The Roommate
17 I Just Wanna Win Your Heart - Pt. 2
Notas iniciais
The Silver Dragon era um dos melhores restaurantes de comida orientai na região. E eu podia confirmar aquilo, pois eu tinha pedido comida de lá na minha primeira noite em Los Angeles, mas nunca tinha oportunidade de comer no local. O lugar tinha vermelho e dourado por todo o canto. Os conjuntos de mesas e cadeiras eram todos de bambu, exceto os reservados que eram de uma madeira escura. Ao fundo, um pouco mais a esquerda perto dos banheiros havia um jardim zen gigante, com algumas pedras negras e cinzentas arrumadas na areia e uma fonte logo atrás dela. Mas o que realmente chamava a atenção –e que fazia o nome do restaurante ganhar sentido– era um dragão de prata enorme que ficava no hall de espera do restaurante, que reluzia como se cada centímetro dele fosse polido todo dia.
–Eu nunca tinha vindo aqui. –Logan falou, encarando o dragão- E você?
–Nunca, mas já pedi comida daqui. –Revelei- Quer pedir uma mesa?
–Claro, vou falar com a hostess. –Logan puxou meu braço enquanto íamos em direção à hostess. Ela estava de cabeça baixa, vendo a lista de reservas quando Logan chamou a atenção dela. Quando ela levantou a cabeça quase tropecei no moreno –que tinha paralisado no lugar– com o susto. Com uma roupa um pouco mais formal, um coque bem preso, mas deixando as pontas de suas mechas vermelhas arrepiadas por todo o lado do penteado e uma maquiagem bem menos carregada, mas sim, era Lucy Stone.
–Kendall, Logan, o que estão fazendo aqui? –Lucy arregalou os olhos com a surpresa.
–Acho que nós deveríamos fazer essa pergunta a você. –Falei, apontando para Lucy como um todo. Eu sinceramente nunca esperava ver ela daquele jeito.
–Ah sim, meus pais são donos do restaurante. –Lucy explicou, alisando a manga da camisa branca que vestia- Na verdade, o The Silver Dragon é uma cadeia de restaurantes de comida oriental. Começou ainda lá na Georgia, onde morávamos, mas como as pessoas começaram a gostar da comida e com o fato de meu pai ter tino pros negócios e eu tendo que viajar pra cá pra seguir meu sonho de estrela do rock, eles decidiram expandir os negócios. Tem The Silver Dragon em Nova York, Florida, Washington, Nevada, mas o quartel general oficial deles é aqui na California. E bom, quando eles precisam eu dou uma ajudinha aqui no restaurante. Claro, quando não estou muito ocupada com turnês, ensaios, gravações e tudo mais...
–Na minha cidade em Minnesota tem um The Silver Dragon. –Falei, lembrando do restaurante que ficava somente alguns metros de distância do restaurante da minha mãe- Fica perto do restaurante da minha mãe, e eles sempre foram legais com a minha mãe, mesmo ela sendo meio que concorrente deles e tal.
–E eu aqui achando que não tínhamos nada em comum, loirinho. –Lucy sorriu, pegando uma caneta e batendo de leve no pedestal onde estava a lista de reservas- Bom, ainda bem que chegaram antes do almoço, não sei se me encontrariam com um humor melhor se chegassem depois do meio dia. Querem mesa pra dois?
–Se não estiverem todos ocupados, a gente podia pegar um dos reservados perto da fonte... –Logan falou, apontando para um dos reservados. Lucy sorriu e verificou a lista por um momento.
–Vocês estão com sorte. Tem dois reservados livres e posso colocar vocês em um deles. É só vir comigo. –Lucy fez um sinal para que a acompanhássemos e nos levou até o reservado perto do jardim zen e da fonte. Ela esperou que Logan e eu nos sentássemos e nos entregou nossos cardápios- Podem pedir o que quiserem. Assim que se decidirem, é só chamar a Kiang e ela vai anotar o pedido. –Lucy apontou uma garota que estava vestida igual a ela, encostada perto de uma das pilastras douradas mascando chiclete. Porém ela tinha um piercing atravessando a dobra da orelha e uma grande franja azul elétrico quase que cobrindo o rosto.
