The Roommate

18 I Just Wanna Win Your Heart - Pt. 3


Notas iniciais
Capítulo especial dedicado a Susana a.k.a. LoganCafetao, outra favorita minha que volta ao mundo das fanfics. Você merece meu amor e uma caixinha de cookies pela volta, viu? ------------- KITTY: Eu venho recebido muitos (tipo, muuuuuuuitos) comentários (talvez não aqui, mas no Spirit, onde ela é mais vista, sim) perguntando quando Kendall e Logan se beijarão pra valer e não em sonho. Eu entendo essa ansiosidade toda de vocês por que eu já passei por essa situação e ainda passo. Não só com meu casal favorito mais recente, que é Kogan, mas com muuuuuitos outros casais que eu amo. Mas aqui, do outro lado da história, como escritora, acho superdivertido torturar vocês com essa espera. Faz tudo ficar bem mais surtante quando o momento chegar. E pra quem ainda pergunta, eis minha resposta: o momento em que Kendall e Logan ficarão juntos pode estar mais próximo do que imagina... ~risada maléfica~

Uma coisa que ninguém, nem mesmo as revistas e sites de celebridades sabem sobre Kenneth Williams: anos atrás ele era conhecido como Kenneth William Knight.

Meu pai já era bem conhecido em Minnesota, sempre fazendo pocket shows com a banda dele nos clubes e bares da cidade, isso enquanto ainda gerenciava o restaurante da família dele junto com a minha mãe e cuidava de mim e da Katie, ainda bebê naquela época. Podia-se dizer que era uma época feliz. Meu pai estava fazendo o que adorava e ainda tinha tempo pra ficar com a família.

Foi aí que o contrato com a Rocque Records chegara. E bagunçara nossa vida inteira.

Eu lembro quando isso acontecera. Eu tinha 12 anos na época, Katie tinha 7. Lembro da noite que meus pais conversaram a portas fechadas no quarto deles sobre isso. Katie era pequena, mas esperta como ela era desde cedo, sabia que tinha algo errado. Eu só havia dito para ela ir ao quarto e fui logo atrás dela, prometendo que logo que eu soubesse de tudo, diria a ela o que realmente estava acontecendo. Mas eu sabia que só estava adiando a verdade pra ela. Eu já sabia muito bem o que tava acontecendo. O que iria acontecer.

Meu pai aceitaria o contrato. Iria atrás do seu sonho. E nos deixaria em Sherwood.

Durante 11 anos, as únicas oportunidades que tinha para ver meu pai eram quando ele estava em algum programa de TV ou na capa de alguma revista. Minha mãe até emoldurara a capa da Rolling Stone em que ele saiu. As únicas oportunidades de conversar com ele foram nas convenientes ligações de aniversário, Natal e Dia de Ação de Graças. E que eu tivesse que me contentar com isso.

Por 11 anos, ele nunca mais voltou pra nos ver. Em 11 anos, ele nunca parou uma turnê dele pra ver o filho mais velho que ele deixara pra trás.

Até agora.

–Não vai sentar, Kendall? –Kenneth apontou a cadeira perto dele, me convidando a sentar nela. Eu continuei de pé, de braços cruzados.

–Não, obrigado. Gosto de ficar de pé.

–Parece que sua teimosia continua inabalável. –Ele sorriu, balançando a cabeça- Eu ainda lembro da época que você queria por que queria aprender piano. Mesmo eu falando que não sabia tocar direito. E acabou que nos dois aprendemos juntos.

–O que veio fazer aqui? –Eu perguntei, indo direto ao assunto, não deixando que aquela lembrança tão antiga invadisse minha mente e me tirasse o foco- Eu sei que não parou sua turnê, coisa que você nunca fez na sua vida, só pra vir até aqui e se lembrar do velhos tempos comigo.

–Kendall... –Kenneth suspirou, olhando para a mesa. Seus dedos tamborilavam devagar a madeira da mesa. Eu lembrava bem que ele fazia aquilo quando queria começar uma conversa séria e não sabia como. Ele teve que anunciar a morte do meu vô assim- Eu queria uma chance de conversar com você de verdade. Sem telefone, internet, nada disso. Eu queria conversar com você cara a cara. E quem sabe, resolver alguns assuntos pendentes...

–Assuntos pendentes? –Eu falei, descruzando os braços- Então você deixar seus filhos e sua mulher pra viver a vida de rockstar sem nenhuma explicação decente é um assunto pendente pra você? –Minha voz ia aumentando o tom involuntariamente. Por um minuto, eu me perguntei se Logan estaria ouvindo lá do outro lado da porta, mas eu não conseguia parar de falar- Ver o filho que você abandonou 11 anos depois pra dar uma desculpa esfarrapada pela sua atitude filha da puta é um assunto pendente?

