The Righteous And The Wicked
34 Capítulo 34
Notas iniciais
E também, VAI CORINTHIANS! -qqqqqqqqqqq Ok, não ligo muito pra futebol, mas tenho que admitir que vi o fim do jogo e deu agonia nas aproximações do Chelsea. Não precisavam parar a Paulista pra comemorar, mas é legal ver o povo feliz de vez em quando, contagia. Parabéns pra quem for corinthiano aí.
MAS ENFIM. GREEN DAY. MÚSICA.
http://letras.mus.br/green-day/1982319/traducao.html
Gosto bastante dessa ♥
Go read, go go go
Chegaram à enfermaria e lutaram um pouco para que Madame Pomfrey deixasse todos entrarem para ver o mesmo paciente ao mesmo tempo.
— Como ele tá? — Gerard perguntou, meio preocupado e meio despretensioso.
— Um pouquinho pior. Mas está tomando soro... e, hmm, está um pouco anestesiado também, teve um pequeno acesso de dor. Então talvez ele pareça meio... estranho.
Foram até a maca onde o paciente estava deitado e, claro, Mike estava lá. Cochilando, mas acordou com o barulho dos passos mais forte. Levantou-se, alarmado com uma presença específica.
— O que vocês...
— Visita. Sorria – Tré falou, olhando de Mike para Billie, que estava acordado, apesar de sonolento.
— Que é, veio ver minha desgraça?
— Por mais divertido que seja, não. Só vim ver como você está.
Billie riu.
— Como se você se importasse. Ou você, nem lembro seu nome – ele apontou com o olhar para Gerard, que aguardava na ponta da cama e começava a se perguntar porque ele fora para lá. — Já a Taylor aqui, eu sei que é porque ela me ama.
Ele segurou a mão dela e ela não a retirou, sorrindo debochadamente do que ele havia dito. Gerard estreitou os olhos para o gesto. É, ele na verdade tinha um ótimo motivo para ter ido até ali. Taylor namorava sua melhor amiga, afinal. Vigiar não faria mal nenhum. E ele sabia que Hayley faria o mesmo com Frank pelo resto da semana.
— Então, vai dizer o que está acontecendo com você? — Tré perguntou, cruzando os braços e se apoiando na parede. — Fiz umas apostas e quero saber se acertei.
— Talvez tenha acertado. Apostou quando eu vou morrer? Diga que escolheu uma data próxima.
O sorriso desdenhoso de Tré murchou.
— Não, não apostei isso.
— Que pena.
Os grifinórios se entreolharam, agora preocupados. Taylor apertou a mão de Billie, com raiva, e então a soltou.
— Mas que merda, odeio quando você faz isso! Eu sei que você tá zoando...
— Sabe?
— … mas é uma brincadeira besta, falar como se não houvesse esperança!
— Como vocês são sérios! Eu só estou suando frio, como uma ameaça de bomba... — Billie apertou os olhos por um momento. — Sua silhueta está desaparecendo?
Gerard, Tré e Taylor pareceram ainda mais assustados, mas Mike estava calmo, só observando, como geralmente fazia nessa situação. Ele estava claramente triste demais com aquilo para fazer muito mais do que só estar ali.
— De qualquer jeito, não tenho mais nada a perder – Billie continuou, os olhos vagando entre os visitantes. — E sinceramente eu poderia simplesmente detonar o fusível. Mais um ferimento e eu quebro.
— Para. De falar. Merda – Taylor rosnou. — Você ainda tem muito pra ver, seu idiota.
— Por exemplo?
— Por exemplo... err...
— A Taylor e a Hayley estão namorando! — Gerard falou de súbito.
Hayley o mataria. Lenta e dolorosamente. Os olhares surpresos de Tré, Billie e Mike eram as testemunhas, o sorriso triunfante de Taylor era a causa e ele nem queria imaginar qual seria a arma.
— Como é? — Billie quase gaguejou.
— Isso mesmo – Taylor confirmou, triunfante. — Eu e a ruivinha.
Os três ficaram em silêncio. Tré estava com um sorriso incrédulo no rosto, do tipo “puta merda, mais essa!”.
Então Billie começou a rir. Rir muito.
— Não é lindo? Tão incomum! A vida é mesmo uma suposição... e está se esgotando... — ele murmurou, mas logo voltou a falar quase rindo. — Você está vivendo um clichê. Vá aproveitar o dia, nós vamos jogar fogos de artifício pra celebrar! Celebrar! Celebraaaar!
