medindo esforços pra satisfazer meu desejo.

Tinha quase certeza que meu lábio estava sangrando de tão forte que eu mordia pra conter meus gemidos. Cada lambida, cada chupão, cada subida e descida de cabeça do Logan me fazia me sentir cada vez mais perto do êxtase, e eu já sentia que não podia mais me conter.

–Logan, eu... –Sussurrei, sem confiar em como minha voz estaria- Eu vou gozar logo se você continuar assim...

–Essa é a intenção, Kindle... –Logan falou por um segundo antes de continuar, mais rápido que nunca. Senti um grito de prazer querer escapar pela minha garganta enquanto ao poucos, eu explodia em prazer na boca do moreno. Minha visão começava a ficar escura e uma exaustão inesperada se apoderava de mim. Inesperada por que eu queria mais e mais. Como eu poderia querer dormir depois daquilo? Mas Logan ainda sorria, como se compreendesse o fato do meu sono ter chegado.

A última visão que tive antes de apagar foi a de Logan olhando pra mim, limpando o canto da sua boca com o dedão e o colocando na boca, me olhando com um fogo tão ardente em seu olhar que poderia queimar uma floresta inteira.

Abri os olhos de uma vez só. Péssima ideia. Senti como se alguém tivesse pego meus olhos, jogado eles em um lago de lava e os colocado de volta nas órbitas. O sol batia bem no meu rosto, fazendo com que minha vontade de ficar mais tempo na cama fosse descartada rapidamente. Eu havia esquecido as cortinas abertas ontem, me lembrei enquanto esfregava os olhos. E as lembranças da noite anterior encheram a minha mente. Logan tinha estado no meu quarto mesmo? E –perdão, não há um termo melhor que eu possa usar– ele tinha mesmo pagado boquete pra mim? Suspirei pesadamente enquanto sentia algo grudando minha cueca na pele. Droga...

Suspirei mais pesado ainda enquanto embolava o edredom e jogava no canto do quarto. Tinha que pensar em algo pra levar o edredom pra lavanderia do Palm Woods sem levantar do Logan nenhuma suspeita ou pergunta que eu não poderia responder sem começar a gaguejar que nem uma galinha idiota. Olhei pra baixo, vendo a frente da minha bermuda com uma mancha úmida do meu gozo. Fiz uma careta meio de desgosto e fui arrumando a minha roupa. Assim que consegui achar minha jaqueta jeans corri para o banheiro tomar um longo banho. Tentei pensar em coisas tristes (filhotes de gato mortos de forma brutal estava no topo da minha lista), colocar a água do chuveiro na temperatura fria, tudo para impedir que eu pudesse me masturbar pensando naquele sonho (eu ainda me questionava se era sonho ou não. Foi tudo tão deliciosamente real), mas a lembrança parecia ganhar força conforme eu tentava bloqueá-la da minha mente. O olhar de desejo de Logan ainda estava bem gravado na minha cabeça, e não parecia que ia se apagar tão cedo.

Saí do banheiro um pouco mais composto e enquanto secava meu cabelo e me arrumava, senti o cheiro de algo assando e de bacon e queijo. Minha boca se encheu de água rapidamente. Eu peguei a pasta do James e fui descendo as escadas em direção à cozinha me perguntando o que Logan estava assando.

Cheguei a cozinha e vi Logan se abaixando e abrindo o forno para pegar o que quer que estivesse assando ali. Não consegui evitar olhar Logan naquela posição. Aquela calça jeans que ele estava usando tinha se ajustado perfeitamente nele... Kendall, Kendall, devagar cara. Respira fundo, pensa nos seus gatinhos mortos. Você não vai ficar excitado com o Logan na frente dele. Não agora. Fui repetindo o mantra pra mim mesmo até que o cheiro de canela e açúcar derretido surgiu. Eu quase que 1) dei um mega abraço de urso no Logan, e 2) empurrei ele da frente da bancada pra conferir se o visual confirmava o cheiro.

–Rolinho de canela? –Perguntei, feliz como um garotinho na manhã de Natal- Eu não acredito nisso.

–O quê, você não gosta? –Logan perguntou, um pouco preocupado- Eu devia ter perguntado antes, mas não sabia se você ainda tava dormindo. Se não quiser comer, eu fiz omelete de queijo suíço e bacon e torradas amanteigadas e...

–Calma Logie, tá tudo bem. –Coloquei a mão no ombro dele, que relaxou na hora- Rolinho de canela é uma das minhas coisas favoritas nesse mundo. Minha mãe sempre fazia quando eu ou a Katie estávamos meio pra baixo. Ela sempre dizia que não havia nada triste nesse mundo que um bom rolinho de canela não pudesse fazer esquecer.

–Sua mãe é interessante. –Logan sorriu- Bom, ontem foi um dia meio sombrio pra todo mundo. Quem sabe esses rolinhos aqui não coloquem um sorriso nesse rostinho bonito? –Ele completou o pensamento cutucando uma das minhas covinhas antes de nós dois congelarmos ao nos dar conta do que ele dissera. Seu dedo permaneceu na minha bochecha enquanto seus olhos estavam arregalados, me olhando- Quer dizer, eu... É que...

–Tudo bem, Logan. De verdade. –Sorri, fazendo o dedo do Logan se encaixar na minha covinha mais uma vez- Só de sentir o cheiro disso eu já me animei. Se o gosto for tão bom quanto o cheiro...

–Ah, garanto que é. –Logan abaixou a mão e voltou a sua atenção à forma com os rolinhos- A receita era da minha avó. Ela fazia pra mim quando eu ia visita-la no Texas. Enfim, vai ter que esperar esfriar um pouco. Acabei de tirar do fogo e o açúcar derretido tá superquente. Vamos comer nosso café da manhã e deixamos pra comer nossos rolinhos de lembranças da infância antes de sair pro trabalho, tá bom assim?

–Tá ótimo. –Sorri, indo me sentar à mesa e já pegando uma omelete e algumas tiras de bacon e torradas. Mas mesmo com a surpresa do rolinho de canela eu só conseguia pensar no que tinha acontecido (ou não acontecido) ontem. Respirei fundo e decidi acabar com as minhas dúvidas- Ei, Logan, você não entrou no meu quarto ontem, entrou?

–Não, eu fiquei no meu quarto o tempo todo. –Logan respondeu depois de tomar um gole de suco- Por quê, aconteceu alguma coisa?

–Não, eu acho que tava meio com sono demais ontem e achei que tinha te visto no meu quarto. –Menti, olhando para o meu prato como se ele fosse a coisa mais interessante do mundo. Não posso dizer que fiquei decepcionado com a resposta do Logan. Quer dizer, eu tinha quase certeza que eu tinha sonhado tudo aquilo. Mas não conseguia deixar de me sentir meio frustrado mesmo assim, por querer que fosse real- Vou comer logo enquanto tá quente.

–Sem pressa, Kendall. Eu preciso checar algumas coisas que o James me pediu antes de ir pra Rocque. –Logan deu de ombros- Coma sossegado. Além disso, os rolinhos de canela não vão fugir da bancada.

Dei uma risada curta antes de comer uma garfada de omelete, tentando esconder como eu me sentia quase chateado. Ao mesmo tempo em que estava tão perto de ganhar o coração do Logan, eu estava longe. Mas eu já podia dizer que tinha conseguido conquistar a amizade dele. E isso seria o bastante no momento.

Mas não seria o bastante pra sempre.