–Eu sei que tem raiva de mim, e tem toda a razão pra se sentir assim.

–Ah, eu tenho razão sim. Um dia você decide ir embora e nem sequer pensa em se despedir dos seus filhos. Nem pra dizer “até nunca mais, seus filhos da puta!”. –Eu comecei a andar de um lado pro outro, tentando me controlar. Eu não queria que ele me visse perder o controle. Eu não queria dar o gostinho de ele me ver chorar. Por culpa dele- Sabia que a Katie ficou um mês indo dormir chorando, achando que ela de algum modo tinha culpa por você ter ido embora das nossas vidas? –Eu senti que não precisava mencionar que eu também tinha ido dormir naquela época me sentindo pior que um lixo. Não mostraria a Kenneth o quanto a partida dele tinha me afetado.

–Eu queria mesmo ter me despedido de vocês, mas você e Katie nunca teriam entendido o porquê de eu ter ido embora. –Ele se levantou e foi até a mim, me pegando pelos ombros e me forçando a parar de andar.

–Pode ser que a Katie não conseguisse entender, mas eu? –Falei, encarando os olhos dele, me obrigando a não desabar na frente dele. Eu não podia fraquejar- Eu não ia conseguir entender que você quis deixar a gente só pra ser famoso?

–Eu deixei vocês por que eu não tinha outra escolha. –Kenneth falou, fechando os olhos por um segundo e respirando fundo- Na época, o pessoal da gravadora tinha oferecido uma opção. A opção de levar vocês três comigo pra Los Angeles. Assim eu poderia ter minha família por perto.

Aquilo foi um choque pra mim. E o choque foi rapidamente se transformando em raiva. Aquela oportunidade estava na frente dele e ainda assim ele decidiu nos deixar. Eu nunca quis tanto dar um soco na cara dele.

–E ainda assim você escolheu deixar a gente. –Sibilei, já sem certeza de que teria meu temperamento sob controle- Você é realmente tão egocêntrico, tão mesquinho a esse ponto?

–Eu conversei com a Jennifer, na época, sobre isso. –Kenneth falou, como se eu nunca tivesse o interrompido- Ela não queria vir para a California. Ela já tinha a vida ganha em Minnesota e ela já tinha tudo certo para ter o comando total do restaurante. Além disso, eu e ela concordávamos com outra coisa. Vindo pra cá perderíamos qualquer tipo de privacidade. Você e Katie estariam expostos aos holofotes com tanta intensidade. E conforme meu sucesso aumentasse, essa invasão de privacidade seria maior. Como isso afetaria vocês dois? Como vocês iam conseguir crescer, serem crianças normais, diante de tantos flashes? Eu não sei se seriam as mesmas pessoas que são hoje.

Eu respirei fundo, voltando a lembrar de como as coisas eram em Sherwood. Já naquela época meu pai era bem famoso pela cidade, tanto que ele sempre ficava em um hotel da cidade depois dos shows que ele fazia, para evitar que os fãs enlouquecidos chegassem até a nossa casa.

–Então é isso? –Eu perguntei, ainda não tão convencido- Você foi embora do nada, pra nos proteger da sua fama?

–Eu sabia que devia deixar você e a Katie crescerem como crianças normais, e forçar em vocês a fama que eu teria não seria justo. –Kenneth deixou uma das suas mãos cair do meu ombro- Eu falei com a Jennifer e concordei que veria você e sua irmã de novo, se vocês tivessem coragem pra encarar os holofotes por vocês mesmos, não por que o pai de vocês é famoso.

Tentei ver do lado dele por um minuto e pude até ver certo sentido no que ele me dizia. Não seria justo expor um filho meu (se eu tivesse, algum dia) aos holofotes só por que sou famoso. Algumas pessoas hoje em dia dizem que a exposição é só consequência da fama, mas se eu pudesse escolher, eu protegeria meu filho até que ele mesmo decidisse optar por encarar tamanha exposição.

–E é por isso que está aqui? –Perguntei- Por que agora acho que encaro melhor os holofotes da fama?

–Eu vim aqui por que Arthur Griffin me disse que um dos artistas mais jovens dele tinha contratado um compositor espetacular e que eu devia conhecê-lo. Mas mal sabia ele que eu já conhecia esse compositor espetacular. Isso, e que semanas antes de ele me dizer isso sua mãe me ligou, dizendo que você havia aceitado uma proposta para trabalhar aqui em Los Angeles. E sabendo do que você queria ser e vendo os vídeos que postava no YouTube, não foi difícil ligar os pontos. –Kenneth sorriu- Eu vim aqui pra saber se é isso mesmo que você quer. Quer mesmo seguir os passos do seu pai? Largar a vida que tinha pra viver seu sonho?