Tré estava se controlando muito para não gargalhar. Gerard lançou à Taylor um olhar que a lembrava do que a enfermeira falara sobre a anestesia em Billie.
— Não ligue pra mim. Vá lá passear com sua namorada. Nem sei o que você tá fazendo aqui. Em um piscar de olhos, mal encostando em mim, minha vida é dominada por passageiros, como vocês. Vem aqui, não fazem nada por mim e vão embora. Me sinto travado aqui, quero sair!
Ele falou a última parte mais alto, para que Madame Pomfrey ouvisse, mas não obteve resposta.
— Sentindo-se sem sorte – Mike comentou. — quando o tráfego está parado, e você se sente deixado pra trás.
— Isso mesmo. Só você me entende, Mike! Quero sair, aproveitar.
— Aí você sai de uma farra, pega um segundo fôlego – Tré disse. — Faz outra promessa e então uma mudança. Não adianta nada, você volta aonde está.
— Talvez... – Billie retrucou, parecendo ligeiramente fascinado por Tré ter falado isso. — Mas eu tenho uma asa quebrada, talvez eu nem possa voar. Ouça os anjos cantarem com um sinal que está fora de alcance... não é estranho? Não é estranho?
Seus olhos perderam o foco por um segundo, mas logo voltaram. Ele suspirou e se recostou nos travesseiros.
— Você está tentando dar uma lição de vida aqui, né? — Tré falou. — Foi isso que pareceu no começo, então fala logo e para de enrolar.
— Só quero dizer... Carpe Diem. Aproveitem o dia, com um grito de guerra. Afinal, somos todos muito jovens pra morrer?
— Mas por que você tá dizendo isso? — Taylor implorou.
— Pergunte pela razão, ficará sem resposta. Mas me responda, somos muito jovens pra morrer? — ele olhou para todos novamente. — Ganhando a vida ou fazendo uma matança, o que vale a pena perdoar? Tá tudo bem... tá sempre tudo bem.
Taylor já estava vermelha. Ela levantou o braço, mas Mike tinha previsto o perigo e a impediu de socar – ou estapear, não deu pra saber o que ela faria – Billie a tempo.
Billie piscou, surpreso.
— Se ela quer me bater, deixa, Mike.
— Eu posso também? — Tré brincou.
— Cala a boca – Mike disse, sério.
Tré estreitou os olhos. Não tinha notado as ligeiras olheiras sob os olhos dele. Ele realmente não deixava Billie sozinho, não é?
— Ok, não vou bater.
Taylor subitamente colocou um joelho sobre a maca e, para espanto de todos, colocou-se sobre Billie. Mas não desceu o corpo; só ficou ajoelhada sobre ele, sem encostar. Os olhos de Billie pareceram bem mais conscientes agora.
Ela segurou o rosto dele com uma mão, firme, ameaçadora.
— Conta o que você tem. Agora. Mesmo.
Gerard estava pasmo. Olhou para trás, preocupado com Madame Pomfrey, mas ela estava em sua sala. Então voltou a olhar para Taylor, aquela Taylor, a namorada de sua melhor amiga, em cima de Billie Joe. Ok, ela podia ter feito pior, podia ter descido o corpo e deixado aquilo bem sensual, mas mesmo assim...
Billie jogou a cabeça para o lado, livrando-se do aperto de Taylor.
— Ok, que seja. Cansei disso.
— Billie, você tá com muita morfina no sistema ainda... — Mike tentou avisá-lo.
— Então é melhor aproveitar agora. Taylor, eu já te falei alguma vez do meu pai?
Taylor hesitou.
— Não. Eu sempre te perguntei da sua família e você sempre foi evasivo.
— Então agora senta e ouve... ok, não precisa sentar – ele deu um sorrisinho malicioso, mas ele se extinguiu logo. — Meu pai, ele tinha um problema. Uma doença. Não, não era hereditária. Era mental, ele era louco. Minha mãe o amava demais para interná-lo, mas teria feito isso se o amasse mais ainda. De qualquer jeito, ele era louco e era tratado, mas às vezes tinha acessos de fúria ou de choro.
Taylor continuava imóvel sobre ele. O resto prestava atenção, Mike um tanto desapontado, sentado novamente e olhando para o chão.
