The Righteous And The Wicked
26 Capítulo 26
Notas iniciais
Ah, oi. SOAD tocando aqui -q
Braço doendo que é uma desgraça, fiquei escrevendo isso aqui de madrugada e hoje de manhã, mas daaaane-se :D
Então, sabiam que eu tinha esquecido de ir avisando aos poucos que ia ter o primeiro jogo de quadribol do ano? É, eu esqueci. Completamente. E eu poderia fazer um capítulo de enrolação só pra deixar vocês ansiosos, mas como sou muito legal, aqui está o jogo de uma vez.
Então, é, quadribol agora. ;)
Não demorou dez segundos depois de abrir os olhos para que Gerard sentisse seu coração chegar na boca. Era dia de jogo.
Seu primeiro jogo.
Seus colegas de dormitório o deram tapinhas amigáveis no ombro ao saírem para a sala comunal, sentindo seu nervosismo. Ao descer, ele encontrou Mikey e Hayley o esperando – pelo menos aquilo era importante o bastante para que seu irmão desse um tempo na distância. Gerard sorriu, internamente grato por isso.
— Você vai se dar bem — Hayley o incentivou. — Vai ser ótimo.
— Confiamos em você — Mikey completou.
Gerard suspirou, mas não respondeu. Nada daquilo adiantava, mas ele sabia que era o máximo que seus amigos poderiam fazer. Ele se despediu logo dos dois e foi para perto de Harry e o resto da equipe. Ele nunca teve problemas nos treinos, e já estava bem auto-confiante; mas é claro que naquela situação as coisas mudavam um pouco.
— Todos aqui? — Harry perguntou, contando mentalmente. — Certo, vamos.
Saíram, ignorando o salão principal lotado de alunos e indo para o campo de quadribol. Foram para o vestiário e se trocaram rapidamente, para se juntar novamente logo depois.
— Ok, pessoal — Harry começou. — Lufa-Lufa, podemos ganhar isso. Podemos, mas nunca, nunca subestimem nenhum adversário, não esqueçam. Não quero deixar ninguém nervoso desnecessariamente, mas também não quero que nada fique no nosso caminho.
Ele continuou por mais um tempo com o papo de capitão, ocasionalmente falando com alguém especificamente, até que se virou para Gerard.
— Eu sei que é o seu primeiro jogo e que deve estar sendo difícil, mas acredite, você não estaria aqui se não fosse bom o bastante. Se você fizer metade do que faz nos treinos, já estamos garantidos — Harry sorriu, mas pensou por um instante antes de completar: — Quer dizer, acho melhor fazer uns 75%. Pra garantir.
Gerard percebeu vários outros rolarem os olhos, mas ele nem sequer sorriu. Aquilo estava sendo uma coisa grande demais para ele se sentir descontraído. Seu primeiro jogo!
Era incrível como ele mal pensara nesse momento nas últimas semanas. Seria de se esperar que ele fosse ficar louco com a proximidade, que é só o que estaria em sua mente...
Ah. É, ele tinha outra coisa em sua mente ultimamente.
Balançando a cabeça, Gerard tentou esquecer. Frank não poderia o atrapalhar agora. Ele ouviu mais algumas recomendações de Harry, que ele sabia estarem sendo feitas praticamente só para ele, e saiu em campo quando já ouviam o barulho da multidão toda nas arquibancadas.
Os minutos passaram rápidos demais. Antes que se desse conta, os times já estavam prontos e Gerard já estava aguardando o apito inicial.
Deu uma última olhada para onde Hayley e Mikey estavam, e bufou de descontentamento ao perceber que Mikey olhava para ela, ao invés de para o próprio irmão. Mas ele poderia perdoar isso. Virou o rosto e sorriu para Mika, que o observava afetivamente, sentado sozinho. Ray fazia parte do time e Steve não estava lá... provavelmente com Brian e Stefan.
Ele não teve tempo para continuar a esquadrinhar os rostos das dezenas de estudantes. O jogo começou, ele sorriu de lado para Ray e deu o impulso para cima.
Realmente não estava tão difícil, considerando que, como era o esperado, ele mantinha a posse da goles pelo maior tempo; mas estava complicado marcar. O goleiro deles era muito bom, e para piorar, Harry e o apanhador da Lufa-Lufa não paravam de aparecer no centro do campo. Pelo jeito o pomo de ouro decidira ficar por lá dessa vez, e nenhum dos apanhadores prestava muita atenção no que acontecia no resto do jogo, o que significava que os batedores e artilheiros tinham que se preocupar em desviar deles se não quisessem cair.
