The Roommate

14 A Sharp Knife of a Short Life-Pt. 2


Notas iniciais
Essa semana eu vou pular direto para a nota da Kitty. Acho que meu alterego tem muito mais a dizer do que eu mesma, hue. --------------------------- KITTY: Eu estou surpresa demais com o fato de que estou conseguindo fazer os updates tão rápido. A história vai fazer dois anos (sim, dois anos. Eu tenho procrastinado demais nessa história, pois é) e eu nunca fiz updates tão rápidos em tão pouco tempo quanto esse ano. O único problema que pode atrapalhar um pouco é o bloqueio de escritora (do qual sempre reclamo nas notas) e a dó que sinto em matar alguns personagens da história. Tipo, tanta gente que eu podia elaborar uma história legal, até mesmo criar um final feliz, mas a morte é necessária para o bem da história. Acho ate que, depois de algumas mortes, vocês vão querer xingar até minha alma, mas como eu disse, é tudo pelo bem da história. Espero que depois de algumas das mortes e reviravoltas, eu espero que vocês continuem me amando. Até lá, fiquem com mais construção de relacionamento entre Kendall e Logan (e mais algumas coisas)...

POV Kendall

–Terra para Kendall, tem alguém aí? –Stephanie falou enquanto James me cutucava do outro lado.

–Claro que tem, Steph. –James falou, fingindo de ofendido- Mas ele acha que o texano bonitinho é mais interessante do que a gente.

–Não é nada disso. –Olhei para os dois, mas eles podiam ver que eu estava mentindo. Eu confesso que estava meio preocupado com o Logan. Eu sabia que ele podia ser tímido demais, mas pelos sorrisos que ele exibia perto do Carlos, dava pra ver que ele estava bem à vontade com o latino baixinho- Tava pensando na Jenny e tudo mais...

–Pensar na Jenny só vai fazer doer sua cabeça, Kendall. –Dak suspirou, meio infeliz- Agora quem tem que se concentrar na Jenny é a polícia. E a gente tem que seguir em frente. É assim que as coisas funcionam.

–Falando assim, até parece que andou pensando demais na Jenny. –James ergueu a sobrancelha.

–Como eu não ia pensar? Ela era nossa amiga. –Dak deu de ombros- É impossível não pensar nela. Vai me dizer que você não tá pensando nela?

Antes que James respondesse, senti o ar ficar mais pesado. Instintivamente olhei para Logan, que encarava a porta, congelado. Os punhos dele haviam se fechado, ar articulações ficavam brancas de tão forte que ele fechava. Carlos tentava puxar Logan pelo braço e vinha em nossa direção.

–Gente, alguém ajuda o Logan. Ele tava conversando comigo uma hora e de repente, poof. É como se ele tivesse virado outra pessoa.

–Acho que sei por que. –James olhou a porta, agora furioso- Eu volto logo.

–Ah não. –Carlos soltou do braço do Logan e foi parar James- Você não vai fazer isso. Não no velório da Jenny, nem com ele. Esse cara não vale a pena.

–Não vou fazer escândalo, Carlitos. –James se virou, colocando as mãos no ombro do baixinho, olhando-o firme nos olhos- Eu só quero saber o que aquele lixo tá fazendo aqui. Você me conhece, eu sou um Diamond. Os Diamonds têm classe e elegância demais pra fazer escândalo. Especialmente em um velório.

–Ótimo. Mas eu vou com você. –Carlos respirou fundo, já indo na frente- Dak, podia vir junto, só pra dar cobertura? Deixa a Steph com o Kendall e o Logan.

–Okay... –Dak se levantou e foi junto com James e Carlos. Olhei mais uma vez para a porta, onde Logan ainda olhava totalmente congelado. Ele não havia relaxado nem um segundo.

Eu também não conseguiria relaxar no mesmo ambiente que Jett Stetson estava.

Mas para minha surpresa James, Carlos e Dak foram em direção à outra pessoa que estava parado na porta com um sorriso malicioso.

–Nem dá pra acreditar que esse idiota veio, depois de tudo que ele fez. –A voz de Stephanie soou agressiva até para ela.

–O Jett?