— E um belo dia ele teve um dos primeiros comigo. Algo sobre Voldemort que ele viu no jornal o irritou, e ele começou a gritar que eu e minha mãe éramos Comensais da Morte e que iríamos pegá-lo... mesmo que eu só tivesse três anos.
— Três? — Gerard perguntou, fazendo as contas. Ele não estava no mesmo ano que Harry?
— Sim, eu entrei para Hogwarts atrasado. Mas continuando. Meu pai lançou um Imperius em mim, só que não deu certo. Eu não lembro muito bem como foi... doeu muito, isso eu sei, e que desmaiei, porque minha mãe me contou mais tarde. Ela decidiu finalmente interná-lo, não iria deixar em casa alguém que quase me matou... mas ele não aguentou ficar lá. Morreu semanas depois, com uma varinha roubada de um dos enfermeiros. Só por isso eu sei que é possível lançar um Avada Kedavra em si mesmo...
Billie parou um pouco. Piscou, meio tonto, mas recuperou o foco, fitando Taylor acima dele. Ela o mantinha acordado.
— Minha mãe ficou devastada, claro. E só piorou depois... depois que descobrimos que tinha algo errado comigo. — ele suspirou. — Aquele Imperius não foi sem consequências. Demorou, meses, mas eu comecei a ter febre e dores e descobriram que aquele feitiço havia criado um tumor em mim.
Taylor ofegou. Seus olhos estavam marejados. Gerard e Tré prendiam a respiração, e Mike estava com os olhos fechados, esperando que tudo que ele já sabia fosse logo contado.
— É uma coisinha minúscula – Billie falou quase com carinho. — Está no meu peito, onde o feitiço bateu. Mas não é como o câncer trouxa, não dá pra simplesmente arrancar a origem fora e fazer um tratamento químico. É uma doença mágica. Os médicos fizeram de tudo, mas a magia negra que vem de uma maldição imperdoável já estava impregnada em mim, crescendo cada vez mais. Nem vale a pena tirar o tumor cirurgicamente, a magia já está me matando pelo corpo todo.
Taylor sentou, mas Gerard nem ligou. Não era nem um pouco sexual. Ela sentou porque seus joelhos cederam, não foi de propósito. Seu rosto mostrava mais dor do que ela mesma esperaria.
— Pra vocês verem como eu sou foda – Billie disse, começando a rir. — Tenho magia negra dentro de mim!
Ele riu mais, mas conseguiu se controlar. Observou Taylor carinhosamente.
— Minha mãe nunca desistiu, e por isso eu entrei pra escola atrasado. Ela estava me levando pra médicos diferentes. E eu não queria ter perdido tanto tempo da minha vida fazendo isso, sendo que eu estava bem, podia ter vivido muito mais. Agora que estou quase saindo de Hogwarts, quase livre... essa merda piorou.
— Mas... — Taylor falou pela primeira vez, a voz embargada. — Eles deram um.. prazo...?
— Tempo de vida restante? Não. Existem casos parecidos, mas em alguns as vítimas morreram duas semanas depois e em outros, quarenta anos depois. Talvez eu só esteja passando por uma crise e vá voltar a normal...
— Como eu estou dizendo o tempo todo! — Mike exclamou.
— … mas sei lá, eu sei que vou morrer mesmo.
— Todos vamos – Tré disse, a voz mais séria do que jamais havia estado. Billie havia até se esquecido de que ele estava ali.
— Mas ninguém sabe como. E acredite, isso é muito melhor.
Tré não respondeu.
Taylor deixou algumas lágrimas caírem e, novamente surpreendo todos, deu um tapa em Billie.
— Por que não me contou?!
— Ai! De que adiantaria?
— Nós estávamos juntos! Não se esconde esse tipo de coisa!
— O que importa? Contei agora. Pronto.
Mike puxava Taylor pelo braço e ela aceitou sair de cima de Billie. Realmente não podia tratá-lo assim, no estado em que ele estava.
— Só Mike sabia – Billie afirmou. — Mas todos vão saber quando eu morrer mesmo.
— O que pode acontecer daqui cem anos, até onde você sabe – Mike disse, exasperado.
Billie deu de ombros.
Gerard não sabia o que dizer, e Taylor ficou olhando para seu ex-namorado com lágrimas aflorando e descendo por suas bochechas sem que ela as notasse ou tentasse impedi-las. O silêncio era quase mórbido, e Billie já estava quase dormindo.
— Meu Deus, você é mesmo ridículo.
Gerard pensou que aquela era um péssima hora — e lugar – para Tré arrumar briga, mas não parecia haver hora errada para ele.