Mas o jogo estava equilibrado. A narração estava animada – feita por um aluno da Corvinal que deveria ser o primeiro a ser realmente imparcial – e a torcida também. Gerard fez o melhor para ignorar as cantorias da Sonserina e conseguiu marcar alguns pontos a mais que a Casa adversária logo nos primeiros quinze minutos.
Mas chegou o momento em que ele não conseguiu mais deixar de olhar para baixo; havia se esquecido de se desviar de lá. Seus olhos caíram no grupo verde e prata da torcida, e ele notou tarde demais que estava procurando por alguém conhecido; notou somente quando não o achou.
Voltou sua atenção para a goles, mas sua mente se distraiu. Frank não estava lá? Mas... ele fora ver a seleção. Por que não veria o primeiro jogo?
— Ponto para a Lufa-Lufa!
Droga, Gerard pensou. Concentre-se.
Mas talvez não fizesse tão mal procurá-lo de novo...
Gerard desceu um pouco a vassoura e olhou mais atentamente para o grupo da Sonserina; mas antes que pudesse focalizar a busca, um balaço passou raspando por seu braço e ele saiu de lá imediatamente.
— O que você tá fazendo? — Gina gritou para ele. Havia se esquecido de como ela conseguia ser assustadora na hora do jogo. — Volta lá para cima!
Ele obedeceu. Era seu primeiro jogo, ele não podia se deixar ser atrapalhado! Muito menos pelo Frank... pela simples falta de Frank ali.
— Ponto para a Grifinória!
Que bom que Gerard não era o único artilheiro, pelo menos. Mas isso ainda era muito apertado. Se o apanhador deles conseguisse o pomo, o jogo estava decidido; a obrigação dos artilheiros era sempre tentar abrir a maior diferença de placar possível.
Gerard voou, e em alguns segundos conseguiu a goles novamente. Desviou de mais um balaço – percebeu que a maioria estava sendo direcionada a ele – e marcou mais um gol. Sorriu satisfeito e deu meia-volta.
Frank não era muito de ir a jogos, de qualquer jeito. Na verdade, fazia realmente mais sentido que ele não estivesse lá. Ele não reclamara, naquele primeiro treino, que só fora para acompanhar Taylor? Então ele não teria porque ir agora.
— Ponto para... uhhh, essa foi por pouco. Rony pega a goles, procura alguém para jogar, mas Way está de costas, então...
Merda, merda, merda.
Gerard se virou, mas a bola já estava com Gina, e Rony o lançava um olhar assassino. Ele abaixou a cabeça e acompanhou a garota, recebendo um passe, refazendo-o e a deixando tentar marcar mais um gol; mas o goleiro lufo também defendeu dessa vez, e a passou para Ray.
Gerard foi em seu encalço, mas ele foi mais rápido e mais ágil; driblou Rony e marcou.
— Muito bem, Toro — Gerard falou debilmente.
— Valeu. Mas você está meio avoado hoje, Gee, o que aconteceu?
Sem esperar resposta, Ray foi atrás da goles novamente, Gerard o seguindo, mas ambos perderam a corrida quando Harry passou disparado à frente, quase os derrubando.
— Estou bem – Gerard respondeu, indo para longe.
Deixou os outros dois artilheiros trabalharem por esse ponto e olhou para a arquibancada mais uma vez. Taylor. Se Taylor estivesse ali e Frank não estivesse ao seu lado, então era certeza de que ela não viera...
Seu cérebro pareceu acelerar só para conseguir realizar aquela procura sem ferrar mais com seu desempenho, e deu certo; Gerard captou a conhecida cabeça loira, voltada atentamente para os apanhadores, e ao seu lado... ele.
Gerard sorriu inconscientemente, e naquele momento, não se importou que Frank tivesse visto. Porque sim, Frank estava olhando exatamente para aquele ponto, para Gerard; e o grifinório teve a súbita sensação de que ele o estava observando o jogo inteiro. O que significava que ele viu sua procura desesperada.
Gerard poderia ter se martirizado, mas algo na expressão de Frank o afastou disso. A distância não o deixava ter certeza, mas ele quase... quase poderia jurar que viu um sorriso retribuindo o seu próprio.