–Valeu, Lucy. Obrigado pelos lugares. –Logan assentiu enquanto eu via o cardápio.
–Não foi nada. Tudo pelos meus novos amigos, não? –Lucy riu antes de sair, deixando Logan e eu a sós.
–Bom, –Logan se virou para mim- você já comeu a comida daqui antes, o que me sugere pra comer?
–Soube que o chop suey de camarão deles é uma delícia. –Falei, apontando o prato no cardápio para Logan- Mas eu me apaixonei pelo yakisoba de frango deles. Amor à primeira dentada, sabe? Eu posso pedir esses dois para nós e alguns rolinhos primavera, que tal?
–Você quem manda. –Logan assentiu antes de chamar a garçonete.
Depois de fazermos nossos pedidos a Kiang –que mais tarde ficamos sabendo pela Lucy que era prima dela– e esperarmos nossa comida chegar, Logan estava verificando algumas coisas na agenda enquanto eu ainda meditava no que estava pra acontecer naquela tarde. Ainda não conseguia encaixar na minha cabeça que ele viria me ver...
–Nossa, tão comunicativo hoje, hein Kendall? –Logan falou, desviando meus pensamentos por um momento.
–Me desculpa, muita coisa na cabeça. –Falei, balançando a cabeça- Eu tava pensando no que aconteceu na reunião com o Griffin, na visita que farão a mim hoje, em como você arrasou na reunião...
–É, eu percebi que você tava meio aéreo hoje, eu fiquei preocupado com você. –Logan abaixou a cabeça, um tanto corado- Podemos remarcar essa visita para outro dia, se tiver tudo bem...
–Não, não precisa. –Eu falei, balançando a mão em negativa. Uma hora ou outra ele viria falar comigo, e adiar isso não iria mudar o fato que eu ainda teria que falar com ele– Acho que a tensão da reunião ainda tá em mim. Mas eu tô bem pra receber nosso visitante.
–Eu espero que sim... –Logan murmurou, guardando a agenda na bolsa dele antes de voltar sua atenção a mim- Então, acha mesmo que eu fui bem na reunião?
–Você foi incrível Logan. –Falei com toda a sinceridade- Eu sabia que Griffin iria se impressionar com você. Na verdade, todo mundo se impressionou. A gente devia comemorar sua primeira reunião bem sucedida.
–E o que você tem em mente? –Logan perguntou, chegando mais perto de mim, sorrindo de um jeito quase sedutor.
–Tem um rink de patinação a algumas quadras do Palm Woods. Podíamos patinar um pouco por lá, depois passarmos naquela churrascaria brasileira que você queria tanto ir naquele dia... –Eu lembrava desse lugar. Não ficava muito longe do The Silver Dragon. Tínhamos passado perto dela no domingo, quando fomos fazer compras na Whole Foods para que eu fizesse o risoto com ervilha que estava devendo a Logan quando ele comentou da churrascaria. Sendo texano, ele adorava churrasco, e ele havia me dito que se tinha um povo que conseguia fazer um churrasco tão bom quanto os americanos, com certeza eram os brasileiros. Desde então eu já estava pensando em um jeito de convidar Logan para jantarmos lá- O que você me diz?
–Eu digo que vou adorar isso. –O sorriso de Logan ficou mais radiante. Suas covinhas já se destacavam em suas bochechas- Quando saímos?
–Depois do trabalho. –Falei, também me aproximando dele- Podemos passar no apartamento, nos arrumarmos, e de lá vamos para o rink. Tudo bem pra você?
–Tudo ótimo, Kendall. –Logan assentiu antes de dar um beijo na ponta do meu nariz, me fazendo rir um pouco. Era um gesto meio bobo, mas doce da parte dele. Eu queria ter sido corajoso e ter dado um beijo de verdade nele, mas eu não poderia reclamar. Quero dizer, Logan teve coragem o bastante para me dar um beijo. Claro que foi na ponta do nariz e tudo mais, mas ele teve mais coragem do que eu nessa, eu tinha que reconhecer.