— Quê? — Mike perguntou, a voz ficando dura automaticamente.
— Seu amiguinho. Ele é patético e ridículo.
Billie já estava bem acordado de novo, e novamente parecia interessado no que Tré tinha a dizer.
— Por quê? — perguntou.
— Você não tem outro motivo para as pessoas ficarem com você? — Tré exibia uma expressão um pouco sarcástica, mas também fria. — Tem que ser fazendo-as sentirem pena? Milhares de pessoas passam por dificuldades como as suas e piores todos os dias, e ainda assim lutam pela vida com garras e dentes. Mas você, que tem uma grande possibilidade de viver muito, prefere sentar e esperar a morte. Só porque a culpa não é sua, você acha que todos devem ter dó e te ajudar e blablabla. Você. É. Ridícul-
Um soco é uma boa forma de calar alguém.
Mesmo estando do outro lado da cama, Mike se inclinou muito para atingir Tré, quase caindo por cima de Billie no processo. Este, que também não era de ficar parado em brigas, tentou se levantar, mas sabia que estava sem condições físicas de brigar, com aquela tontura toda.
Tré cambaleou e voltou num piscar de olhos. Já estava indo para cima de Mike quando Gerard e Taylor tentaram apartá-lo. Mike estava com ódio no olhar, respirando rápido.
— Ele nunca contou pra ninguém além de mim a vida toda – ele disse entredentes. — Nunca. E só está contando agora porque está grogue. Ele nunca quis a piedade de ninguém.
— Na verdade, quis sim – Billie falou, sentado e olhando atenciosamente para os dois. — Sempre quis sua piedade, Mike.
— Mas comigo é diferente, sou seu melhor amigo!
— Bom, é verdade. Mas eu entendo o que você quer dizer, Tré. Eu desisti.
Tré ainda era segurado por Gerard e Taylor, mas estava mais calmo. Não tirava os olhos de Mike, mas prestava atenção a Billie.
— É verdade, e é muito cedo, eu sei, mas uma hora cansa. E cada um fica cansado no seu próprio tempo. Há quem canse bem antes, há quem desista bem antes. Então você não pode me julgar. Você mereceu esse soco.
Tré se livrou dos dois que o apertavam e não se moveu. Olhou para Billie.
— Talvez você tenha razão. Mas isso não te faz menos covarde. Olha ao seu redor – ele apontou para Mike e então para Taylor. — Você tem alguém que não te abandona, tem alguém que chora por você, tem uma mãe que nunca desistiu de você até mesmo quando você desistiu de si mesmo. Dê valor a isso.
Billie pensou por alguns momentos. E então assentiu.
— Uau, vocês realmente entraram num acordo – Gerard murmurou, mais para quebrar o silêncio. — É mesmo morfina que eles te deram?
Antes de qualquer um poder responder, Madame Pomfrey apareceu.
— Ok, vocês já estão há muito tempo aqui, e eu ouvi suas vozes se alterando vezes demais. O horário de visita acabou.
Gerard acenou a cabeça para os dois e Tré só os lançou um olhar indecifrável ao sair. Taylor demorou ainda, parada, olhando para Billie. Gerard teve que chamá-la de novo.
— Tô indo!
Gerard queria saber o que os olhares diziam um ao outro. Porque claramente diziam algo.
Saíram da enfermaria sem dizer nada. Não acharam nada para dizer, nem para acusar Tré de sua conduta, nem para comentar o descoberto, nada. Cada um tinha um sentimento diferente em relação àquilo, e cada sentimento era muito pessoal, muito íntimo.
Era estranho pensar que alguém a quem nunca demos muita atenção possa fazer falta. Estranho pensar que a simples falta daquela pessoa nos corredores possa ser sentida por tantos. E mais estranho ainda perceber pela primeira vez que isso pode acontecer com qualquer um, o tempo todo.
Notas finais
AH, QUE É. Eu preciso falar de morte em algum momento, se não a fic não é minha.
E Adrenaline Earthquake, eu entendo agora porque os seus personagens nas suas fics baseadas em GD são todos loucos. Pra enfiar as letras das músicas nos capítulos eles têm que estar drogados, porque né -qqqqq
E sem querer ofender nenhum Idiot, aliás, falando do pai do Billie. Sei muito bem o que aconteceu de verdade, mas não achem que faço pouco disso, pelo amor '-'
Fale com o autor