Gerard voltou para perto dos aros, logo depois de Ray ter marcado mais um ponto. Só que agora, Gerard se sentia renovado, e achou que estava mostrando isso. Agarrou a goles, goleou; deixou um ponto para Gina, depois fez mais um. Perdeu um para o segundo artilheiro da Lufa-Lufa, mas retribuiu novamente.
Ele percebeu o alívio em seus companheiros por ele estar de volta.
O jogo ainda estava apertado, mas aos poucos eles abriam mais o placar. Se Harry conseguisse pegar logo o pomo...
E foi exatamente o que não aconteceu.
Gerard demorou para entender que o jogo tinha acabado. Ouviu o apito, mas atirou a goles que tinha em mãos do mesmo jeito. E quando finalmente olhou para os outros, pronto para celebrar a vitória, viu que os únicos rostos felizes não eram os de sua Casa.
Franziu o cenho, ainda sem compreender totalmente. Mas então viu o apanhador adversário com o pomo de ouro na mão, sorridente como só alguém que vencera Harry Potter poderia estar, e aceitou a derrota como um soco em seu estômago.
Desceram. Os lufos foram se abraçar, e Ray conseguiu se afastar um pouco para dar um rápido abraço de consolação em Gerard, que o aceitou fracamente.
— Sinto muito, mas você foi ótimo!
Gerard esboçou um sorriso triste e foi para o vestiário com os outros. Antes, porém, olhou mais uma vez para os alunos da Sonserina.
Frank ainda olhava para ele. Taylor falava alguma coisa. O resto pulava de alegria com o resultado, e Gerard notou, tendo agora tempo para olhar... que Draco não estava entre eles. Nem Billie ou Mike.
Observou Harry ir à frente e se perguntou se a perdição dos dois não foi a mesma.
———
— Você não pode ser perfeito sempre! — Hermione argumentava. — Por favor, Harry, não seja tão arrogante ao ponto de pensar que você não perderia nunca.
— Não estou pensando isso. Mas eu poderia ter pegado aquele pomo, eu sei que poderia, se tivesse prestado mais atenção...
Hermione suspirou exasperadamente e o abraçou de lado. Sabia que aquela culpa ia demorar um pouco para diminuir. Olhou com raiva para Rony, mas o ruivo nem se mexeu.
— É, eu me pergunto o que estava te distraindo tanto – Rony falou, azedo. — Você e Gerard não paravam de olhar para os sonserinos. Eles nem estavam fazendo tanta algazarra hoje.
Harry não respondeu, ainda fitando o chão em desolação. O desprezo do amigo não o ajudava em nada, ainda mais sabendo que isso só estava acontecendo pelos problemas que sua relação com Gina estava tendo. E não podia culpar Rony por o tratar mal em favor da irmã.
— Ainda podemos ganhar o campeonato, não esqueça – a própria Gina comentou. — Os lufos estão na frente, mas se ganharmos o próximo jogo depois do Natal, ainda teremos uma chance.
— Eu sei, eu sei.
Gerard observava a cena em silêncio. Todos estavam cabisbaixos na sala comunal. Grifinórios nunca foram bom perdedores. Era bom saber, ao menos, que Ray, Mika e Steve estavam comemorando naquele momento.
— Quer dar um tempo nessa tristeza? — Hayley sugeriu. — Vamos lá pra fora. Mikey, vem também.
O mais novo hesitou, mas cedeu ao olhar de súplica de Gerard. Eles saíram, mas foram surpreendidos por Harry assim que passaram pelo buraco do retrato.
— Gerard, espera. Você... pode ver pra mim se... onde ele está?
Gerard sabia de quem ele falava, e suas suspeitas se confirmaram. Harry se distraíra no jogo pelo mesmo motivo que ele, mas não tivera a felicidade de encontrar quem procurava nas arquibancadas.
— Claro. Assim que souber eu volto.
— Obrigado — Harry murmurou e deu meia-volta.
— Espera, o Draco não estava vendo o jogo? — Hayley perguntou alguns segundos depois, também tendo entendido de quem Harry falava. — Eu tinha certeza de que ele iria, todos sabem que quadribol é importante para o Harry!
— Aparentemente, você não é a única a ter tido certeza e ser desapontada — Gerard comentou. — Não sei bem se Harry está triste, com raiva ou preocupado.