Ficamos nos encarando por um bom tempo até ouvirmos o pigarreio de Kiang, que tinha chegado com nossos pratos, mais dois copos altos de suco de laranja e um cestinho com algumas coisinhas brancas e coloridas. Logan me olhou inquisitivo, querendo saber o que era aquilo, mas antes que eu pudesse responder, Kiang se adiantara.
–Onigiri doce, é arroz e leite condensado. Os coloridinhos são doces de algas marinhas. –A garota da franja azul falara- Os sucos e os doces são por conta da casa. Ordens da Lucy. –Kiang se curvara e sorriu para nós antes de ir. Lá perto do dragão de prata, no hall de espera, a cabeça de Lucy surgira sorrindo e desaparecera assim que um cliente aparecera.
–Será que isso aqui é bom? –Logan perguntara, pegando um doce de algas e o girando.
–Só tem um jeito de saber, mas eu sugiro que coma seu chop suey antes. –Falei, já quebrando o hashi e arrumando o yakisoba na minha frente- Vamos ter tempo para a sobremesa depois.
Depois do almoço e da sobremesa (que depois de esvaziarmos o cestinho de doces, confirmamos que era uma delícia —até mesmo os de algas, o que me espantou) eu e Logan voltamos para a Rocque Records para esperarmos nossa visita chegar. Assim que chegamos ao lounge Logan deixou a bolsa dele atrás da sua mesa e pegou o iPad dele que ele guardava na gaveta chaveada da mesa. O tablet não tinha uma marca de dedo sequer, o que significava que ou Logan mantinha a tela dele sempre limpa ou que nunca havia sido usada. E eu apostava mais na segunda opção.
–Vou enviar os dados da nossa visita para a recepção lá embaixo. –Logan falou, já digitando no tablet.
–A Kimberly deixou anotado quem é nosso visitante? –Falei, tentando ver os detalhes no papel que deram a Logan. Por algum motivo eu queria ver o nome de outra pessoa ali, ao invés do dele. Podia ser outra pessoa, com certeza, mas eu sabia que nenhum outro artista que eu conhecia estava com a turnê parada em Delaware. Por mais que eu quisesse, eu não podia evitar ver ele.
–Não, mas só há um jeito de saber quem ele é... –Logan falou, terminando de digitar e guardando o iPad de volta à gaveta- Enquanto não sabemos quem é nosso visitante misterioso, temos que nos ocupar. Ainda quer ver a pasta do James?
–Claro. –Falei, indo em direção a minha mochila, ainda no mesmo lugar que deixei antes de ser chamado para a reunião com o Griffin- Tem outra música que me chamou a atenção e eu quero ver se consigo trabalhar nela.
–Eu vou poder ouvir ela? Por favoooor? –Logan perguntou, fazendo uma verdadeira carinha de filhote de cachorro pidão. Eu comecei a rir.
–Você tá usando olhar de cachorrinho, não vale! –Falei entre risos, me fingindo de bravo- Mas como você foi educadinho e pediu por favor, eu vou deixar você ouvir sim.
–Obrigado. –Logan sorriu e pegou um caderno da bolsa- Você trabalha na sua música e eu vou cuidar das minhas coisas.
–Seu diário? –Apontei o caderno, finalmente tomando coragem pra perguntar o que eu queria saber aquela semana toda. Alguns dias depois da morte da Jenny, eu via Logan com aquele caderno. Sempre quis saber o que era, mas nunca tive chance de perguntar. Ele olhou para o caderno na mão e sorriu de novo.
–Quase isso. Não é um diário, mas se eu te contasse o que eu escrevo aqui, teria que te matar. –Ele completou com uma risada antes de pegar uma caneta e escrever.
Nós passamos uma boa hora concentrados em nossas tarefas: Logan escrevendo em seu caderno e eu passando a música do James para a minha pasta e completando as partes que faltavam e tentando encaixá-las em alguma melodia decente. Até aquele momento estava tudo certo, mas ainda faltava muita coisa. Eu queria poder ir pra casa logo e ver como ficaria no piano (a melodia que aparecia em minha mente para encaixar na letra tinha um piano de fundo). Em um certo momento, eu reparei que Logan estava me olhando firmemente, um sorriso brincando em seus lábios.
–Gosta do que vê? –Levantei uma sobrancelha, sorrindo de volta pra ele.