Só depois que ele tinha dito aquilo é que minha ficha tinha caído. Eu não tinha feito a mesma coisa que ele havia feito 11 anos atrás? Com a exceção de que eu pelo menos me despedi da minha mãe e da Katie, mas sim, eu tinha deixado minha família pra trás e ido até Los Angeles pra viver meu sonho. Assim como ele havia feito. Eu tinha meu direito de ficar com raiva dele, mas não tinha direito de recriminar o que ele tinha feito sabendo muito bem que eu fiz a mesma coisa.

–Contanto que não seja seguindo a sua sombra... –Falei, suspirando- Não me leve a mal, mas é pelo mesmo motivo que você foi embora. Você queria que crescêssemos sem nos associar a você até que nós decidíssemos aceitar viver sob os holofotes por conta própria. Eu quero fazer a minha própria fama. Não quero ser associado a você por simplesmente não querer ou por que eu ainda posso ou não estar chateado contigo. Eu quero me dar bem nesse mundo da música sem que todo mundo fique falando “ah, é claro que ele tá fazendo sucesso, tá se aproveitando do sucesso do pai”.

–Eu entendo, Kendall. –Kenneth assentiu, compreensivo- Eu quero que saiba que, se precisar de algo, qualquer coisa, ou se só quiser conversar, eu estarei aqui. Mesmo que eu não mereça, e sei que não mereço pedir isso de você, mas quero que as coisas fiquem bem entre nós dois.

–Obrigado... Pai... –Eu sorri antes de dar um abraço meio estranho nele. Eu ainda não sabia se podia perdoá-lo completamente, mas pelo menos eu sabia que ele tinha seus motivos para ter feito o que fez, e saber o porquê daquilo já era o bastante. Por enquanto- Obrigado por compreender.

–Obrigado por me ouvir, filho. –Kenneth retribuiu o abraço, não tão estranhamente como eu. Ficamos assim por um minuto até ele me soltar- Bom, sua mãe... Ela também me falou no Skype que você tinha arranjado um colega de quarto aqui em Los Angeles. Por acaso seria... –Ele apontou para a porta da sala de reuniões, com um sorriso de quem já sabia o que estava acontecendo. Eu não resisti e sorri um pouco antes de coçar a nuca, envergonhado. É complicado falar disso com um pai. Em especial um pai que não te vê há 11 anos e cuja opinião sobre homossexualidade ainda é desconhecida pra você.

–Sim, Logan é meu colega de quarto e não, nós não estamos namorando. –Ainda, completei em pensamento.

–Mas você gosta desse rapaz, não é? –Kenneth levantou a sobrancelha. Nunca imaginei que meu pai faria esse tipo de interrogatório comigo- Não tente negar, eu vi quando você beijou a testa dele antes de entrar aqui.

–Eu gosto dele, mas não sei se isso é recíproco, sabe? –Mordi o interior da minha bochecha enquanto olhava pra porta- Eu e o Logan ficamos bem próximos, mas não sei se ele sente por mim o mesmo que eu sinto por ele. Ás vezes eu acho que ele vê todos esses gestos de carinho que tenho com ele como algo platônico, sei lá...

–Comigo e com a sua mãe foi a mesma coisa. –Kenneth sorriu, solidário- Eu nunca soube se o que ela sentia por mim era igual ao que eu sentia por ela até eu tomar uma atitude. Acho que é isso que precisa fazer, Kendall.

–É, todo mundo me diz isso. –Balancei a cabeça, me lembrando dos conselhos que meus amigos me deram quando se tratava do Logan. E agora meu pai me dava o mesmo conselho. Se até meu pai, que ficou praticamente sumido da minha vida por mais de uma década, me dizia isso, era por que era a coisa mais acertada a se fazer.

–Bom, deve ter um motivo pra todo mundo te dizer isso, não? –Kenneth piscou o olho- Mas independente disso, eu quero que seja feliz, Kendall. Não importa com quem você esteja. Homem, mulher. Te aceitaria até se estivesse namorando um canguru, mas como zoofilia não é tão aceitável...

–Valeu, pai... –Eu ri antes de abraçar meu pai mais uma vez. Dessa vez não tinha tanta estranheza no nosso abraço. Era bem mais natural do que o primeiro abraço que demos. Aquilo me dava esperança de que, algum dia, as complicações que um dia tive com ele poderiam ser superadas completamente. E eu esperava que isso acontecesse em um futuro bem próximo.

Notas finais
Próximo capítulo vai ser o quase encontro dos nossos garotos favoritos. Sim, comemore meu povo lindo!!! Como sempre, comentários lindos e brilhantes são bem vindos ;)