— Ou os três — a garota falou. — Como pretende descobrir o que aconteceu?
— Com a nossa única fonte de informações da Sonserina, claro.
Hayley gemeu e diminuiu o passo.
— Que tal você ir sozinho, então?
— Ah, nem pensar. Vocês dois vêm comigo e ponto final.
Gerard se colocou entre Hayley e Mikey, cruzou os braços com os deles e marchou para frente.
Assim que chegaram ao fim das escadas, encontraram quem queriam. Os três estranharam; Frank e Taylor já olhavam na direção de onde eles vinham, como se os esperassem.
— Mandados pelo Potter, suponho? — Taylor falou primeiro, olhando para cada um deles, demorando-se um pouco mais em Hayley. — Para perguntar sobre o Draco.
— Como sabe? — Gerard perguntou.
— Era meio óbvio que ele estava procurando alguém enquanto voava, e pra quem sabe da história, era mais óbvio ainda quem.
— Bom, então, o que aconteceu? — Hayley se pronunciou, olhando para Frank. — Por que Draco não estava lá?
Taylor sorriu de lado com a clara tentativa da ruiva de ignorá-la, mas quando voltou a falar, foi com uma expressão grave.
— Ele teve que ir pra enfermaria, acompanhar alguém.
— Ele tá bem?
— Sim, Hayley, não ouviu a parte de “acompanhar alguém”?
— Tá, acompanhar quem, então?
Taylor não respondeu, parecendo não ter certeza se devia dizer algo ou não. Frank decidiu por ela.
— Billie Joe. Ele desmaiou, e Mike não o conseguiria levar sozinho, então Draco teve que ficar para trás para ajudá-lo. Era perigoso fazê-lo flutuar sem saber o que ele tinha... Nós acabamos de voltar da enfermaria. Quando não vimos nenhum dos três lá no campo, achamos que algo tinha acontecido.
— Oh... bom, eu... — Hayley não sabia como reagir. — Espero que Billie fique bem... Mas Draco podia ter descido depois de deixá-lo seguro...
— Nah, eles já eram os últimos a sair mesmo — Taylor voltou a falar. — Draco disse que quando finalmente estava na metade do caminho para o campo, viu a Lufa-Lufa ganhando. Aí decidiu voltar para a enfermaria e esperar o Billie acordar para xingá-lo por ter desmaiado justo naquela hora.
— E ele já acordou? — Gerard questionou, fitando Taylor e ignorando Frank.
— Não.
O clima ficou absurdamente pesado. Taylor estava claramente preocupada, Frank provavelmente também, e os grifinórios simplesmente não sabiam o que dizer sem que soasse falso. Eles nunca gostaram de Billie.
— Vocês querem visitá-lo? — Frank disse subitamente.
Todos olharam para ele incrédulos, e ele levantou os braços, como em rendição.
— Foi só uma sugestão, desculpa.
— … tudo bem, é que... — Hayley parou para pensar e olhou para os outros dois. — O que acham?
— Vocês podem falar com Draco também — Frank continuou antes que alguém pudesse responder. — Contar que Harry o procurou.
— É... é — Gerard assentiu. — Boa ideia.
Taylor bufou audivelmente.
— Então vamos logo.
Quando todos se viraram para caminhar juntos, Mikey se desvencilhou do meio abraço que Gerard ainda lhe dava.
— Vão vocês, eu... eu vou... depois me contem como foi.
— Mikey...
— Até logo, Gee.
Gerard observou o irmão se afastar sem saber mais o que dizer. Vê-lo daquela forma estava pesando em seu coração, e ao olhar para o lado, percebeu que Hayley sentia o mesmo. A impotência era terrível! Nem sabiam direito porque ele estava assim; apesar de Gerard ter quase certeza do motivo.
— Vocês vêm ou não? — Taylor chamou, impaciente, e Gerard e Hayley trocaram mais um olhar antes de seguirem os sonserinos escadas acima.
Notas finais
Só pra constar, a Lufa-Lufa é muito digna de ganhar um jogo sem precisar de dois dos adversários agindo como idiotas apaixonados, tá? Isso foi para efeito de fic, eu não subestimo os lufos em nada u_u (até porque eu teria sido um se a Sonserina não tivesse me escolhido ♥)
Se meu braço não cair, até o próximo, xoxo
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