–Talvez. –Logan respondeu, fechando o caderno- Ouvi você cantarolar e aí eu me distraí. É a melodia da música nova?
–É sim... –Falei, fechando a pasta- Mas ainda não tá 100% ok. Eu vou ver isso depois. No momento eu quero me concentrar nessa visita.
–Visita essa que te deixou muito tenso. –Logan se levantou da cadeira atrás da mesa dele e foi até o sofá que eu tava sentado- É sério Kendall, eu posso pedir pra marcarem a visita um outro dia, se você não estiver se sentindo bem pra isso...
–Não, eu tô bem. –Assegurei- Além disso, quanto mais rápido essa visita acontecer, mais rápido podemos aproveitar nossa noite. –Dei de ombros, encarando Logan- Você ainda quer sair hoje a noite, não é?
–Claro que sim, Kendall. É só que desde que anunciaram essa visita você estava meio... Estranho...
Fiquei um bom tempo olhando Logan. Ele era mais perceptivo do que eu imaginava. Ele podia não saber o motivo, mas ele sabia que eu estava diferente.
–Eu vou ficar bem, Logie... –Sorri e dei um beijo na testa dele- De verdade.
–Bom mesmo, Kendall. –Logan se aproximou um pouco mais, meio vermelho. Ele abriu a boca pra falar algo, mas na hora ouvimos alguém pigarrear. Nos viramos e nos afastamos rapidamente quando vimos Jo e Camille paradas com sorrisinhos no rosto.
–Não liguem pra nós, meninos. –Jo falou, deixando algumas sacolas no chão e sentando em uma das cadeiras do lounge- Podem voltar a sua sessão louca de amassos. Eu e a Mille esperamos vocês terminarem. Na verdade, a Mille adoraria assistir. Ela é um pouco voyeuse, sabe? –Jo fingiu cochichar a última parte para nós. Logo atrás dela vimos Camille dar um tapa na cabeça dela.
–Eu ouvi essa, loirinha besta. –Camille se sentou do lado de Jo- Então, o que os dois estavam fazendo?
–Só estávamos conversando. Nada de amassos. –Mas bem que você queria, não é?, meu lado menos nobre cantarolou na minha cabeça- A gente tá esperando uma visita aqui no lounge.
–Será que é...? –Camille arregalou os olhos e se virou pra Jo.
–É bem possível. Ele tava em Delaware, de acordo com os updates dele no Twitter. –Jo falou, apontando seu celular- Não me diga que a visita de vocês é o Kenneth Williams.
–Kenneth Williams? –Logan se espantou. Ele também nem fazia ideia de quem viria pra cá- Vocês estão falando daquele Kenneth Williams que é tipo o James daqui a uns 20 anos?
Eu ri diante da comparação do Logan. Se ele soubesse realmente quem Kenneth era...
–Mas vocês viram ele chegar? –Perguntei, tentando disfarçar meu nervosismo. Eu tinha que me preparar mentalmente pra esse momento.
–Só vimos a van da equipe de produção dele parada na frente. –Camille falou, vasculhando algo em sua bolsinha de mão- Acho que ele nem saiu. Mas é melhor que ele demore. Eu e a Jo queremos convidar vocês pra algo.
–O quê? –Eu e Logan perguntamos ao mesmo tempo antes de nos encararmos e cairmos na risada. As duas garotas trocavam olhares e sorrisinhos entre si antes de Jo voltar a falar com a gente.
–Bom, é que eu e a Camille vamos ter um jantar de noivado essa semana no nosso apartamento e nós duas pensamos em convidar vocês dois. –Jo pegou os envelopes que Camille tinha pegado na bolsa dela- Não é nada muito grande ou suntuoso. Só nossos amigos mais próximos. Camille fez questão de entregar os convites pra galera daqui.
–Desde que a Carrasca de Grife açoitou o Jett pra fora daqui me sinto bem mais tranquila em ficar por aqui. –Camille sorriu, respirando bem fundo. Já fazia uns dois dias que Mercedes demitira Jett. Claro que ele fez uma cena daquelas, dizendo que era inadmissível que um “talento” como o dele estava sendo dispensado como um trapo velho, mas não havia como convencer Mercedes do contrário. Jett acabou saindo fumegando de raiva, não sem antes olhar mortalmente para James, que estava por perto, assim como eu, Logan, Carlos e Lucy.