–Não. Wayne-Wayne. –Stephanie cuspiu o nome como se fosse um palavrão- Ele tentou ficar com a Jenny a força na primeira semana que ela chegou. Se não fosse os caras que futuramente seriam a banda dela terem chegado na hora e descido o cacete na cara do Wayne, nem sei o que aconteceria. Aliás, foi nesse dia que eu fiquei amiga dela. Os grandões da banda bateram na minha porta, querendo que eu ajudasse a Jenny a se acalmar. Claro que, mesmo se não tivesse 4 caras gigantes com cara de mal encarado na minha porta literalmente mandando eu ajudá-la, eu ajudaria de qualquer maneira. Ela tava muito abalada.

Enquanto ela falava, eu via James quase discutindo com Wayne-Wayne, só se controlando pra não pular na garganta dele por causa das mãos de Carlos em seu braço, o impedindo de fazer uma loucura. Um pouco mais longe, Dak estava atrás de James, pronto para segurá-lo se algo desse errado.

–E quanto ao Jett? –Falei, ainda fuzilando o cara de olhos azuis- Não vai ter nenhum problema ele aqui?

–Por incrível que pareça, não. –Vi Stephanie dar de ombros pelo canto do olho- Por mais que James odeie Jett, ele odeia mil vezes o Wayne-Wayne pelo que ele fez com a Jenny no passado. Eu disse, todo mundo odeia o Wayne-Wayne. E o Stetson pode ser o que for, mas ele nunca faria nada contra a Jenny, nem contra nenhuma garota daqui.

Senti uma respiração forte bater em meu pescoço e me virei pra ver Logan ainda encarando o vazio de punhos fechados. Eu precisava acalmá-lo ou ele iria sentir os efeitos daquela tensão toda mais tarde.

–Logan, olhe pra mim. –Fiquei de frente pra ele, colocando uma das minhas mãos no ombro e a outra em um dos punhos fechados dele, tentando fazê-lo abrir a mão- Tá tudo bem, Logie. Não precisa ficar assim, eu tô aqui com você. Fica calmo, respira fundo, relaxa. Tá tudo bem. Olha pra mim, por favor.

Depois de um minuto que pareceu uma eternidade, Logan levantou o rosto e me encarou, aquele misto de fúria e medo que me parecia cada vez mais familiar brilhava em seu olhar. Sua respiração voltava ao normal, ainda que acelerando e mudando o ritmo de vez em quando para logo depois voltar ao normal. A mão fechada que eu tentava abrir relaxava aos poucos, se soltando em minha mão. Ele estava se acalmando, mas não o bastante. Aproveitei que ele podia andar sem parecer tenso demais e peguei a mão dele que estava na minha e o puxei mais pra perto da parede onde estavam as cadeiras que estávamos sentados. Eu havia me lembrado de algo que meu pai me ensinara quando eu era pequeno, anos antes de ele ter ido embora das nossas vidas.

Puxei Logan pra perto de mim e o abracei. Minha mão ainda segurava a dele enquanto o meu braço livre o segurava pelos ombros, pra mais perto de mim. Senti a respiração dele falhar um pouco, quase se transformando em um suspiro.

–O que você tá fazendo, Kendall? –Logan murmurou contra meu peito, mas ao invés de se afastar, como eu poderia esperar que ele fizesse se quisesse, se aconchegou pra mais perto ainda.

–Se concentra na batida no meu coração. –Murmurei, meus lábios em seu cabelo- Tenta sincronizar sua respiração com a minha. Vai por mim.

Senti Logan assentir de leve, apertando de leve meus dedos em sua mão. Nem sei por quanto tempo ficamos ali, sincronizando nossa respiração e batimento cardíaco, mas logo senti Logan mais relaxado em meus braços. Seus ombros não estavam mais tensos, sua respiração estava mais lenta. Nossos corações pareciam bater como um só de tão sincronizados que estavam. Logan deu um suspiro feliz antes de aconchegar um pouco mais e se afastar o bastante para me olhar.

–Obrigado Kendall. Por me acalmar e tudo mais...

–Meu pai fazia isso comigo quando eu tinha pesadelos. Me acalmava na hora. –Dei de ombros, como se a mera menção daquela lembrança não me doesse- Achei que podia dar certo com você, e vejo que acertei.