–É isso que eu quero saber. –Logan perguntou, se levantando do sofá e indo ao bebedouro pegar um pouco de água- O que o Jett fez pra vocês?
–Vocês sabem que Jett trabalhou comigo em New Town High, não é? –Jo perguntou e nós assentimos- Então, nessa época todo mundo sabia que eu namorava a Camille, mas a imprensa tentava colocar Jett e eu como um casal. Eu me incomodava com isso, tipo, muito. E com a Mille era pior. Não parece, mas ela é um tantinho ciumenta.
–Eu era ciumenta. Mas agora eu sei que não preciso me preocupar com nada... –Camille sorriu, dando um beijo na bochecha de Jo.
–A coisa piorou quando Jett começou a dar em cima de mim pra valer, ás vezes até mesmo na frente da Camille, aquele cachorro filho da mãe...
–E foi numa dessas que eu dei um soco na cara dele. –Camille falou, toda orgulhosa. De repente, a imagem mental que fiz de Camille socando a cara de arrogante do Jett era a melhor coisa do universo- Depois dessa ele aprendeu a se por no lugar dele, mas ele não desistia ainda de querer minha loirinha.
–Ele só recuou pra valer quando eu pedi a Camille em casamento, há alguns meses. –Jo sorriu, pegando a mão da Camille e mostrando um anel prateado com uma pedra azul escura brilhando no centro- Mille sempre disse que diamantes era muito batido pra pedra de anel de casamento e ela sempre adorou safiras.
–É um belo anel, Camille. –Logan se aproximou um pouco para ver o anel da Camille- Mas me perdoe por não considerar tanto as safiras quanto você. Eu sempre gostei mais de esmeraldas. –Ele falou essa última parte, olhando nos meus olhos. Eu desviei o olhar, meio envergonhado. Aquilo era uma cantada disfarçada ou era só invenção da minha cabeça?
–Ah, aposto que sim. –Jo sorriu, encarando meu rosto vermelho e se segurando pra não rir da minha cara- Então, vocês vão ou não, meninos?
–Claro que vamos. –Assenti, olhando o envelope- Estaremos lá.
–Obrigada, meninos. –Jo falou, toda sorridente- Sei que nós quatro somos amigos a pouco tempo, mas nós duas já consideramos vocês nossos amigos. –Ela se levantou da cadeira e nos abraçou de uma vez só. Logan e eu tentamos retribuir o abraço de Jo o melhor que pudemos e tina certeza que, pela Jo, ela ficaria naquele abraço coletivo mais tempo se o telefone na mesa do Logan não tivesse tocado.
–Eu acho que é a recepção falando que o Kenneth já vai subir pra cá, eu tenho que atender. –Logan falou, indo em direção ao telefone. Eu só ouvia ele concordando em intervalos curtos antes de confirmar a subida dele para o nosso andar. Ele desligou o telefone e voltou para perto de nós- Kenneth já tá subindo. Kendall, se prepare.
–Nós já estamos indo, eu acho... –Jo estendeu mais dois envelopes para Logan- São os convites do James e do Carlos. A Carolyn falou que os dois não estavam, mas que podíamos deixar tudo com você. Pode entregar pra eles, Logan?
–Claro que sim. –Logan respondeu depois de pegar os envelopes- E mais uma vez, obrigado por convidar a gente. Foi muita consideração.
–Não tem de quê, bonitinho. –Camille falou, pegando Logan pelos ombros e dando um beijo em cada bochecha. Logan começou a rir enquanto tentava limpar as marcas de batom que a morena havia deixado em seu rosto- Nós já vamos. Temos muita coisa pra fazer até a noite do jantar. Nos vemos depois.
Eu acenei para Jo e Camille que já estavam de sacolas em punho de novo e indo embora. Logan voltou a ficar do meu lado, ainda esfregando a bochecha.
–Por favor, me diga que o batom saiu. –Logan virou a bochecha pra mim. A marca da boca da Camille tinha saído, mas agora tinha uma grande mancha vermelha no lugar. Era a minha vez de começar a rir.
–Não muito. Vai ter que passar no banheiro pra tirar esse batom do seu rosto depois.
–Por que garotas têm que usar batons tão fortes? –Logan grunhiu, frustrado- Nunca vou entender isso.
Eu ainda ria do Logan tentando tirar o batom da Camille do rosto quando eu vi a porta do lounge se abrir. Um cara alto, uns 10 centímetros mais alto que eu, de cabelo loiro escuro e óculos escuros em estilo aviador entrara. Usava uma camisa xadrez cinza e azul escuro e jeans claros e segurava no braço uma jaqueta jeans do mesmo tom. Logan e eu encarávamos ele. Logan estava em choque básico de estar frente a frente com alguém realmente famoso mundialmente. Eu experimentava um choque de emoções, uma atrás da outra, tanto que eu nem sabia o que sentir naquela hora.
Finalmente o cara falou, a voz grossa que eu quase me esquecera de como era.
–A garota me pediu pra falar com um Logan aqui no lounge. –Ele sorriu, se virando para Logan- Seria você?
–Sim senhor... –A voz do Logan era quase um sussurro, mas logo ele tentou se recompor. Ele deu um gole na água que estava no copo em sua mão e voltou a falar- Sr. Williams, eu sou Logan Mitchell, assistente de James Diamond pela Rocque Records. Nós estávamos esperando mesmo pelo senhor.
–Não me chame de senhor, garoto. Não preciso disso pra saber que sou velho. –Ele riu brevemente antes de se virar na minha direção- E você deve ser Kendall Knight. Ouvi falar muito de você, garoto.
–Com certeza. –Assenti em tom sarcástico. É claro que ele devia ter ouvido falar de mim, é claro.
–Arthur deve ter te falado que dei uma pausa na minha turnê pra falar contigo. –Ele deu de ombros, como se aquilo não fosse nada- Considere-se importante. É raro eu parar a turnê por alguém.
–Ah, sei bem disso. –Encarei ele, meu tom sarcástico não abandonara minha voz.
–Sr. Mitchell, há um lugar no qual eu possa conversar com o Sr. Knight em particular? –Ele perguntara a Logan, que presenciara toda aquela cena com uma cara confusa, mas logo se recompôs.
–Acho que a sala de reuniões do lounge é uma boa. Tudo bem pra você, Kendall? –Logan me perguntou, olhando firme pra mim. Eu pude ver nos olhos dele o quão preocupado ele estava.
–Tudo bem pra mim. –Dei de ombros antes de voltar a minha atenção para o homem a nossa frente- Eu só não sei se o Sr. Williams concorda comigo.
–Está tudo bem pra mim também. –Ele assentiu e apontou a porta da sala de reuniões- É aquela ali, Sr. Mitchell?
–Sim senhor. –Logan confirmou e o homem foi até a porta. Eu já estava indo até lá quando senti a mão de Logan em meu pulso e me puxando pra trás. Eu olhei pra ele e pude ver mais do que a preocupação dele. Logan estava angustiado por mim- Tem certeza que tá tudo bem?
–Tô bem sim. –Garanti a Logan antes de me aproximar e dar um beijo na testa dele- Depois te conto tudo. Prometo.
Logan assentiu e soltou a mão do meu pulso, me deixando ir. Eu logo entrei na sala de reuniões e fechei a porta atrás de mim. Já na sala o homem estava sentado em uma das cadeiras, a jaqueta dele jogada na mesa. Respirei fundo. Era hora de encarar essa.
Antes que eu pudesse falar qualquer coisa, ele começou a falar. Ele ainda não havia tirado os óculos escuros, mas eu sabia bem que ele estava olhando pra mim. Mesmo de óculos eu sabia que aqueles olhos verdes me encaravam. Os mesmos olhos que eu herdara dele.
–Faz muito tempo que não te vejo assim, ao vivo e a cores. –Ele finalmente tirou os óculos, jogando-os em cima da jaqueta- Agora eu vejo o quanto você cresceu. É muito bom te ver de novo, Kendall.
–Oi, pai... –Falei em meio a um suspiro.
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