–Com certeza... –Logan sorriu, mas seu sorriso aos poucos se desfazia, ficando cada vez mais sério enquanto encarava meus lábios, e eu tinha quase certeza que eu estava encarando os dele. Não era final de semana passado que estávamos assim tão próximos, tão perto um do outro que era só quebrar a distância entre nós e nossos lábios se encontrariam? Podia ser quase um desrespeito eu e Logan nos beijarmos em um velório, mas cara, como eu queria aquele beijo. E eu podia sentir que ele também queria, quase tanto quanto eu.

–Kendall, Logan? –A voz suave da Stephanie nos chamava, quase sem graça- Tá tudo bem?

–Estamos bem, Stephanie. –Logan sorriu, se virando pra ela- Kendall estava tentando me acalmar, e deu certo. O que houve?

–Só pra avisar que James não quebrou a cara do Wayne-Wayne, o que é uma pena. –Stephanie olhou pra trás, fuzilando o aspirante a rapper- E já vai começar o cortejo fúnebre até o cemitério para o enterro simbólico da Jenny aqui. Se quiserem ir, fiquem a vontade. A não ser que tenham outros planos...

Olhei para Logan, que me olhava como se implorasse para eu não ir.

–Eu acho que Logan precisa ficar um tempo quieto no apartamento. Acho que funerais devem afetá-lo demais. –Dei um sorriso meio patético diante da minha tentativa de deixar as coisas mais leves- Eu vou levá-lo ao apartamento e ficar com ele.

–E se o pessoal passar por lá depois do enterro? –Logan sugeriu, meio inseguro- Vai dar problema, Kendall?

–Acho que não. –Sorri, um pouco mais calmo agora- Além disso, quero saber como foi a conversa com James e Wayne-Wayne.

–Tenho certeza que ele vai adorar contar isso. –Stephanie riu baixinho- Bom, eu já vou indo. E vocês dois, se comportem. –Ela se afastou, nos encarando como se fôssemos duas crianças travessas.

–Pode deixar, mamãe. –Revirei os olhos enquanto eu sentia Logan sair do meu abraço- Okay, pronto pra voltar pro apartamento?

–Claro. –Logan sorriu. Ele apertou minha mão mais uma vez antes de soltar- Escuta, que desculpa foi aquela que você deu pra Stephanie?

–Eu achei que ia funcionar. –Dei de ombros- Você tava em estado de choque, achei que ela ia acreditar se eu dissesse que você não lida bem com funerais.

–Acho que ela acreditou. –Logan murmurou, dando uma última olhada no caixão da Jenny, que estava sendo fechado- Vamos logo, eu preciso respirar um pouco longe desse clima de luto. Não é nada pessoal, mas...

–Eu te entendo, Logan. Vamos.

E enquanto eu saía com Logan daquele lugar, eu podia sentir Jett nos encarando, de alguma forma.

E também podia sentir Logan voltar a ficar um tanto tenso ao passar pela porta.

Eu e Logan passamos a tarde toda assistindo filme no pay-per-view. Eu quis assistir V de Vingança enquanto Logan escolheu um documentário do Disney Nature sobre flamingos, e enquanto ele me explicava coisas sobre os flamingos que o documentário decidira ocultar (pelo bem das crianças, desculpa mais idiota do mundo. As crianças vão saber de tudo depois no futuro), eu contava sobre os detalhes da HQ que o filme deixara de fora. A gente se divertiu bem mais do que eu esperava, apesar de tudo.

–Então, Kendall, –Logan falou na hora que Evey estava escondida na casa do Gordon logo depois de conseguir escapar do V- o que aconteceu com seu pai?

–Como assim? –Fingi prestar atenção na TV, tentando fugir do assunto.

–Bom, eu sei da sua mãe, da sua irmã, mas você nunca me contou muito do seu pai.

–Não é verdade.

–Ah, é sim. –Logan insistiu, teimoso- Naquela hora, lá no velório da Jenny? Você falou do seu pai, mas senti que você tava escondendo algo.

–Tá bom, quer saber? –Eu explodi, meio que sem querer- Meu pai era um cara legal. Ele me ensinou tudo o que eu sei sobre hockey e música e tudo mais. Eu achei que ele nunca faria nada pra magoar ninguém. Nem a minha mãe, nem a Katie, nem a mim. E um dia ele foi embora, sem nem ao menos se despedir de mim. Bom, ele conversou com a minha mãe e acho até que ele falou com a Katie, mas nem quis me dar um último adeus. Aquilo me doeu mais que tudo... Eu... –Eu não vou chorar, eu não vou chorar..., repeti aquele mantra pra mim mesmo. Logan não podia me ver chorar.

–Faz quanto tempo? –A voz de Logan estava suave, quase solidária- Que ele foi embora?

–Eu tinha 16 anos quando ele foi embora. –Falei, quase fungando- Eu vejo ele, ás vezes, mas ainda sinto que ele só fala comigo por que é a obrigação dele de pai, acho... A última vez que eu vi ele foi a uns dos meses antes de vir pra cá. Ele me desejou boa sorte. –Terminei de falar, um tanto amargo. Minha visão estava embaçada com as lágrimas que não queria derrubar, mas eu ainda podia ver Logan me encarando preocupado- Olha, me desculpa ter gritado com você, eu não queria...

–Tá tudo bem, Kendall. Eu não devia ter forçado a barra. –Logan mordia o lábio, mexendo na manga do suéter grande de tricô que colocara depois que chegamos do velório. Coloquei minha mão em cima da dele, fazendo seus dedos pararem de se mexer.

–Você não forçou a barra, Logan. Eu é que tenho pensado demais no meu pai e ando frustrado com isso e despejei tudo em cima de você sem querer. A culpa não foi sua.

Me ajoelhei no sofá e cheguei perto do Logan. Me inclinei até meus lábios encostarem na cabeça dele. Logan ergueu a cabeça, meio assustado, e me olhou. Seu olhar assustado se dissolveu em um olhar de encanto enquanto seus lábios se erguiam em um sorriso tímido. E antes que eu pudesse concluir meu pensamento de poder beijar aqueles lábios, Logan se levantou devagar e foi em direção à cozinha com o balde de pipoca nas mãos.

–Eu vou fazer mais pipoca. –Logan abriu a porta do armário, tirando dois pacotes de pipoca para microondas- Dividir pipoca com você é correr o risco de ficar com fome, como você come pipoca, cara...

–Hey, a ideia de dividir o balde foi toda sua. –Lembrei, com um sorriso no rosto. Tá certo que nossos dedos não se encontraram durante a caça da pipoca como nos filmes de romance que minha mãe adora e eu e Katie costumávamos rolar os olhos, mas dividir a pipoca durante uma sessão de cinema em casa era quase romântico. Eu não queria me permitir ter esperanças quanto a Logan, mas como ele parecia corresponder as minhas tentativas (ainda que inconscientes na maior parte do tempo) de flerte, acho que ter uma mini esperança não parecia ser tão ruim.

–Okay, mas eu não sabia que você era um ladrão de pipoca, Knight. –Logan abriu um dos pacotes e colocou o saco de papel no microondas- Podia ter me avisado, sabia?

Antes que eu pudesse responder, ouvimos a campainha do apartamento tocar. Olhei para o relógio em cima da TV. Quase seis e meia da tarde. Suspirei, já dizendo adeus mentalmente ao meu tempo sozinho com Logan. Olhei Logan, que parecia também estar chateado pelo nosso tempo sozinho ter acabado.

–Eu atendo a porta. –Logan indicou a porta com a cabeça- E você, coloca uma roupa decente. –Completou, apontando meu pijama –minha boina cinza, uma camiseta de manga comprida cinza claro e uma calça de moletom xadrez vermelha e verde– como se eu estivesse em farrapos.

–Olha quem fala, o cara do suéter gigante. –Falei apontando o suéter do Logan, que ria enquanto ia em direção à porta.

–Pelo menos eu estou decente por baixo desse suéter. –Ouvi Logan gritar enquanto eu entrava no meu quarto, com um sorriso idiota, procurando minha calça jeans.

Notas finais
Quero seus comentários brilhantes e fofos, como sempre. Também quero saber de vocês qual o motivo real do pai do Kendall ter ido embora da vida dele. Vou adorar saber qual é a visão de vocês dessa situação... ;)